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Porque Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis…

Porque o Resto é sempre maior que o principal… 

Antes que os desavisados venham me perguntar o que resta em um de meus mais recentes trabalhos, o curta RESTA UM, prefiro responder numa das formas onde sou mais afoita: escrevendo. 

Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo o assunto do filme, ou ainda, qual o sentido deste filme. 

Porque…. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. 

Resta até mesmo você que pensa que o filme homenageia o Cinema Marginal, que de marginal só tem mesmo a má vontade e incompetência dos que não tem coragem de ousar porque se pelam de medo de errar, e errando, revelar-se, afirmando sua ignorância suprema ante a importância e história do Cinema Brasileiro. 

Resta um ator que não entrou neste filme mas estará num próximo, feliz da vida pela alegria de celebrar o encontro e a verdade das palavras. 

Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado. 

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir. 

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.  

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia. 

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar. 

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou. 

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor, e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia transgressora a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, uma atriz com a grandeza e a competência genuína de Helena Ignêz, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik. 

Helena Ignêz evidencia beleza e altivez da mulher brasileira no cinema…

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um verso de Ferreira Gullar pra ler, um texto de Graciliano que não nos sai da cabeça, um personagem para Selton Mello interpretar, e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar. 

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e uma constante disposição de celebrar as invenções fílmicas de Zeca Brito. 

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho. 

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado.

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor.

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior.

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê.

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis. 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar.

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar.

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores.

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades.  

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado, e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair.

 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um incontido mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna.  

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo CINEMA e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não.  

Carvana e Milton Gonçalves em O Anjo Nasceu, segundo filme de Bressane…

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus… 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes. 

 

Vinícius de Moraes, poeta que ilumina e inspira…

Festival de Brasília Começa em Setembro

Organização Quer Atrair Mais Filmes e Muda Regras 

Cena de "o céu sobre os ombros", longa mineiro que foi o grande vencedor do FBCB em 2010 (Foto: Divulgação)
Cena de “O céu sobre os ombros”, longa mineiro
vencedor do Festival em 2010 (Foto: Divulgação)

O Festival de Brasília de Cinema Brasileiro (FBCB) abre HOJE inscrições para sua 44ª edição com inúmeras novidades. A principal delas: o ineditismo deixou de ser pré-requisito para participar.

Segundo a organização, esse critério impedia que filmes importantes participassem do FBCB por já terem sido apresentados em outros festivais. Agora, só serão excluídos da seleção do Festival de Brasília títulos que já premiados na categoria Melhor Filme.

Júlio Bressane: Cinematografia sempre reconhecida em Brasília

Também para atrair mais cineastas, o prêmio para a categoria Melhor Filme subiu de R$ 80 mil para R$ 250 mil. Foram criadas premiações específicas para animação, que neste ano terá uma mostra competitiva exclusiva. O orçamento total do FBCB passou de R$ 3.040.081, em 2010, para R$ 4.034.039 neste ano.

A organização também flexibilizou a seleção quanto ao suporte dos filmes. Obras filmadas em película ou em formatos digitais poderão participar igualmente da mostra competitiva, que foi antecipada e este ano começa dia 26 de setembro e vai até 3 de outubro.

Tradicionalmente, o FBCB era realizado em novembro, mês chuvoso e próximo do fim do ano, o que, segundo a organização, afastava parte do público.

 

 Glória Pires com seu Candango de Atriz por É Proibido Fumar

A 44ª edição do FBCB terá qiatro mostras paralelas e não competitivas: Mosaico, Primeiros Filmes, Filme para Celular e Festivalzinho Animado. Além disso, a programação vai incluir oficinas, seminários e encontros entre realizadores e produtores de cinema e televisão. Os filmes da mostra competitiva serão exibidos no Cine Brasília e em sessões simultâneas em Sobradinho, Taguatinga e Ceilândia.

Ano passado, o FBCB apresentou seis longas-metragens, 12 curtas-metragens em 35mm e 22 curtas e médias-metragens digitais. “O céu sobre os ombros”, dirigido por Sérgio Borges venceu na categoria melhor filme e também levou os prêmios de melhor roteiro, melhor direção e o prêmio especial do júri.

Desabafo de BRESSANE:”Há uma espécie de desaparição do humano no coração da sociedade”

 JULIO BRESSANE
‘Não me enterrem vivo’ 
Em Lisboa para mais uma retrospectiva europeia
de sua obra, o cineasta Julio Bressane diz
que no Brasil é ignorado pelos editais de
financiamento de filmes, as esquerdas e a
imprensa o boicotam há 40 anos e a opinião
pública de hoje é herdeira do fascismo 


Entrevista a Arnaldo Bloch
Foto: Enric Vives-Rubio, de Lisboa 

Como é ser um dito cineasta 
marginal no século XXI?

– Hoje a expressão marginal goza até 
de certo prestígio. Mas foi uma invenção
espúria no âmbito de um certo es-
querdismo que não perdoava
qualquer espírito de vanguarda
que não rezasse pela cartilha, co-
mo o meu. Não era um bloco mo-
nolítico. Afinal, Cinema Novo, em
termos de filmes, não queria dizer
nada. É sempre assim: no fim, co-
locam um rótulo para facilitar a
inserção no mercado.

Como a bossa nova…

– Ou como a Nouvelle Vague. Truf-
faut, quando indagado sobre o mo-
vimento, disse que eram uns contra
os outros. Mas o fato é que a coisa
do “marginal”, para esse grupo, sig-
nificava a abjeção suprema, o antis-
social. E essas pessoas criaram a
Embrafilme, tomaram conta das
fontes de financiamento e conti-
nuam no poder até hoje. Assim o
guichê da Embrafilme ficou vedado
a uma meia dúzia de desajustados,
entre os quais gente como eu e o
Sganzerla. Por isso precisei inventar
uma maneira de se fazer filmes sem
dinheiro, para sobreviver.

Mas como seus filmes são fi-
nanciados?

– Em geral, como qualquer filme:
através do dinheiro público. Mas
com orçamentos pífios, que va-
riam de R$ 200 mil a R$ 500 mil. Po-
rém, um dos meus projetos recen-
tes no qual eu mais apostava, “O
beduíno”, vem sendo barrado há
dois anos. Nos três editais de que
participei, solicitando R$ 600 mil
para produzir todo o filme, as co-
missões julgadoras concederam
seu aval para 65 longas-metragens
e eu fiquei de fora!

O que aconteceu?

– Além das razões que citei antes, há
esta mentalidade de que “filme de
público” ou “filme de mercado” têm
preferência. Ora, isso não existe.
Com raras exceções, não há filme
que dê lucro. A cada 50 filmes ame-
ricanos, um se paga. Se considerar o
custo do filme, o público não paga
nem a cópia. O dinheiro vem única e
exclusivamente das fontes, privadas
ou oficiais, de financiamento. São
elas que pagam as equipes, os dire-
tores, os atores. Os filmes brasilei-
ros, então… Com exceção de um ou
dois, é tudo deficitário.

Dos seus filmes, qual deu 
mais público até hoje?

– Nenhum deu “mais público”, já que
nenhum deu público algum… Mas
mesmo que nem eu vá, eles nunca
dão prejuízo em comparação com
esses colossos de custos astronômi-
cos. Filmes que custam R$ 200 mil já
estão no lucro só de irem à tela. O
mais recente, “A erva do rato”, ficou
nove semanas em cartaz numa sala.
Há grandes produções que ficam o
mesmo tempo e produzem grandes
rombos. Outra limitação é a impren-
sa. Venho sendo vítima de um traba-
lho prolongado de censura a mim e
a meus filmes. Quando fiz “Cleópa-
tra”, a maneira com que o filme foi
tratado foi de uma brutalidade e vul-
garidade sem par. É uma mentalida-
de genocidária. O que não quero é
que me enterrem vivo, isso é que
não pode. Essas coisas representam
uma espécie de veto à sua vida. Fei-
to por gente com sensibilidade de
barata. Esquecem que há gente sen-
sível. Às vezes o que para uma pes-
soa é uma coisa natural pode levar
outra à morte. Conheço em cinema
pelo menos três casos.

Bom, mas você não há de ser
um desses, certo?

– Não sei. A tentativa de me “matar”
tem sido feita sistematicamente. Ve-
ja minha trajetória de filmes e o que
tive eu de acesso e possibilidades de
produção e de fazer filmes. Você é
vetado, boicotado, silenciado, por
forças poderosas. Um adversário de
tamanha potência econômica como
eu! (Risos.) São mentalidades muito
antigas que nada mudaram, naque-
las mesmas cerebrações do que ha-
via de pior entre nós, essa praga es-
querdista. E estão todos, sem exce-
ção, em adesão total, indiscutível,
àquilo contra o que procuraram lu-
tar. Ou seja, na realidade, sempre
quiseram, mas jamais estiveram em
luta contra nada.

Por outro lado você está aí, em
Lisboa, sendo homenageado…

– Sim. Acabo de voltar da abertura do
Festival de Lisboa. Amanhã (sexta-
feira) começa a minha retrospectiva.
São 18 filmes, um catálogo de pri-
meira. Esta é, aliás, a décima-primei-
ra que estão fazendo dos meus fil-
mes no exterior. E estou filmando
“Fernando Pessoa”, um filme que dá
conta do grande xadrez ficcional, cu-
bista, deste que representou, na lín-
gua portuguesa, o que todos os mo-
vimentos de ruptura representaram
no pré e pós-Primeira Guerra. Vou
mostrar também em alguns festivais
da Europa meu último longa, “Rua
Aperana 52”, coprodução com o Ca-
nal Brasil graças ao Zelito Vianna.
Meus filmes passam no mundo intei-
ro. Tenho sido visto por olhos dife-
rentes. A questão é essa, não de ape-
nas ficar precisando desse ou da-
quele elogio, mas de não ser assas-
sinado em meu país.

E do que você vive?

– Normalmente, não de meus filmes.
Tenho algum dinheiro herdado de
meus pais, pouca coisa. Uso para
comprar livros. Porém, mais recen-
temente vendi 25 filmes para a Rai
(Radiotelevisão Italiana) por 9 mil
cada. E, apesar de extremamente ca-
seiro, vou ficar oito meses circulan-
do por festivais na Itália e gravando
apresentações de meus filmes para a
TV. Acho que é a primeira vez que
há uma compra desse porte, em ter-
mos de número de filmes, de um ci-
neasta brasileiro.

Como você avalia o cinema ho-
je feito no Brasil e no mundo?

O cinema, esse que foi feito e pelo
qual me empenhei, tenho impres-
são de que desapareceu. Não há
mais o espírito, a formação do ci-
neasta. O cinema é um transe, um
organismo intelectual que atra-
vessa as artes e as ciências. Um
transe caótico, químico, que de-
senvolve tudo. Um radical instru-
mento de autotransformação.
Mas, de uma maneira geral, 90% a
95% dos filmes de qualquer nacio-
nalidade, hoje, são pastiches da
vulgaridade, num contexto dese-
quipado de tudo. Faço o meu de
acordo com a minha consciência.
Mas sei que prevalece o triunfo
acrítico do homem medíocre.
Uma espécie de desaparição do
humano no coração da socieda-
de. A indiferença feita mercado-
ria. Há um contínuo processo de
mediocrização da criação e de sa-
tisfação do homem medíocre.

Mas o que você chama de ho-
mem medíocre não é o homem
comum, que sempre prevaleceu?

Sim, sim, sei que o homem me-
díocre é o destino da Humanida-
de. O homem é arrastado para a
mediocridade. Mas, normalmen-
te, o que contraria esse destino é
justamente o esforço e o contra-
apelo da arte. A coisa grotesca é
você fazer isso que se faz como
entretenimento, o chamado “fil-
me de público”, e achar que é al-
guma coisa semelhante à arte.
No Brasil isso é completamente
evidente. O triunfo do homem
medíocre é sem pudor. É uma exi-
bição de currioladas, cegueira de
reinos, de poderes, do gesto acla-
mativo do tirano substituído por
uma tirania sem rosto. Um facis-
mo de verdade que se agarra aos
valores, às almas, aos gestos, às
linguagens, a todo o corpo. Esse
fascismo hoje tem um nome: opi-
nião pública. São esses os con-
troladores. É o que manda hoje.
O garçom esteta. O lanterninha
de cinema que vira diretor. Toda
uma invenção e falta de proprie-
dade e preparo que representa
esse mundo que está ali. Isso na-
da tem a ver com ideologia da po-
lítica. Tem a ver com cada indiví-
duo. É cada uma das pessoas.
Não é uma malta de bandalhos.
Cada uma faz a sua “coisa”.

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Seguindo o espírito BELAIR…

Dentre os tantos aspectos relevantes a se notar no curta RESTA UM, há um praticamente impossível de não se destacar quando nos detemos em suas sequências: o caráter de documento de seu tempo. Assim nas produções da BELAIR, assim em RESTA UM.

Ademais, elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR (produtora que durou 3 meses, em 1970,  durante o regime de exceção que imperava no Brasil, e que realizou 7 longas-metragens) – cujos gritos revolucionários ainda ecoam no cinema brasileiro, mesmo sem a propagação de seus filmes – estão neste RESTA UM, curta que as produtoras Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes acabam de finalizar, como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de imagens destoantes, desfocadas, sons propositadamente incômodos ou mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas – como na apresentação de cenas de outros filmes -, deixando claro ser a referência proposital e ancorada numa forma autoral de expressão.

O choque como recurso estético, tão freqüentemente utilizado pela Belair (produtora criada pelos cineastas Júlio Bressane e Rogério Sganzerla), em quem a obra se inspira e a quem pretende homenagear, também se verifica em Resta Um, de Aurora Miranda Leão. Isso fica patente desde o início, quando o apito inconveniente do elevador, azucrina o ouvido da atriz Ingra Liberato e o de quem a acompanha na sala de projeção. E se condensa na tomada do barco-olho que adentra, com barulho (capaz de provocar estranhamento instantâneo), o oceano na tomada inicial (clara referência ao documentário Belair, de Bruno Safadi e Noa Bressane, grande inspirador deste curta).

Numa aparente dessintonia entre as sequências, Aurora vai construindo uma narrativa cheia de percalços, inconclusões, desconexões, onde vida real e ficção (?) se entrecruzam em associações com elementos ícônicos e intertextualidades profícuas, como as que bem ilustram o depoimento lapidar do cineasta Sílvio Tendler.

A homenagem a Júlio Bressane e o legado da Belair aos poucos se insinua, delicada e espontaneamente, nas filigranas que perpassam a anti-narrativa. Esse dado às vezes fica bem explícito, como na sequência a mostrar a noite carioca, em movimento de câmera oscilante e com nitidez rarefeita. Ou ainda através do take no qual se percebem amigos dançando numa discoteca ao som de “Queixa”, de Caetano Veloso, artista de estreita sintonia com o universo bressaniano. E, sobretudo, na sequência em que INGRA protagoniza homenagem explícita à cena de A Família do Barulho, na qual a câmera se fixa bastante tempo na atriz Helena Ignêz, que aparece em close, até chegar ao momento em que escarra “sangue”. 

Outro dado a saltar aos olhos e assolar o intelecto é o fato de o curta preservar, com propriedade, a característica mais marcante da produção Belair, qual seja filmar entre amigos e o enorme prazer daí advindo. Porque até o espectador mais leigo registra, sem dificuldade, que todas as pessoas envolvidas em Resta Um lá estão por absoluta vontade e adesão ao projeto inicial, dado prazerosamente afirmado no espontâneo depoimento de Ingra. Também a alegria que ilumina o rosto quando o escritor Miguel Jorge aparece e o semblante sereno e internamente feliz de Rosamaria Murtinho são reveladores deste prazer de estar entre amigos e experimentar cinema. E assim como a ironia pensa uma coisa e diz outra, a diretora de Resta Um aparece em seu próprio filme, criando uma instigante dissonância cognitiva, ao criticar, ela própria, o fazer cinema que contagia jovens de hoje e de ontem, de todas as idades. Como diz a pesquisadora Olgária Matos (professora de Filosofia Política da USP): “Nos filmes de Bressane, as personagens oscilam entre a lucidez e a evasão fora da luz. Na ausência de qualquer razão profunda de viver, os filmes advertem para o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento”.

Martha Anderson e Grande Otelo em O Rei do Baralho

Júlio Bressane trabalhou sempre com orçamentos modestos, equipes pequenas, filmagens rápidas e muita invenção, e desenvolveu ao longo dos anos um dos traços mais fortes de sua cinematografia: o intertexto artístico, tão bem captado em Resta Um.

A liberdade radical de experimentação, talvez o maior legado da singular e riquíssima cinematografia de Bressane, é o que mais aflora neste Resta Um de Aurora Miranda Leão. Afinal, como bem diz Bressane, a câmera na mão fora da altura do olho, jogo de foco, câmera giratória, ab-cenas, o infrasenso da linguagem: a câmera filma a própria equipe que filma, o “atrás da câmera”, o som direto com todas as interferências circum-cena, o diretor dirigindo o (in) dirigível etc etc… Tudo isso, toda esta escolha, todas estas figuras, todo este procedimento, toda esta concepção de produção e expressão, tudo é olho Belair. Não há isto no cinema novo. É depois do cinema novo. É Belair.”

RESTA UM… Divulgadas Primeiras Imagens

     RESTA UM… ficou pronto… Filmagens foram realizadas em Goiânia, em novembro passado, por ocasião do VI FESTIVAL NACIONAL DE GOIÂNIA do CINEMA BRASILEIRO…

RESTA UM é uma parceria Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

INGRA LIBERATO  é a estrela. ROSAMARIA MURTINHO, a ATRIZ especialmente convidada.

FILME é uma declarada HOMENAGEM a Júlio Bressane, nosso cineasta mais singular, o erudito do Cinema Brasileiro, que revolucionou nossa cinematografia a partir dos filmes instigantes e semimais que realizou, como Cara a Cara, O Anjo Nasceu, e MATOU A FAMÍLIA e FOI AO CINEMA…

INGRA LIBERATO: novo trabalho, sob direção de Aurora Miranda Leão, tem declarada inspiração na atriz HELENA IGNÊZ, musa da produtora BELAIR, que fez o maior buchicho no país em 1970…

Parceria BRESSANE x SGANZERLA…

* Depois explicamos melhor… Aguardem novos posts…

RESTA UM…………

GOIÂNIA Confirma Viajo Porque Preciso, e Olhos Azuis e Consagra o Impactante BELAIR

 

                                                         

Com a exibição do curtametragem Quadro Negro, da diretora Débora Torres, encerrou-se na noite de quarta, dia 10, a semana de realização da 6ª edição do FestCine Goiânia, no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro. Na sequência, foi exibido o Doc Miguel Jorge: Escritor, do cineasta João Batista de Andrade.

O Júri oficial, presidido pela atriz RosaMaria Murtinho, divulgou o seguinte resultado.

Longametragem (Ficção)

Melhor Longa:Olhos Azuis”, de José Joffily.

Melhor Direção: Jeferson De, por “Bróder”.

Melhor Atriz: Simone Spoladore, por “Élvis e Madona”.

Melhor Ator: Henrique Larré, por “Os Famosos e os Duendes da Morte”, de Esmir Filho.

Melhor Atriz Coadjuvante: Áurea Batista, por “Os Famosos e os Duendes da Morte”.

Melhor Ator Coadjuvante: Irandhir Santos, por “Olhos Azuis”.

David Rasche e Cristina Lago em cena do filme Olhos Azuis, de José Joffily

Melhor Roteiro: Marcelo Gomes e Karim Ainouz, por “Viajo Por Que Preciso, Volto Por Que te Amo”.

Melhor Fotografia: Mauro Pinheiro Jr., por “Os Famosos e os Duendes da Morte”, de Esmir Filho.

Melhor Montagem: Karen Harley, por “Viajo Por Que Preciso, Volto Por Que te Amo”.

Melhor Som: Bruno Fernandes e Álvaro Correia, por “Malú de Bicicleta”, de Flávio Tambellini.

Melhor Música ou Trilha Sonora Original: João Marcelo Boscoli, por “Bróder”, de Jeferson De.

Melhor Direção de Arte: Rafael Targat, por “Élvis e Madona”, de Marcelo Laffite.

Longa-metragem (Documentário)

Helena Ignêz, magnânima em filme de Júlio Bressane

Melhor Documentário:Belair”, de Noa Bressane e Bruno Sáfadi.

Melhor Direção: Henrique Dantas, por  “Filhos de João Admirável Mundo Novos Baianos”.

Melhor Roteiro: Sílvio Tendler, por “Utopia e Barbárie”, de Sílvio Tendler.

Melhor Fotografia: Lula Carvalho e David Pacheco, por “Belair”, de Noa Bressane e Bruno Sáfadi.

Melhor Montagem: Diogo Diniz Garcia, por “Retrato 3X4 de um Tempo”, de Angelo Lima.

Melhor Som: Utopia e Barbárie”, de Sílvio Tendler.

Mensão Honrosa:Nélida Piñon”, de Júlio Lélis.

Curta Goiano

Melhor Curta (Ficção):Ainda Não”, de Paulo Rezende.

Melhor Curta (Documentário): Número Zero”, de Cláudia Nunes.

Melhor Curta (Animação):Rupestre”, de Paulo Miranda.

Mensões Honrosas:Centésimo Daw”, de Orlando lemos e “Diga 33”, de Angelo Lima.

Prêmio Estimulo:Ainda Não”, de Paulo Rezende.

Imagem metafórica em Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo

Vídeo Universitário

Melhor Vídeo (Ficção):Enquanto”, de Larissa Fernandes.

Melhor Vídeo (Documentário):Renova Esperança”, Tatiana Scartezini.

Melhor Vídeo (Animação):Verdade Absoluta”, de Guilherme Mendonça e Jordana Prado.

Mensão Honrosa:Neurose”, de Kaco Olímpio e Pedro Caixeta.

Prêmio Estimulo:Enquanto”, de Larissa Fernandes.

Vídeo Caseiro

1° Lugar:Asas”, de Thiago Augusto de Oliviera.

2° Lugar:A Moça do Carro de Boi”, de Flávio Gomes de Oliveira.

3º Lugar:Zumbido”, de Paulo de Melo.

Menções Honrosas:A Chamada”, de Coelho Nunes e “Sobre Meu Irmão,” de Bruno Lino.

CINE AMOR Começa Amanhã

Começa amanhã em Nova Friburgo, na serra fluminense, a primeira edição do Festival CineAMOR, que vai reunir um pacote de 40 produções – entre longas e curtas-metragens – sobre histórias de amor. A programação, dividida em mostras temáticas, promete três títulos ainda inéditos no circuito comercial brasileiro: Brilho de uma paixão, de Jane Campion, cinebiografia do poeta britânico John Keats, que participou da competição do Festival de Cannes ano passado; Coco Chanel e Igor Stravinsky, de Jan Kounen; e Cartas para Julieta, de Gary Winick.

Cena do antológico FILME DE AMOR, de Júlio Bressane

Os quinze curtas da seleção serão exibidos em mostra competitiva, cujo vencedor será eleito por voto popular. Entre estes estão três filmes selecionados por concurso promovido pelo festival, escolhidos entre 120 roteiros enviados de todo o país. Os vencedores receberam R$ 60 de prêmio; em contrapartida, se comprometeram a filmá-lo na cidade e a exibi-los em primeira mão durante o evento.

São eles: A florista do outro lado da praça, de Guga Caldas; Um outro ensaio, de Natara Ney; e Love express, de Patrícia Lopes e André Pellenz.

Escrito em 2004, o roteiro do curta de Guga Caldas foi adaptado para a paisagem de Nova Friburgo.

Quando soube do concurso, decidi pesquisar sobre a cidade ver se dava pra ambientar o filme lá. Descobri em Nova Friburgo o cenário ideal, principalmente por causa da relação da cidade com o cultivo de flores, as quais ocupam, como o título do curta sugere, papel importante na trama – explica Caldas. – Curiosamente, alguns problemas do roteiro original acabaram solucionados nessa adaptação de cenário. O roteiro é uma versão melhorada do inicial.

André Pellenz, que rodou na região o curta Que horas são ?, em 2006, viu no concurso uma nova oportunidade para voltar à cidade. Love express fala sobre duas pessoas que se conhecem em um serviço de encontros para solteiros.

Os dois protagonistas de certa forma se acham, e passam a justificar sua presença ali – conta o diretor. O filme procura mexer com esse preconceito, pois é normal pensar que quem vai a um lugar desses tem algum problema.

SAI LISTA CONCORRENTES de MARINGÁ

Trinta e seis filmes de 11 estados brasileiros são escolhidos para o Festival

Trinta e seis filmes, de onze estados brasileiros, foram os escolhidos para concorrer aos prêmios do 7° Festival de Cinema de Maringá. São 12 curtas-metragens de 35mm, 15 curtas digitais, quatro longas-metragens digitais e cinco longas de 35mm. O Rio de Janeiro ficou com o primeiro lugar, com dez filmes selecionados, dos 38 inscritos. São Paulo, que foi o estado que mais inscreveu filmes (58), ficou com a segunda colocação com oito filmes escolhidos. O estado de origem do Festival, o Paraná, inscreveu 22 filmes e dois foram selecionados. Ao todos foram inscritos 212 filmes, sendo 183 curtas-metragens e 29 longas-metragens. Produtores de 18 estados enviaram seus filmes para o Festival de Cinema de Maringá.

Este ano, foram ampliadas as premiações técnicas com destaque para melhor direção e melhor roteiro. Várias categorias técnicas, entre longas e curtas metragens, receberão premiação com troféu e certificado. Além disso, em quatro categorias haverá premiação em dinheiro. O melhor longa (35mm ou digital) receberá a quantia de R$8 mil. O melhor curta-metragem de 35mm, de ficção ou documentário, receberá o prêmio de R$4 mil. Já o melhor curta-metragem digital de ficção ou documentário e o melhor curta-metragem de animação (35mm ou digital) receberão R$2mil cada. A escolha dos vencedores é feita por júri popular.

Segundo o organizador do evento, Pery de Canti, os filmes que serão exibidos no Festival irão surpreender.  “Recebemos inscrições de filmes de ótima qualidade de conteúdo e com nomes expressivos no cenário nacional de cinema”. Uma prova disso são as premiações recebidas por eles. Um exemplo é o curta de 35mm Groelândia, da produtora Manga Rosa Filmes (RS) que ganhou como Melhor curta-metragem no Festival de Cine Iberoamericano de Huelva (Espanha). Outro filme a ser exibido, na categoria  longas digitais é Calangueiros – uma viagem caipira, da produtora Cândido &Moraes Ltda (RJ), vencedor do Prêmio  Júri Popular de Melhor Longa no 4º Festival de Cinema e Vídeo dos Sertões (PI), em dezembro de 2009.

Um filme de um produtor maringaense estreante no Festival, Elinton Oliveira, também participará. O “Duas Garotas, Um Banheiro, Traição”, da produtora Gato na Árvore Filmes (SP) será um dos destaques da categoria de curtas digitais.

Outro filme premiado que será exibido nas telas do Festival de Maringá é o O Contador de Histórias. O filme, que concorrerá a categoria de longas de 35mm, já ganhou como Melhor Filme Júri Popular , Melhor Filme Crítica, e Melhores atores (os 3 que representam Roberto Carlos) no II Festival de Paulínia, Melhor Filme no II Cine Fest Brasil Madri (Espanha) e Melhor Filme no IV Cinefest Barcelona (Espanha). Em seu filme, o cineasta Luiz Villaça (“Cristina Quer Casar”), recria história real de ex-menino de rua.