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Bagé de braços abertos para celebrar a SÉTIMA ARTE

Todos os cinemas se encontram em Bagé neste que será o último festival de cinema do ano no Brasil: III FESTIVAL DE CINEMA DA FRONTEIRA

E quem traduz com propriedade a motivação do Festival é o artista Sapiran Brito, Secretário de Cultura de Bagé…

O Sertão vai virar mar e o Pampa virar cinema

Como no tempo das revoluções, a minha cidade vai ser invadida. “De a galope”, lá vem o cinema reboleando o pala e fazendo “chara cha cha”. Só que, desta feita, a invasão é de caráter cultural.
 
Durante uma semana, Bagé será tomada por artistas de nove estados brasileiros e mais um piquete da República Oriental do Uruguai. Em vez de lanças e adagas, os duelos serão travados com palavras, sons e imagens. Não teremos mortos nem feridos, e sim todos abraçados numa grande celebração, ao contrário das antigas gestas, ninguém será saqueado, não resultarão vencidos e, ao final, todos darão “vivas” à causa que os motiva: o velho cinema de guerra.
 
Vai ter cinema dos grandões, com o melhor da produção do Brasil e do Uruguai, vai ter também o cinema dos pequeninos, aqueles que dão os primeiros passos na sétima arte. Cinema do Irã ao Povo Novo, de quebra a mostra lusófona dos países que falam a nossa língua lá do outro lado do mundo. Estará falando para nós o maior teórico do cinema nacional, também conversará conosco a grande musa do Cinema Novo, novos e consagrados realizadores conviverão no mesmo patamar.
 
 
Vai ser grande o rebuliço e Bagé vai fervilhar intelectualmente sem elitismos e sem falsa erudição. Exibições nas salas nobres como Museu Dom Diogo, Santa Thereza, Centro do Idoso, Casa de Cultura e Cine 7. Também as praças e logradouros públicos serão contemplados com cinema ao ar livre, o que cai bem nestas noites de verão. Mas não é só cinema, acompanham-no as suas outras artes irmãs: a dança, o teatro e a música.
 
Nos espaços abertos é só chegar, nos recintos fechados é só entrar, nada será cobrado, nem ingresso, nem contribuição, nem quilo de qualquer coisa. Quem paga é o estado, no caso, a Prefeitura de Bagé e o Ministério da Cultura, ou melhor, retribui, uma vez que o contribuinte, através de seus impostos já pagou antecipadamente o que agora, em parte, lhe é devolvido.
 
 
Festa democrática e plural, o III Festival de Cinema da Fronteira se inicia amanhã e só quer do povo de Bagé a presença, seja para aplaudir, para discutir ou até mesmo para criticar negativamente. Que venham todos, especialmente aqueles acomodados que há muito tempo não veem cinema porque se mantêm presos à telinha da TV. Só não teremos a pipoca, cada um que traga a sua. Também não teremos lanterninha, quem chegar atrasado que procure o seu lugar no escuro.
 
A programação será extensa. São mais de 120 filmes de curta, longa e média metragens, de todos os gêneros, para todos os gostos. Tem até filme feito aqui por nossas crianças. Vocês duvidam que criança possa fazer filme ? Pois o festival vai provar que qualquer um pode fazer o seu filme.
 
 
Sob o signo de São Sebastião decapitado, retratado pelo pincel de Glauco, que ilustra o cartaz e os demais materiais gráficos, o cinema de Bagé está à procura de sua cabeça para juntá-la ao corpo. Nós, que fomos a segunda cidade do Estado a conhecer o cinematógrafo, estamos, nos dias de hoje, retomando este fio histórico que nos liga ao cinema.
 
E se depender, especialmente, da vontade da meninada, um belo dia seremos reconhecidos como polo de produção cinematográfica, porque aqui temos a melhor luz, a mais bela paisagem, tipos humanos e 300 anos de história para contar. Só nos faltam os meios materiais e este há de ser o objetivo a ser alcançado. Chegando lá, prevalecerá o talento e a inteligência da nossa gente, que saberá transformar a sua criatividade em atividade lucrativa.
 
O antigo Capitólio, um dos berços do cinema em Bagé…
 
Enquanto isso, viajantes do sonho, continuaremos brigando porque é uma peleia que vale a pena porque, no fundo, bem lá no fundo, sabemos que o cinema tem as melhores condições para projetar além fronteiras a nossa bicentenária Bagé. É revestido de simbolismo o fato de, nesta data, estarmos dando o primeiro passo. Daqui a um século, por ocasião do tricentenário, o povo do cinema no futuro tempo dirá: ”Foi em 2011 que tudo começou”.
 
* Texto de Sapiran Brito
O Cine Glória, que tinha quase 2 mil cadeiras e era o mais popular porque tinha o ingresso mais barato…
 

Filmes que estarão nas telas de Bagé

FESTIVAL de CINEMA DA FRONTEIRA DIVULGA SELECIONADOS 

A organização do III Festival Cinema da Fronteira acaba de divulgar a relação de curtas brasileiros selecionados para a edição que começa no próximo dia 10 em Bagé, prosseguindo até dia 17.

O júri de seleção foi formado pelos realizadores gaúchos Boca Migotto, Frederico Ruas e Virgínia Simone. Ao todo, foram inscritos mais de 120 filmes. 

Realização da Prefeitura Municipal de Bagé, através da Secretaria de Cultura, o festival terá duas mostras competitivas – Bagé 200 anos e Mostra Binacional – e três mostras não competitivas – Yaya Vernieri, Festin Bagé – Mostra da Lusofonia, e Mostra de Longas-Metragens. A curadoria do Festival é assinada pela jornalista e realizadora Aurora Miranda Leão, contando com a colaboração de uma comissão artística formada por Carmem Barros, Eliane Pacheco, Fabiane Lázzaris, Lisandro Moura, Sandra Carmerine, Vera Medeiros e Zeca Brito, artistas de Bagé. 

Antiga Estação Ferroviária de Bagé (prédio de 1884), hoje Centro Administrativo, também abrigará atividades audiovisuais…

Os homenageados desta edição são o ensaísta, pesquisador e crítico Jean-Claude Bernadet, e a atriz e diretora Helena Ignêz. O festival faz parte das comemorações dos 200 anos da cidade de Bagé, e é uma realização da Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura sendo produzido pela Primeiro Corte Produções.

HELENA IGNÊZ, eterna Musa do Cinema de Invenção, vai receber homenagem em Bagé…

Do total de inscritos, foram selecionados 30 curtas-metragens de todas as regiões do país que enviaram trabalhos. Portanto, o festival exibirá todos os gêneros, englobando Ficção, Documentário, Animação e Experimental, com curtas do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Maranhão, totalizando nove estados de quatro regiões brasileiras. 

OS SELECIONADOS 

1. CÉU, INFERNO E OUTRAS PARTES DO CORPO, RODRIGO JOHN (RS) 7’33” – ANIMAÇÃO

2. O CÉU NO ANDAR DE BAIXO, LEONARDO CATA PRETA (MG), 15′ – ANIMAÇÃO

3. ABATE, LUCAS SÁ (MA), 14’10” – FICÇÃO

4. MANTEGNA, de Meloo Viana (PR), 10′ – EXPERIMENTAL

5. CORNETEIRO NÃO SE MATA, de PABLO MÜLLER (RS) 19′ -FICÇÃO

6. O SILÊNCIO DO TEMPO, de ANDREA COHIM (PE),  9′ – FICÇÃO

7. DOCE DE COCO, de ALLAN DEBERTON (CE), 15′ – FICÇÃO

8. A FÁBULA DA CORRUPÇÃO, de LISANDRO SANTOS (RS), 8’15” -ANIMAÇÃO

9. BRECHA, de Júlia Araújo e Nathália D’Emery (PE), 6′ -ANIMAÇÃO

10. APENAS UM, de LEO TABOSA (PE), 7′58″ – FICÇÃO

11. UM CONTO à DERIVA, de Germano Oliveira (RS), 15′ – FICÇÃO

 12. PRONTA ENTREGA, de André Miguéis (RJ), 11’21” – FICÇÃO

13. TRAVESSIA, de Kennel Rógis (PB), 14′ – DOC

14. POLIAMOR, de José Agripino (SP), 15′ – DOC

15. MATO ALTO – PEDRA POR PEDRA, de Arthur Leite (CE), 15′ – DOC

16. As FOLHAS, de DELEON SOUTO (PB), 15′ – FICÇÃO

17. O CÃO, de ABEL ROLAND e EMILIANO CUNHA (RS), 9’39” – FICÇÃO

18. KINOPOÉTICAS KATARI KAMINA, de Pedro Dantas (SP), 15′ – DOC

19. SETE VOLTAS, de Rogério Nunes (SP), 20′ – DOC

20. TRAJETO, de Leonardo Wittmann (RS), 14′ – FICÇÃO

21. O Ogro, de Márcio Júnior e Márcia Deretti (GO), 8′ – ANIMAÇÃO

22. O Brasil de Pero Vaz Caminha (RJ), de Bruno Laet, 17’40” – DOC

23. MARCOVALDO, de Cíntia Langie e Rafael Andreazza (RS), 14′ – FICÇÃO

24. QUANDO A CASA CRESCE E CRIA LIMO, de Amanda Copstein e Filipe Matzembacher (RS),  14’26”  – FICÇÃO

25. YOU BITCH DIE !!!, de Lucas Sá (MA), 3′ – FICÇÃO

26. Biliu – O maior carrego do Brasil, de LAU BARBOSA (PB), 15′ – DOC

27. ANTONINHA, de LAÉRCIO FERREIRA (PB), 19’49” – FICÇÃO

28. A INVASÃO DO ALEGRETE, de Diego Müller (RS), 21’30” – FICÇÃO

29. UMA, de ALEXANDRE BARCELLOS (ES), 14’51” – DOC

30. ASFIXIA, de FÁBIO AGUIAR (SP), 14’50” – FICÇÃO