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Cinema abre 2013 em Guaramiranga

Janeiro de GUARACINE na bucólica cidade serrana cearense

Conhecida por seus belos cenários, suas paisagens encantadoras e sua vocação especial para abrigar novas ideias, a cidade serrana de Guaramiranga, no Ceará, se prepara para receber seu primeiro festival de cinema.

No período de 9 a 12 de janeiro, filmes de várias temáticas e de diversos realizadores do país serão exibidos para a comunidade de Guaramiranga e para os muitos turistas que sempre estão pela cidade e já fazem parte de seu cotidiano.

Em foto de Chiquinho Gadelha, os encantos de Guaramiranga…

A ideia que fez brotar o GUARACINE – Festival de Cinema de Guaramiranga – objetiva contribuir para a discussão sobre meio ambiente, humanidade, respeito às diferenças, inclusão, sustentabilidade e outros conceitos e ações vitais para se pensar o presente e o futuro da humanidade.

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A intenção dos criadores e organizadores do GUARACINE é abrir uma janela no espaço-tempo para um encontro de saberes diversos no qual teremos contato com diversos assuntos através de filmes – selecionados entre tantos trabalhos importantes de curta-metragem realizados no país -, realização de oficinas, palestras e debates, oportunidades para plantarmos sementes e gerarmos novos frutos.

Shows de artistas cearenses, feirinha de artesanato, gastronomia e produtos típicos, palestras, debates, oficinas e filmes de animação, documentário, e ficção integram a diversificada programação do GUARACINE, cuja tela vai exibir filmes do Amazonas, Ceará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Goiânia, Rio Grande do Sul, e Sergipe.

O Festival GUARACINE é uma realização das produtoras Instituto Bambu, Trupe do Riso, e Aurora de Cinema com apoio da Prefeitura Municipal de Guaramiranga.

Focado no terreno do coração de cada habitante ou visitante de Guaramiranga, o GUARACINE nasce com a intenção de fertilizar o campo das ideias para fazer aflorar o melhor da sensibilidade de cada um, na tentativa de absorver o potencial humanista e criativo, tão forte na cidade, e agregá-lo a outras potencialidades que surgirão durante as atividades do festival, gerando uma capacidade de transformação capaz de deixar sementes a favor da Arte, da Cultura, e de mais carinho e atenção com as riquezas naturais de Guaramiranga.

PANORÂMICARAXÁ 4: ainda imagens do Araxá Cine Festival

AURORA DE CINEMA direto do Araxá Cine Festival

O imponente Tauá Grande Hotel & Termas de Araxá, que hospedou todos os convidados do Araxá Cine Festival

Estar em Araxá foi uma experiência especialmente feliz, que de tão leve e bacana, pode até ser chamada de Mágica.

Motivada pelo honroso convite de minha querida amiga Débora Torres, mulher aguerrida, cineasta determinada, e exímia produtora executiva, Débora idealizou um festival de cinema para a cidade mineira, e há três anos, vinha alimentando com fartura de boas ideias e incrível disposição para o trabalho, o sonho de plantar, regar e ver crescer um festival de cinema ali.

E assim foi. De 10 a 16 de setembro deste 2012, Araxá se viu transformada em Capital do Cinema Brasileiro.

A calmaria e a beleza estonteante do Grande Hotel e seu entorno…

Cineasta Aluizio Abranches ministrou workshop super concorrido…

Belezas de Araxá são naturalmente cinematográficas…

Secretária Alda Sandra e um presente de Araxá para Murilo Rosa…

Oscar Magrini entrega Troféu Araxá Terra do Sol para Tizuka Yamazaki…

Débora Torres e Alberto Araújo chegando ao Cine Teatro Tiradentes…

O diretor de Arte, Oswaldo Lioi, recebe homenagem das mãos do cineasta Alberto Araújo…

Oswaldo Lioi agradece homenagem e ressalta importância do Araxá Cine …

Alberto Araújo, Patrícia Naves, Odair Fialho e Berenice Lamônica…

Antônio Leão autografa seu festejado Dicionário de Curtas e Médias

Aurora Miranda Leão autografa o livro do pai (LG de Miranda Leão), Ensaios de Cinema, organizado por ela…

O Embaixador Lauro Moreira agradece Homenagem do Araxá Cine Festival

Júlio Carvana apresenta o filme do pai, Não se preocupe, nada vai dar certo

Flavinho Guarnieri e Carla atravessam o Tapete Vermelho do Araxá Cine

Mallu Moraes: elegância no Tapete Vermelho do Araxá Cine Festival…

O realizador araxaense Juliano Guerra e a jornalista Aurora Miranda Leão…

Denise Fraga e Roberto Carlos Ramos, o “Contador de Histórias” do filme homônimo de Luís Villaça…

Denise Fraga, Aurora Miranda Leão e Ju Colombo: mulheres de Cinema em Araxá…

Raízes do Brasil inspira parceria Aurora de Cinema e Coletivo Inconsciente

MUÇUEMBA: curta-metragem une produtoras cearense e gaúcha

Cenário paradisíaco de Jericoacoara é a moldura imagética do novo curta

Tudo nasceu meio por acaso, no caminho que transportava o ônibus de Fortaleza a Jericoacoara. Ali, esta redatora e o dileto amigo Leo Tabosa, realizador pernambucano (titular do Departamento de Cultura da Universidade Católica de Pernambuco, e premiado diretor do documentário “Retratos”), matavam as saudades de alguns meses sem se ver, botavam a conversa em dia e trocavam idéias sobre fatos vários, desde prospecções sobre como aproveitar os dias na praia de Jeri (para onde estavam indo por conta da segunda edição do Festival de Cinema Digital) até o movimento cultural em Pernambuco, novas tecnologias, roteiros de cinema, etc.

Leo Tabosa e Aurora esboçaram primeiros passos sob o olhar atento de Filipe Wenceslau

Foi então que nasceu a idéia de pegar uma carona na ensolarada poética de Jeri e criar um curta novo, primeira parceria nossa. E logo veio-me a idéia de aproveitar o diretor gaúcho Zeca Brito (também ator, cantor, compositor, filho de atores, realizador premiado e amigo mais que querido) para protagonizar o roteiro.

E a história foi-se fazendo ao longo dos sete dias passados ao sabor do vento, da maresia, do contato com amigos e novos colegas, dos bons pratos nos restaurantes Casa da Amélia e Na Casa Dela, dos adoráveis banhos de mar, das deliciosas tapiocas da Hosana e, sobretudo, a partir da releitura de textos de três grandes da análise histórico-sócio-político-cultural e antropológica do país: Sérgio Buarque de Hollanda, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro.

É pouco ?

Então aguarde novos posts para saber mais sobre MUÇUEMBA…

… O filme de uma década a ser inventada…

Seguindo o espírito BELAIR…

Dentre os tantos aspectos relevantes a se notar no curta RESTA UM, há um praticamente impossível de não se destacar quando nos detemos em suas sequências: o caráter de documento de seu tempo. Assim nas produções da BELAIR, assim em RESTA UM.

Ademais, elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR (produtora que durou 3 meses, em 1970,  durante o regime de exceção que imperava no Brasil, e que realizou 7 longas-metragens) – cujos gritos revolucionários ainda ecoam no cinema brasileiro, mesmo sem a propagação de seus filmes – estão neste RESTA UM, curta que as produtoras Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes acabam de finalizar, como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de imagens destoantes, desfocadas, sons propositadamente incômodos ou mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas – como na apresentação de cenas de outros filmes -, deixando claro ser a referência proposital e ancorada numa forma autoral de expressão.

O choque como recurso estético, tão freqüentemente utilizado pela Belair (produtora criada pelos cineastas Júlio Bressane e Rogério Sganzerla), em quem a obra se inspira e a quem pretende homenagear, também se verifica em Resta Um, de Aurora Miranda Leão. Isso fica patente desde o início, quando o apito inconveniente do elevador, azucrina o ouvido da atriz Ingra Liberato e o de quem a acompanha na sala de projeção. E se condensa na tomada do barco-olho que adentra, com barulho (capaz de provocar estranhamento instantâneo), o oceano na tomada inicial (clara referência ao documentário Belair, de Bruno Safadi e Noa Bressane, grande inspirador deste curta).

Numa aparente dessintonia entre as sequências, Aurora vai construindo uma narrativa cheia de percalços, inconclusões, desconexões, onde vida real e ficção (?) se entrecruzam em associações com elementos ícônicos e intertextualidades profícuas, como as que bem ilustram o depoimento lapidar do cineasta Sílvio Tendler.

A homenagem a Júlio Bressane e o legado da Belair aos poucos se insinua, delicada e espontaneamente, nas filigranas que perpassam a anti-narrativa. Esse dado às vezes fica bem explícito, como na sequência a mostrar a noite carioca, em movimento de câmera oscilante e com nitidez rarefeita. Ou ainda através do take no qual se percebem amigos dançando numa discoteca ao som de “Queixa”, de Caetano Veloso, artista de estreita sintonia com o universo bressaniano. E, sobretudo, na sequência em que INGRA protagoniza homenagem explícita à cena de A Família do Barulho, na qual a câmera se fixa bastante tempo na atriz Helena Ignêz, que aparece em close, até chegar ao momento em que escarra “sangue”. 

Outro dado a saltar aos olhos e assolar o intelecto é o fato de o curta preservar, com propriedade, a característica mais marcante da produção Belair, qual seja filmar entre amigos e o enorme prazer daí advindo. Porque até o espectador mais leigo registra, sem dificuldade, que todas as pessoas envolvidas em Resta Um lá estão por absoluta vontade e adesão ao projeto inicial, dado prazerosamente afirmado no espontâneo depoimento de Ingra. Também a alegria que ilumina o rosto quando o escritor Miguel Jorge aparece e o semblante sereno e internamente feliz de Rosamaria Murtinho são reveladores deste prazer de estar entre amigos e experimentar cinema. E assim como a ironia pensa uma coisa e diz outra, a diretora de Resta Um aparece em seu próprio filme, criando uma instigante dissonância cognitiva, ao criticar, ela própria, o fazer cinema que contagia jovens de hoje e de ontem, de todas as idades. Como diz a pesquisadora Olgária Matos (professora de Filosofia Política da USP): “Nos filmes de Bressane, as personagens oscilam entre a lucidez e a evasão fora da luz. Na ausência de qualquer razão profunda de viver, os filmes advertem para o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento”.

Martha Anderson e Grande Otelo em O Rei do Baralho

Júlio Bressane trabalhou sempre com orçamentos modestos, equipes pequenas, filmagens rápidas e muita invenção, e desenvolveu ao longo dos anos um dos traços mais fortes de sua cinematografia: o intertexto artístico, tão bem captado em Resta Um.

A liberdade radical de experimentação, talvez o maior legado da singular e riquíssima cinematografia de Bressane, é o que mais aflora neste Resta Um de Aurora Miranda Leão. Afinal, como bem diz Bressane, a câmera na mão fora da altura do olho, jogo de foco, câmera giratória, ab-cenas, o infrasenso da linguagem: a câmera filma a própria equipe que filma, o “atrás da câmera”, o som direto com todas as interferências circum-cena, o diretor dirigindo o (in) dirigível etc etc… Tudo isso, toda esta escolha, todas estas figuras, todo este procedimento, toda esta concepção de produção e expressão, tudo é olho Belair. Não há isto no cinema novo. É depois do cinema novo. É Belair.”

RESTA UM… inspirações…

Elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR estão no curta-metragem que acaba de ser finalizado pelas produtoras AURORA DE CINEMA & CABEÇA DE CUIA FILMES como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de sons propositadamente mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas, apresentando cenas de outros filmes e deixando claro que a referência é proposital e tem um sentido estético.

* Aguardem novos posts…