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O Homem que Engarrafava Nuvens…

O DOC O Homem Que Engarrafava Nuvens, dirigido por Lírio Ferreira e produzido por Denise Dumont, chega aos 17. 400 espectadores e deve sair em DVD com o selo Biscoito Fino. 

Diz Denise: Estamos em produção. Eu aliás não poderia estar mais contente pois foi lá que tudo começou com o nosso CD  Humberto Teixeira – O Doutor do Baião …”

 

 

 

Fábio Assunção no Novo Longa de Paulo Caldas

Para Paulo Caldas, o Brasil é o país do desejo. Há três anos, o cineasta vem desenvolvendo as bases do seu novo filme, estrelado por Fábio Assunção e Maria Padilha.

Com o início das filmagens previstas para daqui a 15 dias, O País do Desejo será o quarto longa-metragem de uma carreira que já rendeu Deserto Feliz (2007), O Rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas (2000, com Marcelo Luna) e Baile Perfumado (1997, com Lírio Ferreira).
Para narrar a história de Roberta, musicista clássica que vem de Minas Gerais para uma apresentação no Teatro de Santa Isabel, Caldas ainda conta com atuações de Gabriel Braga Nunes, Jones Melo, Conceição Camarotti, Fabiana Pirro e Nash Laila, além de Nicolau Breyner, veterano ator português. Para a trilha sonora, criações dos franceses de Erik Satie e Debussy estão em negociação.

Padilha será Roberta, pianista de fama internacional portadora de doença crônica dos rins; Assunção será Padre José, renegado pela Igreja a uma pequena paróquia. Juntos, eles viverão uma insuspeita paixão.

Pela primeira vez, Paulo Caldas muda o foco da periferia para a elite econômica, onde, diz o cineasta, “família, amor, celibato, medicina e igreja se misturam num drama contemporâneo, tropicalizado e de humor refinado, próximo da comédia”.

Em movimento igualmente inédito, O País do Desejo (inicialmente batizado Amor sujo), representa sua incursão pelo cinema 100% ficcional, despido de documentário, elemento até então constante em sua filmografia.

FILME LIVRE Mostra CAMILO CAVALCANTE

Em atividade desde 1995 em Pernambuco, o curta-metragista Camilo Cavalcante incentivou cineastas pernambucanos que, já em sua segunda geração, intensificaram a produção no estado. A partir de terça-feira, todos os 13 curtas que compõem a obra de Camilo serão exibidos  na Mostra do Filme Livre, na qual o cineasta é um dos  homenageados.

A paixão que Camilo tem pelo cinema serve de inspiração até para a geração que antecedeu à dele. Ele é um sujeito que se movimenta, respira e sonha a 24 quadros por segundo – enaltece o cineasta Lírio Ferreira,diretor de Árido movie (2004) e O Homem que engarrafava nuvens (2008).

Diretor de Amarelo Manga (2002) e Baixio das Bestas (2007), Claudio Assis, que assina com Cavalcante o documentário Eu vou de volta, faz coro a Lírio Ferreira:

Camilo é um cineasta que não para de ter ideias, é uma pessoa que está sempre se reinventando, além de ser um grande amigo.

Cineasta pernambucano, Camilo Cavalcante, detentor de vários prêmios, tem destaque na Mostra do Filme Livre, na capital carioca

Os elogios talvez sejam resultado da paixão que o pernambucano coloca em seus filmes. Para ele, sua maior inspiração é o ser humano.

Faço filmes de gente e para gente, gosto dessa possibilidade do cinema de tocar profundamente as pessoas. É uma capacidade de revolucionar, de certa forma, a vida de cada um – ressalta Cavalcante. – Também me inspira o que consegue me comover.

Para o diretor, fazer filmes em Pernambuco não é tão diferente de outros lugares do Brasil.

Fazer cinema independente é complicado em qualquer lugar, encontramos uma série de restrições na hora de conseguir apoio, patrocínio. Mas está melhor do que há 10 anos. Hoje em dia existem mais editais, tanto nacionais quanto estaduais – compara. – Mas ainda há pedras no caminho, principalmente no que diz respeito à iniciativa privada, que tem participação tímida no cinema independente fora do eixo brasileiro.

Cavalcante destaca a versatilidade da nova geração de cineastas pernambucanos, que acompanha de perto:

O grande mérito da produção de Pernambuco é justamente a diversidade. Aqui não existe um movimento coeso, uníssono, existe na verdade várias movimentações, pessoas com diferentes propostas artísticas. Isso fortalece muito o nosso cinema.

No último filme de Cavalcante, Ave Maria ou Mãe dos sertanejos , o diretor divide os créditos com os alunos que participaram da oficina dada em Serrita, cidade do interior de Pernambuco onde o curta foi filmado.

Não moro no sertão. Então, para evitar esse olhar estrangeiro, optei por um processo de mergulho – detalha o diretor. – Pessoas do próprio sertão participaram da elaboração do filme. Ele é muito de dentro para fora, não tem uma visão externa. O cinema, como todo mundo fala, é a escola viva da arte, tem muita gente participando, um caráter coletivo intrínseco. Nos reunimos para falar sobre a própria região dessas pessoas, que a conhecem com profundidade, por isso os créditos são de todos.

Cavalcante não acredita que o tema do sertão esteja desgastado. Para ele, ainda há muito que se explorar, desde que seja feito através de novas abordagens:

O sertão é muito mais que uma zona geográfica seca, árida. Ele representa um território da alma humana, das relações olho no olho, uma coisa sincera. Essa região emocional dá muito pano para a manga. O que está desgastado é uma abordagem estereotipada do personagem sertanejo.

O filme Ave Maria ou Mãe dos sertanejos , de 2009, faz parte de uma trilogia que começou com Ave Maria ou Mãe dos oprimidos , de 2003.

A terceira parte não tem nem roteiro pronto, mas ainda pretendo desenvolver. Vai ser sobre a visão da burguesia sobre a hora da Ave Maria – antecipa.

Além da retrospectiva de Camilo Cavalcante, a Mostra do Filme Livre tem como homenageado deste ano o diretor mineiro José Sette, com pré-estreia de Amaxon e exibição da cópia digital restaurada de Um filme 100% brazileiro, de 1985, com Paulo Cesar Pereio. A programação também conta com as pré-estreias , e de Mergulho, de Pedro Henrique Ferreira, e Rumo, dos Irmãos Pretti (moradores de Fortaleza), além de exibições de curtas, longas, e oficinas.

Mostra do Filme Livre

Centro Cultural Banco do Brasil, Rua Primeiro de Março, 66, Centro (3808-2020). Grátis. De 23 de março a 8 de abril, de 3º a dom., das 14h às 21h

Gonzaga, Nordeste e Baião

Novas revelações sobre Gonzaga, o Rei do Baião

Autor de dois estudos sobre o músico, jornalista Assis Ângelo prepara o que define como a mais completa biografia do artista, incluindo toda sua filmografia e discografia

O Luiz Gonzaga marqueteiro, que fazia lobby pelo baião; o visionário que, já no Rio, na década de 40, percebeu que havia público consumidor para sua música nos grandes centros – migrantes, como ele, que se mantinham fortemente ligados à sua terra; o primeiro artista a lançar discos com registros do gênero nordestino por excelência. Esse personagem fascinante segue inspirando o jornalista paraibano Assis Ângelo, autor de dois livros sobre ele, e que agora está terminando um novo, a ser lançado no segundo semestre, o qual considera o mais completo.

A publicação trará não só lances da biografia de Gonzagão, mas também bibliografia referente a ele, sua filmografia (apareceu em filmes como Astros em Desfile, de José Carlos Burle, de 1942, Este Mundo É Um Pandeiro, de Watson Macedo, de 46) e, claro, a discografia completa, incluindo as versões do baião em outras línguas, como espanhol, inglês, italiano, francês, japonês e o idioma da Ilha de Páscoa. Baião (“Eu vou mostrar pra vocês…”) foi bastante gravada no exterior, enquanto Asa Branca foi a mais registrada no Brasil.

Este mês, o escritor foi até Buenos Aires, procurar dados que comprovassem uma informação bastante significativa, que dá a dimensão de seu sucesso nos anos 50: a de que, à época, o governo argentino baixou uma norma de proteção à música local, tamanho era o sucesso do tal do baión – a música brasileira mais autêntica que existe, nas palavras do parceiro Humberto Teixeira, a única que ofereceu aos nordestinos desterrados um espelho para que se reconhecessem.

“Gonzaga foi o divisor de águas da música brasileira, não à toa esse é o nome do livro. Nunca ninguém havia gravado baião, forró, xaxado, toada nordestina. O interessante foi que ele, que nunca entrou numa escola, sacava da parte comercial, planejou lançar o baião. Percebeu que a sanfona fazia sucesso, viu que os nordestinos que moravam no Sul gostavam de ouvi-lo falar das coisas da sua terra”, conta Assis, que conheceu o mestre em 1978, em São Paulo, quando o entrevistou pela primeira vez.

Os dois acabaram se tornando próximos – Gonzaga só o chamava de “paraíba”. Por muitas vezes, o ouviu dizer “eu quero é ser cartaz”, uma demonstração de que o filho de Mestre Januário queria apresentar a música nordestina para todos os brasileiros.

Além de horas e horas de conversas com o Rei do Baião, o autor se apoiou também em relatos de gente como os compositores Mario Lago e Luiz Vieira, os músicos Dominguinhos (seu único herdeiro artístico, como o próprio dizia), Hermeto Pascoal e Oswaldinho, os cantores Elba Ramalho, Roberto Luna e Carmélia Alves (a Rainha do Baião), entre outros que conviveram com Gonzagão.

O feliz encontro, em 1945, com Humberto Teixeira, o advogado que o conhecia pela fama de seus 24 discos e que viria a se tornar seu parceiro em Asa Branca, Baião, Qui Nem Jiló, Assum Preto, Légua Tirana e em outros sucessos, e a quem Gonzaga batizaria de Doutor do Baião, é uma passagem importante.

ESTE ENCONTRO inclui um nome fundamental para a consolidação da parceria Gonzaga-Humberto: o nome do cearense LAURO MAIA, consagrado como grande compositor na década de 40.

Lauro Maia é, até hoje, o único compositor cearense gravado por João Gilberto (a canção Trem de Ferro) e foi ele quem indicou a Gonzaga o encontro com Humberto Teixeira, de quem era cunhado.

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Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira: parceria rendeu grandes músicas e momentos excepcionais do Doc de Lírio Ferreira

Gonzaga procurava um letrista e foi até o escritório de Teixeira, no centro do Rio, convocá-lo, depois das ótimas recomendações feitas por Lauro Maia sobre o conterrâneo HUMBERTO TEIXEIRA.  

O artista do povo, que se vestia com trajes e chapéu de couro típicos do sertão, e o literato, que só andava de terno, se completavam – eram “o canhão e a pólvora”, como brinca Otto, pernambucano como Gonzaga, no documentário sobre Teixeira, de Lírio Ferreira, O Homem Que Engarrafava Nuvens. Juntos, eles fizeram do baião o gênero que tomou conta do Brasil, colocando o Nordeste no mapa cultural do País, como ensina o filme.

* Com informações de Roberta Pennafort, RIO

LÍRIO FERREIRA É DEZ: Documentário ILUMINA MÚSICA, CINEMA e CULTURA com HUMBERTO TEIXEIRA

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