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Amor e Abandono Voltam ao Foco de Karim

 KARIM AÏNOUZ Lança O ABISMO PRATEADO em CANNES 

Foto: Mauro Pinheiro Jr. / Divulgação
 
A sala completamente cheia do Palais Stephanie teve poucas desistências durante a projeção de “O Abismo Prateado”, do brasileiro Karim Aïnouz, exibido na tarde desta terça-feira (17), na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes 2011. E olha que o filme ousa na estrutura, basicamente abdicando de uma narrativa clássica e colando na protagonista Violeta durante a hora e meia de projeção.

Inspirado na canção Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, uma carta de uma mulher para o homem que a abandonou, Aïnouz construiu uma narrativa bastante visual sobre as horas dessa mulher (Alessandra Negrini), depois de receber um recado do marido no celular dizendo que quer se separar.

O diretor faz o espectador embarcar em uma jornada pelos estados emocionais de Violeta. Primeiro revoltada, depois numa aflição contida para confrontar o homem e só bem mais tarde finalmente caindo em prantos, o filme é um diálogo de Violeta com si mesma, como ela lida com o abandono durante essa noite e como descobre um horizonte.

Negrini luta com o personagem nos momentos de revolta e aflição contida e vai melhor quando a personagem admite sua perda. Diretor de “Madame Satã”, “O Céu de Suely” e “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, em parceria com Marcelo Gomes, Aïnouz faz um filme pequeno, mas cheio de significado.

 

Cena de “O Abismo Prateado”

O diretor falou ao iG após a projeção.

iG: É interessante como o choro demora a vir para a personagem.
Karim Aïnouz:
Violeta é uma mulher corajosa. Ela não teve a chance de olhar no olho do marido, ele deixa um recado no celular. Eu não queria que o filme fosse de historinha, queria apreender esse personagem, que o público sentisse suas ondas, suas sensações. Ela começa indignada, fica com raiva, depois desespero. O choro vem depois. Era muito importante para mim que fosse uma mulher forte, não uma vítima.

iG: Essa coragem seria um contraponto ao marido, que tem uma atitude covarde?
Karim Aïnouz:
Sim. Mas também não tem bem e mal. Eu tenho dificuldade de escrever vilões. As histórias amorosas podem acabar e, às vezes, a gente lida com graça, às vezes, de forma ruim. Ele não deu conta. Quis ainda discutir a masculinidade. Homem de verdade não faz isso, é uma atitude de garoto. Quis falar de uma masculinidade latina específica.

iG: Quando a Violeta encontra a menininha no banheiro da praia, e ela sai com o pai, dá a impressão de que algo errado está acontecendo ali, que ele é um pedófilo, algo assim.
Karim Aïnouz:
Fiz de propósito! Quis brincar com o espectador, mostrar que nem tudo vai dar merda, que a vida pode ser OK. Não digo que o filme seja otimista, mas quando comecei estava com saudade daquela magia misteriosa, de uma aura de encantamento, que existe em filmes como “Noites de Cabíria”. Quis experimentar, que o filme tivesse ar. Não é um “happy end”, mas queria tentar recuperar isso para o cinema brasileiro. Para mim sempre foi importante o impacto político. Mas agora queria deixar esse ar de possibilidade, de otimismo. Acho que é um reflexo de certo estado de coisas. Também queria que fosse um filme de 2011, menos narrativo. É uma história banal, meu interesse é que as pessoas entrem num fluxo com o personagem.

iG: Todas essas coisas vão influenciar seu próximo filme, “Praia do Futuro”?
Karim Aïnouz:
Com certeza. Estou mais interessado na ação física. Cinema é tempo, espaço, som e ação. Estou revendo todo o roteiro, porque cinema falado é do século passado. Gostei desse filme “destramado”, em que nenhuma cena é essencial, mas juntas criam um tom.

* Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes

GOIÂNIA Confirma Viajo Porque Preciso, e Olhos Azuis e Consagra o Impactante BELAIR

 

                                                         

Com a exibição do curtametragem Quadro Negro, da diretora Débora Torres, encerrou-se na noite de quarta, dia 10, a semana de realização da 6ª edição do FestCine Goiânia, no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro. Na sequência, foi exibido o Doc Miguel Jorge: Escritor, do cineasta João Batista de Andrade.

O Júri oficial, presidido pela atriz RosaMaria Murtinho, divulgou o seguinte resultado.

Longametragem (Ficção)

Melhor Longa:Olhos Azuis”, de José Joffily.

Melhor Direção: Jeferson De, por “Bróder”.

Melhor Atriz: Simone Spoladore, por “Élvis e Madona”.

Melhor Ator: Henrique Larré, por “Os Famosos e os Duendes da Morte”, de Esmir Filho.

Melhor Atriz Coadjuvante: Áurea Batista, por “Os Famosos e os Duendes da Morte”.

Melhor Ator Coadjuvante: Irandhir Santos, por “Olhos Azuis”.

David Rasche e Cristina Lago em cena do filme Olhos Azuis, de José Joffily

Melhor Roteiro: Marcelo Gomes e Karim Ainouz, por “Viajo Por Que Preciso, Volto Por Que te Amo”.

Melhor Fotografia: Mauro Pinheiro Jr., por “Os Famosos e os Duendes da Morte”, de Esmir Filho.

Melhor Montagem: Karen Harley, por “Viajo Por Que Preciso, Volto Por Que te Amo”.

Melhor Som: Bruno Fernandes e Álvaro Correia, por “Malú de Bicicleta”, de Flávio Tambellini.

Melhor Música ou Trilha Sonora Original: João Marcelo Boscoli, por “Bróder”, de Jeferson De.

Melhor Direção de Arte: Rafael Targat, por “Élvis e Madona”, de Marcelo Laffite.

Longa-metragem (Documentário)

Helena Ignêz, magnânima em filme de Júlio Bressane

Melhor Documentário:Belair”, de Noa Bressane e Bruno Sáfadi.

Melhor Direção: Henrique Dantas, por  “Filhos de João Admirável Mundo Novos Baianos”.

Melhor Roteiro: Sílvio Tendler, por “Utopia e Barbárie”, de Sílvio Tendler.

Melhor Fotografia: Lula Carvalho e David Pacheco, por “Belair”, de Noa Bressane e Bruno Sáfadi.

Melhor Montagem: Diogo Diniz Garcia, por “Retrato 3X4 de um Tempo”, de Angelo Lima.

Melhor Som: Utopia e Barbárie”, de Sílvio Tendler.

Mensão Honrosa:Nélida Piñon”, de Júlio Lélis.

Curta Goiano

Melhor Curta (Ficção):Ainda Não”, de Paulo Rezende.

Melhor Curta (Documentário): Número Zero”, de Cláudia Nunes.

Melhor Curta (Animação):Rupestre”, de Paulo Miranda.

Mensões Honrosas:Centésimo Daw”, de Orlando lemos e “Diga 33”, de Angelo Lima.

Prêmio Estimulo:Ainda Não”, de Paulo Rezende.

Imagem metafórica em Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo

Vídeo Universitário

Melhor Vídeo (Ficção):Enquanto”, de Larissa Fernandes.

Melhor Vídeo (Documentário):Renova Esperança”, Tatiana Scartezini.

Melhor Vídeo (Animação):Verdade Absoluta”, de Guilherme Mendonça e Jordana Prado.

Mensão Honrosa:Neurose”, de Kaco Olímpio e Pedro Caixeta.

Prêmio Estimulo:Enquanto”, de Larissa Fernandes.

Vídeo Caseiro

1° Lugar:Asas”, de Thiago Augusto de Oliviera.

2° Lugar:A Moça do Carro de Boi”, de Flávio Gomes de Oliveira.

3º Lugar:Zumbido”, de Paulo de Melo.

Menções Honrosas:A Chamada”, de Coelho Nunes e “Sobre Meu Irmão,” de Bruno Lino.

Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo

Após receber os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia do Festival do Rio 2009 e participar do 66º Venice International Film Festival, o longa VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO, dos diretores Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, estrelado por Irandhir Santos, estréia dia 28 em Fortaleza e Recife.


VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO conta a história de José Renato, geólogo, 35 anos,  enviado para realizar uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar todo o Sertão,  região semi-desértica,  isolada,  situada no Nordeste do Brasil. O objetivo de sua pesquisa é avaliar o possível percurso de um canal que será construído a partir do desvio das  águas do único rio caudaloso da região. No decorrer da viagem, nos damos conta que há algo de comum entre José Renato e os lugares por onde ele passa: o vazio, uma certa sensação de abandono, de isolamento. O  desolamento da paisagem parece ecoar em José Renato e a viagem vai ficando cada vez mais difícil. A pesquisa geológica vai sendo contaminada pela  sensação de desamparo, pela saudade incessante da ex-mulher, por uma vontade  de voltar pra casa. Mas ele decide ir em frente, seguir  viagem, na esperança que a travessia transmute seus sentimentos.  Assim como um astronauta depois de atravessar o espaço sideral, assim como  um marinheiro depois de cruzar um oceano – para José Renato, nada mais será  como antes. 

Segundo os diretores, nascidos no litoral do nordeste, “o Sertão sempre foi  um lugar imaginado, recorrente nas conversas de família. Era o lugar onde  nasceram nossos avós”.  VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO se origina na curiosidade e  fascinação por esse lugar. Um lugar que os diretores conheciam muito bem, mas para o qual nunca haviam ido. Eles escolheram contar uma história em primeira  pessoa, através de um personagem que fosse viajando e coletando imagens,  sons, músicas; comentando suas impressões da paisagem meio-conhecida,  meio-desconhecida. Um personagem que fosse encontrando gente, mas que também  fosse descrevendo esse lugar e seus habitantes, fisicamente, factualmente.

 MARCELO GOMES

Seu contato com o cinema começou com um cineclube que ele criou em Recife, sua cidade natal. Depois de seformar em cinema pela Bristol University. Gomes dirigiu uma série de curtas-metragens que receberam vários prêmios. Seu primeiro longa metragem, Cinema, Aspirinas e Urubus, foi premiado na mostra ‘Um Certo Olhar’ do festival de Cannes em 2005, recebendo o prêmio do Ministério da educação. O filme recebeu mais de 50 prêmios em festivais internacionais do mundo todo. Atualmente Marcelo está trabalhando em seu próximo filme Era uma vez Verônica.

Karim Aïnouz

Karim Aïnouz dirigiu Madame Satã (Un Certain Regards – Cannes 2002), O Céu de Suely (Orizzonti – Veneza 2006) e a séria para TV Alice, para a HBO Latin America. Suas instalações foram apresentadas no Whitney Museum of American Art Biennal (1997) e na Bienal de São Paulo (2004). Atualmente Karim está trabalhando seu próximo longa, Praia do Futuro. 

Brasil, 2009, 75 min, 14 anos. 

Elenco: Irandhir Santos como José Renato

Direção / Roteiro: Marcelo Gomes e Karim Aïnouz

Colaboração no roteiro:  Eduardo Bernardes 

Produção: Daniela Capelato

Co-Produzido: Fabiano Gullane, Caio Gullane, Ofir Figueiredo e Chico Ribeiro

Montagem: Karen Harley

Trilha Sonora: Chambaril

Distribuição: Espaço Filmes

Karim Aïnouz e Marcelo Gomes Vencem Toulouse

Os filme brasileiro
Imagem: Stephen Shugerman/AFP Photo

Viajo porque preciso, volto porque te amo, filme de Karim Ainouz e Marcelo Gomes, é o grande vencedor do Festival de Toulouse.

O “road movie” brasileiro ambientado no sertão nordestino acaba de receber o Grande Prêmio Coup de Coeur do Festival Encontros de Cinema da América Latina de Toulouse (19-29 de março). O Festival de Toulouse foi aberto com Estômago, de Marcos Jorge, e terminou com o vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme em Língua Estrangeira O segredo de seus olhos, do argentino Juan José Campanella.

Cerca de 200 filmes foram apresentados durante o evento, que em 22 anos de existência se tornou a mais importante vitrine do cinema latino-americano na França, e talvez na Europa.

Durante o festival foram apresentados projetos para tentar ajudar cineastas e artistas do Chile e do Haiti, países recentemente atingidos por violentos terremotos.

Da AFP Paris

Inscrições para COISA DE CINEMA

Abertas inscrições à mostra competitiva de um dos mais tradicionais festivais de cinema e vídeo de Salvador, o Panorama Internacional Coisa de Cinema, a realizar-sua 6ª. edição de 27 de maio a 3 de junho. O melhor Curta nacional receberá o prêmio IRDEB de R$ 10.000,00. Os interessados podem se inscrever no site www.coisadecinema.com.br, até 17 de abril de 2010.

Karim Aïnouz e Marcelo Gomes: premiados diretores terão filme no Panorama Internacional

Os curtas devem ter duração de até 30 minutos, com finalização em 35mm, 16mm, Beta SP NTSC ou Mini-DV e concluídos a partir de Janeiro de 2009. O festival também terá uma mostra competitiva para longa-metragem nacional.

Já está confirmada a exibição de Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz.  O filme foi selecionado para o 66º. Festival de Veneza e conta a história de José Renato, geólogo, 35 anos, enviado para realizar uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar todo o Sertão, região semi-desértica, isolada, situada no Nordeste do Brasil.

As exibições do VI Panorama Internacional Coisa de Cinema serão realizadas no Espaço Unibanco de Cinema – Glauber Rocha e Escadaria da Igreja do Paço. Após o festival acontecerá uma itinerância por cidades do interior da Bahia.

O Panorama Internacional Coisa de Cinema é uma realização do Coisa de Cinema, com patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura. A organização sediada em Salvador, realiza projetos os mais diversos ligados à arte cinematográfica desde 1995.