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Festa da Academia de Cinema é AMANHÃ

Amanhã, 8 de junho, acontece a esperada festa de entrega do grande prêmio da Academia Brasileira  de Cinema.

Os HOMENAGEADOS deste ano são Anselmo Duarte (ator e produtor que deu ao Brasil a Palma de Ouro em 1962 com o filme O Pagador de Promessas, a partir da peça teatral de Dias Gomes) e ALICE GONZAGA, que receberá a estatueta em reconhecimento ao louvável trabalho que faz à frente da CINÉDIA.

A festa da Academia Brasileira de Cinema terá como cenário o Teatro João Caetano, localizado na praça Tiradentes, centro do Rio, e será transmitida ao vivo pelo Canal Brasil ( 66), com início às 21h.

Veja a lista de filmes que concorrem aos prêmios da Academia. Você também pode votar no seu preferido. Basta acessar http://telecine.globo.com/academiabrasileiradecinema/

* Saiba mais sobre ALICE GONZAGA:

Escritora, pesquisadora, produtora, diretora e empresária do ramo cinematográfico, Alice Gonzaga é filha de Adhemar Gonzaga, fundador da CINÉDIA que durante as décadas de 30 e 40 foi uma das principais produtoras do país, responsável por um dos maiores sucessos de público do cinema brasileiro, o melodrama O Ébrio (1946), de Gilda de Abreu.

Lábios sem Beijos, um dos clássicos da CINÉDIA

À frente da CINÉDIA, Alice Gonzaga desenvolve um importante trabalho de preservação e recuperação de clássicos da empresa, como Lábios sem Beijos (1930), de Humberto Mauro, e Alô. Alô. Carnaval! (1936), de Adhemar Gonzaga. Entre as numerosas realizações do estúdio estão 60 longas, 250 documentários, 700 cinejornais, como Mulher (1931), de Octávio Gabus Mendes, Ganga Bruta (1931/32), de Humberto Mauro, Bonequinha de Seda (1936), de Oduvaldo Vianna, Romance Proibido (1944), de Adhemar Gonzaga, 24 horas de Sonho (1941), de Chianca de Garcia, Anjo do Lodo (1950), de Luiz de Barros, obras fundamentais da cinematografia brasileira.

Cena de Alô, Alô Carnaval, clássico da CINÉDIA, com as irmãs Carmen e Aurora Miranda sob direção de Adhemar Gonzaga

Alice Gonzaga dirigiu os curtas-metragens Memórias do Carnaval, premiado no Festival de Brasília, e Folia. Publicou os livros 50 anos de Cinédia, Gonzaga por ele mesmo e Palácios e Poeiras – 100 anos de cinemas no Rio de Janeiro, a mais completa pesquisa sobre a história da exibição de cinema na cidade. Como presidente do Instituto para Preservação da Memória do Cinema Brasileiro, Alice Gonzaga desenvolve ações e projetos em prol da conservação de filmes e documentos relativos a atividade cinematográfica no país.

Alice Gonzaga recebe amanhã o Prêmio ACADEMIA BRASILEIRA DE CINEMA pelos relevantes serviços prestados à cultura cinematográfica brasileira

CINÉDIA VAI EXIBIR CLÁSSICOS RESTAURADOS

Dois clássicos do cinema brasileiro serão exibidos na Cinemateca do MAM nas próximas quinta e sexta, diasos dias 20 e 21 de maio com única apresentação: Berlim na Batucada (1944), de Luiz de Barros, e Bonequinha de Seda (1936), de Oduvaldo Vianna.

Ambos acabam de ter sua restauração concluída pela Cinédia com patrocínio da Petrobras. O processo de recuperação dos filmes foi uma iniciativa de Alice Gonzaga e contou com a coordenação do pesquisador e conservador-chefe da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner  

Logo após a sessão do dia 20, quinta-feira, Alice e Hernani vão conversar com o público sobre o processo de restauração e sobre a importância dos filmes. 

Berlim da Batucada e Bonequinha de Seda são clássicos do início do cinema sonoro no Brasil e obras representativas da comédia musical antecessora da chanchada.  

Estes dois filmes permitem um redimensionamento histórico do cinema praticado no período devido à abordagem incomum de temas como as relações entre as classes sociais e o colonialismo cultural. Berlim ainda satiriza a passagem de Orson Welles pelo Brasil. 

Obs1: Bonequinha de Seda é estrelado por Gilda de Abreu (diretora do filme O Ébrio) e foi a primeira superprodução brasileira no cinema. Trouxe uma série de inovações técnicas para o cinema da época: ela primeira vez usou-se maquete no cenário, grua durante as filmagens, entre outras.
 
Obs2: Berlim na Batucada é uma sátira a passagem de Orson Welles pelo Brasil e tem participação de Francisco Alves e do Trio de Ouro, com Dalva e Herivelto cantando.
 

BERLIM NA BATUCADA – 1944 – Brasil / Rio de Janeiro – 75 minutos – Comédia – Preto e branco 

Direção: Luiz de Barros

Companhia produtora: Cinédia

Companhia distribuidora: Cinédia

Produção e roteiro: Adhemar Gonzaga

Assistente de direção: Jurandyr Noronha

Argumento: Herivelto Martins

Fotografia: A.P. Castro

Som: Ludovico Berendt

Montagem: W. A. Costa

Estúdios e Laboratórios: Cinédia 

Intérpretes: Procópio Ferreira, Delorges Caminha, Chocolate, Francisco Alves, Solange França, Leo Albano, Luizinha Carvalho, Manoel Rocha, Carlos Barbosa e Pedro Dias.  

Intérpretes musicais: Leo Albano, Francisco Alves; Trigêmios Vocalistas; Trio de Ouro; Chocolate e Flora Mattos; Índios Tabajaras; Edu da gaita; Príncipe Maluco; Arranjos e orquestras de Morpheu Belluomini; orquestras de Napoleão Tavares e Benedito Lacerda.   

Sinopse:

Recém-chegado ao Brasil, cineasta norte-americano é levado por um malandro boa praça para a Mangueira onde descobre a música e a dança do samba. Encantado com os talentos locais, decide levá-los para Hollywood, enfrentando a resistência do dono do morro. Paródia da passagem de Orson Welles pelo Brasil em 1942 quando realizou o inacabado It’s All True. 

BONEQUINHA DE SEDA – 1936 – Brasil / Rio de Janeiro – 115 minutos – Drama – Preto e branco 

Direção, argumento e diálogos: Oduvaldo Vianna.

Companhia produtora: Cinédia

Fotografia: Edgar Brasil

Som Cinédia: A. P. Castro

Cenografia: Hippolito Collomb

Diretores artísticos: Murilo Lopes e Manoel Rocha

Montagens: Luciano Trigo

Cartaz: Alcebíades Monteiro Filho (o primeiro feito no gênero para filme brasileiro, com 24 folhas). 

Intérpretes: Gilda de Abreu, Delorges Caminha, Conchita de Moraes, Déa Selva, Wilson Porto, Darcy Cazarré, Mira Magrassi, Apollo Correia, Manoel Rocha, Maria, Carlos Barbosa, Lúcia Delor, Miran D’Alves, Marilu Ramalho , Elza Leitão, Dedé Santana, Zenaide Andrea, Nilza Magrassi, Maria Amaro, Julieta Collomb, Manoel Ferreira de Araújo, Antonieta Olga, Castelar Carvalho, Alice Gonzaga , Didi Vianna, Monteiro Filho e Joaquim Ribeiro, Paulo Morano, Adhemar Gonzaga. 

Intérpretes musicais: Gilda de Abreu; Nerbal Fontes; Augusto Henriques, acompanhado ao violão por Rogério Guimarães; Francisco Mignone (que aparece no filme regendo a orquestra); Harpista: Andrea Ajara Mariuza; português cantor de fados: Joaquim Pimentel. 

Sinopse: Marilda e o irmão vão até o escritório do esnobe João Siqueira pedir a prorrogação do prazo de pagamento do aluguel da casa onde moram e conseguem apenas 20 dias. Humilhada pelo tratamento que recebeu, Marilda conhece Madame Valle que decide ajudá-la e ensina-lhe a se portar como uma jovem de sociedade, como uma francesa educada em Paris e chegada há pouco da Europa. A estreia da moça na alta sociedade faz enorme sucesso. Marilda é apresentada a João que fica perdidamente apaixonado por ela. Por algum tempo, Marilda vive uma vida dupla mas no final acaba revelando sua verdadeira identidade, esperando que João se afaste dela. No entanto, ele se redime de seus preconceitos e termina ao lado de Marilda. 

Cinemateca do MAM 

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo.

Telefone: (21) 2240-4944

Dia 20/05: Berlim na Batucada

Dia 21/05: Bonequinha de Seda

Horário: 18h30

Entrada franca

Mídia Reverencia 80 da CINÉDIA

Produtora de clássicos da cinematografia nacional e responsável pelo início da industrialização do setor no país, a Cinédia completa, a 15 de março, 80 anos de inestimáveis serviços prestados à SÉTIMA ARTE. Hoje voltada para a preservação da memória deste importante capítulo que escreveu na história do cinema brasileiro, a empresa comemora o iminente lançamento de cópias restauradas de sete longas filmados entre 1936 e 1950, entre outras novidades.

O ÉBRIO, maior sucesso de bilheteria da Cinédia, é uma das grandes atrações do acervo da companhia carioca

Dois estão entre os mais conhecidos produzidos nos estúdios de São Cristóvão, no Rio: Bonequinha  de Seda (1936), de Oduvaldo Vianna, e Berlim na Batucada (1944), de Luiz de Barros. Considerada a primeira superprodução nacional e um dos filmes mais importantes de sua década, Bonequinha inaugurou uma série de inovações como o uso da grua e de maquetes. Nele, a jovem Marilda (Gilda de Abreu, convidada após a recusa de Carmem Miranda), supostamente recém-chegada de Paris, é apresentada à sociedade carioca, que se rende à finesse da moça sem saber que ela jamais estivera na Europa. Berlim também traz uma crítica bem-humorada ao debochar das potências envolvidas na Segunda Guerra Mundial, que prejudicou a produção cinematográfica também por aqui. Estrelam a película Procópio Ferreira, Francisco Alves e o Trio de Ouro, formado por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas.

Bonequinha ficou apenas cinco semanas em cartaz no Cine Palácio e saiu por imposição de estúdios estrangeiros. Já “Berlim” é um musical belíssimo que traz o Francisco Alves como o malandro Zé Carioca”, conta Alice Gonzaga, presidente do Instituto para a Preservação da Memória do Cinema Brasileiro, diretora da Cinédia e filha de seu fundador, o jornalista Adhemar Gonzaga.

Os outros cinco filmes – “Obrigado, Doutor” (1948), “Estou Aí?” (1949), “Poeira de Estrelas” (1948), “Dominó Negro” (1950) e “A Inconveniência de Ser Esposa” (1950) – resgatam a valiosa contribuição como diretor e produtor de Moacyr Fenelon, um dos fundadores da famosa Atlântida Cinematográfica, conhecido como também pelo trabalho de sonorização de filmes como Alô, Alô, Carnaval ! (1936), de Adhemar Gonzaga. Em agosto, as películas farão parte de mostra que homenageará o profissional no Instituto Moreira Salles.

O trabalho de restauração, iniciado há cerca de dois anos, está em fase de finalização e deve se encerrar nos próximos meses. As sete cópias poderão ser lançadas também em DVD e Blue-Ray. Elas se juntarão aos outros 17 longas já recuperados (a Cinédia produziu 55 entre 1930 e 1952) que serão exibidos em inúmeros festivais pelo país. Entre eles, o maior sucesso da produtora, “O Ébrio” (1946), de Gilda de Abreu, uma das maiores bilheterias do cinema nacional até hoje.

Os planos não param por aí. Em abril, a Cinédia começará a oferecer cursos sobre cinema e palestras, dando início ao projeto de transformar em centro cultural o casarão em que funciona hoje, em Santa Teresa.

Este ano, a CINÉDIA deve dar o pontapé na digitalização de aproximadamente 90 mil documentos de seu acervo. São fotos, roteiros originais e diários de filmagem, entre outros, reunidos desde o início do século por Adhemar e Alice.