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Palma de Ouro: Walter Salles e Nelson Pereira dos Santos em Cannes

Com o novo filme, Na estrada, diretor vai competir com David Cronenberg e Ken Loach.

O festejado cineasta brasileiro Walter Salles, com o filme Na estrada, disputará a Palma de Ouro do 65º Festival de Cannes, que começa dia 16 de maio.

Na estrada tem no elenco Sam Riley, que dá vida ao alter ego de Jack Kerouac, Garret Hedlun, que encarna Dean Moriarty, inspirado no escritor Neal Cassady, Kristen Stewart (a estrela da saga “Crepúsculo”), que interpreta a esposa de Moriarty, Kirsten Dunst e Viggo Mortensen.

Criador de Terra Estrangeira, Central do BrasilAbril DespedaçadoDiários de motocicleta, Walter Salles é um colecionador de prêmios mundo afora:  venceu o Urso de Ouro em Berlim e acumula diversas outras estatuetas. Na Estrada começou a ser rodado em 2010, inspirado no clássico beatnik “Pé na estrada” (“On the road”). A adaptação do livro de Kerouac relata uma viagem pelos Estados Unidos no fim dos anos 40, repleta de drogas, sexo, álcool e aventuras.

Walter Salles já tinha experiência com um road movie, pois retratou a viagem do jovem médico Erneto Che Guevara pela América Latina em “Diários de motocicleta”, também exibido em Cannes, em 2004.

O cineasta Francis Ford Coppola (“O Poderoso chefão”, “Apocalypse Now”) comprou os direitos do livro de Kerouac em 1979 e tentou diversas vezes filmar a obra, que definiu a geração beat dos Estados Unidos, mas o projeto nunca encontrava financiamento. Depois de assistir Diários de motocicleta, Coppola escolheu Walter Salles para dirigir o filme.

O roteirista de Na estrada é o portorriquenho José Rivera, que trabalhou com Salles em “Diarios de Motocicleta”.

O diretor brasileiro Walter Salles e o ator Viggo Mortensen conversam no set do longa 'Na estrada' (Foto: Divulgação)
Walter Salles e o ator Viggo Mortensen conversam no set de ‘Na estrada’ (Foto: Divulgação)

Além do filme de Walter Salles, o cinema do Brasil será o convidado de honra do 65º Festival de Cannes, anunciaram os organizadores do evento.

O filme mais recente de Nelson Pereira dos Santos, A música segundo Tom Jobim, será exibido em sessão especial, como parte da presença de honra brasileira no Festival.

Outro cineasta latino-americano, o mexicano Carlos Reygadas, também disputará a Palma de Ouro, com o filme “Post tenebras lux”.

Entre os 20 filmes que integram a mostra principal do maior festival de cinema do mundo, estão “Like someone in love”, do iraniano Abbas Kiarostami, “Cosmopolis”, do canadense David Cronenberg e com o astro do momento Robert Pattinson, e “Mud”, do americano Jeff Nichols, assim como “Amour”, do austríaco Michael Hanek.

Ator Viggo Mortensen em cena do filme 'Na estrada' (Foto: Divulgação)
Ator Viggo Mortensen em cena do filme ‘Na estrada’
(Foto: Divulgação)

O britânico Ken Loach, que já apresentou 16 filmes em diversas mostras de Cannes, competirá pela Palma de Ouro com “The angel’s share”.

A Itália estará presente com “Big house” de Matteo Garrone, que foi premiado em Cannes em 2008 com “Gomorra”. O presidente do júri da mostra oficial, Nanni Moretti, pode ser sensível ao tema do longa-metragem: a televisão italiana sob Berlusconi.

Três filmes franceses também foram selecionados: “Vous n’avez encore rien vu”, de Alain Renais, “De rouille et d’os”, de Jacques Audiardy, e “Holly motors”, de Leos Carax .

Walter Salles: mais uma vez no Festival de Cannes…

O filme de Wes Anderson “Moonrise kingdom” (Edward Norton, Bruce Willis, Bill Murray, Frances McDormand e Tilda Swinton) abrirá o Festival, onde será exibido fora de concurso o filme de animação “Madagascar 3″”.

Entre os atores esperados na Riviera estão Nicole Kidman, Brad Pitt e a francesa Marion Cotillard.

“Thérèse Desqueyroux”, que o francês Claude Miller concluiu pouco antes da morte, no início de abril, encerrará o festival, dia 27 de maio.

Adeus a Isabella “Capitu”…

Morreu na noite de terça, no RIO, aos 72 anos, a atriz Isabella Cerqueira Campos, protagonista de CAPITU, dirigido por Paulo César Saraceni, um marco do Cinema Novo. Isabella, como era conhecida, lutava contra um câncer de mama.

Atriz de cinema, televisão e teatro, Isabella nasceu em Novo Mundo, na Bahia, em 27 de julho de 1938. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio, onde estudou teatro e dança. Trabalhou como comissária de bordo e tornou-se modelo em Paris, tendo desfilado para a Maison Dior em 1960.

A atriz Isabella no filme 'Capitu' / Arquivo - Reprodução

Dois anos depois, voltou para o Rio e deu início à carreira de atriz com a peça “A prima dona”. Sua estréia nos cinemas aconteceu no mesmo ano, no filme “Os apavorados”, a última chanchada da Atlântida, seguido por Cinco vezes favela, de Cacá Diegues, um dos marcos do Cinema Novo.

Isabella tornou-se uma das musas do movimento e seu trabalho mais marcante foi Capitu, de 1968, dirigido por Paulo Cesar Saraceni, que viria a ser seu marido. A atriz viveu a protagonista, ao lado de Othon Bastos como Bentinho, e Raul Cortez como Escobar.

ISABELLA: beleza e elegância ganharam as telas do país nos anos de 1960/70

Na televisão, Isabella foi destaque em novelas como “Passos dos ventos”, de 1968, e “A cabana do Pai Tomáz”, de 1971, e no seriado “Sítio do Pica Pau Amarelo”, de 1978.

No teatro, estrelou peças como “Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex”, de 1965, “Viver é muito perigoso”, de 1968, “Quinze anos depois”, de 1985, “Amar se aprende amando”, de 1987, e “Cora Coralina”, de 1989.

Nos anos 1970, ela casou-se com o cineasta Carlos Frederico Rodrigues, com quem trabalhou em filmes como “A possuída dos mil demônios”. Na década seguinte, Isabella mudou-se com o marido para Visconde de Mauá, onde fundou o Teatro da Montanha.

Seu último trabalho foi uma participação especial no filme Brasília 18%, de Nelson Pereira dos Santos, em 2006. No ano seguinte, ela apareceu nas telas em depoimento ao documentário Panair do Brasil, de Marco Altberg.

* Conheci ISABELLA ano passado. Nos encontramos numa manhã de muito sol e calor na praia de COPACABANA, apresentada pela querida amiga DÉBORA TORRES – cineasta, idealizadora e coordenadora-geral do Festival de Goiânia do Cinema Brasileiro. 

Débora tinha ido passar uma temporada na capital carioca e era hóspede de Isabella, a quem conheceu num dos muitos festivais de cinema que acontecem no país, e teve oportunidade de homenagear ISABELLA no respeitável FESTCINE GOIÂNIA, tornando-se desde então sua grande amiga, coisa muito típica de Débora, um amor de pessoa…

Em nosso encontro na praia, ISABELLA – muito elegante, educada, meiga e bonita, mesmo com o passar do tempo -, se protegia do sol com um enorme chapéu e um guarda-chuva… Na ocasião, me contou da amizade ainda mantida com o cineasta Paulo César Saraceni, seu primeiro marido, e disse que seu grande objetivo era publicar um livro contando bastidores do cinema, através de sua experiência como uma das grandes presenças do Cinema Novo.

Depois daquele dia, mantivemos contatos por e-m e cheguei  até a indicar algumas editoras pra Isabella… há tempos, sentia falta das mensagens dela… não sabia que estava doente…

Reproduzo aqui o primeiro e-m que recebi de ISABELLA, repleto de afeto e delicadeza :

Fofésima Aurora,

Adorei te conhecer e fiquei encantada com o e-mail que você
me enviou. Que bom encontrar pessoas como você e Débora,
verdadeiros dinâmos, tônico para a alma.
Não se atreva a vir aqui ao Rio sem me procurar e 
espero que isto aconteça em breve. 
Quero estar com você e usufruir de alguns momentos ao seu lado. 
Pessoas como você não são apenas para a gente conhecer e tchau. 
São pra gente conviver. 
Como foi de carnaval? Beijos da Isabella

Guardo de ISABELLA a lembrança de uma bela senhora, elegante, de traços muito finos, simpática, delicada, um exemplo do que é uma verdadeira DIVA.

Saudades de ISABELLA !

Que Deus a receba e lhe dê muita PAZ…

* Os Filmes nos quais ISABELLA atuou:

 – Cinco Vezes Favela(1962), episódio de Marcos Farias;
– Os Apavorados (1962), de Ismar Porto;
– O Desafio (1965), de Paulo César Saraceni;
– Proezas de Satanás na Vila do Leva e Traz (1967), Paulo Gil Soares;
–  Capitu (1968), de Paulo César Saraceni;
– Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite (1969), de Miguel Faria Jr.;
– O Bravo Guerreiro (1969), de Gustavo Dahl;
– A Cama ao Alcance de Todos (1969), de Daniel Filho e Alberto Salvá;
– Barão Olavo, O Horrível (1970), de Júlio Bressane;
– Lúcia McCartney, Uma Garota de Programa (1971), de David Neves;
– A Possuída dos Mil Demônios (1971), de Carlos Frederico;
– As Quatro Chaves Mágicas (1971), de Alberto Salvá;
– A Lira do Delírio (1978), de Walter Lima Jr.;
– Lerfá Mú (1979), de Carlos Frederico Rodrigues;
– Parceiros da Aventura (1980), de José Medeiros;
– O Mundo a Seus Pés (1987), curta de Carlos Frederico.

Nildo Parente, Um Adeus Emocionado e Emocionante

 

Conheci-o no final dos anos 60, ele belíssimo, chegado de Fortaleza e já fazendo teatro, nas mesas do La Gondola ,num jogo que consistia em lembrar o nome de atores secundários; de tecnicos de filmes principalmente americanos.E sempre ganhava! Os outros “jogadores” eram Fabiano Canosa (criador dos primeiros “cinemas de arte” no Brasil, que levou o Cinema brasileiro pra NY,onde passou a ser programador de um cinema cult no East Village e orientou Sonia Braga nos seus primeiros passos nos States);Napoleão Moniz Freyre e Renato Coutinho, ambos atores e tb amigos do Nildo.

Em 1969 ficamos amigos durante a preparação e filmagem do único filme que protagonizou – o hoje clássico Azyllo muito louco, do mestre Nelson Pereira dos Santos, filme naquela época incompreendido apesar de ter recebido no Festival de Cannes do ano seguinte o Prêmio Luis Buñuel da crítica, com a presença do diretor e dele.

Aqueles muitos meses de preparação no Rio, onde montamos atelier na Rua Paschoal Carlos Magno, em S.Teresa, comandado pelo diretor de arte Luiz Carlos Ripper, nos aproximou logo.Ripper aglutinava atores e equipe à sua volta para produzirem as bijouterias e objetos artesanais do filme.A chegada em Paraty foi triunfal.Nós tres fomos na frente.Nildo queria se deixar impregnar pela cidade que passou a frequentar através de outros filmes ali realizados ou qdo tinha tempo livre.Fez muitos amigos.

Frequentei quase todas as noites o espetáculo Hoje é dia de rock no Teatro Ipanema.Além dos amigos Nildo e Isabel Ribeiro,oriundos do filme em Paraty,o teatro virou point dos descolados de todas as áreas, atraídos pela ideologia hippie do texto de José Vicente e tb pela direção de Rubens Correia que imprimiu uma atmosfera de viagem lisérgica e comunhão ao espetáculo.

À partir do meu primeiro filme (Mãos vazias, 1970) sempre pude contar com o grande e disciplinado ator nos meus projetos (os longas O princípio do prazer e For All; o curta Acendedor de lampiões e como narrador do curta sobre nosso mestre,Nelson Filma); além de filmes que produzi para outros diretores e que o indiquei (Republica dos assassinos, de Miguel Faria Jr.; Ajuricaba, de Oswaldo Caldeira;entre outros).

Em 2009 assisti à cerimônia de entrega do Prêmio Especial pela sua carreira no For Rainbow Festival de Fortaleza – onde exibiram um audacioso curta em que atuava ao lado de Ney Matogrosso.Disciplinado, chegou mais cêdo do que todos, observando tudo, conferindo a qualidade do som, elogiando a cenografia transformadora do Cine São Luiz, na Praça do Ferreira, que frequentou durante sua juventude.Emocionado, recebeu o troféu das mãos de Verônica Guedes – diretora do Festival e autora da brilhante idéia da homenagem.

No meio do ano passado fui convidado pelo Canal Brasil , para minha surprêsa, a dirigir um documentário sobre Nildo para a série Retratos brasileiros.Ele já tinha tido o primeiro AVC, filmamos em sua pequena cobertura cercado de livros e de filmes, e parecia estar se recuperando bem.Foi uma tarde alegre onde relembramos nossa juventude, as aventuras e loucuras que vivemos juntos, e ele sorria, sentindo-se prestigiado e excitado com a lembrança de toda a sua vasta carreira no teatro; no cinema e na TV.

Mexia em fotos tiradas de caixas; irritava-se quando demorava a lembrar o nome de um espetáculo ou de um autor.

Quando enviei-lhe o DVD pronto, telefonou-me, satisfeito e agradecido.

A última vez que nos vimos foi no aniversário da empresária Yvone Kassú, no La Fiorentina, point do teatro e do cinema desde os anos 60.Elegante como sempre, com seu característico e iluminado sorriso, beijou-me com o cumprimento que marcou nossos encontros. Hy, By God ! e eu respondia, Hy, Teremp Donil .

Lembrar do Nildo é lembrar da atriz  Thais Moniz Portinho e de Fabiano Canosa – seus melhores amigos; inseparáveis companheiros de muitos anos dos 75 que Nildo viveu – agora mais órfãos do que todos nós.

Viva o Padre Simão ! como gritava o coral feminino constituído por Leila Diniz; Ana Maria Magalhães e Irene Stefânia no Azyllo muito louco que permanecerá sob seu comando na nossa história pessoal e na do cinema brasileiro.

 
Luiz Carlos Lacerda

Adeus a NILDO PARENTE…

É o cineasta LUIZ CARLOS LACERDA quem informa:

Triste notícia: hoje à tarde o nosso querido NILDO PARENTE  faleceu no Hospital Silvestre, em Santa Teresa (RJ), aos 75 anos, depois do terceiro AVC…

Nildo estava em coma há cerca de 2 meses. Ano passado fiz um documentário sobre ele para a série Retratos Brasileiros do Canal Brasil, exibido em outubro.

NILDO viu o filme e ficou muito feliz pela homenagem. Já tinha tido o primeiro AVC mas aparentava estar se recuperando. Estava contratado até hoje pelaTV Globo e iria participar, mais uma vez, de uma novela de GILBERTO BRAGA, destavez INSENSATO CORAÇÃO, mas não chegou a gravar.
Vamos prestar uma homenagem ao querido ATOR. Assim que souber do local e hora, eu avisarei. Hoje essa informação é capaz de sair no Jornal da Globo.
Adeus, amigo !
Beijos,
Bigo.
 
NILDO, ao lado de NEY MATOGROSSO, no curta DEPOIS DE TUDO
Com Daisy Lúcidi: destaque em PARAÍSO TROPICAL, do amigo Gilberto Braga
NILDO contracena com NEY MATOGROSSO no curta DEPOIS DE TUDO, de Rafael Saar
UM POUCO MAIS sobre NILDO PARENTE
 
Nildo Parente estreou no cinema, no filme O Homem que Comprou o Mundo (1968), de Eduardo Coutinho.

Em seguida, fez o papel principal no longa Azyllo Muito Louco (1969), de Nelson Pereira dos Santos, onde atuou ao lado de Luiz Carlos Lacerda e Leila Diniz, voltando a filmar com Nelson “Quem é Beta?” (1972), “Tenda dos Milagres” (1977) e “Memórias do Cárcere” (1983).

O período em que NILDO PARENTE mais atuou foi na década de 70, quando, em papéis de diferentes importâncias e sob a direção de cineastas diversos, fez mais de 20 filmes, entre esses “Anjos e Demônios” (1970), de Carlos Hugo Christensen: “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman: “Os Condenados” (1973), de Zelito Viana: e “Coronel Delmiro Gouvêa” (1977), de Geraldo Sarno.

Nos anos 1980 e no começo dos 1990, fez mais de dez filmes: “Luz del Fuego” (1981), de David Neves; “Rio Babilônia” (1982), de Neville D’Almeida; “O Beijo da Mulher-Aranha” (1984), de Hector Babenco; e “Natal da Portela” (1988), de Paulo Cezar Saraceni.

Nos anos 90, participou dos filmes “Bela Donna” (1998), de Fábio Barreto; “Seja o que Deus Quiser” (2002), de Murilo Salles; e “Inesquecível”, de Paulo Sérgio Almeida.

Seus principais trabalhos em teatro foram “Hoje é Dia de Rock”, de Rubens Corrêa; “Francisco de Assis”, de Ciro Barcellos; e “Ai Ai Brasil”, de Sergio Brito.

Nildo fez parte do elenco do Grande Teatro Tupi, onde encenou aproximadamente 20 peças do programa, de 1958 a 1963.

Na televisão, trabalhou em diversas novelas, como “Água Viva”, “América”, “Senhora do Destino” e “Celebridade”. Em 2007, Nildo Parente participou da novela Paraíso Tropical.

Em 2008, após participar do espetáculo “As Eruditas”, Nildo voltou aos palcos, desta vez ao lado de Francisco Cuoco e grande elenco, com a peça “Circuncisão em Nova York”. O ator também esteve na TV, em participação especial nos últimos capítulos da novela Amor e Intrigas, na Record.

Ainda em 2008, NILDO esteve no curta Depois de Tudo, co-produção da ONG Cinema Nosso com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e pôde ser visto também no longa Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi.

Em 2009, Nildo Parente fez participação especial na série “A Lei e o Crime”, da Record. No mesmo ano, subiu ao palco no espetáculo “Medida por Medida”.

Seu mais recente trabalho foi no longa-metragem Chico Xavier. dirigido por Daniel Filho.

NILDO PARENTE era cearense e esteve em Fortaleza muitas vezes, aqui tinha muitos amigos, entre eles a estilista Fátima Castro. Numa das últimas vezes, subiu ao palco do Teatro José de Alencar ao lado de EMILIANO QUEIROZ, conterrâneo e grande amigo, e Ada Chaseliov, entre outros, no belo espetáculo OS FANTÁSTIKOS
Encontrei com Nildo várias vezes e era sempre um prazer estar com o ator, figura das mais agradáveis e educadas, aquele tipo que de imediato chamamos BONACHÃO, além de ser um ator querido na classe artística, sem nenhuma afetação e muito talento.
NILDO PARENTE já deixa saudades… Descansa em paz, NILDO !
 

Bigode Vai Colocar CASA 9 na Tela

Compositor JARDS MACALÉ é um dos que dará depoimento sobre a CASA 9 
 
Luiz Carlos Lacerda, incansável, trabalha em novo filme, que terá depoimento de seu grande amigo, cineasta Nélson Pereira dos Santos
 
Poeta JORGE SALOMÃO feliz da vida com participação no novo filme de Bigode
 
 * Transcrito da coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, do Globo…

Cinema Latino-Americano em Sampa

Parte importante da programação de todas as edições do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é a seleção do homenageado. Mostras panorâmicas, que contemplam vida e obra de um diretor consagrado, são, em geral, as mais disputadas pelo público e comentadas pela crítica, pois vão de encontro a uma proposta fundamental do Festlatino: o resgate da cinematografia do continente. 

 

Já receberam a honra os argentinos Fernando Birri e Fernando Solanas, o mexicano Paul Leduc e o brasileiro Nelson Pereira dos Santos que, além da retrospectiva de seus filmes, presentearam o público do festival com aulas-magnas sobre a sétima arte. Em comum, todos cineastas-ativistas que colocaram o povo latino no primeiro plano de suas obras: Birri, um dos mais influentes cineastas latinoamericanos, autor do clássico Tire Dié (1959) e fundador da Escola de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños – EICT (Cuba); Solanas, responsável por obras de forte crítica social e questionamentos políticos, diretor da trilogia A hora dos fornos, documentário essencial na formação do cinema político no continente, eterno combatente na luta contra o abandono do povo argentino; Nelson Pereira precursor do cinema-novo brasileiro com seus Rio, 40 graus e Rio, Zona Norte, autor da obra-prima Vidas Secas, fundador do curso de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) e premiado em inúmeros festivais mundo afora; e Paul Leduc, que sempre colocou de forma realista a situação política e social do continente em seus filmes, autor de marcos como Reed: México insurgente (1973) e Etnocídio (1977).   

 

Nesta 5ª edição, serão dois homenageados: Marcelo Piñeyro e João Batista de Andrade (acima, durante abertura do 1º Festlatino), diretor considerado dos mais importantes do cinema brasileiro, com quase 40 títulos no currículo. João Batista segue a linha engajada dos diretores que fizeram a história da cinematografia latina e, por seus filmes, já foi laureado em festivais nacionais e internacionais, com “O Homem Que Virou Suco” (1980 – foto abaixo), melhor filme no Festival de Moscou e premiado nos festivais de Gramado (roteiro, ator e ator coadjuvante), Brasília (ator), Huelva, na Espanha (ator) e Nevers, na França (filme e prêmio da crítica); “Doramundo” (1978), vencedor do Festival de Gramado (filme e diretor); “A Próxima Vítima” (1983), também premiado em Gramado e vencedor de três troféus da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte); e “O País dos Tenentes” (1987), uma produção contemplada com cinco troféus Candango no Festival de Brasília.
 

Além das ficções, sua importante trajetória como documentarista também será representada por filmes como ”Liberdade de Imprensa” (1966) – seu curta-metragem de estreia -; ”Greve!” (1979) e “Vlado – 30 Anos Depois” (2005). O festival promove ainda o relançamento, em edição ampliada, do livro “João Batista de Andrade – Alguma Solidão e Muitas Histórias: A Trajetória de Um Cineasta Brasileiro”, assinado por Maria do Rosário Caetano e editado pela Imesp, e uma mesa redonda que debaterá sua obra, mediada por Jean-Claude Bernardet.

RIBEIRÃO PIRES de Cinema

Começa domingo em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, o primeiro Festival de Cinema – Um Novo Olhar, o qual consiste em mostra popular, mostra competitiva de curtas-metragens e quatro oficinas gratuitas, cujas inscrições podem ser feitas através do site Festival de Curtas até o final de março.

Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, será exibido em Ribeirão Pires

A primeira etapa do projeto consiste na mostra de filmes nacionais exibidos gratuitamente todos os domingos, até 2 de maio, no Paço Municipal da Cidade.

Passam pela sala ao ar livre cópias em 35mm de Memórias do Cárcere, Bezerra de Menezes, Bicho de Sete Cabeças, A Via Láctea, Chega de Saudade, Deus É Brasileiro e Mistéryos. O teatro Euclides Menato também irá exibir longas da mostra dias 22, 23, 24, 25, 26 e 29 de março, entre eles Vlado 30 anos Depois, de João Batista de Andrade e Fluidos, de Alexandre Carvalho.


 

Tônia Carrero e Leonardo Villar em Chega de Saudade, um dos longas da programação

“Fotografia & Cinema”, “Música & Cinema”, “Curta & Celular” e “Animação” são as quatro oficinas que integram a programação, ministradas respectivamente por Alziro Barbosa, Victor Pozas e Alex Molleta.

A mostra competitiva de curtas começa em 3 de maio e irá contemplar as seguintes categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro/argumento, melhor ator, melhor atriz, melhor montagem, melhor desenho de som, melhor arte e melhor música original. A premiação e o encerramento do 1º Festival de Cinema – Um Novo Olhar acontecem dia 8 de maio. Foram inscritos cerca de 300 trabalhos e 160 foram selecionados pela curadoria.

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA POPULAR
PAÇO MUNICIPAL (Rua Miguel Prisco, 288)

21/3 às 19h – “Memórias do Cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos
21/3 às 21h – “Bezerra de Menezes” – Glauber Filho e Joel Pimentel
28/3 às 21h – “Bicho de Sete Cabeças”, de Laís Bodanzky
04/4 às 21h – “Deus é Brasileiro”, de Cacá Diegues
11/4 às 21h –  “A Via Láctea”, de Lina Chamie
18/4 às 21h – “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzki
25/4 às 21h – “Mistéryos” , de Beto Carminatti e Pedro Merege

TEATRO EUCLIDES MENATO (Avenida Brasil, 193)

22/3 às 19h – “Vlado, 30 anos depôs”, de João Batista de Andrade
23/3 às 19h – “Fluidos”, de Alexandre Carvalho
24/3 às 19h – “Manhã Transfigurada”, de Sérgio de Assis Brasil
25/3 às 19h – “Canção de Baal”, de Helena Ignez
26/3 às 19h – “Senhores do Vento”, de Isabella Nicolas
29/3 às 19h – “Heróis da Liberdade”, de Lucas Amberg

Sonho de Adhemar Gonzaga faz 80

Do jovem fascinado por cinema, que recortava suas tirinhas em papel e as projetava em caixas de sapato, ao empreendedor responsável pela consolidação da indústria cinematográfica no Rio de Janeiro, Adhemar Gonzaga (1901-1978) não poderia imaginar que a Cinédia Estúdios Cinematográficos, que fundou em 15 de março de 1930, iria completar oito décadas de atividades nesta segunda – sua filha Alice Gonzaga esta à frente da restauração dos filmes e da organização dos arquivos.

Os clássicos da Cinédia serão revisitados – em fotogramas devidamente recuperados – em festivais pelo Brasil a partir deste ano. Alice conta:

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Gramado vai exibir Ganga Bruta, o Festival de Belém pediu para escolhermos cinco, assim como o de Curitiba. Depois vamos realizar uma retrospectiva em dezembro no Instituto Moreira Salles com todos os filmes em condições de serem exibidos.

Alice Gonzaga comanda a produtora desde os anos 70, quando o pai se afastou das operações por problemas de saúde. Desde então vem se concentrando no processo de restauração dos filmes e organização dos arquivos. Ao todo, 17 filmes foram restaurados.

O nome que virou símbolo da indústria cinematográfica brasileira nos anos 30 e 40 do século passado também vai adornar um espaço que vai celebrar não apenas a história da Cinédia, mas também ajudar na formação de outros apaixonados por cinema.

Vamos começar em abril os cursos na área de cinema e cultura, concretizando o sonho do Centro Cultural Cinédia – anuncia Alice, que recebeu o Caderno B na atual sede da companhia, na Rua Santa Cristina, 5, em Santa Teresa.

Cineasta por acaso

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Cena de Alô, Alô Carnaval !, uma das preciosidades do acervo CINÉDIA

Antes de se tornar cineasta e posteriormente empresário do ramo, o pai da atual comandante da Cinédia incentivou o cinema nacional como jornalista. Não tardou para que fundasse sua própria revista, a Cinearte, uma das primeiras publicações inteiramente dedicadas ao cinema na imprensa brasileira. Diante de sua significativa tiragem e do sucesso entre o público feminino, o Circuito Nacional de Exibidores (CNE) propôs à revista um concurso para selecionar entre suas leitoras a atriz para o longa Barro Humano. É quando o jornalista se torna cineasta por acaso.

Mas mesmo com o sucesso do concurso, o CNE não tinha recursos para bancar o filme. Foi aí que um dos membros do Circuito, Paulo Benedetti, se propôs a ajudar na produção. Os dois se associaram e o filme estreou em 1929, com meu pai na direção e Benedetti na fotografia.

Com o grande sucesso de público de Barro Humano, Adhemar se entusiasmou a criar a primeira produtora cinematográfica carioca, concretizando uma campanha que já vinha empreendendo na Cinearte.

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Cena de Lábios sem Beijos, direção de Humberto Mauro com  produção de Adhemar Gonzaga

Instalada na Rua Abílio, 26, em São Cristóvão, a Cinédia começou a produzir Lábios sem Beijos uma semana após sua fundação, com direção de Humberto Mauro. Logo em seguida, vieram Limite (1931), de Mário Peixoto; Mulher (1931), de Octávio Gabus Mendes; e Ganga Bruta (1933), também de Mauro, que iniciou as atividades de distribuição da Cinédia.

Limite não chegou a ser exibido comercialmente. Já Lábios sem Beijos e Mulher, apesar de terem sido sucesso de bilheteria, não deram retorno financeiro à Cinédia, pois eram distribuídos pela Paramount, dos EUA, o que fez a Cinédia começar a distribuir seus filmes. Ganga Bruta foi um fracasso de público, pois representou a passagem do cinema mudo para o sonoro, e quando um ator brasileiro falava todo mundo caçoava. Diziam que o brasileiro não sabia falar no cinema.

Diante da falta de retorno financeiro, Gonzaga partiu para a realização de comédias musicais carnavalescas como Voz do Carnaval (1933), Alô, Alô Brasil ! (1935), Estudantes (1935) e Alô! Alô! Carnaval ! (1936). Foram os precursores das chanchadas dos anos 50.

Esses musicais eram a oportunidade de o público poder ver a imagem dos artistas do rádio como Lamartine Babo e Carmen Miranda. Mas não era o tipo de filme que meu pai queria fazer.

Durante os anos 40, depois de ter produzido cerca de 60% dos filmes brasileiros lançados na década anterior, a Cinédia voltou a passar por dificuldades financeiras devido à Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ficou quase impossível importar as matérias-primas. Meu pai estava falido quando, em 1942, Orson Welles alugou nossos estúdios. Com o dinheiro do aluguel, o estúdio produziu Berlim na Batucada, em 1944, mostrando a influência da guerra no nosso cinema. O Ébrio, de 1946, grande sucesso de público, ajudou muito a Cinédia nessa época.

No início dos anos 50, com o surgimento em São Paulo das produtoras Vera Cruz, Maristela e Multifilmes, Gonzaga transferiu-se para lá, areditando que se formaria o principal pólo do cinema nacional.

Mas quando os amigos começaram a frequentar a casa dele em São Paulo dizendo que haviam sido contratados pela Vera Cruz com salário fixo mensal, ele começou a desconfiar: “Isso não vai dar certo, foi o mesmo erro que cometi na Cinédia”. Arrumou suas coisas e voltou para o Rio.

Adhemar vendeu a casa de São Paulo e o terreno de São Cristóvão e instalou a Cinédia na Estrada da Soca, 400, em Jacarepaguá. Era o ano de 1956, quando foi lançado Rio, 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos, que inaugura uma nova estética no cinema brasileiro. As locações passam a ser privilegiadas em detrimento das filmagens em estúdio. Nas décadas de 60 e 70, a Cinédia sobrevive com os aluguéis da TV Globo, de empresas publicitárias e de produções estrangeiras.

* Com informações de Bernardo Costa, do JB

MACALÉ nas Telas

 Uma das histórias a respeito de Jards Macalé dá conta de que puseram esse nome artístico nele porque o compositor jogava futebol tão mal quanto o jogador Macalé, do Botafogo. O público vai poder tirar a prova em Jards Macalé – Um morcego na porta principal, documentário que chega ao circuito amanhã (assista ao trailer) . O músico joga bola numa das cenas do filme, que traz entrevistas com o próprio e com gente que fez parte da vida e da carreira de Macalé, como Maria Bethânia, José Celso Martinez Corrêa e Gilberto Gil. Com direção e roteiro de Marco Abujamra e do jornalista do GLOBO João Pimentel, o documentário ganhou o prêmio especial do júri do Festival do Rio de 2008.

Jards Macalé foi filmado em 2002 e 2003, e partiu da vontade de Pimentel de falar do seu antigo vizinho.

– O Macalé morava perto da casa dos meus pais, e um dia eu quis fazer aula de violão com ele. Apareci na casa dele, fiquei tocando a campainha e nada; até que ele, que estava dormindo, apareceu de cueca, tomou meu violão e fechou a porta na minha cara – lembra Pimentel.

Um pouco desse temperamento do músico está na tela, em histórias como a que Dori Caymmi conta. Ao modificar um acorde numa música de Jards Macalé contra sua vontade, Dori foi surpreendido por um Macalé muito enraivecido, que entrou num lotação onde ele estava e gritou para todos os passageiros ouvirem que ele o “tinha traído com aquela mulher”, como se os dois tivessem um romance.

O filme traz Yards Mahatkalef – como o músico diz que é seu nome em árabe – sendo entrevistado por Jaguar e lhe contando como foi expulso de quatro colégios; fotos de álbuns de família; e trechos de filmes em Super-8 do tempo em que morou em Londres com Caetano Veloso. Há ainda Nelson Pereira dos Santos falando das trilhas que o músico fez para filmes seus, como “O amuleto de Ogum”, em que Macalé também atua.

Jards Macalé levou Pimentel e Abujamra a entrevistarem cerca de 50 pessoas; em torno de 20 entraram na obra.

– Uma das nossas grandes dificuldades foi o fato de não haver material sobre o Macalé. O que líamos sobre ele eram sempre curtas referências em obras sobre outros. Então tivemos que ir atrás de muita gente, para formar um material de pesquisa – conta Marco Abujamra.

Essa ausência de material talvez seja explicada pelo modo como ele preferiu conduzir sua carreira, acrescenta Abujamra:

– Ele atravessou o Opinião, a época dos festivais… Produziu um dos mais importantes discos do Caetano, “Transa”, e foi com ele para Londres. Mas não se fixou a nenhum grupo. Poderia ter feito isso com o tropicalismo, por exemplo, quando Bethânia e os outros baianos frequentavam a casa dele. Mas o Macalé sempre pautou a trajetória dele em cima de princípios próprios, não fez concessões mercadológicas e sempre teve personalidade forte, que não permitia interferências no seu trabalho. Depois desse documentário, o que a gente pôde concluir é que ele faz só o que está com vontade de fazer.

* Texto de Alessandra Duarte