Arquivo da tag: Jovem Guarda

Virada Cultural terá Roberto Carlos em mostra da Cinemateca

A Cinemateca Brasileira participa mais uma vez da VIRADA CULTURAL, evento organizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Mantendo a já tradicional programação dedicada aos grandes astros da música popular brasileira e mundial, exibe neste ano o documentário Bob Marley: the making of a legend, de Esther Anderson e Gian Godoy. Inédito no Brasil, o filme revela momentos de intimidade do astro da música jamaicana antes de chegar ao estrelato.

O programa dedicado à música pop inclui ainda outra atração muito especial – a projeção, em novas cópias 35mm – confeccionadas especialmente para a ocasião pelo Laboratório da Cinemateca -, de três clássicos do cinema musical brasileiro, dirigidos pelo cineasta e produtor Roberto Farias:

Roberto Carlos em ritmo de aventura, Roberto Carlos e o diamante cor de rosa, e Roberto Carlos a 300 km por hora. Os fãs do Rei terão um prato cheio conferindo a apresentação da trilogia protagonizada pelo principal ídolo da Jovem Guarda. Durante a madrugada, a Cinemateca ainda promove sessões voltadas aos amantes do sexo explícito.

Dois clássicos da pornochanchada recentemente projetados no Festival de Roterdã, na Holanda, fecham as atrações da VIRADA – Senta no meu que eu entro na tua, de Ody Fraga, e Fuk-fuk à brasileira, de J. A. Nunes, pseudônimo do diretor Jean Garrett.

 CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próximo ao Metrô Vila Mariana

ENTRADA FRANCA

Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

www.cinemateca.gov.br 

Wanderlea, Roberto Carlos e Erasmo Carlos: em busca do diamante cor-de-rosa…

PROGRAMAÇÃO 

05.05 | SÁBADO 

SALA CINEMATECA BNDES 

18h00 PRÉ-ESTREIA BOB MARLEY: THE MAKING OF A LEGEND

20h00 ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA

22h00 ROBERTO CARLOS E O DIAMANTE COR DE ROSA 

06.05 | DOMINGO  

SALA CINEMATECA BNDES 

00h00 ROBERTO CARLOS A 300 KM POR HORA

02h00 SENTA NO MEU, QUE EU ENTRO NA TUA

04h00 FUK FUK À BRASILEIRA 

dom 6 de maio – 00h00 

SESSÃO ESPECIAL 

Bob Marley: the making of a legend, de Esther Anderson e Gian Godoy

Inglaterra/Jamaica, 2011, vídeo digital, cor, 92’ | Exibição em DVD | Legendas em português

Documentário sobre o astro do reggae Bob Marley. O filme reúne uma série de imagens captadas numa câmera de vídeo nos anos 1970 por Esther Anderson, à época sua namorada. O material revela momentos de sua intimidade antes de chegar ao estrelato, conversas entre Marley e sua banda, a The Wailers, fotos e hábitos pessoais. Inédito no Brasil, o documentário foi apresentado em diversos festivais de cinema ao redor do mundo e recebeu a Menção Honrosa da UNESCO no Jamaica Reggae Film Festival.

Não indicado para menores de 16 anos

Ronnie Von, eterno Príncipe, se diz ‘um homem comum’…

Quarenta e cinco anos se passaram desde sua primeira experiência como apresentador. Apesar do longo período na frente das câmeras, Ronnie Von é conhecido também por outras facetas. Músico, publicitário e aviador, ele está prestes a comemorar 67 anos. Mas antes desta festa, ela teve outra celebração. Nessa quarta-feira (1), o apresentador festejou o programa de número 1500 do Todo Seu, da TV Gazeta, emissora onde o eterno “príncipe” da Jovem Guarda permanece desde 2004. E, de lá, dificilmente sairá, já que dinheiro nenhum cobre o que ele mais preza no trabalho. “Já recebi ofertas milionárias, mas eu só sairia da Gazeta se eu perdesse o conforto emocional que tenho aqui. Nada é pior na vida do que a cobrança de audiência”, afirma Ronnie.

Marília Neves, iG Gente

Ronnie Von durante a gravação de seu programa Todo Seu 

O apresentador costuma chegar à emissora às 19h, após trabalhar o dia todo em sua agência de publicidade, a Societá & Von Comunicação. A partir daí, tem cerca de uma hora e meia para passar o roteiro, conversar com o diretor, revisar o texto do merchandising, além de fazer a maquiagem e dar uma última ajeitada no cabelo. Engana-se quem pensa que essas duas últimas partes são as mais demoradas para Ronnie, que aparece sempre impecável no vídeo – e longe dele — e tem fama de metrossexual. São menos de três minutos sentado na cadeira da maquiadora e o mesmo tempo com o cabeleireiro. “As minhas vaidades maiores são o colarinho e os punhos (da camisa), que têm que ser impecavelmente passados”, confessou o apresentador.

“Adoro o Fausto (Silva), uma pessoa dadivosa, sensacional em tudo, mas nunca assisti o programa dele de cabo a rabo”

Da sala da maquiagem, Ronnie segue para o estúdio do canal, onde cumprimenta todos os convidados e a equipe de produção, composta por cerca de 30 pessoas. O apresentador inicia a gravação pouco antes do “Todo Seu” ir ao ar. Enquanto um bloco é assistido pelas bonitinhas (como Ronnie se refere às telespectadoras) em casa, o segundo está sendo gravado. 

Ronnie Von: “lavo, passo, cozinho e arrumo com perfeição”

Depois do sinal de gravando, ele só pára o trabalho duas horas depois. E já jantado – com a receita que o chef convidado do dia prepara durante a atração.

iG: Você está comemorando o programa de número 1500 na Gazeta em uma época em que o troca-troca de emissoras é intenso. O que te faria deixar a TV Gazeta? Uma proposta milionária?
Ronnie Von: Oferta milionária eu tive. Algumas. Eles sabem aqui na casa. Eu sairia se eu perdesse o conforto emocional que eu tenho aqui. Nada é pior na vida do que a cobrança de audiência. Sou publicitário, reconheço que é importante a audiência, mas ela na verdade não traz o recurso para a emissora. Quem é que paga o salário do câmeraman, da produção, e, eventualmente, o meu? É o anunciante. Ele que traz o recurso. Agora, você ter audiência por ter, para ver uma televisão escatológica, pornográfica, eu não tenho talento para fazer isso. Aqui nunca fui cobrado pela audiência. Isso dá um conforto emocional.

iG: O que assiste quando está em casa?
Ronnie Von: Assisto muito TV a cabo e gosto muito de documentários e telejornalismo. Sei muito pouco da programação de televisão aberta, mas por dever de oficio, tem que conhecer, ver de tudo um pouquinho, mas jamais o produto inteiro. Um dos meus mais íntimos e queridos amigos é o Fausto (Silva). Adoro o Fausto. Pessoa dadivosa, sensacional em tudo. Eu nunca assisti o programa dele de cabo a rabo. Aquela vídeo-cassetada eu gosto muito. Não tenho habitualidade de assistir a programação das grades abertas. Até porque não tenho tempo.

“ Uma vez fui comprar lingerie e estava cheio de gente do lado de fora da loja, me chamando de bicha”

iG: Você foi um dos grandes galãs sua época e, hoje, chega a ser taxado de metrossexual. Se considera assim?
Ronnie Von:
Se o metrossexual é aquele que jamais vai deixar a mulher botar a mão em uma maçaneta, é aquele que jamais vai deixar de puxar uma cadeira para uma mulher sentar, eu sou metrossexual. Agora, se você acha que metrossexual é aquele que usa creme, que passa não sei o que no cabelo, na pele, não sou. Não me cuido mesmo, não passo nada. Não é que eu não vá fazer cirurgia plástica, mas eu tenho medo de um dia fazer e a coisa ficar pior. Me chamam de metrossexual, mas dizem que metrossexual é aquele que se cuida muito, que gosta muito de espelho, meio narcisista. Estou fora! 

Ronnie Von: “Sou uma pessoa de hábitos bastante simples comigo mesmo. Não me cuido mesmo, não passo nada” 

iG: Mas você não tem nenhum um pouco de vaidade?
Ronnie Von: Todo mundo que trabalha com comunicação tem uma certa vaidade e eu também, evidente que tenho. As minhas vaidades maiores são o colarinho e os punhos (da camisa), que têm que ser impecavelmente passados. E o terno tem que ser bem cortado, tenho que estar sempre arrumado, parecer que saí do banho o tempo inteiro. Não saio de casa sem uma colônia, não existe esse tipo de possibilidade nunca.

“Oferta milionária eu tive. Sairia da Gazeta se perdesse o conforto emocional, nada é pior na vida do que a cobrança de audiência”

iG: Em seu livro “Mãe de Gravata” (1994) você fala sobre seu momento “pãe”. Qual foi o maior aprendizado neste período?
Ronnie Von: Para um homem criar filhos em um ambiente machista é muito complexo. Uma cabeça coroada da Europa, sendo homem, ele vai saber cozinhar, passar, arrumar, porque um verdadeiro príncipe sabe fazer isso, faz parte da educação europeia. Aqui não. Não sei em que almanaque está escrito que mulher faz isso, homem faz aquilo. O homem moderno que se cuide, porque se ele não dividir essas tarefas ditas femininas, ele vai estar uma situação bastante complicada daqui pra frente.

iG: Sofreu algum tipo de preconceito por entender tanto do universo feminino?
Ronnie Von: Sofri. Quem é que podia vestir minha menina? Era eu, não tinha com quem dividir. Me lembro uma vez que eu tinha um misto de motorista e segurança, era um armário. Nós fomos numa loja de lingerie. Eu, cabeludo, veio a vendedora ajudar, cheia de dedos. Ela trouxe umas coisas muito sem graça e perguntei se não tinha nada com bordado inglês. E ela rindo, já imaginando uma outra coisa. Quando olho para trás na porta, ‘cadê o Carlão?’ Estava cheio de gente do lado de fora, querendo entrar. Aí eu disse “meu Deus do céu, olha o rolo para comprar uma lingerie para minha filha”. Aí a vendedora me levou para o estoque, fiquei lá umas três horas, a multidão se dissipou, mas eram gritos, me chamando de “bicha”.

Significa! Comentário de Ronnie Von no programa virou hit 

 iG: Esse preconceito era somente nas ruas ou também entre amigos?
Ronnie Von: Eu era descasado, mas sou bicho de toca. Então, continuei recebendo os amigos em casa. E sempre ficava do lado das mulheres, porque elas, sim, tinham subsídio para me fornecer. Com os homens, a conversa era a mesma: futebol, negócios, mulher. Uma vez, saiu em uma revista uma moça que eventualmente eu tive um romance. Vieram me mostrar e eu disse: “beleza, tá maravilhosa, linda essa capa da “Playboy”, mas vou te mostrar, rapaz, uma toalha de mesa que você não vai acreditar”. Aí falaram “pô, Ronnie, até você, jogando água fora bacia?”. Você vê que é um problema cultural, machista, latino-americano. Passei a ter uma visão absolutamente feminina da vida. Morro de medo de mulher. Por isso, estou sempre cercado delas pra tudo na minha vida. 

iG: Que medo é esse de mulher?
Ronnie Von: Da determinação delas. A mulher, quando quer uma coisa, consegue. O homem vai pedir “com licença”, dá a volta. A mulher tem uma coisa de perversidade, de vingança, de dissimulação. Por exemplo, nós homens, quando nos encontramos, falamos: “aê seu vagabundo, você não presta mesmo, é um cafajeste, rapaz”. Aí o cara vai embora e você vira para o outro e fala “adoro fulano”. A mulher já é o contrário. Na frente, ela fala “que lindo seu cabelo, você é tão linda”. Saiu, “essa perua”. É assim, então eu tenho que estar sempre de bem com elas, mas exatamente por ter convivido com elas, que me ajudaram muito, eu aprendi a respeitar e ter medo. Deus me livre de ser vítima de uma vingança feminina. E claro, aprendi a gostar das coisas ditas femininas. Cama, mesa e banho é comigo mesmo. Lá em casa, minha mulher não compra uma peça de roupa, visto ela dos pés à cabeça. De sapato a lingerie. 

“Se o metrossexual é aquele que jamais vai deixar a mulher botar a mão em uma maçaneta, é aquele que jamais vai deixar de puxar uma cadeira para uma mulher sentar, eu sou metrossexual “

Ronnie Von: “Só sairia da Gazeta se eu perdesse o conforto emocional” 

iG: Em um de seus programas, um dos conselhos que você deu a um rapaz que queria saber se era ou não homossexual virou hit com sua resposta “significa”…
Ronnie Von: (risos) É um programa que nós temos toda quarta-feira que se chama “Conselheiro Sentimental”. Não tem produção, eu simplesmente leio os emails e gosto de ler na hora para ser impactado junto com os convidados. Estávamos estourados com o tempo e recebo um email com o seguinte teor. “Ronnie, fui à festa na casa de um amigo de um amigo meu. Desde esse dia nunca mais consegui tirar ele da cabeça. (…) isso significa que sou gay?”. Significa! E parti para outra, porque eu tinha muita coisa para responder, muito email. Aí eu falei rápido. O (Marcelo) Tas, que é meu amigo, estava vendo, ai veio aquilo tudo que você já viu. As pessoas na rua passam, vem falar comigo… “e aí, significa?”. Virou um hit mesmo.

iG: Você falou que é amigo do Tas e o “significa” foi parar no Top Five, do “CQC”, mas isso não é a primeira vez que aconteceu. Te incomoda?
Ronnie Von: Não, não, pelo contrário. Quando a coisa se torna popular, você não pode contraria não, porque essa, de fato, outro clichezão, é a voz de Deus.

“Lá em casa, minha mulher não compra uma peça de roupa, visto ela dos pés à cabeça. De sapato a lingerie”

iG: Qual um sonho de Ronnie Von?
Ronnie Von: Tinha muita vontade de ter uma fundação que cuidasse da velhice desamparada. Agora, os sonhos materiais, acho que são passíveis de discussão.

iG: Não pode citar alguns?
Ronnie Von: Vou citar um, então. É tão distante, tão impossível de ser realizado, é até pra rir, mas eu sonhava e sonho até hoje em ter um Falcon 900. Sou aviador e esse é um trirreator da Dassault, o sonho de consumo para qualquer pessoa que gosta de aviação. Mas é tão distante da minha realidade que ele vai ser sonho mesmo.

iG: Como você se define?
Ronnie Von: Um homem comum, com os mesmos problemas, anseios e necessidades de todo homem comum da minha época. Só tenho uma atividade ligada à comunicação, uma profissão de vitrine, mas me considero uma pessoa muito comum, mesmo. Se alguém me olha muito na rua, eu acho que a gravata está fora do lugar, que estou sujo, o cabelo está despenteado, qualquer coisa assim.  

Ronnie Von: "Sou um homem comum, com os mesmos problemas, anseios e necessidades de todo homem comum da minha época"
Todas as fotos de Beto Lima

Ronnie Von: “Sou um homem comum, com os mesmos problemas, anseios e necessidades de todo homem comum da minha época”

Os Anos Rebeldes de GILBERTO BRAGA

Gilberto Braga relata processo de criação da série, que sofreu pressão do Exército e inspirou os caras-pintadas

Revisitar um programa de televisão em livro é iniciativa que raramente vale o papel. Anos Rebeldes, a minissérie de Gilberto Braga que a Globo exibiu em 1992 no pré-impeachment de Fernando Collor, é uma dessas raridades e não meramente por ter marcado uma época. Marcou duas: a dos anos de chumbo retratados no programa (de 1964 a 1971, com breve flash da anistia em 1979), e, por acaso, aquela em que foi exibida, quando inspirou os pacatos estudantes da temporada a sair do sofá, pintar a cara e tomar as ruas para engrossar o coro de “Fora Collor” ao som de Alegria Alegria, tema de Caetano Veloso que abria a minissérie.

 

Nostálgica para uns, a série trouxe a outros um passado que contextualizava o advento da pílula anticoncepcional, a indignação mundial contra a presença norte-americana no Vietnã, a conquista do espaço, as Copas de 66 e 70, o tal milagre econômico, o tropicalismo e a Jovem Guarda, entre tantas idolatrias.

A larga lista de conquistas bastaria para explicar por que Anos Rebeldes – Os Bastidores da Criação de Uma Minissérie, que a Editora Rocco lança esta semana, é de uma riqueza de detalhes nunca antes vista na arte de dissecar um roteiro feito para a televisão. Lá está a reprodução na íntegra de todo o script dos 20 capítulos da série, acompanhada da análise de seu criador, Gilberto Braga.

O caso é que, além da competência que em linhas gerais conduziu esta produção da TV Globo, um script igualmente atraente se desenhou nos bastidores da minissérie. Como primeiro título da teledramaturgia brasileira disposto a enfocar o período da ditadura no Brasil, Anos Rebeldes sofreu pressão do Exército e forte censura interna. Várias cenas foram reescritas.

Ao lembrar que em 1988 Roberto Marinho quis suspender a exibição de O Pagador de Promessas mas foi convencido por Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, então principal executivo da Globo) a só cortar 4 dos 12 capítulos da minissérie de Dias Gomes, Gilberto narra a tensão por que passou ao escrever sobre a história de João Alfredo (Cássio Gabus Mendes), Maria Lúcia (Malu Mader), Heloísa (Cláudia Abreu), Edgar (Marcelo Serrado) e Galeno (Pedro Cardoso). “Tinha medo de escrever e, depois, que as cenas fossem cortadas por alguém”, conta o autor no livro. Foi Cláudio Melo Souza o intermediário escalado por Roberto Marinho para ler algumas partes do roteiro. “Seu parecer dizia que, do décimo ao décimo quarto capítulo, estávamos carregando demais nas tintas políticas.”

Um dos trechos cortados do original, publicado à época pelo Jornal do Brasil e mencionado no livro, é o seguinte: um policial aborda Maria Lúcia num muro e separa as pernas dela com o cassetete, levantando sua saia quase até a calcinha, numa insinuação de abuso sexual. Era demais.

Cláudia Abreu, Gilberto Braga e Malu Mader: trio de respeito

Escravos. Mas a censura interna enfrentada pelo autor em 1992 não se compara às sanções sofridas por ele mesmo em 1976, quando, em uma reunião em Brasília com censores do governo militar, comprometeu-se a não mais mencionar a palavra “escravo” na novela Escrava Isaura, escrita por ele à época para a Globo. A história foi inteiramente transportada para o script de Anos Rebeldes e aparece no último capítulo, pela voz de Galeno.

Detalhista, o autor fala de seu esmero com a seleção musical de suas produções. Reconhece méritos e falhas – seus e alheios. Diz que era alienado nos anos que tão bem retratou, conta que foi Sérgio Marques, com quem assina o texto, quem o orientou melhor sobre a época, e faz lá suas críticas a figurino e elenco – como as restrições às interpretações de José Wilker e de Cláudia Abreu no início da produção.

Anote-se, no entanto, que nem nas contrariedades Braga perde o humor, o que não significa que ele se renda às armadilhas do final feliz. Ainda bem.

Cristina Padiglione – O Estado de S.Paulo

WANDERLEA também chora Lady Laura

 

Amiga de Roberto Carlos desde os tempos  da Jovem Guarda, Wanderléa e não poderia deixar de comparecer ao enterro da mãe do cantor, Lady Laura, por quem sempre teve uma grande admiração:


“A cena que ficou gravada na minha memória com maior intensidade foi a do Roberto sentado no colo da Dona Laura. Eu ficava encantada em ver estas cenas… em ver como ele tinha carinho pela mãe”, contou bastante emocionada, de dentro de um carro, no cemitério Jardim da Saudade, próxima ao túmulo da família do cantor.
Wanderléa, assim como Erasmo e agora Roberto Carlos, já enfrentou a perda de sua mãe.“Quando soube da morte da Dona Laura, me senti órfã de novo. Eu lembrei muito da minha mãe e da mãe do Erasmo que agora estão juntas no céu”, acrescenta.

Ainda segundo Wanderléa, Roberto é forte, porém tem sensibilidade e facilidade para o choro. “Ele sabe que o coração dela está estará sempre vivo para nós”, concluiu.