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Lilian Lemmertz para Sempre

COLEÇÃO APLAUSO
Imprensa Oficial

Biografia de Lilian Lemmertz Será lançada no Rio

Uma das mais bonitas, elegantes e talentosas atrizes das décadas de 60 e 70 e 80, Lilian Lemmertz protagonizou inúmeras peças teatrais, novelas e filmes. Seus trabalhos estão todos detalhados na biografia Lilian Lemmertz – sem rede de proteção assinada por Cleodon Coelho para a Coleção Aplauso. Lançamento acontece dia 13, às 19 horas, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, Rio de Janeiro

Lilian Lemmertz – sem rede de proteção
Cleodon Coelho
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Coleção Aplauso
R$ 30,00A biografia de Lilian Lemmertz é uma das poucas da Coleção Aplauso, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, não escritas em primeira pessoa. Sua morte prematura, em 1986, privou o país não apenas de seu talento, mas também de sua elegância e assombrosa capacidade de dominar a cena. Escrito pelo jornalista e roteirista Cleodon Coelho a partir de pesquisa e entrevistas com a filha, familiares e amigos, Lilian Lemmertz – sem rede de proteção faz um retrato minucioso da atriz que foi uma das protagonistas das artes visuais dos anos 60, 70 e início dos anos 80 no Brasil. Costumava emendar um trabalho no outro, incluindo peças que passavam de três horas de duração. O lançamento está marcado para a próxima quarta-feira (13 de outubro), às 19 horas, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, Rio de Janeiro – Rua Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205 A.

“Durante três anos, mergulhei em arquivos de jornais e conversei com muita gente que conviveu de perto com ela, como Eva Wilma, Stênio Garcia, Tony Ramos e Lidia Brondi. Mas o livro é também o retrato de uma família dedicada às artes. Uma história que começou com Lilian, seguiu com Julia e, agora, a neta Luiza, que está iniciando na carreira. Foi uma honra poder recriar a trajetória de uma atriz tão importante, que desapareceu tão cedo”, afirma Cleodon.

Nascida em Porto Alegre, em 15 de junho de 1938, Lilian nunca foi motivo de grandes preocupações em relação aos estudos. Dona de uma beleza clássica, rapidamente se transformou numa das manequins mais conhecidas da capital gaúcha antes de se tornar atriz. “Nunca pensei em ser atriz realmente. Estudava balé por estudar, sem pretensões. Um dia, Antônio Abujamra, com quem eu fazia inglês, me apareceu com um convite para integrar o elenco do Teatro Universitário da União Estadual dos Estudantes (UEE), que iria montar À Margem da Vida. Recusei. Em casa, comentei com a mãe, sem um pingo de entusiasmo. Para minha surpresa, ela achou uma ótima idéia. Leu a peça e começou a insistir para que eu aceitasse o convite”, disse em entrevista.

Aos 18 anos, Lilian Lemmertz entrava em cena para interpretar Laura Wingfield em “À Margem da Vida”, clássico de Tennessee Williams. Seu desempenho lhe rendeu o troféu Negrinho do Pastoreio de revelação dramática feminina, concedido pelo jornal Folha da Tarde.

A querida filha Júlia: cada vez mais parecida com a mãe

Destaque nos palcos locais, logo chamou a atenção da TV e participou de novelas ao vivo. Casada com Linneu Dias, em 1963 tiveram a filha, Julia. Um dia recebeu um telegrama de Walmor e Cacilda Becker para que ela e o marido estivessem em São Paulo no dia 24 de setembro, as passagens estavam à disposição e os contratos firmados. Uma hora depois de chegar à capital paulista, ela e o marido já estavam no Teatro Cacilda Becker lendo com o diretor Hermilo Borba Filho o texto de “Onde Canta o Sabiá”. Um mês depois, Lilian estreava nos palcos paulistanos, atuando ao lado de Walmor, um de seus principais parceiros de cena.

Em “A Noite do Iguana”, dividiu o palco com Cacilda Becker. Seus desempenhos eram sempre elogiados pela crítica, mas Lilian ainda não tinha certeza de que queria mesmo seguir na profissão. Até que recebeu o convite para atuar em “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” “Foi então que assumi a condição de querer ser atriz e me apaixonei definitivamente pelo ofício”. Desde aquele espetáculo não parou mais de trabalhar. No final da década de 1960 a atriz ostentava o título de musa do cinema, tendo participado de diversos filmes de Walter Hugo Khouri, entre outros diretores renomados, como Sylvio Back, Eduardo Escorel e Rodolfo Nanni.

No início de 1968 foi convidada pela extinta TV Excelsior para atuar na novela “O Terceiro Pecado”. No ano seguinte fez “A Menina do Veleiro Azul”, na mesma emissora. Em 1971, recebeu o primeiro convite para integrar o elenco da TV Globo na trama “O Cafona”, de Bráulio Pedroso. Passou ainda pelas TVs Record e Bandeirantes.

Seu papel mais marcante em novelas da Globo foi em Baila Comigo, no início dos anos 80. Interpretou a primeira das muitas personagens com nome Helena, do autor Manoel Carlos. Havia até quem perguntasse se aquela era sua primeira novela, mesmo com 25 anos de carreira. Na Globo gravou também “Final Feliz” e teve pequenas participações em “Roque Santeiro” e “Guerra dos Sexos”. Depois fez “Partido Alto”.

No dia 5 de junho de 1986, porém, depois de tentar falar com ela durante todo o dia, a filha Julia resolveu ir ao apartamento da mãe para ver o que estava acontecendo. Quando entrou, encontrou-a caída na banheira. Provavelmente na madrugada anterior tinha sofrido um enfarte no miocárdio, o que encerrou precocemente sua carreira aos 48 anos.