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Rogério SGANZERLA para melhor celebrar Olhar de Cinema

DOC sobre genial cineasta abre Festival OLHAR DE CINEMA, terça, em Curitiba 

Com a exibição do filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz, será aberto na noite desta terça o OLHAR DE CINEMA – Festival Internacional de Curitiba, que vai mobilizar a capital paranaense de até 4 de junho. 

Dirigido por Joel Pizzini, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz venceu a 17ª. edição do Festival É Tudo Verdade na categoria de Melhor Documentário Brasileiro. O filme recria o ideário do cineasta catarinense Rogério Sganzerla através de uma linguagem experimental , a qual (segundo Pizzini), “homenageia ainda elementos relacionados a Orson Welles e à Antropofagia”. 

Criador do revolucionário O Bandido da Luz Vermelha, obra de Rogério Sganzerla ainda precisa ser devidamente conhecida…

Unindo preciosas imagens de arquivo a uma narrativa ensaísta, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz não apenas homenageia a obra do famoso cineasta, como também contribui para um importante mapeamento histórico do audiovisual brasileiro. A exibição do filme será dia 29, às 19h, no Teatro Guairinha, com entrada franca. 

Ao lado da companheira de toda a vida – atriz e cineasta Helena Ignez -, Rogério Sganzerla é um dos nomes mais relevantes do Cinema Brasileiro

SERVIÇO:

Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

 

De 29 de maio a 4 de junho

Realização: Grafo Audiovisual, Ministério da Cultura, Governo Federal.

Patrocínio: Volvo, Copel, Schweppes. 

Apoio: Estúdio Tijucas, Conta Cultura, Governo do Estado do Paraná, Shopping Crystal

Apoio Cultural: SESI-PR, SESC-PR, SESC Paço da Liberdade.

Promoção: RPCTV, Gazeta do Povo. 

Locais: 

·         Espaço Itaú de Cinema – Shopping Crystal – Exibição da seleção oficial de filmes. Rua Comendador Araújo, 731 – Batel.

 ·         Cinemateca de Curitiba – Exibição da seleção oficial de filmes. Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco. 

·         Museu Oscar Niemeyer – Mostra paralela Multiolhares. Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico.

·         Sesc Paço da Liberdade – Seminário e Debates com os Realizadores.Praça Generoso Marques – Centro.

·         Sesc da Esquina – Realização das Oficinas. Rua Visconde do Rio Branco, 969.

·         Teatro Guairinha – Cerimônias de Abertura e Encerramento. Rua XV de Novembro s/n.

·         SESI  (várias unidades nos bairros) – Mostra Olhar Itinerante. 

Saiba maiswww.olhardecinema.com.br

 

LG sobre ORSON WELLES : O crepúsculo de um gênio

O crítico L.G. de Miranda Leão escreve sobre os derradeiros dias da vida produtiva do cineasta ORSON WELLES…

Os anos 70 e 80 marcam a derradeira atuação de Orson Welles como roteirista, diretor e, às vezes, ator. Começam com “The Deep” ou “Dead Reckoning”, de 1970, baseada na novela “Dead Calm”, de Charles Williams, com Jeanne Moreau e Laurence Harvey. As filmagens aconteceram fora dos estúdios, na Dalmácia e Iugoslávia. Restrita aos cineclubes, a película não foi exibida comercialmente.

Em 1972, Orson Welles fez o roteiro de “O Outro Lado do Vento” (The Other Side Of the Wind) e dirigiu o filme, com o veterano John Huston no papel principal. As filmagens foram iniciadas em Los Angeles, mas não chegaram a ser concluídas. O drama gira em torno de dois veteranos de guerra. Eles estão a caminho de serem condecorados em Washington, quando um deles desaparece… Um “thriller” sombrio, tipo filme “noir” dos anos do pós-guerra. Uma pena não ter sido exibido comercialmente.

Em 1973, Welles escreveu também o roteiro e dirigiu “Verdades e Mentiras” (F for Fake) (“Verités et Mensonges”, título francês), uma produção França-Irã e Alemanha Ocidental, com Oja Kodar, Elmyr de Hory e Laurence Harvey. Um ensaio magnífico sobre as fraudes, truques e mentiras no mundo da arte. Numa estação de trem, Welles chega a pronunciar palestra sobre o tema, ilustrando-a com imagens pertinentes. Apesar do entusiasmo de alguns críticos presentes, “Welles parece agora mais um charlatão e menos um cineasta magistral”, opinião registrada no “Halliwell´s Film Guide”. “Ubi Veritas?”

Homenagens

Em 1976, com a presença de Ingrid Bergman, Frank Sinatra, Joseph Cotten, Janet Leigh, Laurence Harvey e mais 1,2 mil convidados, Welles recebeu o grande prêmio do “American Film Institute” por sua valiosa contribuição ao cinema. Anteriormente, essa distinção fora outorgada ao diretor John Ford e ao ator James Cagney. Em 1982, em reunião solene, Orson Welles foi condecorado com o grau de comendador da Legião de Honra, a mais alta distinção do governo francês. Como declarou o presidente François Mitterand, Welles era “um dos que conseguiram expressar, por meio da arte, o que existe de mais profundo na alma humana”, aqui entendido o termo como a parte incorpórea, inteligente ou sensível do ser humano; o pensamento, a mente, como se referia o saudoso cineasta Maurício Gomes Leite, sempre quando a palavra “alma” aparecia num texto ou num discurso … Os agradecimentos feitos por Welles foram bastante aplaudidos.

Em 1983, Welles recebeu o prêmio “George Méliès” por sua valiosa contribuição à evolução da linguagem cinematográfica, ao mesmo tempo um homenagem póstuma ao pioneiro incontestável da 7ª Arte, com seu poético e inventivo “Le Voyage dans la Lune”.

No mesmo ano, Welles também fez jus ao Prêmio “Luchino Visconti” por sua contribuição inestimável “à evolução da linguagem cinematográfica” e pelo seu legado de realizações imorredouras, como bem afirmou em entrevista o grande Stanley Kubrick, admirador de Welles desde “Cidadão Kane”. Em 10 de outubro de 1985, aos 70 anos, Welles saiu de cena solitariamente com a fama de “gênio maldito do cinema”… O editor Martin Claret foi incisivo: “O mundo amanheceu mais pobre. Orson Welles havia morrido”.

Welles e Bazin

Uma das coisas mais louváveis de Welles foi seu reconhecimento pessoal das teorias de André Bazin, nas quais o grande teórico francês privilegiava não só a “mise-en-scène” (a encenação), mas também a verdadeira continuidade em detrimento da montagem, bem assim a profundidade de foco e o “plan-séquence” (ou sequence shot) evitando centenas de cortes, às vezes até mais de mil durante um projeção. Soube-se disso não porque tivéssemos estado em Paris em busca de filigranas, mas porque, quando lá esteve, nosso saudoso Walter Hugo Khoury conversou sobre o assunto com alguns redatores dos “Cahiers” e deles ouviu que Welles já havia concordado com a visão percuciente de Bazin, segundo a qual é preciso privilegiar no cinema de hoje a encenação e a continuidade e deixar o excesso de cortes da montagem para quem quiser continuar com ela.

O crítico André Bazin em conversa com o cineasta François Truffaut…

François Truffaut também opinou sobre a questão. “A montagem pode destruir a realidade apreendida pela câmara, impondo-lhe ritmos que são os seus. Deve-se ter em conta, antes, a natureza das coisas, o sentido existente nas coisas e que o registro fixo aprisiona” afirmou, em entrevista à imprensa francesa, em setembro de 1960.

Em poucas linhas, o grande mestre do cinema sintetizou o sentido mais profundo da arte do cinema. Ei-lo: “Um filme não é realmente bom senão quando a câmara é um olho na cabeça do poeta. Tudo quanto é vivo num filme deriva da capacidade que a câmara tem de ver. Ela não vê naturalmente em lugar do artista, vê com ele. A câmara é, nesses momentos, muito mais que um aparelho registrador: é uma via por onde chegam as mensagens de um outro mundo, o mundo dos sonhos, o mundo do inconsciente, um mundo que não é nosso e que nos introduz no seio do grande segredo”.

 LG. de Miranda Leão é jornalista com mais de 50 anos de atividade ininterrupta como Crítico de Cinema, autor dos livros “Analisando Cinema” (Coleção APLAUSO – Imprensa Oficial de São Paulo) e “Ensaios de Cinema” (Edições BNB – Cultura da Gente).

Dono de extensa filmografia, Welles também foi ator e deixou obra sempre revisitada…

SAIBA MAIS

Filmografia:

1934 – Hearts of age (curta)
1938 – Too much Johnson (curta)
1941 – Cidadão Kane
1942 – Soberba
1942 – Jornada do pavor
1946 – O estranho
1948 – A Dama de Shanghai
1948 – Reinado de sangue
1949 – Memórias de um mágico
1952 – Othello
1955 – Grilhões do passado
1955 – Moby Dick rehearsed (TV)
1956 – Orson Welles and people (TV)
1958 – A Marca da Maldade
1958 – The Fountain of youth (TV)
1958 – Portrait of Gina (TV)
1960 – David e Golia
1962 – No exit
1962 – O Processo
1965 – Campanadas a medianoche
1968 – História imortal
1968 – Vienna
1969 – The Merchant of Venice (TV)
1970 – The Deep
1971 – London
1972 – The Other side of the wind
1975 – Vérités et mensonges
1984 – The Spirit of C. Lindbergh
1992 – Don Quixote
1993 – It´s All True

ORSON WELLES: divisor de águas na história da Sétima Arte…

Pizzini revela SGANZERLA e vence É Tudo Verdade…

Recebemos com alegria a notícia de que o filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz venceu o festival É Tudo Verdade.

Este Sganzerla, ao qual o também cineasta e professor Joel Pizzini, nos aproxima, é o lendário Rogério Sganzerla, criador de O Bandido da luz vermelha, um dos mais festejados filmes brasileiros de todos os tempos.

Esperamos conhecer o filme de Joel muito em breve.

Enquanto isso não acontece, deixo com você, leitor amigo, o abalizado comentário do jornalista Luiz Zanin Oricchio, publicado no blog dele do Estadão…

Galáxia Sganzerla, ainda inexplorada

Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz , de Joel Pizzini, é um filme-colagem, ou filme-ensaio sobre este que foi um dos mais importantes realizadores brasileiros.

Rogério Sganzerla, cuja trajetória, durante muito tempo, parecia resumir-se à sua obra-prima, O Bandido da Luz Vermelha, ressurge aqui em toda a sua paradoxal integridade. Paradoxal, porque, no caso de Rogério, teríamos de falar de uma integridade estilhaçada, o que pode parecer uma contradição em termos, mas talvez seja a única forma de se aproximar desse artista genial.

De maneira acertada, Pizzini não tenta uma abordagem linear da trajetória de Sganzerla, mas trabalha sobre núcleos de concentrações dos interesses do cineasta. Tampouco convoca palavra de especialistas sobre a obra do autor ou especula sobre a psicologia do personagem. Trabalha com trechos de filmes do próprio Sganzerla, e também as inúmeras entrevistas que este concedeu ao longo da sua vida. Mr. Sganzerla é um filme de montagem e, em sua feitura, incorpora as ideias do personagem sobre o processo de edição. Poderíamos portanto dizer que não se trata de um filme sobre Sganzerla, mas um filme com Sganzerla.

Das aproximações pelos núcleos de interesse, destaca-se, em primeiro lugar, o fascínio por Orson Welles. Objeto de vários filmes de Sganzerla – inclusive do último, seu testamento, O Signo do Caos, a malfadada, porém muito simbólica passagem de Welles pelo Brasil em 1942 assombra, por assim dizer, toda a obra de Rogério Sganzerla.

Como se sabe, Welles veio ao Brasil em 1942, durante a 2.ª Guerra, como parte da “política da boa vizinhança” do governo americano. Sua missão: filmar o carnaval brasileiro. Só que Welles via muito mais do que isso. Interessou-se pelas favelas e pelo samba, e teve em Grande Otelo e Herivelto Martins seus cicerones na noite carioca. Interessou-se também pela expedição dos jangadeiros cearenses que navegaram de Fortaleza ao Rio para reivindicar direitos trabalhistas a Vargas. Welles quis refazer a chegada dos jangadeiros à Baía de Guanabara e um deles, Jacaré, afogou-se, em acidente pouco esclarecido. Welles jamais se recuperou desse golpe e o filme, chamado It’s All True (É Tudo Verdade), foi interrompido.

Esse episódio marca toda a vida de Orson Welles e o “filme brasileiro”, como ele se referia a It’s All True, restou como trauma, como ele diz em seu depoimento a Peter Bogdanovich. Sganzerla incorpora esse trauma do mestre e o retoma como reflexão sobre a realidade brasileira. Passa a vida escavando esse acontecimento, com suas implicações simbólicas para a cultura brasileira. É o cerne de Mr. Sganzerla, como foi o núcleo duro da obra do próprio diretor.

Em torno dele se organizam outros planetas do imaginário de Sganzerla, como o tropicalismo, a paixão pela música nacional e Oswald de Andrade. Nossos telescópios críticos ainda investigam essa galáxia de modo muito distante.

A continuidade e a encenação no Cinema

Crítico L.G. de Miranda Leão revisita legado de André Bazin

 

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A encenação está em toda parte. Nada se pode imaginar sem ela: de Bazin a Jacques Aumont
 
Prestamos nesta edição um tributo a André Bazin, saudoso autor e teórico de cinema nascido em Angers, França (1918-58), e também ao mais influente crítico do pós-II Guerra Mundial. Nem todos sabem, mas foi Bazin quem fundou em plena II Guerra (1939-45) um cineclube para exibições de filmes proibidos com os quais ousava desafiar as autoridades alemãs nos tempos aziagos da França ocupada e dirigida, então, pelo marechal Henri Phillipe Pétain (1856 -1951).

Um feito

Como os cinéfilos e clubistas veteranos devem estar lembrados, coube a Pétain assinar como primeiro-ministro da França o armistício com a Alemanha Nazista, motivo pelo qual, findo o conflito, ele foi condenado à morte por traição?!, embora a sentença tivesse sido comutada em prisão perpétua devido a sua provecta idade. Com a vitória dos Aliados, Bazin tornou-se crítico do “Le Parisien Liberé” e contribuiu, substancialmente, com vários artigos para muitas publicações em terras francesas.

Nasce o Cahiers

 


Em 1947, por exemplo, Bazin fez vir a lume um periódico intitulado “La Revue du Cinéma” e em 1951 fundou com Jacques-Doniol Valcroze a famosa e prestigiada revista Cahiers du Cinéma, a qual cresceu e se consolidou sob a direção firme e criativa de Bazin, tornando-se na Europa a mais influente publicação sobre cinema. Alguns do valiosos artigos escritos por Bazin sobre a arte do século foram reunidos depois de sua morte prematura (1918-58), quando muito ainda teria a contribuir, caso da obra em quatro volumes intitulada “Qu´est-ce que le Cinéma?” (a versão em língua inglesa foi publicada nos EUA em 1967 pela “University of California Press”, um “best seller” nesse então.

Obra teórica de Bazin

Como se recordarão os cinéfilos, o conceito de realidade objetiva como qualidade fundamental da imagem fílmica é essencial para o pleno entendimento da obra teórica de Bazin. Eis o motivo pelo qual ele considerava o documentário e o filme científico como os mais puros exemplos da realidade não falsificada e o movimento italiano neo-realista como a expressão mais válida da verdade fílmica.

Singularidades

Como se sabe, Bazin privilegiava a “mise-en-scène” ou a encenação e não a “montagem” porque para ele a encenação representava a “verdadeira continuidade” do filme e reproduzia situações vividas nas imagens da tela de forma mais realística com a redução de um sem-número de planos e contraplanos, campos e contracampos. “Corta-se demais” escrevia Bazin à época. Assim, a interpretação de determinada cena ficava mais para o espectador e menos para o ponto-de-vista do diretor na montagem ou edição.

Recursos expressivos



Consistente com esse ponto-de-vista, Bazin também argumentou de forma bem fundamentada em favor do foco profundo, do plano em profundidade trazido à proa por Orson Welles em Citizen Kane e logo em Soberba, e isso lhe permitia filmar uma cena tanto no primeiro plano (foreground) como no plano de fundo (background) com visão plena, minimizando a necessidade de fragmentar uma cena numa série de planos. Daí por que Bazin também privilegiava o plano-sequência (sequence-shot), ou seja, o plano longo que abrange toda uma sequência filmada e mostrada sem cortes.

Dois conceitos

“Mise-en-scène” e “Montage”:estes dois conceitos-chave foram debatidos “ad nauseum” pelo críticos e teóricos durante décadas no século XX, como nos lembra Bazin. De fato, a expressão “mise-en-scène”, da terminologia teatral, adquiriu nos últimos anos um significado adicional na sua aplicação ao cinema. Bazin e consecutivamente outros teóricos usaram o termo para descrever um estilo de direção fílmica bastante distinto daquele definido pelos franceses como “montage”. Enquanto esta é fragmentária e deriva seu significado da relação entre um fotograma e o seguinte, através da edição (termo mais abrangente), a “mise-en-scéne” enfatiza o conteúdo do fotograma individual, os movimentos de câmara, as angulações (ou ângulos de câmara, cuja variedade é quase infinita) e torna menos ortodoxo o uso do campo e contracampo.

Dos discursos

Seus defensores ou proponentes como Bazin e outros veem a montagem como técnica demolidora da unidade psicológica em face do excesso de cortes e dos tipos de montagem dos quais se valem os diretores (montagem analógica, antitética, “leitmotif”, paralela, sincrônica, retrospectiva, por elipse e por cima) para reproduzir a realidade buscada pelo cinema. Bazin considerava a arte um momento crucial no esforço psicológico do homem para ultrapassar suas condições reais de existência. Como bem registra o filmólogo Jacques Aumont em seu dicionário, “ao ligar ontologia e história das artes figurativas, Bazin via na fotografia um momento essencial dessa história, ao liberar as artes plásticas de sua obsessão pela semelhança (…) A fotografia e o cinema prestam homenagem ao mundo tal como ele ´aparece´, e põem-nos em presença da própria coisa”.

Da concisão

Por isso, Bazin condenava, como contrária à natureza mesma do cinema, “qualquer intervenção excessiva, qualquer manipulação, qualquer ´trapaça´ atentatória à integrigada do real apresentado, e isso o levou a contrapor-se à montagem, notadamente quando sua utilização produzisse um sentido unívoco demais, imposto pela arbitrariedade do cineasta em detrimento da ambiguidade imanente ao real”. Correlativamente arremata Aumont com uma visão de mestre: “O filme deve evitar impor ao espectador uma interpretação de tudo quanto lhe é mostrado no ecrã; essa ´liberdade psicológica´ induziu Bazin a privilegiar a ´mise-en-scène´ e estilos fundados no plano sequência e na profundidade de campo”.

Welles e outros

Orson Welles: cineasta sempre citado

Esse foco profundo ou plano em profundidade veio à tona, como já mencionado, devido à dupla Orson Welles-Gregg Tolland em “Citizen Kane” (1941), com o qual foi possível filmar, com visão plena, tanto o “foreground” (a parte frontal de uma cena) como o “background” (o fundo de cena), minimizando-se a necessidade de fragmentar uma unidade da narrativa numa série de planos. Os planos-sequência, vistos também criativamente em “Soberba” (The Magnificent Ambersons, 1942) e nos filmes do cineasta alemão Max Ophuls, “Sem Amanhã” (Sans Lendemain, 1939); “Carta de uma Desconhecida” (Letter from an Unknown Woman, 1948); “Conflitos de Amor” (La Ronde, 1950), “O Prazer” (Le Plaisir, 1952); “Desejos Proibidos (Madame De… 1953) e “Lola Montez” (1955), foram igualmente louvados por Bazin e seus “pupilos” em apoio aos argumentos do mestre tão bem explicitados em seus escritos teóricos e em amparo à “politique des auteurs”.

Pois das ideias do diretor Alexandre Astruc, sobre quem falaremos mais adiante, nasceu a base para a teoria do “auteur” nos anos 50 do século passado, capaz de influenciar de forma decisiva os rumos da Nouvelle Vague.

De fato, muitos dos seus membros, sobretudo Truffaut, Godard, Chabrol e Rohmer se tornaram críticos dos Cahiers sob a orientação de Bazin.

SAIBA MAIS

O preito póstumo sobre a figura exponencial de André Bazin (1918-58) não pôde, é claro, abranger tudo quanto o grande teórico mereceria. Por isso, valemo-nos do ensejo para recomendar aos cinéfilos interessados a leitura do livro “O Que é Cinema” (Qu´est ce le cinéma), de autoria de Bazin, para saber um pouco mais sobre dois temas polêmicos da arte fílmica: a continuidade e a encenação (mise-en-scène).

L.G. DE MIRANDA LEÃO

ORSON será lançada amanhã: nova opção de Cinema na web

Será lançada amanhã, dia 21, a primeira edição da revista eletrônica ORSON, a qual poderá ser lida através do site oficial, com divulgação no dia do lançamento, e possibilidade de download no formato pdf de toda a edição.A publicação, com periodicidade semestral, é uma iniciativa dos cursos de Cinema e Audiovisual, e Cinema de Animação da Universidade Federal de Pelotas – UFPel, e objetiva criar um espaço de divulgação e reflexão em torno do audiovisual, reunindo convidados, em sua maioria docentes e discentes, tanto ligados à UFPel quanto a outras universidades, através de artigos inéditos.

 
 
Com isso, a ORSONimprime um conceito de diversidade de pensamento, que se estende à valorização de toda e qualquer obra audiovisual, produzida em qualquer dispositivo, para ser veiculada em qualquer meio.Pelo sumário da edição, é possível vislumbrar essa diversidade: de Orson Welles a Lisandro Alonso, de Stanley Kubrick a Gustavo Spolidoro, do cinema silencioso à animação gaúcha e à videoarte. E como entendemos a literatura  como fonte sempre maior e mais sagrada de informação e reflexão, apresentamos também uma seção de resenha de livros abordando o audiovisual, tratando desde a encenação, passando pelo som e até chegar à crítica de cinema.

Por fim, por que o nome ORSON ? Se para muitos são dispensáveis as explicações, para outros, como os alunos de cinema recém-começando a vida acadêmica, vale lembrar: Orson Welles é o pai do cinema moderno, nas palavras de um dos grandes especialistas na sua obra, Youssef Ishaghpour.
 
Quando Orson Welles morreu, em 10 de outubro de 1985, no dia seguinte a capa do jornal francês Libération estampava a manchete: “LE GEANT” e logo abaixo, o jornal trazia: Orson Welles a été retrouvé mort hier dans sa residende d’Hollywood.Enfant prodige avant de devenir artiste prodige, mystificateur radiophonique, acteur shakespearien, promoteur de projets jamais réalisés et de films qui restent parmi les plus grands.Texto simples que dispensa tradução, o Libération disse nas entrelinhas: Orson Welles foi gigante porque entendeu o cinema em suas múltiplas linguagens ao realizar o insuperável Cidadão Kane.

 
Gigante porque só tinha 25 anos quando realizou esta obra; gigante porque o seu primeiro filme é tido como o melhor de todos os tempos, gigante porque expôs como ninguém a relação entre o poder e a lei em A Marca da Maldade; gigante porque concebeu F For Fake, um documentário que de tão falso esgota a discussão em torno do que pode ser considerado fato e ficção em um filme. Gigante porque continua a produzir o brilho nos olhos de todos aqueles que amam o cinema, sejam da academia, ou longe dela.O que: Lançamento da revista ORSON
Onde: Centro de Artes da UFPel (Alberto Rosa, 62 – Pelotas)
Quando: 21 de setembro, quarta, das 17h às 19h

Orson nas redes sociais:
facebook.com/revistaorson
twitter.com/revistaorson

 
* Não custa lembrar: o professor e crítico de Cinema, LG de Miranda Leão, de quem tenho a imensa honra e alegria de ser filha, é um dos únicos cearenses vivos que conheceu ORSON WELLES quando o grande Mestre esteve em Fortaleza filmando It’s All True…
 
No livro de LG, comentários extensos sobre a obra de WELLES, um de seus cineastas preferidos…
 
LG é autor dos livros ANALISANDO CINEMA (Imprensa Oficial de São Paulo) e ENSAIOS DE CINEMA (edição Cultura da Gente/Banco do Nordeste do Brasil).
 
LG também é o foco do documentário LG – CIDADÃO DE CINEMA, do cineasta capixaba GUI CASTOR, e dá um dos mais ricos depoimentos do f ilme CIDADÃO JACARÉ, dos cearenses Petrus Cariry e Firmino Holanda.
 
LG e a cineasta francesa Agnès Varda quando da passagem desta por Fortaleza, em 2010… O CINEMA sempre em pauta.
 
 

“Ensaios de Cinema é livro obrigatório para quem gosta de cinema”

Segundo o escritor Batista de Lima, o livro de LG transmite a sensação de que se assistiu a um festival de clássicos do cinema de todos os tempos
 

Louco por cinema

Um crítico de cinema tem que ser, antes de tudo, louco por cinema. Antes de crítico, cinéfilo. Desses que assistem ao máximo de filmes para ter uma visão global antes da visão particular do que assiste. Há escolas, estilos e fases, até a história do cinema que já acumula uma bibliografia imensa em torno da sétima arte. Não é fácil, pois, trafegar por esses caminhos que possuem, como primeira estação, as salas de projeção. Não é fácil estar antenado com tudo o que está sendo produzido por aí.

Para se ter uma dimensão do árduo ofício de escrever sobre cinema, que se leia “Ensaios de cinema”, de Luís Geraldo de Miranda Leão. É um manancial tão grande de informações e comentários que dá a impressão de que L.G. tem passado seu tempo todo ou em salas de exibição, ou lendo sobre cinema, ou ainda agindo nas duas direções. Mas não é bem isso, quando se sabe que ele se aposentou como funcionário do Banco do Nordeste e ao mesmo tempo como professor da Universidade Estadual do Ceará.

Professor de Inglês da UECE, muito criterioso na sua didática, como testemunhou este escriba, seu aluno, teve antes, 10 anos de docência no IBEU. Estudou em Nova Iorque e ali manteve contato com o cinema americano da época. Curioso saber que ainda garoto, presenciou as filmagens de Orson Welles no Mucuripe, em torno da saga do jangadeiro Jacaré. Além de toda essa atividade, ainda dispôs de tempo para se tornar exímio enxadrista, organizador de torneios em nossa cidade. L.G. pertence à Academia Cearense da Língua Portuguesa desde sua fundação.

Como todo crítico de cinema, observam-se, nos seus estudos, as preferências pelos estilos e as intertextualidades. Daí que é fácil verificar sua facilidade de trafegar pelas produções de François Truffaut, tanto do que produziu para as telas como dos escritos no Cahiers du Cinéma. Por falar nisso é fundamental seu conhecimento da Nouvelle Vague, com a renovação do cinema francês e sua importância para a intelectualização do cinema europeu, com seu respingar em novos diretores americanos. Luís Geraldo é ensaísta zeloso quando trata desse assunto, pois conhece-o a fundo.

Esse seu zelo se mostra enfático quando escreve o ensaio “Macarthismo e a Caça às Bruxas: Olhar retrospectivo”. É que ele fundamenta historicamente esse episódio a partir da frase de Santayana de que “quem esquece o passado está condenado a revivê-lo”. Daí que vêm à tona no seu introito a esse ensaio episódios bem anteriores como as feiticeiras de Salém, a Inquisição com suas 32.000 vítimas, o holocausto na Segunda Grande Guerra. A partir daí ele chega ao cinema americano e o que sofreram Shirley Temple (com 10 anos de idade), Fritz Lang, John Huston, John Ford, Bertold Bretch, Jules Dassin, Joseph Losey e Charles Chaplin, entre outros.

Essa galeria de cineastas americanos e os franceses, além do seu passeio pelo cinema alemão, deixam no leitor cinéfilo aquela expectativa de encontrar os cineastas italianos, no livro. Acredito que deva ter ficado em outro de seus livros. O neorrealismo de Rosselline e De Sicca, os clássicos de Antonioni, Visconti, Scola e Fellini, as comédias de Monicelli e Dino Rissi povoam nossa memória e escrevem o momento de ouro do cinema italiano, que nunca mais foi o mesmo. Isso tudo sem falar em Pasoline. Quanto a Fellini, que cena antológica, Anita Ekberg (Anitona) se banhando na Fontana di Trevi no filme “A doce vida”, de 1960.

Se isso for considerado uma lacuna a ser preenchida no livro, ela se eclipsa com seu texto sobre Bergmann. Ernest Ingmar Bergmann tem tratamento especial no livro, o que demonstra a simpatia de L.G. pelo cineasta sueco. Sua ênfase quando comenta “O Sétimo Selo”, principalmente acentuando a célebre cena do jogo de xadrez entre o cavalheiro egresso das Cruzadas e a Morte faz com que reconheçamos ser uma das cenas antológicas da história do cinema. O mesmo ele faz ao descrever a cena do relógio sem ponteiros em plena rua em “Morangos Silvestres”, bem como as relações entre Bibi Anderson e Liv Ulman em “Persona”.

Toda essa simpatia de L.G. pelos filmes de Bergmann leva ao único momento do livro em que ele trata do cinema brasileiro, e exatamente por aquele cineasta nosso mais influenciado pelo diretor sueco. Trata-se de Walter Hugo Khouri. O ensaio que lhe é dedicado pode ser considerado a culminância do livro. Esse cineasta brasileiro, autor de uma extensa filmografia, influenciado por Bergmann, Antonioni e Fellini, trabalhou em sua obra introspecções e erotismo, principalmente em um momento político brasileiro de exceção em que a moda era o apelo social, era o filme político. Entretanto foi Luís Geraldo de Miranda Leão quem sempre visualizou a importância de sua obra, muito antes de alguns críticos que agora, mudando de opinião, veem a grandiosidade de Khouri.

Finalmente chega-se ao final do livro com a sensação de que se assistiu a um festival de clássicos do cinema de todos os tempos. Isso porque L.G. faz uma leitura ao mesmo tempo apaixonada e objetiva do que é grandioso da sétima arte. Esses seus “Ensaios de Cinema” podem figurar em qualquer bibliografia de pesquisas sobre o assunto. Afinal, seus escritos são tão verossímeis e impessoais, às vezes, que se constituem em um livro didático indispensável para quem estuda cinema.

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Mergulho no Mundo do Cinema

Caso você seja daqueles interessados em cinema, a recomendação do momento é ler Ensaios de Cinema, mais recente livro do crítico LG de Miranda Leão, jornalista com mais de 50 na estrada, com passagens por todos os grandes jornais de Fortaleza – Correio do Ceará, Unitário, Gazeta de Notícias –, ex-alunos dos mestres da Linguística e da Gramática – Aurélio Buarque de Hollanda, Rocha Lima, Paulo Rónai e Antônio Houaiss -, e colaborador do Diário do Nordeste há mais de duas décadas.

Ensaios de Cinema teve concorrido lançamento no Centro Cultural Oboé, ocasião na qual foi exibido o curta LG – Cidadão de Cinema, homenagem do cineasta capixaba Gui Castor ao profícuo ensaísta (o curta tem 15 minutos e é uma produção Ceará-Espírito Santo, com roteiro assinado pela filha do homenageado, jornalista Aurora Miranda Leão), e vem tendo prestigiados lançamentos em vários festivais de cinema pelo país – a exemplo do Festival Nacional de Cinema de Goiânia, Festival Aruanda de Documentários e Festival de Cinema de Anápolis. E já tem agendadas noites de autógrafos nos festivais de Patos (Cinema com Farinha), Campina Grande (ComuniCurtas), Taquaritinga do Norte (Curta Taquary), Festival de Cinema de Araxá (MG), e VII Curta Canoa (em Canoa Quebrada).

Ensaios de Cinema é mais um produto cultural lançado com o aval do programa Cultura da Gente – linha de ação do Banco do Nordeste que apóia a produção e lançamento de obras artísticas e culturais de seus funcionários aposentados (cuja responsável é a eficiente Rosana Virgínia). LG é um destes. Dedicou mais de 30 anos de trabalho ao BNB e foi lá, por exemplo, onde conheceu o aplaudido cineasta Walter Hugo Khoury, na década de 1970.

Khoury tinha vindo a Fortaleza a convite do BNB para realizar algumas peças publicitárias para a instituição. Ainda no avião, deparou-se com uma página do jornal Diário do Nordeste, onde alguns críticos da cidade apontavam seus filmes preferidos do ano anterior. LG era um desses e o único a indicar dois filmes de Khoury como alguns dos Melhores.  Logo ao chegar ao Banco do Nordeste, o cineasta paulista então perguntou ao fotógrafo da instituição, José Alves, se alguém ali conhecia aquele crítico. E qual não foi sua surpresa ao descobrir que LG trabalhava ali mesmo, como assessora do Gabinete da Presidência.

O encontro de LG e Khoury, crítico e cineasta, foi como o encontro de dois amigos de infância. E culminou com uma amizade que durou até o fim da vida de Walter Hugo Khoury, em 2003.
Os desdobramentos deste feliz encontro é um dos temas do livro Ensaios de Cinema, onde o leitor também pode ficar sabendo mais e melhor sobre a cinematografia de nomes emblemáticos como Orson Welles, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, e ainda sobre a relevância do Cinema Europeu, Sueco e Alemão, e as dimensões dos filmes de guerra e dos filmes B, por exemplo.

O genial STANLEY KUBRICK tem sua filmografia dissecada pela pena do Mestre LG

Conhecido nas lides cinematográficas por seu profícuo exercício da crítica, o mais recente livro de LG – Ensaios de Cinema – tem prefácio com a assinatura do renomado crítico Rubens Ewald Filho, único jornalista brasileiro a cobrir, in loco, a badalada entrega do Oscar: “Tivemos o prazer de editar pela Coleção Aplauso da Imprensa Oficial uma seleção de seus textos. Mas que são apenas uma pequena representação do que ele escreveu nesta última década. Agora temos mais de seus escritos, maior e melhor. Neste livro, todos os textos referem-se a filmes, cineastas ou cinematografias especiais (como cinema alemão, sueco, americano) e há outra coisa que eu admiro, seu rigor. L.G. não  escreve sem ter visto pelo menos três vezes o filme ou a obra a qual se reporta.Antes de tudo, é um livro para mergulhar de cabeça e alma, coração aberto e olhos cheios de imagem”. 

Orson Welles é um dos cineastas analisados pelo crítico LG Miranda Leão

Enquanto da jornalista Neusa Barbosa (biógrafa de Woody Allen e editora do CineWEB), o crítico LG ganhou as seguintes palavras: 

É de admirar que um profissional da crítica mantenha intocado seu fôlego intelectual tantas décadas num mister assim polêmico, não raro ingrato e carregado de incompreensões. Afinal, alguns desavisados costumam confundir os críticos com infalíveis juízes do bom gosto e alguns entre estes, os mais vaidosos, aceitam assim ser considerados. Não é o caso de Miranda Leão que, embora mestre, ensina nas entrelinhas de seus iluminados comentários com a sutileza que cabe aos dotados da melhor sabedoria, amparado numa pedagogia que vem da enorme intimidade com o assunto que comenta.{…} Mestre em literatura de língua inglesa e portuguesa, Miranda Leão domina a língua com uma fina expressão, construindo frases certeiras que, embora se alonguem num estilo precioso, cultivado em épocas mais eruditas do que esta apressada nossa, sempre sabem onde querem chegar. Suas palavras acertam sempre no alvo, construindo análises e conceitos capazes de enriquecer o universo de seus leitores”. 

SERVIÇO

Livro ENSAIOS DE CINEMA

Editado pelo Banco do Nordeste do Brasil

(programa Cultura da Gente)

280 páginas, sugestão de preço: R$ 25,00 

ONDE ENCONTRAR

Livraria Oboé (Center Um)

Livraria CULTURA (www.livrariacultura.com.br)

Livraria Lua Nova (Benfica)

Locadora Distrivídeo 

Mais informações: 9103.0556 (Aurora)

LG Analisa Cinema Alemão

Runze completa 85 anos de batente

Cineasta germânico dos melhores, mas pouco conhecido dos cinéfilos, tão raro ver celulóides alemães por estas plagas, Ottokar Runze completou neste 2011 nada menos de 85 anos bem vividos, tempo durante o qual atuou como realizador e também como escritor cinematográfico, ator e produtor de filmes tanto para a telona como para a TV!. Mestre da concisão e do preciso, cônscio da importância dos signos visuais, mormente daqueles sugestivos de algo subjacente ou prestes a acontecer, Runze lega para os amantes da 7ª Arte um registro de 18 filmes de categoria (v. filmografia mais adiante) recomendáveis para o cinéfilo atento e, naturalmente, para quem estuda cinema e conseguiu ver pelo menos alguns dos seus filmes.Assim, pareceu-nos bastante justo este preito a Runze, pois nem todos os cineastas chegam aos 85 anos com saúde e disposição para trabalhar – e muito – por trás das câmaras e orientar os jovens iniciantes sobre como aproveitar a experiência e as lições de mestres como Schirk, Weingarter, Schwenke e vários outros, máxime no tocante à sempre difícil transformação de uma obra literária em representação cinematográfica. A noção segundo a qual as ações de um filme oscilam entre a continuidade e o intervalo também não pode ser esquecida por quem se inicia na carreira diretorial ou quer aventurar-se na crítica.

Ponto de partida

Nascido em Berlim em 1925/26, Runze começou sua carreira aos 23 anos como ator, mas já aos 26 foi “manager” de um dos teatros de vanguarda atuantes em Berlim, Munique e Hamburg, quando assumiu a TV Aurora. Também atuou no “Deutsches Theater” e de 1956 em diante dirigiu o prestigiado “British Center´s Berlin Theater”. Foi “free lance” até 1968, quando começou a produzir pequenos filmes independentes. Seu primeiro grande sucesso como diretor foi com “Der Lord von Barmbeck” (1973) pelo qual ganhou seu primeiro Prêmio de Cinema concedido pelo Governo Federal. Precederam-no “Viola e Sebastian” (Viola und Sebastian, 1972) e “O Dinheiro Está no Banco” (Das Geld Liegt auf der Bank, 1971), este feito para a TV. Seus filmes, assim como boa parte da sua atuação no “script”/direção, focalizaram o drama criminal, os erros judiciais, a questão da culpa e da pena, e também as falhas do sistema prisional e da nossa visão dos criminosos e de como os tratamos, conforme registra Sandra Brennan, biógrafa de Runze. Como escritor de “teleplays” e realizador, Runze muito contribuiu, segundo Sandra, para o salto qualitativo da TV alemã, uma das melhores da Europa.Quanto ao mais, é preciso não esquecer as lições deixadas pelos cobras do cinema alemão no tocante à adaptação de textos literários para as telas dos cinemas. Poucos fizeram tão bem, daí o motivo pelo qual vale a pena revê-los em DVD, se for possível conseguir os filmes dessa plêiade à frente da qual estão Runze, Farberbock, Müller, Kluge, Tykwer, Schlondorff, Herzog, Monk, Staudte, Baier, Richter, Hirschbiegel, Becker e tantos outros.

 Conceito

“Da retrospectiva do novo cinema alemão destaco particularmente ´O Vulcão´ (Der Vulkan, 1999), ´O Estandarte´ (Die Standarte, 1977), ´O Assassinato´ (Der Mörder, 1979), todos de Ottokar Runze e, naturalmente, ´Inquérito´ (Aufrage, 1962), ´Um Dia´ (Ein Tag, 1967) e ´Os Irmãos Oppermann´ (Die Geschwister Oppermann, 1983), estes de Egon Monk, de categoria ímpar”. (Eberhard Fechner, transcrito do “Deustsche Zeitung”, 1999).

Rumo ao cinema

Findas as experiências ganhas por Runze depois de assumir a Televisão Aurora em 1972, e também o sucesso conquistado por ele como diretor cinematográfico em 1973, pode-se incluir a seu favor o rico aprendizado decorrente do trabalho persistente com os atores e as discussões com os autores, um tanto difíceis, a maioria delas concernente a problemas de iluminação, desenho, adequação de cenários. Tanto o “regisseur” de cinema como o de teatro enfrentam às vezes dificuldades outras nos bastidores, mas Runze logrou resolvê-las. Ele também trabalhou como técnico incumbido da dublagem de filmes estrangeiros para o idioma alemão, e veio daí sua aproximação com a magia do cinema e o interesse em aprofundar-se nos meandros da arte do século. Foi quando Runze começou a fazer seus próprios filmes experimentais e penetrar no mundo de possibilidades ensejadas pela arte das imagens em movimento.

Essa ambiência cinematográfica naturalmente o contaminou, levando-o a estudar cinema não só analisando os livros dos melhores autores do seu tempo, como Bela Balázs, André Bazin, Renato May, Peter Wollen, Ralph Stevenson, Hans Richter, Jean Marie Straub, Visevolod Pudovkin e Sergei Eisenstein, mas também vendo e revendo os filmes dos cineastas mais importantes de alguns países, como Orson Welles, William Wyler, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, e naturalmente da Alemanha, como os clássicos de F. W. Murnau, Joseph von Sternberg, Arnold Fanck, Walter Ruttmann, Sepp Algeir e Leni Riefenstahl (cineasta de talento invulgar mas infelizmente, como sabemos, peça importante da máquina de propaganda nazista e do sanguinário ditador), e os modernos Alexander Kluge (a inteligência condutora e a voz eminente do novo cinema alemão), Egon Monk, Helmut Käutner, Rainer W. Fassbinder, para citar apenas estes nomes vindos à memória.

Sobre “O Vulcão”

“O Vulcão” (Der Vulkan), elogiada adaptação da obra de Klaus Mann, com “script” do próprio Runze e de sua filha Rebecca e de Ursula Grützmachertabori, tem sido exibido em alguns cineclubes daqui e dali. Por isso mesmo, dos filmes alemães vistos e revistos por este crítico, tanto na Casa de Cultura Alemã da UFC como no Instituto Goethe do Rio de Janeiro, selecionamos “Der Vulkan” para homenagear o derradeiro filme de Runze para a tela, pois soubemos ter retornado novamente para a TV. Além disso, já havíamos comentado “Aimée & Jaguar” (1998), de Max Farberbock (filme louvado por Kenneth Turan, do Los Angeles Times), “Despedida de Ontem” (Abschied von Gestern, 1966), de Alexander Kluge, “O Jovem Torless” (Der Junge Torless, 1967) e “O Tambor” (Die Blechtrommel, 1979), ambos de Volker Schlöndorff, e “A Deusa Imperfeita” (Die Macht der Bilder, 2003), de Ray Müller.

O título O Vulcão foi escolhido pelo romancista Klaus Mann para sugerir metaforicamente o perigo iminente, algo está para explodir o “status quo” socioeconômico e político da França, pouco tempo antes de estourar a II Guerra Mundial, embora alguns franceses desavisados confiassem na intransponibilidade da Linha Maginot ! Como se enganaram ! Em verdade, o Rei da Bélgica, fascista disfarçado e simpatizante de Hitler, não permitiu o prolongamento da linha de defesa da França até o território belga, motivo pelo qual os exércitos do ditador alemão puderam contornar a Linha Maginot em maio de 1940 com suas Divisões Panzer e derrotar as forças de defesa da França para logo chegar em Paris, apesar da bravura dos combatentes franceses.

L.G. DE MIRANDA LEÃO

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Ensaios de Cinema na Oboé…

Ensaios de Cinema Será Lançado QUINTA na OBOÉ 

O mais constante crítico de Cinema em atuação no Norte e Nordeste, com mais de 50 de batente, LG de Miranda Leão é cearense, Bacharel em Literatura de Língua Inglesa e Portuguesa, aposentado pelo Banco do Nordeste do Brasil e pela Universidade Estadual do Ceará.
 
Na próxima quinta-feira, dia 20, LG lança seu novo livro ENSAIOS DE CINEMA (selo Cultura da Gente, programa do Banco do Nordeste que apóia iniciativas de funcionários aposentados), em noite festiva no Centro Cultural Oboé, quando será exibido o curta LG – Cidadão de Cinema, feito em sua homenagem pelo cineasta capixaba Gui Castor.

 

Ensaios de Cinema vem tendo ótima repercussão em festivais de cinema pelo país, já tendo sido lançado em Goiânia, Floriano (PI), João Pessoa, e no FestCine Maracanaú, e conta com convites também para lançamentos em São Luís, Santos, Rio de Janeiro, Jericoacoara, Canoa Quebrada, Campina Grande e Taquaritinga (PE).

 

Nomes como os de Orson Welles, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, entre tantos outros, são foco da pena do Mestre LG a nos guiar delicada e inteligentemente pelas vastas searas onde se inscrevem as obras destes grandes samurais da alquimia de perceber a vida e adentrar o mundo, através de pontos-de-vista especiais transformados em sabedoria pela magia eterna da Sétima Arte, como diz sua filha e organizadora da obra, jornalista Aurora Miranda Leão.

 

Walter Hugo Khoury e LG: amizade registrada em Ensaios de Cinema         

Conhecido nas lides cinematográficas por seu profícuo exercício da crítica, Ensaios de Cinema tem prefácio do jornalista Rubens Ewald Filho: “Tivemos o prazer de editar pela Coleção Aplauso da Imprensa Oficial uma seleção de seus textos. Mas que são apenas uma pequena representação do que ele escreveu nesta última década. Agora temos mais de seus escritos, maior e melhor. Neste livro, todos os textos referem-se a filmes, cineastas ou cinematografias especiais (como cinema alemão, sueco, americano) e há outra coisa que eu admiro, seu rigor. L.G. não  escreve sem ter visto pelo menos três vezes o filme ou a obra a qual se reporta.Antes de tudo, é um livro para mergulhar de cabeça e alma, coração aberto e olhos cheios de imagem”.

   

 SERVIÇO

 LIVRO ENSAIOS DE CINEMA

LANÇAMENTO: programa CULTURA DA GENTE/ BANCO DO NORDESTE DO BRASIL

ONDE: CENTRO CULTURAL OBOÉ

QUANDO: Quinta-feira, 20 de Janeiro

HORA: 19:30h

 * Livro à venda na Livraria Oboé (Center Um)

 

Mais informações: 3264.7038