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Beto Falcão eleva emoção de Segundo Sol

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                     Novela tem cena com emoção típica de Último Capítulo

* Aurora Miranda Leão

         Segundo Sol é novela daquelas que Chegou, chegando. Tipo Celebridade, de Gilberto Braga, ou Jóia Rara, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Desde a estreia, a novela nos evidenciou, com extrema vivacidade, a volta do melhor de João Emanuel Carneiro à narrativa teleaudiovisual.

      Quem acompanha novela, como esta redatora, ou quem conhece bem a dramaturgia de João Emanuel Carneiro, sabe: o autor se notabilizou por sua extrema competência em criar boas histórias. Mas tem mais do que isso: a capacidade singular do autor em criar ganchos, aquelas pausas ou interrupções que separam um capítulo de outro, suspendendo o suspense ou o desenrolar da cena num momento de muita emoção, para cativar o telespectador e fazer com que este retorne à telinha no horário combinado, dia seguinte.

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       Isso é uma característica primordial das telenovelas e esse aspecto não nos permite esquecer que foi assim que os romances-folhetins fizeram história no início do século XIX. A aceitação do público foi tamanha que os folhetins ganharam lugar cativo na imprensa, a partir da França, e se espalharam pelo mundo, sempre com extrema empatia popular. No Brasil, escritores famosos escreveram romances do gênero, especialmente para figurar nos rodapés das páginas dos jornais. E o êxito foi tanto que as vendas dos matutinos aumentaram e escritores chegaram a ser contratados para escrever especialmente para esse espaço dos jornais.

Autores como José de AlencarMachado de AssisManuel Antônio de AlmeidaLima Barreto e Joaquim Manuel de Macedo, por exemplo, criaram folhetins para publicação em jornais, os quais depois seriam editados em livros. O romance urbano A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, é considerado o exemplo de folhetim mais popular da história do Brasil, tendo feito sucesso em época na qual a maioria da população do país ainda era analfabeta.

Bom, mas essas informações, a título de introdução, são só para evidenciar que os ganchos são um fenômeno secular, que sempre teve como premissa conquistar leitores, amealhar seguidores e conquistar audiência. E nessa seara, quando chegamos à teledramaturgia, temos em João Emanuel Carneiro – autor de Da cor do pecado, Cobras e lagartos, A Favorita, Avenida Brasil, A regra do jogo, e Segundo sol, seu representante mais notório.

João Emanuel Carneiro é, apropriadamente, conhecido como o Rei do Gancho. E o codinome é mais que merecido, não só porque ele cria ganchos ótimos mas pela quantidade e qualidade dos ganchos que cria a cada capítulo. E mais além: os ganchos do autor acontecem também entre um bloco e outro de sequências, a cada intervalo. Ou seja: não é só de um capítulo para o outro que o telespectador fica vidrado esperando que rumo tomará o conflito da vez, e sim a cada pausa de bloco para entrar nos “reclames do plim plim”, como diria o incansável Faustão.

Daí, vem a excelência de João Emanuel: uma capacidade espetacular e incomparável de criar ganchos sem fazer a história voltar pra trás, sem criar inverossimilhanças, sem quebrar a diegese (coerência interna da história) e, sobretudo, sem tripudiar com a fidelidade do telespectador. Daí porque, quem assiste às novelas de João, vira fã e fica cativo da obra do dramaturgo, como esta que vos escreve.

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Karola, Remmy e Beto na cena fatídica que vitimou Beto e o marido de Luzia…

Um exemplo inconteste do que dizemos é a novela Segundo Sol, atração atual das 21h na Rede Globo. O que o autor tem emocionado seu público com a pertinência, beleza, eficácia e prodígio de sua narrativa não é coisa para se menosprezar, muito menos ignorar. Segundo Sol vai terminar sua trama como a novela mais bem realizada dos últimos 5 anos, pelo menos, e, oxalá, vai até bater a emblemática Avenida Brasil em termos de construção narrativa (aqui somando-se excelência do roteiro, dos diálogos, das estratégias argumentativas, dos conflitos, dos capítulos-chave, da sinergia perfeita com as músicas, da direção, atores, figurinos, fotografia).

Ou seja: tudo em Segundo Sol concorre para seu êxito. E, obviamente que, de Avenida Brasil pra cá, o autor viveu novas situações, aprimorou suas leituras, ouviu diversas narrativas, contabilizou novas histórias, e lapidou ainda mais sua aptidão para a escrita teleaudiovisual, assim como novos recursos tecnológicos apareceram e foram incorporados pela produção da emissora líder, fatos que contribuem, de forma inconteste, para a riqueza do constructo audiovisual que conferimos diariamente no horário nobre.

Acerca de tudo isso, vimos falando desde o início da novela em nosso instagram (@auroradecinema). Quem nos acompanha, já sabe de nossa imensa admiração por João Emanuel e de nossa adesão a Segundo Sol. O que queremos mesmo ressaltar neste post é o quão magnífico foi o capítulo desta quarta, 29 de agosto, no qual o ápice foi o novo julgamento de Luzia Batista, vivida com maestria por Giovanna Antonelli.

Toda a situação que envolve esse novo julgamento – incluindo a coragem de Luzia e de Beto de se submeterem ao tribunal sabendo dos grandes riscos que correm -, o drama e a apreensão dos filhos e da família dos dois, a dúvida sobre o depoimento da única testemunha (um senhor pobre e doente), anteriormente comprada, as ameaças de Laureta e Karola, a revelação da falsa morte do grande popstar do Axé -, tudo isso reveste o capítulo de uma dose emocional extra, com potência de último capítulo. Acresça-se ainda o grande show Tributo a Beto Falcão, que acontece em paralelo no centro histórico de Salvador para reverenciar a memória do ídolo morto. E quem organiza é a diretora-mor do fã clube de Beto, a despachada Goretti (Thalita Carauta em atuação excelente), namorada do irmão caçula do músico, que até fez música ‘psicografada’ pelo espírito do compositor Falcão.

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 O epicentro da cena do julgamento de Luzia foi Beto Falcão: com um texto pujante, de acentuado cunho ético, moral, social e amoroso, a cena foi de arrepiar ! Não bastassem as lindas palavras ditas por Beto, revelando toda a farsa em que se viu enrolado – as dificuldades que passou, os dias de coma, a separação drástica de Luzia, o afastamento dos filhos que esta teve de passar, o rompimento inesperado do relacionamento dos dois -, Beto anunciou, com toda veemência, que poderia ser preso ou sofrer qualquer tipo de punição mas estava ali prestando seu depoimento para salvar Luzia pois “ela é inocente e eu faço tudo isso para livrar Luzia da cadeia, porque ela é inocente, ela nunca teve culpa nenhuma pela morte do marido”.

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Emílio Dantas em interpretação magistral como o apaixonado e sofrido Beto/Miguel…

E, em nenhum momento, Beto acusou a verdadeira vilã, sua ex-mulher (e encosto permanente) Karola, nem o irmão cafajeste Remmy, nem a cafetina Laureta. Com a postura mais serena do mundo, e falando como quem extrai as sílabas do coração, Beto assumiu todas as culpas, pediu perdão aos pais, a toda a família, aos filhos de Luzia, aos fãs e, sobretudo, ao filho Valentim. E reiterou, diversas vezes, que Luzia é inocente e que a ama, e ama desde sempre. Desde quando a conheceu na ilha de Boiporã.

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Giovanna Antonelli, Chay Suede, Luisa Arraes e Emílio Dantas na fictícia Boiporã…

No tribunal, assistindo a tudo calados e extremamente comovidos, os enteados Icaro e Manuela, o filho Valentim, a futura cunhada Cacau, Groa (o amigo islandês de Luzia), e as vilãs Laureta e Karola. Uma cena lindamente construída, emoção de alta magnitude, com capacidade para fazer rir e chorar de empatia, em volume máximo. Emílio Dantas em atuação estupenda ! Aliás, o ator atua com tamanha espontaneidade que já virou Beto Falcão, dentro e fora da narrativa. Porque a gente simplesmente esquece que ele é Emílio (tal sua transformação), e só o vê como Beto Falcão, o autor da famosa Axé Pelô. Aplausos de pé para o Ator !!!

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Emílio Dantas e Danilo Mesquita em bela parceria no horário nobre…

A cena era apenas mais uma,  fruto da vocação extraordinária de João Emanuel de escrever belos textos, situações comoventes e diálogos preciosos. Que são enriquecidos pela competência de Maria de Médicis e a equipe de diretores que ela coordena com eficácia, e integram o núcleo do não menos competente Dennis Carvalho. Mas acabou tornando-se A Cena !

lau post meu - Cópia

A fala de Laureta após ouvir Beto defendendo Luzia em discurso emocionante…

Portanto, assistimos todos a um capítulo com potencial para ser o grandioso Último Capítulo. Mas o autor sabe tanto que tem muito mais para oferecer a seu telespectador, que não hesita em fazer de cada capítulo de Segundo Sol uma página de ouro a figurar na literacia dramática da ficção seriada televisiva.

                 Nota DEZ com louvor ! 

                Viva, Segundo Sol ! E Parabéns a toda a equipe de atores, atrizes e profissionais notáveis que fazem desta a melhor telenovela dos últimos anos no horário nobre !

equipe SS

Emílio Dantas, Gio Antonnelli, Fabrício Boliveira, a diretora Maria de Médicis, Deborah Secco, Vladimir Brichta e Adriana Esteves na coletiva de lançamento da novela.