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Rô Caetano Vê INSENSATO CORAÇÃO…

 
Com a sensatez, perspicácia e olhar acurado que lhe são próprios, querida jornalista MARIA DO ROSÁRIO CAETANO faz breve mas judiciosa análise da novela INSENSATO CORAÇÃO, do craque do estilo, GILBERTO BRAGA, atual atração das 21h na TV Globo.

Glória Pires e Gabriel Braga Nunes: fortes emoções aguardam desenrolar da trama…

Fiquei feliz de ver que minha admiração por Gilberto tem uma parceira da envergadura de Rô… parece que, como eu, ela também é uma noveleira braba

EBAAAAAAAAAAAA !!!

Vamos ao comentário:
 
            Li, com imenso atraso, em O Globo, análise de Patrícia Kogut (de quem sou leitora fiel) sobre possíveis causas da novela de Gilberto Braga & parceiros ainda não estar bombando no ibope.

Entre outras razões, ela aponta a semelhança de papéis atribuidos a determinados atores. Ou seja, eles (os atores) estariam, em curto espaço de tempo, repetindo  personagens muita semelhantes, ainda muito presentes na lembrança dos espectadores…

Paola Oliveira e Maria Clara Gueiros também na nova trama de Gilberto Braga

Na minha avaliação (ainda não perdi um só capítulo da novela de Braga!!!!), esta é uma causa secundaríssima.
Creio que o que está pegando é o tratamento OUSADO das relações familiares (a anatomia
rodrigueana de famílias disfuncionais), o sexo onipresente e despudorado e… também …. o racismo da sociedade brasileira. Ou, pelo menos, de parte dela. Com ousadia (muita CORAGEM, mesmo!),Braga & parceiros entregaram a um ator negro (Lázaro Ramos, talentosíssimo, que eu amo!!!) o papel de um PEGADOR.

E pegador de mocinhas brancas, louríssimas (como a maravilhosa, neste tipo de papel!!!, Debora Secco: a maluquete dela é fascinante!!!).
Lázaro — repito — é talentosíssimo e está dando conta do RECADO, com louvor.

Lázaro e Pitanga: dupla ainda vai dar muito o que falar…

Para agravar, em mentes mais fechadas,  ele nem é um tipo bonitão (como Rodrigo Santos, Toni Garrido, Seu Jorge, César Negro: é este o nome do black lindíssimo de “Boleiros 1”???)… Eu custo a esperar as entradas dele (Lázaro Ramos)… A sequência em que ele levou Carol (Pitanga) para um passeio de iate foi show… e o dia em que ele perfumou o dito cujo???

Fico pensando numa “Senhora de Santana” (lembram delas???) vendo isto. Deve ficar escandalizada e mudar de canal… Gilberto Braga pagou caro pela ousadia inicial de “O Dono do Mundo” (Fagundes desfrutando das primícias de Mallu Mader, antes do jovem marido dela!!!). É gente conservadora que está rejeitando a novela…

Deborah é destaque como Natalie Lamour: ibope sobe quando personagem aparece

 

Eu não me interesso pelo casal protagonista, achei as cenas a la AEROPORTO ultra-inconvincentes, folhetinescas demais… mas estou
adorando as partes “família” rodrigueana… E adorando ver o show de atrizes como
Ana Lúcia Torre (ouvi entrevista maravilhosa dela na Rádio Jovem Pan, incluindo REFLEXÕES DE UM LIQUIDIFICADOR), Glória Pires, Debora Evelyn e Debora Secco (pavorosa em novela em que fazia uma roceira!!!), inigualável… Ninguém faz uma “bonitinha mas ordinária-angelical” melhor do que ela atualmente !!!!

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Deborah Secco: performance estupenda da atriz ganha elogios de Rô Caetano, que assinamos embaixo… Deborah vai “arrebentar” na trama gilbertobraguiana

Entre os homens, dá gosto ver Carvana rabugento-resmungando, Lázaro arrasando como PEGADOR (sem ter phisique-de-role para tal, só com o TALENTO), Gabriel Braga Nunes (que vi em Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo, em bela dupla com Paloma Duarte), etc….
Os diálogos “familiares-rodrigueanos” da  novela estão demais !!!!

Hugo Carvana em ótima atuação, ao lado do diretor Dênnis Carvalho: ponto alto de INSENSATO

         P.S. – Maurício Stycer escreveu um texto dos mais interessantes-instigantes, ontem, na Folha sobre o personagem de Lázaro Ramos. Mas não concordo com ele. Ele diz que o personagem é um negro que não sofre preconceito. Que é bem aceito sem causar nenhum contratempo, como o casal de gays de “Paraíso Tropical”.

Para mim, Lázaro interpreta um personagem cheio de arestas. Ele, quando era pobre, passou por maus bocados e contou isso a Carol (Pitanga) no passeio de iate. Mostrou-se ressentido pela pobreza de outrora, pelo pai alcóolatra (Milton Gonçalves, que entrará dentro de algumas semanas), pela discriminação que sofreu…

Mas hoje, famoso como designer, entra e sai em lugares finos, como se fosse BRANCO. É assim, no Brasil. PELÉ está aí para provar. Famoso e rico, ele é recebido em todos os salões. O personagem do Lázaro é o “Pelé de Gilberto Braga” (e Débora Secco é a Xuxa Meneghell dele)… Mas está na cara que ele faz o que faz com as mulheres (uma por noite, sem repetir, como se elas fossem um “vestido” aliás, um terno Armani) para se vingar de discriminações dos tempos em que era pobre e filho de alcoólatra.

TEOREMA Chega ao Número 17

Na próxima segunda, 6, 19h, acontece na Livraria Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165) o lançamento do número 17 da revista Teorema. Editada em Porto Alegre pelos críticos Enéas de Souza, Fabiano de Souza, Flávio Guirland, Ivonete Pinto e Marcus Mello, desde o seu surgimento, em agosto de 2002, a revista Teorema vem se consolidando como uma das mais importantes publicações dedicadas à crítica cinematográfica no País.

A maior atração deste novo número é uma longa entrevista com o cineasta israelense Amos Gitai, que conversou com os editores da revista por ocasião de sua passagem pela capital gaúcha para acompanhar a retrospectiva dedicada à sua obra no Cine Santander. Para complementar a entrevista, a revista traz ainda um ensaio de Fabiano de Souza, em torno de três dos principais trabalhos de Gitai, Kippur – O Dia do Perdão, Free Zone e Alila.

         Além de Amos Gitai, a Teorema 17 abre espaço para os novos filmes de outros grandes diretores. A já consagrada Sofia Coppola confirma que não é apenas a filha de Francis Ford e tem seu novíssimo Um Lugar Qualquer analisado por Neusa Barbosa, que o assistiu em primeira mão, em sua estréia mundial no Festival de Veneza.

O italiano Marco Bellocchio e sua última obra-prima, Vincere, sobre a tragédia de Ida Dalser, a amante desprezada de Mussolini, são objeto de uma apaixonada leitura de Flávio Guirland. Abbas Kiarostami dirige Juliette Binoche em Cópia Fiel, que ganha interpretação de Ivonete Pinto, estudiosa da obra de Kiarostami.

O sempre controverso Jean-Luc Godard lança outra provocação audiovisual, Filme Socialismo, sobre o qual o cineasta Rodrigo Grota – autor da premiada trilogia de curtas formada por Satori Uso, Booker Pittman e Haruo Ohara – escreve um texto absolutamente fiel ao espírito godardiano. Presença rara nas salas de cinema brasileiras, a diretora francesa Claire Denis e seu Minha Terra, África ganham artigo assinado por Marcus Mello.

Director Claude Chabrol poses with his lifetime achievement Berlinale Kamera Award at the 59th Berlinale International Film Festival on February 8, 2009 in Berlin, Germany. (Photo by Sean Gallup/Getty Images) *** Local Caption *** Claude Chabrol

Cineasta Claude Chabrol é lembrado em artigo de Leonardo Bonfim

Ainda entre os franceses, a Teorema se despede de Claude Chabrol com um extenso e panorâmico artigo de Leonardo Bomfim, analisando as várias fases da carreira deste mestre da Nouvelle Vague.

         O ano histórico vivido pelo cinema brasileiro está representado nesta edição por textos de Enéas de Souza (Tropa de Elite 2, de José Padilha), Daniel Schenker (A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor), João Nunes (o projeto de direção coletiva 5 x Favela – Agora por Nós Mesmos) e Marcelo Adams (Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca).

Tropa de Elite 2 também é destaque na TEOREMA 17

         A edição número 17 da Teorema traz na capa, assinada pelo artista gráfico Flávio Wild, uma imagem da atriz Juliette Binoche no filme Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami. A diagramação da revista é de Gustavo Demarchi.      

Lançamento Número 17 da Revista Teorema

6 de dezembro de 2010, a partir das 19h

Livraria Palavraria – Rua Vasco da Gama, 165

 Bairro Bom Fim, Porto Alegre 

 

Teorema 17 — 74 páginas — R$ 10,00

* As informações são de Maria do Rosário Caetano

Festival de Brasília é Notícia

Novos realizadores do cinema brasileiro, mediados pela jornalista Maria do Rosário Caetano, colocaram seus trabalhos em debate público na manhã de ontem, no Hotel Kubitschek Plaza. A rodada de perguntas e respostas foi iniciada por Sérgio de Andrade e Daniel Turini, que exibiram na abertura da mostra competitiva 35mm os filmes Cachoeira e Fábula das Três Avós, respectivamente. 

Sérgio de Andrade, representante do norte do país (quebrando jejum de 39 anos em que o Festival não selecionava um filme dessa região), contou ter feito várias alterações no roteiro: “os índios trouxeram muita informação e o eixo dramático sofreu mudanças”, disse. Para Sérgio de Andrade, a intenção de seu “pseudo-documentário” é mostrar o homem do Amazonas.

Protagonista de Cachoeira, Begê Muniz, hoje estudante de teatro em São Paulo, afirmou que índios hoje tem imagens de homens brigando por terra. Disse, também, que quando os indígenas falam de outros estados brasileiros dizem: “lá no Brasil”, como se fossem estrangeiros. 

Elogiado por ter feito uma produção direcionada ao público infantil, Daniel Turini disse que seu curta é fruto de muita leitura de fábulas e não escondeu que Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carol, é a influência mais presente: “No inicio, quando alguém fazia comparações, eu negava. Depois eu mesmo vi que tinha influências”, concluiu o diretor adiantando que um longa infantil é seu próximo projeto. 

Um Ovni estranho e obscuro. A definição que A Alegria recebeu este ano na França, quando participou da Quinzena da Realizadores do Festival de Cannes, agrada Felipe Bragança e Marina Meliande. Os diretores afirmaram que “não é um filme feito para adolescentes”. 

Realizado com R$ 750 mil, o filme, que já tem distribuidor no Brasil – Adhemar Oliveira -, entrou na Quinzena de Cannes convidado pelo diretor artístico Frederic Boyer, que assistiu ao trabalho anterior da dupla, A Fuga da Mulher Gorila. “Até os franceses já sentiram um cheiro diferente”, disse o diretor afirmando acreditar que platéias mais jovens vão se entusiasmar com o filme, situado no universo fantástico. 

Sobre a escolha de artistas não profissionais para o elenco, o diretor disse gostar de “misturar os tons. Tainá Medina foi escolhida (protagonista) porque foi a única que acreditou que poderia atravessar uma parede”.  

Programação completa: www.festbrasilia.com.br

Selecionados ao Fest ARUANDA

Sexta edição do FestCine Aruanda: 11 a 16 de dezembro em João Pessoa  

* Com informações de Maria do Rosário Caetano

Selecionados 48 curtas-metragens nas categorias ficção, documentário, experimental e animação.

 

A comissão julgadora foi formada pelo produtor Heleno Bernardo, pelo professor de Publicidade e Propaganda, e designer gráfico, Alexandre Câmara, e pelo cineasta e professor Bertrand Lira. Por decisão da comissão, as categorias videoclipe e vídeo de um minuto ficaram de fora desta edição do Fest Aruanda pela quantidade incipiente de trabalhos inscritos e pela insuficiente qualidade técnica e estética das obras.das obras.

Por outro lado, Bertrand Lira, realizador com vasta experiência em comissões e júris de festivais (entre eles o de Gramado e o de Brasília) acredita que o nível dos trabalhos inscritos no Fest Aruanda, de um modo geral,  tem surpreendido pela diversidade de temas, qualidade técnica e estética dos trabalhos. “A produção aumentou significativamente e credito isso à facilidade de acesso às novas mídias, barateamento dos equipamentos e a criação de novos cursos de audiovisual em todo o país”, avalia Bertrand atual coordenador do Núcleo de Estudos, Pesquisa e Produção Audiovisual (Neppau) do departamento de Mídias Digitais responsável pelo festival.

RELAÇÃO DOS SELECIONADOS

 

CHEIROSA, do mineiro Carlos Segundo, é um dos curtas em competição

FICÇÃO:

Los minutos, lãs horas, de Janaina Marques Ribeiro (CE)

Aviário, de Daniel Favaretto (SP)

Feliz Aniversário, de Fábio Souza (RJ)

A Distração de Ivan, de Cavi Borges e Gustavo Mello (RJ)

Cheirosa, de Carlos Segundo (MG)

Um par a outro, de Cecília Engels (SP)

O tempo das coisas, de Jacqueline M. Souza e Marcos Flávio Hinke (PR)

Bode Movie, de Taciano Valério (PE)

Senhoras, Adriana Vasconcelos (DF)

Operação Mamãe, Marise Farias (RJ)

Rua Mão Única, André Gevaerd (SP)

Feijão com Arroz, Daniela Marinho (DF)

Vela ao crucificado, Frederico Machado (MA)

3.33, de Sabrina Greve (SP)

Nego fugido, de Cláudio Marques & …(BA)

Semeador urbano, de Cardes Amâncio (MG)

Eu não sei andar de bicicleta, de Diego Florentino (PR)

Ensaio de cinema, Allan Ribeiro (RJ)

Um par, de Lara Lima (SP)

Made in Taiwan, de Daniel Araújo (PB)

Direita, de Marcelo Quixaba Gonçalves (PB)

Desassossego, de Marco di Aurélio (PB)

DOCUMENTÁRIO

Lapidar o Bruto, de Natália Queiroz (SP)

É muita areia pro meu caminhãozinho, de Ana Paula Guimarães e Eduvier Fuentes Fernández (SP)

Último retrato, de Abelardo de Carvalho (RJ)

O som do tempo, de  Petrus Cariry (CE)

O Divino, de repente, de Fábio Yamaji (SP)

Família Vidal, de Diego Benevides (PB)

Iolovitch: o azul de Brasília, de Adriana de Andrade (DF)

Contracorrente, de Ismael Farias, Leandro Cunha e Paulo Roberto (PB)

Menino Artífice, de Ana Célia Gomes (PB)

Retratos, de Leo Tabosa e Rafael Negrão (PE)

Oscar 07/02, de João Krefer (PR)

A minha amiga: um breve relato sobre nós, de André Costa (PB)

EXPERIMENTAL

1:21, Adriana Câmara (PE)

Nem dia, nem noite, Roderick Steel (SP)

Reciclando formas: a arte de Ana Christina, de Laurita Caudas e Elisa Cabral (PB)

Sintonize-se, de Jonathas Falcão (PB)

Bokeh, de Breno César (PE)

Relativamente Inconsciente, de Claudinei Foganholi (SP)

Súbito, de Breno César (PE)

ANIMAÇÃO

Quando as cores somem, de Luciano Lagares (SP)

Ser humano, de Fernando Pinheiro (MG)

O acaso e a borboleta, de Tiago Américo e Fernanda Correa (PR)

Bailarino e o bonde, de Rogério Nunes (SP)

O ciclo, de Maurício Ramos Marques (PR)

O retorno de Saturno, de Lisandro Santos (RS)

Uma estrela no quintal, de Danielle Divardin (SP)

Bailarino e o Bonde, filme que vem colecionando prêmios por onde passa: Bonito a mais não poder…

Balanço Imagético de Campina Grande

Maria do Rosário Caetano, amiga querida e jornalista-arquivo do Cinema Brasileiro, me envia CD repleto de fotos feitas em Campina Grande durante a edição 2010 do ComuniCurtas…

Vou publicando aos poucos…

Obrigada pelo cuidado, amizade e atenção à nossa produção audiovisual, ! Os curta-metragistas agradecemos… E um beijo da Aurora

* Saudades de Arly Arnaud, que aparece ao meu lado e também com o documentarista Bertrand Lira e Rosário Caetano antes da sessão competitiva no SESC de Campina Grande, sempre lotada.

Aurora, Arly, Bertrand e Rosário

Arly Arnaud e cineasta Marcus Villar

André Costa, artista querido, Cineasta de Primeira !

Nas Cordas de Herbert, Arly Arnaud e Aurora Miranda Leão

Arly Arnaud, Rosário Caetano e Marcus Villar

Tô devendo à equipe do ComuniCurtas um balanço desta edição sensacional, onde Zeca Brito, Arly Arnaud, Rosário Caetano, Marcus Villar e Rafael Trindade tiveram papel fundamental…

Um beijo aos que partilhamos estes momentos e até já !

Carta de Amor a Maria do Rosário Caetano

MISSIONÁRIA DA CELULOSE E DO CELULÓIDE 

Reproduzimos para você, leitor amigo do Aurora de Cinema,  texto-homenagem do jornalista LUIZ FERNANDO ZANIN ORICCHIO (*) para Maria do Rosário Caetano, por conta da homenagem que esta receberá em Sergipe, quando da realização do Curta-SE.

Vejam que primor !  Rosário merece !

Se ela pudesse, leria todos os jornais do mundo. Como não pode, contenta-se com os três que recebe em casa todas as manhãs e mais alguns “de todos os Brasis”, que compra  quando vai aos muitos cinemas  que circundam a Avenida Paulista. Maria do Rosário Caetano é assim. Uma vocação de jornalista como nunca vi igual. Fascinada pela notícia, fissurada pelo dia-a-dia, fanática pelo papel, usa a internet de maneira frenética, porém com um saudável pé atrás. Leitura, para ela, só na velha e boa celulose. Haja florestas para abastecer tanta fome.

Pois foi desse jeito, lendo e colecionando os papeis que ela não joga fora (para meu desespero), que Rô se tornou a mais bem preparada jornalista cultural do País – em especial quanto a um tema, o cinema, e o cinema brasileiro em particular, que ela acompanha de perto há décadas.

E, claro, acompanha não como leitora, mas como repórter, participante e testemunha. A Rosário pode ser vista e ouvida nos debates de uma infinidade de festivais brasileiros. É a rainha dos debates e moderadora de muitos deles. Parece conhecer todos os diretores, todos os atores, os figurinistas, maquiadores, os contra-regras e pode chamar, pelo nome, do mais badalado produtor ao anônimo que segura as lâmpadas no set, que a gente chama de “pau de luz”. Nada e nem ninguém do cinema brasileiro parece lhe ser estranho.

Por um simples motivo: Rô ama o cinema brasileiro porque ama o Brasil acima de tudo. É nacionalista, não no sentido estreito de ignorar o resto do mundo ou pregar patriotada. É nacionalista porque não se considera cidadã de segunda categoria por ter nascido no Brasil, em Minas Gerais, numa cidade chamada Coromandel. Pelo contrário. Orgulha-se de sua origem. Sente-se igual a todos, alemães, portugueses, norte-americanos, vietnamitas ou chineses. Pratica um nacionalismo do tipo que a coloca na altura dos olhos dos seus semelhantes. Nem acima e nem abaixo. No mesmo nível.

Por isso mesmo, sente-se particularmente solidária com os que sempre foram considerados “inferiores” pelos supostos donos do mundo (e às vezes por si mesmos): os brasileiros e todos os irmãos latino-americanos – nossos vizinhos de continente, em geral tão ignorados aqui mesmo no Brasil, cuja elite tem como modelos ora os europeus ora os americanos do norte.

Foi pensando nisso que Rosário escreveu seu livro mais importante, o pioneiro “Cineastas Latino-Americanos” (Estação Liberdade, 1997), uma série de entrevistas e perfis biográficos com os principais diretores do continente. É leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto.

Como são obrigatórios os livros que produziu para a coleção Aplauso, com perfis de cineastas e atores como Fernando Meirelles, João Batista de Andrade e Marlene França. Esses textos aliam a argúcia da entrevistadora, sempre bem documentada sobre o assunto ou o personagem, ao texto trabalhado e límpido, fruto de quem frequenta os melhores autores da literatura. Sim, a Rosário, além de formada em jornalismo, concluiu o curso de Letras, ambos na UnB, em Brasília, cidade para onde foi depois de sair de Coromandel, e onde passou a juventude, casou-se, teve filhos, trabalhou e deixou enorme número de amigos e admiradores quando de lá saiu, em 1994, para viver em São Paulo.

Rosário durante muitos anos trabalhou nas redações de jornais como Correio Braziliense e Jornal de Brasília, como repórter, repórter especial ou editora de cultura. Tornou-se correspondente do JBr em São Paulo quando para lá se mudou. Ao deixar o jornalismo diário, depois de muitos anos de atividade, passou a atuar na internet. “Analfabeta digital”, como ela mesma se define, tirou do nada um boletim que batizou de “Almanaque”. Uma publicação artesanal, que ela envia manualmente para três mil pessoas e lhe valeu uma tendinite crônica no braço direito.

Em pouco tempo, o “Almanaque”, que é mensal, e o “Almanakito”, um derivativo diário, tornaram-se referência nacional no meio cinematográfico e não é raro que paute e seja citado por jornalões tradicionais. Algumas revelações do Almanakito se tornaram reportagens escritas nos jornais de primeira linha do País. Rosário é prova viva do alcance e das possibilidades do jornalismo na internet. Com seu “Almanakito”, ela multiplicou seus correspondentes e amigos pelo Brasil afora e mesmo no exterior (um dia, para minha supresa, ela veio me falar de uma “amiga russa”, Elena Beliakova, que havia conhecido na rede e era fã de Jorge Amado). Criou uma rede de dependentes do Almanakito, viciados que se informam e se orientam pela leitura desse boletim e se queixam quando eventualmente são esquecidos nas remessas.

Aos 55 anos, a Rô continua em atividade febril. Percorre vários festivais de cinema ao longo do ano e já até perdeu medo de avião, menos por mérito que por necessidade. Quando está em casa, consome seu dia lendo, fazendo contatos e abastecendo edições sucessivas do Almanakito. Tornou-se ponto de referência de informação quente e de credibilidade, coisas raras na internet. É uma jornalista em tempo integral.

O encontro de uma pessoa com sua vocação não se dá sem problemas. Rô se queixa de dores de cabeça recorrentes, típicas de quem vive o tempo todo no olho do furacão. Ainda acha que pode pegar o mundo com as mãos, esse mundo que teima em crescer em escala exponencial e a lhe fugir do controle. Leva tudo a sério, com o fanatismo dos santos e dos devotos. Por isso às vezes lhe falta o humor, que tanto ajuda a relativizar as coisas. Pensando bem, tudo isso está interligado e faz parte de um sistema: quem se acha imbuída de uma missão não se permite descanso nem brincadeiras. Para a Rô, o cinema não é uma diversão, nem mesmo uma arte – é uma causa. E ela a defende com o rigor de uma revolucionária. São defeitos ou qualidades? Depende do ponto de vista. Há quem ache a sua dedicação ao trabalho excessiva, roubando tempo e atenção que poderiam ser empregados de outra forma. Existe quem pense que nada existe de mais bonito que uma paixão como essa, levada às últimas consequências.

Como julgar de maneira objetiva, ainda mais quando se ama a personagem?

        (*) Luiz Fernando Zanin Oricchio é jornalista e crítico de Cinema do jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), autor dos livros “Cinema de Novo – Um Balanço Crítico da Retomada”, “Guilherme de Almeida Prado” (Coleção Aplauso) e “Fome de Bola – Cinema e Futebol no Brasil”, além de companheiro, há quase duas décadas, de Maria do Rosário.

ComuniCurtas Movimentou Campina Grande

Público chegando para as sessões sempre lotadas no cine-teatro SESC Campina Grande
 
Cineasta André da Costa Pinto apresenta mais uma edição do festival idealizado por ele
 
 
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 João Carlos Beltrão, fotógrafo homenageado desta edição, ao lado da graciosa filha

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Rafael Trindade, o capixaba que conquistou a todos com simpatia e inteligência
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As sorridentes apresentadoras no palco do cine-teatro do SESC …
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Aurora Miranda Leão, integrante do júri da Mostra Tropeiros da Borborema
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O animador carioca Marão apresenta seu curta, o premiado “Eu quero ser um Monstro”
 
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 Rômulo Azevedo e jornalista Maria do Rosário Caetano, que integrou o júri e lançou seu livro Cangaço – O Nordestern no Cinema Brasileiro
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Como em todas as noites, cinema brasileiro teve público garantido no Comunicurtas
Aurora Miranda Leão, Arly Arnaud, Bertrand Lyra e Maria do Rosário Caetano
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Agitadas noites do TENEBRA, onde Rosário Caetano encontrou melhor caldo de peixe da cidade
A inesquecível e animadíssima noite na cachaçaria: forró e MPB até a madruga …
Júlio Science, Aurora, Marão e Zeca Brito na curtição

Rosário e Aplauso de Cinema

 

  

JOÃO BATISTA DE ANDRADE AUTOGRAFA BIOGRAFIA NO FESTIVAL DE CINEMA LATINO-AMERICANO    

Assinada por Maria do Rosário Caetano, obra conta a trajetória profissional de um dos principais cineastas nacionais.

 

Diretor do clássico O Homem que Virou Suco, filme vencedor do Festival de Moscou em 1981, João Batista de Andrade é um dos mais respeitados cineastas nacionais e será um dos homenageados do 5º Festival de Cinema Latino-Americano, que acontece de hoje até dia 18 no Memorial da América Latina, em Sampa – Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664.

Diversos filmes dirigidos por ele, como O Cego que gritava luz, Doramundo e o próprio O homem que virou suco, serão exibidos durante o festival. Como parte da programação do festival, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo programou para quarta, dia 14, uma sessão de autógrafos de João Batista de Andrade – Alguma Solidão e Muitas Histórias, livro escrito pela jornalista Maria do Rosário Caetano – jornalista especializada na Sétima Arte. 

João Batista irá assinar a reedição da obra, a partir das 18 horas, no estande montado pela Imprensa Oficial especialmente para a data. Outros 188 títulos também estarão à venda durante todo o dia, a maioria deles da Aplauso, coleção coordenada pelo jornalista e crítico de Cinema, Rubens Ewald Filho, que reúne grande parte da memória artística brasileira entre biografias, roteiros de cinema, perfis e histórias de emissoras de TV.

  

Biografia do cineasta João Batista de Andrade será lançada quarta-feira  

Além de sua biografia, João Batista de Andrade tem outros três roteiros publicados pela Aplauso e que também estarão à venda: do filme “O homem que virou suco” e dos documentários Liberdade de Imprensa e Vlado – 30 anos depois, sobre Vladimir Herzog. Essas obras também podem ser baixadas e lidas gratuitamente, em formato PDF e TXT, no site da Coleção, http://aplauso.imprensaoficial.com.br.  

 

Maria do Rosário Caetano, voz feminina da imprensa nos bastidores do Cinema, assina a biografia de João Batista de Andrade  

Dos títulos que estarão à venda no espaço, mais de 60 são da série CINEMA da Coleção Aplauso. Entre eles, os roteiros dos filmes O Bandido da Luz Vermelha, Desmundo, O Céu de Suely, Cidade dos Homens, O Ano em que meus saíram de férias, O Signo da Cidade e do recém-lançado Olhos Azuis. Também estarão na livraria as biografias de importantes nomes da sétima arte, como Máximo Barro, Ugo Giorgetti, Alain Fresnot e Djalma Limongi Batista.

Cinema Latino-Americano em Sampa

Parte importante da programação de todas as edições do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é a seleção do homenageado. Mostras panorâmicas, que contemplam vida e obra de um diretor consagrado, são, em geral, as mais disputadas pelo público e comentadas pela crítica, pois vão de encontro a uma proposta fundamental do Festlatino: o resgate da cinematografia do continente. 

 

Já receberam a honra os argentinos Fernando Birri e Fernando Solanas, o mexicano Paul Leduc e o brasileiro Nelson Pereira dos Santos que, além da retrospectiva de seus filmes, presentearam o público do festival com aulas-magnas sobre a sétima arte. Em comum, todos cineastas-ativistas que colocaram o povo latino no primeiro plano de suas obras: Birri, um dos mais influentes cineastas latinoamericanos, autor do clássico Tire Dié (1959) e fundador da Escola de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños – EICT (Cuba); Solanas, responsável por obras de forte crítica social e questionamentos políticos, diretor da trilogia A hora dos fornos, documentário essencial na formação do cinema político no continente, eterno combatente na luta contra o abandono do povo argentino; Nelson Pereira precursor do cinema-novo brasileiro com seus Rio, 40 graus e Rio, Zona Norte, autor da obra-prima Vidas Secas, fundador do curso de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) e premiado em inúmeros festivais mundo afora; e Paul Leduc, que sempre colocou de forma realista a situação política e social do continente em seus filmes, autor de marcos como Reed: México insurgente (1973) e Etnocídio (1977).   

 

Nesta 5ª edição, serão dois homenageados: Marcelo Piñeyro e João Batista de Andrade (acima, durante abertura do 1º Festlatino), diretor considerado dos mais importantes do cinema brasileiro, com quase 40 títulos no currículo. João Batista segue a linha engajada dos diretores que fizeram a história da cinematografia latina e, por seus filmes, já foi laureado em festivais nacionais e internacionais, com “O Homem Que Virou Suco” (1980 – foto abaixo), melhor filme no Festival de Moscou e premiado nos festivais de Gramado (roteiro, ator e ator coadjuvante), Brasília (ator), Huelva, na Espanha (ator) e Nevers, na França (filme e prêmio da crítica); “Doramundo” (1978), vencedor do Festival de Gramado (filme e diretor); “A Próxima Vítima” (1983), também premiado em Gramado e vencedor de três troféus da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte); e “O País dos Tenentes” (1987), uma produção contemplada com cinco troféus Candango no Festival de Brasília.
 

Além das ficções, sua importante trajetória como documentarista também será representada por filmes como ”Liberdade de Imprensa” (1966) – seu curta-metragem de estreia -; ”Greve!” (1979) e “Vlado – 30 Anos Depois” (2005). O festival promove ainda o relançamento, em edição ampliada, do livro “João Batista de Andrade – Alguma Solidão e Muitas Histórias: A Trajetória de Um Cineasta Brasileiro”, assinado por Maria do Rosário Caetano e editado pela Imesp, e uma mesa redonda que debaterá sua obra, mediada por Jean-Claude Bernardet.