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CARPINEJAR e o sapato para colocar lembranças na lareira no Natal

São milhares de leitores, que crescem a cada nova postagem, e, portanto, a cada dia: CARPINEJAR escreve diariamente, chegando a um total de 9 crônicas por semana, sem contar os twittes, os posts no Instagram, as participações no rádio e na TV.

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Somos ABOLUTAMENTE ENCANTADOS com o Poeta, o mais fabuloso ícone da Literatura Gaúcha Contemporânea.

Mais uma vez. não deu pra resistir: lendo a crônica desta terça do Poeta no jornal Zero Hora, um arrepio emocionado apoderou-se de nós, ao passar de cada oração. CARPINEJAR extrapola no seu direito de ser Poeta ! Exacerba no seu Dom de Encantar ! Só a Sabedoria Infinita para conseguir explicar tanta Sensibilidade, Empatia, Inteligência e Beleza reunidas numa única pessoa, embora esta pessoa seja a tradução de um verdadeiro coletivo:

CARPI é jornalista, Escritor, Poeta, Cronista, Apresentador de TV, professor, palestrante, letrista, enfim, CARPI não existe em versão principiante: ele é MULTIFÁRIO !

O incansável e retumbante #AplausoBlogAuroradeCinema para FABRÍCIO CARPINEJAR !

O SAPATO DA FILHA

* Fabrício Carpinejar

Só agora, depois de dois anos da tragédia de Santa Maria, após a perícia e a investigação policial, os familiares podem reaver os pertences de seus anjos da noite infernal de 27 de janeiro de 2013 na boate Kiss.

Não resisti em chorar – eu que tenho uma filha de 20 anos –, quando vi na televisão que um dos pais dos 242 mortos estava procurando o sapato que faltava de sua adolescente.

– Preciso achar!

Sua filha foi puxada dos escombros e do incêndio com o pé direito descalço. Aquele pai desesperado e angustiado com a perda irreparável está obcecado em vestir pela última vez sua menina.

Aquele pai sabe o que significa o sapato para uma mulher. Sabe o quanto a filha escolheu o sapato para a balada. Sabe o quanto brigou pelo sapato, dizendo que era caro mas iria durar. Sabe o quanto ela não tiraria o sapato por nenhum motivo, para não sacrificar o charme e a elegância durante a festa.

Aquele pai encarna o conto de Cinderela ao avesso. Pretende calçar a filha para reaver a paz em si.

É o mesmo sapato de crochê que botou em seu bebê assim que nasceu. É o mesmo sapato que ensinou a amarrar quando ela tinha sete anos. É o mesmo sapato que ele pisou, desajeitado, quando dançava a valsa de debutante de sua jovem. É o mesmo sapato com que comemoraram a entrada na faculdade.

O sapato é, neste momento, todos os sapatos da vida de sua filha. O sapato que restou. O sapato sobrevivente. O sapato do qual ele nunca esquecerá o número. O sapato último, definitivo, que não poderá ser substituído por mais nenhum aniversário.

O sapato que vai equilibrá-lo no pesadelo, na oração, na dor. O sapato para colocar lembranças na lareira no Natal.

O sapato viúvo dos amores que ela não teve, órfão dos pais que ficaram.

O sapato que é uma forma enlouquecida do pai de continuar caminhando com sua filha.

O sapato sem estrada, sem futuro, andando de volta ao passado.

O sapato envernizado, de couro, ainda novo, arrancado precocemente de sua dona.

O sapato que daria para muitos verões, milhares de sóis, infinitas ladeiras.

O sapato que não se gastou, mais longevo que o destino de uma adolescente.


O sapato que é a possibilidade de segurar o chão de sua filha por mais um instante, de oferecer chão para sua filha.

O par não terminará incompleto, apesar da enorme injustiça no coração.

Entre uma montanha de bonés, colares, alianças, celulares e identidades, o pai tentará reconhecer o sapato de sua filha. E levar para casa algo salvo daquela noite.

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4, 09/12/2014
Porto Alegre (RS), Edição N°18008

Carpinejar em sua versão para crianças: LULU

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Amanhã é dia de encontrar o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar na Livraria Saraiva Moinhos Shopping, em Porto Alegre.
O Poeta, multifacetado e imparável, estará lançando mais um carrossel de seus adoráveis poemas. E um DETALHE IMPORTANTE: a renda com a venda dos livros “Lulu” será destinada à Kinder – Centro de Integração da Criança Especial, que atende crianças com deficiências múltiplas.

A poesia é a linguagem de todos os sentidos, a única que produz sentido para o coração. Descubra a história da menina Lulu, que perde gradativamente a audição, mas ganha a leitura do mundo de modo intenso e inesquecível, amparada pelos olhos curiosos de sua mãe.

O lançamento será no horário das 15:30 – 16:30h. Se vocêestá em Porto Alegre, não deixe de comparecer: é uma chance maravilhosa para ajudar crianças que necessitam e para conhecer ou encontrar o magistral poeta FABRÍCIO CARPINEJAR !

Carpinejar e sua antológica ORAÇÃO DA SAUDADE

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Amigos e leitores já sabem: o #BlogAuroradeCinema é fã incondicional do Poeta, Cronista, Jornalista, Escritor, e Multimídia Fabrício CARPINEJAR.

Lemos diariamente o que o Poeta escreve. Acompanhamos suas passagens pelo rádio, TV e nas muitas mídias onde distribui seu farto arsenal de sensibilidade, talento, perspicácia, bom humor, e inteligência exacerbada.

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Com enorme frequência, as crônicas poéticas do Mestre Carpi nos deixam sem fala, suspendem o fôlego, curam feridas, relembram saudades, aquecem ternuras, consolidam escolhas, desarrumam conceitos, aceleram o coração, mobilizam afeições, concretizam ideias, impregnando o ar de beleza, ternura, acuidade, generosidade, gentileza e extremada capacidade de emocionar. Por isso, este #BlogAuroradeCinema já reproduziu várias crônicas do Poeta, e hoje, mais uma vez, voltamos a fazer isso.

Porque CARPINEJAR assina hoje uma das mais belas e emocionantes crônicas já escritas no mundo, o que nos leva a afirmar, sem medo de errar, que CARPINEJAR é o mais importante cronista contemporâneo do Brasil ! O que ele escreve é de tal modo tocante, profundo, arrebatador, que é impossível não se comover, não se emocionar, não empatizar imediatamente.

Não queremos usar da argumentação definitiva ao afirmar ser esta de hoje a mais impactante de suas crônicas – seria arriscado demais fazer tal afirmação sobre a obra de alguém que vive a ultrapassar seus próprios recordes, constantemente. Mas ORAÇÃO DA SAUDADE é, sem dúvida, uma das crônicas que terá a mais estrondosa repercussão entre seus milhares de leitores, sendo ANTOLÓGICA entre sua vastíssima produção que aborda um tema de interesse geral, e somente a partir de um SENTIMENTO, e não de um fato – como aconteceu no caso da tragédia de Santa Maria e da morte do menino Bernardo (essas de intensa e extrema repercussão até entre os que não são leitores assíduos do Poeta). Assim, esta crônica de Carpinejar que hoje reproduzimos aqui no #BlogAuroradeCinema é já um clássico, comparável à imortal poesia de Vínicius de Moraes – EU SEI QUE VOU TE AMAR.

ORAÇÃO DA  SAUDADE é um Diamante 36 quilates na obra de CARPINEJAR. A mais forte e lindamente comovente crônica do Poeta, encharcada de todas as sutilezas imagináveis e necessárias a quem, como ele, tem o dom de ENCANTAR ! ORAÇÃO DA SAUDADE é de uma empatia irretocável !

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Por isso, fazemos questão de republicá-la aqui com a mais sincera e emocionada reverência ao notável Poeta Gaúcho de Caxias do Sul. Fica como presente do #BlogAuroradeCinema pela passagem deste 5 de novembro – Dia Nacional da Cultura – a você, leitor amigo, que cotidianamente, nos dá o prazer de sua companhia.

Deus bendiga e abençoe, cada vez mais, este Poeta que abusa do direito de ser Soberbo ! 

Sua Bênção, CARPINEJAR !!!

ORAÇÃO DA SAUDADE

Ah poderosa saudade que vem de madrugada enquanto todos estão dormindo.

Ah poderosa saudade que sonha de tarde enquanto todos estão trabalhando.

Ah poderosa saudade, noite com sol, estrelas em céu de meio-dia, não gostaria de tê-la, não gostaria de sofrê-la.

Ah poderosa saudade que ora é lembrança de alguém indo embora, ora é pressentimento de alguém voltando.

Ah poderosa saudade, que mistura os sentimentos e não nos dá entendimento.

Ah poderosa saudade, que é suspiro e falta de ar, que é formigamento e pontada no peito.

Ah poderosa saudade, afrodisíaco de um veneno, queda e voo, medo corajoso. Já não sei se espero em silêncio, já não sei se grito em desespero. Já não sei se escuto a voz dela vindo ou se a voz dela nunca saiu de meus ouvidos.

Ah poderosa e enganadora saudade, que converte implicâncias em sortilégios, que transforma falhas em virtudes, que unifica diferenças inconciliáveis de temperamento.

Ah poderosa saudade que se assemelha ao amor, mas pode ser carência.

Ah poderosa saudade que se aproxima da fé, mas pode ser miragem.

Ah poderosa saudade, que pede desculpa e não perdoa, que agrada agredindo, que conforta perturbando.

Ah poderosa saudade, que me tortura recordando alegrias, que me humilha com sua humildade, que me arrebenta com sua suavidade.

Ah poderosa saudade, essa alma de dois num só corpo, esse lençol de solteiro em cama de casal.

Ah poderosa saudade, que só se agiganta com a distância, que só aumenta com a ausência, que é uma indigência dentro de casa.

Ah poderosa saudade, esta reza sem paraíso, este esforço de imaginação para manter a memória.

Ah poderosa saudade, que me leva para longe mesmo quando estou parado, que me faz caminhar sem jamais pisar no chão, é o chão que se move e me carrega na escada rolante das palavras.

Ah poderosa saudade, é o cheiro dela em meu corpo, é o cabelo dela pelas roupas, é a boca dela em meu gosto.

Ah poderosa saudade, indestrutível saudade, que é imunidade e vulnerabilidade, que é transgressão e obediência, que é súplica e consolação.

Ah poderosa saudade, que brinca falando sério, que destrói rindo, que reconstrói chorando.

Ah poderosa saudade, contramão de nossa vontade, que joga lembranças boas quando estamos desistindo, que sopra lembranças ruins quando estamos resistindo.

Ah poderosa saudade, que parece me abençoar e maldizer ao mesmo tempo.

Ah poderosa saudade, violência do frio no quente, choque do quente no frio.

Ah poderosa saudade, tristeza cheia de esperança, alegria já terminando.

Ah poderosa, infernal saudade, impossível de matar, que volta toda vez mais forte quando sou assassinado de novo pelo sorriso dela.

* Crônica publicada originalmente no Jornal O GLOBO, edição de 5 de novembro de 2014.

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A Poesia celebra CARPINEJAR: Parabéns, Poeta !

O mais festejado poeta e cronista gaúcho, FABRÍCIO CARPINEJAR é o Aniversariante desta quinta, 23 de outubro de 2014…

Saravá, Carpinejar !

Ele aniversaria justo no primeiro dia em que o signo de Escorpião adentra outubro. Do alto de seu bom humor, assevera ser hoje o único dia em que lhe é permitido ser chato.

E nós, assumidos fãs e leitores cotidianos do Poeta, afirmamos: só há dois tipos de pessoas que não gostam de CARPINEJAR, as doentes e as invejosas !

Para as doentes (de insensibilidade, loucura, burrice, egocentrismo, cegueira mental), há o consolo de um tratamento. Aos invejosos, resta fechar os olhos para a presença intensa, constante e sempre bem vinda do Poeta em jornais, revistas, blogs, páginas do Facebook, televisão, rádio, palestras, seminários, lançamentos de livros e múltiplas ocorrências na web, ou então colocar a violinha no saco.

FABRÍCIO CARPINEJAR é daqueles escritores que não precisam mais do que uma leitura para ganhar o leitor ! Foi assim comigo, quando corria o ano de 2007. Provavelmente, é assim com trocentos outros leitores de todas as partes do país, das mais variadas classes sociais e faixas etárias. Depois que li a primeira crônica do Poeta, nunca mais parei de lê-lo. E a cada novo texto, uma nova surpresa diante de palavras tão sensíveis e inteligência tão acurada, um encantamento maior, uma gratidão inesperada com aquele jeito de escrever de quem adivinha o que vai no coração do outro.

Seja em crônicas, em poemas, em entrevistas, em participações na televisão e no rádio, ministrando cursos, palestras e seminários, CARPINEJAR é sempre uma atração, onde quer que esteja, fazendo qualquer dos ofícios que realiza com a maior dedicação e habilidade, nos quais sempre reluz o brilho de sua inteligência, a força de sua ousadia, a sensibilidade extremada de sua alma repleta de infância e bom humor, uma generosidade intrínseca e um bom-caratismo indisfarçável. Não à toa, possui uma rede de amigos imensa, no qual todos não se cansam de louvar as muitas ( e raras) qualidades do Poeta. E ele retribui da mesma forma, sem medo nem vergonha de assumir que Ama os Amigos, e quem quiser que pense que ele é homossexual. Aliás, Fabrício diz que gosta que pensem que ele é gay, como você pode conferir em crônica publicada ao final deste post.

Como bem diz o escritor Julio Daio Borges, “Carpinejar é um poeta de gênio que, além de tudo, é um ‘gentleman’ (se Nélson Rodrigues estivesse vivo, o chamaria de – o mais inglês dos ingleses -, e talvez até Antonio Callado perdesse na comparação.)”

Ou como afirmou o saudoso jornalista Daniel Piza em artigo no jornal O Estado de São Paulo, de novembro de 2003: “Carpinejar é o melhor poeta de sua geração. […] Poeta bom é o que nos deixa versos na mente, latejando durante dias”.

Carpi e Diana Corso 20 out 14

Registro do lançamento do livro novo do Poeta – CURINGA -, dia 20 de outubro em Porto Alegre: Carpinejar (com a alegria contagiante de seu sorriso) recebe o abraço carinhoso da cronista Diana Corso…

Quem acompanha esta redatora, cotidianamente, em nossa página do Facebook – ou na página do Blog no Face – sabe de nossa declarada sintonia com Carpinejar. Diariamente, postamos textos e frases de Carpi em nossos espaços na web. Afinal, o Poeta tem presença diária no twitter, no rádio, e em programa de TV da emissora gaúcha RBS, além de escrever semanalmente 9 crônicas, e participar, a cada quinze dias, do programa #encontro, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes.

Dito isso, só temos a desejar que mais e mais pessoas sigam os passos do Poeta, que é dos mais relevantes e notáveis escritores deste país. CARPINEJAR tem um dom raro: é ENCANTATÓRIO ! Este sim nos representa e nos faz ter muito orgulho de sermos Brasileiros !

São 26 livros publicados, com edições também em Portugal, e diversos prêmios literários, uma legião de fãs e seguidores em todos os espaços onde a poética de CARPI se faz presente. Esta semana, ele lançou mais um título, o livro CURINGA, reunião de suas crônicas matinais na Rádio Gaúcha, lançamento da Arquipélago Editorial.

E hoje, 23 de outubro, quando o Poeta chega a seus iluminados 42 anos de vida, queremos enviar-lhe uma avalanche de aplausos e os melhores votos de muita Saúde, PAZ, LUZ, Amor, Prosperidade e muitas Vitórias ! Que venham mais e mais aniversários com o Poeta sempre a nos brindar com a força de sua Inteligência, a intensidade de seu carisma, o charme do seu bom humor, e a beleza contagiante de sua alma – altruísta, generosa, sensível, e libertariamente transgressora !

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O poeta Carpinejar e a jornalista Aurora Miranda Leão em encontro em Sampa…

Saravá, CARPI ! FELICIDADESSSSSSSSSSSSS, hoje e sempre !

E para rebater os que dizem que o cronista é machista, que é isso e aquilo, o #BlogAuroradeCinema aproveita o aniversário do POETA e reproduz três crônicas antológicas de Carpinejar: uma ode às mulheres, uma magistral defesa do homossexualismo, e o tipo de ‘homem perfeito’ para a mulher. Confira:

SOZINHA!, NÃO SOLITÁRIA

Mulher não é reboque, não é complemento. Mulher é inteira mesmo que esteja ausente. Mulher não precisa de outro para afirmar que é ela.

Fui jantar sozinha, para acompanhar a refeição de um chef italiano. Meu marido não veio porque cuidava de nosso filho pequeno no hotel. Jantar chique, meia-luz, a suspeita começou na entrada. Ao procurar meu nome na lista, a jovem perguntou: – Espera alguém?
– Não, não espero ninguém.

– Vieste sozinha?
– Vim, algum problema?

Eu era o problema. Uma mulher sozinha sempre é um problema para o equilíbrio ecológico, uma ameaça à cadeia evolutiva da noite.

A dificuldade foi escolher uma mesa. A dificuldade mesmo foi andar pelas mesas com os convidados me olhando. Eles não me olhavam, eu me sentia olhada, esperava o olhar deles por antecipação e não conseguia responder a tempo. A maioria ficou sem retorno.

Sentei de canto. E percebi que não tinha muito assunto comigo. Fazia anos que não puxava assunto comigo. Minha conversa é monogâmica, meus pensamentos são solteiros.

Os homens não podem enxergar uma mulher sozinha que já querem seduzi-la. As mulheres não podem enxergar uma mulher sozinha que já ficam com pena.

Homens iniciavam gracejos que caberiam para qualquer uma. Qualquer uma é a mãe deles. Sei o que é uma cantada pela falta de criatividade. Homem pode vir sozinho que não é estranho, você reparou ? É escolha, independência. Mulher sozinha é ausência de opção e incompetência, não conseguiu trazer sequer um homem junto.

Concluo que passei a noite me defendendo. Mulheres apontavam para aquela morena alta, que estava destoando entre dezenas de casais. Procuravam me entender, como se dependesse de compreensão. Estava caçando ? Sim, caçando o cordeiro no meu prato, que não mostrava muita resistência empanado de mostarda e farofa.

O vinho serviu-me de amante. A bebida é amante de mulheres suspeitas como eu. Suspeitas por não estar com seu marido ou namorado. E ainda nos falam que os costumes evoluíram. O que me restava fazer se não beber para me sentir ocupada e aliviada da desconfiança?

Até o garçom vinha com mais freqüência. Até o garçom entendeu minha aflição. Um casal de conhecidos tentou me resgatar. Toda mulher sozinha é identificada como uma afogada. Uma suicida. Salvar de quê ? Salvar de mim? Desejou que sentasse em sua mesa. Como se estivesse no lugar errado.

Toda mulher sozinha está no lugar errado, é o que se acredita. Eu escolhi o lugar, não se cogitou isso ? Ou a solidão é errada? Um crime a solidão.

O senhor insistiu, confundindo a vontade com educação:

– A gente põe uma cadeira a mais em nossa mesa!

O convite migrou para mendicância. Colocar uma cadeira a mais é dizer que não era planejada e apertar os acomodados. Nunca diga que vai colocar uma cadeira a mais. É um favor. Mulher não depende de favor para existir. Nem de nenhum homem.

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Agora a crônica de Carpinejar sobre Homossexualismo – que já deveria ter sido incorporada pelo movimento LGBT há tempos !

Pode me chamar de gay

Pode me chamar de gay, não está me ofendendo. Pode me chamar de gay, é um elogio. Pode me chamar de gay, apesar de ser heterossexual, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto constrangido.

Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher as roupas.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo que danço levantando os braços. Pode me chamar de gay. Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis. Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro. Pode me chamar de gay. Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite. Pode me chamar de gay. Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos cílios. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay. Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de gay. Que seja bem alto.

A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.

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Um recado de Carpinejar aos Homens:

HOMEM PERFEITO

Não interessa a uma mulher um homem que saiba tudo sobre ela, um homem que saiba tudo sobre o amor, um homem que saiba tudo sobre os prazeres proibidos do corpo. Uma mulher não se interessa por um homem que não tenha uma dose de insegurança, um quê de fascínio infantil, uma ponta de orgulho bobo, uma forquilha de medo entre os joelhos. Uma mulher não se interessa por homem que não teme as perguntas, que resolve os problemas com sarcasmo, que fala convicto e intrépido sobre os mais diversos assuntos; o coração dele congelado para transplante no isopor entre garrafas de cerveja. Uma mulher não se interessa por homem que pisca ao garçom, que conversa nos ouvidos com os seguranças das boates, que a mostra com malícia e desfaçatez para os outros. Uma mulher não se interessa por um homem que está se exibindo mais do que sendo transparente. Uma mulher não se interessa por um homem que ela não conta com a mínima chance de modificá-lo e elogiar as transformações. Uma mulher não se interessa por um homem que se diverte dos próprios comentários antes dela. Uma mulher não se interessa por um homem carregado de estratégias, que encadeia a noite ideal, sem nenhuma falha, sem nenhum vacilo, sem nenhuma turbulência. Ele ensaiou com quantas antes ? Uma mulher se interessa por um homem inseguro, mas sincero, tímido, mas autêntico, que sofre com suas gafes, engatilha desculpas ao usar um palavrão, que pede ajuda para completar a noite. Uma mulher não se interessa por um homem blindado, que não escuta, que se esconde em um personagem para contar mais um feito aos amigos. Uma mulher não se interessa por um homem que logo vai atacando, logo vai oferecendo o endereço para esticar a conversa. Uma mulher não se interessa pelo terno alinhado, os cabelos em dia, o pescoço perfumado, se não haverá nenhum sussurro que desperte a fragilidade masculina do outro lado. Uma mulher não se interessa em receber flores sem raízes nos dedos. Uma mulher não se interessa por um homem convicto, que a convida para sair, que passa uma cantada impecável e finge delicadeza para ser indelicado no dia seguinte e não telefonar. Uma mulher não se interessa por um homem que não mudará a ordem das palavras que teve sucesso com as mulheres anteriores e repetirá as mesmíssimas vaidades da conquista. Uma mulher se interessa por um homem que confunde o desejo com a loucura e tropeça nas palavras para logo descer ao chão com ela. Uma mulher não se interessa por um homem que seduz como quem dá as cartas, um homem que solicita a conta como quem fecha um negócio, que a envolve como se fosse um investimento. Uma mulher não se interessa por um homem que não tenha também músculo nas pálpebras para chorar por ela, músculos na boca para guardar sua língua. Uma mulher não se interessa por homens prontos, fechados, absolutamente perfeitos. Não se interessa por cadáveres.

– Sua Bênção, Carpinejar !

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CARPINEJAR e a jornalista Aurora Miranda Leão, fã incondicional do Poeta…

* Todas as crônicas aqui publicadas são do jornalista, escritor e poeta gaúcho Fabrício CARPINEJAR !

Carpinejar: “Quem tem preguiça escreve demais”

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Ele é exatamente o que sugere nos textos que escreve, de todos os tipos, para as mais diversas mídias. Ser aluna do Poeta CARPINEJAR é uma Honra, uma Alegria e um aprendizado cotidiano. O Poeta é Impossível ! Promove com intensidade e constância um revertério na cabeça do aluno, assim como acontece com os ouvintes do programa Consultório Sentimental que ele faz na Rádio Gaúcha com outros dois colegas – Junior Klein e Everton Behenck – , e muitas vezes também o faz nos twittes e crônicas semanais.

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Carpinejar ministrando oficina no curso B.arco. Foto #BlogAuroradeCinema

Partindo do princípio de que a doença é a INDIFERENÇA, o escritor afirma:

A pior coisa que existe hoje é as pessoas terem vergonha do ciúme. Ele é tratado como doença. Você não vai dizer para o namorado que está com ciúme. Vai tentar sonegá-lo, escondê-lo, e ele só vai crescer. Se a mulher confessa que tem ciúme, o homem diz “Você não confia em mim?”. Assim, ele coloca em risco o relacionamento e não permite que você sinta ciúme. E eu acho que o ciúme é indispensável. Porque é a pessoa ciumenta que vai se importar com você, vai ser leal, escutar o que você diz. A gente pensa nos efeitos colaterais do ciúme, no barraco, no escândalo, mas a gente esquece o lado positivo, a cumplicidade, a intimidade, a preocupação. Ele só se torna incontrolável quando sufocado”.

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Carpinejar e a jornalista Aurora Miranda Leão, fã assumida do Poeta gaúcho…

Na aula de CARPINEJAR, que tem duração de 4 horas diárias – das 19h às 23h, o tempo passa mas você não sente. Jamais assisti a uma aula de tempo tão extenso e ao mesmo tempo tão breve. Jamais assisti a aula cronologicamente com mais de uma hora que não olhasse o relógio para ver quanto tempo faltava para terminar. CARPINEJAR consegue a façanha singular de tornar uma aula prazerosa, curta, necessária, relevante, especial, única e ainda consegue te fazer achar que o tempo foi muito curto e ainda há tanto para aprender com ele.

Isso é das proezas que o Poeta alcança… verouvir Carpinejar falando dá súbita impressão de que o tempo parou no espaço e que tudo pode e deve ser eternizado em Poesia, Humor, e Sensibilidade.

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O Poeta afirma: “SEM ESTRANHEZA, A GENTE NÃO VALORIZA O QUE TEM”. E ele está, mais uma vez, coberto de razão !

Vida longa para FABRÍCIO CARPINEJAR !

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Fabrício Carpinejar ganha abraço efusivo da jornalista Aurora Miranda Leão…

“A crônica não é feita para ser um cabedal de impressões, é para contar uma história. Escrever é uma alegria, uma dança” – CARPINEJAR

Para Carpinejar, o riso é confissão ! Então, já somos confidentes !

“A poesia possui essa capacidade de perdurar o que não pode ser dito, o que foi sentido

Há tempos, queríamos fazer uma oficina com o Poeta Carpinejar, ouvir uma palestra dele, ir a uma noite de autógrafos, participar de um Consultório Sentimental ao Vivo, fazer uma entrevista com ele, conversar, trocar ideias, enfim, queríamos conhecer o magistral poeta gaúcho de perto. E finalmente, a hora chegou e semana que vem estaremos na oficina dele – que tem o sugestivo título de TANTA TERNURA – lá em Sampa, no Centro Cultural B. Arco.

Calhou de dar certo, calhou de estar no Rio e arrumar tempo de ir a São Paulo, e até esqueci os compromissos a cumprir em Fortaleza. Mas os desígnios de Deus são imperscrutáveis (conforme dizia meu sábio avô, Dr. João Miranda Leão), e se a oportunidade apareceu agora, é porque agora é que tem de ser.

Fabrício Carpinejar: nova oficina poética em São Paulo semana que vem…

E desde quando decidi-me por ir a São Paulo e participar da oficina, e que consegui comprar as passagens, e fiz minha inscrição, penso no quão insólito isso é pra quem há anos é leitora cotidiana do Poeta. E os amigos de verdade entendem e torcem, as amigas comentam e sabem de meu contentamento, e imaginam o tamanho da minha FELICIDADE.

E pensando nisso desde quarta, e, principalmente nesta sexta, em andanças pela orla carioca, fiquei matutando no quão é difícil conviver com o silêncio quando o falar e escrever precisam ser imperativos. Porque, afinal, o que pensa em primeiro lugar um jornalista quando admira alguém e vai encontrá-lo ? Naturalmente, pensa em fazer uma entrevista com esse certo alguém. E ao pensar na entrevista que tanto sonho em fazer com o poeta Carpinejar, sobrevém um estrondoso silêncio, e faltam-me as perguntas. Afinal, o que perguntar a alguém com a transparência de Carpi ? O que indagar a um Poeta que se mostra inteiro em suas belas crônicas (quase diárias) e em suas postagens cotidianas no Twitter ? O que ainda perguntar a quem se revela intensamente, e aos pedaços, em cada ideia ou pensamento que solta para o leitor como quem dá um mergulho num oceano sem medo do desconhecido ou das pedras e feras que possa encontrar no mar ?

Porque quem lê Carpinejar com a atenção devida e a sensibilidade necessária sabe que o POETA está integralmente presente nas palavras que emprega com maestria de ourives. Basta ter o cuidado de prestar atenção: a Alma do Poeta nos é entregue em papel celofane com uma coragem indubitável e uma notável capacidade de despir-se para melhor ofertar-se e solidarizar-se com o leitor !

Diante disso, ronda-me a inquietação: o que direi ao Poeta ao conhecê-lo ? O que ainda falta perguntar a ele que não tenha dito em suas crônicas antológicas, suas entrevistas, suas reportagens, suas participações no programa #encontro, seus ensinamentos no programa da Rádio Gaúcha, seus muitos e maravilhosos livros, seu arrebatador programa A Máquina ?

Não sei por onde começar… mas nada melhor que recorrer ao próprio Poeta para iniciar uma conversa com ele, e assim vou me apoiar em fortalezas carpinejarianas, como ele próprio ensina:

“Quando conhecemos alguém, o mais complicado é acertar as brincadeiras. Afinar o humor. Rir e fazer rir. É somente pelo riso que nos confessamos.”

“Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar”

“Não seja séria; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira.”

“Não tenho participação nas duas principais decisões da vida: nascer e morrer. O que me leva a concluir que só posso fazer bobagem.”

É o Poeta quem diz: “Felicidade é estar sensível, disponível, atento a qualquer distração; é uma predisposição a mudar de planos”.

Portanto, eu só posso é estar vivendo um momento de plena FELICIDADE. Afinal, meus planos foram absolutamente mudados: não me preparei para ser aluna de Carpinejar; não pensava ir a São Paulo agora; não imaginei sair do Rio embarcando para São Paulo, desviando minha rota para alcançar o sonho de conhecer o Poeta ao vivo. Mas como diz o querido Herbert Vianna, “Se é assim mesmo/ Que assim seja !

Que venha enfim o TANTA TERNURA, e que Deus me ajude a saber o que dizer diante de alguém a quem tanto Admiro e quero bem !

A oficina TANTA TERNURA,  com aulas de escrita criativa ministradas pelo Poeta CARPINEJAR, apresenta as teorias sobre o fazer literário e a possibilidade de acentuar a beleza da banalidade, Vai ser nos próximos dias 23, 24 e 25 em São Paulo, e as inscrições prosseguem abertas até dia 23.

Informações:
Carga horária total – 12 horas – 3 encontros
Aberto a todos os interessados em escrever crônicas.
Inscrições http://barco.art.br/oficina-de-cronica-tanta-ternura/

Ninguém escreve ao Carpinejar…

Carpi abrir Que espécie de inteligência habita o cérebro do poeta Fabrício Carpinejar ? Ou que espécie de cérebro tão especial tem o menino nascido em Caxias do Sul para conseguir abarcar e carregar consigo o farol iluminado e profundamente iluminador que é a inteligência brilhante e a sensibilidade 3D do Poeta Carpinejar ? Meu Deus, quanto mais leio o que o Poeta escreve, mais estupefata fico diante de tanta beleza. Pergunto-me constantamente como é possível. Como e de onde brotam tão precisas as imagens que Carpinejar arruma em frases de eloquência tão profunda que alcançam um nível de inconteste profundidade, eloquência e beleza ? As frases poéticas ou os versos crônicos que o poeta escreve são tão contundentes que tocam a alma como um condão mágico, sensivelmente potente, capaz de fazer chorar, rir, e provocar imediata adesão. Apaixonei-me pelas imagens ricamente construídas com invejável harmonia estética e namoro permanente com a beleza desde a primeira vez em que li um texto de Carpinejar. Foi em 2007 e, até então, não me lembro de ter ouvido falar nele. Mas bastou ler uma vez pra encantar-me e nunca mais deixar de ler FABRÍCIO CARPINEJAR. Leio-o cotidianamente, com a melhor das emoções. E ele escreve coisas novas todos os dias. Leio as novas, e revisito as antigas, cotidianamente. Ler Carpinejar virou meu mais saudável vício.

Impressiono-me e interrogo-me todos os dias sobre como é possível escrever com tanta maestria, e procuro, em vão, uma palavra capaz de traduzir com fidelidade a prodigiosa perfeição imagética, sensorial e emocional com a qual o poeta verseja em crônicas diárias e desfila com leveza, bom humor, delicadeza e absoluta capacidade de encantar a sua visão de mundo, suas ideias, sua forma inusitada de sentir e sua coerência (às vezes assumidamente incoerente) desconcertante e límpida. Fabrício Carpinejar é dotado de uma infinita capacidade de transformar tudo que escreve em metal precioso. Suas letras transbordam da alma e constroem textos, frases, crônicas e poemas com a perfeição de um grande ourives. Não são raras as vezes em que me arrepio ou choro lendo um texto de Carpinejar. Não me canso de repetir isso, nem de ler o poeta, nem de aplaudir o que faz, nem de compartilhar com leitores – centenas que me seguem em diversas redes sociais -, cotidianamente, a maestria da letra preciosa e comovente do poeta gaúcho.

Carpi unhas

Os que acompanham o Poeta sabem – e são milhares: Carpinejar foi considerado, ainda criança, um ser com capacidade limitada de atenção, incapaz de ser alfabetizado e frequentar uma escola. Para a mãe dele, a sábia poetisa Maria Carpi, foi recomendado colocar a criança para estudar numa escola especializada em pessoas com deficiências. Com apenas 8 anos, CARPINEJAR foi ‘avaliado’ como uma criança com deficiência motora grave, incapaz de ter um desenvolvimento motor sadio, normal, em contato com outras crianças. Pois foi graças à sabedoria, dedicação e suprema ousadia e lucidez de Maria Carpi que a criança que foi Fabrício Carpinejar transformou-se neste que é hoje o Mais Aplaudido Poeta Brasileiro Vivo, a Maior Expressão da Poética Brasileira Contemporânea. Foi ela, a ousada e aguerrida Maria Carpi que resolveu ensinar ao filho as letras que a escola não o julgava capaz de aprender. Foi Maria Carpi quem resolveu assumir pra si a árdua e doce tarefa de alfabetizar o filho e conduzi-lo pelos caminhos das letras. Foi inventando versos, rascunhando tarefas em dimensões que só o amor alcança, e lapidando as melhores formas de fazer ressoar no filho criança o que o tornaria capaz de acompanhar o que a escola formal não o julgava capaz de aprender, que Maria Carpi deu força, luz, fé, garra e confiança ao filho Fabrício para chegar onde chegou. E o Poeta sabe bem disso. É de uma gratidão linda, comovente, profunda e constante à mãe. Como cabe ao tamanho de Poeta e Homem Iluminado que é Carpinejar.

É graças a esse esforço inicial de Maria Carpi e de sua não desistência na tarefa de legar ao filho o melhor, e a ele doar as cordas do coração para fazer brotar a sensibilidade, o carisma e a imensa inteligência do filho, que hoje podemos dizer – e dizemos com imenso carinho por ele e por ela, e com indisfarçável apreço pela produção literária de Carpinejar – do orgulho em poder ler com tanta alegria e encantamento a alma linda e notável de que é feito o poeta Carpinejar.

Carpi e a mãe

Por certo foi esse vigor intelectual, essa profusão de sentimentos, e esse redemoinho de emoções que ele tão bem reúne, organiza e transforma em doação ao próximo através da profícua e bela obra que construiu ao longo da breve e invejável carreira, que fizeram com que a escola da infância o taxasse de “incapaz de estudar junto às crianças normais”, “incapaz de aprender como os outros”, “incapaz de ser alfabetizado com as mesmas regras das crianças normais” (?). Sim, o que fica claro pra nós hoje é que o poeta Carpinejar, desde muito tenra idade, já era um super dotado, alguém de uma inteligência tão fulgurante, transgressora, e alucinante que deixou seus mestres (?) perplexamente atordoados. Eles não sabiam o que fazer diante daquele menino-prodígio. Devem ter tido o mesmo assombro que nós temos quando lemos certas crônicas lapidares do poeta, que desconsertam o senso comum, e remexem com as estruturas emocionais mais sólidas. O menino aprendiz de Poeta, aos olhos daqueles mestres (?), aparecia como sinal revelador da completa incompetência deles. Tão leigos que não sabiam sequer traduzir o que não conseguiam assimilar do brilhantismo do menino. Tão tacanhos que preferiram dispensar a presença invulgar de um pequeno gênio nos bancos das suas salas de aula pela incompleta incapacidade de conduzir lições diante de um guri brilhante que mexeu com a infame incongruência de sua pequenez de educadores.

CARPI já devia ser, desde criança, um garoto de inteligência tão incomum e desconsertante que tornava-se incapaz de ser alcançado e entendido por aqueles diretores e professores de escola tão mediocremente normais e cauílas que perderam a espetacular oportunidade de hoje serem tema de uma das brilhantes crônica do poeta. Os medíocres, pobres de espírito e ‘inocentes’ da palavra perderam pra sempre a chance única de poder levantar-se e bradar, com a mão no peito e o orgulho inflando o coração, “nós ensinamos ao poeta Carpi”. Por certo, teriam imenso orgulho de estampar nos flanelógrafos dos corredores da escola a foto do menino Carpi, futuro gênio da Poesia Brasileira, ali esboçando suas primeiras letras, formando as primeiras amizades, e hoje, revisitando o colégio, escrever lindamente sobre os bancos onde aprendeu a escrever as primeiras letras e de onde saiu para tornar-se o Poeta Brasileiro de Maior Número de Seguidores das redes sociais. O Poeta que encanta e atua em várias áreas, brilhante em todas elas, seja como jornalista, radialista, apresentador de TV, cronista televisivo, conselheiro sentimental, palestrante, poeta e escritor fenomenal, merecedor de vários prêmios, no país e no exterior, aplaudido e amado onde quer que vá.

A Fabrício Carpinejar, nosso aplauso efusivo e a gratidão pela generosidade cotidiana expressa em verso e prosa.

Para Fabrício Carpinejar, não nos cansamos de tirar o chapéu. Pra ele, nosso afeto e nossa leitura, sempre.

Fabrício Carpinejar é o Poeta e Cronista que o #BlogAuroradeCinema aplaude de pé, cotidiana e incansavelmente.

SARAVÁ, CARPI !

Deixamos com você, amigo leitor, um trecho da crônica de segunda-feira (16 junho 2014) do Poeta, cujo título é Técnicas Domésticas. Neste pequeno trecho, ou em qualquer outro que você possa buscar nos espaços do poeta na web, você irá igualmente maravilhar-se diante da magnitude inventiva e poeticamente avassaladora de FABRÍCIO CARPINEJAR:

“Saber costurar é uma demonstração de ternura Não há cena mais emocionante do que costurar meias. Meias que rasgam nos calcanhares. Fechar com a linha da cor da meia para ninguém perceber. É muita esperança não jogar fora um par de meias e oferecer uma segunda vida para ele. Demonstra que você não se desfaz das coisas facilmente, que não vai dispensar as pessoas facilmente, que você tenta primeiro remendar, que não é do tipo que estragou e compra outra, que não descarta simplesmente porque foi barato”.

Você pode acessar o blog de FABRÍCIO CARPINEJAR aqui mesmo, através de link que o #BlogAuroradeCinema compartilha em nossa página de abertura. Ou acesse: http://www.carpinejar.com.br/ e http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/

Mais uma Pérola do Poeta Fabrício CARPINEJAR !

Permita-me, Fabrício Carpinejar, mas depois de ler esta PÉROLA em forma de CRÔNICA, não tenho outra opção que não a de dividir com meu estimado leitor esta sinfonia poética de rara beleza e perspicácia profunda, capaz de comover até o mais gélido dos mortais.

Um NOBEL DA POESIA para o Poeta da Crônica e Cronista da Poesia, FABRÍCIO CARPINEJAR !!!

Pequenos Céus Somados

O pássaro que voará mais alto é o pássaro que nunca desistiu de puxar a coleira.

Será a ave amarrada pelas patas que não se conformou com o confinamento da gaiola e que toda manhã esticará seu corpo até o máximo.

Até o máximo daquele dia.

Não pode se soltar, mas nem por isso se sentirá preso. Não é livre, mas nem por isso deixará de admirar a possibilidade de flanar.


Se não tem condições de brincar com as árvores, brincará com sua sombra.

Se não tem como brigar pela comida, valorizará o alpiste que recebe em sua tigela quebrando minuciosamente cada grão.

Se não tem vento para expor sua plumagem, baterá as asas para fazer vento em si.

Se não tem o sol na cara, levantará as unhas pelas barras das grades por um punhado de luz.

O pássaro que voará mais alto sempre é o que – enquanto não pode voar – canta, é o que – enquanto não pode subir – caminha, é o que – enquanto não pode planar – afia o bico.

Não reclamará da falta de opção, usará as opções que tem.

Não pode voar, mas treina seu voo esticando a coleira até o máximo. Até o máximo daquele dia.

Puxará a corrente ao limite. Somará pequenos céus com os centímetros de sua corrente.

Tudo o que voará depois será resultado de tudo o que andou em seus limites. Cinco passos repetidos à exaustão darão o condicionamento de quilômetros. Não estará destreinado para as alturas, já que exercitou seu fôlego no chão.

Não desistiu de avançar mesmo com a ausência de espaço. Não se restringiu a uma aparência apagada. Não se encabulou pelo sofrimento.

Quando não havia chance de sair dali, aproveitou a solidão para se conhecer.

Quando não havia com quem conversar, aproveitou o silêncio para afinamentos.

Deveria ser triste pelas suas circunstâncias, porém é feliz pelo temperamento.

Deveria ser melancólico pelo destino, porém é confiante no acaso.

O pássaro que desaparecerá um dia no alto das nuvens, como se fosse mais uma nuvem, foi o pássaro que jamais parou de tentar.

Só voará alto quem carregou suas penas.

Só voará alto aquele que criou seu lugar um pouco por vez, aquele que formou sua virtude em segredo, aquele que não culpou a vida para se manter parado.

Liberdade vem com o tempo, liberdade vem devagar, liberdade é esforço. Não ser do tamanho de nossa prisão, mas ser do tamanho de nossa vontade.

* N.E: os destaques são da redatora, jornalista Aurora Miranda Leão.

** Publicado originalmente no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 17/09/2013
Porto Alegre (RS), Edição N° 17556

Enfim, BOAL no Cinema, em novo filme de Zelito Vianna

Será lançado amanhã, dentro da programação do VIII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual-Festival CineFuturo, em Salvador, o DVD “Augusto Boal e o Teatro do Oprimido”, do cineasta Zelito Viana.

O documentário Augusto Boal e o Teatro do Oprimido foi produzido em parceria com o Canal Brasil. Com base em entrevistas do próprio Boal, mostra o  importante legado do grande autor, dramaturgo e diretor de teatro. Depoimentos de Ferreira Gullar, Edu Lobo, Chico Buarque e Aderbal Freire-Filho recheiam o filme. Também é reconstruída a importância de sua participação no Teatro de Arena de São Paulo, na década de 50, quando, ao dedicar-se à montagem de autores brasileiros estreantes, ajudou a trazer à tona Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) e Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974).

Aurora Miranda Leão em conversa com o inesquecível Augusto BOAL, inteligência fulgurante…

Zelito Viana também é produtor do filme Batuque dos Astros, dirigido por Julio Bressane, que será exibido amanhã, dia 11,, às 20h30. O filme mostra o poeta português Fernando Pessoa através do olhar estimulante de Bressane.

O VIII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual-Festival CineFuturo é uma realização da VPCinemavideo e patrocínio do Fazcultura – Governo da Bahia e Chesf– Governo Federal. A produção é da Baluart.

Programação completa: www.cinefuturo.com.br

Violas e Repentes nos 60 do Banco do Nordeste

 

Amanhã e quinta, o BNB-Clube de Fortaleza vai sediar o Festival Violas e Repente, marcando o 60º aniversário do Banco do Nordeste.

É mais uma realização do BNB Clube, organização que se destaca atuando como  incentivador da cultura local e nordestina, e descobridor de novos talentos para o cenário artístico. É também uma homenagem ao Banco do Nordeste, cuja atuação é de principal agente do desenvolvimento nordestino e da cultura regional, alicerce desse desenvolvimento.

O festival terá a participação de 12 repentistas, representando cinco estados nordestinos e expressões dentro deste repertório da centenária arte do improviso. Será uma apresentação da poesia cantada, feita a partir da complexidade do improviso, um momento raro da mais pura manifestação cultural do Nordeste – a Cantoria de Viola.

Dividirão o mesmo palco, em forma de competição, disputando prêmios e troféus, os renomados repentistas Ivanildo Vila Nova, RaimundoCaetano, Louro Branco, Zé Viola, Sebastião Dias, João Paraibano, Valdir Teles,Zé Cardoso, Edvaldo Zuzu, Raulino Silva, Jonas Bezerra e Acrísio de França.

Traçando um paralelo entre a cantoria de viola e o futebol, podemos comparar os festivais de repentistas ao campeonato brasileiro de clubes. Em determinados festivais, como os de Recife e Campina Grande, as competições são bem acirradas, tornando esses festivais o ponto culminante para o poeta cantador.

Durante a competição, as duplas concorrentes terão que cumprir quatro tarefas de 5minutos cada, que serão solicitadas por uma Comissão de Seleção, reunida previamente para elaborar temas e motes a serem desenvolvidos pelos cantadores.

O material preparado pela Comissão fica lacrado dentro de envelopes, a serem abertos no início da apresentação dos cantadores, mediante sorteio e na presença do presidente de uma Comissão Julgadora. Os cantadores serão julgados em três aspectos: rima, métrica e oração (assunto/tema solicitado).

Os competidores farão jus a troféus para as três duplas melhor classificadas, além de placas de participação, alusivas aos 60 anos do Banco do Nordeste do Brasil.

O festival será apresentado por Dilson Pinheiro, comandante do Programa Ceará Caboclo, da TV Ceará, e por Orlando Queiroz, Presidente do Clube da Viola.