Arquivo da tag: Nydia Lícia

CURTA SANTOS para Todas as Mulheres do Mundo

 
Noite de Abertura terá Christiane Torloni, Elke Maravilha, Laís Bodanzky, Etty Fraser, Nydia Licia, Nuno Leal Maia e Thiago Cóstackz
 
A nona edição do Curta Santos – Festival Santista de Curtas-Metragens será responsável, mais uma vez, por levar a Santos um elenco notável de personalidades do cinema brasileiro, as quais serão homenageadas por seus trabalhos. Todos estarão na Gala de Abertura do evento, noite do próximo dia  13 de setembro, 20 h, no Teatro do Sesc (Avenida Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida). 
 
 
Na edição que homenageia as mulheres do cinema, Para Todas as Mulheres do Mundo, o festival concentra boa parte de suas homenagens a elas. Para começar, o Troféu Lilian Lemmertz será entregue à atriz Christiane Torloni. Atualmente protagonista da novela FINA ESTAMPA, Christiane tem extensa carreira no cinema, tendo trabalhado com diretores como Bruno Barreto, Walter Hugo Khouri e Guilherme de Almeida Prado.
 
 
A patronesse desta 9ª edição é a atriz Etty Fraser, com mais de 50 nas telas e palcos do pais. Em 1965, Etty estava no filme “São Paulo S.A.”, de Luís Sérgio Person. Também esteve em “Diabólicos Herdeiros” (1971), de Geraldo Vietri, e “O Homem do Pau-Brasil” (1982), de Joaquim Pedro de Andrade. Na televisão, a atriz passou por quase todas as emissoras brasileiras.
 
Quem leva o Troféu Chico Botelho, entregue a jovens cineastas que contribuem para o enriquecimento do cinema brasileiro, é a diretora Laís Bodanzky. Responsável por filmes como “As Melhores Coisas do Mundo” (2010), “Bicho de Sete Cabeças” (2001) e “Chega de Saudade” (2008).
 
 
A atriz, diretora e produtora Nydia Licia será a Dama das Artes do 9º Curta Santos. A homenagem será na Gala de Abertura. No currículo, Nydia acumula mais de 70 trabalhos no teatro brasileiro, nos palcos e bastidores, além de presenças marcantes no cinema e na televisão.
 
Responsável por trabalhos de destaque na mídia, o artista plástico Thiago Cóstackz vai receber o Troféu Maurice Legeard por abraçar as causas sociais e ambientais e pela fundação do Museu de Arte Contemporânea Sustentável, marcado pelo pioneirismo no Brasil e no Rio Grande do Norte.
 
Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, ONG responsável por promover o desenvolvimento profissional, sociocultural e pessoal de muitos jovens brasileiros por meio do audiovisual, é o projeto premiado com o Troféu Maurice Legeard, durante a Gala de Abertura, pela responsabilidade social em levar Cultura a pessoas carentes.
 
 
 
A mestre de cerimônias da Gala de Abertura é Elke Maravilha. Com extensa carreira no cinema, na TV e até na moda, ao longo da vida, ELKE é uma consagrada rompedora de paradigmas e surpreende sempre. São mais de 20 filmes. Começou em 1970 em O Salário Mínimo, do grande pioneiro Adhemar Gonzaga. Ano passado, voltou às telas no mais recente longa de Arnaldo Jabor, A Suprema Felicidade.
 
Calçada da Fama
 
Durante a programação do Festival, o ator santista Nuno Leal Maia será homenageado com uma estrela, na tradicional Calçada da Fama do Cine Roxy.
 
 
 
Ex-jogador de futebol, NUNO estudou artes cênicas na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Participou de quase 40 filmes, e ficou conhecido pelas produções da época da pornochanchada e pelos papéis marcantes em telenovelas.NUNO também estará na abertura do CURTA SANTOS.  
 
Mais sobre o tema
 
Desde seu surgimento, o cinema retratou a mulher de forma especial. No início, como fetiche do mundo masculino: fatal, heroína, devoradora de homens. Depois, a figura feminina emancipou-se e passou a buscar seu espaço próprio. Assim, o Festival pretende homenagear “todas as mulheres do mundo”: das atrizes às filósofas, das pensadoras às operárias, do planeta Terra à Mãe Natureza.
 
O filme de Domingos Oliveira, protagonizado pela inesquecível Leila Diniz, deu o mote para o CURTA SANTOS 2011
 
O verde é a cor da nona edição e, por meio dele, o Festival abre mais um assunto para reflexão: a sustentabilidade. Desta vez, partindo do princípio do “olhar feminino”, pretende trabalhar a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável, por intermédio do audiovisual. O subtema visa a aguçar a discussão sobre o crescimento econômico prejudicial ao meio ambiente – e incentivar a participação ativa do público em ações que zelam pelo futuro da região e do planeta.
 
O Festival
 
O 9º Curta Santos – Para Todas as Mulheres do Mundo – contará com cinco dias de programação totalmente gratuita. Além de romper paradigmas, rever conceitos e estimular novos caminhos para o audiovisual – premissas adotadas desde a primeira edição –, o Festival objetiva oferecer ao público sessões de curtas, médias e longas-metragens (os dois últimos, em mostras não-competitivas) com produções de qualidade, que estão fora do circuito comercial. Mesas-redondas, oficinas e debates com profissionais da área sustentam a proposta.
 
 
Em oito anos de trajetória, o Festival já contou com a participação de grandes nomes do cinema nacional, como José Wilker, Matheus Nachtergaele, Paulo César Pereio, Paulo José, Ney Latorraca, Ana Lúcia Torre, Dira Paes, Betty Faria, Leona Cavali, Sergio Mamberti, Bete Mendes e Eva Wilma, além de cineastas como Carlos Manga, Carla Camurati, Zita Carvalhosa, Eliane Caffé, Ewaldo Mocarzel, Jose Mojica Marins, Beto Brant, Lírio Ferreira, Carlos Reichenbach, Allan Fresnot, Tata Amaral, Allan Sieber e Toni Venturi, dentre outros.
 

Matheus Nachtergaele, no CURTA SANTOS 2009, ao lado de seu saudoso idealizador, o amado TONINHO DANTAS, tendo à frente a jornalista Aurora Miranda Leão… boas lembranças e muita saudade…

APLAUSO para CÉLIA HELENA

 

Artista intuitiva e multifacetada, Célia Helena rompeu os preconceitos de seu tempo, dedicou-se às artes cênicas desde a adolescência e entrou para a história como uma grande educadora. “Célia Helena – Uma Atriz Visceral”, título escrito por Nydia Lícia, conta a trajetória da filha de uma família de dez irmãos saída do interior de São Paulo, que se casou três vezes, foi mãe de duas filhas, um dos grandes destaques do teatro brasileiro e inovadora ao criar uma escola com seu nome. O lançamento da Imprensa Oficial, pela Coleção Aplauso, está marcado para a próxima quinta-feira (13), às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Célia Helena – Uma Atriz Visceral

Nydia Lícia

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Coleção Aplauso

“O essencial é identificar-me com a personagem, pois como atriz sou meio bicho, totalmente intuitiva, não adianta querer racionalizar as coisas. Senti, captei, e pronto, interpreto”. As palavras são da atriz Célia Helena, uma das mais elogiadas seu tempo, ao definir a forma como desenvolvia seu trabalho, reconhecido nos palcos e também no ensino das artes cênicas aos jovens. Na essência, ela era Uma atriz visceral, tal qual sugere o perfil descrito pela também atriz e escritora Nydia Lícia na obra da Coleção Aplauso, produzida pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com lançamento marcado para a próxima quinta-feira (13), na livraria Cultura do Conjunto Nacional. Na oportunidade também será lançada a revista Olhares, da Escola Superior de Artes Célia Helena, editada por Luiz Fernando Ramos, crítico de teatro e um dos editores da revista Sala Preta, da Universidade de São Paulo, onde é professor da Escola de Artes e Comunicação.

Uma das dez filhas do casal Octaviano Raymundo Silva e Lygia Camargo Silva, Célia Helena sempre procurou usar a intuição para nortear seus passos como artista. Aos 15 anos decidiu ser atriz, opção nem sempre bem aceita para os padrões da época. O fato incomum de escolher o rumo de sua vida tão cedo denotava uma independência não usual em famílias burguesas nos idos dos anos 50. 

Celinha, como é denominada por Nydia, enfrentou críticas e conselhos contrários à sua escolha. Convicta, mesmo não podendo ser aceita na Escola de Arte Dramática (EAD) pela pouca idade, se inscreveu no Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo com o intuito de aprender a arte de representar.

Começa então a história de uma das mais elogiadas atrizes brasileiras, dona de uma beleza, talento e personalidade inquietantes. Seu legado foi a participação em mais de cem trabalhos, entre peças de teatro – 80 – e produções de TV, cinema e criação de sua escola de ensino de artes cênicas, hoje uma faculdade. 

A pesquisa de Nydia para contar a trajetória da artista contou com várias fontes, tanto do círculo profissional – as peças, programas de TV, filmes no quais participou e os prêmios ganhos -, quanto pessoal da atriz, entre eles depoimentos da filha, Lygia Cortez, fruto do relacionamento de Célia Helena com Raul Cortez. A obra conta com uma homenagem do diretor José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina, escrita em 2008, por ocasião dos 47 anos do Teatro Oficina Uzyna Uzona

Célia Helena conseguiu chamar atenção mesmo com pouco tempo no curso do Centro de Estudos Cinematográficos. A partir daí foi convidada para participar de um filme e não parou mais. Com menos de 20 anos de idade, ela trabalhava de forma intensa em teatro, cinema e TV, inclusive subindo aos palcos às segundas-feiras. Integrante de grandes companhias contracenou desde cedo com diversos nomes tais como Cacilda Becker, Walmor Chagas e Cleyde Yáconis. 

Célia ainda estava casada com o diretor Paulo Afonso Grisolli, durante a excursão do grupo de Cacilda pela Europa, quando conheceu Raul Cortez, posteriormente o seu segundo marido e pai de Lygia Cortez, a primeira filha da atriz. 

Sua trajetória também incluiu o trabalho na inauguração do Teatro Oficina. Com o grupo, em 1963, estreou “Os Pequenos Burgueses”, um dos marcos e um dos maiores sucessos do grupo de teatro dirigido por José Celso. 

Artista já consagrada decide, em 1975, fundar a Célia Helena Produções Artísticas S/C Ltda. Monta espetáculos voltados ao público jovem e, em 27 de junho de 1977, inaugura o Teatro Escola Célia Helena, na Liberdade, região central de São Paulo. Durante a transformação da antiga fábrica de carimbos em teatro, conhece o arquiteto Ruy Ohtake, pai de sua segunda filha, Elisa.

O espaço foi o primeiro a oferecer cursos para crianças, pré-adolescentes e adolescentes, mantidos até os dias atuais. Como as despesas eram grandes, Célia Helena não parou de trabalhar em produções teatrais e de TV. 

Célia Helena morreu em 1997, aos 61 anos, vítima de um câncer raro que ataca as paredes dos Vasos sanguíneos. Atualmente a Escola Superior de Artes Cênicas é administrada por sua filha Ligia. 

A autora 

Atriz, diretora e empresária, Nydia Lícia estreou em 1948 no Grupo de Teatro Experimental, dirigido por Alfredo Mesquita. Pertence ao grupo de fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia, onde permaneceu até 1953. No ano seguinte, em 1954, criou junto com seu marido Sérgio Cardoso a Companhia Nydia Licia-Sérgio Cardoso. Integra a equipe da Escola Superior de Artes Célia Helena. É autora de outros títulos pela coleção Aplauso: “Leonardo Villar – Guerra e Paixão”, “Raul Cortez – Sem Medo de se Expor”, “Rubens de Falco-Um Internacional Ator Brasileiro”, “Sérgio Cardoso-Imagens de Sua Arte” e “Teatro Brasileiro da Comédia-Eu vivi o TBC”.