Arquivo da tag: preservação da Memória Audiovisual

Moacyr Fenelon no Instituto Moreira Salles

Querida ALICE GONZAGA responsável pelo importante acervo Cinédia – convida para importante homenagem à memória do cineasta Moacyr Fenelon…

 
Programação será possível pela união de forças devotadas à preservação da memória audiovisual brasileira: Petrobrás, Insituto Moreira Salles, Instituto para a Preservação da Memória do Cinema  Brasileiro e Abraci (Associação Brasileira de Cineastas).
 
A mostra de filmes e debates começam quarta, 18 de agosto, no Instituto Moreira Salles, na Gávea (Rio), com apoio substancial da Petrobrás – que possibilitou este meritório resgate – e tem entrada franca.
Uma ótima pedida para estudantes, profissionais da área e apreciadores da Sétima Arte.
 
 

 

CINÉDIA Convida: Mostra Fenelon

A propósito da Mostra Moacyr Fenelon, alguns dados sobre Cinema e preservação da Memória Audiovisual:

A ajuda do diretor de conservação da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner, que trabalha com Alice Gonzaga desde 1986 , foi fundamental para salvar o acervo da CINÉDIA.

– Boa parte do cinema silencioso foi perdida. E há obras mais recentes que sobreviveram, mas sem os negativos, como Garrincha, alegria do povo (1962), Capitu (1968), Terra em transe (1967) e O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) – destaca Heffner.

Felizmente, a preocupação com a preservação tem aumentado no decorrer do tempo. O Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB) vem realizando trabalho importante na restauração de filmes como Aviso aos Navegantes (1950), de Watson Macedo, e A hora da estrela (1985), de Suzana Amaral.

– A formação de laboratórios de restauração na Cinemateca Brasileira e na Cinemateca do MAM foi iniciativa determinante – observa Heffner. – E, a partir dos anos 90, empresas e famílias passaram a desenvolver projetos de restauração, a exemplo da preservação da filmografia de cineastas como Glauber Rocha, Leon Hirszman e, agora Carlos Diegues. As Cinematecas do MAM e Brasileira salvaram a maior parte dos filmes brasileiros.

Nem tudo, claro, está resolvido.

Os acervos estão saindo do Rio de Janeiro. Os da Vera Cruz, da Atlântida e do Jean Manzon estão em São Paulo, na Cinemateca Brasileira – alerta Alice Gonzaga.

A conexão com o passado do cinema brasileiro atravessa a trajetória de Alice, engajada agora na recuperação de filmes de Moacyr Fenelon – como Obrigado, Doutor (1948), Poeira de Estrelas (1948) e O Dominó Negro (1949) – e responsável por um excelente livro – Palácios e Poeiras, lançado em 1996 – que reúne impressionante conjunto de imagens e informações sobre as salas de cinema do Rio de Janeiro. Dedicada ao trabalho de preservação há décadas, Alice se posiciona diante do advento das novas tecnologias.

Na minha concepção, mesmo que lide com vários suportes na Cinédia, restauração tem que ser em película – opina Alice.

Coordenador da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), Rafael de Luna atenta para as diferenças.

Sabe-se da necessidade de abrigar película em locais com temperatura e umidade controladas. E o suporte em película pode sobreviver durante mais tempo, esclarece Luna. – No digital é preciso fazer novas migrações a cada cinco anos. É outro tipo de gerenciamento de acervos.

É fundamental ainda ter em mente que os problemas de preservação não atingem tão-somente o cinema brasileiro.

– Gilda (1946), com Rita Hayworth, teve negativo e cópias perdidos. O filme foi salvo com materiais que existem fora dos EUA – exemplifica Heffner.

* Matéria de Daniel Schenker