Arquivo da tag: Nathália Thimberg

Gilberto Braga: Sempre um Sucesso na Telinha

 
Tomamos uma’carona’ no jornal EXTRA e fazemos uma singela homenagem ao sucesso da novela VALE TUDO, clássico da TV que é recorde de audiência no canal Viva, em sua reprise. Antes de os últimos capítulos irem ao ar, convidamos três atrizes veteranas para um brinde: Beatriz Segall e Nathália Timberg, representantes da sala de estar mais chique da trama, e Maria Gladys, a inesquecível empregada, dona das melhores tiradas do folhetim. No tim-tim, um bate-papo delicioso com as intérpretes de Odete Roitman, Tia Celina e Lucimar.

Beatriz Segall, Nathália Timberg e Maria Gladys 

Beatriz Segall, Nathália Timberg e Maria Gladys Foto: Urbano Erbiste / Extra

A pergunta que o Brasil fazia era: “Quem matou Odete Roitman?”. Para garantir o sigilo, todos os atores do elenco foram convocados para a gravação do capítulo em que seria revelado o assassino. “Lembro que cheguei e Nathália estava sendo maquiada. Todos eram suspeitos. Só que um contra-regra chegou e disse: ‘Dona Nathália, não foi a senhora, não precisa ser maquiada’. Imagina se tivesse sido ela? Que tinha atuado brilhantemente como a irmã boa…”, lembra Beatriz.

Maria Gladys emprestou seu jeito cômico a Lucimar, dando destaque para a empregada na trama. “Lucimar não falava muito. Um dia, em cena, abri a geladeira e tinha um queijo velho dentro. Peguei e disse ‘É maionese ou sabonete?’. E aí ela começou a ter mais falas”, festeja ela, que atuou até no figurino: “Uma camareira tinha uma blusa de oncinha bem justinha que gostei e achei que cairia bem na Lucimar. Usei em uma cena e a roupa acabou entrando no armário da personagem para sempre. A camareira adorou!”.

A morte de Odete mexeu tanto com o povo brasileiro que o número do túmulo da personagem virou aposta no jogo do bicho. Beatriz, que na época não soube dessa febre no jogo do bicho, se surpreendeu alguns anos depois ao saber da história por um taxista. “Entrei no carro e ele disse que precisava me agradecer. Contou que deixou passar um mês do final da novela para ganhar sozinho, e jogou no bicho o número do túmulo da Odete. Falou que, com a bolada que ganhou, comprou o táxi e deu conforto para a família.”

“Com a Odete a gente também aprendia lições de boas maneiras. Lembro que ela dizia que temos que servir água em coquetéis. Toda vez que vejo água num evento, lembro dela. E também ensinava que não precisa servir a água num pratinho, que pode ser direto da nossa mão”, lembra Maria, divertindo Nathália e Beatriz, que logo a corrige. “A própria dona da casa pode servir direto da mão, mas, se for a empregada, ela deve servir com um pratinho”, esclarece.

É inevitável. Fala-se em “Vale tudo” e logo Lídia Brondi vira assunto. “A ausência da Lídia é uma coisa que você dificilmente engole. Era uma atriz de uma sensibilidade… Nunca mais a vi. Dá saudade de vê-la”, lamenta Nathália. Beatriz interrompe: “Ela é uma excelente psicóloga, é uma gracinha de pessoa e está muito feliz”.

Vale Tudo teve autoria de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. Aguinaldo e Gilberto negam briga, mas no meio artístico comenta-se que os autores não se dão muito bem desde a novela. Maria lembra quando a rixa começou: “Encontrei Gilberto na rua e agradeci pela personagem. Sabe o que ele me disse? ‘Agradeça ao Aguinaldo, é ele quem escreve os papéis de pobre’”. E Beatriz complementa: “Ele sempre dizia isso. Vai ver que é por isso que eles não se dão bem hoje”.

Maria Gladys, numa cena de 'Vale tudo' 

Maria Gladys, numa cena de VALE TUDO, recorde de audiência mais uma vez

Nathália, no ar em “Insensato coração”, lamenta não ter tempo para acompanhar a novela atualmente. “Acordo 5, 6h da manhã. Não sou uma dondoca. Uma vez ou outra vou lá para matar a saudade”. Já Beatriz, em cartaz com a peça “Conversando com mamãe”, tem um esquema em casa: “Tenho uma pessoa que grava para mim. Fiquei embasbacada com a cena na casa da Celina depois do assassinato da Odete. Foi sensacional. O capítulo é uma perfeição, que atores! Foi a melhor novela que a Globo já fez!”, diz, elogiando a atuação de Nathália em seguida. Já Maria, assume que a novela virou uma festa em sua vida: “Quando começou a reprise eu não assistia. Agora, não perco um capítulo. Tenho ficado tão emocionada com a novela que volto correndo para casa na hora em que vai passar”.

NOVELAS em Destaque no CCBB

 Elas começaram vinculadas ao teatro, alcançaram projeção nacional impressionante e hoje são exportadas e desenvolvidas de acordo com as oscilações da audiência. As novelas de televisão, uma das maiores especialidades brasileiras, despontam como o foco do evento A História da Telenovela, série de nove encontros mensais que começa hoje, às 18h30, no Teatro 1 do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com entrada franca

Na abertura, Regina Duarte conversa com o público sobre a sua trajetória na TV, desde a primeira novela (A Deusa Vencida, de Ivani Ribeiro, na extinta TV Excelsior), sempre como protagonista.  

 

Também vão ajudar a contar a história dos 60 anos de TV no Brasil, Nathalia Timberg, Eva Wilma, Laura Cardoso, Ana Rosa, Nicette Bruno, Paulo Goulart e Silvio de Abreu

    

Idealizador do evento, o produtor Hermes Frederico evoca as novelas mais marcantes ao longo das décadas, como 25499 Ocupado, O Direito de Nascer, Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Roque Santeiro e Vale Tudo, tanto pelo pioneirismo quanto pela consolidação da audiência. Hermes tinha 5 anos quando assistiu a 25499 Ocupado, primeira novela diária da TV brasileira, com Tarcísio Meira e Glória Menezes.  

– Na minha infância, na década de 60, os capítulos duravam meia hora, e pude assistir a O direito de nascer, assim como a várias novelas da Excelsior e da Tupi, além dos primeiros sucessos da Globo, como Um rosto de mulher e O sheik de Agadir – recorda. 

Origem no teleteatro

A televisão começou diretamente vinculada ao teatro. Basta lembrar os teleteatros, que proporcionavam ao telespectador contato com peças inteiras, gravadas ao vivo. 

Todas as emissoras tinham os seus teleteatros, com as peças ao vivo e depois em videotape, com boa audiência. As novelas foram ocupando esse espaço – analisa Hermes. – Nos anos 60 e 70, a televisão reuniu nas novelas grandes autores e atores de teatro.  

 

Sônia Braga dança com Paulete na saudosa Dancing Days de Gilberto Braga, uma das novelas de maior audiência da TV … 

Pioneira na televisão, Eva Wilma firmou parcerias artísticas importantes com os maridos, John Herbert (Alô, Alô Doçura) e Carlos Zara, e com autores como Cassiano Gabus Mendes

 

Eva Wilma é uma das atrizes que vão abrilhantar o evento do CCBB 

Cassiano foi meu mestre na televisão. Tão importante quanto José Renato e Antunes Filho foram para mim no teatro – confirma a atriz. 

O grande salto qualitativo de Eva Wilma veio com a oportunidade de interpretar as gêmeas Ruth e Rachel em Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro, outra autora determinante na sua carreira: 

Fiz heroína e vilã, ao mesmo tempo, numa época em que a televisão era mais artesanal. Passei por um período intenso de ensaios. E me dei conta de que os vilões são interessantes porque repletos de conflitos. Procuro mostrar o lado humano deles, com humor e uma alegria suicida. 

 

Regina Duarte e a inesquecível Dina Sfat em Selva de Pedra, clássico de Janete Clair 

A composição da megera de A Indomada, de Aguinaldo Silva, contrastou com a sobriedade da personagem do seriado Mulher. A atriz traz à tona uma série de trabalhos marcantes, como O meu pé de laranja lima, adaptação de Ivani Ribeiro para o romance de José Mauro de Vasconcelos. 

Propunha marcações para a personagem. Lembro que antigamente a televisão não era simultânea – compara a atriz. – Então, a novela tinha terminado em São Paulo, mas não em Minas Gerais. Fomos até lá fazer um grande capítulo ao vivo. Quando saí do avião, uma multidão gritava o nome da personagem. 

Em A Viagem, a atriz entrou em contato com o mundo espiritual. 

Tivemos uma palestra interessantíssima com Chico Xavier, antes do início das gravações – lembra Eva. 

Eva Wilma abordou ainda o período da ditadura militar em Roda de Fogo, de Lauro Cesar Muniz, através da torturada Maura. 

Foi uma oportunidade de falar sobre o que a nossa geração passou – sublinha a atriz, que se prepara agora para as gravações de Araguaia, próxima novela das 18h, de Walter Negrão. 

Com história acumulada na televisão, Nicette Bruno fez teleteatro, passou por emissoras como a Tupi, a Rio e a Continental até desembarcar na Globo, no seriado Obrigado, Doutor

 

Reginaldo Faria e Luís Gustavo na primeira versão de Ti Ti Ti,  de 1985 

Antigamente, a TV era um bico para os atores. Até que o hábito de ver novelas começou a deslanchar – destaca Nicette, que pode ser vista atualmente no remake de Ti-Ti-Ti, de Maria Adelaide Amaral.

* Texto de Daniel Schenker, do JB    

CASA CHEIA na ESTRÉIA de SOPROS de VIDA

 

Nathália Timberg e Rosamaria Murtinho dividem o palco

Público cearense lotou teatro Celina Queiroz para ver ROSAMARIA MURTINHO e Nathália Thimberg.

Elas passaram 25 anos dividindo um só homem. Agora, chegou a hora de se enfrentarem. De um lado, a esposa Francis, interpretada por Rosamaria Murtinho; do outro, a amante Madeleine, por Nathalia Timberg.

Em Sopros de Vida, do inglês David Hare, elas remexem o passado e falam sobre o presente revelando suas sensações, sentimentos e preconceitos. Em cartaz no Teatro Celina Queiroz (Unifor) HOJE, 29, às 21h, e amanhã, 30, às 19h. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Outras informações: 3477 3175 / 3477 3033.