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Claudette Soares em Biografia Aplauso

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Imprensa Oficial As muitas histórias de Claudette Soares em livro da

 Imprensa Oficial

Claudette Soares foi personagem de vários movimentos importantes da música brasileira e mulher à frente de seu tempo. Agora sua história foi transformada em livro pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial, com lançamento marcado para 6 de outubro (quarta-feira), às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.
Claudette Soares fez parte de vários movimentos fundamentais na música brasileira. Fez sucesso no auge da era do baião (ganhou o título de Princesinha do Baião das mãos do mestre Luiz Gonzaga), em meados dos anos 50, na fase pré e no ápice da bossa nova. Foi ainda atuante no período dos festivais da canção, classificando-se diversas vezes entre as finalistas, e finalmente, já nos anos 70, celebrizou-se também como grande intérprete romântica, gravando Roberto Carlos num período em que ainda reinavam preconceito e patrulhamento entre as turmas das músicas ditas “bregas” e “chiques”. Tudo isso está relatado pelo jornalista, produtor e pesquisador musical Rodrigo Faour no livro “A bossa sexy e romântica de Claudette Soares”, da Coleção Aplauso, com 280 páginas e fartamente ilustrado. Editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, será lançado em São Paulo na quarta, dia 6, a partir das 18h30, na Loja de Artes da Livraria Cultura, em São Paulo – Av. Paulista, 2.073.

Claudette começou sua carreira aos 11 anos como cantora mirim, no “Programa do Guri”, comandado por Silveira Lima, na Rádio Mauá. Passou por outros programas de calouros, enfrentando a oposição da mãe, que não queria que ela levasse a carreira de artista tão a sério, até conquistar os microfones das rádios Nacional, Tupi e Tamoio, onde integrou o elenco do famoso programa Salve o Baião.

Mulher à frente de seu tempo, não queria casar e ter filhos como as outras mulheres de sua idade. Mesmo assim, ela fazia o marketing contrário, conforme atestam as revistas da época: “Com quarenta e um quilos de talento, Claudette Soares olha pro repórter e diz: ‘Sucesso que é bom, agrada. Mas toda mulher precisa casar!’”. Ou, ainda: “Claudette Soares: ‘Só serei eternamente feliz quando casar e tiver filhos’”. Assim, tornava menor a pressão. Mas gravava músicas com letras ousadas e acumulou romances com diversos rapazes, inclusive grandes músicos, como o polêmico affair com o pianista Walter Wanderley, casado na época com a cantora Isaurinha Garcia. O casamento chegou quando ela já estava com 37 anos, em 1971. Ela se apaixonou por Julio César, organista de sua banda, 15 anos mais novo.

Faour contextualiza também os bastidores efervescentes da música brasileira nas décadas de 1950 e 60, e sublinha o conselho do jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli a Claudette, incentivando-a a trocar a Cidade Maravilhosa pela Terra da Garoa: “Aqui no Rio você será mais uma cantora de bossa nova, igual a todas as outras. Em São Paulo, um dia você poderá contar a sua história”. O empurrão definitivo foi dado por Pedrinho Mattar, num telefonema: “Tô tocando na Baiuca, você vem?”. Acabou formando com o trio de Pedrinho uma parceria marcante na noite paulistana dos anos 60, atuando nas principais boates da cidade, como Baiúca, Claridge e especialmente no Juão Sebastião Bar, onde, devido à sua baixa estatura, cantava sentada em cima do piano para que toda a plateia pudesse vê-la melhor. Acabou sendo uma de suas marcas a bordo de sucessos como “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes.

Sobrevivente da Era do Rádio, Claudette Soares fez sucesso na era da canção moderna e teve a chance de lançar ou ajudar a popularizar músicos como César Camargo Mariano – que estreou num disco seu, em 1963 – e compositores como Gonzaguinha e Taiguara, além de ter participado do primeiro disco de Eumir Deodato como arranjador. Foi a única cantora a dividir LPs com o ícone da música sofisticada brasileira, Dick Farney, e a primeira a gravar um disco-tributo aos iniciantes Chico, Caetano e Gil, em 1968. Graças aos moderníssimos arranjos de Antonio Adolfo, César Camargo, José Briamonte, Rogério Duprat e Roberto Menescal, e as composições de Jorge Ben Jor, Marcos Valle, Adolfo, Chico, Menescal e tantos outros craques, pôde colocar sua voz macia a bordo de uma “bossa sexy” ímpar, criando um dos trabalhos mais sensuais dentre as cantoras do movimento bossanovista.

O livro relata ainda a fase em que Claudette se afastou do meio artístico, durante 14 anos, a partir de 1977, por várias razões, principalmente não fazer concessões e ter de se sujeitar a cantar ou gravar canções que não fizessem parte de seu estilo, apenas por pressão da indústria e dos novos modismos. A volta aos palcos aconteceu em 1991, no show “Nova leitura” e culminou também na sua separação de Júlio César. A partir de então, recuperou o tempo perdido, em sucessivos projetos e gravações. A parte final do livro é reservada a uma espécie de ping-pong, em que conta suas preferências e gostos pessoais, revelando seu gênio forte e também um senso de humor muito particular, ácido e franco. Amigos e colegas de profissão, como Erasmo Carlos, Marcos Valle, Gilberto Gil, Aldir Blanc, César Camargo Mariano, Agildo Ribeiro e Beth Carvalho, entre muitos outros, dão depoimentos sobre a cantora. Também há uma discografia minuciosa, incluindo as participações em discos de outros intérpretes, capas originais e todos os autores que gravou.