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INSENSATO CORAÇÃO: audiência premiada e muita saudade

Foi como Gilberto Braga disse no FANTÁSTICO de domingo passado: até a última hora, haveria muita surpresa na novela e o casal Marina e Pedro ainda iria passar maus momentos.

Pois foi isso mesmo. De forma inteligente e eficaz dramaturgicamente, Gilberto, Ricardo Linhares e os demais colaboradores que escreveram juntos a trama da novela das 21h, criaram situações que prenderam o espectador de tal modo que a audiência da Rede Globo alcançou piques em seus momentos finais.

Nathália do Valle ganhou um papel à altura de seu talento e fez de Wanda um dos papéis mais marcantes de INSENSATO CORAÇÃO

Bruna Linzmeyer foi um dos talentos revelados por INSENSATO CORAÇÃO

Apesar de ter sido antecipada em alguns jornais, não deixou de ser surpresa a revelação de que Wanda era a assassina de Norma. Nathália do Vale deu banho de interpretação e foi o grande destaque do capítulo final.

Que teve ótimos momentos de enlevo (como o afetuoso encontro de André e Leila; o acerto entre Raul e Carol, e o casamento de Marina e Pedro) com acertado reforço a valores morais relevantes (infelizmente, muito esquecidos na atualidade, daí a importância de serem louvados, incentivados, reforçados) que perpassam toda a obra gilbertobraguiana, e, neste caso, transmitidos com absoluta propriedade, pela excelência da interpretação de Nathália Thimberg.

Camila Pitanga e Antônio Fagundes formaram um casal que teve torcida em casa

Não faltaram momentos hilários e comoventes (Nathalie Lamour e  Kléber protagonizaram estes) e, sobretudo, não faltaram momentos de extrema violência, que nos causaram imediato mal-estar, tal a brutalidade da escolha da forma da morte do vilão Leo.

Gabriel Braga Nunes entra para a história com LEO, um dos mais bem construídos vilões da telenovela brasileira

Mas, apesar do repúdio total a qualquer forma de violência, é preciso reconhecer que a forma como Leo morreu foi realmente insólita e inesperada. Também foi a forma mais plausível de ser conduzida pelo outro vilão da trama, o arrogante Cortez, que acabou ‘ganhando’ o repúdio total de seu filho – para alegria de quem acompanhou a novela desde o início e ainda crê que a impunidade pode ser corrigida. Neste ponto, a novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares prestou relevantes serviços à Nação, denunciando a situação de impunidade que campeia no país e suas causas diversas, ao mesmo tempo em que conduziu incisivos protestos ao que, por vezes, parece um descalabro total das autoridades constituídas, através da construção de cenas emblemáticas,  reforçadas pela música Que País é Este ?, de Renato Russo. Destaque-se a maestria com que essas cenas foram construídas pela competente equipe comandada pelos diretores Dennis Carvalho e Vinícius Coimbra.

Leo Miggiorin, tirando o vilão, ator foi o personagem masculino de maior destaque da novela, e brilhou ao lado de Deborah Secco

O final da novela foi aquele que GILBERTO e Dênnis preferem e fazem com benfazeja graça e vontade de agradecer à equipe, à audiência, ao elenco encantador: uma noite de festa, conduzida pela afinada Martinália, e uma platéia repleta de ‘convidados’ que exibia a camiseta DENNIS FOREVER – em alusão ao carinho e apreço que técnicos têm em trabalhar na equipe de Dênnis Carvalho. Formou, como diria o personagem ‘Douglas’, vivido com maestria pelo ator Ricardo Tozzi.

Ricardo Tozzi criou tiques, gírias e trejeitos especiais para construir Douglas: pela primeira vez, um galã fez um personagem onde a ênfase maior não eram qualidades invejáveis…

Foi um momento de alegria, capaz de proporcionar ao público a sensação de também se sentir homenageado ao ‘participar’ da noite de vibração aliviada por mais um grande trabalho realizado.

Mas desta vez, um senão: as câmeras rodopiando pelas imagens de alegria e satisfação dos técnicos e alguns dos diretores poderiam ter focado também (deveriam) sobre o enorme elenco, mostrando os atores não mais com seus personagens, mas com seus trajes cotidianos de ator e atriz, navegantes do mesmo barco daquela equipe e dos muitos fãs que, do lado do sofá, acompanham seus passos, suas dores e alegrias via histórias na telinha.

Isso deixou um gosto de Quero Mais pra turma de casa – fazendo lembrar o final análogo da inesquecível CELEBRIDADE, na qual o elenco era plateia de show de Gilberto Gil, então ministro da Cultura e convidado para fazer o show de encerramento na boate da história.

Hugo Carvana, uma das participações especiais na trama, e o diretor Dênnis Carvalho

Mas INSENSATO CORAÇÃO foi muito mais do que este marcante capítulo de despedida. Sobre a trama e seus diversificados desdobramentos, falaremos em outro post.

Por hora, ficam os PARABÉNS a GILBERTO BRAGA, Ricardo Linhares, os outros autores, os muitos diretores, ao criador da ótima trilha sonora, a toda a equipe técnica e de criação de cenários, figurinos, maquilagens, etc, e, sobretudo, a este espetacular elenco que fez de INSENSATO CORAÇÃO uma das mais importantes histórias do horário nobre da TV Globo.

Gilberto Braga, nosso autor preferido: das críticas de teatro à criação das melhores novelas do horário nobre