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Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal

Em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos. 

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, destacando o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que a produtora Aurora de Cinema nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando o que é mesmo o filme que viu, qual seu sentido, e o que querem significar suas imagens.

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado. 

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou. 

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um enorme impulso pra falar de vida, celebrar a Paz e espalhar a alegria. RESTA UM desejo quase incontido de perseguir a utopia do amor sem mentiras, da amizade sem sustos, do afeto sem medo de se ofertar em público, da ternura sem hora marcada pra se instalar. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta Um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis. 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado, e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana.

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna. 

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

*O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes.

 

SERVIÇO: 

Curta-metragem RESTA UM

Exercício coletivo realizado no VI Festival de Cinema de Goiânia

Direção: Aurora Miranda Leão

Produção: Júlio Léllis

Edição: Aurora Miranda Leão e Lília Moema

Colaboração no roteiro: Miguel Jorge, Alex Moletta e Rogério Santana

Estrelando: Ingra Liberato

Participação: Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler

Bruno Safadi, Carol Paraguassu, Henrique Dantas

Realização: Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

Duração: 20m, cor, digital, gênero Experimental

 

Coquetel de lançamento  

QUANDO e ONDE: 19 de julho, 19:30h

CENTRO CULTURAL OBOÉ – rua Maria Tomásia, 531 – Aldeota

ENTRADA FRANCA
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Enfim, A Biografia de RUBENS CORRÊA

Rubens Corrêa, um Salto para Dentro da Luz, livro de Sergio Fonta (Coleção Aplauso, Editora Imprensa Oficial de São Paulo, 600 p.) Lançamento: HOJE na Livraria Travessa / Leblon, às 19h. 

PORQUE  RUBENS CORRÊA MERECE NOSSA ETERNA SAUDADE e ADESÃO  

 

 

                 O Legado da Paixão

 

Rubens Corrêa foi um dos maiores atores do Brasil, talvez o maior. Para alguns esta afirmação pode parecer um exagero, mas não é: ele foi mesmo. Quem o assistiu em cena nunca mais o esqueceu. Diário de um louco, que ele interpretou com 33 anos, Marat-Sade (em São Paulo e depois Rio) ainda nos anos 60, O assalto, O arquiteto e o imperador da Assíria, Hoje é dia de rock, O beijo da mulher-aranha, mais que tudo Artaud! e O futuro dura muito tempo, seu último trabalho antes de retomar Artaud! até o fim de seus dias, todos estes trabalhos-ícones, entre dezenas de outros, transformaram-se num legado apaixonado de quem amou o teatro como poucos.

Nascido em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, em 23 de janeiro de 1931 e morto em 22 de janeiro de 1996 no Rio de Janeiro, Rubens Corrêa construiu sua carreira ao lado do diretor e também ator Ivan de Albuquerque, cujo impulso definitivo veio com a inauguração do Teatro Ipanema, onde a dupla emplacou seus maiores sucessos. Mas Rubens não se limitou ao teatro e, embora não fosse o seu chão, realizou belos trabalhos também em cinema, como Na boca da noite e Álbum de família, entre outros, e na televisão, em novelas como Partido alto, Kananga do Japão e Pantanal, em Especiais como O bispo do rosário ou seriados como Decadência, de Dias Gomes, na Rede Globo, seu último trabalho em tv. Além disso, dirigiu inúmeros espetáculos com enorme sensibilidade, além de fazer a trilha sonora para vários deles. Amou o teatro, a poesia, a música, a vida e o ser humano. Um nome para não esquecer. Agora ficará para sempre lembrado também em livro.

O ator, dramaturgo e diretor Sergio Fonta conheceu Rubens Corrêa nos anos 70, bem jovem, quando começava sua caminhada, ainda como repórter, trabalhando no Jornal de Ipanema e no Jornal de Letras. Entrevistou-o diversas vezes durante a vida mas, desde a primeira vez, surpreendeu-se com seu carisma, sua inteligência e sua generosidade. Mais impactado ainda ficou quando assistiu à montagem histórica de O arquiteto e o imperador da Assíria, no Teatro Ipanema, em que Rubens contracenava com José Wilker, então surgindo como ator: acabou repetindo a dose por oito vezes mais.

Na introdução de Um salto para dentro da luz, Sergio Fonta fala da emoção daquele momento:

“ – O que dizer das atuações de Rubens, senhor do seu espaço, comandante irrevogável, dilacerado e definitivo, e de Wilker, pleno como o Arquiteto? Dois belos momentos de teatro. E o que dizer da inesquecível trilha sonora criada por Cecília Conde? E da encenação com direito a pietás, missas mozartianas e um enorme e misterioso chapéu branco de mulher”?

O trabalho de pesquisa de Fonta durou mais de um ano. Além da escrita do próprio livro em si, colheu dezenas de depoimentos e entrevistas com todos os que conviveram com Rubens no teatro, na tv ou no cinema, entre eles, Sérgio Britto, Ary Coslov, Julia Lemmertz, Emiliano Queiroz, Caíque Botkay, Ivone Hoffmann, Ricardo Blat, Fauzi Arap, Evandro Mesquita, Cristina Pereira, Thelma Reston, José Wilker, Nildo Parente, Maria Padilha, Walter Lima Júnior, Jacqueline Laurence, Rosamaria Murtinho e  Tizuka Yamasaki.

“ – Espero ter contribuído para a preservação da memória deste grande ator, diz Fonta. Seu universo é tão vasto, suas amizades tão permanentes, pois todos os que deram seus depoimentos conservam intactos seu sentimento por ele, que, talvez, fosse necessário mais um livro sobre ele, tanta a admiração e a saudade de quem o conheceu ou o viu num palco”.

 

Rubens Corrêa, um Salto para Dentro da Luz, será lançado no dia 24 de janeiro, próxima segunda-feira, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h. 

Algumas declarações sobre Rubens Corrêa para o livro Um salto para dentro da luz, de Sergio Fonta 

Emiliano Queiroz:

“RUBENS CORRÊA, um homem bom e generoso. Um artista BELO, um encantador de almas”.

 Rosamaria Murtinho: 

“Rubens deixou como legado o amor a um ideal, o amor ao teatro. A procura do texto bom para mostrar ao público. Ele sempre nivelou por cima. Sempre procurou coisa boa, espetáculo bom. E o público ia. Sempre”.

 

Maria Padilha: 

“Arte e ética juntos são imbatíveis! Esse, para mim, é o maior legado que o Rubens deixou”.

Júlia Lemmertz: 

Além de ser um ator incomparável, era uma criatura linda, dava vontade de ficar por perto dele e conversar muito”.

Sergio Britto: 

“Eu sempre disse que nós, atores, tentamos dialogar como os personagens à nossa frente. Sempre achei que o Rubens dialogava mais alto, sem exageros, ele dialogava com Deus. As suas falas adquiriam dimensão maior. Não eram meras palavras de um texto, era um ser humano tentando a comunicação maior. Esse é o Rubens Corrêa que merece ser lembrado”.

* Foi com grande alegria que soube, há mais de um ano, que Sérgio Fonta trabalhava na feitura desta biografia do ator RUBENS CORRÊA e, por causa disso, eu e Sérgio trocamos figurinhas desde então. Uma enorme e saudável alegria saber que ele se debruçava sobre vida e obra deste Mestre Querido de todos os Palcos e Telas, uma satisfação imensa partilhar este lançamento auspicioso de hoje com você, leitor amigo. Mais uma meritória iniciativa da Imprensa Oficial de São Paulo.

Esta redatora teve a honra e a alegria de entrevistar RUBENS CORREA, de vê-lo algumas vezes, sempre MAGNÂNIMO, em cima do palco, e ademais, a imensa Glória de ser aluna do Ator-Entidade, o Ator-Soberano, o Ator de todos os papéis e pra quem qualquer APLAUSO será, sempre, merecido.

Saudades enormes de Rubens Corrêa !

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Seguindo o espírito BELAIR…

Dentre os tantos aspectos relevantes a se notar no curta RESTA UM, há um praticamente impossível de não se destacar quando nos detemos em suas sequências: o caráter de documento de seu tempo. Assim nas produções da BELAIR, assim em RESTA UM.

Ademais, elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR (produtora que durou 3 meses, em 1970,  durante o regime de exceção que imperava no Brasil, e que realizou 7 longas-metragens) – cujos gritos revolucionários ainda ecoam no cinema brasileiro, mesmo sem a propagação de seus filmes – estão neste RESTA UM, curta que as produtoras Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes acabam de finalizar, como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de imagens destoantes, desfocadas, sons propositadamente incômodos ou mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas – como na apresentação de cenas de outros filmes -, deixando claro ser a referência proposital e ancorada numa forma autoral de expressão.

O choque como recurso estético, tão freqüentemente utilizado pela Belair (produtora criada pelos cineastas Júlio Bressane e Rogério Sganzerla), em quem a obra se inspira e a quem pretende homenagear, também se verifica em Resta Um, de Aurora Miranda Leão. Isso fica patente desde o início, quando o apito inconveniente do elevador, azucrina o ouvido da atriz Ingra Liberato e o de quem a acompanha na sala de projeção. E se condensa na tomada do barco-olho que adentra, com barulho (capaz de provocar estranhamento instantâneo), o oceano na tomada inicial (clara referência ao documentário Belair, de Bruno Safadi e Noa Bressane, grande inspirador deste curta).

Numa aparente dessintonia entre as sequências, Aurora vai construindo uma narrativa cheia de percalços, inconclusões, desconexões, onde vida real e ficção (?) se entrecruzam em associações com elementos ícônicos e intertextualidades profícuas, como as que bem ilustram o depoimento lapidar do cineasta Sílvio Tendler.

A homenagem a Júlio Bressane e o legado da Belair aos poucos se insinua, delicada e espontaneamente, nas filigranas que perpassam a anti-narrativa. Esse dado às vezes fica bem explícito, como na sequência a mostrar a noite carioca, em movimento de câmera oscilante e com nitidez rarefeita. Ou ainda através do take no qual se percebem amigos dançando numa discoteca ao som de “Queixa”, de Caetano Veloso, artista de estreita sintonia com o universo bressaniano. E, sobretudo, na sequência em que INGRA protagoniza homenagem explícita à cena de A Família do Barulho, na qual a câmera se fixa bastante tempo na atriz Helena Ignêz, que aparece em close, até chegar ao momento em que escarra “sangue”. 

Outro dado a saltar aos olhos e assolar o intelecto é o fato de o curta preservar, com propriedade, a característica mais marcante da produção Belair, qual seja filmar entre amigos e o enorme prazer daí advindo. Porque até o espectador mais leigo registra, sem dificuldade, que todas as pessoas envolvidas em Resta Um lá estão por absoluta vontade e adesão ao projeto inicial, dado prazerosamente afirmado no espontâneo depoimento de Ingra. Também a alegria que ilumina o rosto quando o escritor Miguel Jorge aparece e o semblante sereno e internamente feliz de Rosamaria Murtinho são reveladores deste prazer de estar entre amigos e experimentar cinema. E assim como a ironia pensa uma coisa e diz outra, a diretora de Resta Um aparece em seu próprio filme, criando uma instigante dissonância cognitiva, ao criticar, ela própria, o fazer cinema que contagia jovens de hoje e de ontem, de todas as idades. Como diz a pesquisadora Olgária Matos (professora de Filosofia Política da USP): “Nos filmes de Bressane, as personagens oscilam entre a lucidez e a evasão fora da luz. Na ausência de qualquer razão profunda de viver, os filmes advertem para o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento”.

Martha Anderson e Grande Otelo em O Rei do Baralho

Júlio Bressane trabalhou sempre com orçamentos modestos, equipes pequenas, filmagens rápidas e muita invenção, e desenvolveu ao longo dos anos um dos traços mais fortes de sua cinematografia: o intertexto artístico, tão bem captado em Resta Um.

A liberdade radical de experimentação, talvez o maior legado da singular e riquíssima cinematografia de Bressane, é o que mais aflora neste Resta Um de Aurora Miranda Leão. Afinal, como bem diz Bressane, a câmera na mão fora da altura do olho, jogo de foco, câmera giratória, ab-cenas, o infrasenso da linguagem: a câmera filma a própria equipe que filma, o “atrás da câmera”, o som direto com todas as interferências circum-cena, o diretor dirigindo o (in) dirigível etc etc… Tudo isso, toda esta escolha, todas estas figuras, todo este procedimento, toda esta concepção de produção e expressão, tudo é olho Belair. Não há isto no cinema novo. É depois do cinema novo. É Belair.”

RESTA UM… Divulgadas Primeiras Imagens

     RESTA UM… ficou pronto… Filmagens foram realizadas em Goiânia, em novembro passado, por ocasião do VI FESTIVAL NACIONAL DE GOIÂNIA do CINEMA BRASILEIRO…

RESTA UM é uma parceria Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

INGRA LIBERATO  é a estrela. ROSAMARIA MURTINHO, a ATRIZ especialmente convidada.

FILME é uma declarada HOMENAGEM a Júlio Bressane, nosso cineasta mais singular, o erudito do Cinema Brasileiro, que revolucionou nossa cinematografia a partir dos filmes instigantes e semimais que realizou, como Cara a Cara, O Anjo Nasceu, e MATOU A FAMÍLIA e FOI AO CINEMA…

INGRA LIBERATO: novo trabalho, sob direção de Aurora Miranda Leão, tem declarada inspiração na atriz HELENA IGNÊZ, musa da produtora BELAIR, que fez o maior buchicho no país em 1970…

Parceria BRESSANE x SGANZERLA…

* Depois explicamos melhor… Aguardem novos posts…

RESTA UM…………

Porque Goiânia Inspira Poesia…

 

À bênção, Aurora, que com sua alegria , me faz ter esperanças.

À bênção, Rosamaria Murtinho, que com seu olhar me fez compreender o que é a Esperança.
À bênção, Ingra, que com seu talento nos fez amar a Arte de Sorrir.
À bênção, Alex, por ter dividido conosco tanto Saber.
À bênção, Rogério,  que com seu silêncio, nos fez comprender a Palavra
À bênção, Itamar, Débora,Miguel Jorge que permitiram-me conhecê-los.
À benção a cada povo de Goiânia…

À benção, Goiânia !


Saravá, Saravá!

À bênção, Aurora, eu vou ter que dizer, Parabéns ! Você é grande!

Se alguém disser que você é capim, não acredite!
Você é o mais belo trigo!!!

 Um abraço que te envolva em felicidade.

Júlio Lellis.

PRA NÃO DIZER QUE O CINEMA É SÓ ILUSÃO

Voltar a Goiânia é sempre uma satisfação. Cidade com jeito de grande mas cercada pelo encanto dos canteiros floridos que lhe dão um charme de pacata, lá o clima ademais é de hospitalidade e instantâneas sintonias.

Conheci a capital goiana na primeira edição de seu festival de cinema, atendendo a generoso convite daquela que logo se tornou minha amiga de muitos carnavais: Débora Torres. Àquela época, escrevi afirmando: “O FestCine Goiânia começa com cara de festival que já tem uma década”.                                                                                                                                                                 

                                                                                                                                                                      

Voltando este ano para sua sexta edição, constato com alegria o quanto estava certa minha afirmação. O FestCine Goiânia, fruto da vontade, determinação e criatividade de Débora Torres (ancorada pela força do apoio substancial do escritor Miguel Jorge), é hoje um dos mais bem realizados festivais de cinema dentre tantos quanto acontecem em todas as regiões do país. Por isso, é sempre tão bom dele participar. Num município que trata o Cinema com o devido respeito, nós, amantes da Sétima Arte e particípes de seu labor cotidianamente, só podemos ficar muito contentes em ali poder sempre voltar e aferir os muitos acertos de um festival que nasceu pleno de fôlego, temperado pela competência e amplificado por esforços para torná-lo ainda mais relevante no cenário cultural.

                                                                                                                                                           

Este ano, além de integrar a comissão julgadora, o Festival Nacional de Cinema de Goiânia também promoveu o lançamento de mais um livro de meu pai, o crítico LG de Miranda Leão – Ensaios de Cinema (fruto do edital Cultura da Gente, do Banco do Nordeste do Brasil), cujos textos foram por mim selecionados e revisados. Tenho a honra de ter no prefácio da obra as judiciosas palavras de Rubens Ewald Filho, mais um amigo que o FestCine me proporcionou.

Sobretudo este ano, na capital goiana, tive a benfazeja alegria de reencontrar Rubens, um gentleman nas ações e um Mestre no fascínio de traduzir o Cinema em preciosas lições de vida.

 

Rubens Ewald Filho: “A opinião hoje migrou para a internet”

Com fôlego invejável, Rubens Ewald Filho abriu uma fenda em sua extensa/intensa agenda para realizar duas palestras no festival, promovidas pela Secretaria de Educação do Município para professores da rede pública de ensino. Não é todo dia que se pode ouvir sobre Cinema com alguém do naipe de Rubens nesse métier. Assim, abraçamos com indisfarçável contentamento a chance de estar na platéia, ao lado da querida Rosamaria Murtinho, do ator e roteirista Alex Moletta, e do cineasta Julinho Léllis. Aquela palestra e a da manhã do dia seguinte nos ficarão para sempre na memória, duas aulas impressionantes de conhecimento sobre a Sétima Arte e seus bastidores, o porquê de determinadas escolhas em tantas fases marcantes, as implicações do cinema na moda e da moda no cinema, grandes marcos e alguns embustes, mitos criados e tantos perpetuados, os nomes que sucumbiram depois de grandes êxitos, as mudanças aceleradas pela chegada das novas tecnologias, o permanente e o provisório nesta Arte tão fascinante quanto intrigante, insólita, desafiadora: a Arte de usar de todos os artifícios para tornar mais bela, conseqüente e justificada a passagem do humano pelo planeta.

 

Débora Torres, Aurora M. Leão e Rubens Ewald no Goiânia  Ouro                                                                                                                                                        

E é de contagiante simplicidade, espontânea vocação e indisfarçáveis doses de boa vontade a generosa forma com a qual Rubens Ewald Filho fala de Cinema como quem conversa com o caseiro da chácara onde viveu a infância e perpetuou a criança, extasiada ante ao fascínio da Arte de reproduzir a vida através de imagens em 24 quadros por segundo, às vezes mais, outras menos, mas sempre com o mesmo gosto pela vida, amplificada em beleza, magnitude e condões do Mistério.

                                                                                                                                                                           

                                                                                                                                                Aurora Miranda Leão e Rubens Ewald Filho, que prefaciou Ensaios de Cinema

                                                                                                                                                      Aurora Miranda Leão e Carol Paraguassu Dayer: amigas de muitos filmes

Integrando a comissão julgadora, cuja presidência coube a Rosamaria Murtinho, estávamos eu, a bela Ingra Liberato, Alex Moletta e Rogério Santana, professor de Literatura Brasileira e Portuguesa da UFG, assistidos de perto pelo olhar sensível e a afetividade acolhedora de Miguel Jorge, e contando com o auxílio luxuoso de Bia Del Arco (atendendo aos pedidos do júri com esmero). Os dias compartilhados ao lado deles foram de muitas idéias, trocadas ante à preferência por um ou outro filme, estimulada sintonia e afetividade que logo se estabeleceu e o tempo fez reverberar em saudade e até no alvitre de um curta-metragem, gravado ali mesmo, naqueles dias que tão rápido se escorreram por entre nossos dedos, cuja edição agora nos cabe levar adiante, com prazer e sensação de recuerdo de um tempo muito feliz e bem partilhadas horas de convívio e debates cinéfilos.                                                                                                                               

                                                                                                                                                                        

                                                                                                                                                                             Débora Torres. Ingra Liberato e Itamar Borges

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                                                                                                                                                                         CACO CIOCLER: Homenagem na abertura do Festival

                                                                                                                                                                         

                                                                                                                                                                                 Guido Campos, Bruno Safadi e Débora Torres

                                                                                                                                                                          

                                                                                                                                                                   Simone Spoladore concede entrevista a Mariley Carneiro

                                                                                                                                                                           

                                                                                                                                               Samuel Reginatto, talento gaúcho do filme Os Famosos e os Duendes da Morte

 

Jornalista Aurora M. Leão lança ENSAIOS DE CINEMA 

                                                                                                                                            Rosamaria Murtinho e Irandhir Santos, de Olhos Azuis: início do FestCine

Caco Ciocler e Márcia Carvalho

Márcia Carvalho, Secretária de Educação, entrega Troféu a Caco Ciocler

Tínhamos uma lista de altíssima qualidade fílmica para ver e avaliar, tarefa tão difícil quanto estimulante. Filmes do quilate de Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo (Karim A6Inouz e Marcelo Gomes), Bróder (Jeferson De), e Olhos Azuis (José Joffilly), bem como os curtas Diga 33, Rupestre, O Centésimo (Daw), enriqueceram nossas discussões e  nos fizeram varar a madrugada na véspera da noite de encerramento em busca de um resultado que se fizesse justo e correspondente à qualidade exibida para uma platéia que todas as noites lotou o CineTeatro Municipal Goiânia Ouro para fazer jus ao emblemático Troféu Goiânia, criação do artista Siron Franco (!!!).

 

       

Ambiente do CineTeatro Goiânia Ouro lotado, como todas as noites                                                                                             

Bate papo entre cineasta goiano, Julinho Léllis, Aurora e Alex Moletta

Bom entrosamento entre Miguel Jorge e Rosamaria Murtinho

Rogério Santana e Alex Moletta, em noite de lançamento literário

MULHERES DO CINEMA: Ingra, Aurora, Rosinha e Débora

Escritor Carlos Nejar recebe homenagem das mãos de Doracino Naves

Difícil sim julgar – todos os concorrentes tinham/têm inegáveis qualidades. Daí, é preciso enxergar com a sensibilidade e sentir com a consciência de que precisamos não só reafirmar o Ótimo, consagrar valores e referendar trajetórias, mas sobretudo apontar caminhos e possibilitar o acender de faróis em direções ainda não vistas, em trilhas ainda não percorridas. A lista dos premiados está no final deste texto.

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Rosamaria Murtinho e Aurora M. Leão atentas aos filmes…

Jeferson De: reconhecimento na estréia em direção de longas

Milton Gonçalves recebe telefonema na hora da Homenagem

João Batista de Andrade saudado por Miguel Jorge

Julinho Léllis recebe prêmios pelo filme Bróder, das mãos da atriz Daniela Galli

Henrique Dantas  premiado pelo ótimo Os Herdeiros de João

Jovem Bruno Safadi homenageia produtora BELAIR e faz filme marcante

Após a concorrida solenidade de premiação – onde tivemos a oportunidade de assistir a dois exemplares do cinema goiano: Quadro Negro, um novo curta de Débora Torres (vídeo educativo sobre a questão das drogas, onde pontificam as atuações de Milton Gonçalves, Neusa Borges e Ingra Liberato), e um documentário de João Batista de Andrade sobre vida e obra de Miguel Jorge, quando a atuação do escritor nas lides literárias goianas, suas amizades e seus escaninhos culturais nos chegam de modo artístico e delicado, tornando Miguel pessoa ainda mais grata no convívio de todo dia) -, um farto coquetel presenteava o público, realizadores, jurados, cinéfilos e cinemeiros de todos os matizes num bem pensado espaço do próprio CineTeatro Goiânia Ouro, onde o cinema tem livre trânsito para se expandir em variadas direções.

Rosamaria ganhou quadro de artista goiano das mãos de Miguel Jorge

Cineasta Ângelo Lima leva Melhor Montagem por Retrato 3 x 4

Ingra Liberato entrega troféu a Sílvio Tendler pelo Doc Utopia & Barbárie

Lá estavam os cineastas Carol Paraguassu Dayer, Orlando Lemos, Ângelo Lima, Paulo Miranda, Sílvio Tendler e sua filha Ana, Bruno Safadi, Henrique Dantas, Júlio Léllis, Pedro Lazzarini, a belatriz Daniela Galli, o querido ator Guido Campos, a maravilhosa turma da produção, comandada por Itamar Borges: Jane, Bia Del Arco, Mariley Carneiro, Fabrícia Amu… e por certo muito mais gente que a memória agora me trai e me faz escapar do caderninho.

Bruno Safadi recebe troféu de Milton Gonçalves: BELAIR é instigante

Rogério Santana recebe prêmios pelo filme de Joffilly, OLHOS AZUIS

De lá, seguimos para uma festa, cujo piloto conheci logo nos primeiros dias de FestCine e me prometeu uma noite repleta de Paralamas (!!!) e música brasileira da melhor qualidade (Jorge Bem Jor, Tim Maia, Luís Melodia, Lulu Santos, Djavan) e, portanto, de muita alegria e suingue por todos os poros. Débora Torres, a super anfitriã, conduzia uma garrafa de vinho, ladeada pela não menos amiga Ingra Liberato, pródiga na vontade de acolher mais alegria pra enfeitar a pista. E assim transcorreu nossa noite/madrugada, ao lado dos muitos parceiros de estrada que ali se consagraram amigos e hoje nos fazem ansiar, entre saudades e afetos, por novas celebrações goianas, na capital que, todos os inícios de novembro se transforma em Capital do Cinema Brasileiro.

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SARAVÁAAAAAAAAAAAAAAAAA !!!

 

Premiação oficial 6º FestCine Goiânia

CATEGORIA VÍDEO CASEIRO

 Menção honrosa- Prêmio Especial de Júri:“A CHAMADA”, de Coelho Nunes

Menção honrosa – Prêmio Especial de Júri: “SOBRE MEU IRMÃO”, de Bruno Lino

 

3º  LUGAR VÍDEO CASEIRO:

“ZUMBIDO”, de Paulo de Melo

 

2° LUGAR DO VÍDEO CASEIRO:

“A MOÇA DO CARRO DE BOI”, de Flávio Gomes de Oliveira

 

1° LUGAR DE VÍDEO CASEIRO: 

“ASAS”, de Thiago Augusto de Oliveira

 

CATEGORIA VÍDEO UNIVERSITÁRIO

 

Menção honrosa – Prêmio Especial de Júri: NEUROSE, de Kaco Olímpio e Pedro Caixeta

 

MELHOR VÍDEO UNIVERSITÁRIO DE DOCUMENTÁRIO:

“RENOVA ESPERANÇA”, de Tatiana Scartezini

 

MELHOR VÍDEO UNIVERSITÁRIO DE FICÇÃO:

“ENQUANTO”, de Larissa Fernandes

 

MELHOR VÍDEO UNIVERSITÁRIO DE ANIMAÇÃO:

“VERDADE ABSOLUTA”, de Guilherme Mendonça e Jordana Prado

 

PRÊMIO ESTÍMULO DA SECRETARIA MUNICIPAL DA CULTURA À PRODUÇÃO DO VÍDEO UNIVERSITÁRIO:

“ENQUANTO”, de Larissa Fernandes

 

CATEGORIA CURTA GOIANO

 

Menção honrosa – Prêmio Especial de Júri: “CENTÉSIMO DAW”, de Orlando Lemos 

 

Menção honrosa – Prêmio Especial de Júri: “DIGA 33”, de Angelo Lima 

 

Melhor curta goiano de documentário:

”NÚMERO ZERO”, de Cláudia Nunes

 

Melhor curta goiano de animação:

“RUPESTRE”, de Paulo Miranda

 

Melhor curta goiano de ficção:

“AINDA NÃO”, de Paulo Rezende

 

PRÊMIO ESTÍMULO DA SECRETARIA MUNICIPAL DA CULTURA À PRODUÇÃO DE CURTA GOIANO:

“AINDA NÃO”, de Paulo Rezende

 

CATEGORIA LONGA DOCUMENTÁRIO

 

Menção honrosa -Prêmio Especial de Júri: “NÉLIDA PIÑON”, de Júlio Lélis

 

Melhor Montagem de longa documentário:

“RETRATO 3X4 DE UM TEMPO”, de Angelo Lima

 

Melhor Som de longa documentário:

“UTOPIA E BARBÁRIE”, de Sílvio Tendler

 

Melhor roteiro de longa documentário:

“UTOPIA E BARBÁRIE”, de Sílvio Tendler

 

Melhor Fotografia de longa documentário:

“BELAIR”, de Noa Bressane e Bruno Sáfadi-Melhor

 

CATEGORIA LONGA FICÇÃO

 

Melhor Montagem de longa ficção:

“VIAJO POR QUE PRECISO, VOLTO POR QUE TE AMO”, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz

 Melhor som de longa ficção:

“MALU DE BICICLETA”, de Flávio Ramos Tambellini

 

Melhor Música ou Trilha Sonora Original de longa ficção:

“BRÓDER”, de Jeferson De

 

Melhor Direção de Arte de longa ficção:

“ELVIS E MADONA”, de Marcelo Laffite

 

Melhor Fotografia de longa ficção:

“OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE”, de Esmir Filho

 

Melhor Roteiro de longa ficção:

“VIAJO POR QUE PRECISO, VOLTO POR QUE TE AMO”, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz-Melhor

Melhor Atriz Coadjuvante:

 ÁUREA BATISTA, de “Os famosos e os duendes da morte”

 

Melhor Ator Coadjuvante:

IRANDHIR SANTOS, de “Olhos azuis”

 

Melhor Ator:

HENRIQUE LARRÉ, de “Os famosos e os duendes da morte”

 

Melhor Atriz:

SIMONE SPOLADORE, de “Elvis e Madona”

MELHOR DIREÇÃO E FILME

 

Melhor Direção de longa documentário:

HENRIQUE DANTAS, de “Filhos de João – Admirável Mundo Novo Baiano” 

 

Melhor Direção de longa ficção:

JEFERSON DE, de “Bróder”

 

Melhor longa-metragem documentário:

“BELAIR”, de Noa Bressane e Bruno Sáfadi

 

Melhor longa metragem de ficção:

“OLHOS AZUIS”, de José Joffily

Saudades do FestCine Goiânia…

Foram oito dias de intensas conversas onde a Sétima Arte era o tema principal: projeções em salas lotadas, distribuição de sorrisos e autógrafos, um congraçamento bonito de se ver e que agora nos enche de saudade… Que venha o FestCine 2011 !

SARAVÁ !!!

Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler e Ingra Liberato

Rubens Ewald Filho fez duas concorridas palestras provando ser uma “enciclopédia ambulante de Cinema”

Satisfação entre amigos: Aurora Miranda Leão e Rubens Ewald Filho

Débora Torres, Aurora e Rubens Ewald Filho no Cine Goiânia Ouro

Alex Moletta, de Santo André: dicas para fazer vídeos com pouca grana

Débora Torres, que lançou curta no encerramento, Ingra Liberato e Itamar Borges

Carol Leão autografa livro do pai, o saudoso cineclubista BETO LEÃO

Simone Spoladore concede entrevista a Mariley Carneiro

Documentarista Orlando Lemos com a filha Ana e as sobrinhas

Ator Guido Campos, cineasta Bruno Safadi e produtora Débora Torres

Jovem e competetente ator gaúcho Samuel Reginatto anuncia Os Famosos e os Duendes da Morte

Escritor Miguel Jorge (GO) e Alex Moletta (SP)

Amigas cinemeiras: Aurora Miranda Leão e Carol Paraguassu

TURMA BOA: Miguel, Ingra, Alex, Aurora, Rogério, Rosinha e Débora Torres

MULHERES DE CINEMA: Ingra Liberato, Aurora Miranda Leão, Rosamaria Murtinho e Débora Torres

Argentino Lazzarini: “Equipamentos de ponta não substituem a capacidade de contar uma boa história”

Cineasta Jeferson De e documentarista Julinho Léllis

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Rosamaria Murtinho, presidente oficial do Júri

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Rosamaria Murtinho conversa com Irandhir Santos

Esta jornalista autografa livro do pai, LG de Miranda Leão

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Caco Ciocler, homenageado na noite de abertura, recebe Troféu Goiânia, idealizado pelo artista Siron Franco, da secretária municipal de Educação, Márcia Carvalho.

Ia tudo bem e… RESTA UM

Divulgação das primeiras imagens – bastidores das filmagens iniciais do curta que reúne três regiões: Bahia, Rio Grande do Sul e Pará, através das interpretações de Ingra Liberato, Samuel Reginatto e Rosamaria Murtinho… gravado esta semana em Goiânia…

Ficha Técnica inclui Alex Moletta, Júlio Léllis, Aurora Miranda Leão, Rogério Santana, Miguel Jorge e muitos outros… aguardem novas informações… 

RESTA UM…

Alguns Festivais, Muitos Amigos …

Cada festival de cinema é um momento de celebração especial. Cada um tem sua personalidade e em cada um encontramos motivos  para angariar momentos inesquecíveis, pois – como dizia nosso adorável VININHA -, “A Vida é a Arte do Encontro”… 

Portanto, vamos relembrar festivais de 2008, 2009, 2010…

Zanella, Aurora e Bernardo em Ribeirão Pires...

Aurora e André Costa agitam noite do Comunicurtas

Julinho Science, Aurora, Marão e Zeca Brito

 

Zeca Ferreira e Aurora na animação de Jeri

 

Carlos Segundo curtindo no Festival de Jeri

Filipe Wenceslau, Valério Fonseca e Zeca Ferreira: amigos queridos

Jornalistas em Jeri: Síria Mapurunga e Aurora Miranda Leão

Animação em JERI

Filipe, Zeca, Aurora, Valério, Síria e Lucas Harry

 Rosamaria Murtinho, Alice Gonzaga e Aurora

Ney Latorraca, Aurora e Luiz Carlos Lacerda

Leona Cavalli, Aurora, Fafy Siqueira e Teca Pereira