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Poesia de CARPINEJAR: Como um GOL de MESSI…

Quem me conhece, tá cansado de saber: quando gosto, meu gostar é pra valer; se me apaixonar, sai da frente…

Pois desde que conheci os versos do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, apaixonei-me pela prosa e a poesia dele.

Mérito exclusivo do escritor, que abusa do singular direito de encantar…

Pois não é que acabo de ser surpreendida com um texto atordoantemente lindo do poeta (cuja parceria muito deve honrar a Mário Corso), flagrando e traduzindo na mais fina escrituração poética os dribles, passes, jogadas, enfim, a maestria do absolutamente craque argentino LIONEL MESSI ?!

O texto é uma pérola, indicado por minha querida amiga Luziany Gomes, que, sabendo de minha ligação intensa com o mestre de todas as bolas, me presenteou com esta preciosidade.

Um texto que, tivesse eu o talento, o olhar e a sensibilidade de CARPINEJAR, talvez levasse minha assinatura, antes mesmo da do poeta.

O que você vai ler a seguir, eu teria o MAIOR ORGULHO DE ASSINAR.

Salve, CARPINEJAR !

E obrigada por nos presentear a todos, sobretudo nós, tietes e admiradores atentos e maravilhados ante a atuação de MESSI, com esta preciosidade em forma de crônica.

GOL DE PATINETE

Fabrício Carpinejar e Mário Corso

Maradona não pode ser comparado a Pelé, mas Messi sim, ele já mostra fagulhas do impossível, risca fósforos das chuteiras, entra na pequena área com archotes, ilumina a caverna das traves com rupestres e desenhos incríveis. As redes deveriam ser retiradas depois de seus gols.

O que ele aprontou contra Arsenal é antológico. Seu primeiro gol será tão reprisado quanto a derrubada das torres gêmeas. Nasceu com moldura. O argentino recebeu enfiada de Iniesta e deu um chapéu no goleiro Almunia e concluiu sem deixar a bola cair. A questão é o curto espaço da operação, um rasgo para cima, lembrando os dribles para dentro dos santistas Canhoteiro e Edu.

Foi, na verdade, uma bicicleta de frente, criou o gol de patinete. A bola e o goleiro estavam em outra rotação, muito mais lentos; Messi congelou o tempo para encobrir e botou o tempo a correr novamente ao arrematar. A bola sobe com efeito, como se zombasse das mãos do arqueiro. Não há jogo de corpo do atacante, mas jogo de corpo da bola. A bola joga para Messi.

Talvez seja o tento mais perfeito que se viu no Camp Nou. Esperava-se o toque ao lado para limpar o goleiro. Não, ele toca por cima, numa manobra absolutamente original. Essa é a diferença do gênio para o craque, da estrela para o cometa. Messi não diviniza o banal, desembaraça o divino. Amplia o repertório, não permite um mínimo de descuido e desatenção do torcedor. Qualquer lance dele cheira a milagre. Ele não corre, aparece; ele não chuta, coloca; ele fundiu balé com futebol de salão.

Não há jogo ruim, no mínimo boas atuações alternadas com levitações demoníacas. Seu pé esquerdo é uma centopeia delirante. Comprova que os canhotos não surgiram para a mendicância técnica. São reis do ilusionismo.

Ele não realizou sua obra-prima em cima do Olaria, mas na poderosa esquadra do Arsenal em oitavas de final da Liga dos Campeões. Sacramentou a vitória de 3 a 1 sobre o vice-líder do Campeonato Inglês.  Alguns podem alegar que ele não oferece o mesmo espetáculo defendendo a Argentina. Calma, calma, o Barcelona é uma seleção (assim como o Santos da década de 60), a Argentina que é o clube. Messi não repete suas performances de gala no combinado do seu país porque não há como, é uma confusão política, de desmandos e superstições.

No Espanhol, o artilheiro atingiu 77% de acerto nas finalizações, o maior índice da história. Contabiliza 27 gols em apenas 116 conclusões – marcou a cada 4,3 chances que teve.

É um centroavante completo e um meia esplêndido, concilia o talento magnético na condução da bola e o oportunismo de matador. Impossível marcá-lo. Há algo de maduro em seu rosto, lampejo de tigre, e só tem 23 anos.

Repare que nem comemora o gol, acena, agradece com sinal da cruz. Sua comemoração nunca é explosiva, parece que não quer diminuir o lance com coreografias animadas; só aceita dançar com a bola, não trai sua parceira de tango.

Deseja o lance seco, curto, sem música de fundo. O futebol essencial, o futebol pelo futebol.

A sensação que nos passa é que a finalização letal consumiu toda sua energia criativa. Desce um degrau durante a euforia, enquanto o hábito da maioria é se sentir melhor com o gol. 

É um erro pensar que jogar com alegria diferencia o jogador. Ele precisa jogar com todos os sentimentos misturados, com tristeza também.

Se Lionel Messi encanta desse jeito com aplausos, ficamos imaginando o que faria num acesso de raiva e fúria. Se ele age assim para calar o adversário, o que seria capaz de encenar para calar a torcida.

Está na hora de vaiar Messi. Vaiar com vontade. Daí ele conhecerá a perfeição que vem com a vingança. Conhecerá o cisne negro. A outra metade de Pelé que lhe falta. 

Ele não corre, aparece; ele não chuta, coloca; ele fundiu balé com futebol de salão.

Rosemary Estréia no Teatro de Santos

O espetáculo O Que Terá Acontecido a Rosemary? será encenado dia 7 de agosto no Teatro Braz Cubas, em Santos. A temporada da peça se estende até 26 de Setembro, sempre aos sábados e domingos, às 21 horas.
 
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Com inspiração nas antigas chanchadas do cinema brasileiro, a peça mostra o embate entre duas irmãs: Rosy e Betty Blue, suas aventuras e desventuras em busca da fama, sucesso e reconhecimento.

Tendo como fio condutor uma paródia dos clássicos filmes O Que Terá Acontecido a Baby Jane e A Malvada, ambos com Bette Davis, o espetáculo está calcado na interpretação dos atores, onde há o resgate do humor popular com uma embalagem cênica moderna.

Sobre o Besteirol

No alvorecer da década de oitenta, um movimento-artístico-teatral tomou de assalto os palcos do eixo Rio /São Paulo, firmando-se como um dos últimos da cena contemporânea brasileira a ter grande expressão.
Amado e odiado na mesma proporção, o Besteirol – terminologia imortalizada numa crítica teatral ao espetáculo As 1001 Encarnações de Pompeu Loredo, de Mauro Rasi e Vicente Pereira -,  detém um séqüito de detratores e entusiastas.
Recheado de referências que vão da comédia popular ao Teatro de Revista com seus números de cortinas e comperes, do Teatro Épico- que teve sua fonte nos números de Cabaré de Karl Valentin- às Chanchadas da Atlântida, uma coisa é certa: raso e superficial os espetáculos desta natureza jamais foram.
Paródias, paráfrases, estilizações, metáforas, intertextualidade, metalinguagem, distanciamento, critica mordaz aos costumes, antropofagia dos conceitos pequenos burgueses, tudo isto se justapõe de maneira bem humorada, irreverente e sarcástica.

Este movimento é comparado a outros importantes da década de 80, em outros países, como por exemplo A Ridiculous Theatrical Company, nos Estados Unidos, que trouxe à cena a obra dramatúrgica de Charles Ludlam (O Mistério de Irmã Vap), e a Movida Madrileña, na Espanha, que revelou nomes como Pedro Almodóvar.


Diversos atores e autores vieram renovar a cena neste período, como Miguel Falabella, Vicente Pereira, Mauro Rasi, Hamilton Vaz Pereira, Maria Lucia Dahl, Guilherme Karam, Duse Nacaratti, Ricardo Almeida, Miguel Magno, Diogo Vilela, Louise Cardoso e tantos outros. E espetáculos ficaram na história, como Sereias da Zona Sul, Doce Deleite, Camila Backer Lives in Concert, Pedra – A Tragédia, Classificados Desclassificados e Quem tem Medo de Itália Fausta ?, este último, considerado o epíteto do Teatro Besteirol.

Neste ano de 2010, quando se comemoram 30 anos do surgimento do BESTEIROL, Santos poderá apreciar o espetáculo O Que Terá Acontecido A Rosemary? 

  Ficha técnica    

Autor: Kadu Veríssimo

Direção: André Leahun 

Produção: Casa 3 de Artes


Elenco:

Kadu Veríssimo
Junior Brassalotti
Luiz Fernando Almeida

Quando:

de 7 de agosto até 26 de Setembro, sábados e domingos, 21 horas.

Ingressos:

Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira),

R$ 15,00 (lista de desconto)

e R$ 10,00 (classe artística, estudantes e idosos). 

Onde:

Teatro Municipal Brás Cubas

Av. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias.

A peça tem apoio de Trajano Bar, Metropole Restaurante, Lavanderia Londres, A Mineira Pao de Queijo, Secretaria Municipal de Cultura de Santos e Prefeitura Municipal de Santos.

* N.R: Os votos do Blog Aurora de Cinema para  o sucesso do espetáculo e que a temporada tenha êxito de público e crítica.

Juninho Brassalotti é um amigo super querido, ator de talento, versatilidade e produtor cultural de invejável capacidade.

O Besteirol, gênero imortalizado pelo saudoso e queridíssimo MAURO RASI, precisa ser mais divulgado no país. As novas gerações pouco ou nada conhecem dele de fato. Nós AMAMOS o gênero e trabalhamos, sempre nos é dada a chance,  pra que seja reconhecido em todo o país como uma das boas contribuições brasileiras ao movimento teatral do mundo.

Mauro Rasi: humor refinado, inteligência aguçada, dramaturgia rica em questionamentos e versatilidade, escritor deixou enorme lacuna na cena artística brasileira… Saudades de Mauro Rasi…

SARAVÁ !!! Viva MAURO RASI !!! SALVE o BESTEIROL !!!

VAMOS AO TEATRO conferir O Que Terá Acontecido a Rosemary?

O Porto de Santos em Documentário

Hoje22, às 18h30, no Teatro Guarany, acontece o lançamento do documentárioO Porto de Santos: Navegando pela História”, dos diretores Fábio Woody e Jayme Serva, que resgata a importância histórica do porto da cidade de Santos e cujo mote, busca valorizar o papel da região no desenvolvimento do País. Idealizado pela Neotropica Editora Multimídia, o filme foi produzido pela Lei de Incentivo à Cultura e contou com o apoio da Santos Brasilmaior operadora de contêineres brasileira.

O projeto envolveu amplo trabalho de pesquisa de historiadores e educadores, que durante 14 meses, trabalharam com mais de 5 mil documentos pesquisados e mais de 2 mil imagens catalogadas.

O DVD interativo de 26 minutos de duração traz documentos iconográficos, imagens, biografias de personagens históricos e de grupos sociais que fizeram parte da história. Apresenta também os legados históricos que podem ser conhecidos e visitados na atualidade.

O documentário é na verdade, a peça central do projeto ‘O Porto de Santos e a História do Brasil’ e, que também inclui um manual para orientação dos professores, além de um Guia de Referências Históricas, Turísticas e Culturais, que reúne os principais patrimônios construídos ao longo da história da região, com mapas de localização e breve descrição dos pontos para visitação na Baixada Santista.

Os materiais serão distribuídos no segundo semestre para mais de 300 escolas das cidades do Estuário de Santos: Santos, Guarujá, Bertioga, Cubatão e São Vicente.

O documentário estará disponível em livrarias e lojas especializadas podendo ser adquirido também pelo site: www.navegandopelahistoria.com.br.

Teatro GuaranyPraça dos Andradas, 100Centro Histórico Tel.: (13) 32268000

PAGU na Casa das Rosas

 COM DOCUMENTOS INÉDITOS, FOTOBIOGRAFIA EDITADA pela IMPRENSA OFICIAL e Unisanta retrata trajetória de Patrícia Galvão, a musa modernista

“Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão”, de Lúcia  é editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Editora Unisanta.  

Escritora, jornalista, militante política e mulher de teatro, Patrícia Galvão (1910-1962) lutou com paixão em muitas trincheiras. Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão, de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz, coedição da Imprensa Oficial do Estado e da Editora Unisanta, retraça a rica trajetória da musa dos modernistas a partir de amplo material iconográfico e muitos documentos inéditos. O lançamento será dia 1o. de julho, a partir das 19 horas, na Casa das Rosas, à Avenida Paulista número 37. Viva Pagu também é o nome da mostra que será inaugurada no mesmo dia no local.

Lucia Maria reuniu documentos de e sobre Pagu durante mais de vinte anos. Na fase final do processo, nos últimos cinco anos, contou com a  ajuda do jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho da escritora. O livro traz muitas fotos, mas também desenhos, cartas e textos. Todas as cartas são inéditas, além de fotos e vários textos – como “Microcosmo”, que ela escreveu na prisão, em 1939, e duas peças teatrais inéditas: “Parque Industrial”, baseada no romance homônimo publicado em 1933 e “Fuga e Variações”, escrita em 1952.

A autora comenta que Patrícia é personagem típica de um tempo de grandes paixões: “Ela documentou seu próprio cotidiano, marcado por uma busca constante. Esta fotobiografia recupera as oscilações de uma vida tumultuada, contraditória e destaca a intensidade com que ela abraçou as causas. Ainda é tudo muito atual, seus questionamentos, sua busca. O livro demonstra que sua vida valeu a pena”.

Na introdução, Geraldo Galvão Ferraz, filho de Patrícia e co-autor da obra, diz que trabalhar no livro foi, de certa maneira, um jeito de conhecer Pagu e reencontrar, quarenta e quatro anos depois, Patrícia/Pat/Pagu e, até mesmo, Zazá: “Infelizmente, não conheci Pagu. Eu a chamava de Mau, cognome certamente forjado no carinho das intimidades de mãe e filho. Minha mãe não gostava de ser chamada de Pagu. Era um nome que ficara no passado, quando ela vivia outra vida, buscava outros ideais, jogava-se apaixonadamente em defesa de outras bandeiras. Temos certeza de que quem for ver/ler este livro conhecerá uma Pagu da qual nunca se suspeitou. Afinal, nossa proposta não era roubar a alma de ninguém, mas fazer nossos eventuais leitores se aproximarem dela. Se conseguirmos isso, nosso objetivo estará realizado”.

 “Patrícia Galvão tem uma biografia extraordinária. Entregou-se de corpo e alma em várias frentes culturais e políticas, movida por ideais que continuam na ordem do dia, como a justiça social e a transformação do homem por meio da cultura”, lembra Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

 A vida de Pagu é apresentada em três blocos. O primeiro fala das origens da família e vai até os dezoito anos da biografada, quando conheceu o poeta modernista Raul Bopp, que a apresentou a Oswald de Andrade. 

O segundo bloco começa com o início de sua relação com Oswald, com quem teve um filho, Rudá, em 1930, e vai até sua libertação, em 1940, muito debilitada depois de passar quatro anos e meio em vários presídios políticos, onde sofreu torturas. Primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, em 1931, Pagu, foi detida dezenas de vezes por sua militância comunista. Entre 1933 e 1935 visitou a China, o Japão, a União Soviética e passou uma temporada em Paris, onde também foi presa.

Durante a estadia em Moscou, desencantou-se com o comunismo, mas pouco depois de retornar ao Brasil, em 1935, foi presa em consequência do fracassado movimento comunista de 1935. Parte considerável da iconografia deste bloco é formada por reproduções facsimilares de cartas (principalmente as enviadas para Oswald, de quem se separou em 1935, e Rudá) e de informes e prontuários do Deops, mostrando que era vigiada de perto pelo governo de Getúlio Vargas.

Os últimos 22 anos de sua vida são apresentados no terceiro bloco, período no qual a militância política aos poucos deu espaço à militância cultural. Pagu casou-se com Geraldo Ferraz e ambos trabalharam em vários jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos – cidade onde se fixaram em 1954. Ela manteve intensa atividade como cronista e crítica literária, além de se envolver cada vez mais com teatro, traduzindo, produzindo e dirigindo peças de autores praticamente ignorados no Brasil dos anos 1950, como Francisco Arrabal, Eugène Ionesco e Octavio Paz. Tornou-se uma das principais animadoras do teatro amador santista, origem de nomes como Plínio Marcos.

O volume traz ainda uma cronologia; uma bibliografia de obras de Patrícia Galvão; uma bibliografia sobre ela; um breve capítulo sobre o envolvimento de Pagu com a cidade de Santos, muito presente na vida dela na adolescência, na fase de militância política – quando residiu na cidade e trabalhou como operária – e nos últimos anos de vida.

CURTA SANTOS, CURTA

Lembrando meu amigo TONINHO DANTAS

Todas as vezes em que nos falamos foi sempre muito bom.
A imagem que terei dele, sempre, é a de um extrovertido, simpático e bonachão por excelência. O sorriso dele começava nos olhos e o coração não se fartava de repartir benquerença, amizade, interesse sincero e indormido sobre os rumos da Arte e da Cultura.

Falo de TONINHO DANTAS, meu querido, enorme e inolvidável amigo santista, a quem tive a honra e a gratíssima satisfação de conhecer em 2008.

Ele foi o mentor do festival de curtas-metragens de Santos e seu coordenador por 6 edições. Ainda sabendo do festival só por notícias via imprensa, aquele festival me despertou curiosidade. Quis muito estar lá em 2007, quando os queridos Julinha Lemmertz e Beto Brant foram homenageados, mas à época eu seguia para outro festival bacana e necessário, a MoVA Caparaó, que acontece num dos mais belos e recônditos lugares do país, o entorno da serra do Caparaó, na divisa Espírito Santo-Minas Gerais.

E enquanto eu curtia as belezas e encantos da mística Patrimônio da Penha, amigos como Gui Castor e André Costa estavam em Santos, tendo oportunidade de conhecer Toninho.
          

Ano seguinte, já formigando de vontade de ir a Santos e conhecer o festival, recebi – através de indicação do estimado amigo Marcelo Pestana – convite para integrar a comissão julgadora do festival e lá fui eu… levava ótimas expectativas na bagagem mas confesso que tudo foi muito melhor do que minha imaginação conseguiu supor.

Cineasta BETO BRANT foi um dos homenageados do Curta Santos em 2006

O Curta Santos criou uma tradição de abrir o festival com uma Noite de Gala, quando a platéia é brindada com diversos números artísticos. Em 2008, esta noite foi no belo e histórico Teatro COLISEU, onde Eva Wilma recebeu homenagem das mãos da colega Irene Ravache, José Wilker das mãos de Marisa Orth e Lea Garcia interpretou belo poema sobre trajetória de lutas, percalços e vitórias da mulher brasileira. Na platéia perto de mim, revi os amigos Lili Caffé e Lírio Ferreira. E a noite virou apoteose quando a escola de samba X-9 assumiu o palco e fez um dos mais emocionantes espetáculos já flagrados por minhas retinas.

Fachada do imponente Teatro Coliseu, em Santos

Trajados com inspirado figurino e nutridos de inegável paixão pela magia transfiguradora da Arte, atores-bailarinos e dançarinos-intérpretes tomaram todos os escaninhos do palco e embeveceram a platéia. Com o signo carnavalesco dramaturgicamente celebrado no palco, a configuração cênica do espetáculo tinha raizes fincadas na linguagem consistente e arquetípica de Plínio Marcos, um amigo santista a quem Toninho não deixava de sempre citar com carinho, admiração, alegria e orgulho pelas atuações conjuntas em muitos anos de luta em prol da justiça social, livre expressão e respeito às liberdades individuais.

Mesclando carnaval e teatro, a profundidade pliniomarquiana com a algarravia sadiamante feliz dos passos carvalizantes, a turma da escola muitas vezes campeã da folia santista – X 9 – deixou a platéia estarrecida diante de tamanha festa para os olhos e a vontade era seguir dançando junto com eles. E a X 9 encerrou a noite provando porque é “tão fácil” dominar os circundantes, de forma apoteótica, fez-nos dançar e encher a alma de sonho, festa e magia.
                   

 No meio deles, a alegria de Toninho parecia a de um garoto recém-saído da escola, vibrando pela certeza da tarefa bem feita e extasiado com a euforia que dominava a escola e contamina a platéia, na qual estavam realizadores de audiovisual de todo o país.  
               

A semana só começava e a acolhida da equipe do festival ia começando a plantar saudades. Todo o elenco participante do festival ancorou no confortável Hotel Avenida, onde se toma um dos melhores cafés-da-manhã do país, de frente para a profusa beira-mar santista.

 
Naquele Curta Santos, tive a feliz companhia do incomparável André Costa. Conheci também Jefferson D, Rodrigo Azevedo, Ricardo Prado, a Inês Cardoso (filha da Ruth Escobar), Mariana Bezerra (filha de Octávio), Ana Cris, Daniel Tavares (do curta Café com Leite), Ruy Burdisso  além de diversos realizadores argentinos (Cine Vivo) – a cinematografia do país foi gentilmente homenageada pelo festival -, a poeta Alzira Rufino e todas as guerreiras da Casa de Cultura da Mulher Negra (onde Toninho era recebido com indisfarçável alegria), além da bela Madi Soquer, modelo escolhida para todas as peças publicitárias do festival. E ganhei um especial presente no encontro com Juninho Brassalotti, o produtor-executivo do festival, braço direito e esquerdo de Toninho, figura exemplar de companheiro e compromisso com os deveres assumidos.

Lembro bem quando Toninho avisou com sua espontaneidade contagiante do sábado de “cangerê” na quadra da X9. Seus olhos brilhabam quando o ônibis com os realizadores aportou em frente à quadra da escola de samba de seu coração. E que delícia foi aquela tarde de chuvoso e animado sábado ao som da pulsante bateria da campeã santista. Como não podia faltar no script, tendo Toninho tinha sempre muita conversa descontraída, muito papo franco e muitas palavras para saudar os companheiros. E ele tinha prazer em repartir o microfone: queria ouvir a voz de todos, conhecer a alma de cada um, conviver o mais possível com a bagagem cultural de quem convidava pra sua cidade como para fazer conhecer um pouquinho de casa e repartir um muito de sua alegria.

Coube a Juninho me informar da passagem de Toninho e imagino o quão difícil isso foi. Ele sabe bem o quanto eu e Toninho éramos ligados… sempre que pedi qualquer coisa a Toninho, fui mais do que atendida. Desde que nos conhecemos, a troca de idéias entre nós correu franca, livre e constante. Toninho pedia opiniões, dava sugestões, queria palpites e acatava idéias com impressionante cordialidade. 

Foi assim que acatou minha idéia de reverenciar, em 2009, o ator Matheus Nachtergaele, ilustre Homenageado da última noite do Curta Santos ano passado. Para entregar o troféu Claudio Mamberti, convidou o irmão do saudoso ator, Sérgio Mamberti, e, por coincidência, naquele dia lembrava-se mais um ano da partida de Claudio.
Generoso e integro, Toninho convidou-me ao palco para saudar Matheus, abrindo valeiras para ancorar minha emoção ante ao Artista tão Admirado. Conferiu-me então uma das mais marcantes noites de minha vida. Matheus é um símbolo do ácme a que pode chegar um Ator. Tornou-se amigo de quem o admira desde o início, quando começou a ganhar destaque nacional pela qualidade de sua atuação visceral em O Livro de Jó, com a companhia da Vertigem.

Então não sabíamos que aquela seria a última noite de Toninho à frente de seu filho mais novo e amado, a quem fez brotar com a chama do amor pelo Cinema, respeito pelos colegas, vontade de ver os abraços florescerem em forma de realização artística, e a determinação de quem sempre apostou no afeto e na Arte como senda para uma humanidade mais fraterna, sensível e solidária . A noite de homenagem a Matheus Nachtergaele no mais antigo cinema de Santos – o REX do Gonzaga – foi uma noite onde tudo deu certo e todos pareciam se abraçar numa comunhão sem dissonâncias nem assintonias.

 

Toninho Dantas, idealizador do CURTA SANTOS, sempre cercado de amigos, deixa Santos de luto…
Naquele 2009, agora tão forte na lembrança e tão distante no espaço, o ator Ney Latorraca, outro santista ilustre, também foi homenageado recebendo uma “estrela” na Calçada da Fama do REX. Com ele, e mais o ator Edi Botelho, o cineasta Luís Carlos Lacerda (de quem foi exibido o curta Vida Vertiginosa), o empresário da noite Cabbet e a empreendedora Edna Fuji, passamos momentos agradáveis e de benfazeja fruição discursiva e gastronômica, que agora marejam nossos olhos de doída saudade.

Este ano, Toninho pretendia instituir uma temática feminina ao festival e queria ter como ícone a carioquíssima atriz Leila Diniz. Ainda não sabia se Janaína embarcaria na idéia mas chegou a me falar sobre o assunto todo animado. Como era de costume, passei-lhe várias idéias para a programação. Uma dessas dizia respeito à homenagem que há tempos queria fazer ao cineasta Karim Aïnouz, de quem sou orgulhosa conterrânea. Outra sobre a possibilidade de uma mostra especial de curtas femininos, os quais recrutaria entre trabalhos de tantas colegas realizadoras.

                  De pronto, Toninho vibrou com as idéias e disse-me que faltava apenas fechar patrocínios, mas eu ainda tive tempo de dizer-lhe que faria tudo quanto estivesse ao meu alcance antes e apesar de existir ou não verba.
                 Despedimo-nos com a mesma recíproca satisfação e eu contava os  meses para regressar à querida Santos, rever amigos feitos pelo condão acolhedor da alquimia de Toninho, como Juninho Brassalotti, Ricardo, Jamila, Marcelo Pestana, Carlos Cirne, Rodrigo , Jackson, Milena Guimarães e tantos tantos outros. E abria espaço na bagagem para levar a Toninho meu maior abraço, meu carinho mais “exagerado” e minha sintonia atemporal, expressos com serena convicção porque se sabiam irmãs e bem-vindas.
TONINHO DANTAS, vai com Deus, amigo ! E até qualquer dia.

TONINHO DANTAS deixa tristeza e muita SAUDADE…

CHOCADA, TRISTE, DESNORTEADA.

É como estou agora ao saber, pelo querido amigo JUNINHO BRASSALOTTI, da passagem de meu querido e inesquecivel amigo TONINHO DANTAS, o agitador cultural número UM de SANTOS e quiçá do Brasil !

QUE SOEM TROMBETAS NO CÉU para receber TONINHO…

No momento, só consigo falar de tristeza, lágrimas e esparramar um vazio muito grande…

Segue a notícia publicada no jornal O GLOBO…

Tentarei depois, diminuído o choque, escrever algumas linhas sobre o muito que foi IMPORTANTE e o TANTO QUE FOI BOM CONVIVER COM TONINHO, esta Personalide Artística Querida, Admirada, Festejada por todos quanto desfrutavam de sua amizade.

 VAI COM DEUS, TONINHO !!!

Morreu na noite desta sexta-feira, aos 62 anos, em sua casa, no bairro Aparecida, em Santos, Litoral de São Paulo, o dramaturgo e diretor teatral Toninho Dantas, considerado um dos mais expressivos nomes da cultura na região e no País.

O corpo de Toninho foi encontrado nesta noite e seguirá para a Memorial Necrópole Ecumênica, onde deverá ser velado neste sábado. As causas da morte ainda são investigadas.

Nascido em Vicente de Carvalho, Toninho Dantas cursou a Escola de Arte Dramática na USP, trabalhou nas TVs Gazeta e Record; participou de vários espetáculos teatrais e integrou o Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho.

Fez cinema na famosa Boca do Lixo paulistana; trabalhou com atores e diretores como Adhemar Guerra, Cacá Rosset, Augusto Cesar Vannucci, Silney Siqueira, Ester Góes e Ulysses Cruz, e viajou por 14 estados do País fazendo campanha pela anistia e realizando espetáculos em presídios em São Paulo (Carandiru), Recife (Ilha de Itamaracá) e Salvador, quando acabou sendo preso em Porto Alegre, juntamente com outros atores da Cia. de Ruth Escobar.

Em Santos, produziu duas edições do Festival de Música Popular Brasileira (Festhamar), foi coordenador durante cinco edições do Festival Santista de Teatro Amador (Festa) e, mais recentemente, dirigiu os sete primeiros festivais do Curta Santos, que reúne filmes curta-metragens produzidos em todo o Brasil

ATHOS marca cena teatral santista

 

Meu querido amigo JUNINHO BRASSALOTTI em cena

CICLO’S – Um Olhar Diferenciado é uma performance multimídia que propõe um olhar diferenciado a um espaço comum.  O espetáculo itinerante apresentará intervenções de dança contemporânea, flamenco, teatro, circo, poesia, música e audiovisual de uma maneira interativa onde o espectador é também co-criador da ação.

O espetáculo propõe uma pesquisa sobre o corpo e a criação em locais alternativos, desconstruindo a função original de uma casa e seus espaços. 

GRUPO ATHOS

Iniciou seus trabalhos em 2002, sob direção de Míriam Carbonaro, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Santos. Recebeu provisoriamente o nome de Grupo Oficial da Escola Livre de Dança, e em Julho de 2004, passou a ser ATRIUM Cia. de Dança. E em 2007  transformou-se no   ATHOS – Núcleo Artístico 
 
 Tem como proposta  apresentar espetáculos criados pela equipe do núcleo artístico, formatados com linhas de pesquisas em diversas áreas artísticas que permitem mixar-se com o nosso estilo de dança. Propor caminhos para fruição artística, procurando atrair olhares para espaços diferenciados, reinventar e desafiar propostas coreográficas simples ou complexas, em sua melhor performance, desenvolver investigações temáticas, criar movimentações corporais não se fixando a um único formato, são pontos fundamentais da ATHOS.

O grupo conquistou vários prêmios pelos festivais que passou entre eles 10º, 11 e 12º Passo de Arte, Festival de Londrina, Mapa Cultural Paulista e Regional. 

Em 2009 teve 7 indicações no Prêmio Plínio Marcos da Secretaria de Estado da Cultura, onde a classe artística votava nos trabalhos que destacaram no ano e levou 5 prêmios: Melhor grupo de dança, melhor espetáculo de dança para in- TRADUZA, melhor coreógrafa e bailarina para Miriam Carbonaro e melhor bailarino para Junior Brassalotti

CICLO’S – Um olhar diferenciado
ATHOS NÚCLEO ARTÍSTICO

Rua Guaiaó, 147

Bairro Aparecida
Santos – SP
Ficha técnica: 

Direção: Míriam Carbonaro e Jorge Gonçalves 

Produção: Junior Brassalotti 

Elenco: Leandro Siqueira, Fernanda Iannuzzi, Luciana Vilela, Junior Brassalotti, Jorge Gonçalves, Bruno Russo, Fabiano Di Mello, André Souza, Dana Almie Lie, Katya Ribas, Joaquim Ribas, Késia Farias, Victor Carvalho e Josy Martinez.

De Santos para o Oscar…

O Segredo de Kells, filme independente, concorrendo ao Oscar  de Melhor Animação e o brasileiro Marcelo de Moura é um dos responsáveis pelo sucesso do filme. Sua produtora, LightStar Studios, que fica em Santos, fez a caracterização dos personagens em 40 dos 75 minutos do filme. Esse trabalho durou pouco mais de um ano, sendo que a produção toda demorou cerca de três anos para ser finalizada. O resultado é uma co-produção entre Bélgica, França, Irlanda e Brasil, que está concorrendo à estatueta com outras quatro superproduções. O orçamento de O Segredo de Kells foi pequeno, de US$ 6 milhões, se comparado ao de seus concorrentes Up – Altas aventuras e A Princesa e o Sapo, US$ 150 milhões e US$ 105 milhões, respectivamente. Este último longa também teve cooperação brasileira: a produtora HGN, parceira da Disney, fez algumas etapas da produção, em um trabalho que durou 10 meses.

 

“A indicação prova que não precisa ser um ‘blockbuster’ para competir no Oscar, nem ter um orçamento imenso. Nós não esperavávamos que o filme chegasse entre os cinco. Ele já estava selecionado entre os 20 e todo mundo estava contente”, diz Moura. É sua primeira participação no prêmio com um filme independente. Antes, havia trabalhado em três animações indicadas ao Oscar: A Era do Gelo, Pocahontas e Mulan, sendo que os dois últimos concorreram à melhor canção (e Pocahontas venceu).