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Vivas ao GUARNICÊ !!!

Atendendo a pedido da jornalista maranhense Izabel Almeida, traçei algumas considerações sobre o tradicional Festival Guarnicê de Cinema, aberto ontem à noite:

 
Acompanho o GUARNICÊ desde 2003 e de lá pra cá, venho notando melhoras e crescimento significativo no festival – aumento no número de inscrições, participação crescente de realizadores e adesão do público, diversificação da programação com mais mostras e itinerâncias, tendo inclusive gerado dois frutos importantes: o festival de Vídeo de Bolso e o Curta Lençóis. Costumo dizer, carinhosamente: o Guarnicê é o Festival MAIS FESTEIRO DO BRASIL !

O Guarnicê foi minha porta de entrada para o Maranhão. Conhecer São Luís foi uma experiência especial e modificadora na minha vida. Achei linda a cidade e a maneira como as pessoas aprovam, aplaudem e curtem sua própria Cultura.

O Centro Histórico de São Luís é uma jóia preciosa e o coordenador do festival por mais de 3 décadas, Euclides Moreira Neto (que se tornou meu amigo querido), sempre fez questão de prestigiar as maravilhas peculiares à São Luís, ofertando o rico acervo cultural maranhense aos visitantes de outros estados, possibilitando uma interação prazerosa e frutífera entre todos os convidados e realizadores, das várias regiões brasileiras, tendo o Centro Histórico como grande ponto de referência e difusão da cultura maranhense. O novo coordenador do festival, que assumiu o leme ano passado, professor Alberto Dantas, chegou com disposição e tem tentado, com determinação e empenho pessoal, levar adiante a honrosa tradição do festival, marco na história do audiovisual brasileiro. 

 

Alice Gonzaga, Aurora Miranda Leão e Euclides Moreira Neto no hall do Grand São Luís Hotel em 2008

            Através do GUARNICÊ conheci a beleza ímpar do Bumba-meu-Boi e do Cacuriá e a energia contagiante do Tambor de Crioula. Tornei-me, desde então, uma adepta de primeira hora do Boi e do Tambor, e, orgulhosamente, possa dizer ter sido muitas vezes chamada de “coureira” – grito de guerra entoado pelas mulheres que praticam a gostosa dança ao som dos tambores esquentados e calorosos, típicos da sonoridade da terra de Arthur Azevedo.

Não foram raras as vezes em que cheguei a Fortaleza com os pés “premiados” por enormes calos, adquiridos nas maviosas danças do Tambor. É tanta minha sintonia com os ritmos maranhenses que cheguei até a realizar um curta chamado SANTALEGRIA, uma declaração apaixonada de apreço e respeito pela cultura popular do estado que faz fronteira com meu berço natal. 

              

Pura diversão a quadrilha que celebrou o encerramento do Guarnicê 2007

 Desde que conheci São Luís, estar na capital maranhense durante os festejos juninos tornou-se saudável “obrigação”. É uma alegria imensa presenciar e participar deste que é o São João mais eclético e intenso do Brasil. Aliás, é no Maranhão onde o Nordeste pulsa mais forte em mim e sinto-me em casa quando avisto os primeiros sinais do Centro Histórico de São Luís.

 

O GUARNICÊ é um festival tradicional e de suma importância para a cultura audiovisual do país. Quando comecei a freqüentá-lo, comecei a perceber sua grandeza e espaço privilegiado no cenário artístico do país. Constatei não tratar-se apenas de um festival de cinema mas um enorme congraçamento de várias formas artísticas, no qual a dança, a música, os folguedos populares, o cinema, a gastronomia – e mais recentemente, as novas mídias – interagem formando um multifário mosaico a pulsar em  cores, ritmos, sons, sabores, alegrias.

 

Leona Cavalli, Aurora, Fafy Siqueira e Teca Pereira na edição 2998

É fácil perceber também, para quem atua há cerca de 10 anos na cobertura jornalística de vários eventos culturais: o Guarnicê é um festival que mobiliza as atenções de criadores – entre diretores, roteiristas, fotógrafos, atores, técnicos – de todo o país, o que é evidenciado pelo número sempre muito grande de inscrições, chegadas de vários cantos do país.

 

Lucélia Santos, homenageada da noite de encerramento (edição 2008), e Veiga Júnior, sempre uma força na organização

É sempre significativo o número de inscrições de filmes cearenses, e há sempre um número considerável de produções do Ceará concorrendo aos troféus do Guarnicê.Lembro muito bem quando em 2006 a colega realizadora Michelline Helena, roteirista profícua, de atuação marcante no Ceará, ganhou vários prêmios com seu curta Marilza e a Lata de Leite Condensado… Aliás, uma das coisas que sempre me chamou a atenção no festival, foi o interesse toda vez demonstrado por realizadores de todo o país em participar do festival.

 

O querido amigo ALLAN RIBEIRO, premiadíssimo no festival de 2007 do Guarnicê… aliás, ganhar prêmios é uma constante na trajetória de Allan. Saravá !!!

Quanto à edição deste ano, que prevê mudanças como a escolha do Centro de Convenções para as exibições, e que recebe aporte financeiro especial – tendo inclusive a Petrobrás como marca única a “Apresentar” o Festival -, acredito possa trazer um diferencial capaz de ressignificar valores, estratégias e ações, visando a uma amplitude na abrangência do festival, dotando-o de maior visibilidade junto à cadeia produtiva da cultura, e demarcando sua realização como de extrema relevância para o fomento e incremento da produção audiovisual, sobretudo do Nordeste.

 

Euclides Moreira Neto, hoje presidente da Fundação Municipal de Cultura, Rosamaria Murtinho (homenageada 2006) e Aurora Miranda Leão

    Meus votos sinceros e incentivo indormido para que o Guarnicê se reafirme EVENTO DE SUMA ACUIDADE para a Cultura do Nordeste, abraçando cada vez mais as manifestações populares típicas e tradicionais da região como valores do Patrimônio Imaterial Brasileiro, e reverbere, nos quatro cantos do país, como espaço irradiador, multicultural, abrangente e necessário para a produção, exibição, formação e discussão sobre o lugar permanente de destaque no qual queremos ver o CINEMA BRASILEIRO incluído, sempre mais.

 
 
Rubens Ewald Filho, Aurora Miranda Leão e Paulo Betti em noite de lançamento literário na edição 2007 do Guarnicê. Foto Lauro Vasconcelos.