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Toninho Horta em Novo Livro APLAUSO

   
Guitarrista e violonista virtuoso, Toninho Horta acumula ao longo de sua extensa trajetória encontros musicais com Elis Regina, Gal Costa, Nana Caymmi, Milton Nascimento, Joyce, Chico Buarque, Caetano Veloso, Pat Metheny, George Benson, Herbie Hancock e Wayne Shorter, entre muitos outros. Shows, gravações, CDs, bastidores, curiosidades e muitas histórias fazem parte de “Toninho Horta – harmonia compartilhada”, livro da Coleção Aplauso com lançamento marcado para dia 15 (quarta), na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em São Paulo.
Compositor de Manoel, o audaz, música que lhe deu fama, Toninho Horta é cultuado pela crítica mundial especializada e por fãs ao redor de todo o planeta. Para citar apenas dois nomes, Pat Metheny e George Benson, considerados ícones da guitarra, estão entre os artistas que o reverenciam. Toda sua carreira, sucessos, discos e histórias curiosas poderão ser conhecidas agora pelo grande público com Toninho Horta – harmonia compartilhada, livro escrito por Maria Tereza Arruda Campos e editada pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. O lançamento será na próxima quarta, 15 de dezembro, às 19 horas, na Livraria da Vila, em São Paulo – Rua Fradique Coutinho, 915.

Pode-se dizer que a paixão de Toninho Horta pela música estava nos genes. Nascido em 1948, na cidade de Belo Horizonte, cresceu numa família extremamente musical: o avô materno era maestro e compositor e a avó tocava piano. Ganhou seu primeiro violão aos 10 anos e foi sua mãe quem lhe ensinou os primeiros acordes, junto com o irmão Paulo, 15 anos mais velho, músico profissional e um dos ídolos de Toninho. Não demorou para fazer sua primeira música, “Barquinho vem”, com letra da irmã, Gilda, uma das grandes incentivadoras de sua carreira.

 Um dos primeiros encontros musicais foi com Milton Nascimento, na década de 1960. O irmão Paulo levou “Bituca” para tocar num evento musical que as irmãs promoviam em casa e pediu que Toninho, então com 16 anos, tocasse para Milton ouvir. A partir daquele dia tornaram-se grandes amigos, repetindo muitas vezes as sessões musicais.

A estréia profissional aconteceu aos 17 anos. Começou a ser conhecido pelo público em 1967, quando participou do II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. Na ocasião, classificou duas de suas composições: Maria Madrugada , interpretada pelo grupo vocal O Quarteto, e Nem é Carnaval, cantada por Márcio José. No mesmo concurso Milton Nascimento maravilhou o Brasil com sua voz ao interpretar Travessia, Morro Velho e Maria, minha fé.

 Após o Festival, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde chegou a morar junto com Lô Borges, Milton Nascimento e Beto Guedes. A primeira cantora a gravar uma música sua na cidade foi Joyce, interpretando Litoral. A partir de então vários artistas passaram a conhecer o seu trabalho.

Um dos capítulos é dedicado ao disco Clube da Esquina, lendário álbum gravado em 1972 e que projetou definitivamente os músicos mineiros no cenário nacional. No ano seguinte Toninho acompanhou Gal Costa em turnê e fez sua primeira viagem ao exterior. O primeiro reconhecimento internacional veio em 1977, quando a revista londrina Melody Maker o elegeu como o 5º melhor guitarrista do mundo.

Embora tenha contado com a participação de músicos como Wayne Shorter e Herbie Hancock, seu primeiro disco solo, Terra dos Pássaros, levou quatro anos para ser lançado, em 1980, pela dificuldade de conseguir uma gravadora – todas achavam “artístico demais” e o álbum acabou sendo feito de maneira independente. A mesma dificuldade fez com que no final dos anos 90, após nove anos morando nos Estados Unidos, ele criasse sua própria gravadora, a Minas Records.

O livro passa também pela formação da banda Som Imaginário, legendária banda que por alguns anos acompanhou Milton Nascimento. Toninho fez parte de uma de suas formações e participou da gravação do disco Milagre dos Peixes. Na obra ele relembra, ainda, as apresentações em outros países asiáticos e europeus, além de sua relação com fãs. Um dos capítulos da obra é dedicado ao encontro musical com Pat Metheny, enquanto outro fala da gravação de um disco com George Benson, ainda não lançado comercialmente.

No final da obra Toninho faz também declarações de caráter pessoal, que dão a dimensão humana desse profissional da música.

Ao Mestre do Clarinete

Sob aplausos, músicos e amigos dão adeus a Paulo Moura

Foi sem música, mas com aplausos, que familiares, músicos, artistas, gente famosa e anônima, se despediu do maestro, clarinetista e saxofonista Paulo Moura. Ele foi velado nessa quarta (14) no Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, centro do Rio, palco de muitos de seus shows.

Fotos: Hélio Motta

Velório de Paulo Moura no Teatro João Caetano, no Rio

A despedida musical ocorreu no último sábado, com Moura ainda vivo, no quarto da Clínica São Vicente, na Gávea, onde ele estava hospitalizado. A viúva de Moura, a psicanalista Halina Grynberg, contou que ela e um grupo de amigos, entre os quais o sobrinho Gabriel Moura, o tecladista Wagner Tiso, e o violonista Marcelo Gonçalves, fizeram um sarau. “Achamos que ia fazer bem para ele ouvir música. Cantamos, conversamos e, de repente, ele pediu o clarinete. Pensei que estava de brincadeira, mas ele tocou e surpreendeu a todos”. Com os amigos, Moura tocou pela última vez. Foi Doce de Coco, de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho.

Paulista de São José do Rio Preto, onde nasceu em 15 de julho de 1932, Paulo Moura era considerado um dos maiores instrumentistas da música brasileira. Ganhou seu primeiro clarinete aos 8 anos e aos 11 anos começou a acompanhar o conjunto de seu pai em bailes populares. Tocou com grandes nomes como Ary Barroso, Tom Jobim, Elis Regina, Paulinho da Viola, Elis Regina e Marisa Monte. Também acompanhou astros internacionais como Lena Horn, Cab Calloway, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Cannonball Adderley, Sammy Davis Jr e Marlene Dietrich. Com mais de 40 discos lançados, ele ganhou o Grammy em 2000 por seu disco “Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas”.

Os músicos Milton Nascimento e Gabriel Moura, sobrinho de Paulo Moura

“Levei o maior susto. Há duas semanas atrás eu o vi. Estava sorridente. Ele era um camarada sem fronteiras. Foi um dos primeiros que me receberam quando cheguei. Ele me abraçou como a um irmão. Vim com uma música diferente e ele não se importou”, lembrou Milton Nascimento, que se apresentou no João Caetano com Moura no espetáculo Milagre dos Peixes, em 1971. O cantor chegou ao velório por volta das 15h30 e foi cumprimentar familiares.

O teatro foi aberto às 11h para a cerimônia. Halina Grynberg e o filho do casal, Domingos, colocaram em cima do caixão um chapéu do músico e, em frente, um quadro com o retrato de Moura. O caixão ficou o tempo todo fechado. “O chapéu era como uma coroa que ele carregava”, afirmou Halina. Flores e uma bandeira da Imperatriz Leopoldinense também ornaram o caixão.

A atriz e cantora Zezé Motta considerou a morte do músico uma “perda para o mundo”. Zezé e Moura participaram do CD “Quarteto Negro”, lançado em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no país.

 
Pery Ribeiro dá último adeus ao amigo Paulo Moura

Amiga de longa data, Alcione lembrou de momentos felizes com o clarinetista. “Ele dizia que eu tinha um pandeiro no peito. Estreamos a série Seis e Meia no Teatro João Caetano”, recordou.

Após o velório, o corpo de Moura seria levado para ser cremado, numa cerimônia restrita à família no cemitério do Caju, na zona portuária do Rio.

Paulo Moura deixa música inédita gravada com o sobrinho Gabriel Moura que deve ser lançada em breve com o título Ao velho Pedro – homenagem ao pai do artista.

 
*Com reportagem de Fernando Magalhães, do iG

CAETANO na infância da velhice

Para Caetano Veloso, o tempo ajuda a melhorar, a se renovar e a incorporar aprendizagens para seguir desfrutando de uma música que rendeu ao cantor o deu reconhecimento mundial e com a qual hoje se sente na infância da velhice.

Estou na infância da velhice. Sem querer, dediquei toda a minha vida à música popular e foi algo muito bom porque desde muito pequeno adorava cantar”, disse Caetano à AFP, em uma série de entrevistas via e-mail, antes de sua chegada a Miami para um show na terça-feira.

Caetano, de 67 anos, conta que quando era jovem tinha outros interesses, como a literatura e o cinema, mas que a música foi se impondo em sua vida com força.

Ele diz que se sente “agradecido”, como “se uma mulher bonita o tivesse escolhido”, e que, por isso, trabalha “como se não tivesse dado ainda tudo que ela merece”.

O mais popular e reconhecido músico brasileiro contemporâneo mencionou o crescimento da música em espanhol nos Estados Unidos e a influência da brasileira, e disse que a entrada de sua obra no mercado americano não é um objetivo que o motiva.

“Não penso em ganhar ou perder espaço nos Estados Unidos, e sim, em poder fazer uma música melhor do que a que fiz até agora. Vejo o futuro de uma perspectiva mais brasileira, que não depende muito dos Estados Unidos”.

Em relação ao restante do continente, CAETANO  diz que o “Brasil é um estranho e enorme país onde as pessoas falam português”, o que o diferencia da grande onda hispânica ou do mercado latino que vem influenciando os Estados Unidos.

No entanto, a música brasileira conta com

 figuras comoCarmen Miranda, João Gilberto, Tom Jobim e Milton Nascimento” que são conhecidos e admirados por muitos em um país que fala inglês e que é o mais poderoso do mundo, e isso é muito valorizado por nós”, completou.

Sobre as novas tendências musicais, Caetano diz gostar do “reggaeton e também do funk carioca”, apesar de considerar um estilo “muito menos polido”.

E em relação às novas gerações de músicos no Brasil, afirma que se deve prestar atenção tanto na cantora de samba e bossa nova Roberta Sá, como nas bandas alternativas Babe Terror e Rabotnik.

Pensa em Miami como um lugar em que há forte impacto da música latina e diz que em seu show, no teatro Fillmore de Miami Beach, espera encontrar muitos imigrantes hispânicos e brasileiros que vivem na cidade, mas também alguns “jovens americanos que me descobriram através de David Byrne, Beck, David Longstreth, Devendra Banhart e Panda Bear, que se interessaram pela minha música”.

A apresentação em Miami tem também uma sensação especial porque é sua primeira visita aos EUA desde que o presidente Barack Obama, por quem sente um “particular afeto”, chegou àCasa Branca.

“O look de Obama encanta tanto a mim como às minhas irmãs, porque se parece muito com nosso pai, que era um mulato elegante, com as orelhas de abano”, disse.

“Acredito que sua chegada à presidência é um grande acontecimento”, completou Caetano, que valoriza as conversas iniciadas por Washington com a Rússia para reduzir os arsenais nucleares e o possível fechamento de Guantánamo, mas lembra: “os Estados Unidos não podem apagar no Afeganistão as mentiras do Iraque”.

 

CAETANO: Artista atravessa o tempo como vinho…