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PERMANÊNCIA de HÉLIO OITICICA

Em 1979, o penetrável Nas Quebradas (PN28), “assimilação das construções das favelas”, como define o curador Fernando Cocchiarale, foi instalado num galpão em São Paulo por Hélio Oiticica. Tal como definia o artista sobre essas instalações, era um labirinto sem teto, “espaço livre” para o “participador” entrar, caminhar, ter uma “visão e posição diferentes” do que seria a obra – e agora, o Nas Quebradas renasce e retorna à cidade, abrigado dentro do Teatro Oficina (foto abaixo).

“O penetrável vai ser incorporado às nossas peças”, diz a atriz Camila Mota, integrante do grupo do diretor José Celso Martinez Corrêa. A partir da abertura da exposição Hélio Oiticica – Museu É o Mundo, realizada pelo Itaú Cultural, Nas Quebradas poderá ser experimentado pelo público e, em abril, a instalação vai integrar as apresentações dos espetáculos Taniko, Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!, Bacantes e O Banquete.

Nas Quebradas (PN28). Penetrável de Oiticica com “assimilação das construções das favelas”

Ainda, de frente para o Teatro Oficina, Oiticica estará presente: sete de seus Cama-Bólide, caixas de madeira com tendas criadas em 1968 que, como o título, se transformam em camas, ficarão abrigados na Rua Jaceguai. “É o mais imprevisível dos trabalhos”, diz Camila Mota – naturalmente, as obras estarão à disposição dos mendigos da região. “Nosso objetivo de atuar com os bólides era inventar algo criativo para lidar com o problema de falta de moradia“, continua a atriz.

Antiarte. O anarquista e “marginal” Hélio Oiticica – que tinha uma vida social no Morro da Mangueira e, como “amigo bandido”, o Cara de Cavalo. Em 1965 foi expulso da abertura da mostra Opinião 65 do Museu de Arte Moderna do Rio por levar ao evento os integrantes da escola de samba Mangueira vestidos com parangolés (as capas coloridas que eram a pintura-viva do artista) – ficaria satisfeito se hoje presenciasse suas obras no bairro do Bixiga.

“Antiarte é a proposição da fusão criador-espectador”, disse Hélio em 1966. “Sua vivência no morro não foi a de um sociólogo, mas verdadeira e íntegra”, diz Cocchiarale, completando que a postura política do artista era “libertina”, voltada para a “revolução comportamental do indivíduo”.

Perenidade de OITICICA confirma magnitude do Artista

Ao mesmo tempo em que um trabalho de 1968 como o Cama-Bólide seja atual e provocativo, a inauguração da mostra do artista, no sábado, no Itaú Cultural, já revela que alguma coisa mudou: 13 integrantes da Mangueira vestidos com parangolés foram convidados pela instituição para abrir a exposição e isso, agora, não causa mais estranhamento (a abertura ainda contará com participação do músico Jards Macalé e de integrantes do Teatro Oficina). Inevitavelmente, como afirma Cocchiarale, o mercado, “como absorve tudo”, incorporou a antiarte de Oiticica, valorizando suas obras, hoje presentes em renomadas instituições internacionais. Inevitavelmente, ainda, o incêndio, no ano passado, que destruiu obras do artista (leia abaixo) contribuiu para elevar ainda mais seus preços.