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Dia de celebrar Cultura & Música no rádio cearense

Programa completa 6 anos no ar pela Universitária FM numa parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste…

A e Nelson ao mic

Jornalistas Nelson Augusto e Aurora Miranda Leão na locução…

São 6 anos no ar. Sempre nas tardes de segunda. E por isso, esta tarde, o programa Cultura & Música será especial.

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Atriz e produtora Denise Dumont numa das entrevistas do C & M…

Tudo começou precisamente no dia 7 de agosto de 2007, às 16h, no estúdio principal da rádio Universitária FM, emissora pertencente à Universidade Federal do Ceará, com 30 anos de atuação, e há muitos anos considerada uma referência importante no dial cearense por apostar na música brasileira de todas as épocas, e veicular, sobretudo, o que não se costuma ouvir nas rádios comerciais.

Antonieta e nós

Calé Alencar, a atriz Antonieta Noronha, Aurora e Nelson Augusto

É na Universitária FM – hoje dirigida pelo jornalista Nonato Lima (notável profissional do Rádio) – que o ouvinte pode ouvir o melhor da música brasileira, com ênfase para os artistas que não são ligados à indústria fonográfica, conhecer pessoas com ideias interessantes e construtivas sobre vários temas, refletir sobre ideias em diversas áreas, acompanhar entrevistas que a grande mídia não destaca, desfrutar do prazer de ouvir relíquias como Pixinguinha, Lupicinio Rodrigues, Adoniran Barbosa, Vinícius de Moraes, a Bossa Nova, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Gonzaga, Lauro Maia, Humberto Teixeira, João Bosco, Luiz Melodia, Xangai, The Beatles, e tantos outros.

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Nelson Augusto e Aurora Miranda Leão conversam com Bené Fonteles…

Nesse viés, brotou a ideia do programa Cultura & Música, produzido pelo cantor e músico Calé Alencar com apresentação dos jornalistas e radialistas Aurora Miranda Leão e Nelson Augusto.

A Calé e Nels

Nelson Augusto, Calé Alencar e Aurora Miranda Leão: o trio Cultura & Música

Veiculado às segundas-feiras, das 16 às 17 horas, pela Universitária FM, o programa Cultura & Música comemora 6 anos de atividades HOJE, 5 de agosto. Por isso, hoje, vamos entrevistar o gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza, Ricardo Pinto, que vai falar sobre a bem sucedida política de apoio à cultura implementada pelo Banco do Nordeste, e a mudança de endereço do Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza para o atual Centro de Referência do Professor (antigo Mercado Central), resultado de parceria entre o Banco do Nordeste e a Prefeitura de Fortaleza.

A Nels e Ricardo

Nelson Augusto, Aurora M. Leão e Ricardo Pinto numa das audições C & M

Macalé (2)

Nelson Augusto, Aurora Miranda Leão e Jards Macalé no estúdio da FM Universitária…

CULTURA & MÚSICA

O programa Cultura & Música (C & M), que estreou no rádio cearense a 7 de agosto de 2007, na Universitária FM, tem patrocínio do Centro Cultural Banco do Nordeste, e também pode ser acompanhado por este blog, pelo site da Universitária FM e pelo site NELSONS.

Anicetos 6

Aurora Miranda Leão registrando em vídeo a presença dos Irmãos Aniceto no programa Cultura & Música…

Tendo por objetivo divulgar a agenda de Arte & Cultura dos centros culturais instalados pelo Banco do Nordeste em Fortaleza, Juazeiro do Norte e Sousa (alto sertão paraibano), o programa também divulga atividades de outros equipamentos culturais, além de abrir espaço para entrevistas e divulgação da produção musical, priorizando a cena artística nordestina e suas conexões com a música, o teatro, o cinema, a dança, a cultura popular, e demais atividades onde cultura e arte sejam a força motriz.

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O ator e diretor de Teatro, Haroldo Serra, foi o segundo entrevistado do Cultura & Música

Organizado em módulos, o Cultura & Música conta com os quadros Agenda do Centro Cultural Banco do Nordeste, Arte em Conversa, A Hora do Rei do Baião, Pelas Ruas que Andei, O Assunto é Cinema, Chão Sagrado, Conexão Nordeste, Espelho Cristalino, Como é Bom Poder Tocar um Instrumento, e Música para Ler – cada um deles abordando com criatividade uma faceta da cultura brasileira -, além de mostrar, ao final de cada audição, uma versão especial da canção Asa Branca, composição dos imortais parceiros nordestinos Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira – clássico da música, tido popularmente como Hino da Região Nordeste.

Evaldo e nós

Em dia de entrevista com o festejado compositor Evaldo Gouveia…

A cada nova audição do Cultura & Música são sorteados com os ouvintes, através de ligação para o estúdio, produtos culturais (Livros, CDs e DVDs) viabilizados com apoio cultural do Banco do Nordeste, resultando numa maior interação com os ouvintes. Nestes 6 anos, foram 3 sorteados a cada audição e muitos contatos com o programa através do telefone e também da internet, já tendo sido registrados ouvintes em países como Argentina, Uruguai, Itália, Finlândia e até em San Petersburg, na Rússia.

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Roqueiros cearenses tem espaço garantido no Cultura & Música

No programa que vai ao ar hoje, o músico e diretor do CCBN, Ricardo Pinto, falará também sobre os outras unidades do Centro Cultural Banco do Nordeste, em processo de implantação nas cidades de Teresina (PI) e Vitória da Conquista (BA); sobre o Programa de Cultura Banco do Nordeste em parceria com o BNDES, e ainda sobre os editais de ocupação dos Centros Culturais mantidos pelo Banco do Nordeste.

Henilton no ar

Henilton Menezes (MinC), Nelson Augusto e Aurora Miranda Leão

Contando com apoio do acervo da Casa da Memória Equatorial, o programa Cultura & Música é produzido pelo cantor, compositor e produtor musical Calé Alencar, sendo um dos mais bem sucedidos na programação da Universitária FM, e recebe todo apoio da direção da rádio e de sua valorosa equipe profissional.

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Nelson Augusto e Aurora M. Leão entrevistam o fotógrafo e cineasta Tibico Brasil, à época titular do Centro Cultural Banco do Nordeste…

equipe

A equipe completa do Cultura & Música

Breno Silveira faz filme sobre o Rei do Baião

Sanfoneiro de forró será protagonista em novo longa de Breno Silveira 

 Mais de 5.000 candidatos disputaram o papel principal do filme Gonzaga — de Pai para Filho, novo longa de Breno Silveira. Mas foi o quase desconhecido Nivaldo Carvalho, paulistano de 31 anos, que já tinha encarnado Luiz Gonzaga no teatro, quem ganhou o papel: “É minha primeira experiência como ator. No início, tive dificuldade, devido à minha timidez, mas a música me ajudou muito, pois também exige tempo e sensibilidade. A minha aparência e o timbre de voz ajudaram igualmente”, diz Nivaldo.

A entrada dele no filme tem um fato curioso: no último dia de inscrições para os testes, a mulher dele, Daniela, enviou para a produção uma foto da capa de um CD e um vídeo, nos quais Nivaldo aparecia com trajes à la Gonzagão. Poucas horas depois, ele recebeu um telefonema, convocando-o para um teste no dia seguinte.

Nivaldo em cena no filme ‘Gonzaga — de Pai para Filho’ | Foto: Divulgação

Nivaldo em cena no filme ‘Gonzaga — de Pai para Filho’ | Foto: Divulgação

“Aluguei um carro e fui para o Rio. Chegando no teste, me caracterizei, toquei uma música e li alguns textos. Eles gostaram, mas disseram que eu não sabia nada de atuação”, diverte-se Nivaldo. “O processo de seleção durou meses. Àquela altura, eu já acreditava que conseguiria o papel”, conta o sanfoneiro-ator.

Com estreia prevista para outubro, o filme aborda a relação de Gonzagão com o filho Gonzaguinha, sendo que 3 atores vão interpretar o Rei do Baião: Nivaldo será o velho Lua, dos 30 aos 50 anos, auge da carreira do artista.

Filme vai homenagear dois dos maiores compositores do Brasil | Foto: Divulgação

Filme vai homenagear dois dos maiores compositores do Brasil | Foto: Divulgação

Assim como o Rei do Baião, Nivaldo veio de uma família de músicos. Já gravou com a lendária Banda de Pífanos de Caruaru e, desde 2007, investe na carreira solo. Nasceu e vive em São Paulo, mas tem raízes nordestinas: seus pais e avós são de Jaicós, no Piauí, onde ele morou por anos.

Milagre no mausoléu do Rei do Baião

Ainda no período de testes, Nivaldo foi visitar a cidade natal de Luiz Gonzaga, Exu (PE). Visitou o museu do Rei do Baião e foi fazer uma oração no túmulo do Gonzagão. “No momento em que entrei no mausoléu, a produção ligou novamente, dessa vez me convocando para conhecer o Breno Silveira. Foi uma choradeira só da minha família”, diz o ator.

Já escolhido como um dos atores principais do longa, ele fez um laboratório digno de sanfoneiros antigos: tocou em locais curiosos, como estações de trem, tudo isso para entender as dificuldades pelas quais esses músicos passavam.

Além de toda a pesquisa, Nivaldo chegou a perder nove quilos para se encaixar no personagem: “O Breno me auxiliou a entrar no personagem, ele acreditou em mim, disse que eu vivi as coisas que o Gonzagão viveu”, afirma um emocionado Nivaldo.

Claudette Soares em Biografia Aplauso

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Imprensa Oficial As muitas histórias de Claudette Soares em livro da

 Imprensa Oficial

Claudette Soares foi personagem de vários movimentos importantes da música brasileira e mulher à frente de seu tempo. Agora sua história foi transformada em livro pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial, com lançamento marcado para 6 de outubro (quarta-feira), às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.
Claudette Soares fez parte de vários movimentos fundamentais na música brasileira. Fez sucesso no auge da era do baião (ganhou o título de Princesinha do Baião das mãos do mestre Luiz Gonzaga), em meados dos anos 50, na fase pré e no ápice da bossa nova. Foi ainda atuante no período dos festivais da canção, classificando-se diversas vezes entre as finalistas, e finalmente, já nos anos 70, celebrizou-se também como grande intérprete romântica, gravando Roberto Carlos num período em que ainda reinavam preconceito e patrulhamento entre as turmas das músicas ditas “bregas” e “chiques”. Tudo isso está relatado pelo jornalista, produtor e pesquisador musical Rodrigo Faour no livro “A bossa sexy e romântica de Claudette Soares”, da Coleção Aplauso, com 280 páginas e fartamente ilustrado. Editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, será lançado em São Paulo na quarta, dia 6, a partir das 18h30, na Loja de Artes da Livraria Cultura, em São Paulo – Av. Paulista, 2.073.

Claudette começou sua carreira aos 11 anos como cantora mirim, no “Programa do Guri”, comandado por Silveira Lima, na Rádio Mauá. Passou por outros programas de calouros, enfrentando a oposição da mãe, que não queria que ela levasse a carreira de artista tão a sério, até conquistar os microfones das rádios Nacional, Tupi e Tamoio, onde integrou o elenco do famoso programa Salve o Baião.

Mulher à frente de seu tempo, não queria casar e ter filhos como as outras mulheres de sua idade. Mesmo assim, ela fazia o marketing contrário, conforme atestam as revistas da época: “Com quarenta e um quilos de talento, Claudette Soares olha pro repórter e diz: ‘Sucesso que é bom, agrada. Mas toda mulher precisa casar!’”. Ou, ainda: “Claudette Soares: ‘Só serei eternamente feliz quando casar e tiver filhos’”. Assim, tornava menor a pressão. Mas gravava músicas com letras ousadas e acumulou romances com diversos rapazes, inclusive grandes músicos, como o polêmico affair com o pianista Walter Wanderley, casado na época com a cantora Isaurinha Garcia. O casamento chegou quando ela já estava com 37 anos, em 1971. Ela se apaixonou por Julio César, organista de sua banda, 15 anos mais novo.

Faour contextualiza também os bastidores efervescentes da música brasileira nas décadas de 1950 e 60, e sublinha o conselho do jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli a Claudette, incentivando-a a trocar a Cidade Maravilhosa pela Terra da Garoa: “Aqui no Rio você será mais uma cantora de bossa nova, igual a todas as outras. Em São Paulo, um dia você poderá contar a sua história”. O empurrão definitivo foi dado por Pedrinho Mattar, num telefonema: “Tô tocando na Baiuca, você vem?”. Acabou formando com o trio de Pedrinho uma parceria marcante na noite paulistana dos anos 60, atuando nas principais boates da cidade, como Baiúca, Claridge e especialmente no Juão Sebastião Bar, onde, devido à sua baixa estatura, cantava sentada em cima do piano para que toda a plateia pudesse vê-la melhor. Acabou sendo uma de suas marcas a bordo de sucessos como “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes.

Sobrevivente da Era do Rádio, Claudette Soares fez sucesso na era da canção moderna e teve a chance de lançar ou ajudar a popularizar músicos como César Camargo Mariano – que estreou num disco seu, em 1963 – e compositores como Gonzaguinha e Taiguara, além de ter participado do primeiro disco de Eumir Deodato como arranjador. Foi a única cantora a dividir LPs com o ícone da música sofisticada brasileira, Dick Farney, e a primeira a gravar um disco-tributo aos iniciantes Chico, Caetano e Gil, em 1968. Graças aos moderníssimos arranjos de Antonio Adolfo, César Camargo, José Briamonte, Rogério Duprat e Roberto Menescal, e as composições de Jorge Ben Jor, Marcos Valle, Adolfo, Chico, Menescal e tantos outros craques, pôde colocar sua voz macia a bordo de uma “bossa sexy” ímpar, criando um dos trabalhos mais sensuais dentre as cantoras do movimento bossanovista.

O livro relata ainda a fase em que Claudette se afastou do meio artístico, durante 14 anos, a partir de 1977, por várias razões, principalmente não fazer concessões e ter de se sujeitar a cantar ou gravar canções que não fizessem parte de seu estilo, apenas por pressão da indústria e dos novos modismos. A volta aos palcos aconteceu em 1991, no show “Nova leitura” e culminou também na sua separação de Júlio César. A partir de então, recuperou o tempo perdido, em sucessivos projetos e gravações. A parte final do livro é reservada a uma espécie de ping-pong, em que conta suas preferências e gostos pessoais, revelando seu gênio forte e também um senso de humor muito particular, ácido e franco. Amigos e colegas de profissão, como Erasmo Carlos, Marcos Valle, Gilberto Gil, Aldir Blanc, César Camargo Mariano, Agildo Ribeiro e Beth Carvalho, entre muitos outros, dão depoimentos sobre a cantora. Também há uma discografia minuciosa, incluindo as participações em discos de outros intérpretes, capas originais e todos os autores que gravou.

Vinte e Um Anos sem Luiz Gonzaga

O rei que encantou seu povo

No último concerto de sua vida, dia 6 de junho de 1989, Luiz Gonzaga fez o seguinte discurso: “Quero ser lembrado como sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo. O Sertão, que cantou as árvores, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes e o amor”. Dois meses depois, dia 2 de agosto, ele faleceu. A Vigília Gonzaguiana, que acontece há sete anos no Espaço Alberto da Cunha Melo, é uma forma de satisfazer a vontade de Gonzaga. Quase todos os sanfoneiros que ao longo do ano participam das rodas de sanfona, promovida no local, estarão lá hoje, quando mais uma vez a memória de Gonzagão é compartilhada, em virtude dos vinte e um anos sem sua presença no cenário da música popular brasileira.
Noutro canto da cidade, no Pátio de São Pedro, o rei do baião é lembrado, dentro da programação do Memorial Luiz Gonzaga, que tem como data de fundação o dia de sua morte, numa forma de dizer que Luiz Gonzaga não morreu.

Foto: Acervo MLG/Divulgacao
A morte calou Gonzaga, não cala o Rei do Baião é o nome do poema de José Mauro de Alencar, que será lançado em forma de cartão postal pelo Memorial Luiz Gonzaga. A partir das 9h, a música de Gonzagão repercutirá por alto-falantes instalados nos sobrados do Pátio. A missa começa às 18h; a cerimônia será feita no palco, para que mais gente consiga assistir. A cerimônia será iniciada com Ave Maria Sertaneja e encerrada com Jesus Sertanejo, ambas na voz do filho de Januário. José Mauro declama seu poema e em seguida começam os shows. O violonista Cláudio Almeida toca o repertório do CD Noites Brasileiras, com músicas de Zé Dantas. Na mesma hora acontece, somente para convidados, evento de lançamento do livro Zé Dantas, segundo a letra I, produzido pela equipe do próprio Memorial, sob direção da pesquisadora Lêda Dias.

Em seguida acontece o show do Forró de Carnaíba, orquestra formada por professores e alunos da Escola de Música Maestro Israel Gomes. A Prefeitura de Carnaíba, terra onde Gonzaga nasceu, apoiou a viagem. A banda de Marcelo de Feira Nova faz a base para a apresentação dos forrozeiros que tocam em seguida: Agostinho do Acordeon, Andreza Formiga, Arlindo Moita, Baixinho dos 8 Baixos, Cezar Amaral, Claudio Rabeca, Irah Calderia, Israel Filho, Petrúcio Amorim, Rogério Rangel.

Vigília – Marcos Veloso, produtor e idealizador da Vigília para Luiz Gonzaga, conta que os dois eventos que recordam a partida do Rei do Baião, durante o dia de hoje, são parceiros. Muitos sanfoneiros que estarão na vigília, tocam na sequência, no Pátio de São Pedro. A diferença é que, no Espaço Alberto da Cunha Melo, o foco são os tocadores. “Esse evento procura lembrar a importância do gênero e de Luiz Gonzaga para a música popular brasileira. A maior alegria dele era estar reunido com os sanfoneiros. Esse é o motivo da vigília”, esclarece Veloso.

O evento começa com café da manhã dos sanfoneiro, seguido por palestra de José Mário Austregésilo, com o tema O menino Luiz Gonzaga. O músico poeta e dançarino Arlindo Moita, a partir das 15h, fará uma demonstração de xaxado, detalhando o gênero. A partir das 16h, tem início a tocada em homenagem a Gonzagão, com a participação da banda de Agostinho do Acordeon e sanfoneiros. Estarão lá nomes como Marcelo de Feira Nova, Manuelzinho do Acordeon, Deda, Eduardo Anísio, Irah Caldeira, Lenilson Filho, Leo do Acordeon, além dos sanfoneiros mirins Alison, Tiago, Caroline.

* Texto de Michelle de Assumpção

Gonzaga, Nordeste e Baião

Novas revelações sobre Gonzaga, o Rei do Baião

Autor de dois estudos sobre o músico, jornalista Assis Ângelo prepara o que define como a mais completa biografia do artista, incluindo toda sua filmografia e discografia

O Luiz Gonzaga marqueteiro, que fazia lobby pelo baião; o visionário que, já no Rio, na década de 40, percebeu que havia público consumidor para sua música nos grandes centros – migrantes, como ele, que se mantinham fortemente ligados à sua terra; o primeiro artista a lançar discos com registros do gênero nordestino por excelência. Esse personagem fascinante segue inspirando o jornalista paraibano Assis Ângelo, autor de dois livros sobre ele, e que agora está terminando um novo, a ser lançado no segundo semestre, o qual considera o mais completo.

A publicação trará não só lances da biografia de Gonzagão, mas também bibliografia referente a ele, sua filmografia (apareceu em filmes como Astros em Desfile, de José Carlos Burle, de 1942, Este Mundo É Um Pandeiro, de Watson Macedo, de 46) e, claro, a discografia completa, incluindo as versões do baião em outras línguas, como espanhol, inglês, italiano, francês, japonês e o idioma da Ilha de Páscoa. Baião (“Eu vou mostrar pra vocês…”) foi bastante gravada no exterior, enquanto Asa Branca foi a mais registrada no Brasil.

Este mês, o escritor foi até Buenos Aires, procurar dados que comprovassem uma informação bastante significativa, que dá a dimensão de seu sucesso nos anos 50: a de que, à época, o governo argentino baixou uma norma de proteção à música local, tamanho era o sucesso do tal do baión – a música brasileira mais autêntica que existe, nas palavras do parceiro Humberto Teixeira, a única que ofereceu aos nordestinos desterrados um espelho para que se reconhecessem.

“Gonzaga foi o divisor de águas da música brasileira, não à toa esse é o nome do livro. Nunca ninguém havia gravado baião, forró, xaxado, toada nordestina. O interessante foi que ele, que nunca entrou numa escola, sacava da parte comercial, planejou lançar o baião. Percebeu que a sanfona fazia sucesso, viu que os nordestinos que moravam no Sul gostavam de ouvi-lo falar das coisas da sua terra”, conta Assis, que conheceu o mestre em 1978, em São Paulo, quando o entrevistou pela primeira vez.

Os dois acabaram se tornando próximos – Gonzaga só o chamava de “paraíba”. Por muitas vezes, o ouviu dizer “eu quero é ser cartaz”, uma demonstração de que o filho de Mestre Januário queria apresentar a música nordestina para todos os brasileiros.

Além de horas e horas de conversas com o Rei do Baião, o autor se apoiou também em relatos de gente como os compositores Mario Lago e Luiz Vieira, os músicos Dominguinhos (seu único herdeiro artístico, como o próprio dizia), Hermeto Pascoal e Oswaldinho, os cantores Elba Ramalho, Roberto Luna e Carmélia Alves (a Rainha do Baião), entre outros que conviveram com Gonzagão.

O feliz encontro, em 1945, com Humberto Teixeira, o advogado que o conhecia pela fama de seus 24 discos e que viria a se tornar seu parceiro em Asa Branca, Baião, Qui Nem Jiló, Assum Preto, Légua Tirana e em outros sucessos, e a quem Gonzaga batizaria de Doutor do Baião, é uma passagem importante.

ESTE ENCONTRO inclui um nome fundamental para a consolidação da parceria Gonzaga-Humberto: o nome do cearense LAURO MAIA, consagrado como grande compositor na década de 40.

Lauro Maia é, até hoje, o único compositor cearense gravado por João Gilberto (a canção Trem de Ferro) e foi ele quem indicou a Gonzaga o encontro com Humberto Teixeira, de quem era cunhado.

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Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira: parceria rendeu grandes músicas e momentos excepcionais do Doc de Lírio Ferreira

Gonzaga procurava um letrista e foi até o escritório de Teixeira, no centro do Rio, convocá-lo, depois das ótimas recomendações feitas por Lauro Maia sobre o conterrâneo HUMBERTO TEIXEIRA.  

O artista do povo, que se vestia com trajes e chapéu de couro típicos do sertão, e o literato, que só andava de terno, se completavam – eram “o canhão e a pólvora”, como brinca Otto, pernambucano como Gonzaga, no documentário sobre Teixeira, de Lírio Ferreira, O Homem Que Engarrafava Nuvens. Juntos, eles fizeram do baião o gênero que tomou conta do Brasil, colocando o Nordeste no mapa cultural do País, como ensina o filme.

* Com informações de Roberta Pennafort, RIO