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Adriana Esteves eterniza Avenida Brasil

Resumo semanal de Avenida Brasil de 20/01/2020 a 24/01/2020 ...

Adriana Esteves é Carminha e Débora Falabella é Rita: contracena de gigantes !

Avenida Brasil está desde outubro preenchendo a tarde nobre da TV Globo. A exibição do megasucesso, que desbancou Escrava Isaura em número de vendas para diversos países, está na reta final: termina no dia em que maio adentra o calendário, portanto, no Dia do Trabalho.

Por conta disso, decidi postar artigo escrito quando do final da exibição da novela, em 2012, numa homenagem a esta atriz formidável, que considero a maior do Brasil – não esquecendo que Fernanda Montenegro pertence à notória categoria Hors-Concours -, a protagonista Adriana Esteves.

O que mais surpreendeu em AVENIDA BRASIL não foi o mega ibope do último capítulo nem a forma como o autor se inspirou em autores famosos, nem a trilha, nem o encantamento com o subúrbio traduzido no Divino.

Tudo isso já houve antes, e continuará acontecendo. Há um farto arsenal de motivos pelos quais a novela de João Emanuel Carneiro virou um ícone nacional.

Mas o que mais nos chama a atenção – depois de ler, reler e encontrar, nos mais diferentes espaços informativos, comentários sobre a novela, é uma sensação de “Queremos Carminha !”, ainda no ar.

Vilã de 'Avenida Brasil', Adriana Esteves faz revelação: 'Eu não ...

A atriz acredita que, mesmo com as maldades, Carminha conquistou o público por ser corajosa e divertida: “Ela enxergava a vida com inteligência e humor”, disse em entrevista de divulgação da Globo sobre a reprise. Para ela, a maior maldade de Carminha era maltratar e debochar da própria filha, Ágata (Ana Karolina).

Adriana Esteves revela ainda que fazer a vilã foi sua maior entrega como atriz: “Quando terminou a novela, foi a primeira vez que eu senti uma dificuldade muito grande de abandonar a personagem […] Eu estava no 220 volts, e precisava voltar para o 110 para continuar a viver ou até para fazer outros trabalhos, porque como é que eu ia conseguir fazer outra coisa naquela vibração ?”

O que esta magnânima ATRIZ Adriana Esteves conseguiu, através da bem construída personagem criada por João Emanuel Carneiro, é algo ainda a ser estudado por especialistas da área, e quem sabe mereça muito mais a análise de quem atua na seara da psicologia.

Adriana Esteves alcançou através de Carminha muito mais do que o apoio popular e a adesão total de todo o público de Avenida Brasil. O que Adriana e sua irretocável CARMINHA conseguiram foi mexer no imaginário coletivo e fustigar a emoção de quantos puderam ver – e vibrar – com a estupenda interpretação desta Atriz para uma personagem capaz das maiores vilanias e atrocidades. Intérprete e personagem entrelaçaram-se no gosto popular criando um emaranhado de emoções e cumplicidade que responde por grande parte do êxito da trama de João Emanuel Carneiro.

Esta sensação é o que vai por baixo das afirmações, e corre no íntimo de quantos agora comentam o final da novela – todos viram a mobilização nacional gerada pela exibição do último capítulo da trama, praticamente parando São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre -, é o que aflora quando se afirmam coisas do tipo “Carminha podia ter reagido”, ou “Pensei que Carminha estava mentindo”, ou ainda “Achei que Carminha ia dar a volta por cima”, ou, mais agudo ainda, “Queria que Carminha tivesse terminado rica, numa mansão na zona sul”, ou “Queria Carminha milionária enganando um novo Tufão”…

Carminha (Adriana Esteves) - Personagens de "Avenida Brasil" | Amo ...

Isso tudo é a tradução mais latente e verdadeira de que o envolvimento com a Carminha de ADRIANA ESTEVES tomou tal proporção que o público desejava não só não ver a vilã ficar pobre e sem glamour, como gostaria de ver novamente a atriz – que ele aprendeu a amar e ver bela, mesmo com todas as maldades de Carminha – esbanjando charme e eloquência de vencedora.

Adriana Esteves não estará na próxima trama de João Emanuel ...

Criatura e Criador: Adriana Esteves e o autor João Emanuel Carneiro…

Foi isso que fez nascer Laureta, a personagem seguinte de João Emanuel Carneiro para a atriz em sua trama posterior para o horário nobre. Detalhe de extrema relevância na bela parceria dos dois. Mas isso será tema de artigo em fase de elaboração.

Este público queria rever/reencontrar sua Carminha-Adriana de novo linda, loura, derramada em elegância, destratando os pobres, enganando o marido, tripudiando com as funcionárias, fazendo exigências homéricas, zombando dos suburbanos e dizendo – sem papas na língua e com a maior desfaçatez – as insanidades que dizia. Porque a Carminha vencedora, bonita e altiva era também o alter ego da enorme classe C, ou de quantos se sentiram/sentem inferiorizados tantas vezes, e que, naqueles momentos de altivez sórdida da vilã, se sentiam vingados ou de alma lavada através dos ótimos diálogos da trama. E aqui entra, intenso e avassalador, o potencial artístico de ADRIANA ESTEVES, a quem a imensa maioria da plateia queria ver novamente brilhando e tendo as rédeas da história nas mãos. SENSACIONALLLLLLLL !

Globo pode trocar Êta Mundo Bom por Avenida Brasil na próxima ...

E isso só é possível de ser alcançado, em se tratando de personagem antagonista, quando se tem uma intérprete do quilate de Adriana Esteves, cuja maestria, competência e natural vocação fazem dela uma atriz do mais alto refinamento interpretativo.

Adriana Esteves foi de tal modo encantadora que, através de Carminha, alcançou instâncias que significam muito mais do que receber o apoio absoluto da audiência, a vibração da plateia, a emoção do telespectador, o entusiasmo dos colegas, a vibração da crítica, o encantamento do autor, ou o misto de adesão x revolta que se viu durante todo o desenrolar da telenovela. Tão arrebatadora foi a atuação de Adriana que “puxou” todo um corolário de êxitos para a novela: Avenida Brasil foi a primeira novela brasileira que bateu o recorde alcançado pela lendária “Escrava Isaura” (1976), de Gilberto Braga, até então a telenovela brasileira mais exportada.

Adriana Esteves enfrenta desafio como grande vilã de “Avenida ...

A capacidade impressionante e invejável de ADRIANA ESTEVES de criar expressões faciais diversas para ‘Carminha’, numa mesma cena – passando, em questão de segundos, de um semblante triste para a agressividade, de um sereno para um irônico, de um alegre para um raivoso, de um amoroso para um sarcástico – ecoou fundo na emoção do telespectador e criou uma empatia só explicável pelas leis do sentimento. Sua inserção na cena artística brasileira se dá como uma Atriz completa, disposta e capaz de se jogar em qualquer personagem com a mesma extrema e singular capacidade com a qual ela transformou Carminha na melhor personagem do ano e, quiçá, na vilã mais adorada de todas as novelas.

Adriana Esteves ganha troféu como Carminha; confira os destaques ...

O primeiro prêmio por Carminha foi o do Jornal Extra. Depois vieram outros 7…

Veja fotos do 15º Prêmio Contigo! de TV no Rio de Janeiro

Carminha deu a Adriana todos os prêmios como Atriz do ano de 2012, num total de 8 estatuetas.

         Atriz ganha prêmio da ABI pela personagem Inês, da novela “Babilônia”, de Gilberto Braga…            

                        Um DEZ gigante e emocionado para Adriana Esteves !

Pandemia: assunto popular, como a novela. Valmir Moratelli comenta

Valmir Moratelli analisa contexto atual da narrativa preferida dos brasileiros diante da pandemia que fez TV Globo alterar programação

Jornalista, escritor, poeta, cineasta e doutorando em Comunicação pela PUC-Rio, Valmir Moratelli tem como epicentro de suas pesquisas acadêmicas a teleficção brasileira.

Convidado para escrever sobre o panorama atual, que alcança também as telenovelas da TV Globo, reproduzimos aqui a apreciação de Moratelli sobre o momento insólito pelo qual passa essa paixão nacional com quem convivemos desde que a TV Globo levou ao ar sua primeira telenovela, ainda em 1965.

Em nota oficial divulgada na segunda, 15 de março, a emissora informou sobre a suspensão das gravações de suas novelas, a antecipação do final de outras e a inclusão de novas reprises na grade de sua programação. A nota gerou diversas reportagens e causou bastante repercussão nas redes sociais esta semana.

Em bela matéria do colega Marcelo Canellas, a emissora afirma:

“não há novelas sem abraços, apertos de mãos, beijos, festas, cenas de briga, cenas de amor, cenas de carinho, tudo aquilo que reflete a vida real”.

As medidas, super acertadas, tomadas pela direção da TV Globo incluem: intensa cobertura jornalística sobre a Covid-19, liberação da plataforma Globo Play e dos canais de televisão fechada da Globosat (Globo News, SporTV, Multishow, Telecine, Canal Brasil, dentre outros). Uma demonstração clara, relevante e inconteste de responsabilidade social, solidariedade e exemplar respeito ao público, de parte da maior emissora de televisão do Brasil.

Vejamos então o que diz Valmir Moratelli* sobre o tema:

“Em decisão inédita na história da teledramaturgia brasileira, a medida adotada pela TV Globo é uma forma de prevenir a pandemia. Mas o que significa esta paralisação para o país que tem nas novelas sua principal fonte de entretenimento gratuito? Como a população vai se manter em casa, em quarentena pelas próximas semanas, se abstendo das tramas que vinha acompanhando como “Malhação”, “Salve-se Quem Puder” e “Amor de Mãe”? Apenas “Éramos Seis“, já nos últimos capítulos, terá um desfecho. Sua substituta, “Nos Tempos do Imperador”, precisará esperar o desenrolar do drama real que a população enfrenta no combate ao Covid-19.

“O silenciar das novelas acompanha o desenrolar de um assunto grave, da ordem de saúde pública”, afirma o especialista (Foto: Divulgação)

Interromper uma novela não é tão comum no Brasil. Por outros motivos, a TV Globo já teve que embargar produções em andamento. “Roque Santeiro”, de 1975, tinha 10 capítulos editados e quase 30 gravados quando, na noite de estreia, foi proibida de ir ao ar. No ano seguinte, o mesmo aconteceu com “Despedida de Casado”, que vinha sendo escrita para às 22 horas. Em ambos os casos, o bloqueio foi imposição da censura do Governo Militar.

Há também exemplos de produções que foram encurtadas drasticamente por rejeição do público e consequente queda da audiência. Os telespectadores largaram de lado “Cuca Legal”, de 1975, e a novela de Marcos Rey foi encurtada para 118 capítulos. Em 2001, “Bang Bang”, de Mario Prata, perdia público a cada exibição, o que fez a direção da emissora diminuir a duração dos capítulos que, dos habituais 55 minutos, passaram para 45. “As Filhas da Mãe”, de 2001, teve audiência abaixo do esperado. Resultado: A trama de Silvio de Abreu terminou com 125 capítulos. A título de comparação, o sucesso retumbante de “Avenida Brasil”, de 2012, teve 179 capítulos – dois meses a mais no ar.

O que acontece agora em nada se compara com os exemplos do período da ditadura, quando produções foram interrompidas por ordem do governo, ou com tramas encurtadas por questão de audiência, imprimindo a implacável força do mercado. O público fica, já na próxima semana, sem os capítulos inéditos por decisão estratégica da emissora, visando a não colocar em risco de contágio ao Covid-19 os quase 300 funcionários – entre elenco, equipe técnica e de produção – que trabalham em cada obra.

“O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma”

No comunicado enviado à imprensa, a TV Globo informou que tomou a decisão por coerência com os aspectos característicos da sua teledramaturgia, visto que “não há novelas sem abraços, apertos de mãos, beijos, festas, cenas de briga, cenas de amor, cenas de carinho, tudo aquilo que reflete a vida real, mas que, hoje, não pode ser encenado em segurança”. No livro “O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma” (2019, ed. Autografia), resultado de uma pesquisa de mestrado, detalhei duas décadas recentes de produções da emissora, entre 1998 e 2018, diante das transformações políticas de quatro presidentes (Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer).

As telenovelas brasileiras são reflexo dos nossos tempos, servindo de registro histórico às mudanças sociais. Estabilidade econômica, diversidade sexual, a questão das cotas, ascensão da chamada classe C, maior participação das mulheres no mercado de trabalho. Nada passou incólume pelas ficções da TV. E agora que o mundo se vê obrigado a parar as atividades a fim de frear a pandemia, não seria diferente com a ficção. O silenciar das novelas acompanha o desenrolar de um assunto grave, da ordem de saúde pública, arremata Moratelli.

Protagonistas da novela ‘Amor de Mãe’, que teve gravações interrompidas esta semana TV Globo. (Reprodução/Globo)

Em um país onde 99% dos lares brasileiros têm televisão, forjando gerações diante dos amores e dissabores de protagonistas e vilões, fica difícil imaginar um cenário em que nossas rotinas, momentaneamente, serão sem novas novelas. É verdade que a audiência geral da TV aberta vem caindo em relação à última década, principalmente pela maior oferta de streaming, catapultando o telespectador a ser programador de sua TV. O momento é propício ao crescimento dessas novas plataformas– a própria GloboPlay vem lançando séries e documentários inéditos. Mas nem todos os órfãos de novelas vão migrar para a GloboPlay ou Netflix.

Dados do IBGE mostram que mais de um terço dos domicílios brasileiros ainda não têm acesso à internet. Interromper suas novelas é um recado que a TV Globo dá à sociedade e às autoridades. O cancelamento de uma “instituição nacional”, como é o caso da novela das 21h, transmite a ideia da seriedade coletiva que o país precisa ter pelas próximas semanas.

Parte do elenco da novelo Avenida Brasil, uma das reprises transmitidas pela Rede Globo neste momento de pandemia. (Reprodução/Globo)

No lugar das produções interrompidas nos últimos dias, a TV Globo vai reexibir tramas bem aceitas pelo público (“Totalmente Demais” e “Fina Estampa”, por exemplo), além de aumentar o tempo de transmissão dos telejornais no canal aberto e reforçar o conteúdo da GloboNews. O que também vem em boa hora para a emissora, visto que a CNN Brasil estreou no final de semana trazendo possibilidades de concorrência à altura de seus programas. Oferecer escolhas internas ao público, cada vez mais exposto a outras opções, é uma estratégia certeira. Enquanto a população fica sem os afagos de “Amor de Mãe” , ou aguarda pelas aventuras de “Nos Tempos do Imperador”, resta-nos entender que quarentena não é drama e nem histeria. É o mundo real chacoalhando nossas rotinas a tal ponto que interrompeu até a ficção. A telenovela há de resistir. Até porque esperamos todos por um happy end.

* Valmir Moratelli é jornalista e doutorando da PUC-Rio.

*Artigo originalmente escrito para o site da jornalista Heloisa Tolipan.

Cena antológica consagra pico de audiência à Avenida Brasil

Carminha (Adriana Esteves) ficará nas mãos de Nina (Débora Falabella)

Desde sexta, quando a personagem de Adriana Esteves descobre que Nina (vivisa por Débora Falabella) é a mesma Rita, que ele odiava desde pequenina e de quem pensava ter-se livrado através de umas e outras que ela aprontou pra cima da adversária, a novela AVENIDA BRASIL (TV Globo, 21h) vem dominando ainda mais a atençã odo público e da imprensa. O capitulo de sábado, em que Carminha passa um ‘chega pra lá’ quase defintivo em Nina, teve a magistral cena do quase enterro de Nina/Rita. A cena é, indubitavelmente, das mais criativas, bem realizadas e dramaturgicamente brilhante. APLAUSOS para João Emanuel Carneiro, sua trupe de colabores (do texto à realização na telinha), e ao seu magnânimo elenco.

Mas hoje, quando sabia-se que Nina voltaria a encontrar Carminha, o público respondeu em peso ao ‘chamado’ da trama e a novela teve seu maior índice de audiência, ultrapassando os 44 pontos – até então, ainda não alcançado.

Números divulgados pelo Ibope dão conta de que AVENIDA BRASIL reinou  absoluta na noite, alcançando 44,5 pontos. A segunda colocação ficou com o SBT, 6 pontos, seguida de 5 pela Record. Até então, o índice mais alto da novela era o de 43 pontos.

A expressiva (e merecida) audiência deve-se a essa torcida que vem ganhando contornos bem nítidos entre o público: a audiência quer ver a vitória de Nina e sabe que, até isso acontecer, ainda irá se surpreender muito.

Cauã Reymond esteve no programa do Faustão domingo e afirmou que a novela agora tem ‘cenas secretas’ sendo gravadas. Ou seja, para algumas cenas, o sigilo é total, e só entra no estúdio os atores cujos personagens estejam envolvidos.

A TV Globo quer evitar – em muito boa hora – que comecem a vazar notícias de próximas cenas, e o destrinchar de acontecimentos seja revelado, coisa que, quando acontece, causa muigta chateação em quem assiste à novela com emoção de telespectador fiel, e quer acompanhar o desenrolar da trama via tevê. Do contrário, melhor seria ler fotonovelas, já que a telenovela – assim como os filmes, mas sobretudo o gênero obra aberta televisiva, foi criado para se assistir via telinha, e não ficar conhecendo a trama via revistas, sites, ou comentários de colegas.

Você que não viu, mas quer checar a grande cena que foi ao ar hoje, cesse o site da Globo – www.globo.com – e confira. Amanhã, a cena continua, e haja competência.

A chegada de Carminha em casa, sozinha, crente que lá vai encontrar os empregados Lúcio e Janaína… e a personagem vai adentrando a casa, tudo no escuro, e, de repente, apenas um facho de luz acende e ela vê a ‘desaparecida’ Nina sorridente, e ainda ameaçando-a, e quando Nina diz pra ela acender a luz, Carminha acende e tem a surpresa inesperada… francamente, foi um show de Dramaturgia e Realização. Uma cena antológica, já nos arquivos das melhores cenas de telenovelas do país.

Resumindo: AVENIDA BRASIL está Sensacionallllllll !!!

Diálogos primorosos, suspense a todo vapor e show de ADRIANA ESTEVES

Vivendo a malvada Carminha, Atriz exacerba no direito de brilhar

Foi assim o capítulo de AVENIDA BRASIL deste sábado. João Emanuel Carneiro, o autor, e seus colaboradores – que turma supimpa ! – vem tecendo uma trama que mais parece uma rica renda de filé, produzida pelas soberbas rendeiras do Nordeste.

Desde o início, a história é forte, os ganchos se sucedem com extrema maestria – daí o autor ser chamado na Tv Globo de ‘Capitão Gancho’; cenário/figurinos/direção de arte são sublimes; direção/fotografia/edição são um espetáculo à parte; a narrativa tem picos de excelência constante através de diálogos extremamente bem construídos; e o elenco é soberbo.

Mas, neste sábado quase findo, é preciso fazer um registroespecial sobre a riqueza de textos da personagem Carminha. E ADRIANA ESTEVES, mais uma vez, roubou a cena, ratificando sua competêmncia exacerbada e a feliz escolha de seu nome para viver a personagem principal.


           A Carmem Lúcia, personagem de grande envergadura e cheia de labirintos emocionais, ou Carminha como é popularmente chamada, foi um prato cheio dado por João Emanuel Carneiro para uma grande Atriz. E nós, público telespectador, que costumávamos ver Adriana Esteves apenas em papéis cômicos, ou sofridos, ou sóbrios, ficamos positivamente surpresos com a revelação do estupendo TALENTO e Capacidade Interpretativa desta Atriz magistral que é Adriana Esteves. É de lavar a alma vê-la em cena, num papel em telenovela – gênero ainda tão menosprezado por parte da crítica e do público.

Que profundezas abissais tem  composição que Adriana deu à sua Carminha, que sutilezas sensórias consegue passar num arcabouço sensório admirável só capaz ao ator que faz do seu ofício um espaço sagrado para promover a reflexão, o encantamento, a adesão ou rejeição do público.


No caso específico de Avenida Brasil, a personagem Carminha é um ser humano abjeto, deplorável, horrendo. Mas é com tal maestria que Adriana Esteves vive essa mulher pútrida, entregando-se à sua criação com o mais profundo de sua alma e a verdade inteira de seu ser entregue a ujm persomnagem que lhe vai nas vísceras, quje é impossível não ficar completamente abismado ante tamanha dedicação ao ofício, tamanha competência, e tão vocacionada entrega ao ofício.

Se pouco falamos neste post em Débora Falabella é que desta Atriz, Magnífica em qualquer papel, nós muito já conhecemos e aplaudimos, seja no teatro, no cinema ou na telinha – nos três veículos, Débora Falabella tem sempre uma atuação esplendorosa. Não é diferente com a Rita/Nina que a atriz defende em Avenida Brasil – mas este talento exacerbado nós já conhecíamos.

Deborah Falabella em duelo de gigantes com Adriana Esteves…

Porém, o de ADRIANA ESTEVES não tinha as mesmas luzes. Embora a atriz tenha ganho em 98 quatro importantes prêmios por sua atuação como a provocante ‘Sandrinha” de Torre de Babel (Sílvio de Abreu), em geral sempre fez mais comédia e personagens sofridas; algumas vilãs não tiveram o mesmo impacto desta Carminha – além de malvada, tem rasgos de sagacidade que tornam a personagem jocosa e ‘malandra’, eainda não tive a chance de vê-la no teatro. No cinema, preciso revê-la, embora saiba que já fez algumas peças e esteve em 4 longas (estreou na telona em 95 no filme “As Meninas”, baseado no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles).

Como Olímpia na comédia Trair e Coçar, filme baseado em famosa peça de Marcos Caruso…

Por esse pequeno histórico da atuação de Adriana, é que vê-la ‘roubando’ todas as cenas de AVENIDA BRASIL e sendo a grande motriz da trama principal, é que nos causa intensa e fervorosa alegria vê-la em cena, esta ATRIZ que um dia algum incauto disse que não era lá essas coisas…

No filme As Meninas (1995), de Emiliano Ribeiro, Adriana Esteves ao lado de Drica Moraes e Claudia Liz…

Ao lado de Murilo Benício, Adriana Esteves esbanja charme e competência em Avenida Brasil

 Esperamos que a reciclagem ‘tão famosa hoje em dia’ – como disse muito  bem a ‘genial Carminha’ hoje – já tenha chegado para este precipitado, desatento, desavisado, confuso, e/ou preconceituoso analista (?) de telenovelas.


Para Adriana Esteves e toda a equipe que faz AVENIDA BRASIL, o mais efusivo PARABÉNS deste AURORA DE CINEMA !

Grandes atuações tomam conta de AVENIDA BRASIL

Adriana Esteves como Carminha: enfim, um papel à altura desta grande intérprete

Avenida Brasil consagra à Globo merecida audiência

Quem gosta de ouvir e de contar histórias, não pode deixar de ficar plenamente tocado quando ouve ou vê uma trama bem contada, quando descobre  nos meandros de uma obra dramática as luzes da competência em inventar enredos, desenvolvê-los, torná-los atraentes e segurar o interesse do público, constantemente.

Sobretudo, quando isso acontece numa telenovela, gênero sempre desprezado pela “inteligentzia“, e para o qual é preciso um fôlego hercúleo do escritor e seus assistentes (já que a história permanece no ar, em geral, 6 meses), ademais difícil criar a audiência, torná-la cativa, e preservá-la pelo tempo em que uma novela fica no ar.

Juliano Cazarré e Isis Valverde: Adauto e Suélen em momento inusitado…

Com as tramas de Gilberto Braga, que conseguem deixar, de um capítulo pro outro, sempre um gancho de interesse, nós que acompanhamos o gênero sabemos que isso acontece. E que a audiência do autor é uma audiência qualificada – em geral, os que acompanham as tramas de Gilberto Braga pertencem a uma faixa de nível intelectual mais elevado, sendo ele inclusive o autor de novelas preferido pela maior parte da crítica de cinema.

Alexandre Borges, Débora Bloch e Camila Morgado: trio é hilário !

Outro que tem esta audiência merecidamente consagrada é João Emanuel Carneiro, autor de A Favorita, considerada por este Aurora de Cinema (e outros veículos que igualmente acompanham a telenovela brasileira) a Melhor Novela da primeira década dos anos 2000.

Débora e Marcelo Novaes: cenas intrincadas entre Nina e Max…

 

Entramos em 2012 e lá vem outra trama de João Emanuel Carneiro, escritor que conhecíamos por ter assinado o tocante roteiro de Central do Brasil (ao lado de Walter Salles e Marcos Bernstein ), e outras tantas novelas muito bem escritas, como Da cor do pecado, por exemplo. Nesta segunda década dos anos 2000, João Emanuel Carneiro assina outra trama antológica, no ar às 21h pela Rede Globo: AVENIDA BRASIL.

Cauã Reymond e Murilo Benício:  sintonia dos atores resvala em personagens críveis e de fácil adesão popular…

Avenida Brasil é sucesso de público e crítica, vai deixar saudades e deve ganhar muitos prêmios, no Brasil e no exterior. Tivéssemos no país um naipe de jornalistas tão atentos à produção teledramatúrgica brasileira como o temos em cinema e de há muito já podíamos estar formando novas gerações de criadores televisuais e uma boa fornada de analistas a observar com rigor, profissionalismo e a devida atenção o vasto, diversificado e qualificado painel de talentos que responde pela qualidade indiscutível alcançada pela nossa Teledramaturgia no mundo inteiro (e aqui falo especificamente da Rede Globo, a única emissora que realmente investe com vigor e profundidade em Dramaturgia).

A doce Mel Maia marcou com força sua passagem em Avenida Brasil

AVENIDA BRASIL é espetacular, em qualquer das vertentes pelas quais se analise a novela. Tudo nela é de extrema qualidade e tudo funciona muito bem, daí nosso acompanhamento eloquente e constante à trama.

Vera Holtz: brilhantismo já bem conhecido, evidenciado com a ‘Mãe Lucinda’…

E hoje este Aurora de Cinema volta, mais uma vez, ao elenco, a parte mais ‘visível’ da novela:

Adriana Esteves é talvez a intérprete mais solicitada da trama. Afinal, quase tudo gira em torno de sua monstruosa personagem Carminha. E a atriz tem dado conta do recado além da conta: sua atuação é arrebatadora. Se alguém ainda duvidava do talento da atriz, agora não pode mais deixar de curvar-se à sua  impressionante capacidade de dar vida a um personagem. Sua atuação é digna dos melhores e mais fortes Aplausos. A Carminha de Adriana Esteves é das melhores personagens já desenvolvidas dramaturgicamente na televisão brasileira, permitindo a atriz ‘esculpir’ uma linha de atuação esmerada e convincente. Adriana Esteves responde com brilho e magnetismo avassalador ao papel que lhe foi dado. Sua criação é avassaladoramente irretocável. Uma gigante em cena !

Débora Falabella: atriz de grandes personagens, agora é Rita/Nina…

Ao lado dela, vem Débora Falabella, Cauã Reymond, Murilo Benício, Vera Holtz, todos excelentes, defendendo com maestria seus personagens.

Eliane Giardini: beleza e espontaneidade como Muricy

Na casa de ‘Tufão’, há também o talento precioso de Marcos Caruso, Eliane Giardini, Juliano Cazarré, Letícia Isnard, Cacau Protásio, Cláudia Missura,  e a garota Ana Karolina explodindo de graça e competência na telinha.

E nas tramas paralelas, as interpretações não ficam por menos: Isis Valverde  é ótima atriz, além de linda, e criou uma ‘Suélen’ safada, esperta e sofrida, com nuances interpretativas sensacionais, chegando a tornar a personagem uma das mais queridas do público. Uma jovem atriz de muito talento. Uma graça vê-la em cena !

José Loreto estreando na TV e mandando bem com seu Darckson…

Alexandre Borges (sensacional como o ‘presepeiro’ Cadinho), Déborah Bloch, Camila Morgado, Heloísa Périssé, Nathália Dill, Daniel Rocha, Fabíula Nascimento, Otávio Augusto, Bianca Comparato, Bruna Griphao, Ronny Kriwat, José de Abreu, José Loreto, Débora Nascimento, Thiago Martins, Bruno Gissoni, e todo o grupo que faz parte da comunidade do Divino, merecem igualmente nossos Aplausos.

Débora Nascimento e Marcos Caruso como Tessália e Leleco, um casal pra lá de insólito…

A novela não provocaria o mesmo entusiasmo nem teria o mesmo pique não fosse o trabalho harmônico, competente e coeso de todos que fazem a trama, desde a criança mais nova que habita o ‘lixão’, até chegar a Amora Mautner e José Luís Villamarim, os diretores que comandam com preciosismo toda a ‘orquestra’.

Heloisa Périssé como a complicada Monalisa…

É bom demais vê-los atuando e não são raras as vezes nas quais me pego ‘aplaudindo’ enormente cada um deles pelos seus rasgos de excelência interpretativa.

Fabíula Nascimento: ‘descoberta’ pelo cinema, revelada ao país pela TV

Show de elenco, novela com ritmo, texto, edição, figurino, direção de arte e ótimas tramas paralelas, tudo contribuindo enormemente para o acerto que é AVENIDA BRASIL.

Assim como A Favorita, mais um gol de placa de João Emanual Carneiro e toda a poderosa e exponencial equipe que o acompanha.

O APLAUSO Aurora de Cinema para AVENIDA BRASIL !

Adriana Esteves esbanja competência e dá show em Avenida Brasil !

Aurora de Cinema comenta NOVELAS…

A noite de ontem, quinta, foi de Adriana Esteves !

Atriz deu um Show ! ESPETACULAR como a Carminha de Avenida Brasil…

‘Vítima de sequestro’, a vilã-madame perdeu a pose e soltou todas as raivas, luxos de nova rica, revolta com o ‘esconderijo’ arrumado, o amante malandro e desembestou ‘elogios’ aos seus supostos sequestradores. Enfim, a atriz foi irretocável nas expressões gestuais, vocais, faciais…

SENSACIONALLLLLLLLLL !

Adriana Esteves é, desde já, forte candidata à Grande Atriz do Ano ! É dela grande parte de responsabilidade pelo êxito da novela de João Emanuel Carneiro.

Adriana não tem uma cena em que deixe de estar muito bem, na qual o espectador não seja completamente tomado pela veracidade que a atriz empresta à personagem abjeta, má, repulsiva, intolerável e, às vezes, dócil, Carminha.

Um banho de atuação  ! Palmas para a interpretação soberba de Adriana Esteves.

Avenida Brasil mescla lixão, Kuduro e grandes interpretações

AURORA DE CINEMA recomenda avenida brasil

Elenco tem artistas excepcionais… Novela tem os ingredientes fundamentais para ser um novo grande trunfo do horário

Graciosa e ótima atriz, Débora Falabella cria mais um grande personagem na televisão… 

A novela AVENIDA BRASIL começou meio ‘atropelada’, com desnecessários exageros, errando no tom, mas de umas duas semanas pra cá, acertou o compasso e dá mostras de que será uma novela-marco, assim como o foi A Favorita, do mesmo autor, o roteirista João Emanuel Carneiro.
 
Novela Avenida Brasil
 
A novela expressa-se num ‘desenho dramatúrgico’ muito assemelhado ao dessa outra novela do autor – que foi a Melhor da primeira década dos anos 2000 -, perfazendo uma trilha similar (o que não é nem um demérito para seu criador, ao contrário, revela um autor que sabe conduzir sua capacidade de construir histórias com esmero e simetrias emocionais, mas isso já é tema pruma crônica futura…), a qual deverá ter amplo respaldo ante a exigente audiência do horário nobre.
 
 
MEL Maia: attiz-mirim que faz a Rita criança, revelou-se tão carismática – ao mesmo tempo, terna, doce, sofrida, profunda – que continuará participando da novela em flash-backs…
 

Débora Falabella: magnânima ATRIZ, capaz de incutir verdade, carisma e empatia a qualquer personagem…

Isis Valverde faz a ‘cambalacheira’ Suélen: atriz em ótima atuação, faz personagem diferente das mocinhas feitas até então…

após quase uma década ausente do horário nobre, adriana esteves chegou com tudo e tem respondido por grandes momentos de Avenida Brasil

Cenas iniciais de AVENIDA BRASIL  ja indicavam grandes emoções…

Música, direção de arte, figurinos, cenários, locações, câmeras, direção e elenco vem brilhando ! Dá gosto assistir a cada capítulo. Que naipe formidável de atores a direção e autores conseguiram reunir.

AVENIDA BRASIL: Temas corriqueiros no dia-a-dia de qualquer família entram em cena com incrível propriedade…

Por enquanto, nossos PARABÉNS a Marcos Caruso, Eliane Giardini, Isis Valverde, Camila Morgado, Cauã Reymond, Vera Holtz, José de Abreu, Fabiula Nascimento, Heloísa Perissé, e as extremamente Divinas, Débora Falabella e Adriana Esteves.

Que Show de Interpretação vem dando este elenco… SENSACIONALLLLLLLLLLLL !!!

Débora Nascimento e Marcos Caruso: amizade que vai-se transformar em paixão…

José de Abreu também se destaca e Vera Holtz é a atriz que acerta sempre, magistral em qualquer papel…

Murilo Benício e Cauã Reymond: atores desfilam entrosamento como pai e filho…

PORQUE O KUDURO como música de abertura…

O ritmo escolhido como tema de abertura da trama de João Emanuel Carneiro, ao contrário dos que podem achar que não tem nada a ver com a trama, cai como uma luva dentro do universo diegético proposto. Afinal, os personagens centrais da trama vieram de um lixão, ou tem uma fatia muito importante de suas vidas centradas ali.

É o caso dos personagens Rita/Nina (Débora Falabella) e Batata/Jorginho (Cauã Reymond), embora muitos outros também tenham parte de suas vidas, de algum modo,  ligadas à ambiência do lixão.

E isso com o ritmo do KUDURO ?

É que o KUDURO é hoje o ritmo mais em voga em Angola – país quase irmão, onde a língua dominante é o português.

O balançante ritmo nasceu nos ‘musseques’ de Luanda nos anos 90. De lá, emigrou para Lisboa e daí para o mundo. Assim, o Kuduro é um estilo musical que combina ritmos angolanos, caribenhos e batidas eletrónicas, como techno e house.

Mussekes são justamente a versão angolana dos chamados ‘lixões brasileiros’…

O Kuduro dança-se assim: umas pitadas de Break Dance e algumas pinceladas dos movimentos do Hip Hop, mesclam´-se às danças carnavalescas e tradicionais de Angola.

Para dançá-lo bem, incluem-se ainda movimentos gráficos teatrais: os kuduristas gatinham pelo chão, dançam de cócoras ou com as pernas retorcidas. A caída no chão também é normal e bem vinda.

Trata-se de um movimento influenciado não só pela violência em Angola, vivenciada pela população durante a guerra civil, que durou quase trinta anos, mas também pelos problemas dos dias que correm.

A linguagem usada nas letras das músicas é o calão de Luanda, uma combinação do Português com o Kimbundu, a segunda língua nacional mais falada em Angola…

* Portanto, antes de olhar uma novela e começar a falar sem fundamentação, ou começar a falar sobre a novela – em geral, contra -, sem sequer se dar ao ‘trabalho’ de entender um pouco o universo que a obra pretende abordar, vale a pena pesquisar, conversar com quem se interessa ou estuda o assunto, ou então assistir um pouco mais, abrindo os antolhos para não ficar com uma visão distorcida, deturpada, frágil ou inconsequente sobre o trabalho ali desenvolvido.

Afinal, são centenas de profissionais envolvidos numa obra dramatúrgica televisiva, tão empenhados em fazer bem seu trabalho artístico, quanto estão outros tantos profissionais, em qualquer dos ofícios ligados à Arte.

Romance de Nina e Jorginho começa a se definir e deve elevar a audiência…

Não custa ter boa vontade, inteligência, perspicácia e sensibilidade para comentar uma telenovela livre de ideias pré-concebidas, e aberto a entender o produto como Arte – ainda que exibido num veículo com alto teor mercadológico – em toda sua extensão, intenção, e profundidade, e através dos vários matizes pelos quais uma obra artística se expressa.