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Cinema, a Arte do século ?

 

“O cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados”…

O pesquisador, professor e crítico de cinema, L.G. de Miranda Leão, escreve sobre o reconhecimento do cinema como Arte.

 Voltamos ao velho tema sobre se cinema é realmente a arte do século. Claro, há décadas o cinema tem sido definido como tal, e vários autores o colocam como arte dinâmica ao lado das artes estáticas. Afinal, costuma-se perguntar: como conceituar arte? Não é do escopo destas linhas entrar no labirinto das definições. Mas, das várias e complexas, uma das mais simples, sem dúvida, é aquela do saudoso J. R. Capablanca, ex-campeão mundial de xadrez, segundo o qual “a arte consiste na transformação de uma boa ideia em matéria”. Imaginemo-nos como um comerciante ou produtor de filmes. Sabedores de um drama vivido por um casal de amigos em dificuldades econômico-financeiras, logo pensaríamos em ajudá-los. Essa ajuda poderia ser contratar um bom roteirista e aplicar os nossos recursos disponíveis para levar a bom termo esse apoio aos amigos. Feito o filme, com razoável retorno e possibilidades de ajudarmos a quem precisa, teríamos transformado a ideia de ajuda em matéria. Este é apenas um exemplo banal da definição de JRC. Quanto a definir cinema como 7ª Arte, apoiemos-nos no crítico e teórico italiano Ricciotto Canudo (1877 – 1923), nascido em Gioia delle Calle na Itália. Foi ele quem classificou e difundiu as artes, começando, segundo alguns registros, com a música, dança, pintura, arquitetura, teatro e literatura, vindo depois a 7ª (cinema) e a 8ª (a fotografia). Após fixar-se em Paris, em 1902, Canudo tornou-se figura líder da vida cultural francesa, atuando como anfitrião de artistas como Pablo Picasso (1881 – 1973), Raoul Dufy (1877 – 1953) e Fernand Léger (1881 – 1955). Quando começou a escrever suas análises críticas sobre arte e o cinema mudo em 1907 como meio de expressão, Canudo propiciou uma base para o subsequente pensamento europeu sobre a estética do cinema. Pois foi ele, no fim de contas, quem cunhou a frase “7ª Arte” para descrever a nova arte. Assim fundou em 1920 o Clube dos Amigos da 7ª Arte em Paris e em 1923 planejou a realização de um filme mudo em colaboração com a figura marcante de Marcel L´Herbier (1888 – 1979), proeminente realizador impressionista do “avant-garde” com influência sobre vários diretores do período, notadamente o brasileiro Alberto Cavalcanti (1897 – 1982) e Claude Autant Lara (1903 – 77). Coube, aliás, a L´Herbier fundar o IDHEC, a famosa escola francesa de cinema. Em 1954, dirigiu L´Herbier vários filmes para a TV francesa, um dos quais o instigante “La Citadelle du Silence”, de 1937, exibido depois nos cinemas de Paris. Discordância O renomado teórico Ralph Stephenson, autor de “The Cinema as Art”, obra exponencial com J. R. Debrix, discorda da classificação de Canudo segundo a qual o cinema é a fusão de três artes do espaço (pintura, arquitetura e dança) e de três artes do tempo (música, teatro e literatura). A proposição de Canudo tem sido usada para mostrar que o filme não é uma arte em seu próprio direito, mas o argumento do italiano não convence. Para Stephenson, o cinema não é apenas a soma dessas seis artes, mas algo novo e diferente de todas elas. Apesar, disso, a lista pode servir para ilustrar a complexidade dos elementos que a compõem. Para concluir, convém distinguir entre fotografia (a 8ª arte) e cinema. Valemo-nos de uma definição do saudoso Stanley Kubrick, realizador de alguns dos filmes mais importantes do século XX. Para SK, “o cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados, e esta, em troca, tem o poder de gerar e ampliar nossos sonhos e pesadelos”. Isso porque, como escreveu o filmólogo Román Gubern, “um filme é como uma simulação involuntária do sonho; quando as luzes do ambiente se apagam, a noite invade a sala de cinema, é como o ato de fechar os olhos: começa então na tela e no próprio interior do homem a incursão na noite do inconsciente; as imagens, como no sonho, aparecem e desaparecem, dissolvem-se e escurecem, o tempo e o espaço tornam-se flexíveis, retraem-se e dilatam-se à vontade, a ordem cronológica e os valores relativos à duração já não correspondem à realidade…”. Eis a riqueza da 7ª Arte!

L.G. DE MIRANDA LEÃO

METZ, Capital da Arte Contemporânea

METZ, cidade do nordeste da França, vai ganhar um Centro Pompidou e passa a ter status de capital internacional da arte contemporânea
Olivier H. Dancy

O Centro Pompidou em Metz abre suas portas no dia 12 de maio

Com fachada de cristal, design moderno e teto em forma de chapéu chinês branco, o prédio foi concebido para ser uma obra de arte a céu aberto, em exibição permanente na cidade de Metz. A partir do dia 12 de maio, ele passa a abrigar o novo Centro Pompidou, transformando a cidade do nordeste francês em uma das capitais mundiais da arte contemporânea, rivalizando com Bilbao, Nova York, VenezaLondres, além, é claro, da capital do país. Com 60 mil obras de arte, o novo museu pretende dar mais espaço às produções dos séculos 20 e 21, com ênfase ao período atual, pouco valorizado nos museus mais tradicionais. 

Roland Halbe

Vista de uma das galerias do Centro Pompidou, em Metz
Além de nomes renomados, como Pablo Picasso, a exposição dará espaço a artistas contemporâneos que criaram trabalhos para a abertura do museu. Há pintura, escultura, instalação, artes gráficas, fotografia, vídeo, arte sonora, cinema, arquitetura e design. A diversidade das expressões artísticas confirma a vocação multidisciplinar do Centro Pompidou.

A exposição inaugural será substituída, aos poucos, por mostras temporárias, em uma média que pretende se manter entre quatro a seis por ano. Elas apresentarão vários formatos, mas sempre emprestando obras de grandes museus e centros culturais ao redor do mundo, além de coleções  privadas.

* Texto de Fernanda Castello Branco

A abertura 

A exposição de abertura foi batizada de Chefs d´oeuvre ?, com obras em sua maioria provenientes do museu de arte moderna parisiense (Centro Pompidou). No total, 800 obras vão ocupar todos os espaços do edifício, com cerca de cinco mil metros quadrados de espaço expositivo. A ideia central da primeira mostra é questionar a noção de obra de arte, mostrar sua evolução e as tendências.