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Primeiro Filme em Mostra Internacional

A Mostra Internacional do Primeiro Filme, em Timbaúba (PE), é uma jornada cultural de exibição fílmico, COMPETITIVA e INFORMATIVA, cuja finalidade é apresentar obras de novos realizadores do PRIMEIRO FILME (brasileiros e estrangeiros), oportunizando-os ao ingresso no mercado de exibição da Arte Cinematográfica e a promoção de encontros com realizadores atuantes no mercado.

Para conhecer o regulamento, entrar em contato com os organizadores e realizar inscrições, basta acessar: http://www.primeirofilme.com/

Alceu Valença Dirige Longa

Alceu Valença prepara sua primeira incursão cinematográfica, com roteiro, direção e trilha sonora assinados por ele. Filmado no sertão pernambucano, em lugares nos quais passou a infância e adolescência, como São Bento do Una, sua cidade natal.

O filme A Luneta do Tempo traça um painel da cultura nordestina, impregnado “inconscientemente”, como diz Alceu, em sua obra e pensamento. A necessidade de destrinchar em imagens e versos o imaginário de seus primeiros passos e influências no sertão surgiu após a morte de seu pai, Décio Valença, numa espécie de reflexão sobre o legado que ele e o interior pernambucano lhe deixaram.

Comecei a desenvolver este roteiro há 10 anos. Na minha cabeça eu estava escrevendo um romance, na forma de um inventário das coisas que vi e vivi em São Bento do Una – recorda Alceu, que se apresenta sábado na Fundição Progresso. – Escrevia muito; ia no bar tomar um cafezinho e rascunhava alguma coisa… Até que, em 2002, encontrei o Walter Carvalho, que me perguntou o que eu estava fazendo. Tirei uns papéis do bolso e mostrei pra ele, que respondeu: “Isto é cinema”. Aí foi que me entusiasmei.

Olhando para o passado, Alceu encontrou os elementos para o enredo do filme. As histórias de cangaço, os circos do interior, as festas regionais e a literatura de cordel estão presentes no roteiro, que narra a tragédia de Severo e Antero Filho, dois irmãos que entram em conflito, alimentando um ódio por gerações.

Chapéu de Lampião

Os relatos do cangaço sempre estiveram presentes, seja pelas histórias que eu ouvia ou pelos cordéis que eu lia – comenta o cantor. – Lembro que lá em casa havia um chapéu que diziam ser de Lampião. Em 1938, meu pai estava conversando com uns amigos na Faculdade de Direito do Recife, onde também estudei, e foram avisados que Lampião havia sido assassinado. Alugaram um carro e foram para Angicos, no Sergipe, onde se deu o combate derradeiro. Lá, eles recolheram alguns pertences que ficaram no campo de batalha, entre os quais o chapéu, que foi destruído mais tarde por um bêbado a tesouradas.

A familiaridade com o cinema já não vem de hoje. No início dos anos 50, Alceu conta que São Bento do Una, vivia uma efervescência cultural, com três grupos de teatro e dois cinemas, dentre os quais o Cine Rex, onde, além de assistir às chanchadas da época, experimentou o palco pela primeira vez, aos seis anos.

Um rapaz estava organizando um concurso de calouros e foi à minha escola perguntar se havia alguém que gostasse de cantar. Disseram que tinha o filho de Adelma, que era encapetado e talvez quisesse cantar. Aceitei e cantei É frevo meu bem, do Capiba – lembra Alceu. – Não ganhei o prêmio, que era uma caixa de sabonetes, mas fui muito aplaudido. Posso dizer que o Cine Rex me encaminhou para a música e para o cinema. Lá, assistia aos filmes de Oscarito, Ankito e Grande Otelo. Depois, no Recife, tive contato com o neorrealismo italiano, cinema novo e nouvelle vague.

Como preparação para a empreitada cinematográfica, Alceu vem estudando cinema desde 2002 com Alessandra Lessa. Outros grandes incentivadores foram o diretor de fotografia do longa, Luis Abramo – que se entusiasmou quando Alceu lhe mostrou um plano-sequência que havia feito em São Bento do Una – e o cantor, compositor e cineasta Sérgio Ricardo:

– Procurava um diretor para o filme e fui encontrar o Sérgio em Niterói. Ele disse para eu mesmo dirigir e passou a tarde inteira me falando sobre o eixo de câmera, para não dar pulos na imagem.

Em novembro, Alceu vai gravar no Marco Zero de Recife seu terceiro DVD.

Mostra Internacional do Primeiro Filme

A Mostra Internacional do Primeiro Filme está com inscrições abertas para obras de novos realizadores brasileiros e estrangeiros. Podem ser inscritos filmes de curta e longa-metragem, sejam de ficção, documentário ou animação.

A mostra tem caráter competitivo e os vencedores de cada categoria ganharão prêmios que variam entre 5 a 15 mil reais. O regulamento e a ficha de inscrição estarão disponíveis no site www.primeirofilme.com .

A primeira edição da mostra acontecerá de 7 a 12 de setembro, em Timbaúba, no CineTeatro Recreios Benjamin.

A Mostra é realização da Barack  Filmes em parceria com a Prefeitura de Timbaúba e apoio da Universidade Federal de Pernambuco.www.primeirofilme.com
Informações: (81) 3631-1521 | mostra@primeirofilme.com |
primeirofilme@gmail.com

SERVIÇO
Mostra Internacional do Primeiro Filme
Inscrições no site:

FILME LIVRE Mostra CAMILO CAVALCANTE

Em atividade desde 1995 em Pernambuco, o curta-metragista Camilo Cavalcante incentivou cineastas pernambucanos que, já em sua segunda geração, intensificaram a produção no estado. A partir de terça-feira, todos os 13 curtas que compõem a obra de Camilo serão exibidos  na Mostra do Filme Livre, na qual o cineasta é um dos  homenageados.

A paixão que Camilo tem pelo cinema serve de inspiração até para a geração que antecedeu à dele. Ele é um sujeito que se movimenta, respira e sonha a 24 quadros por segundo – enaltece o cineasta Lírio Ferreira,diretor de Árido movie (2004) e O Homem que engarrafava nuvens (2008).

Diretor de Amarelo Manga (2002) e Baixio das Bestas (2007), Claudio Assis, que assina com Cavalcante o documentário Eu vou de volta, faz coro a Lírio Ferreira:

Camilo é um cineasta que não para de ter ideias, é uma pessoa que está sempre se reinventando, além de ser um grande amigo.

Cineasta pernambucano, Camilo Cavalcante, detentor de vários prêmios, tem destaque na Mostra do Filme Livre, na capital carioca

Os elogios talvez sejam resultado da paixão que o pernambucano coloca em seus filmes. Para ele, sua maior inspiração é o ser humano.

Faço filmes de gente e para gente, gosto dessa possibilidade do cinema de tocar profundamente as pessoas. É uma capacidade de revolucionar, de certa forma, a vida de cada um – ressalta Cavalcante. – Também me inspira o que consegue me comover.

Para o diretor, fazer filmes em Pernambuco não é tão diferente de outros lugares do Brasil.

Fazer cinema independente é complicado em qualquer lugar, encontramos uma série de restrições na hora de conseguir apoio, patrocínio. Mas está melhor do que há 10 anos. Hoje em dia existem mais editais, tanto nacionais quanto estaduais – compara. – Mas ainda há pedras no caminho, principalmente no que diz respeito à iniciativa privada, que tem participação tímida no cinema independente fora do eixo brasileiro.

Cavalcante destaca a versatilidade da nova geração de cineastas pernambucanos, que acompanha de perto:

O grande mérito da produção de Pernambuco é justamente a diversidade. Aqui não existe um movimento coeso, uníssono, existe na verdade várias movimentações, pessoas com diferentes propostas artísticas. Isso fortalece muito o nosso cinema.

No último filme de Cavalcante, Ave Maria ou Mãe dos sertanejos , o diretor divide os créditos com os alunos que participaram da oficina dada em Serrita, cidade do interior de Pernambuco onde o curta foi filmado.

Não moro no sertão. Então, para evitar esse olhar estrangeiro, optei por um processo de mergulho – detalha o diretor. – Pessoas do próprio sertão participaram da elaboração do filme. Ele é muito de dentro para fora, não tem uma visão externa. O cinema, como todo mundo fala, é a escola viva da arte, tem muita gente participando, um caráter coletivo intrínseco. Nos reunimos para falar sobre a própria região dessas pessoas, que a conhecem com profundidade, por isso os créditos são de todos.

Cavalcante não acredita que o tema do sertão esteja desgastado. Para ele, ainda há muito que se explorar, desde que seja feito através de novas abordagens:

O sertão é muito mais que uma zona geográfica seca, árida. Ele representa um território da alma humana, das relações olho no olho, uma coisa sincera. Essa região emocional dá muito pano para a manga. O que está desgastado é uma abordagem estereotipada do personagem sertanejo.

O filme Ave Maria ou Mãe dos sertanejos , de 2009, faz parte de uma trilogia que começou com Ave Maria ou Mãe dos oprimidos , de 2003.

A terceira parte não tem nem roteiro pronto, mas ainda pretendo desenvolver. Vai ser sobre a visão da burguesia sobre a hora da Ave Maria – antecipa.

Além da retrospectiva de Camilo Cavalcante, a Mostra do Filme Livre tem como homenageado deste ano o diretor mineiro José Sette, com pré-estreia de Amaxon e exibição da cópia digital restaurada de Um filme 100% brazileiro, de 1985, com Paulo Cesar Pereio. A programação também conta com as pré-estreias , e de Mergulho, de Pedro Henrique Ferreira, e Rumo, dos Irmãos Pretti (moradores de Fortaleza), além de exibições de curtas, longas, e oficinas.

Mostra do Filme Livre

Centro Cultural Banco do Brasil, Rua Primeiro de Março, 66, Centro (3808-2020). Grátis. De 23 de março a 8 de abril, de 3º a dom., das 14h às 21h