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A esperança e o sonho no circo de Selton Mello

Selton Mello faz comédia refinada, de imensa beleza e sensibilidade, para falar de afeto, respeito, sintonias…

Penso que quase tudo já se escreveu sobre O Palhaço, a segunda incursão do ator Selton Mello na direção de um longa-metragem. Mas creio que algumas coisas muito singelas e precípuas no filme, precisam ficar mais explícitas. Ou melhor: o filme de Selton me falou, de forma tão profunda e delicada, sobre alguns sentimentos, que gostaria de dividir minhas impressões com você, amigo leitor.

Confesso: como a maioria, já gostava do filme antes de vê-lo. Não só por admirar muito Selton Mello e reconhecer nele um Artista profundo, relevante e necessário, como por todas as críticas favoráveis que li sobre O Palhaço.

Não pretendo dirigir olhares, apontar caminhos ou determinar o lado pelo qual o filme deve conduzir sua emoção. Mas há aspectos essenciais pelos quais seus sentimentos devem ser tocados. E o principal: O Palhaço é um filme que transpõe o espectador a um universo onírico, um oásis para ressaltar e incentivar sentimentos nobres.

Escrevo porque penso que posso contribuir jogando uma pequena semente na busca de uma provável imersão afetiva e mergulho sensorial num dos filmes mais tocantes e profundos dessas últimas décadas. Há tempos não via um filme como O Palhaço: inteligente, sensível, engraçado sem apelação, terno sem pieguice, intenso sem machucar. Um filme brasileiro do terceiro milênio cujo foco não é a pobreza, misérias cotidianas, brigas, preconceitos, racismo, questões de gênero, drogas e afins.

Ou por outra, um filme que revela dimensões importantes e cogentes da psique humana, sobretudo daqueles que fazem arte e carregam, no mais fundo de seu íntimo, uma intrincada certeza dos caminhos incertos e dolorosos, frágeis e muitas vezes solitários, de uma profissão cercada de dúvidas e constantes incertezas, ademais aqui quando está em foco um artista tímido, temeroso e inseguro da sua própria grandeza. Ao mesmo tempo, um filme que aponta para um artista em constante questionamento, parecendo concentrar em si toda a dor da carência e da solitude, que por vezes irá afetar, em maior ou menor escala, cada um de nós, encantados com as tentações da paixão e espicaçados por qualquer suposta rejeição ou desafeto, qual garimpeiros nos escaninhos do afeto.

Selton Mello é uma espécie de mensageiro – sutil, instigante e profético – de idéias que nos perpassam o âmago, sorrateiramente, ainda que não as percebamos de imediato. Às vezes, é preciso que algum arcano, do quilate dele, se embrenhe nas quase sempre difíceis e sinuosas vias de acesso aos recônditos da emoção, para que possamos nos dar conta de certos sinais tão óbvios, tão incrustados, mas quase nunca de fácil aceitação ou tradução.

Com uma simplicidade comovente, e a ternura que desabrocha com assombrosa força de sua interpretação visceral, Selton Mello nos comunica aspectos fundamentais de seu itinerário artístico e suas implicações com o sensório que lhe arrebata a alma. Por tão intrínsecos de seu ser, esses aspectos nos empatizam de imediato e nos fazem enveredar pelas trilhas emocionais que ele tece com profundo cuidado e corajosa imersão para expressar – através da composição invejável de um personagem aparentemente corriqueiro e sem nenhum atrativo especial -, nichos profundos de sua visão de mundo, suas impressões a respeito das relações humanas, e os muitos matizes de que é composta a sua (nossa) tessitura humana: frágil e corajosa, serena e aguerrida, sensível e sensata. Assim, Selton revela-se mais maduro a cada obra, embora mas sofrido (caminho natural para onde nos conduz a maturidade), e cada vê mais verdadeiro, tocante, profundo, essencial e necessário.

Uma das cenas mais tocantes é o reencontro dos palhaços. A cena está encharcada da alma do próprio Selton e é, sobretudo, ele que vemos na troca de olhares e sintonias com o magnânimo Paulo José. Quando os palhaços – Pangaré e Puro Sangue, filho e pai – se reencontram e se entreolham entre felizes e reflexivos – ali está o encontro de dois grandes símbolos do Cinema Brasileiro: o Ator maduro que é também roteirista e diretor, o Ator que descortinou caminhos e é uma das grandes inspirações do outro. O encontro de Pangaré (Benjamim) e Puro Sangue é o encontro do inspirado artista Selton Mello com o magnânimo artista Paulo José, como se um estivesse a dizer ao outro ‘Eu sigo este caminho porque você veio antes e iluminou’; o outro interagindo ‘Prossiga nesta trilha porque você faz como eu faria’.

Ver Selton Mello atuando é um bálsamo para os olhos, os ouvidos, a alma. Mas vê-lo atuando neste O Palhaço (criação sua, com roteiro dividido com Marcelo Vindicatto) é deleitar-se numa criação soberba, irretocável, de um Artista que tem a ousada coragem de fazer um mergulho profundo em seus escaninhos emocionais e submergir deles cada vez mais forte, sereno, estraçalhado muitas vezes, mas possante e determinado por força desta coragem, suprema e catártica.

Ressalte-se: o filme é mais uma parceria Selton Mello-MondoCane e Vânia Catani-Bananeira Filmes. Um acerto auspicioso. E faz-se necessário ao menos um parágrafo para falar no elenco, este encontro feliz que Selton Mello gerou, proporcionando à platéia conhecer novos atores e rever alguns outros de quem tínhamos até saudade e não sabíamos.

Porque não bastaria apenas a proficiência do roteiro, a habilidade da direção, nem a qualidade técnica da atuação de Selton para ofertar ao filme o êxito de público e crítica que alcançou: a excelência de toda a equipe técnica de O Palhaço é fundamental para o sucesso da obra.  

Giselle Motta, a bela morena que faz a partner do palhaço Puro Sange, dançarina do Circo Esperança, é uma gratíssima revelação. Dona de visível sensualidade, Giselle é também bailarina e emprestou ao filme seus dotes de coreógrafa, tendo ela própria criado a bela coreografia com a qual entra em cena no filme. Sua personagem exige nuances expressivas, as quais Giselle alcança com competência e sensibilidade. Uma atriz de teatro que Selton revela para a telona, e que ainda há de merecer vários outros papéis no cinema. Um brinde à descoberta de Giselle Motta !

Teuda Bara, atriz de sólida presença no grupo de teatro mineiro Galpão, é um tipo perfeito para assumir as pegadas do roteiro. Delícia acompanhar sua atuação. Ótimas as participações de Moacyr Franco, Jorge Loredo, Ferrugem, Tonico Pereira, Jackson Antunes, Fabiana Carla, Erom Cordeiro, Emílio Orciollo Netto, Alex Sander, Phil Miller e Larissa Manoela. Toda essa trupe ajuda a compor um painel imagético-interpretativo primordial para o êxito do filme. Dentre esses, considero estupendo o ‘achado’ do ator Renato Macedo, que compõe com galhardia, espontaneidade e pungente alegria um dos tipos mais expressivos da obra.

Renato Macedo em expressiva participação em O Palhaço

Quem também aparece, qual mineiro anjinho barroco, para enfeitar a tela e resplandecer esperança é a bela Bruna Chiaradia, mais uma oportuna descoberta de Selton. Ela faz Justine, após ter feito testes, e revela fazer um personagem que ajudou a criar: “Selton é generoso e deixa espaço aberto para o ator. Ele gosta de chamar o roteiro pelo nome espanhol, guión, que não é um roteiro e, sim, um guia para o ator”. Assim, Bruna conta que, durante um ensaio, improvisou ao esquecer o texto e esse improviso acabou virando parte do filme: “Os atores dão opinião e isso é tão bonito, porque a gente constrói junto e se sente parte”, diz Bruna, emocionada.

Imagem Filmes/Divulgação
 Bruna Chiaradia tem atuação destacada em O Palhaço

Bruna fez o teste, passou e entrou para o elenco como Justine, personagem que ajudou a criar. “Selton é generoso e deixa espaço aberto para o ator. Ele gosta de chamar o roteiro pelo nome espanhol, guión, que não é um roteiro e, sim, um guia para o ator”, conta Bruna. Ela diz que, durante um ensaio, improvisou ao esquecer o texto. O improviso acabou virando parte do filme. “Os atores dão opinião e isso é tão bonito, porque a gente constrói junto e se sente parte”, conclui a atriz.

E um destaque todo especial para a ótima atuação de Danton Mello, que ‘duela’ com o irmão em pé de igualdade e compõe com ele uma das cenas mais engraçadas e interessantes do filme. Assim, com a magistral composição de tipos que conseguiu desenhar, Selton Mello imprimiu ao ecrã um painel artístico bastante impactante e digno, que autoriza com louvor sua óbvia e assinada inspiração felliniana.

Outrossim, o que ressalta mesmo no arcabouço poético deste segundo longa de Selton Mello (impregnado de sutis e belas referências à cidade onde nasceu, aos circos de sua infância, ao amor pelos pais, que aparecem em rápidos closes) são todas as filigranas de suas entranhas pessoais – influências, sensibilidades, inspirações, coerências, homenagens, gratidões, afetos, sintonias, e relações humanas – que adentram, pontuam e perpassam todo o filme com uma singeleza cativante, irrecusável. É de tamanho valor o que Selton Mello nos apresenta em O Palhaço com propriedade, sensatez e ternura que essas suas referências – profundas, viscerais, intrínsecas – acabam por nos contagiar e, quando o letreiro sobe, não há como conter a emoção, as lágrimas, o envolvimento e a completa adesão ao artista grandioso e profundamente imerso em suas verdades que é Selton Mello.  

Portanto, Selton Mello: por nos transmitir sentimentos tão meritórios – como a bondade, a pureza de intenções, a cortesia, a gratidão, a reverência aos que vieram antes, o cuidado com o próximo, a atenção aos de maior idade, o carinho com os menos privilegiados, o respeito pelas diferenças, a delicadeza com os que fogem aos padrões midiáticos, a imensa solidariedade aos desajeitados, rejeitados ou tronchos de desafeto -, e por nos conduzir a estas reflexões com o dom da inocência, da sensibilidade e da ternura, nós lhe parabenizamos e agradecemos.

E lhe desejamos vida longa, cada vez mais Cinema, força e ousadia, agradecendo pela beleza da Arte que você faz com tanta propriedade, vocação e sentido de quem comunica para entrar em contato com o próximo, e entrega a esse encontro o melhor e o mais profundo de seu ser.

Da platéia, é fácil deleitar-se com a interpretação carismática e irretocável de Selton e Paulo José. A graça do personagem de Selton – o palhaço Pangaré/Benjamim – nos contagia desde a primeira aparição. A trama vai nos comovendo mais a cada take, e de repente estamos completamente absortos naquela história aparentemente tão despretensiosa e comum.

Quando a tela escurece e a xilogravura assume a cor exibindo os créditos, ao final de 90 minutos, você percebe que nem viu o tempo passar mas está completamente impregnado pelos sentimentos, sensações e emoções com as quais Selton Mello imprime vigor, e rigor técnico indiscutível a mais um filme seu, suas marcas pessoais de Artista. Relevante e necessário a seu tempo, um tempo que precisa de muito mais Artistas com a estirpe de Selton Mello, e de muito, mais muito mais pessoas com a riqueza de alma e grandeza de valores que Selton Mello traz no coração e que transmite, até sem o saber.

Um abraço muito comovido a Selton Mello e um Parabéns muito caloroso a toda a equipe que tornou possível este Palhaço cheio de charme, carisma e verdades profundas que é o palhaço do Circo Esperança de Selton Mello.

Março de Teatro e É Tudo Verdade no CCBB carioca…

 

Paulo José, JT Leroy, Natália Lage, Caco Coelho, Daniela Thomas, Nelson Rodrigues, e Viviane Pasmanter
 
O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro apresenta este mês 3 novos espetáculos de teatro
 
Baseado em episódio real, com direção de Susana Ribeiro e Paulo José, JT – Um Conto de Fadas Punk traz a atriz Natália Lage no papel de JT Leroy, jovem escritor consagrado como grande fenômeno da literatura mundial, admirado por personalidades como Madonna, Bono Vox, Winona Rider e que, na verdade, nunca existiu.
 
Natália Lage volta aos palcos dirigida por Paulo José…
 
Um marco na dramaturgia nacional, o espetáculo Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, ganha versão inédita com direção de Caco Coelho e direção artística de Daniela Thomas. No ano do centenário de um dos maiores dramaturgos brasileiros, a montagem ocorre em cenário especialmente desenvolvido para dar vida aos três planos – realidade, alucinação e memória. Ocupando a rotunda do CCBB Rio, durante o dia, o cenário se transformará em exposição interativa, com tablets que mostrarão a obra do autor. O elenco traz Vivianne Pasmanter, Renata de Lelis, Vanessa Garcia, Charles Asevedo, Bruno Fernandes, Felipe Di Paula, Flávia Pucci, Sandra Alencar, Renato Linhares e Luciana Belchior.
 
Tudo Que não Invento É Falso é o espetáculo de dança infantojuvenil inspirado na obra Memórias Inventadas, do poeta matogrossense Manoel de Barros.
 
Presente no CCBB Rio desde sua primeira edição, o Festival É Tudo Verdade completa 17 anos reconhecido como principal evento dedicado à cultura do documentário na América Latina. O Cinema I exibe parte da destacada da programação, recebendo algumas de suas principais mostras.
 
 
 
Sala A Contemporânea abre a série 2012/2013 com a exposição individual inédita: José Rufino – Divortium Aquarum, 2012. Norteado pela apropriação e transmutação de memórias locais, socioculturais e políticas, o site specific do artista paraibano recupera memórias relacionadas ao universo dos rios e do mar.
 
A Galeria de Valores, espaço interativo que conta a história da moeda no Brasil e no mundo apresenta nova mostra na sua última sala: Art Decó/Art Noveau, reunindo um conjunto de jóias de um período mítico da história recente, marcado pelo luxo.
 
Anjos Tortos é a série musical que traz à cena parte do repertório de Itamar Assumpção, Wilson Simonal, Wally Salomão e Torquato Neto. Geniais e geniosos na mesma medida, esses artistas se importavam menos com o sucesso comercial do que com viver e criar intensamente. Entre os convidados estão: Isca de Polícia, Arrigo Barnabé, Max de Castro, Jards Macalé e Chico César.
 
As séries musicais permanecem no Teatro II com espetáculos temáticos: Gauchada Sul Gêneris traz Marcelo Delacroix e Band, Simplesmente Inédito tem como tema Linguagens, Eternos Modernos recebe Quarteto Radamés Gnatalli e participação especial de Paulo Sérgio Santos.
 
A edição de março de A Ópera na Literatura: Uma Inútil Precaução traz Ivo Barbieri (ensaísta), Osvaldo Ferreira (maestro) e André Paes Leme (diretor teatral) para falar de Elektra (Richard Strauss & Hofmannsthal).

Aderbal Freire-Filho, ou simplesmente, TEATRO

Tenho a honra de dizer que fui aluna dele, por várias vezes, e confesso que tenho por ele uma admiração que só cresce quanto mais o vejo, mais o ouço falar e mais fico sabendo de sua atuação ininterrupta e impressionante – seja no Teatro, no Cinema, escrevendo, fazendo músicas, dando entrevistas e ou envolvido em projetos os mais audaciosos possíveis.

Aderbal Freire-Filho é um homem por quem é fácil se encantar. Tem uma inteligência refinada, uma cultura vicejante, um brilhantismo temperado com uma simplicidade cativante. A sensibilidade aguçada e o olhar indormido para tudo o que perpassa o humano preenchem sua personalidade de um estilo criativo raro cuja originalidade só revigora a força que faz dele um dos
Artistas mais profundos, relevantes e respeitados do país.

De temperamento inquieto e sempre antenado com seu tempo, Aderbal saiu do Ceará há muitos anos para viver do Teatro, para o Teatro, pelo Teatro e com o Teatro. Aliás, em termos de Palco e Dramaturgia, eu diria que Aderbal está muitos anos-luz à frente de seu tempo.

Sou sua fã confessa, mantenho por ele o mesmo encantamento da primeira vez em que o vi, já bem sintonizada com seus passos na Arte porque desde menina meu pai sempre me falava dele, com enorme carinho e admiração. Lembro como se fora hoje: “Loló, você precisa conhecer o Aderbalzin, este é o homem do Teatro”… O Mestre LG de Miranda Leão tem por ele o respeito de quem o sabe um oficiante no acme da Arte de Shakespeare.

Aderbal está mais uma vez nos palcos, pra honra e glória do Teatro Brasileiro. São 3 peças em cartaz ao mesmo tempo, com sua direção. Numa delas, ele também atua. É Depois do Filme que ele escreveu e dirige, e que nasceu a partir do filme JUVENTUDE, no qual ele é ator ao lado dos amigos Domingos Oliveira e Paulo José. Um trio magnânimo, um filme comovente.

Reproduzo aqui a entrevista de Aderbal Freire-Filho à Folha porque é sempre importante ouvir ADERBAL FREIRE-FILHO, um homem que, se não existisse, precisava ser inventado.

Saravá, Aderbal ! E um beijo no coração…

Aderbal Freire-Filho só parece ter os 70 anos que não aparenta (“Já fui mais velho”, diz) quando fala sobre tudo que fez até se firmar como um dos mais requisitados diretores teatrais do país.

Trabalhou na Petrobras, foi dono de cinema e de bar, ator de rádio e de telenovela, publicitário e advogado –isso até os 29 anos, quando largou a família (incluindo mulher e um filho) em sua Fortaleza natal e veio fugido para o Rio, pela segunda vez, disposto a viver de teatro.

A partir daí, montou cerca de cem espetáculos, atuou em outros tantos e ganhou praticamente todos os prêmios do teatro brasileiro, além da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo Ministério da Cultura, em 2009.

Sua boa fase atual é facilmente mensurável: no fim de semana, terá três peças em cartaz simultaneamente.

  Paula Giolito/Folhapress  
O diretor Aderbal Freire-Filho posa para retrato no palco da peça "Na Selva das Cidades"
O diretor Aderbal Freire-Filho posa para retrato no palco da peça “Na Selva das Cidades”

“Na Selva das Cidades” abre para o público hoje, no Rio; “Depois do Filme”, em que é autor, ator e diretor, segue em cartaz na mesma cidade; e “As Centenárias”, um de seus maiores sucessos (estrelada por sua mulher, Marieta Severo, e por Andréa Beltrão), estará em Fortaleza.

Freire-Filho conversou com a Folha anteontem, depois do último ensaio de sua nova peça. Falou das frustrações e alegrias de sua “profissão sem rosto” e de sua vida. Abaixo, uma resumo editado dessa conversa, em tópicos.

Estreia na direção

Vim para o Rio em 1970, para investir numa carreira de ator. Nessa fase eu estava me separando, mudando de pele, como o Garga [de “A Selva das Cidades”]. Eu era advogado, casado e com um filho, trabalhava no escritório do meu pai. E aí vim fugido, sem avisar ninguém, de ônibus. Foi uma mudança muito brusca. Cheguei no Rio com endereço certo e queria me mudar rapidamente para minha família não saber onde eu estava.

A primeira peça que eu fiz aqui foi “Diário de um Louco”, dentro de um ônibus que circulava por Ipanema, Leblon e Copacabana. Lembro que o Glauber [Rocha] namorava com a produtora da peça, o Euclides Marinho, que virou escritor de novela, era o fotógrafo.

Depois, um produtor me convenceu a fazer teatro infantil, para ganhar uma grana. Eu criei uma peça inspirada no “Flicts”, do Ziraldo, que não queria que mexessem na obra-prima dele, mas leu meu texto e adorou. Ofereci para outras pessoas dirigirem, mas ninguém podia, então dirigi eu mesmo e descobri que era isso aí, que minha forma de expressão era essa.

Trabalho de diretor

Pouca gente sabe. Nem falo fora do teatro, porque aí é ninguém. Eu brinco dizendo que esse era o problema da minha mãe na hora de explicar o que o filho fazia. “É diretor de teatro”. “Mas o que ele faz?”

É muito difícil eu me identificar profissionalmente na sociedade, para o taxista, o cara da farmácia. Eu falo que sou diretor de teatro e o sujeito me pergunta que teatro eu dirijo, como se eu fosse administrador.

É difícil explicar mesmo dentro do teatro. Eu leio críticas e vejo que os críticos não têm ideia. Até tenho reconhecimento, ganhei muitos prêmios, mas esse desconhecimento às vezes me fere. Já teve época em que eu sentia cansaço, a idade, pensava “chega, vou ser pescador no Ceará”. Mas hoje estou animadíssimo de novo e, à medida em que quero fazer outras coisas que não dirigir, como atuar e escrever, reconheço a beleza dessa profissão sem rosto, do ofício de diretor de teatro.

Atuar x dirigir

Eu sou um diretor-ator, me comunico com os atores com a proximidade de quem jogou essa bola. Tem uns diretores que pré-concebem seu espetáculo, estudam muito antes de começar os ensaios, até desenham as cenas que vão ensaiar. O oposto disso são os diretores que chegam e pedem para os atores improvisarem. Eu não sou nem um, nem outro. Sou um diretor que não prepara, mas sou muito rigoroso no sentido da coreografia do espetáculo, acho que a espontaneidade não vai longe. No ensaio, me considero num ateliê em que eu crio na hora, e isso é próprio do ator, e do diretor que eu sou.

O ator tem o prazer incomparável de fazer a peça na frente do público. Isso o diretor não tem. E é o que eu faço no “Depois do Filme”, e quero continuar essa história. Tenho esboços de ideias paradas, quero dar uma pausa para pensar nisso, estou trabalhando sem parar desde 2007.

A conta que não fecha

O teatro no Brasil tem uma equação econômica impossível. O preço que faria o teatro ser acessível para um mercado como o brasileiro não paga o produto. Se eu cobrar R$ 5 e R$ 10, fazendo três ou quatro vezes por semana, em uma plateia de poucos lugares, não pago os custos de elenco, técnicos, aluguel do espaço, divulgação. Não dá para viver de um ingresso menor.

Antigamente as peças paravam no seu tempo natural, quando o público ia acabando. Hoje em dia você vê peças lotadas que acabam porque terminou o dinheiro do patrocínio e a bilheteria não paga a manutenção. As peças morrem atropeladas.

Eu sou um cara que vive só de teatro, diria que sou um dos que cobra o cachê mais alto. E o que eu cobro não equivale ao salário mensal de um ator razoável na TV. E é um cachê para eu trabalhar três meses. Sou contratado por um cachê e mais uma porcentagem da bilheteria. Peças como “Hamlet” e “As Centenárias” me dão muito mais de porcentagem do que de cachê. Ganho a vida como diretor de teatro. Tenho um carro 96, moro num apartamento alugado de quarto-sala, mas perto da praia, e moro só.

Aderbal Freire-filho no lugar onde mais gosta de estar, o PALCO…

O teatro e a TV

Até acho que a classe C tem ido a um tipo de teatro como extensão da TV. Mas [o teatro] não está no repertório de consumo, então é difícil associar isso à ascensão de uma parte da população para a classe média.

O teatro no Brasil não criou uma necessidade de consumo como no primeiro mundo. O fenômeno das telenovelas estabeleceu uma concorrência brutal. Você tem em casa um folhetim que te prende e que, apesar de ter uma outra linguagem, uma outra poética, é teatro, tem os atores, os diálogos.

Eu não fiz TV por burrice, que é um dos nomes do sectarismo. Eu era da seita do teatro, achava que fazer televisão era me corromper. Quando a TV completou 50 anos, eu me dei conta de que esse negócio é absolutamente contemporâneo meu. Eu poderia ter crescido junto, desde os primórdios, que idiota que eu fui. Ainda mais porque eu fiz telenovela no Ceará. A TV lá começou em 1960, na época em que eu vim para o Rio pela primeira vez. Quando voltei para Fortaleza, em 62, meus colegas de teatro amador estavam fazendo telenovela. Me lembro de uma chamada “Arrastão”, em que eu era o galã. Também apresentei programas e fui locutor.

Admirador de Lula

Eu vejo hoje muita gente se rendendo à Dilma e continuando a falar mal do Lula. Quem descobriu a Dilma, quem brigou com o partido para impô-la, não foi o Lula? Me lembro de uma crônica do [Arnaldo] Jabor ofensiva, em que ele dizia “essa pobre mulher está sendo usada”. E agora ela dá uma demonstração de firmeza, de determinação. E o Lula viu isso. Esse talento, essa sensibilidade do Lula, surpreende o mundo.

A inteligência brasileira ainda acredita no neoliberalismo como uma coisa nova. A inteligência europeia já esgotou sua crença no neoliberalismo, está esperando surgir uma luz, um pensamento, uma coisa nova. Pode ser que não seja o Lula, pode ser que ele seja um erro total, mas o fato de ele ser respeitado internacionalmente mostra que eles têm pelo menos a curiosidade de ouvir esse cara.

Uma parte enorme da crítica à incultura do Lula é burra, muito burra. Não consigo entender. Quando não se localiza na política, esses mesmos críticos admiram alguns talentos incultos. Na música popular, temos Nelson Cavaquinho, Cartola. Somos grandes produtores de talentos incultos. Na política isso é impossível? E, por falar em cultura, quem são os cultos na política brasileira? O Fernando Henrique é um homem culto, tem outros, mas são as exceções. O nível cultural do Lula dentro da política brasileira é alto.

Tenho o maior carinho pelo Fernando Henrique, não sou um radical, me lembro de quando fui a uma assembleia em que ele estava e fiquei encantado com a inteligência dele. Mas eu era [professor] da universidade pública, me lembro da falta de atenção do período Fernando Henrique. Ele é um cara da USP, e não houve um aumento, nada, quem cresceu foi a universidade privada. E eu vejo o que é a universidade pública pós-Lula, o analfabeto. Respeitada inclusive internacionalmente.

Fala-se muito da corrupção, mas ela aparece agora porque cresceu a repressão. Antes, os caras dominavam a corrupção e os aparelhos anti-corrupção, então nada aparecia. Nunca vi ela ser tão combatida como agora. Na época do mensalão, os maiores canalhas da política nacional faziam discurso sobre a moralidade.

Aderbal Freire-filho e Aurora Miranda Leão: encontro em Fortaleza 2011 

Trabalho do MinC

O Gil e o Juca [Ferreira, ex-ministros da Cultura no governo Lula] estruturaram um ministério como nunca houve. Mas eu tive divergências: quando quiseram polarizar famosos x não famosos, por exemplo [na discussão sobre direcionamento de patrocínios públicos]. Os famosos brasileiros fazem o melhor teatro. O Wagner [Moura] faz “Hamlet”, a Renata Sorrah trouxe para o teatro brasileiro autores importantes que a gente não conhecia, como [o alemão] Botho Strauss. A gente não tem uma companhia dramática nacional, quem faz esse papel são alguns famosos. Não faz sentido colocar famosos contra não famosos, dá para atender os dois.

Quando vem o novo governo, com a Ana [de Hollanda, atual ministra da Cultura], num primeiro momento me surpreenderam algumas atitudes dela, mas eu a conheço, sei que é uma pessoa séria, dedicada, honesta, de muito boa fé, então eu torço por ela e por esse ministério. Como eleitor da continuidade, eu defendia a continuidade do trabalho do Juca. Mas acredito que ela virá, numa certa medida. Eu acredito nesse projeto no ritmo das possibilidades. Quem tentou um outro ritmo, mais acelerado, não se deu bem.

* MARCO AURÉLIO CANÔNICO, do Rio

A Propósito de JUVENTUDE…

Soterrados pela Magia do Cinema 

Sessão lotada. Filme aguardado. Platéia ansiosa. Afinal, era mais um Domingos Oliveira na tela. Dramaturgo e cineasta dos mais respeitados, com um filme novo, falando de Juventude... Domingos, Paulo José e Aderbal Freire-Filho, três homens de Teatro, essencialmente, homens da Cena.

 

Domingos, Aderbal e Paulo José: belas lições de amor à vida em JUVENTUDE

Juventude era, desde o princípio do festival, um dos filmes mais aguardados pela imprensa, logo, um dos mais esperados também pela enorme turma de cinema e convidados presentes ao mais concorrido festival de cinema do país. 

Burburinho no Palácio dos Festivais. Lugares disputadíssimos, Domingos e Paulo José na platéia. O cineasta-dramaturgo sobe ao palco antes da exibição e convida a equipe de Juventude para subir com ele… 

Começa a sessão e um silêncio respeitoso toma conta do espaço. A projeção vai dominando a sala e, aos poucos, o riso e a sincronia vão ganhando corpo… Uma energia que não se vê mas intui-se nos pequenos gestos vai criando aquela atmosfera própria dos contos-de-fada… o mesmo respirar, os silêncios e idênticas pausas, risos em momentos semelhantes, uma cumplicidade involuntária parecia irmanar a todos naquela noite que tinha um quê de cinema e um não-sei-o-quê de teatro… tudo parecia contaminar uma platéia cada vez mais identificada com os temas e as reflexões propostas pelos três atores que protagonizam JUVENTUDE.

 

E essa sensação quase onírica, quase etereal, difícil de traduzir mas antevê-se, parece quase explodir quando sobem os letreiros do filme: entre risos, aplausos, acenos e gestos de apoio, a platéia vai deixando o Palácio dos Festivais absolutamente emocionada. 

A sensação soberana era a de que alguém havia jogado por sobre as pessoas aquele pozinho da fada Sininho da história de Peter Pan, como se algo muito contagioso e contagiante tivesse saído da tela e invadido o coração do público… como se Vinícius de Moraes tivesse dali extraído seus versos: “E no entanto é preciso cantar/Mais que nunca, é preciso cantar/É preciso cantar e alegrar a cidade…”, entregando de bandeja o mote pra Toquinho continuar: “Ando escravo da alegria, hoje em dia minha gente, isso não é normal/ Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval…” 

Se alguém, completamente por fora do que estava acontecendo, adentrasse o cinema de Gramado naquele momento, sem dúvida sentiria uma sensação refrescante, assim como se ali tivesse sido derramada – ainda que não se saiba como nem porquê – a tão almejada água da vida…  ou tivesse sido descoberto, de repente, o Tesouro da Juventude.

 

Depois de assistir à JUVENTUDE, o sentimento que parecia dominar o coração de todos quanto tiveram o prazer e a alegria de assistir ao filme de Domingos, Paulo José e Aderbal, era o de que finalmente alguém havia encontrado o elixir da Juventude Eterna, e era preciso sair pelo mundo abraçando e contando a todos que ser feliz é possível em qualquer lugar, a qualquer tempo, de qualquer maneira. A partir daquele filme, Ser Jovem passou a ser uma disposição do espírito, um adestramento da vontade, uma determinação involuntária, intraduzível e necessária. 

Deixamos o cinema como a nos perguntar: aquilo era só um filme ? O filme era a história de uma peça ? Onde acaba o cinema e recomeça a vida ? O que é mesmo Vida e o que é Cinema ? Onde estão os limites que separam a noção do cinema e a emoção da vida ? Quem sabe quando começa a ficção e onde impera a verdade ?  

Entre aqueles atores e nós, o público, havia uma tela, mas entre os atores e cada um de nós que formava aquela seleta platéia, naquela noite de emoção contagiante, não havia elisão, nem diferença, nem contradita: entre os atores de Juventude e a platéia de Gramado reinava gloriosa a empatia da generosidade e a cumplicidade do afeto; uma sutil, intensa e desafiadora vontade de prosseguir apostando no bem, no bom e no belo como fontes essenciais da alquimia de saber viver.                              

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Filme de NACHTERGAELE no CANAL BRASIL

A FESTA DA MENINA MORTA, o impactante filme  de estréia de MATHEUS NACHTERGAELE na direção, será exibido na programação do CANAL BRASIL este mês:

Segunda, dia 31/05, às 22h e sábado, dia 05/06, às 23h

Filme traz atuações estupendas de DANIEL DE OLIVEIRA e CÁSSIA KISS e a participação especialíssima de Paulo José.

Saiba mais sobre o filme: www.auroradecinema.com.br

CinePE Terá O Bem Amado e Quincas Berro…

A 14ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual, será aberta dia 26 com a exibição do aguardado  O BEM AMADO, filme de Guel Arraes, baseado na obra homônima do dramaturgo baiano DIAS GOMES.

Outra exibição ainda inédita no circuito e com estréia marcada para o festival pernambucano é a de Quincas Berro D’Água, novo longa de Sérgio Machado com Paulo José e Flávio Bauraqui,  produzido pela VideoFilmes, de Walter e João Moreira Salles. 

Nascido em Pernambuco, Guel Arraes é um dos homenageados do Cine PE , que pagará tributo também ao ator Tony Ramos, à atriz Julia Lemmertz e à Globo Filmes.

Já o documentário Continuação (RJ), de Rodrigo Pinto sobre o músico pernambucano Lenine, encerra o festivalto na noite do dia 2 de maio, no Cine São Luiz recém-restaurado, antes da cerimônia de premiação.

A seleção de filmes foi baseada em critérios bastante ponderados, que levaram em consideração a qualidade cinematográfica, o ineditismo do filme, sua representatividade regional e o currículo do diretor – explicou Alfredo Bertini, codiretor, com sua mulher, Sandra, do Cine PE.

 A mostra competitiva de longas-metragens é composta por seis títulos, nem todos inéditos no circuito comercial ou de festivais nacionais. O Homem Mau Dorme Bem (DF), de Geraldo Moraes, por exemplo, ganhou um troféu Candango de ator coadjuvante (Bruno Torres) do Festival de Brasília ano passado.

As melhores coisas do mundo (SP), de Laís Bodanzky, chega aos cinemas cariocas e paulistas no dia 16 – o Cine PE servirá de plataforma de lançamento do longa-metragem naquele estado, marcado para o dia 30.

Há dois documentários na peleja: Cinema de guerrilha (SP, de Evaldo Mocarzel, e Seqüestro, de Wolney Atalla, sobre as investigações da Divisão Antissequestro de São Paulo, já exibido na Mostra de São Paulo. Léo e Bia (RJ), que marca a debute do músico Oswaldo Montenegro como diretor de uma peça inspirada em uma de suas mais famosas canções, e Não se pode viver de amaor (RJ), de Jorge Durán (É proibido proibir, completam a lista de candidatos aos troféus Calunga. O filme de Durán, com Cauã Reymond, Ângelo Antônio e Simone Spoladore no elenco, chega fresquinho da competição do Festival de Guadalajara (México), realizado em março.

 – Concluímos o filme dias antes do início do festival mexicano. Já temos um convite para participar do Festival de Montreal (Canadá). Depois, vamos tentar um festival na Europa e lançamos aqui no Brasil – planeja Durán.

A produção do CinePE recebeu um total de 426 filmes inscritos – 70 longas (seis a mais que na edição de 2009) e 356 curtas. Durante os seis de de competição, serão exibidos 63 filmes (47 curtas e 16 longas) no Teatro Guararapes, em Olinda, a cidade vizinha, e no Cinema São Luiz, no centro do Recife antigo. 21:18

QUINCAS de PAULO JOSÉ em CANNES

 

PAULO JOSÉ VIVE QUINCAS EM MAIS UMA ATUAÇÃO MARCANTE

A duas semanas da coletiva de imprensa que revelará os filmes da seleção oficial da 63ª edição do Festival de Cannes, uma penca de possíveis candidatos corre contra o tempo para ficar pronto para o maior contenda cinematográfica do planeta.

O brasileiro QUINCAS BERRO D’ÁGUA, de Sérgio Machado, é um dos concorrentes. O filme tem no elenco também Vladimir Brichta, Mariana Ximenes e Milton Gonçalves.

VIVAAAA !!!!!!!

Selton Mello em Clima de Esperança

Foto: Divulgação

Selton Mello vem sobrevivendo a momentos de desestabilização. Não só sobrevivendo como revertendo a seu favor. Depois do mergulho intenso em Lavoura arcaica (2001), transposição cinematográfica de Luiz Fernando Carvalho para o romance homônimo de Raduan Nassar, passou por uma crise durante as filmagens de Jean Charles (2009), de Henrique Goldman, quando questionou seu vínculo com a profissão de ator. A crise gerou seu segundo longa-metragem como diretor, O palhaço, cujas filmagens estão tomando conta, nesse momento, dos estúdios de Paulínia.

Meu personagem sonha em deixar o circo. Ele se pergunta se realmente quer continuar trabalhando como palhaço. Mas hesita em abandonar o pai, já idoso – diz Mello, sobre Benjamim, que forma com o pai, Valdemar, a dupla circense Puro Sangue e Pangaré.

Os nomes dos personagens, interpretados pelo próprio Mello e por Paulo José, são homenagens aos pioneiros palhaços Benjamin de Oliveira, também compositor e ator, e Arrelia (Waldemar Seyssel), o primeiro a aparecer na televisão brasileira. Antes de começar as filmagens, que irão se estender até 12 de abril (com locações em Ibitipoca, MG), Mello investiu num longo processo de pesquisa, que pretende transformar num produto adicional ao filme.

– Conheci palhaços como Biribinha e Cochicho, que hoje trabalha no circo de Beto Carrero e nos ajudou nas gags físicas – conta Selton, que chama atenção para as mudanças decorrentes da passagem do tempo. – Antigamente, o palhaço era a grande estrela. Depois passou a ter a função de costurar os números.

Não há como deixar de pensar na referência de Bye bye Brasil (1979), de Carlos Diegues, filme que registra o momento de passagem de um país voltado para o entretenimento artesanal para outro, sintonizado nas antenas de TV.

Além de Bye bye Brasil, revi O profeta da fome (1970), de Maurice Capovilla, Tico-tico no fubá (1952), do Adolfo Celi, e filmes de Mazzaropi – enumera Selton Mello.

Paulo José, contudo, diferencia O Palhaço de produções anteriores.

– Acho que Selton não questiona propriamente a decadência do circo. Até porque a crise não é definitiva, mesmo que não vivamos mais a época das tradicionais famílias circenses. Basta notar que o circo é cada vez mais incorporado por quem faz teatro. Luiz Carlos Vasconcelos, por exemplo, criou o palhaço Xuxu – observa Paulo, presente na coletiva de imprensa, ao lado de Selton, da produtora Vânia Catani e de Emerson Alves, secretário de Cultura de Paulínia.

Paulo José (com as filhas Ana e Bel Kutner) volta ao set vivendo o palhaço Valdemar no novo longa de Selton Meelo

O ator sabe do que está falando. Afinal, é ligado ao circo desde o início de sua carreira.

– Sou de Lavras do Sul. Lá eu e meus irmãos tínhamos um circo de fundo de quintal. Depois formei com Flavio Migliaccio a dupla Shazan & Xerife. Eu e Dina (Sfat) fizemos ainda uma dupla de circo na novela O homem que deve morrer recorda Paulo, que poderá ser visto, em breve, em outros filmes, como Insolação (2009), de Felipe Hirsch, e Quincas Berro D’água, versão de Sergio Machado para o romance de Jorge Amado. – Na época do Teatro de Arena os atores viajavam pelo interior e se apresentavam em circos, já que os espetáculos eram concebidos para o formato circular.

Hoje, Paulo perpetua um pouco sua ligação com o circo através do vínculo com o Grupo Galpão. Da companhia, Mello convidou Teuda Bara para integrar o elenco. Também fazem parte da equipe de O palhaço os atores Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Thogun, Hossen Minussi e Álamo Facó. Selton hesitou diante do desafio de acumular as funções de ator e de diretor.

Ofereci o personagem a Wagner Moura, que não pode aceitar por causa de Tropa de elite 2, e a Rodrigo Santoro, que estava envolvido com um filme sobre Heleno de Freitas. Então, decidi fazer. Percebi que não precisaria explicar para outro ator o que queria.

“Sou um cineasta bipolar”

Apesar de retomar o universo do convívio familiar, Selton Mello caminha em direção oposta ao amargo Feliz Natal (2008), sua estreia como diretor. Através da figura do palhaço, ele quer trazer à tona a qualidade lúdica própria da infância.

– Mandei Feliz Natal para Raduan Nassar assistir. Ele me ligou e disse: “Nossa, é um filme tão sem esperança”. Eu contei que estava começando a filmar O Palhaço, ambientado num circo que se chama Esperança. Avisei que será um filme solar. Sou um cineasta bipolar – diverte-se Mello, antes de afirmar sua vocação para a diversidade. – É provável que meu trabalho como diretor contemple projetos tão diferentes quanto os que faço como ator.

No caso de O Palhaço, Mello gostaria que esta nova empreitada fosse classificada como uma “comédia sonhadora”. Uma rápida visita a um dos estúdios do Polo Cinematográfico de Paulínia, onde foi montada a lona do Circo Esperança de Valdemar e Benjamin, sugere uma atmosfera amorosa e nostálgica. Uma sensação impregnada nas cadeiras gastas da platéia, na cortina de veludo, nas luzes coloridas que atravessam o palco e nos muitos ventiladores antigos.

Um filme impregnado de candura é o mais louco que podemos fazer numa época como a de hoje. .. Quando você pensa em coisas alegres, fica distante da morte – conclui.

* Reportagem de Daniel Schenker, Jornal do Brasil

SELTON MELLO PREPARA O PALHAÇO

 

COLETIVA DE IMPRENSA COM SELTON MELLO E A EQUIPE DE O PALHAÇO, EM PAULÍNIA

 

Data: 15 de março, segunda-feira

Local: Estúdio 1, do Polo Cinematográfico de Paulínia

Horário: 12h: Brunch / 13h: coletiva

Mesa: Selton Mello (diretor e ator), Paulo José (protagonista), Teuda Bara (atriz), Claudio Amaral Peixoto (diretor de arte), Vania Catani (produtora) e Emerson Alves (Secretário de Cultura de Paulínia)

O Palhaço, novo filme de Selton Mello, começou a ser rodado no dia 2 de março, em Paulínia (SP). Em seu segundo longa- como diretor, Selton também atua, dividindo a cena, pela primeira vez, com Paulo José. As filmagens acontecem até 13 de abril e terão também locações em Ibitipoca, Minas Gerais.

Selton e Marcelo Vindicatto, parceiros desde o programa Tarja Preta e no longa Feliz Natal, assinam o roteiro.

“O Palhaço trata de forma divertida, mas também profunda, da crise de identidade de um artista de circo que acha que perdeu a graça e passa a questionar sua vocação. Acho que todo mundo passa por essa dúvida na profissão. O Palhaço é um filme doce, impregnado de ternura e sonho”, diz Selton.

No filme, Paulo e Selton são pai e filho (Valdemar e Benjamim) e formam a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré.  Eles são os donos do pequeno Circo Esperança e lideram uma trupe de artistas pelas estradas do país. Entre os espetáculos surgem as cobranças, todas em cima de Benjamim. Ele está exaurido e obcecado pela seguinte ideia: “Eu faço todo mundo rir, mas quem é que vai me fazer rir?”

O longa conta com participações especiais de Jackson Antunes, Jorge Loredo, Fabiana Karla e Moacir Franco. Completam o elenco Teuda Bara, uma das fundadoras do Grupo Galpão, Erom Cordeiro, Álamo Facó, Cadú Fávero, Thogun e Hossen Minussi.

O Palhaço é produzido por Vânia Catani, da Bananeira Filmes, em sua segunda parceria com o diretor. A Mondo Cane Filmes, de Selton Mello, é co-produtora do filme. Claudio Amaral Peixoto assina a direção de arte e Adrian Teijido é o diretor de fotografia. Plínio Profeta vai compor a trilhar sonora. A distribuição será da Europa Filmes.

Interatividade para além da arena do circo

Selton Mello iniciou as filmagens de O Palhaço. A cidade do interior de São Paulo, Paulínia, será o picadeiro para Pangaré (Selton Mello), Puro Sangue (Paulo José) e sua trupe de artistas saltimbancos.

Para o novo filme, Selton se lança numa nova empreitada. Os fãs da web terão a oportunidade de saber mais sobre seu novo projeto, o dia-a-dia das filmagens e as curiosidades da produção.

O blog O Palhaço será a primeira experiência oficial do ator em redes sociais. Acompanhe este diário e fique por dentro de tudo que irá rolar no filme.

http://opalhaco-ofilme.blogspot.com/

Ficha Técnica:

Direção: Selton Mello

Produção : Vânia Catani e Selton Mello

Roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto

Produtora Executiva: Vânia Catani

Direção de Arte: Cláudio Amaral Peixoto

Diretor de Fotografia: Adrian Teijido

Figurino: Kika Lopes

Trilha Sonora : Plínio Profeta

Produção: Bananeira Filmes

Coprodução : Mondo Cane Filmes

Distribuição: Europa Filmes