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Ainda sobre o The Voice…

Resultado do The Voice remete ao ‘incômodo’ causado pela chegada da guitarra elétrica…

“Nada novo sob o sol”

Contar uma historinha aqui. Nesses tempos em que todo mundo se tornou especialista em música (especificamente na brasileira), eu acredito que a narrativa vale a pena. Passemos, então, ao ano de 1967. Marcha contra a guitarra elétrica. Liderados por importantes nomes da MPB, uma pequena multidão saiu às ruas para protestar contra o americanismo na música brasileira. Enquanto isso, Nara Leão e Caetano Veloso observavam, da janela de um hotel, o movimento, sobre o qual ela comentou “que mais parecia uma manifestação integralista”…
  1. Não sei se Caetano já estava com a Tropicália no olhar, mas o fato é que, em pouco tempo, trouxe a guitarra para a música brasileira e arrebenta, com outras palavras e novas linguagens, até hoje.

    Moral da história: naquele ano, foi uma guitarra, em 2013 é uma voz. Não vi nenhum “grande crítico” de hoje lembrar esse episódio de 1967. Não sei o nome de nenhum crítico daquela época (na qual, pelo contexto, a xenofobia ainda é compreensível). Algum daqueles de 1967 terá contribuído tanto para a nossa música como Caetano e a Tropicália?

    p.s.: o Gil participou da tal marcha, mas hoje morre de vergonha de lembrar disso.

    p.s.2: Caetano e Sam são incomparáveis pelos talentos ímpares que carregam, mas os “expertos” em música, que têm visão diminuta, parecem ser recicláveis.

    * Joyce Miranda Leão Martins é Mestre em Sociologia e Doutoranda em Ciência Política pela UFRGS.

Três Décadas sem Vinícius de Moraes

 A Falta que o Poeta Faz…

                           

“Vinícius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.   

As palavras são do poeta Carlos Drummond de Andrade, referindo-se ao amigo Vinícius de Moraes logo após a morte dele. Já o jornalista José Castello, um dos biógrafos de Vinícius, escreveu:   

“O poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata”. 

 

Neste 9 de julho, faz-se 30 da passagem de Vinícius. 30 anos mais pobres. Partiu Vinícius, perdemos todos. Perdeu o mundo. Em Poesia, Amor, Música, Letra, Beleza, vida e lições de amor, paixão, entrega, solidariedade, enfim, estamos todos mais pobres. A lacuna é enorme, profunda e incômoda.  

  

    

Vinícius de Moraes agiganta-se a cada dia nas mínimas sementes onde é germinado: em trabalhos escolares, transposições para o teatro e o cinema, saraus literários, performances poéticas, concursos de sonetos, tema de redações, enfim, difícil mensurar, difícil encontrar quem não se pegue cantando de cor ao menos um verso do Poetinha.   

Parodiando o Poeta (que considerava o músico e amigo Pixinguinha, um santo), digo: Querido São Vininha, você caminha comigo aonde quer que eu vá e me leva sempre a repetir os mesmos versos por você dedicados a Garcia Lorca: “Poeta, não precisavas da morte para nada”. E quando bate a saudade bem grande de você, como agora, neste tempo tão próximo de mais um aniversário da sua partida, só resta reouvir suas músicas, reencantar-se e reaprender com elas, reler seus livros e observar o céu. Você por certo se esconde em alguma estrela de onde sussurra versos para a Lua, a linda mulher tão cheia de pudor que vive nua. 

VININHA, atento ao amigo querido PIXINGUINHA, que ele considerava um Santo…

Vinícius de Moraes, o Poeta que veio ao mundo para celebrar o Amor e falar da importância deste sentimento para pacificar o mundo e promover a comunhão entre os povos de todas as etnias, credos e continentes, partiu cedo, em 9 de julho de 1980, numa manhã fria de inverno carioca após passar a noite compondo com o parceiro querido, Toquinho.

    

Vina com Toquinho, o parceiro mais constante

O legado de VINÍCIUS é tanto maior quanto mais passa o tempo e mais aprofunda-se o entendimento de sua obra, quanto mais evidencia-se a lacuna descomunal que deixou acometendo de carência lúdica e emotiva sem par o cotidiano, e ainda mais descobrem-se novas leituras de sua vasta e riquíssima obra, a cada vez que se nos debruçamos sobre ela.   

     É melhor ser alegre que ser triste/A alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração…

  

       Vinícius, ou Vininha – como carinhosamente o chamavam os amigos próximos e como meu pai ensinou-me a chamá-lo desde menina – era libriano, aniversariante do 19 de outubro. Assim, foi no outubro de 2008, de muita chuva e algum frio no Rio, que se comemoraram os 50 da Bossa Nova, da qual Vina foi seu Farol sempre a apontar novas trilhas… e vieram os Afro-Sambas com Baden, o musical Pobre Menina Rica com Carlinhos Lyra, as parcerias com Edu Lobo, Antônio Maria, Francis Hime, Edu Lobo e Chico Buarque e os quase mil shows pelo Brasil e o mundo em companhia de Toquinho, ovacionados por onde passavam. Chega de Saudade…    

   Falar de Vinícius é sempre motivo de paixão. Lê-lo, estudá-lo ou re-ouvi-lo são coisas de enorme prazer e muita saudade. Saudade de alguém lindo demais, grandioso demais, amado demais pra não ser festejado, sempre. Viva Vinícius de Moraes ! Para sempre, nosso eterno Poeta do Amor, do Violão, do Mar, do Rio e das Mulheres !

Com Luizinho Eça e Nara Leão, cantora que virou “musa da Bossa Nova” e foi uma das muitas descobertas artísticas de Vinícius

   SARAVÁ, VININHA !

 Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão…

    

Com os amigos e parceiros, Tom Jobim e Chico Buarque: TESOUROS da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA  E sobre este movimento musical, que virou estilo e revolucionou a música popular brasileira, Vininha dizia    

Bossa Nova é mais a solidão de uma rua em Ipanema que a agitação comercial de Copacabana. É mais um olhar que um beijo; mais uma ternura que uma paixão. É o canto puro de João Gilberto eternamente trancado em seu apartamento”, afirmou o Poeta em entrevista  no Songbook 2, do saudoso jornalista Almir Chediak. 

NARA LEÃO REVIVIDA

NARA é um espetáculo musical ? Sim. Mas não da mesma estirpe dos musicais da Broadway – com luzes especiais e cenários grandiosos. Segundo a própria idealizadora e atriz principal, Fernanda Couto: “Nara é um musical de câmara. Pequeno, intimista, delicado”.

O espetáculo sobre a trajetória da musa da Bossa Nova, Nara Leão (1942-1989) estréia amanhã no teatro Augusta, em São Paulo. Na peça, flashes sobre a vida pessoal e profissional da cantora.

“Cada passagem é acompanhada por uma canção ou um pedacinho de canção”, conta Fernanda. “Foi difícil escolher o repertório. Ela tem uma obra muito diversificada e ampla”, completa.

No repertório da peça, 20 canções interpretadas por Nara. Entre elas, clássicos como Insensatez (Jobim & Vinícius), “Diz Que Fui Por Aí” (Zé Ketti), A Banda (Chico Buarque) e outros.

“Muita gente só identifica a Nara como aquela cantora de bossa nova, com a voz delicadinha, cantando coisas românticas e até inocentes. Mas ela fez muito para o samba de morro, a música de protesto e até pelo tropicalismo”, explica Fernanda.

A atriz divide o palco com três músicos-atores (Rogério Romera, Sílvio Venosa e Rodrigo Sanches) – que além de tocar seus respectivos instrumentos se revezam em papéis de amigos, amores e artistas que passaram pela vida de Nara.

“Nós temos momentos de Nara com seu grande amigo Roberto Menescal, seus amores Ronaldo Bôscoli, Cacá Diegues e muitas outras figuras”, destaca Fernanda. 

NARA – Teatro Augusta. Rua Augusta, 943. Tel. (011) 3151-4141. Temporada: quartas e quintas-feiras, 21 horas. Ingressos: R$ 30