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A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Mais APLAUSO para Pixinguinha

 

 

Sentimentos Triviais, Boa Música e Flores a Jogar nas Memórias

O sonho de ganhar na loteria e mudar a vida: novos sonhos, projetos de felicidade encomendados, o vislumbrar de dias diferentemente melhores. Duas mulheres, uma tia e uma sobrinha, dividem o cotidiano solitário numa quitinete qualquer de uma grande cidade. E num momento limítrofe ao desespero, vêm à tona sentimentos como rivalidade entre irmãs, inveja, recalques, intrigas, disputas pelo amor de um mesmo homem, superstições, dúvidas, maledicências, e crença até no desconhecido. 

Esta é a trama básica da dramaturgia que Caio Quinderé nos oferece em E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias. 

Escrita há uns 6 anos, a peça chega agora aos palcos: a estréia acontece no próximo sábado, dia 21, às 19h, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz. 

Em cena, Aurora Miranda Leão e Mazé Figueiredo são Maria Lúcia e Maria do Desterro, seguindo caminhos interpretativos a partir das indicações da direção, dividida entre o próprio Caio e Ilclemar Nunes (ator, dramaturgo e diretor cearense, de longa estrada nas artes cênicas). 

Segundo o autor, Caio Quinderé, havia a intenção de uma montagem anterior. Corria o ano de 2005 e os ensaios tiveram início numa sala do teatro José de Alencar com Aurora Miranda Leão e Aline Pereira… até que veio um convite para Caio retornar ao Rio, onde passou parte da infância e adolescência. E o autor deslocou-se para a Cidade Maravilhosa, onde também foi trabalhar com teatro. E foram dois anos de muita atividade na seara da produção. Caio, entretanto, nunca abandonou a idéia de levar as flores das memórias ao tablado e, ano passado, aceitou convite da atriz Mazé Figueiredo para levar adiante o projeto, agora com novo desenho cênico. Mazé então inscreveu o projeto da montagem do espetáculo no edital do programa Cultura da Gente (leia-se Banco do Nordeste) – destinado a funcionários aposentados da instituição – e o resultado não poderia ser mais feliz:  projeto aprovado, foram dados os primeiros passos para a montagem que agora chega ao teatro.  

Aurora e Mazé levam à cena a criação de Caio Quinderé

Mazé Figueiredo e Aurora Miranda Leão estão em cena vivendo Desterro e Lúcia. Caio criou a luz e a trilha sonora, a partir da inspiração recolhida através das notas do piano de Antônio José Forte – de quem Caio ouviu a melodia de E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias, e daí “pescou” o título da peça que ainda estava por escrever… Envolta nos acordes de Antônio José, as letras a brotar do imaginário de Caio foram sintonizar em grandes ícones do nosso cancioneiro, irrigando a cena com sonoridades preciosas, emoldurando com sutileza as palavras que brotam férteis e velozes de sua criação dramatúrgica: Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha enriquecem e dignificam ainda mais o espetáculo, no qual a composição homônima de Antônio José é a célula-mater auditiva.

Hora de preparar a cena e ver transformadas em “realidade” as palavras rascunhadas no papel, Caio convidou Ilclemar Nunes para a direção, Luciano Morais para a produção, Neiara Leão para a criação de figurinos, e o resultado de 4 meses de ensaio poderá ser visto agora, na temporada que começa sábado no Teatro Emiliano Queiroz.

 Vamos ao Teatro !

 

Mazé e Aurora: as conflituadas Desterro e Lúcia

SERVIÇO

E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias

Texto: Caio Quinderé

Direção: Caio Quinderé e Ilclemar Nunes

Onde: Teatro Emiliano Queiroz

ESTREIA: dia 21/8, sábado, 19h

Temporada: 22,28 e 29 de agosto

ENTRADA FRANCA

Três Décadas sem Vinícius de Moraes

 A Falta que o Poeta Faz…

                           

“Vinícius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.   

As palavras são do poeta Carlos Drummond de Andrade, referindo-se ao amigo Vinícius de Moraes logo após a morte dele. Já o jornalista José Castello, um dos biógrafos de Vinícius, escreveu:   

“O poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata”. 

 

Neste 9 de julho, faz-se 30 da passagem de Vinícius. 30 anos mais pobres. Partiu Vinícius, perdemos todos. Perdeu o mundo. Em Poesia, Amor, Música, Letra, Beleza, vida e lições de amor, paixão, entrega, solidariedade, enfim, estamos todos mais pobres. A lacuna é enorme, profunda e incômoda.  

  

    

Vinícius de Moraes agiganta-se a cada dia nas mínimas sementes onde é germinado: em trabalhos escolares, transposições para o teatro e o cinema, saraus literários, performances poéticas, concursos de sonetos, tema de redações, enfim, difícil mensurar, difícil encontrar quem não se pegue cantando de cor ao menos um verso do Poetinha.   

Parodiando o Poeta (que considerava o músico e amigo Pixinguinha, um santo), digo: Querido São Vininha, você caminha comigo aonde quer que eu vá e me leva sempre a repetir os mesmos versos por você dedicados a Garcia Lorca: “Poeta, não precisavas da morte para nada”. E quando bate a saudade bem grande de você, como agora, neste tempo tão próximo de mais um aniversário da sua partida, só resta reouvir suas músicas, reencantar-se e reaprender com elas, reler seus livros e observar o céu. Você por certo se esconde em alguma estrela de onde sussurra versos para a Lua, a linda mulher tão cheia de pudor que vive nua. 

VININHA, atento ao amigo querido PIXINGUINHA, que ele considerava um Santo…

Vinícius de Moraes, o Poeta que veio ao mundo para celebrar o Amor e falar da importância deste sentimento para pacificar o mundo e promover a comunhão entre os povos de todas as etnias, credos e continentes, partiu cedo, em 9 de julho de 1980, numa manhã fria de inverno carioca após passar a noite compondo com o parceiro querido, Toquinho.

    

Vina com Toquinho, o parceiro mais constante

O legado de VINÍCIUS é tanto maior quanto mais passa o tempo e mais aprofunda-se o entendimento de sua obra, quanto mais evidencia-se a lacuna descomunal que deixou acometendo de carência lúdica e emotiva sem par o cotidiano, e ainda mais descobrem-se novas leituras de sua vasta e riquíssima obra, a cada vez que se nos debruçamos sobre ela.   

     É melhor ser alegre que ser triste/A alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração…

  

       Vinícius, ou Vininha – como carinhosamente o chamavam os amigos próximos e como meu pai ensinou-me a chamá-lo desde menina – era libriano, aniversariante do 19 de outubro. Assim, foi no outubro de 2008, de muita chuva e algum frio no Rio, que se comemoraram os 50 da Bossa Nova, da qual Vina foi seu Farol sempre a apontar novas trilhas… e vieram os Afro-Sambas com Baden, o musical Pobre Menina Rica com Carlinhos Lyra, as parcerias com Edu Lobo, Antônio Maria, Francis Hime, Edu Lobo e Chico Buarque e os quase mil shows pelo Brasil e o mundo em companhia de Toquinho, ovacionados por onde passavam. Chega de Saudade…    

   Falar de Vinícius é sempre motivo de paixão. Lê-lo, estudá-lo ou re-ouvi-lo são coisas de enorme prazer e muita saudade. Saudade de alguém lindo demais, grandioso demais, amado demais pra não ser festejado, sempre. Viva Vinícius de Moraes ! Para sempre, nosso eterno Poeta do Amor, do Violão, do Mar, do Rio e das Mulheres !

Com Luizinho Eça e Nara Leão, cantora que virou “musa da Bossa Nova” e foi uma das muitas descobertas artísticas de Vinícius

   SARAVÁ, VININHA !

 Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão…

    

Com os amigos e parceiros, Tom Jobim e Chico Buarque: TESOUROS da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA  E sobre este movimento musical, que virou estilo e revolucionou a música popular brasileira, Vininha dizia    

Bossa Nova é mais a solidão de uma rua em Ipanema que a agitação comercial de Copacabana. É mais um olhar que um beijo; mais uma ternura que uma paixão. É o canto puro de João Gilberto eternamente trancado em seu apartamento”, afirmou o Poeta em entrevista  no Songbook 2, do saudoso jornalista Almir Chediak.