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Crítico LG de Miranda Leão disseca as relações Cinema x Literatura

Da ficção para o real

O diretor chama atenção do operador para o enquadramento de Catherine Deneuve em O Último Metrô, um dos mais instigantes exercícios de Truffaut com signos visuais, sabendo-se como o cineasta conhece bem sua tipologia e o poder das imagens

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como vimos, a realização cinematográfica de ficção, naturalmente distinta do filme documentário, baseia-se em três fontes distintas: o livro, o drama teatral e uma história inventada ou inspirada no todo ou em parte em eventos reais. Esta deixa maiores opções e asas para a criação dos “screenplayers” ou do próprio diretor, pois não há amarras a limitar realizadores independentes. Lembramo-nos, por exemplo, de um filme como “O Último Metrô” (Le Dernier Metro) escrito diretamente para a tela por François Truffaut (1980), figura ímpar do cinema. Indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “O Último Metrô” foi um marco na carreira do cineasta ao enfocar o drama verossímil de um judeu diretor teatral escondido no porão de um prédio onde se encenavam as peças.

A trama

Escondia-se para fugir da perseguição implacável dos nazistas durante a França ocupada na II Guerra. A tensão nasce do temor da descoberta, pois os agentes inimigos suspeitam de algo estranho no teatro, enquanto um dos atores se apaixona pela mulher do diretor. O desfecho é dos mais inteligentes e consentâneos com o desenvolvimento do drama vivido pelos atores da peça como, então, pelo drama pessoal de cada um.

RE – leituras

Poderíamos citar a propósito dezenas de filmes feitos com base em história original, inventada parcial ou totalmente, mas todas coerentes e verossímeis, pois o cinema nada tem a ver com a verdade e sim com a verossimilhança, o provável de acontecer, tudo quando poderia ter decorrido num drama de caráter realístico. Um deles, por exemplo, “Depois das Horas (After Hours), de Martin Scorsese (1985), no qual uma série de acasos desfavoráveis da vida real leva sua “vítima” a contar seus infortúnios de uma sexta-feira aziaga a um amigo e este lhe teria dito: “Não fale mais, isso dá um filme e tudo quanto aconteceu com você, naturalmente com algumas alterações, estará incluído. “Posso, então, contar seus azares para um roteirista competente?”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nasce um filme

Assim, os apontamentos para o roteiro chegaram ao roteirista Joseph Minion e daí a Scorsese. Este se interessou pelo tema do jogo de acasos inesperados e perturbadores na vida das pessoas e criou com Minion todo um enredo: um programador e seu encontro com jovem neurótica com todos os percalços gerados numa única noite, além do final irônico e surpreendente, só suscetível de ocorrer num filme. Será? Da abertura com um plano-sequência dos mais efetivos chegamos ao terço final inusitado, após o desespero do personagem perdido em plena madrugada de um bairro nova-iorquino e gritando pelas ruas desesperado: “Que fiz eu para merecer tudo isso?”, enquanto a trilha sonora engrandece o sentido da cena enriquecida pela interpretação do ator (Griffin Dunne), pela fotografia do mestre alemão Michael Baulhaus e pela direção precisa de Scorsese.

Os frutos

Enfim, alto cinema nascido fora dos livros, mas de incidentes vividos por um personagem da vida real. Quem ainda não assistiu a “Depois das Horas”, poderá alugá-lo numa locadora. Muito elogiado até por críticos da estrutura de Roger Ebert, Prêmio Pulitzer de Literatura, para quem “o filme de Scorsese é tão original, tão particular, a ponto de o espectador não ter certeza de, instante a instante, exatamente, como reagir a ele” …

Bons e maus filmes

No fim de contas, o espectador pode dizer se gostou ou não de determinado filme ou de sua adaptação para o écran. Mas isso não é problema: há bons filmes dos quais não se gosta ou fitas bobas das quais saímos leve pelas duas horas de entretenimento … Há também os filmes esquecíveis, incapazes de enriquecer-nos de algum modo. De qualquer forma, um lembrete para nossos prezados cinéfilos: O cinema pode, sem prejuízo da própria linguagem, lidar com o texto literário de outra maneira que não a de simplesmente tomá-lo como um provedor de enredos para ilustração.

Um vanguardista

A frase não é nossa, mas do cineasta britânico Peter Greenway, realizador de vanguarda e também pintor, ilustrador e autor de romances. Ganhou destaque internacional com filmes como “O Cozinheiro”, O Ladrão, Sua Mulher e o Amante” (The Cook, The Thief, His Wife and her Lover) (1989), “A Última Tempestade” (Prospero´s Books) (1991) e “O Bebê Santo de Macon” (The Baby of Macon) (1993), para só citarmos estes vindos à memória.

Do livro para a tela

Não devemos esquecer o fato de haver obras literárias de difícil transposição para o écran. Basta lembrar como Joseph Losey e Luchino Visconti levaram anos estudando e relendo “A La Recherche de Temps Perdu”, de Proust, e não conseguiram concretizar a filmagem desse texto memorialista do talvez maior romance do século XX.

Duas criações

Tempos depois, com muitos anos de estudo, o chileno-francês Raoul Ruiz pôde levar a essência do romance à tela, num filme admirável de uma recriação da Paris de Proust, enquanto o cineasta alemão Volker Schlondorff preferiu filmar apenas “Un Amour de Swan”, mas ambos conseguiram reconstituir um clima de época com diálogos inteligentes e a tensão subjacente aos conflitos delineados ao longo do processo narrativo. São dois filmes de primeira ordem e não nos cansamos de recomendá-los, mesmo aceitando a possibilidade de os acharem longos ou cansativos e não sentirem afinidade alguma com casos de amor passados nos anos 20…

Os desafios

Não esquecer também como é difícil representar visualmente signos verbais como, por exemplo, “o amor que poderia ter sido e não foi” ou um drama de teor psicológico, como um “Crime e Castigo”, de Dostoievsky”, o qual nunca atinge a essência da obra literária original, apesar das tentativas levadas a efeito nesse sentido por cineastas de categoria. Por outro lado, é preciso levar em conta as diferenças fundamentais que se estendem entre literatura e cinema.

Dos elementos

De um lado temos palavras, frases, diálogos, exclamações, parágrafos etc, de outro, imagens filmícas e conceituais, imagens-rosto, imagens-sonho, sons, olhares, expressões, tempos mortos, silêncios, conotações, imagens significantes (o elemento ausente da cena, como o relógio sem ponteiros da praça, visto no sonho do personagem central de “Morangos Silvestres” (Wild Strawberries) (1957), filme excepcional do mestre Ingmar Bergman, para citar apenas um dos seus trabalhos mais representativos.

Por fim, não esqueçamos o elemento-chave da chamada linguagem cinematográfica, o plano, também denominado “shot” ou “take”, ou seja, o trecho filmado ou focalizado numa única tomada e na qual a posição da câmara determina a aproximação ou o afastamento da imagem; os ângulos de tomada (câmara baixa, câmara alta; em inglês, respectivamente, “low angle” e “high angle”, e em francês, “plongée” e “contre-plongée”.

Um detalhe

Não esquecer também a escala dos planos e o plano-sequência (“sequence shot” ou “plan-sequence”), igualmente chamado plano-longo, ou seja, aquele que abrange toda uma sequência filmada e montada sem cortes.

Dos planos

Há muitos outros planos, como o plano de detalhe, o plano de fundo, mas os citados aqui bastam para ilustrar alguns pontos importantes da chamada planificação, ou seja, a escolha dos planos, angulações, sua ordem de duração. Noutras palavras, os ângulos de tomadas e os movimentos de câmara, completados com os cenários, a fotografia, o vestuário, os efeitos especiais constitutivos dos chamados elementos técnico-artísticos do filme. “São técnicos por natureza”, como lembra Maurício Rittner em suas aulas, “mas artísticos por finalidade”. Não esquecer a importância da luz no cinema, em cores ou em preto e branco. Em p&b, para citar apenas um exemplo, “Silêncio nas Trevas”, de Robert Siodmak, logra resultados inesquecíveis com a iluminação de interiores, sabendo-se da presença de um psicopata assassino de mulheres com algum tipo de deficiência física.

SAIBA MAIS

BRAIT, Beth. A personagem. São Paulo: Ática, 1985

DIMAS, Antônio. Espaço e romance. São Paulo: Ática, 1986

MESQUITA, Samira Nahid de. O enredo. São Paulo: Ática, 1986

MOISÉS, Massaud. A análise literária. São Paulo: Cultix, 1987

NUNES, Benedito. O tempo na narrativa. São Paulo: Ática, 1988

Doc sobre cancioneiro brega ganha Festival In-Edit Brasil

Vou Rifar Meu Coração, filme de Ana Rieper, é o grande vencedor da Competição Brasileira do festival IN-EDIT BRASIL 20124o Festival Internacional de Documentário Musical.

 O filme, que entrará no circuito In-Edit de festivais, conta a história da vida de quem faz e quem ouve Música Romântica no Brasil. Odair José, Amado Baptista, Lindomar Castilho, Nelson Ned, Wando, e muitos outros, são ídolos dentro deste universo e fazem música para os personagens reais deste documentário. Para esses músicos, o amor não vê cor, classe, opção sexual nem diploma universitário. Milhares de brasileiros amam e choram desamores ouvindo suas canções em botecos, inferninhos e quartos escuros de todo o país.

O filme capta histórias de amor reais na intimidade de seus protagonistas, derruba estereótipos sobre traição, homossexualismo, prostituição e trata o Brega como expressão do imaginário popular brasileiro. 

George Harrison: um beatle em Living in the Material World, de Martin Scorsese, um dos grandes trunfos do Festival In-Edit…

Com patrocínio da Petrobras, co-patrocínio da Prefeitura de São Paulo /Secretaria Municipal de Cultural, apoio do Governo do Estado de São Paulo – Programa de Ação Cultural da Secretaria da Cultura, o encerramento do festival In-Edit aconteceu ontem, domingo 10 de junho, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

  

Serviço

IN-EDIT Brasil – 4º Festival Internacional do Documentário Musical

1 a 10 de junho em São Paulo

14 a 21 de junho em Salvador

www.in-edit-brasil.com.br

George Harrison ganha documentário de Scorsese

Assista ao trailer de ‘George Harrison: Living in the material world’

Beatlemaníacos, tremei: o trailer de “George Harrison: Living in the material world” foi divulgado. O documentário, dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese, reconta a trajetória do guitarrista, desde o começo dos Beatles, passando por sua prolífica carreira-solo até sua morte, em decorrência de câncer, em 2001.

O trailer traz depoimentos dos ex-colegas Paul McCartney e Ringo Starr, além de amigos como Eric Clapton. “George Harrison: Living in the material world” será lançado dia 10 de outubro. Saiba mais sobre o doc clicando aqui

LG Miranda Leão e os Melhores de 2010

A Ver e Rever, Decididamente

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Ilha do Medo, melhor do ano na lista do crítico L.G. de Miranda Leão: filme é marcado pela competência de Martin Scorsese na direção, driblando percalços do roteiro

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Ricardo Darín, em O Segredo dos seus Olhos, do argentino Juan José Campanella: Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009

 

Em mês de vacas magras nos cinemas, o crítico L.G. de Miranda Leão enumera os 10 melhores filmes de 2010. Oito já estão disponíveis em DVD. Os demais chegam este mês às locadoras.

 

 

 

 

A exemplo de muitos verões, o Diário do Nordeste relaciona a seguir os 10 Melhores Filmes de 2010, conforme vistos, revistos e analisados pelo crítico e escritor L. G. de Miranda Leão, colaborador do jornal desde os anos 80. Seguem comentários sucintos sobre as qualidades intrínsecas de cada um dos filmes escolhidos. Ei-los:1.  Ilha do Medo (Shutter Island), de Martin Scorsese. “É um filme alucinatório”, nas palavras do renomado crítico e autor Jorge Coli em sua seção Ponto de Fuga da Folha de S. Paulo. “Traumas, choques, memória individual e coletiva, o crime e o massacre são os grandes temas capazes de adquirir forma cinematográfica, forma feita, ela própria, de memória”.

Apesar de alguns percalços no roteiro, decorrentes do romance policial de Dennis Lehane (o mesmo autor do excelente “Sobre Meninos e Lobos”, de Clint Eastwood), Scorsese, sempre um diretor de peso, sai-se a cavaleiro do labirinto no qual penetrou como realizador. Pois em “A Ilha do Medo” há criminosos loucos ou loucos transformados em criminosos, além de outros personagens mentalmente perturbados.

Assim, é como se coisas mortas voltassem a viver, como se espectros do passado interferissem no presente, “vistos” aqui e ali mediante utilização inteligente do PPVS (plano-ponto-de-vista-subjetivo) do qual um dos seus melhores exemplos se encontra em “A Face Inocente do Terror” (The Other), de Robert Mulligan (1972), quando o irmão gêmeo do garoto já não existe, mas o espectador o “vê”, ou de quando vemos breve cenas do almoço ao ar livre pela mente agônica do personagem vivido por Michel Piccoli em “As Coisas da Vida” (Les Choses de La Vie), de Claude Sautet (1969).

Quanto ao mais, Scorsese conduz com segurança todos os intérpretes, com Leonardo di Caprio e Ben Kingsley à frente, assim como o ritmo das ações sempre imprevisíveis até o desfecho. Quanto a este, basta lembrar como o percurso interior do personagem supera a descoberta final. A nosso ver, o Melhor Filme de 2010.

DRAMAS

2. O segredo dos seus olhos (El Secreto de sus Ojos), de Juan José Campanella. Muito bom como cinema, tendo ganho nos EUA o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar da narrativa complexa e fragmentada, com base no livro “La Pregunta de sus Ojos”, de Eduardo Sacheri, com muitos nomes e recuos e avanços no espaço-tempo, não há nada inverossímil ou indecifrável.

O filme de realizador argentino traz instantes inesquecíveis como o “plongée” em movimento sobre um estádio de futebol ou a despedida dos dois amantes (Irene Menendez e Ricardo Darin) na estação ferroviária, quando a mulher põe a mão espalmada no vidro do trem como signo de um futuro encontro entre eles, enquanto uma melodia harmoniosa reforça a expressividade da separação momentânea. Atores de primeira são conduzidos com maestria por Campanella, enquanto a direção fotográfica de Felix Monti surpreende.

3. Coração Louco (Crazy Heart), de Scott Cooper. De há muito Hollywood estava devendo um Oscar a Jeff Bridges, excelente ator de vários filmes relevantes, dentre os quais “A Última Sessão de Cinema”, de Peter Bogdanovich, quando foi premiado como Melhor Ator Coadjuvante, e em “O Suspeito da Rua Arlington”, de Mark Pellington, quando foi injustamente esquecido.

Desta feita, no papel de um cantor country, meio decadente e um tanto ultrapassado, ele suplantou a si mesmo: sobrevive a um deastre e reencontra o amor com uma jornalista (Maggie Gyllenhaal) determinada a desvendar o homem atrás do microfone e do álcool. Um tento para Scott Cooper.

4. O Refúgio (Le Refuge), de François Ozon, um dos melhores diretores da safra deste século, elogiado por uma “mise-en-scène” atenta em “Oito Mulheres” (2002). O Refúgio trata do amor e dos encontros e desencontros dos personagens.

Desta feita, uma jovem descobre estar grávida depois da morte do amante, vítima de overdose. Morando sozinha numa casa de praia, ela acaba recebendo a companhia do cantor e compositor Paul, irmão do morto. Arma-se assim nova equação. Isabelle Carré, a protagonista, transmite discreta sensualidade apesar da barriga de seis meses e acaba tendo um caso com Paul.

Filme adulto valorizado pelo desempenho do elenco e até de pontas, bem assim pelos versos e melodia criados por Paul em noite de inspiração. “Prises de vues” da praia e dos exteriores de sol brilhante enriquecem a ambiência dentro do qual atuam os jovens. Destaquem-se algumas cenas fortes e a iluminação de interiores, assim como a desenvoltura de Isabelle em momentos de difíceis escolhas.

MODERNISTAS
 
 5. Coco Chanel & Igor Sravinsky, exibido no Espaço Unibanco quando do Festival Varilux do Cinema Francês, traz a assinatura de Jean Kouben, realizador holandês pouco conhecido por estas plagas, mas de quem lemos boas referências ao seu trabalho diretorial.

Drama biográfico inspirado em caso real, Coco Chanel & Igor Stravinsky reconstrói o “affair” da famosa estilista francesa interpretada por Anna Mouglais com o compositor russo, quando se conheceram em 1913, após uma exibição pública de Stravinsky (sua música hoje é bem aceita pelos russos, antes não era porque este se manifestou contra o regime soviético).

Com sua ida à França, o caso entre Coco e Igor passou pela Grande Guerra (1914-18) e se estendeu até 1920, isso porque Coco ofereceu sua casa de campo a Igor de modo pudesse o artista dedicar-se mais à sua carreira artística. A aproximação erótica entre os dois em plena residência se revela pelas imagens-rosto e a troca de olhares entre eles, tudo isso percebido por Katharina (Yelena Morizova), mulher de Stravinsky.

Há imagens ricas no filme a partir mesmo do concerto de gala onde os amantes se viram pela primeira vez e onde a música de Stranvisky se revelou renovadora e fora dos padrões clássicos. A visão panorâmica do grande teatro se enriquece quando a iluminação em p&b capta a platéia de ângulos diferentes no enquadramento seletivo das imagens e no corte preciso.

Coco e Igor acabam chegando à cena do êxtase, “scène filmée en plongée”, como escreveu um crítico francês, bastante sugestiva da completude de um gozo absoluto, mesmo quando temporário, como estabeleceu Wilhelm Reich em sua obra (confira “A Função do Orgasmo”, Brasiliense, 1975). Sem dúvida, um dos melhores do ano.

CONFLITOS

6. O Profeta (Le Profette), do diretor parisiense Jacques Audiard, vencedor de nove prêmios em festivais internacionais, como o de Cannes e também do Bafta inglês. Audiard enfoca um tema político-social sugestivo dos desentendimentos entre grupos religiosos de muçulmanos estabelecidos na França.

O grande público não apreendeu bem o quanto Audiard pretendeu dizer com seu enfoque (“Ninguém é dono da verdade”, “Ubi veritas?”, teria dito ele a um grupo de manifestantes), antes uma denúncia e um alerta de tal forma não se criem conflitos religiosos em plena sociedade francesa democrática. Cenas de rua expressivas, assim como a direção de atores, máxime quando a proximidade dos rostos e as expressões fisionômicas podem sugerir um “quem cala consente”…

7. Amor sem escalas (Up in the Air), com roteiro de Sheldon Turner e Jason Reitman, baseado no livro de Walter Kim, tem direção de Reitman e surpreende pelo tratamento cinematográfico dado a um tema difícil, como o do consultor de uma empresa, incumbido de demitir funcionários mediante considerações de ordem vária, como aquela de não mais servirem aos interesses da produção, etc.

George Clooney protagoniza o filme com categoria e tem tido uma carreira das melhores no cinema, pois já ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em “Syriana” e de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original em “Boa Noite e Boa Sorte”, ambos de 2005, e também de Melhor Ator em “Conduta de Risco” (2007).

Solteiro convicto, Ryan, o personagem vivido por Clooney, só pensa em si mesmo, pois toda sua atividade profissional se concentra em aviões, aeroportos e hotéis, sendo seu maior objetivo profissional obter no fim de contas um cartão ultra “VIP”, caso consiga 10 milhões de dólares de milhas voadas…

O aeroporto é o único lugar no qual Ryan se sente conectado, justamente onde todos, estranhos de procedências e de línguas diferentes, estão juntos mas completamente separados… as relações humanas são apenas o peso na mala, única coisa capaz de impedi-lo de viver agilmente…

Para Reitman, nossa felicidade possível nesta curta vida irá depender de nossas escolhas e do chamado jogo de acasos, esse conjunto de causas imprevisíveis e independentes entre si, as quais não se prendem a um encadeamento lógico e racional…

O desenlace do filme, bem dirigido e com eficiente poder de síntese e ritmo, combina o irônico da situação profissional de Ryan, agora também com um caso amoroso, com a surpresa reservada tanto para ele como para o espectador. No elenco, além de Clooney, atuam com classe Anna Kendrick e Kristen Stewart, duas mulheres capazes de mudar a vida do personagem de Clooney. Um filme de muito alcance e competênciCinéfilo e crítico de cinema.

DEZ MAIS de 2010

1. Ilha do Medo (Disponível em DVD)

2. O Segredo dos seus Olhos (DVD)

3. Coração Louco (DVD)

4. O Refúgio (DVD)

5. Coco Chanel & Igor Stravinsky (DVD em pré-venda)

6. O Profeta (DVD em pré-venda)

7. Amor sem escalas (DVD)

8. Tropa de Elite 2 (DVD)

9. A Fita Branca (DVD)

10. A Ressaca (DVD)

L.G DE MIRANDA LEÃO*
ESPECIAL PARA O CADERNO 3

* Matéria publicada no jornal Diário do Nordeste

SCORCESE Leva LIMITE à Noruega

Filme brasileiro lançado em 1931 é restaurado e será exibido em festival norueguês

O longa-metragem Limite, clássico experimental lançado em 1931, do diretor Mario Peixoto, será exibido no festival norueguês Filmes do Sul em 10 de outubro.

O filme foi restaurado pela organização World Cinema Foundation, criada por Martin Scorsese, e será exibido na Ópera da Noruega.

Limite, filme sem diálogos falados, vai contar com nova trilha sonora, composta pelo norueguês Bugge Wesseltoft, em parceria com os brasileiros Naná Vasconcelos, Marlui Miranda e Rodolfo Stroeter.

O filme tem 120 minutos e foi o único realizado por Peixoto, sendo um dos 100 filmes mais importantes do mundo, na lista do cantor David Bowie. O festival Filmes do Sul, a acontecer entre 7 e 17 de outubro, é dedicado ao cinema feito na Ásia, África e América Latina. Ao todo, serão exibidos 12 filmes escolhidos pela World Cinema Foundation. O dinheiro arrecadado com a exibição de Limite vai servir para apoiar o trabalho da fundação.

 

Imagem marcantre de LIMITE, filme recém-debatido no Cineclube Vila das Artes, em Fortaleza

Scorsese Vai Filmar SINATRA

Scorsese quer De Niro e Pacino em filme sobre Sinatra

scorsese

Enquanto divulgava Ilha do Medo na Índia, Martin Scorsese falou a um jornal local sobre um de seus próximos projetos, a cinebiografia de Frank Sinatra.

Na entrevista, o cineasta revelou que não pretende fazer um filme convencional. A idéia é seguir o modelo de Não Estou Lá, sobre Bob Dylan, e colocar vários atores para interpretar facetas distintas do cantor.

“Não dá pra fazer um greatest hits da vida dele. Isso já foi tentado. Outra maneira seria com três ou quatro Sinatras diferentes. Jovem, adulto, meia-idade, bem idoso. A trama vai e vem no tempo, e a narrativa se faz com as músicas. É o que estamos tentando fazer. É complicado”, declarou.

Scorsese adiantou, também, um pouco dos seus planos em relação ao elenco: “ainda preciso achar o ator certo para trazer Frank Sinatra de volta à vida. Minha escolha seria Al Pacino, com Robert De Niro como Dean Martin,” revelou o diretor que já tem uma primeira versão do roteiro pronta, mas só deve começar a produção após finalizar a adaptação do livro infantil A Invenção de Hugo Cabret.

BEATLES em versão SCORSESE

Living in the material world terá imagens inéditas de George Harrison.

George Harrison: registro em documentário

Já está em fase de pós-produção o documentário sobre o ex-Beatle George Harrison dirigido pelo cineasta Martin Scorsese, informou o site da revista norte-americana Billboard.

Realizado em parceria com Olivia Harrison, viúva do ex-beatle, Living in the material world: George Harrison vem sendo produzido há três anos e vai cobrir toda a vida do guitarrista, cantor e compositor.

“Sua música é muito importante para mim. Então, me interessei pelo caminho que ele tomou como artista. O filme é uma espécie de investigação”, disse o diretor em entrevista à “Billboard”.

Por conta da proximidade com Olivia, o cineasta teve acesso sem precedentes a imagens raras de arquivo do músico, que serão incluídas na montagem final do filme.

Esta não será a primeira experiência de Scorsese à frente de um documentário musical. Em 1978, o diretor registrou o último show da The Band, liderada pelo cantor e guitarrista Robbie Robertson, no filme The last waltz. Em 2005, retratou a fase inicial da carreira de Bob Dylan em No direction home. Há dois anos, filmou duas apresentações dos Rolling Stones no Beacon Theater, em Nova York, que originaram Shine a light. Apesar de adiantado, Living in the material world: George Harrison ainda não tem previsão de lançamento.

WALTER SALLES: Homenagem na Califórnia

 

Walter Salles recebe amanhã, 29, o Director’s Award do San Francisco Film Festival, outorgado anualmente a um diretor pelo conjunto da sua obra. No passado, cineastas como Akira Kurosawa, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Gus Van Sant receberam a homenagem. 

Antes da premiação, Walter Salles participa de uma conversa no palco com o diretor mexicano Alejandro Iñárritu. Em seguida, o prêmio será entregue por Roman Coppola.

Na mesma noite, Walter Salles mostrará trechos do documentário que está preparando sobre Jack Kerouac e seu livro On the Road. O San Francisco Film Festival também homenageará este ano o ator Robert Duvall e o roteirista e distribuidor James Schamus

Walter Salles com Daniela Thomas e os atores de LINHA DE PASSE: mais uma homenagem internacional

Na sexta, 30 de abril, Walter Salles dará um Master Class para estudantes de cinema e apresentará seu mais recente longa, o belo e premiado Linha de Passe em Berkeley, Califórnia.

VIVA WALTER SALLES !, Cineasta que cativa pela generosidade, doçura e elegância, e encanta pelas belas obras