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Mais sobre BUZA FERRAZ

Do amigo comum Luiz Carlos Lacerda, recebo mais dados sobre o saudoso BUZA – no Jornal Nacional de ontem, Lacerda concedeu depoimento sobre o amigo e podemos ouvir sua voz emocionada gritando na hora do adeus – VIVA BUZA !
 
Além de ator e diretor premiado com o Moliére de teatro por espetáculos como Cabaré Valentim (onde pela primeira vez no Brasil é encenado um musical de  Kurt Weil ) e adaptações escritas por ele de textos de Oswald de Andrade e Lima Barreto; produziu os filmes Xica da Silva, Marília & Marina, o Cordão de Ouro, entre outros.
.Último trabalho de Buza foi na novela Páginas da Vida, de Manoel Carlos - Divulgação
Último trabalho de Buza Ferraz  foi na novela Páginas da Vida, de Manoel Carlos
Atuou no filme Entre, sem Bater, de Luiz Carlos Lacerda – onde interpretou o personagem do polêmico Barão de Itararé (Prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de São Luís do Maranhão/1988) e com o mesmo diretor dividiu a direção de For All – O  Trampolim da Vitória (1998), premiadíssimo em Gramado e Miami naquele ano.
Recentemente adaptou para o cinema a peça Os Saltimbancos. Dentre seus 5 filhos, Antonio Bento (19) atualmente está em cartaz no teatro com O Cavalinho Azul, de Maria Clara Machado no Tablado (RJ).
E todos nós, admiradores e amigos do Artista, dizemos: VAI COM DEUS, BUZA !!!

Saudades de BUZA FERRAZ

Ator, diretor e produtor, Alberto Buza Ferraz faleceu na madrugada de sábado, 3 de abril, vítima de 3 paradas cardíacas. Ele estava internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul carioca, e tinha leucemia há 13 anos.

Buza Ferraz era carioca e iniciou a carreira ainda adolescente, no teatro.

A estréia foi em 1969 no musical Hair dirigido por Ademar Guerra e apresentado no Rio com ajuda do próprio Buza, que reabriu um antigo teatro da família para estreá-la – seu pai, Paulo Ferraz, foi dono dos Estaleiros Mauá.

Em 1972, participou do Teatro Opinião na montagem de Bordel da Salvação, de Brendan Behan, entre outras peças. Em 1978, fundou seu próprio grupo, Jaz-o-Coração, com o qual realizou a primeira montagem de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Na televisão, sua primeira atuação de maior repercussão foi na novela O Rebu (1974), de Bráulio Pedroso, quando encarnou o personagem Cauê, primeiro homossexual da teledramaturgia brasileira. A obra, na época, foi censurada.

Ferraz também trabalhou em diversos filmes brasileiros, entre eles Vestido de Noiva (2006), adaptação de livro homônimo de Nelson Rodrigues, e Brava Gente Brasileira (2000), de Lúcia Murat.

Além dos trabalhos como ator, Buza produziu a adaptação do livro Estorvo, de Chico Buarque, para o cinema, mas o trabalho foi marcante foi no filme For All – O Trampolim da Vitória, que dirigiu e roteirizou com o amigo cineasta Luís Carlos Lacerda (1996).

Com FOR ALL, Buza e Lacerda-Bigode ganharam no Festival de Gramado os prêmios de Melhor Filme, Júri Popular, direção musical, direção de arte e roteiro.

Segundo informações da família, Buza trabalhava atualmente em uma peça escrita por seu filho caçula, Antônio Bento, 20 anos. Além de Antônio, o ator tinha outros quatro filhos. 

Filmografia

• Elvis & Madona (2008)

• Vestido de Noiva (2006)

• Viva Sapato! (2002)

• Brava Gente Brasileira (2000)

• Vox Populi (1998)

• For All – O Trampolim da Vitória (1997)

• O País dos Tenentes (1987)

• Patriamada (1984)

Novelas

• Páginas da Vida (2006)

• História de Amor (1995)

• Despedida de Solteiro (1992)

• Pedra Sobre Pedra (1992)

• Kananga do Japão (1989)

• Helena (1987)

• De Quina pra Lua (1985)

• Final Feliz (1982)

• Brilhante (1981)

• O Amor É Nosso (1981)

• O Rebu (1974)

• Selva de Pedra (1972)

Outros programas

• Faça Sua História (2008)

• Casos e Acasos (2008)

• Labirinto (1998)

• Você Decide

• Meu Marido (1991)

• República (1989)

• Santa Marta Fabril (1984)

• Marquesa de Santos (1984)

• Quem Ama Não Mata (1982)

• Romeu e Julieta (1980)

Alguns dados sobre BUZA FERRAZ:

Alberto Paulo Ferraz era carioca. Diretor e ator. Encenador ligado ao teatro de grupo e à criação coletiva dos anos 70 e início dos 80, funda e dirige os grupos Companhia Tragicômica Jaz-o-Coração e Pessoal do Cabaré.

Estreou como ator em 1969 no musical Hair, dirigido por Ademar Guerra. Com o mesmo diretor, atua em Missa Leiga, de Chico de Assis, 1972. No Teatro Opinião participa de Bordel da Salvação, de Brendan Behan, 1972. Seu primeiro trabalho de expressão como intérprete acontece em 1975, na elogiada montagem de Pano de Boca, de Fauzi Arap. É dirigido por Antônio Pedro em Síndica, Qual é a Tua?, de Luiz Carlos Góes, 1976.

Em 1978, organiza o grupo Jaz-o-Coração, integrado por jovens atores, que estréia em São Paulo e a seguir, com maior sucesso, no Rio de Janeiro, com uma adaptação autoral do romance O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, que a crítica louva pela inteligência e teatralidade. Tanto a qualidade da adaptação, de sua autoria, como o vigor e a linguagem pessoal da sua encenação, projetam Buza Ferraz para a primeira linha dos jovens criadores teatrais da sua geração. Com esse espetáculo de estréia do grupo angaria o Prêmio Molière em categoria especial, a indicação para o Mambembe de melhor diretor e de Jaz-o-Coração como melhor grupo e a inclusão de Policarpo entre os dez melhores espetáculos do ano, em premiação organizada pelo Jornal do Brasil.

No espetáculo seguinte, Mistério Bufo, 1979, Buza Ferraz coordena e dirige uma criação coletiva elaborada em oito meses de trabalho. O grupo dá continuidade à pesquisa de linguagem cênica de forte teatralidade e humor contundente iniciada com Policarpo, e confirma a personalidade criativa do encenador. O espetáculo figura nas listas dos melhores do ano, organizadas pela revista Veja e pelo Serviço Nacional de Teatro, SNT.

Os dois últimos trabalhos que dirige para o grupo, Serafim Ponte Grande, adaptado de Oswald de Andrade, 1982, e O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, 1984, embora coerentes com as buscas anteriores do artista, não produzem o mesmo impacto. Com a dispersão do Pessoal do Cabaré, Buza Ferraz se ausenta do panorama teatral da segunda metade dos anos 80 e interrompe sua trajetória como encenador. Durante esse período, atua na televisão e no cinema.

Cabaré Valentin, coletânea de esquetes do comediante alemão Karl Valentin, marca, em 1980, o início das atividades de um outro grupo, que a partir do sucesso do espetáculo toma o nome de O Pessoal do Cabaré, e compõe, com o Pessoal do Despertar, a linha de frente do jovem teatro carioca na virada das décadas 70/80. Levando para o novo conjunto alguns dos seus principais colaboradores da fase anterior, Buza, também tradutor e adaptador dos textos, cria um espetáculo de diversão, despretensioso, mas de contagiante alegria. O espetáculo é incluído nas listas de melhores do ano. Em Poleiro dos Anjos, 1981, definido pelo autor como ‘folhetim afetivo de uma geração’, ele estréia como autor, redigindo uma série de pequenos textos em torno das lembranças de infância e são confrontados, no presente, com as perplexidades dos jovens atores no seu processo de montagem. Dessa forma, o Pessoal do Cabaré se coloca como sujeito da cena, metaforizando, por extensão, os jovens da sua faixa etária. Na direção, Buza Ferraz aprofunda sua linha de trabalho a partir da estrutura dramatúrgica fragmentada. Novamente uma série de prêmios e indicações coroam o trabalho do grupo.

O saudoso crítico carioca Yan Michalski, um dos mais respeitados e atuantes do país, considerava BUZA um dos maiores criadores de imagens cênicas do país.

BUZA FERRAZ com Bete Mendes na inesquecível novela de Bráulio Pedroso, O REBU…