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Toninho Dantas por Juninho Brassalotti

Caros Amigos e Leitores Fiéis,

Acabo de ler texto do amigo querido, ator e produtor cultural santista, JUNINHO BRASSALOTTI, braço direito e esquerdo do amado TONINHO DANTAS, sobre o amigo comum, que nos deixou há um ano…

TONINHO era Ator, Poeta, Escritor, jornalista, produtor, idealizador do Festival Santista de Teatro, e idealizador e coordenador-geral do FESTIVAL SANTISTA DE CURTAS-METRAGENS, o CURTA SANTOS, que ele tornou respeitado, conhecido e bem visto e querido em todo o país.

Participar do CURTA SANTOS passou a fazer parte de meus desejos, aí por volta de 2005… em 2006, conversando com o querido cineasta capixaba GUI CASTOR, ele me falou que tinha estado lá, participando de uma edição com um de seus curtas, e que tinha adorado. Falou o quanto era “gente boa este Toninho Dantas”, contou maravilhas da organização do festival e de como foi bem recebido por lá.

Eu ficava acompanhando as notícias do festival pela web e, eram tantas e tão boas as atrações, que a cada ano mais e mais aumentava minha vontade de estar no festival e conhecer o famoso Toninho.

Até que em 2008 veio a chance. Por obra e graça do colega jornalista Marcelo Pestana, amigo querido que intercedou por mim junto a Toninho. Lembro da felicidade que me ganhou a alma quando foi confirmada minha ida ao festival… E lembro com precisão de alfaiate como me marcou fundamente o festival. Toninho era de fato a figura incrivel que as pessoas falavam e o festival merecia mesmo todas as considerações positivas que a mídia alardeava.

Mas faltou dizerem mais sobre TONINHO, esmiuçar com mais fidelidade a figura sem par que ele era. TONINHO DANTAS foi amigo desde a hora em que batemos nossos olhares.

Transpirava liberdade, sintonizava criatividade e escancarava simpatia. Daí pra ganhar minha adesão total, foi um pulo: firme, fácil, sem volta.

TONINHO DANTAS ganhou não só minha simpatia, cumplicidade e apreço. Toninho Dantas conquistou de vez meu carinho, minha sintonia, minha parceria pra todos os sonhos.

E sonhamos juntos, muitas vezes. E foi tão bom…

Toninho me trouxe ademais este misto de ator/diretor/produtor/agitador cultural e companheiro pra toda obra, JUNINHO BRASSALOTTI. Os dois, sorrateiramente, se alojaram no meu coração.

Ney Latorraca, Aurora Miranda e Luiz Calos Lacerda no Curta Santos, 2009

E juntos plantamos um bocadin de coisa boa pra fazer brilhar, ainda mais, o CURTA SANTOS. E foi assim que, juntos, homenageamos a grandeza de atriz que é LEA GARCIA, que aplaudimos em coro a competência de LÍRIO FERREIRA e nos dobramos ante a magnanimidade do talento de MATHEUS NACHTERGAELE, a quem o CURTA SANTOS reverenciou com o belo troféu CLAUDIO MAMBERTI em setembro de 2009.

Nesse 14 de maio, fez um ano que TONINHO DANTAS foi pro andar de cima.

E as saudades se renovam.

Sobre elas, entrego a palavra para a radiografia emocionada e emocionante de JUNINHO BRASSALOTTI:

Oie,

me conta! Aliás, não conta não, deixa que eu te conto dessa vez… faz tempo que não nos falamos… menino quanta coisa mudou e quanta coisa continua igual… Estamos com a Dilma na presidência, isso sei que iria gostar, pois lembro da gente falando dela antes da campanha, não é? E não é que ela está indo bem? No ministério estamos com uma mulher também, isso já está dando um barulhinho mas vamos ver no que resulta. Vou te colocando a par!

Lembra quando a gente conversava sobre o crescimento da cidade? Tá pior! É prédio imenso pra todo canto, um papo de pré-sal pra lá, ponte pra cá, tunel embaixo d’água… e o ser humano, nada.

Crescimento e expansão de imóveis, da cidade em si, nunca vi tanto carro nas ruas e tá tudo mais caro, mas a cultura… bem, imagine o pior cenário. Calma, ainda falta um pouco. Na verdade (lembra desse bordão?) espero bom ventos, pode ser minha esperança incorrigível, mas tem uns segmentos se articulando, acho que vimos a possibilidade de termos passado um pouco do fundo do poço e lá debaixo nos olhamos, nos agarramos e estamos tentando pôr o pescoço pra fora. E não estou falando dos poderes não, mas dos artistas independentes mesmo! Tem muita gente que só com muito Oscar Wilde e Dante pra segurar, viu? Mas, borandá.

Lembra que íamos falar da mulher no ano de centenário da Pagu? Não rolou aquele ano por culpa tua, mas tu e suas “ausências significativas” continuam na gênese do Curta Santos, retomamos esse tema em 2011, vai dando umas dicas, hein? A Ludmilla Rossi fez um logo lindo pra gente, tu ia amar! Tua cara! A Leila Diniz, grávida, na praia. Um tapa!

Aliás, deixa te falar, Ricardo tá indo lindamente em frente, a nau dos insensatos continua navegando pelo, ainda careta, oceano cultural santista, tentamos seguir na contramão, cultivando aquela incerteza e insegurança que gera a ação. Os meninos que estão cuidando do monstrinho estão crescendo, tu ia ficar bobo! Tássia tá mais segura que nunca, Queijo tá com um cabelo estranho mas surpreende a cada dia e o Zé, de candanguinho tímido tá se saindo um profissional ultra competente, daqui a pouco me abandonam também…(espero que não!).

Por falar no monstrinho, ele tá completando 9 anos! 9! PA-SSA-DO! O eremita do tarô! Que sugere prudência, cautela, e gera solidão…ao mesmo tempo regenera, cria vida, impulsiona! Quantos verbos…Estamos dando comidinha pro monstrinho, viu? Ele tá crescendo, com calma, daqui a pouco são 10! Era só uma mostra paSSarela, lembra? Quem diria… obrigado por ter posto isso na minha vida, viu? Não tive tempo de te falar isso com essas palavras, mas acho que aquele dia no Rio tomando chá, depois que seu figado deu sinais, a gente meio que falou sobre isso, engraçado, aquele dia a gente tava se despedindo né? Mas tu já sabia, eu só senti. Retive.

Que louco, né? Tu é uó, mesmo daí continua atormentando, não larga o osso! Lembro de todos os nossos papos sobre o tema desse ano, vamos tentar viu?! Certeza que tu não ia gostar.. hahahahaha – mas sempre que penso nisso, revejo e tento propor algo novo, não cair no conformismo babaca, generalizado, que circunda e insidiosamente como naquele poema do João Cabral nos envolve.

Confesso que tá dificil e solitário, vira e mexe me pego falando contigo, é tão engraçado essa coisa da saudade, te sinto tão perto ainda… escrevo agora aqui da nossa salinha na Pagu, olhando o o banner que fizemos com sua foto (que aliás, eu sei, tu não gostou! azar o teu! Mandei tu ir embora?) e vejo também ali na praça uma imagem sua pintada pelo pessoal do FESTA numa banca de jornal… e ainda espero tu empurrar a porta daqui, jogar a agenda num canto, dizer que perdeu os óculos em algum lugar ou deixou no carro, pôr as mãos na mesa e dizer: “AIIII”… e dái em diante… Só os loucos sabem…

Nunca mais fui na Dilaita, sei lá… não consegui, nem no Jô… Na Dona Maria então, atravesso a rua, bobagem minha eu sei, mas me deixa também! Tenho cá minhas coisas, oras!

Menino, a Ervilha ligou esses dias, tamo rindo até agora…

A Nega continua uó e cada vez mais fraca, mas ela tá indo agora! O melhor número dela esgotou.

Abigail tá cada vez pior, agora passa petróleo no picumã…

Eloá tá de caso com a Pêssego,

A Acelga continua colega,

E o FESTA agora é em abril! É… abril…

Sei bem que tu não parou de trabalhar pro Curta Santos por ai, deve tá fazendo um inferno, né? Recebemos seu recadinho mês passado! Obrigado, aliás!

Escuta, relaxa um pouco, hein! Descansa! Tua longa jornada não vai parar, tu virou infinito aqui! Falamos de ti, como falavámos da Pagu do Plínio, do Maurice, certeza que tu não deve se achar merecedor. Problema teu. Não enche o saco e fica na tua!

Teus mitos e ícones viraram companheiros de trajetória, ainda vamos comer muito arroz com feijão, mas sempre vamos agradecer pela receita que você dividiu, comigo e com o Ricardo.

Qualquer coisa tamo aqui, vou continuar te enchendo a caixa de e-mails, ainda sinto falta dos teus telefonemas as 6h da manhã pra falar do House e mandar abrir meu e-mail por que tinha algo que eu ia adorar… vi meu primeiro Oscar sem falar contigo por telefone, Nic tava linda, menino! Ainda abro a janela de manhã e vejo o El Coche parado na minha porta e tu sem avisar pra gente ir pra Dilaita… nunca mais fui lá…

E contigo aprendi mais uma coisa nesse 1 ano: o que é a sensação da saudade, do vazio…

Nunca mais ri igual.

Nic

Texto de Junior Brassalotti

Ricardo Vasconcellos e Juninho Brassalotti: levando adiante sonho de TONINHO