Arquivo da tag: novela da Globo

Final de Aquele Beijo: bonito demais e Miguel Falabella cada vez mais Artista

Lindo demais o último capítulo da novela Aquele Beijo

Escrita por Miguel Falabella e dirigida por uma trupe afiada, comandada por Cininha de Paula, o autor esbanjou sensibilidade, criando uma narrativa poética, original e cativante.

Por demais emocionante o capítulo final quando o próprio Falabella aparece e ‘assume-se’ personagem – o do escritor que sabia o destino de todos os personagens – e oferece uma grande festa no Palácio onde vivia com sua partner Ashuarya

Fecundo demais e oxigenantemente novo, talvez não facilmente assimilável pelo grande púnlico, a trama de Falabella foi sendo construída com humor, poesia, vilanias, acenos espirituais, ciúmes, ‘maquiavelices”, enfim, tinha todos os ingredientes capazes de produzir uma história para prender o interesse do público. embora, quando isso é feito com finas pitadas de ironia, nem sempre é assimilável pela média do espectador comum.

Cláudia Jimenez e Bruno Garcia: casal brilhou e fez belas cenas…

Miguel Falabella arrematou tudo e encerrou o último capítulo com um comovente e bem popular pensamento de Charles Chaplin, narrado com sua bela voz, de entonação precisa, alçando o texto e a novela a um patamar dignificante, significativo demais para ser apresentado no horário das 19h. Assim, Falabella se torna, a cada obra, um artista mais importante, profundo, bem humorado, inteligente, capaz de tocar em feridas graves de forma corajosa, comovente sem pieguismos, mas com adequado exame da situação, à luz de suas vivências e de sua relevância como antena da raça, que ele assume cada vez mais, com maior propriedade e benfazejos lampejos de farol e reflexão.

Por tudo isso, Miguel Falabella é um Artista cada vez mais relevante, sensível, necessário.

A novela Aquele Beijo entra para a história como uma novela que discutiu temas delicados e polêmicos no hotário das 19h, e que o fez mesclando bom humor, beleza, e bons textos literários, ditos pelo próprio autor, o que os tornou ainda mais interessantes.

Maria Maya e Bia Nunes: atrizes marcaram elenco homogêneo…

Com sensibilidade, altruísmo, delicadeza e muita perspecácia, Miguel Falabella aproveitou a novela para revelar-se um artista que cresce como ser humano a cada nova obra, e que se inscreve, assim, na honrosa galeria de Artistas que atuam em prol de uma coletividade, valendo-se de sua própria constelação de seguidores – e são muitos, e em número que só aumenta, os amigos que Falabella convida para expressar suas ideias e comungar de seus valores, criando um rico e belo matelassê sensório onde vale quebrar tabus, inverter paradigmas, sobrepujar estereótipos, objetar valores arcaicos, contrapor modelos, e respingar ideias diferentes, abrindo o leque de novas possibilidades, onde o importante mesmo seja respeitar a essência de cada um, e deixar valer o que cada ser humano traz de bom, único, belo e original.

Miguel Falabella merece um grande beijo e um enorme APLAUSO por esta beleza que foi Aquele  Beijo !

A ele, a Cininha de Paula, Noa Bressane, e a seu enorme e ótimo elenco – com destaque para Marília Pera, Zezeh Barbosa, Claudia Jimenez, Bruno Garcia, Maria Gladys (!!!), Diogo Vilella, Luis Salém, Bia Nunes (esplêndida !), Maria Maya, e Stella Miranda.

Sobre o elenco, falaremos mais em outro post…

A Profissão de Ator como um rito…

Matheus Nachtergaele De Volta à TV …

Rodrigo FonsecaMatheus Nachtergaele / Foto Leonardo Aversa

Mantenha os ouvidos atentos às palavras de Matheus Nachtergaele. A partir do dia 11 de abril, quando estrear “Cordel encantado”, a próxima novela das seis da Rede Globo, profecias hão de brotar de seus lábios. Por vezes, ele vai falar de fé:

Tenho a sensação de que me comporto diante da beleza que são os rituais religiosos como um antropólogo capaz de ver inclusive a profissão de ator como um rito. Um rito com uma forte função social. Ser ator no Brasil é acreditar que você pode fazer o seu próprio povo se ver e se descobrir – diz o paulistano de 42 anos, escalado para o elenco do folhetim das 18h no papel de Miguézim, profeta fundador da fictícia cidade de Vila da Cruz.

Outras vezes, a porção profética de Nachtergaele vai falar de política:

Miguézim vive na fissura provocada pelo dom de iluminar os outros: é capaz de se divertir com o que conhece, ao mesmo tempo em que sofre com a dor de saber. Já eu… eu me alegro com a sensação de que, politicamente, o Brasil está caminhando para uma boa direção. Mas sofro com a impressão de que muita coisa de base deixou de ser feita.

Já sobre a arte, Matheus Nachtergaele, dentro ou fora das novelas, sempre há de falar. Segundo seus colegas, ele sequer tem a escolha de não falar dela.

– Para Matheus, ser artista não é profissão. É doutrina – diz a atriz Dira Paes. – Tive a honra de atuar no primeiro trabalho dele como diretor, o filme “A festa da menina morta”, e pude vê-lo exercendo todas as suas potencialidades artísticas, que não são poucas.

Pela barba grossa que Matheus vem ostentando, Miguézim já deu seus primeiros sinais de vida, transformando as feições do ator e cineasta. Há 14 anos na TV, ele emplacou pelo menos quatro personagens marcantes: o travesti Cintura Fina de “Hilda Furacão” (1998); o herói pícaro João Grilo em “O auto da Compadecida” (1999); o vidente Helinho de “Da cor do pecado” (2004); e o peão Carreirinha de “América” (2005).

Atuar não é um ofício fácil. Com o tempo, você percebe que as pessoas, suas espectadoras, o conhecem mais do que você a elas. Você sai de casa para tomar um chope e nota que todo mundo te olha. Os personagens te deixam exposto, nu. Às vezes, você se pergunta: “Será que eu quero isso para mim?”. Outras vezes, você adora. Fazendo novela, o que muda é o fato de que você nunca sabe a trajetória completa que seu personagem pode ter. Em “Cordel encantado”, já me contaram que Miguézim guarda um mistério. Mas ninguém me contou qual – diz Matheus, cuja trajetória se mistura com a evolução do cinema brasileiro desde a Retomada.