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Relação Cinema x TV e FestBrasília

O Canal Brasil — Espaço do Cinema Brasileiro (66, na grade da Net) —  premiou o curta “A Mula Teimosa e o Controle Remoto” com trofeu (de belo design) e R$15 mil.

A premiação de outra produção ligada a um canal de TV, “Amor?”, de João Jardim, mostra que prêmios atribuidos em festivais abrem cada vez mais vitrines televisivas para filmes brasileiros.

“Amor?” foi produzido pelo Canal GNT, com apoio da Avon. Por ter sido o filme escolhido como “o melhor” pelo público do Festival de Brasília, fez jus a prêmio aquisição no valor de R$30 mil, oferecido pela TV Brasil.

No caso do curta, não há nenhum impedimento de que ele seja exibido no Canal Brasil. A equipe que organiza o prêmio checou tudo direitinho (na fase em que os filmes se habilitam a concorrer). Já o caso de “Amor?” deve ser ainda avaliado, pois o JÚRI POPULAR avalia todos os seis longas concorrentes (não houve, nem poderia haver, nenhum questionamento prévio).

 

João dirigiu “Janela da Alma” (com Walter Carvalho), Pro Dia Nascer Feliz, e Lixo Extraordinário (com duas parceiras). Este filme é um dos 25 títulos habilitados ao Oscar de melhor documentário de longa-metragem.

* Comentário de Maria do Rosário Caetano

Carta de Amor a Maria do Rosário Caetano

MISSIONÁRIA DA CELULOSE E DO CELULÓIDE 

Reproduzimos para você, leitor amigo do Aurora de Cinema,  texto-homenagem do jornalista LUIZ FERNANDO ZANIN ORICCHIO (*) para Maria do Rosário Caetano, por conta da homenagem que esta receberá em Sergipe, quando da realização do Curta-SE.

Vejam que primor !  Rosário merece !

Se ela pudesse, leria todos os jornais do mundo. Como não pode, contenta-se com os três que recebe em casa todas as manhãs e mais alguns “de todos os Brasis”, que compra  quando vai aos muitos cinemas  que circundam a Avenida Paulista. Maria do Rosário Caetano é assim. Uma vocação de jornalista como nunca vi igual. Fascinada pela notícia, fissurada pelo dia-a-dia, fanática pelo papel, usa a internet de maneira frenética, porém com um saudável pé atrás. Leitura, para ela, só na velha e boa celulose. Haja florestas para abastecer tanta fome.

Pois foi desse jeito, lendo e colecionando os papeis que ela não joga fora (para meu desespero), que Rô se tornou a mais bem preparada jornalista cultural do País – em especial quanto a um tema, o cinema, e o cinema brasileiro em particular, que ela acompanha de perto há décadas.

E, claro, acompanha não como leitora, mas como repórter, participante e testemunha. A Rosário pode ser vista e ouvida nos debates de uma infinidade de festivais brasileiros. É a rainha dos debates e moderadora de muitos deles. Parece conhecer todos os diretores, todos os atores, os figurinistas, maquiadores, os contra-regras e pode chamar, pelo nome, do mais badalado produtor ao anônimo que segura as lâmpadas no set, que a gente chama de “pau de luz”. Nada e nem ninguém do cinema brasileiro parece lhe ser estranho.

Por um simples motivo: Rô ama o cinema brasileiro porque ama o Brasil acima de tudo. É nacionalista, não no sentido estreito de ignorar o resto do mundo ou pregar patriotada. É nacionalista porque não se considera cidadã de segunda categoria por ter nascido no Brasil, em Minas Gerais, numa cidade chamada Coromandel. Pelo contrário. Orgulha-se de sua origem. Sente-se igual a todos, alemães, portugueses, norte-americanos, vietnamitas ou chineses. Pratica um nacionalismo do tipo que a coloca na altura dos olhos dos seus semelhantes. Nem acima e nem abaixo. No mesmo nível.

Por isso mesmo, sente-se particularmente solidária com os que sempre foram considerados “inferiores” pelos supostos donos do mundo (e às vezes por si mesmos): os brasileiros e todos os irmãos latino-americanos – nossos vizinhos de continente, em geral tão ignorados aqui mesmo no Brasil, cuja elite tem como modelos ora os europeus ora os americanos do norte.

Foi pensando nisso que Rosário escreveu seu livro mais importante, o pioneiro “Cineastas Latino-Americanos” (Estação Liberdade, 1997), uma série de entrevistas e perfis biográficos com os principais diretores do continente. É leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto.

Como são obrigatórios os livros que produziu para a coleção Aplauso, com perfis de cineastas e atores como Fernando Meirelles, João Batista de Andrade e Marlene França. Esses textos aliam a argúcia da entrevistadora, sempre bem documentada sobre o assunto ou o personagem, ao texto trabalhado e límpido, fruto de quem frequenta os melhores autores da literatura. Sim, a Rosário, além de formada em jornalismo, concluiu o curso de Letras, ambos na UnB, em Brasília, cidade para onde foi depois de sair de Coromandel, e onde passou a juventude, casou-se, teve filhos, trabalhou e deixou enorme número de amigos e admiradores quando de lá saiu, em 1994, para viver em São Paulo.

Rosário durante muitos anos trabalhou nas redações de jornais como Correio Braziliense e Jornal de Brasília, como repórter, repórter especial ou editora de cultura. Tornou-se correspondente do JBr em São Paulo quando para lá se mudou. Ao deixar o jornalismo diário, depois de muitos anos de atividade, passou a atuar na internet. “Analfabeta digital”, como ela mesma se define, tirou do nada um boletim que batizou de “Almanaque”. Uma publicação artesanal, que ela envia manualmente para três mil pessoas e lhe valeu uma tendinite crônica no braço direito.

Em pouco tempo, o “Almanaque”, que é mensal, e o “Almanakito”, um derivativo diário, tornaram-se referência nacional no meio cinematográfico e não é raro que paute e seja citado por jornalões tradicionais. Algumas revelações do Almanakito se tornaram reportagens escritas nos jornais de primeira linha do País. Rosário é prova viva do alcance e das possibilidades do jornalismo na internet. Com seu “Almanakito”, ela multiplicou seus correspondentes e amigos pelo Brasil afora e mesmo no exterior (um dia, para minha supresa, ela veio me falar de uma “amiga russa”, Elena Beliakova, que havia conhecido na rede e era fã de Jorge Amado). Criou uma rede de dependentes do Almanakito, viciados que se informam e se orientam pela leitura desse boletim e se queixam quando eventualmente são esquecidos nas remessas.

Aos 55 anos, a Rô continua em atividade febril. Percorre vários festivais de cinema ao longo do ano e já até perdeu medo de avião, menos por mérito que por necessidade. Quando está em casa, consome seu dia lendo, fazendo contatos e abastecendo edições sucessivas do Almanakito. Tornou-se ponto de referência de informação quente e de credibilidade, coisas raras na internet. É uma jornalista em tempo integral.

O encontro de uma pessoa com sua vocação não se dá sem problemas. Rô se queixa de dores de cabeça recorrentes, típicas de quem vive o tempo todo no olho do furacão. Ainda acha que pode pegar o mundo com as mãos, esse mundo que teima em crescer em escala exponencial e a lhe fugir do controle. Leva tudo a sério, com o fanatismo dos santos e dos devotos. Por isso às vezes lhe falta o humor, que tanto ajuda a relativizar as coisas. Pensando bem, tudo isso está interligado e faz parte de um sistema: quem se acha imbuída de uma missão não se permite descanso nem brincadeiras. Para a Rô, o cinema não é uma diversão, nem mesmo uma arte – é uma causa. E ela a defende com o rigor de uma revolucionária. São defeitos ou qualidades? Depende do ponto de vista. Há quem ache a sua dedicação ao trabalho excessiva, roubando tempo e atenção que poderiam ser empregados de outra forma. Existe quem pense que nada existe de mais bonito que uma paixão como essa, levada às últimas consequências.

Como julgar de maneira objetiva, ainda mais quando se ama a personagem?

        (*) Luiz Fernando Zanin Oricchio é jornalista e crítico de Cinema do jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), autor dos livros “Cinema de Novo – Um Balanço Crítico da Retomada”, “Guilherme de Almeida Prado” (Coleção Aplauso) e “Fome de Bola – Cinema e Futebol no Brasil”, além de companheiro, há quase duas décadas, de Maria do Rosário.

Rosário e Aplauso de Cinema

 

  

JOÃO BATISTA DE ANDRADE AUTOGRAFA BIOGRAFIA NO FESTIVAL DE CINEMA LATINO-AMERICANO    

Assinada por Maria do Rosário Caetano, obra conta a trajetória profissional de um dos principais cineastas nacionais.

 

Diretor do clássico O Homem que Virou Suco, filme vencedor do Festival de Moscou em 1981, João Batista de Andrade é um dos mais respeitados cineastas nacionais e será um dos homenageados do 5º Festival de Cinema Latino-Americano, que acontece de hoje até dia 18 no Memorial da América Latina, em Sampa – Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664.

Diversos filmes dirigidos por ele, como O Cego que gritava luz, Doramundo e o próprio O homem que virou suco, serão exibidos durante o festival. Como parte da programação do festival, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo programou para quarta, dia 14, uma sessão de autógrafos de João Batista de Andrade – Alguma Solidão e Muitas Histórias, livro escrito pela jornalista Maria do Rosário Caetano – jornalista especializada na Sétima Arte. 

João Batista irá assinar a reedição da obra, a partir das 18 horas, no estande montado pela Imprensa Oficial especialmente para a data. Outros 188 títulos também estarão à venda durante todo o dia, a maioria deles da Aplauso, coleção coordenada pelo jornalista e crítico de Cinema, Rubens Ewald Filho, que reúne grande parte da memória artística brasileira entre biografias, roteiros de cinema, perfis e histórias de emissoras de TV.

  

Biografia do cineasta João Batista de Andrade será lançada quarta-feira  

Além de sua biografia, João Batista de Andrade tem outros três roteiros publicados pela Aplauso e que também estarão à venda: do filme “O homem que virou suco” e dos documentários Liberdade de Imprensa e Vlado – 30 anos depois, sobre Vladimir Herzog. Essas obras também podem ser baixadas e lidas gratuitamente, em formato PDF e TXT, no site da Coleção, http://aplauso.imprensaoficial.com.br.  

 

Maria do Rosário Caetano, voz feminina da imprensa nos bastidores do Cinema, assina a biografia de João Batista de Andrade  

Dos títulos que estarão à venda no espaço, mais de 60 são da série CINEMA da Coleção Aplauso. Entre eles, os roteiros dos filmes O Bandido da Luz Vermelha, Desmundo, O Céu de Suely, Cidade dos Homens, O Ano em que meus saíram de férias, O Signo da Cidade e do recém-lançado Olhos Azuis. Também estarão na livraria as biografias de importantes nomes da sétima arte, como Máximo Barro, Ugo Giorgetti, Alain Fresnot e Djalma Limongi Batista.

XIII Festival de Cinema de Punta del Este

Homenagens a James Ivory e Glória Menezes

Começa amanhã e vai até dia 21 a tradicional Sala Cantegril sedia a 13° edição do Festival de Cinema de Punta del Este. Este ano, o festival não só mantém seu perfil eclético e aberto, como o potencializa. A programação traz mais filmes, mais convidados, um Seminário sobre a Crítica, mesas-redondas, muitas atividades paralelas e festas.

Serão exibidos mais de 70 filmes em 10 mostras: Competição Oficial, Panorama Internacional, Panorama Documental, Exibições Especiais, Excêntricos, Espaço Cinemateca, Espaço Llamale H e Espaço MI-CINE. Completam a programação uma Mostra de Curta-Metragem e a Mostra Itinerante em escolas.

Sete filmes brasileiros integram a programação do Festival. Três estão na Competição Oficial: Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho; Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca e No Meu Lugar, de Eduardo Valente. Outros três estão na mostra Panorama Documental: Titãs – a Vida Até Parece Uma Festa, de Oscar Rodrigues Alves e Branco Mello; O Rei do Carimã, de Tata Amaral e O Homem que Engarrafava Nuvens, de Lírio Ferreira. Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karin Ainouz e Marcelo Gomes está na mostra Panorama Internacional.  

James Ivory, diretor de The City of Your Final Destination, que será exibido na abertura do Festival, é o homenageado desta edição. A atriz brasileira Glória Menezes também recebe homenagem pelos 50 anos de carreira. Na ocasião será exibido o primeiro filme da artista: O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962. 

Além de James Ivory e Glória Menezes também marcam presença no XIII Festival de Cinema de Punta del Este os atores argentinos Tomás Fonzi, María Onetto, Esther Goris e Leonor Manso; o francês Louis-Do de Lencquesaing; os uruguaios César Troncoso e Daniel Hendler e muitos outros. Na comitiva brasileira, José Wilker, Alice Braga, Cássio Gabus Mendes, Marco Ricca, Octávio Muller, e Tarcisio Meira Filho, entre outros. O diretor Adrián Caetano e o produtor e cineasta espanhol Luis Miñarro também marcarão presença no evento.

 Filmes da Competição Oficial

Los condenados (España, 2009), de Isaki Lacuesta
Cabeça a prêmio (Brasil, 2009), de Marco Ricca
Cinco días sin Nora (México, 2009), de Mariana Chenillo
El truco del manco (España, 2008), de Santiago A. Zannou
En mi lugar (Brasil/Portugal, 2009), de Eduardo Valente
Huacho (Chile, 2009), de Alejandro Fernández Almendras
Los famosos y los duendes de la muerte  (Brasil, 2009), de Esmir Filho
Navidad (Chile, 2009), de Sebastián Lelio
Paco (Argentina, 2010), de Diego Rafecas
Todos mienten (Argentina, 2009), de Matías Piñeiro
Tres días con la familia (España, 2009), de Mar Coll
V.O.S. (España, 2009), de Cesc Gay

* Com informações de Maria do Rosário Caetano