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Luz nas Trevas: Rogério Sganzerla por Helena Ignez. Em maio, nos cinemas

Apesar de ter morrido eletrocutado, envolto em fios elétricos, ao final de O Bandido da Luz Vermelha, o personagem-título do clássico do cineasta Rogério Sganzerla, ressurge no cinema 40 anos depois.

E outro filme surge: LUZ NAS TREVAS – A Volta do Bandido da Luz Vermelha – continuação do filme de 1968 que revolucionou a linguagem do cinema -,dirigido pela atriz, produtora, cineasta HELENA IGNEZ. Premiado em diversos países e em festivais no Brasil, Helena Ignez gosta de enfatizar que tudo o que está no roteiro é do próprio companheiro, Sganzerla: “Foram mais de mil páginas, lidas e pesquisadas, e não mudei uma vírgula: tudo que está no filme saiu da cabeça de Rogério”. 

A atriz fala com comovente simplicidade. A deferência, cumplicidade, apreço e respeito de quem compartilhou do convívio com um dos cineastas considerados gênios no país é indubitável.

Acontece que Helena Ignez e Rogério Sganzerla, que viveram juntos, amantes e cúmplices por 35 anos, tinham tanto em comum e professavam tanto as mesmas ideias, os mesmos ícones, cores, sabores, e influências, que é quase impossível dissociar o intelecto de um da extrema sensibilidade do outro; a sensível criação de um da absoluta emoção e empatia do outro.

Assim, na modesta opinião desta redatora, Luz nas Trevas tem tanto de Helena Ignez quanto o tem de Rogério Sganzerla. A linha que poderia colocar no ponto o imaginário e a sensibilidade de um e, no outro, o emocional e a energia do segundo, é invisível, indefasável, tênue demais para ser percebida ou definida.

Helena Ignez e Rogério Sganzerla: sintonia que extrapolou o set e virou união da vida inteira …

E isso é provavelmente uma das coisas mais tocantes, profundas e belas da relação Sganzerla x Helena Ignez: onde está um está o outro. Assim, Luz nas Trevas, filme que tem estréia no circuito comercial agendada para o próximo mês de maio, é o roteiro de um na direção do outro; o foco da sensibilidade de um pelo viés do emocional do outro; a energia de um guiando e revelando os passos do outro.

Só isso já seria o bastante para despertar a curiosidade por Luz nas Trevas. Ademais, o filme é uma obra profundamente contemporânea, visualmente ágil, esteticamente colorida (em vários matizes), poeticamente emocionada e emocionante, repleta de grandes reflexões embutidas em pequenas frases, soltas aqui acolá, mas ditas com precisão de ourives, seja por André Guerreiro Lopes, que compõe seu ‘novo bandido’ com garra de veterano, seja por Helena Ignez – que tem a capacidade invejável de tornar interessante, sensível e singular tudo o que faz -, seja pela impressionante performance de Ney Matogrosso, provando ser o magistral intérprete da MPB que é porque carrega n’alma uma carga dramática só presente nos Atores de formação visceral.

Thiago Fogolin/UOL

Jane (Djin Sganzerla) é namorada de Tudo-Ou-Nada (André Guerreiro Lopes)

Não vou contar o filme porque quero que você, leitor amigo e potencial espectador, tenha o direito de ir ver a obra como se fora uma página em branco, onde possa escrever seus sentimentos conforme eles lhe chegarem, deixando-os conduzi-lo pelos caminhos que melhor se ajustarem aos seus padrões.

Mas quero deixar registrado o quanto é magnânimo, vigoroso e de extrema beleza o final ‘preparado’ por esta Pequena Grande Mulher de nossa Sétima Arte, a eterna Musa, querida Diva e colossal Artista que assina pelo nome de HELENA IGNÊZ. 

O bandido da luz vermelha

Helena sobre NEY: ‘um símbolo que quebra tabus, que alarga o comportamento mental’.

Ainda que outros méritos não tivesse, só por seu final antológico, LUZ NAS TREVAS já merece entrar em toda seleção de qualquer festival do mundo, e deve constar, com louvor, em qualquer relação dos grandes filmes da década.

LUZ NAS TREVAS tem o poder avassalador do cinema Sganzerliano e a doçura e delicadeza poética que são marca registrada de HELENA IGNÊZ.

LUZ NAS TREVAS – A Volta do Bandido da Luz Vermelha tem estreia marcada para 4 de maio, no Rio de Janeiro, e dia 11 na capital paulista. 

Vamos ao Cinema ! E vamos logo na primeira semana: no Brasil, o filme que não fizer bilheteria “X” na primeira semana de exibição, é retirado de cartaz.

Portanto, vamos ao cinema e vamos logo na semana de estreia !!! 

Simone Spoladore tem participsção expressiva (foto Gabriel Chiarastelli) 

LUZ NAS TREVAS honra todos os prêmios recebidos, e sua inteligência merece um filme com a marca, a grandeza e a competência desta obra-prima de Sganzerla-Helena e Rogério-Ignez. Um casamento de ideias, reflexões, pensamentos e sentidos que resultou em mais uma obra-prima da Cinematografia SGANZERLA – aqui entendida como uma ‘obra de família’, para a qual colaboram – com vida, sentimentos, força, corpo e alma – Helena Ignez, Sinai e Djin Sganzerla – os dois frutos do lendário casal – e André Guerreiro Lopes, o ator e genro querido, marido de Djin, e grande Artista das linguagens multimídias tão em voga nos dias que correm.  

UMA SÍNTESE SENSORIAL

 
“…quis mostrar também o lado neurótico, incômodo, difícil, da mulher moderna. Pela primeira vez em nosso cinema, uma mulher canta, berra, bate, dança, deda, faz o diabo. Neste filme ela é Marlene Dietrich, co-dirigida por Mack Sennet e José Mojica Marins, isto é, por mim.” (Rogério Sganzerla, sobre Helena Ignez em A Mulher de Todos, seu filme de 1969)
 
Em 2009, na direção de Luz Nas Trevas, Helena Ignez filma diversas mulheres que cantam, berram, batem, dançam, dedam, fazem o diabo. E, ela mesma, está no elenco, no papel de Madame Zero.
 
 
Helena Ignez nos bastidores do filme: dedicação e paixão em tom maior…
 
São muitas as intersecções de Luz Nas Trevas com o primeiro filme, como, por exemplo, o uso de diversas narrações com diferentes pontos-de-vista. O Bandido da Luz Vermelha volta como presidiário, e agora é interpretado por Ney Matogrosso, que dá vida ao personagem imortalizado por Paulo Villaça (1946-1992), no primeiro filme. “Quando Helena me convidou e disse do meu olhar, eu já sabia o que eles queriam”, afirma Ney.
 
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Bruna Lombardi é uma das mulheres fortes de Luz nas Trevas
 
Além dele e de Helena Ignez, o elenco conta com mais de 80 atores, e a participação de diversos figurantes da comunidade de Heliópolis. Estão no trama, André Guerreiro Lopes, Djin Sganzerla, Maria Luísa Mendonça, Sérgio Mamberti, Simone Spoladore, Sandra Corveloni, Bruna Lombardi e Arrigo Barnabé.

Ney Matogrosso é o Bandido da Luz Vermelha (Foto: Gabriel Chiarastelli/Divulgação)
 
Esta não é a estreia de Ney na telona. O cantor, que já atuou num longa-metragem e em dois curtas, admite que aceitou o convite “meio assustado”, mas topou o desafio e diz que chega a se identificar com Luz Vermelha – personagem a um só tempo cruel, engraçado e debochado: “Ele faz crítica social. Ele se diz um Robin Hood dos pobres. O ponto de vista dele é de defesa do povo brasileiro e eu concordo com isso. (…) Ele se refere muito ao terceiro mundo, ao terceiro imundo, ele fala.”Já a personagem de Djin, se chama Jane – tal como a personagem de Helena no  filme de 1968. Helena interpretou a namorada de Luz Vermelha, e, em LUZ NAS TREVAS, Djin é a companheira de Tudo-Ou-Nada, filho do bandido com a personagem da atriz Sandra Corveloni, vencedora da Palma de Ouro de Melhor Atriz em Cannes.“O que se leva dessa vida, é a vida que se leva”. É com essa fala da Jane que a atriz começa a contar um pouco sobre sua personagem, que não têm apenas o nome em comum com a personagem vivida por sua mãe, garante a atriz: “As duas são mulheres fortes. São independentes e não esperam nada do homem, além da satisfação, da alegria do momento presente”. 

 
Djin: desafio e alegria em protagonizar roteiro do pai…
 
Ao mesmo tempo são Janes distintas. Para Djin, a principal diferença entre elas é que a sua personagem gosta do Tudo-Ou-Nada. A Jane do Bandido, porém, tem outra relação: “Ela é uma pistoleira tanto quanto ele. Ela é quem o dedura e se vinga. A minha Jane já não entraria no mundo do crime ao ponto de se incriminar. Por mais que ela seja um pouco selvagem, um pouco louca, ao mesmo tempo ela pensa que ele poderia mudar de vida”.
 
 
O preparo para viver a Jane de Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha foi feito de diversas formas. Djin buscou inspiração em filmes, no trabalho da mãe e, principalmente, em uma fonte interna. “Eu empresto para a personagem uma certa liderança, a determinação e a vontade de viver, mas, ao mesmo tempo, sou diferente de tudo isso. Eu acho que esse é o grande prazer de viver uma personagem que é e não é como eu sou”, afirma a atriz. “A Jane é uma mulher que vive o momento presente. Ela representa o ápice do frescor, da alegria e do amor”, completa. 
 
 
Para DJIN, participar do filme é uma satisfação enorme e ela aponta o roteiro como ponto forte do filme: “É muito original, não convencional na forma de pensar e fazer cinema. É poético e, ao mesmo tempo, anárquico, um roteiro dos tempos atuais, é algo extraordinário”.
 
* Com informações de Silvia Ribeiro (G1, São Paulo), e Danielle Noronha, do UOL

Pizzini revela SGANZERLA e vence É Tudo Verdade…

Recebemos com alegria a notícia de que o filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz venceu o festival É Tudo Verdade.

Este Sganzerla, ao qual o também cineasta e professor Joel Pizzini, nos aproxima, é o lendário Rogério Sganzerla, criador de O Bandido da luz vermelha, um dos mais festejados filmes brasileiros de todos os tempos.

Esperamos conhecer o filme de Joel muito em breve.

Enquanto isso não acontece, deixo com você, leitor amigo, o abalizado comentário do jornalista Luiz Zanin Oricchio, publicado no blog dele do Estadão…

Galáxia Sganzerla, ainda inexplorada

Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz , de Joel Pizzini, é um filme-colagem, ou filme-ensaio sobre este que foi um dos mais importantes realizadores brasileiros.

Rogério Sganzerla, cuja trajetória, durante muito tempo, parecia resumir-se à sua obra-prima, O Bandido da Luz Vermelha, ressurge aqui em toda a sua paradoxal integridade. Paradoxal, porque, no caso de Rogério, teríamos de falar de uma integridade estilhaçada, o que pode parecer uma contradição em termos, mas talvez seja a única forma de se aproximar desse artista genial.

De maneira acertada, Pizzini não tenta uma abordagem linear da trajetória de Sganzerla, mas trabalha sobre núcleos de concentrações dos interesses do cineasta. Tampouco convoca palavra de especialistas sobre a obra do autor ou especula sobre a psicologia do personagem. Trabalha com trechos de filmes do próprio Sganzerla, e também as inúmeras entrevistas que este concedeu ao longo da sua vida. Mr. Sganzerla é um filme de montagem e, em sua feitura, incorpora as ideias do personagem sobre o processo de edição. Poderíamos portanto dizer que não se trata de um filme sobre Sganzerla, mas um filme com Sganzerla.

Das aproximações pelos núcleos de interesse, destaca-se, em primeiro lugar, o fascínio por Orson Welles. Objeto de vários filmes de Sganzerla – inclusive do último, seu testamento, O Signo do Caos, a malfadada, porém muito simbólica passagem de Welles pelo Brasil em 1942 assombra, por assim dizer, toda a obra de Rogério Sganzerla.

Como se sabe, Welles veio ao Brasil em 1942, durante a 2.ª Guerra, como parte da “política da boa vizinhança” do governo americano. Sua missão: filmar o carnaval brasileiro. Só que Welles via muito mais do que isso. Interessou-se pelas favelas e pelo samba, e teve em Grande Otelo e Herivelto Martins seus cicerones na noite carioca. Interessou-se também pela expedição dos jangadeiros cearenses que navegaram de Fortaleza ao Rio para reivindicar direitos trabalhistas a Vargas. Welles quis refazer a chegada dos jangadeiros à Baía de Guanabara e um deles, Jacaré, afogou-se, em acidente pouco esclarecido. Welles jamais se recuperou desse golpe e o filme, chamado It’s All True (É Tudo Verdade), foi interrompido.

Esse episódio marca toda a vida de Orson Welles e o “filme brasileiro”, como ele se referia a It’s All True, restou como trauma, como ele diz em seu depoimento a Peter Bogdanovich. Sganzerla incorpora esse trauma do mestre e o retoma como reflexão sobre a realidade brasileira. Passa a vida escavando esse acontecimento, com suas implicações simbólicas para a cultura brasileira. É o cerne de Mr. Sganzerla, como foi o núcleo duro da obra do próprio diretor.

Em torno dele se organizam outros planetas do imaginário de Sganzerla, como o tropicalismo, a paixão pela música nacional e Oswald de Andrade. Nossos telescópios críticos ainda investigam essa galáxia de modo muito distante.

O Bandido da Luz Vermelha leva Helena Ignez a Roterdã: atriz será homenageada num dos principais festivais do mundo

O professor Gabe Klinger, radicado nos States desde criança,  é um dos curadores, ao lado do holandês Gerwin Tamsma, da mostra A Boca do Lixo, uma seção especial do Festival de Roterdã, a ser aberto semana que vem na Holanda, e prosseguindo até 5 de fevereiro.

Um dos principais do mundo, o festival vai homenagear o cinema marginal produzido em São Paulo entre o fim dos anos 1960 e meados dos 1980. Serão exibidos 16 filmes, de títulos sugestivos como “Fuk fuk à brasileira”, de Jean Garret; “Orgia ou o homem que deu cria”, de João Silvério Trevisan; “Oh! Rebuceteio”, de Cláudio Cunha; e, claro, “Senta no meu, que eu entro na tua”, de Ody Fraga —todos agora enxergados como cult no exterior, mas praticamente ignorados em seu país de origem, o Brasil.

A Boca do Lixo era o termo utilizado para se referir a uma região no centro da cidade de São Paulo onde funcionavam produtoras, distribuidoras e empresas de equipamento cinematográfico, mais ou menos no local que hoje é chamado de Cracolândia. Seus filmes nunca tiveram uma temática única, mas foram associados aos movimentos do Cinema Marginal e da Pornochanchada.

Só que, no cinema produzido na Boca, foram feitos faroestes, melodramas, kung-fus, comédias eróticas e qualquer outro tipo de obra de baixo orçamento com caráter popular. Seu principal cinema era o Cine Marabá, uma sala bonitona que servia como palco para a estreia dos filmes daquela turma.

— O que a gente ganhava num filme, gastava no próximo, sempre procurando melhorar o nível artístico e profissional — afirma Cláudio Cunha, diretor de “Oh! Rebuceteio” e “Snuff, víimas do prazer” (ambos incluíos na mostra de Roterdã, que vai viajar para o festival holandês) .  Além de Cunha, destacaram-se diretores como Walter Hugo Khouri, Carlos Reichenbach, Ozualdo Candeias, Ody Fraga, Rogério Sganzerla, David Cardoso e José Mojica Marins.

Uns faziam filmes de vanguarda; alguns, aventuras comerciais; outros, comédias eróicas. Na lista do Festival de Roterdã estão “A margem”, de Candeias; “O império do desejo”, de Reichenbach; “O despertar da besta”, de Mojica; e “O Bandido da Luz Vermelha”, de Sganzerla.

Obra-prima de Sganzerla, O Bandido desperta cada vez mais a atenção do mundo…

A Cinemateca Brasileira ajudou na restauração de algumas das cópias.A maioria dos filmes nunca havia sido legendada antes, e um dos trabalhos mais áduos da equipe da mostra foi traduzir alguns dos tíulos selecionados. “Fuk fuk àbrasileira”, por exemplo, virou “Fuk fuk Brazilian style”. Já no caso de “Oh! Rebuceteio”, nã foi encontrada uma tradução apropriada.

—O cinema da Boca do Lixo é uma alternativa interessante ao Cinema Novo porque tem mais a ver com a realidade urbana contemporânea do brasileiro —explica Klinger. —A primeira ideia de Roterdã era fazer uma mostra sobre o sexo no cinema brasileiro. Mas aí percebemos que o recorte de filmes da Boca do Lixo era mais interessante, com mais a se debater. Há obras que exploram o sexo, e outras que mostram a realidade mais triste do brasileiro.  Além disso, é uma maneira de exibir São Paulo no exterior. A imagem mais comum que se tem do brasileiro internacionalmente é a do Rio, nunca a de São Paulo. O curioso quanto ao cinema da Boca do Lixo é que sua incessante busca pelo sucesso foi também a responsável por seu fim —e ainda serve de explicação para o preconceito existente hoje contra parte daqueles filmes. Durante os anos 1970, alguns de seus cineastas passaram a optar por incluir cenas de sexo explícito, principalmente após “O Impéio dos sentidos”, do japonês Nagisa Oshima, ter recebido autorização para chegar à telas brasileiras a partir de uma medida judicial. Por conta do polêmico filme japonês, os diretores da Boca descobriram o caminho do sexo e das medidas judiciais. E conseguiram exibir seus filmes com toda a sacanagem que pudessem imaginar.

A intenção era atrair cada vez mais púlico. Mas também afastou as famíias das salas e fez com que o cinema brasileiro ficasse marcado pelos anos seguintes como um cinema baixo, sujo e apelativo.

—A censura atacava por um lado, e a banda podre da mídia, por outro. Chamavam todos os nossos filmes de “porno” alguma coisa. Era pornodrama, pornocomédia, pornochanchada ou pornoterror. Eu fiz o “Sábado alucinante”e chamaram de pornodiscoteca —lembra Cládio Cunha. —Foi isso que acabou com o nosso cinema. Nó deixávamos os departamentos de censura com os filmes retalhados e depois enfrentávamos uma mídia que nos tratava como marginais.

Agora, após a homenagem em Roterdã, essa história pode ser revista. Gabe Klinger pretende aproveitar as novas cópias dos filmes e levar a mostra para outros cantos do mundo, sobretudo para o Brasil. Seria uma maneira de resgatar um gênero que foi taxado com vários nomes pejorativos. Mas que, sobretudo, deveria ser lembrado como uma importante escola do cinema brasileiro.

* Reportagem de André Miranda, do Globo

Volta do Bandido da Luz Vermelha Dá Prêmio ao Brasil

 

 
"Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha"

 Luz nas Trevas recebeu o troféu Boccalino D’Oro dado pela crítica independente. O filme era o único representante latino na 63ª edição do Festival Internacional de Cinema Locarno, na Itália

A produção, ainda não lançada no Brasil, acompanha a trajetória de Luz Vermelha e seu filho Jorge Bronze, conhecido como Tudo-ou-Nada.

Trata-se de uma continuação do filme de 1968 do cineasta Rogério Sganzerla sobre as aventuras do Bandido da Luz Vermelha, que assaltava casas de ricos paulistanos e foi transformado em ícone pela imprensa. No elenco, Ney Matogrosso em seu primeiro papel principal e a filha de Helena Ignêz e Sganzerla, Djin.

Desta vez, além de dirigir, Helena vive outra personagem importante, Madame Zero. Sergio Mamberti, que fazia um taxista no filme original, aqui interpreta outro marginal, Nenê Jr. E o delegado Cabeção é vivido pelo músico Arrigo Barnabé.