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Julinha Lemmertz de Volta ao Teatro

 

Deus é Carnificina é a peça que a doce e talentosa Júlia Lemmertz estreou noite passada na capital carioca. 

Escrita por Yasmina Reza, Deus de Carnificina, será aberta ao público a partir do dia 2, quinta-feira

Foi com a montagem de Arte, sob direção do saudoso Mauro Rasi, em 1998, que o Brasil felizmente descobriu a dramaturgia de Yasmina Reza. De lá para cá, foram encenados aqui, 3 Versões da Vida e O Homem Inesperado, de autoria da escritora. A nova peça de Yasmina vem recebendo rasgados elogios da crítica europeia.

A trama é instigante: dois casais se encontram porque o filho de um deles espancou o filho do outro casal. A reunião dos casais para a discussão do tema suscita os aspectos mais sórdidos do pensamento de cada personagem. E eles travam, então, um intenso duelo verbal.

A montagem brasileira tem o ator Emílio de Mello na direção (diretor de O Homem Inesperado, de Reza) e reúne elenco de quatro estupendos atores: Júlia Lemmertz, Paulo Betti, Deborah Evelyn e Orã Figueiredo. A peça chega ao Rio depois de apresentações em pelo menos cinco países. Um dos maiores sucessos da temporada teatral europeia e americana, a peça levou o Tony Awards 2009, na Broadway.

Este  competente quarteto estará a partir do dia 2 no Teatro Maison de France, no Rio. Imperdível!!

Serviço:

Teatro Maison de France. Quinta a Sábados 21 Horas, Domingo, 19 horas

Ingressos: Quinta: R$ 60,00,       Sextas: R$70,00   Sábados e Domingos: R$80,00

Isac Luz/EGO

Júlia Lemmertz ganha cumprimentos do marido, Alexandre Borges

Isac Luz/EGO

Júlia Lemmertz, Deborah Evelyn, Renata Sorrah e Denis Carvalho

Rosemary Estréia no Teatro de Santos

O espetáculo O Que Terá Acontecido a Rosemary? será encenado dia 7 de agosto no Teatro Braz Cubas, em Santos. A temporada da peça se estende até 26 de Setembro, sempre aos sábados e domingos, às 21 horas.
 
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Com inspiração nas antigas chanchadas do cinema brasileiro, a peça mostra o embate entre duas irmãs: Rosy e Betty Blue, suas aventuras e desventuras em busca da fama, sucesso e reconhecimento.

Tendo como fio condutor uma paródia dos clássicos filmes O Que Terá Acontecido a Baby Jane e A Malvada, ambos com Bette Davis, o espetáculo está calcado na interpretação dos atores, onde há o resgate do humor popular com uma embalagem cênica moderna.

Sobre o Besteirol

No alvorecer da década de oitenta, um movimento-artístico-teatral tomou de assalto os palcos do eixo Rio /São Paulo, firmando-se como um dos últimos da cena contemporânea brasileira a ter grande expressão.
Amado e odiado na mesma proporção, o Besteirol – terminologia imortalizada numa crítica teatral ao espetáculo As 1001 Encarnações de Pompeu Loredo, de Mauro Rasi e Vicente Pereira -,  detém um séqüito de detratores e entusiastas.
Recheado de referências que vão da comédia popular ao Teatro de Revista com seus números de cortinas e comperes, do Teatro Épico- que teve sua fonte nos números de Cabaré de Karl Valentin- às Chanchadas da Atlântida, uma coisa é certa: raso e superficial os espetáculos desta natureza jamais foram.
Paródias, paráfrases, estilizações, metáforas, intertextualidade, metalinguagem, distanciamento, critica mordaz aos costumes, antropofagia dos conceitos pequenos burgueses, tudo isto se justapõe de maneira bem humorada, irreverente e sarcástica.

Este movimento é comparado a outros importantes da década de 80, em outros países, como por exemplo A Ridiculous Theatrical Company, nos Estados Unidos, que trouxe à cena a obra dramatúrgica de Charles Ludlam (O Mistério de Irmã Vap), e a Movida Madrileña, na Espanha, que revelou nomes como Pedro Almodóvar.


Diversos atores e autores vieram renovar a cena neste período, como Miguel Falabella, Vicente Pereira, Mauro Rasi, Hamilton Vaz Pereira, Maria Lucia Dahl, Guilherme Karam, Duse Nacaratti, Ricardo Almeida, Miguel Magno, Diogo Vilela, Louise Cardoso e tantos outros. E espetáculos ficaram na história, como Sereias da Zona Sul, Doce Deleite, Camila Backer Lives in Concert, Pedra – A Tragédia, Classificados Desclassificados e Quem tem Medo de Itália Fausta ?, este último, considerado o epíteto do Teatro Besteirol.

Neste ano de 2010, quando se comemoram 30 anos do surgimento do BESTEIROL, Santos poderá apreciar o espetáculo O Que Terá Acontecido A Rosemary? 

  Ficha técnica    

Autor: Kadu Veríssimo

Direção: André Leahun 

Produção: Casa 3 de Artes


Elenco:

Kadu Veríssimo
Junior Brassalotti
Luiz Fernando Almeida

Quando:

de 7 de agosto até 26 de Setembro, sábados e domingos, 21 horas.

Ingressos:

Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira),

R$ 15,00 (lista de desconto)

e R$ 10,00 (classe artística, estudantes e idosos). 

Onde:

Teatro Municipal Brás Cubas

Av. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias.

A peça tem apoio de Trajano Bar, Metropole Restaurante, Lavanderia Londres, A Mineira Pao de Queijo, Secretaria Municipal de Cultura de Santos e Prefeitura Municipal de Santos.

* N.R: Os votos do Blog Aurora de Cinema para  o sucesso do espetáculo e que a temporada tenha êxito de público e crítica.

Juninho Brassalotti é um amigo super querido, ator de talento, versatilidade e produtor cultural de invejável capacidade.

O Besteirol, gênero imortalizado pelo saudoso e queridíssimo MAURO RASI, precisa ser mais divulgado no país. As novas gerações pouco ou nada conhecem dele de fato. Nós AMAMOS o gênero e trabalhamos, sempre nos é dada a chance,  pra que seja reconhecido em todo o país como uma das boas contribuições brasileiras ao movimento teatral do mundo.

Mauro Rasi: humor refinado, inteligência aguçada, dramaturgia rica em questionamentos e versatilidade, escritor deixou enorme lacuna na cena artística brasileira… Saudades de Mauro Rasi…

SARAVÁ !!! Viva MAURO RASI !!! SALVE o BESTEIROL !!!

VAMOS AO TEATRO conferir O Que Terá Acontecido a Rosemary?

EU TAMBÉM SOU CARIOCA

Minha carioquice tem raízes profundas e intensas… 

Porque os melhores dias de minha infância passei nas terras de Vinícius, ao lado de meus pais, meu três manos queridos e minha amiga de todas as horas, a fantástica Niete. Lá, entre as sombras frondosas da pacata General Glicério, eu e meus manos vivemos o auge das primeiras brincadeiras com os primos; descobrimos como era andar de elevador e morar em apartamento, coisa rara pra quem nascera em casa ampla de muitos quartos e pés de sirigüela, goiaba e coqueiro no quintal; e tivemos a companhia sempre agradável dos tios que nos levavam para conhecer os lugares mais bacanas da cidade de que mamãe sempre nos contava, de encantos mil, qual Pão de Açúcar, Corcovado, Quinta da Boa Vista, Vista Chinesa, sem faltar nossa ida aos antigos estúdios da Rede Tupi e TV Globo para acompanhar de perto a gravação de programas de auditório (embora a idade não me permitisse entrar em nenhum deles) e chegar mais perto dos artistas.

Porque o Rio me trouxe a família, uma família onde não faltavam primos e tios de todas as idades, um Natal sempre de mesa farta e os réveillons mais charmosos dos meus olhos;

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Porque adoro tomar chá matte gelado, a qualquer hora do dia ou da noite, de preferência acompanhado de biscoito Globo. Porque minha graça sintoniza com a irreverência do humor inteligente de Mauro Rasi, Miguel Paiva, Tim Rescala, Pedro Cardoso e a turma dos Cassetas; e porque no Rio sempre encontro apaixonados cidadãos cariocas, como o baianísimo Jorge Salomão, o paulista Matheus Nachtergaele e a paraense Rosamaria Murtinho de todos os palcos.
                            

Porque conhecer o Rio foi como penetrar numa canção cheia de Bossa e Nova graça, conjunção que até hoje nos enleva a alma e faz lembrar o barquinho vai, a tardinha cai; ou do carioquíssimo hino ao Tom – rua Nascimento e Silva, 107, você ensinando pra Elizeth as canções de Canção do Amor Demais

… e porque tenho ademais a sorte e a alegria de ter amigos tão cariocas como Bernadete Duarte, Alice (Cinédia) Gonzaga, Maria Letícia, Luiz Carlos Lacerda, Denise Del Cueto, Valério Fonseca, Allan Ribeiro, Lea Garcia e Carminha Araújo …
                 
Porque o Rio, que não é só de janeiro mas de todos os meses onde a sintonia com a alegria seja mais mais forte, é a cidade onde me sinto mais à vontade, quase pé-no-chão no quintal de casa; cidade que me apresentou Lamartine Babo e suas deliciosas marchinhas do carnaval de todos os tempos… e os mais lindos hinos de futebol do mundo, mesmo sendo eu botafoguense – como Vinícius e João Moreira Salles -, e não Flamengo como o carioquíssimo paraibano Herbert Vianna.

Porque o Rio me trouxe Vinícius de Moraes e Vininha me trouxe a Ipanema, de toda garota, e do cronista Artur da Távola, que com sua maneira sincera, inteligente e refinada de ser carioca me fez ainda mais cativa da Cidade Maravilhosa;
                                                    

Porque adoro ir pra praia e cair na água e quando estou no Rio me sinto personagem de um cartão postal do qual posso dispor a toda hora, em qualquer clima, com todos os matizes que a brejeirice carioca torna moda pro mundo quando assume as passarelas de nosso olhar embriagado por tanta beleza;

Porque ser carioca não é questão de batistério- nome por demais formal pra rimar com quem nasce abençoado pela imagem cravada no Corcovado. Ser carioca é questão de pulsação, não exige nacionalidade, bairrismo nem formalidade. Ser carioca é caminhar como quem anda de mãos dadas com o ar e encontrar, a cada esquina ou beira-mar, mais um motivo para afirmar: “É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração…”

 Saravá, Vininha !
                      

Sou carioca porque não me canso de olhar  a Lagoa Rodrigo de Freitas nem consigo parar de me embevecer cada vez que trafego no sentido São Conrado-Flamengo, num adorável pris-du-vie pela fascinante orla carioca;

          

Sou carioca porque me encanto a cada vez que olho a Ilha Fiscal ou lembro da beleza das ilhas Cagarras e não deixo de passar pela feira da Praça XV e a Feira Hippie de Ipanema, de onde é quase impensável sair sem carregar muitas sacolas. Penso, ademais que quem vai ao Rio e não fica completamente estarrecido ante tamanha disponibilidade do Criador com a criação de lugar tão belo e magiar, deve mesmo ter nascido sem samba no pé e nem bom sujeito é.

Sou carioca porque sou Santa Tereza e seu bondinho tornando os Arcos da Lapa paisagem art-noveau; porque sou Catete, Glória, Laranjeiras, Botafogo, Flamengo e todos os bairros que me fazem a infância bater mais fundo e apressam o compasso do meu coração;

 

 
Em passeio feliz pelo centro da capital carioca, esta jornalista (outubro de 2008)…

Sou carioca porque é tão fácil embarcar na poesia encravada da Cinelândia do Odeon, do Amarelinho e do imponente Teatro Municipal e porque adoro baixar no Largo da Carioca, onde o verão do Rio é mais forte que no mar, e não saio de lá sem dar uma passada na praça Tiradentes – pra conferir o lugar onde morou a maestrina Chiquinha Gonzaga e onde estão abrigados dois teatros históricos, o Carlos Gomes e o João Caetano, defronte ao belo prédio do Real Gabinete Português de Leitura. E, claro, no entorno da Carioca, apressar o passo e dar uma passadinha no Saara pra deixar cair umas moedinhas pelo comércio popular mais serelepe do país, depois afastar o cansaço e o calor com uma passadinha no tradicional Bar Luís, onde meu pai aprendeu a sorver chopp com meu querido avô Miranda e minha frenética vó Virgínia, nosso adorados e saudosos Juju e Noquinha.

Sou carioca porque o Rio recupera todas as minhas energias: basta olhar a marina da Glória, a Vermelha praia da Urca, ou a linda enseada de Botafogo – vontade de ficar lá pra sempre.


                                
Sou carioca porque o Rio parece uma cidade sempre pronta a desfraldar uma festa, por qualquer motivo banal, desde que a descontração, a graça e o intuito de fazer alguém feliz esteja em evidência.

Sou carioca sobretudo porque no Rio me sinto uma brasileira do mundo, alma cosmopolita, recheada de dons artísticos, plena de paixão e efervescente de energia pra fazer tocar e dançar todos os ritmos numa só voz, como em uníssono a saudar:

 

Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil

Cidade Maravilhosa, coração do meu Brasil !

Enfim, SOU CARIOCA PORQUE QUERO !