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Selton Mello consagrado no Grande Prêmio Brasil com ‘O Palhaço’

Filme do ator venceu em 12 categorias e Deborah Secco foi eleita MELHOR ATRIZ

A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES do GRANDE PRÊMIO BRASIL DE CINEMA BRASILEIRO

Melhor Roteiro Original: MARCELO VINDICATTO e SELTON MELLO por O Palhaço
Melhor Roteiro Adaptado: ANTONIA PELLEGRINO, HOMERO OLIVETTO e JOSÉ CARVALHO por Bruna Surfistinha. Adaptado da obra “O Doce Veneno do Escorpião” de Bruna Surfistinha
Melhor Figurino: KIKA LOPES por O Palhaço
Melhor Maquiagem: MARLENE MOURA e RUBENS LIBÓRIO por O Palhaço
Melhor Direção de Arte: CLAUDIO AMARAL PEIXOTO por O Palhaço
Melhor Trilha Sonora Original: PLÍNIO PROFETA por O Palhaço
Melhor Trilha Sonora: VLADIMIR CARVALHO por Rock Brasília
Melhor Som: JORGE SALDANHA, MIRIAM BIDERMAN, RICARDO REIS e RODRIGO NORONHA por O Homem do Futuro Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: MEIA NOITE EM PARIS (EUA / Espanha) – dirigido por Woody Allen. Distribuição: Paris Filmes
Melhor Curta-Metragem de Ficção: PRA EU DORMIR TRANQUILO dirigido por Juliana Rojas
Melhor Curta-Metragem Documentário: A VERDADEIRA HISTÓRIA DA BAILARINA DE VERMELHO dirigido por Alessandra Colassanti e Samir Abujamra

“O céu no andar de baixo”: premiadíssima no país e no mundo, animação mineira de Leonardo Cata Preta vence Grande Prêmio…
Melhor Curta-Metragem de Animação: O CÉU NO ANDAR DE BAIXO dirigido por Leonardo Cata Preta
Melhor Fotografia: ADRIAN TEIJIDO, ABC por O Palhaço
Melhor Montagem de Ficcção: MARILIA MORAES e SELTON MELLO por O Palhaço
Melhor Montagem Documentário: PEDRO KOS por Lixo Extraordinário
Melhor Efeito Visual: CLÁUDIO PERALTA por O Homem do Futuro
Melhor Atriz Coadjuvante: DRICA MORAES como Larissa por Bruna Surfistinha

Melhor Ator Coadjuvante: PAULO JOSÉ como Valdemar/Palhaço Puro Sangue por O Palhaço
Voto Popular para Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: RIO Voto Popular Melhor Longa-Metragem Documentário: QUEBRANDO O TABU Voto Popular Melhor Longa-Metragem de Ficção: O PALHAÇO
Menção honrosa Longa-Metragem de Animação: BRASIL ANIMADO 3D de Mariana Caltabiano
Melhor Longa-Metragem Infantil: UMA PROFESSORA MUITO MALUQUINHA de André Alves Pinto e Cesar Rodrigues. Produção: Diler Trindade por Diler & Associados
Melhor Longa-Metragem Documentário: LIXO EXTRAORDINÁRIO de João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker. Produção: Hank Levine por O2 Filmes e Angus Aynsley por Almega Projects
Melhor Ator: SELTON MELLO como Benjamim/Palhaço Pangaré por O Palhaço

Deborah Secco: atriz esbanjou charme e beleza na noite em que ganhou merecido troféu por sua contundente atuação em “Bruna Surfistinha”…
Melhor Atriz: DEBORAH SECCO como Bruna Surfistinha por Bruna Surfistinha
Melhor Diretor: SELTON MELLO por O Palhaço
Melhor Longa-Metragem de Ficção: O PALHAÇO de Selton Mello. Produção: Vânia Catani por Bananeira Filmes

Drica Moraes e Paulo José no palco do Theatro Municipal do Rio: ator recebe  merecida estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por O Palhaço

Os filmes do Araxá Cine Festival

Primeira edição do Festival que vai transformar Araxá na Capital do Cinema Brasileiro começa dia 10 de setembro

Confira os filmes e os dias de exibição:

O Festival será aberto com a exibição de O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton, dia 10.

Dia seguinte, 11 de setembro, é a vez de O CONTADOR DE HISTÓRIAS, de Luís Villaça…

Dia 12 é a vez de O Palhaço, com Selton Mello e grandioso elenco…

Dia 13,  é a vez da comédia de Hugo Carvana, NÃO SE PREOCUPE, NADA VAI DAR CERTO !

Dia 14, é a vez de OLHOS AZUIS, de José Joffily…

E na noite do dia 15, o úiltimo filme da competição oficial de longas, a tela será tomada por ONDE ESTÁ A FELICIDADE ?, de Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli.

Na noite de encerramento do ARAXÁ CINE FESTIVAL, a pré-estreia de VAZIO CORAÇÃO, primeiro longa do diretor araxaense Alberto Araújo, com produção de Débora Torres..

Helvécio Ratton durante as filmagens do documentário sobre o mineiro e o queijo…
Cena de O CONTADOR DE HISTÓRIAS, de Luís Villaça…
Selton Mello assina roteiro e direção, e protagoniza seu segundo longa, O Palhaço
Tarcísio Meira e Hugo Carvana contracenam em Não se preocupe, nada vai dar certo !
Irandhir Santos está no drama Olhos Azuis
Bruna Lombardi escreveu o roteiro e atua em ONDE ESTÁ A FELICIDADE ?, dela e do marido Carlos Alberto Ricelli…
Alberto Araújo e parte do elenco de Vazio Coração
* Vale destacar a inscrição para a Mostra CURTA ARAXÁ, que quer descobrir e revelar novos valores do Audiovisual atuantes naquele município mineiro.

Inscrições ao 40o Festival de Gramado

Festival será em agosto na serra gaúcha e deve bater recorde de público este ano

Abertas inscrições para as 4 Mostras Competitivas do 40º Festival de Cinema de Gramado.

As fichas de inscrição para longas brasileiros, longas estrangeiros e curtas nacionais deverão ser preenchidas e enviadas até 1º de junho através do site www.festivaldegramado.net.

Para concorrer, os filmes de longa-metragem devem ter sido concluídos a partir de 1º de fevereiro de 2011, e os filmes de curta-metragem, a partir de 1º de agosto de 2011.

Rubens Ewald Filho: a cara do Oscar, estará em Gramado…

A edição deste ano promete ser uma das mais celebradas. Além da chegada de três novos Curadores – o crítico Rubens Ewald Filho, o ator José Wilker, e o professor gaúcho Marcos Santuário -, a organização quer marcar os 40 anos ininterruptos de realização, com uma programação pensada para valorizar ainda mais o cinema brasileiro e o intercâmbio com produtores e realizadores latinos.

Todos os anos, o Festival de Gramado reúne grande elenco de astros e estrelas do cinema, diretores, videomakers e produtores regionais. Em 2012, a finalidade é apresentar uma parcela representativa da recente produção brasileira e internacional, e contribuir para sua difusão e debate, reunindo profissionais de cinema, promovendo encontros, seminários, painéis e lançamentos de publicações.

Selton Mello foi um dos homenageados na edição 2011 de Gramado…

A organização confirma a realização de quatro mostras competitivas: filmes de longa-metragem brasileiros; filmes de longa-metragem estrangeiros; filmes de curta-metragem brasileiros; e filmes de curta-metragem gaúchos. Em conformidade com a diretriz especial dos 40 anos de valorização do cinema local, a mostra de curtas gaúchos volta a ocupar o Palácio dos Festivais. Ocorre ainda a Mostra Especial de Cinema Gaúcho, com filmes de longa-metragem produzidos no Rio Grande do Sul, e a Mostra Panorâmica, com produções brasileiras e/ou estrangeiras fora da competição.

Outra novidade deste ano é a premiação em dinheiro para longas, brasileiros e estrangeiros, e para curtas brasileiros. O festival vai distribuir R$ 350 mil em prêmios nas três categorias, além do cobiçado Kikito aos vencedores.

O 40º Festival de Cinema de Gramado será realizado na cidade de Gramado (RS), no período de 10 a 18 de agosto, com atividades nas dependências do Cine Embaixador/Palácio dos Festivais.

Denise Del Cueto, Aurora Miranda Leão e Sirmar Antunes no Palácio dos Festivais, curtindo cinema e frio na serra gaúcha…

A esperança e o sonho no circo de Selton Mello

Selton Mello faz comédia refinada, de imensa beleza e sensibilidade, para falar de afeto, respeito, sintonias…

Penso que quase tudo já se escreveu sobre O Palhaço, a segunda incursão do ator Selton Mello na direção de um longa-metragem. Mas creio que algumas coisas muito singelas e precípuas no filme, precisam ficar mais explícitas. Ou melhor: o filme de Selton me falou, de forma tão profunda e delicada, sobre alguns sentimentos, que gostaria de dividir minhas impressões com você, amigo leitor.

Confesso: como a maioria, já gostava do filme antes de vê-lo. Não só por admirar muito Selton Mello e reconhecer nele um Artista profundo, relevante e necessário, como por todas as críticas favoráveis que li sobre O Palhaço.

Não pretendo dirigir olhares, apontar caminhos ou determinar o lado pelo qual o filme deve conduzir sua emoção. Mas há aspectos essenciais pelos quais seus sentimentos devem ser tocados. E o principal: O Palhaço é um filme que transpõe o espectador a um universo onírico, um oásis para ressaltar e incentivar sentimentos nobres.

Escrevo porque penso que posso contribuir jogando uma pequena semente na busca de uma provável imersão afetiva e mergulho sensorial num dos filmes mais tocantes e profundos dessas últimas décadas. Há tempos não via um filme como O Palhaço: inteligente, sensível, engraçado sem apelação, terno sem pieguice, intenso sem machucar. Um filme brasileiro do terceiro milênio cujo foco não é a pobreza, misérias cotidianas, brigas, preconceitos, racismo, questões de gênero, drogas e afins.

Ou por outra, um filme que revela dimensões importantes e cogentes da psique humana, sobretudo daqueles que fazem arte e carregam, no mais fundo de seu íntimo, uma intrincada certeza dos caminhos incertos e dolorosos, frágeis e muitas vezes solitários, de uma profissão cercada de dúvidas e constantes incertezas, ademais aqui quando está em foco um artista tímido, temeroso e inseguro da sua própria grandeza. Ao mesmo tempo, um filme que aponta para um artista em constante questionamento, parecendo concentrar em si toda a dor da carência e da solitude, que por vezes irá afetar, em maior ou menor escala, cada um de nós, encantados com as tentações da paixão e espicaçados por qualquer suposta rejeição ou desafeto, qual garimpeiros nos escaninhos do afeto.

Selton Mello é uma espécie de mensageiro – sutil, instigante e profético – de idéias que nos perpassam o âmago, sorrateiramente, ainda que não as percebamos de imediato. Às vezes, é preciso que algum arcano, do quilate dele, se embrenhe nas quase sempre difíceis e sinuosas vias de acesso aos recônditos da emoção, para que possamos nos dar conta de certos sinais tão óbvios, tão incrustados, mas quase nunca de fácil aceitação ou tradução.

Com uma simplicidade comovente, e a ternura que desabrocha com assombrosa força de sua interpretação visceral, Selton Mello nos comunica aspectos fundamentais de seu itinerário artístico e suas implicações com o sensório que lhe arrebata a alma. Por tão intrínsecos de seu ser, esses aspectos nos empatizam de imediato e nos fazem enveredar pelas trilhas emocionais que ele tece com profundo cuidado e corajosa imersão para expressar – através da composição invejável de um personagem aparentemente corriqueiro e sem nenhum atrativo especial -, nichos profundos de sua visão de mundo, suas impressões a respeito das relações humanas, e os muitos matizes de que é composta a sua (nossa) tessitura humana: frágil e corajosa, serena e aguerrida, sensível e sensata. Assim, Selton revela-se mais maduro a cada obra, embora mas sofrido (caminho natural para onde nos conduz a maturidade), e cada vê mais verdadeiro, tocante, profundo, essencial e necessário.

Uma das cenas mais tocantes é o reencontro dos palhaços. A cena está encharcada da alma do próprio Selton e é, sobretudo, ele que vemos na troca de olhares e sintonias com o magnânimo Paulo José. Quando os palhaços – Pangaré e Puro Sangue, filho e pai – se reencontram e se entreolham entre felizes e reflexivos – ali está o encontro de dois grandes símbolos do Cinema Brasileiro: o Ator maduro que é também roteirista e diretor, o Ator que descortinou caminhos e é uma das grandes inspirações do outro. O encontro de Pangaré (Benjamim) e Puro Sangue é o encontro do inspirado artista Selton Mello com o magnânimo artista Paulo José, como se um estivesse a dizer ao outro ‘Eu sigo este caminho porque você veio antes e iluminou’; o outro interagindo ‘Prossiga nesta trilha porque você faz como eu faria’.

Ver Selton Mello atuando é um bálsamo para os olhos, os ouvidos, a alma. Mas vê-lo atuando neste O Palhaço (criação sua, com roteiro dividido com Marcelo Vindicatto) é deleitar-se numa criação soberba, irretocável, de um Artista que tem a ousada coragem de fazer um mergulho profundo em seus escaninhos emocionais e submergir deles cada vez mais forte, sereno, estraçalhado muitas vezes, mas possante e determinado por força desta coragem, suprema e catártica.

Ressalte-se: o filme é mais uma parceria Selton Mello-MondoCane e Vânia Catani-Bananeira Filmes. Um acerto auspicioso. E faz-se necessário ao menos um parágrafo para falar no elenco, este encontro feliz que Selton Mello gerou, proporcionando à platéia conhecer novos atores e rever alguns outros de quem tínhamos até saudade e não sabíamos.

Porque não bastaria apenas a proficiência do roteiro, a habilidade da direção, nem a qualidade técnica da atuação de Selton para ofertar ao filme o êxito de público e crítica que alcançou: a excelência de toda a equipe técnica de O Palhaço é fundamental para o sucesso da obra.  

Giselle Motta, a bela morena que faz a partner do palhaço Puro Sange, dançarina do Circo Esperança, é uma gratíssima revelação. Dona de visível sensualidade, Giselle é também bailarina e emprestou ao filme seus dotes de coreógrafa, tendo ela própria criado a bela coreografia com a qual entra em cena no filme. Sua personagem exige nuances expressivas, as quais Giselle alcança com competência e sensibilidade. Uma atriz de teatro que Selton revela para a telona, e que ainda há de merecer vários outros papéis no cinema. Um brinde à descoberta de Giselle Motta !

Teuda Bara, atriz de sólida presença no grupo de teatro mineiro Galpão, é um tipo perfeito para assumir as pegadas do roteiro. Delícia acompanhar sua atuação. Ótimas as participações de Moacyr Franco, Jorge Loredo, Ferrugem, Tonico Pereira, Jackson Antunes, Fabiana Carla, Erom Cordeiro, Emílio Orciollo Netto, Alex Sander, Phil Miller e Larissa Manoela. Toda essa trupe ajuda a compor um painel imagético-interpretativo primordial para o êxito do filme. Dentre esses, considero estupendo o ‘achado’ do ator Renato Macedo, que compõe com galhardia, espontaneidade e pungente alegria um dos tipos mais expressivos da obra.

Renato Macedo em expressiva participação em O Palhaço

Quem também aparece, qual mineiro anjinho barroco, para enfeitar a tela e resplandecer esperança é a bela Bruna Chiaradia, mais uma oportuna descoberta de Selton. Ela faz Justine, após ter feito testes, e revela fazer um personagem que ajudou a criar: “Selton é generoso e deixa espaço aberto para o ator. Ele gosta de chamar o roteiro pelo nome espanhol, guión, que não é um roteiro e, sim, um guia para o ator”. Assim, Bruna conta que, durante um ensaio, improvisou ao esquecer o texto e esse improviso acabou virando parte do filme: “Os atores dão opinião e isso é tão bonito, porque a gente constrói junto e se sente parte”, diz Bruna, emocionada.

Imagem Filmes/Divulgação
 Bruna Chiaradia tem atuação destacada em O Palhaço

Bruna fez o teste, passou e entrou para o elenco como Justine, personagem que ajudou a criar. “Selton é generoso e deixa espaço aberto para o ator. Ele gosta de chamar o roteiro pelo nome espanhol, guión, que não é um roteiro e, sim, um guia para o ator”, conta Bruna. Ela diz que, durante um ensaio, improvisou ao esquecer o texto. O improviso acabou virando parte do filme. “Os atores dão opinião e isso é tão bonito, porque a gente constrói junto e se sente parte”, conclui a atriz.

E um destaque todo especial para a ótima atuação de Danton Mello, que ‘duela’ com o irmão em pé de igualdade e compõe com ele uma das cenas mais engraçadas e interessantes do filme. Assim, com a magistral composição de tipos que conseguiu desenhar, Selton Mello imprimiu ao ecrã um painel artístico bastante impactante e digno, que autoriza com louvor sua óbvia e assinada inspiração felliniana.

Outrossim, o que ressalta mesmo no arcabouço poético deste segundo longa de Selton Mello (impregnado de sutis e belas referências à cidade onde nasceu, aos circos de sua infância, ao amor pelos pais, que aparecem em rápidos closes) são todas as filigranas de suas entranhas pessoais – influências, sensibilidades, inspirações, coerências, homenagens, gratidões, afetos, sintonias, e relações humanas – que adentram, pontuam e perpassam todo o filme com uma singeleza cativante, irrecusável. É de tamanho valor o que Selton Mello nos apresenta em O Palhaço com propriedade, sensatez e ternura que essas suas referências – profundas, viscerais, intrínsecas – acabam por nos contagiar e, quando o letreiro sobe, não há como conter a emoção, as lágrimas, o envolvimento e a completa adesão ao artista grandioso e profundamente imerso em suas verdades que é Selton Mello.  

Portanto, Selton Mello: por nos transmitir sentimentos tão meritórios – como a bondade, a pureza de intenções, a cortesia, a gratidão, a reverência aos que vieram antes, o cuidado com o próximo, a atenção aos de maior idade, o carinho com os menos privilegiados, o respeito pelas diferenças, a delicadeza com os que fogem aos padrões midiáticos, a imensa solidariedade aos desajeitados, rejeitados ou tronchos de desafeto -, e por nos conduzir a estas reflexões com o dom da inocência, da sensibilidade e da ternura, nós lhe parabenizamos e agradecemos.

E lhe desejamos vida longa, cada vez mais Cinema, força e ousadia, agradecendo pela beleza da Arte que você faz com tanta propriedade, vocação e sentido de quem comunica para entrar em contato com o próximo, e entrega a esse encontro o melhor e o mais profundo de seu ser.

Da platéia, é fácil deleitar-se com a interpretação carismática e irretocável de Selton e Paulo José. A graça do personagem de Selton – o palhaço Pangaré/Benjamim – nos contagia desde a primeira aparição. A trama vai nos comovendo mais a cada take, e de repente estamos completamente absortos naquela história aparentemente tão despretensiosa e comum.

Quando a tela escurece e a xilogravura assume a cor exibindo os créditos, ao final de 90 minutos, você percebe que nem viu o tempo passar mas está completamente impregnado pelos sentimentos, sensações e emoções com as quais Selton Mello imprime vigor, e rigor técnico indiscutível a mais um filme seu, suas marcas pessoais de Artista. Relevante e necessário a seu tempo, um tempo que precisa de muito mais Artistas com a estirpe de Selton Mello, e de muito, mais muito mais pessoas com a riqueza de alma e grandeza de valores que Selton Mello traz no coração e que transmite, até sem o saber.

Um abraço muito comovido a Selton Mello e um Parabéns muito caloroso a toda a equipe que tornou possível este Palhaço cheio de charme, carisma e verdades profundas que é o palhaço do Circo Esperança de Selton Mello.

Walter Webb vai ministrar curso de Cinema em Salvador

O cineasta e produtor baiano do eixo Sampa-Los Angeles, Walter Webb, premiado em Cannes e com mais de 50 anos de experiência em cinema, vai ministrar curso na capital baiana quando maio chegar.

Walter Webb é figura carismática, com amplo conhecimento do fazer cinematográfico, e bem sabe transmitir o que conhece. Trabalhou com nomes como Francis Ford Coppola, John Booman, Roberto Faenza, Nicholas Ray, Anthony Mann, entre muitos outros. Ao lado de Glauber Rocha, Roberto Pires e Rex Schindler, participou ativamente do movimento que originou o Cinema Novo.

Conheci-o ano passado, na primeira edição do Festival de Cinema de Anápolis, e posso garantir que vale a pena aprender, curtir e fazer Cinema com Walter Webb.

Se você é de Salvador, está na capital baiana, ou pretende ir pra lá; se se interessa pela Sétima Arte e tem vontade de saber mais sobre o fascinante mundo do cinema, a oportunidade está lançada!

Na edição 2008 do FestCine Goiânia, Webb e Selton Mello

Inscrições: www.nucleoderedacao.com.br/

CONTATO: 3492-2735/9915-7234

‘O Palhaço’ em comentário de Felipe Brida

Jornalista Felipe Brida, amigo que o festival de cinema comandado por Débora Torres me trouxe, comenta o segundo longa do ator Selton Mello.

Como eu, Felipe ama o filme e recomenda-o.

Em breve, o Aurora de Cinema trará comentário desta redatora sobre o filme realizado pela Mondo Kane e Bananeira Filmes.

Conosco, Felipe Brida e O PALHAÇO:

Procure já este bom filme, premiado e muito preciso !

Pai e filho, Valdemar (Paulo José) e Benjamin (Selton Mello) formam a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré. Eles divertem a plateia com as trapalhadas no picadeiro. Mas sem maquiagem Benjamin não tem identidade, é um rapaz taciturno e triste, à procura de duas coisas para dar sentido à sua vida: um ventilador e um amor. Mesmo com as dificuldades em tomar conta do Circo Esperança, tenta buscar seus sonhos.

Um filme poético e encantador sobre o mundo do circo, dirigido com sensibilidade pelo ator Selton Mello, que também atua como protagonista – é dele também o roteiro, escrito a duas mãos com Marcelo Vindicato, seu parceiro de cinema.

É seu segundo longa atrás das câmeras, muito mais acessível que o anterior, “Feliz Natal” (2008), que era uma fita primorosa, porém amarga e difícil, que continha infinitas referências cinematográficas, ou seja, distante para o público comum.

Com mão mais leve, Mello, em “O Palhaço”, faz uma viagem ao próprio passado, retornando às origens. Natural de Passos, cidadezinha no interior de Minas Gerais, rodou boa parte do filme na região onde viveu a infância. E acompanhando a rotina de figuras marcantes do tempo de garoto, como a trupe circense. Por isso resulta em uma obra autoral e nostálgica, com fundinho biográfico.

O ator interpreta o desalentado Benjamin, um rapaz sem identidade, sem CPF, sem amor e que sonha em comprar um ventilador. Ocupa o tempo trabalhando como o palhaço Pangaré ao lado do pai, o Puro Sangue (Paulo José, como sempre brilhante), em um pequeno circo itinerante chamado Esperança – o nome dá indícios da situação do grupo de artistas mambembes e do desejo deles. Na primeira oportunidade, Benjamin (ou Pangaré) tentará trilhar novos rumos para um futuro melhor.

São diretas as influências de Fellini nesse singelo retrato sobre os personagens do circo, seus sonhos, anseios e as transformações de personalidade (homem/artista). O próprio clima onírico do filme lembra as técnicas do maior cineasta italiano de todos os tempos. Uma brilhante homenagem!

O Palhaço” concorreu a vários prêmios, e ganhou o APCA – o prêmio da Associação dos Críticos de São Paulo – de melhor diretor em 2012.

O elenco, além da perfeita dupla Selton Mello e Paulo José, traz participações especiais de Tonico Pereira (em papel de dois irmãos gêmeos), Jorge Loredo (o eterno ‘Zé Bonitinho’), Moacyr Franco (irreconhecível como um delegado – venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Paulínia, em sua estreia no cinema) e Phil Miller (prefeito), além de Ferrugem, Erom Cordeiro e Jackson Antunes.

A fita foi produzida pela Bananeira Filmes, da empresária e produtora Vânia Catani, responsável por “Narradores de Javé”, “A Festa da Menina Morta”, e o próprio “Feliz Natal”.

O Palhaço” (Brasil201190’) Direção: Selton Mello Com: Selton Mello, Paulo José, Teuda Bara, Moacyr Franco e Fabiana Karla, entre outros.

Distribuição: Imagem Filmes

Selton Mello faz Poesia no Cinema e lota sessão em Anápolis

AURORA DE CINEMA no II FESTIVAL DE CINEMA DE ANÁPOLIS:

O Palhaço, segundo longa do ator, encanta plateia e dignifica todos os prêmios

Selton Mello é um ‘palhaço’ cheio de emoção em seu segundo longa como diretor

Uma das alegrias deste Aurora de Cinema é quando constatamos o reconhecimento ao trabalho de um Artista, e o respeito e APLAUSO devido a quem faz de sua sensibilidade instrumento de transformação de almas e consciências, e joga luzes sobre novas possibilidades de construção do humano. Quem lida com a emoção e transforma a Arte em ferramenta de reflexão e viés de refinamento da sensibilidade é alguém especialmente dotado e necessário, sobretudo quando isso serve ao propósito de tentar decifrar o Mistério que nos envolve/comove/abastece a todos, em maior ou menor escala.

Essa constatação vem a propósito do filme O Palhaço, deste magnânimo Artista que atende por Selton Mello. É uma imensa alegria perceber o quanto Selton vem ganhando, cada vez mais, a consagração popular e o respeito artístico que tanto merece. Anunciar um filme dele ou a sua presença em algum lugar é certeza de aglomeração e casa cheia.

 

Foi assim, apinhado de gente, que ficou o Teatro Municipal de Anápolis ontem à noite, dia agendado para a exibição de O Palhaço.

Selton viria a Anápolis mas compromissos profissionais o impediram de estar aqui. Mas como o coração do ator pulsa onde sua arte acontece, ele telefonou à atriz Giselle Motta – beleza e simpatia que conquistaram a todos por aqui – pedindo a ela, mais uma vez, que transmitisse à organização do festival, aos convidados e a todo o público seu abraço mais fraterno. Eu estava do lado de Giselle, na van rumo ao festejado almoço no ótimo El Hajj, quando ouvi a atriz falar com ele.

Giselle Motta, atriz aprovada em teste para O Palhaço, esbanja beleza, ao vivo e na tela.

O filme de Selton Mello é absolutamente tocante. Impossível assistir a este O Palhaço do ator e não ficar completamente encantado diante da reluzente sensibilidade de Selton, cercado de atores que compõem tipos emblemáticos (como Teuda Barros, do grupo Galpão, e Renato Macedo, uma grata surpresa !) e contribuem para o brilho de um roteiro imerso em poesia e belas imagens, além do invejável apuro técnico e do esmero na produção.

 

Sobre o filme, volto a comentar em outro post. Por enquanto, fica apenas o registro de que assistimos ontem a um dos fortes concorrentes na mostra competitiva Adhemar Gonzaga de longas brasileiros, e da presença auspiciosa em Anápolis das belezas branca e índia de Bruna Chiradia e Giselle Motta, que representam o filme na cidade ao lado do ator Erom Cordeiro.

Numa das mais belas cenas do filme, Selton e Paulo José levam o espectador às lágrimas…

Anápolis vai viver semana de Capital do Cinema Brasileiro

Está tudo pronto para o II Anápolis Festival de Cinema. O festival, idealizado e coordenado pela produtora e cineasta Débora Torres, reverteu-se de pleno êxito quando de seu lançamento, ano passado, e este ano vem maior e com boas novidades. O festival será aberto na próxima segunda, 19, às 19 horas, e prossegue até dia 26, no Teatro Municipal de Anápolis.

Débora Torres (entre Murilo Rosa e Alberto Araújo): energia para comandar um festival que já nasceu grande…

A abertura do II Anápolis Festival de Cinema será marcada pela exibição do filme documentário Bokemboka – A trajetória de Washington “Seu Menino”. A obra tem direção de Carlos César, o Cesinha, e foi produzido a partir do Prêmio Incentivar da primeira edição do festival.

A abertura da Mostra Adhemar Gonzaga de Cinema Brasileiro será com a exibição do documentário Rock Brasília – Era de Ouro, de Vladimir Carvalho, um olhar sobre as bandas e o movimento de rock em Brasília, nos anos de 1970. 

Rubens Ewald Filho, Curador da Mostra de Longas, é presença garantida

O festival ainda terá a presença do renomado crítico de cinema e curador da Mostra de Longas-metragens Convidados, Rubens Ewald Filho; do curador da Mostra de Curtas Documentários do Centro- Oeste, Beto Strada; a atriz e curadora da Mostra Curtas Anápolis, Mallu Moraes; os atores Leandro Firmino e Germano Pereira, e o cineasta João Batista de Andrade.

Germano Pereira, sucesso na novela Passione, estará no festival de Anápolis

A mostra de longas-metragens de Ficção Brasileira homenageia o pioneiro Adhemar Gonzaga, fundador da CINÉDIA, a primeira companhia cinematográfica brasileira. Nessa modalidade, além do filme Rock Brasília, serão exibidos, a cada noite, os filmes Onde está a Felicidade ?, de Carlos Alberto Riccelli; As Melhores Coisas do Mundo, de Lais Bodanzki; Estômago,de Marcos Jorge; O Palhaço, de Selton Mello; Como Esquecer,de Mallu De Martino; e Olhos Azuis, de José Joffily, sempre às 19 horas, no Teatro Municipal.

Selton Mello vai a Anápolis com o seu premiado O Palhaço

O II Anápolis Festival de Cinema é aberto a toda comunidade, a qual terá a oportunidade de acompanhar a exibição de filmes de produção regional e nacional gratuitamente. O festival ainda possibilita a aproximação da plateia com atores e produtores cinematográficos, gerando assim uma interação única oportunizada pelo Festival.

Alice Gonzaga, filha do pioneiro Adhemar Gonzaga, estará na comissão julgadora e no curta O Sumiço de Alice, a ser exibido no encerramento…

FESTIVALZINHO

Junto à programação do II Anápolis Festival de Cinema, acontece o Festivalzinho, sessões de filmes desrtinados às crianças da rede municipal de ensino. Também serão ministradas durante o festival as oficinas Cinema & Filosofia com Ada Kroef , e Produção de Curta Digital de Baixo Custo com o cineasta/ator/dramaturgo Alex Moleta, além da realização de debates com diretores, produtores e elenco dos filmes das mostras competitivas.

A atriz Bete Mendes é presença confirmada em Anápolis

Presenças

O Festival contará com a presença de grandes personalidades do cinema como Rubens Ewald Filho (curador da mostra de longas convidados); do compositor e trilheiro, André Moraes; Beto Strada (curador da mostra de curtas documentários do Centro- Oeste); as atrizes Mallu Moraes (curadora da mostra de curtas anapolinos), Bete Mendes, Rosamaria Murtinho (presidente do júri), Betina Viany e Ingra Liberato; os atores Oscar Magrini, Irandhir Santos, Leandro Firmino, Germano Pereira, Murilo Rosa, Gustavo Machado, Wandi e Babu Santana; os cineastas Zózimo Bulbull, Carlos Alberto Riccelli, Selton Mello, João Batista de Andrade, José Joffily, Jarleo Barbosa, Walter Webb, Vladimir Carvalho e Alex Moleta (oficineiro do festival); o embaixador Lauro Moreira; os jornalistas, Hermes Leal, Cid Nader e Aurora Miranda Leão (também atriz e cineasta); os produtores Fabiano Gullane, Marcelo Tôrres, Elisa Tolomelli, Ligocki, Alice Gonzaga, Biza Viana e Cláudia Natividade; o fotógrafo Vantoen Pereira Júnior; entre outros.

 A atriz Ingra Liberato vai levar sua beleza para Anápolis…

Premiações

Os filmes selecionados para o II Anápolis Festival de Cinema concorrerão ao troféu Beto Leão de Cinema.  O prêmio é uma homenagem in memoriam ao ex-crítico, pesquisador, roteirista, diretor, produtor e escritor goiano. Também serão conferidos o Troféu Anápolis (criação do artista plástico Napefi) aos vencedores e Troféu Anápolis Homenagem a nomes significativos do cinema brasileiro.

Irandhir Santos, do elenco de Olhos Azuis, estará em Anápolis

OS LONGAS DE ANÁPOLIS
Mostra Adhemar Gonzaga de Cinema Brasileiro
ROCK BRASÍLIA – Era de Ouro

Datal: Dia 19 de Março às 19 horas
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Reexibição: Dia 20 de Março às 19 horas
Local: Parque Ipiranga 

ONDE ESTÁ A FELICIDADE ?

Datal: Dia 20 de Março às 19 horas
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Reexibição: Dia 21 de Março às 19 horas
Local: Industrial Munir Calixto 
AS MELHORES COISAS DO MUNDO

Datal: Dia 21 de Março às 19 horas
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Reexibição: Dia 22 de Março às 19 horas
Local: Vila Formosa 
ESTÔMAGO

Datal: Dia 22 de Março às 19 horas
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Reexibição: Dia 23 de Março às 19 horas
Local: Distrito de Goialândia – Anápolis GO 

O PALHAÇO

Datal: Dia 23 de Março às 19 horas
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Reexibição: Dia 23 de Março às 19 horas
Local: Distrito de Souzânia – Anápolis GO


COMO ESQUECER

Datal: Dia 24 de Março às 19 horas
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Reexibição: Dia 25 de Março às 19 horas
Local: Bairro São Joaquim 

OLHOS AZUIS

Datal: Dia 25 de Março às 19 horas
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Reexibição: Dia 26 de Março às 19 horas
Local: Bairro Recanto do Sol

Confira a premiação:

Longa-metragem de ficção – Mostra Adhemar Gonzaga

Melhor Filme de Ficção – R$ 25 mil, mais troféu;
Melhor Direção – R$ 12,5 mil, mais troféu;
Melhor Ator –R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Atriz –R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Ator Coadjuvante – R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Atriz Coadjuvante – R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Roteiro – R$ 6.250  mil, mais troféu;
Melhor Fotografia – R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Direção de Arte – R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Montagem – R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Som – R$ 6.250 mil, mais troféu;
Melhor Trilha Sonora – R$ 6.250 mil, mais troféu.

Curta- metragem Documentários do Centro-Oeste

Melhor curta-metragem do Centro-Oeste – R$ 6.250 mil, mais troféu.

Curta Anápolis 

Melhor Curta Metragem Anapolino – Prêmio Incentivar – Secretaria Municipal da Cultura. A premiação será destinada à produção de um curta, a ser produzido na região de Anápolis e exibido na abertura do III Anápolis Festival de Cinema. Valor do prêmio R$ 37,5 mil, mais troféu.

Bróder, Riscado, Selton, Alumbramento, Carpinejar e Gabriel Braga Nunes ganham prêmio APCA

“Choreeeeeei, choreeeeei/ Até ficar com dó de mim/ E me tranquei no camarim/ Tomei um calmante, um excitante e um bocado de gim.”

Com paletó azul escuro, blusa azul “cheguei” e sorriso ainda mais vibrante, Cauby Peixoto, agradeceu, com os versos de “Bastidores”, o Grande Prêmio da Crítica (na área musical) que ganhou ontem (13), em cerimônia da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

“Preferi cantar. Gosto de cantar!”, resumiu o porquê de soltar o vozeirão em vez de mandar os “obrigados” de praxe. Saiu do palco amparado por duas assistentes de palco, não sem antes pedir uma bitoca (na bochecha) de cada moça.

A bela e inconfundível poesia do gaúcho CARPINEJAR foi premiada…

Cauby foi o mais aplaudido da noite que reconheceu profissionais de 11 categorias artísticas. A novela Cordel Encantado, a atriz Glória Pires, o escritor Fabrício Carpinejar, a cenógrafa Daniela Thomas, e Selton Mello estão na lista dos premiados.

  Sergio Carvalho/Folhapress  
Cauby Peixoto durante a cerimônia de entrega dos prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte
Cauby Peixoto aplaudido em cerimônia da APCA

COMO AGRADECER
Logo no começo da cerimônia, que aconteceu no teatro do Sesc Pinheiros (SP), a atriz Márcia Cabrita ensinava a forma mais enxuta de dizer “obrigado” pelo prêmio. Se demorasse no discurso, o vencedor perigava de levar uma “apitada” da bem-humorada mestre-de-cerimônias, ao lado de Tuca Andrada.

Instruiu Cabrita: primeiro você grita “uhul!”, depois manda um beijo. E sai de cena.

Os ganhadores não foram tão lacônicos, mas passaram seu recado na lata.

Dori Caymmi (melhor disco, por “Poesia Musicada”), por exemplo, “queria saber se já deram este prêmio para a [irmã] Nana”, ou ele ia “ter problemas mais tarde”.

Escolhidos como melhor grupo, os músicos do Forgotten Boys se disseram surpresos por ter chamado a atenção da associação de críticos com um rock tocado em inglês. Era “o primeiro prêmio sério” que recebiam na carreira.

A dupla de Tangos e Tragédias (melhor show) também deu uma alfinetada na APCA, que teria demorado “só” quase três décadas para notar a existência deles. “O espetáculo talvez esteja melhor ainda do que há 27 anos.”

Gabriel Braga Nunes: estatueta de Melhor Ator pelo seu sensacional “Leo” de Insensato Coração

Confira a lista dos premiados pelos criticos da APCA:

ARQUITETURA
Homenagem pelo conjunto da obra: Marcello Fragelli
Cliente/promotor: Otávio Zarvos/Idea!Zarvos
Difusão: Raul Juste Lores/Folha de S. Paulo
Urbanidade: Mauro Munhoz e Casa Azul/ Flip – Feira Literária Internacional de Paraty
Obra de arquitetura em São Paulo: Biblioteca São Paulo/ Aflalo e Gasperini + Dante Della Manna + Univers Design
Obra de arquitetura no Brasil: João Batista Martinez Corrêa/ Mirante da Paz – Complexo Elevador Rubem Braga, Rio de Janeiro
Projeto referencial: João Filgueiras Lima, Lelé/ Projeto alternativo para o programa “Minha Casa, Minha Vida”

ARTES VISUAIS
Grande Prêmio da Crítica: Olafur Eliasson
Exposição Internacional: Em Nome dos Artistas/ Coleção Museu de Arte Moderna Astrup Fearnley da Noruega/ Bienal de São Paulo
Exposição: Jac Leirner/ Estação Pinacoteca
Design: Anticorpos – Irmãos Campana/ CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil)
Fotografia: Emidio Luisi/ Sesc Consolação
Retrospectiva: No Ateliê de Portinari – 1920-1945/ MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo)
Iniciativa Cultural: Vídeo Guerrilha 2º Edição/ Arte Pública: Imagens Originais Projetadas em Prédios da Rua Augusta

Jeferson De: mais um reconhecimento a BRÓDER, seu filme de estreia…

CINEMA
Filme: “Bróder”, de Jefferson De
Documentário: “Corumbiara”, de Wagner Carelli
Diretor: Selton Mello, por “O Palhaço”
Prêmio Especial do Júri: A Turma do Alumbramento, pelos filmes “Estrada para Ythaca” e “Os Monstros”
Roteiro: “Riscado”, de Karine Telles e Gustavo Pizzi
Ator: Fernando Bezerra, por “O Transeunte”
Atriz: Simone Spoladore, pelos filmes “Elvis e Madonna”, “Natimorto” e “Não Se Pode Viver sem Amor”

SELTON MELLO: excelência artística aplaudida em todos os quadrantes

DANÇA
Concepção em Dança: Adriana Banana, por “Desenquadrando Euclides” e “Necessário a Posteriori”
Intérprete criador em Dança: Eliana de Santana, por “…E Das Outras Doçuras De Deus”
Ação política em Dança: Sandro Borelli
Criação em Dança: Cristian Duarte, por “The Hot One Hundred Choreographers”
Percurso em Dança: Angel Vianna
Formação, Difusão, Produção e Criação em Dança: Núcleo do Dirceu
Grande Prêmio da Crítica: Ballet Stagium – 40 anos

LITERATURA
Romance: “Mano”, A Noite Está Velha (Planeta), de Wilson Bueno
Ensaio/Crítica: Coleção “História do Brasil Nação -1808-2010”, organização de Lilia Moritz Schwarcz (Objetiva)
Infanto-Juvenil: “Filhote de Cruz Credo”, de Fabrício Carpinejar (Girafinha)
Poesia: “O Metro Nenhum”, de Francisco Alvim (Companhia das Letras)
Contos: “O Livro de Praga”, de Sérgio Sant’Anna
Tradução: “Guerra e Paz”, de Tolstói, por Rubens Figueiredo (Cosac Naify)
Prêmio Especial: Reedição de “História da Literatura Ocidental”, de Otto Maria Carpeaux (Leya/Cultura)

MÚSICA POPULAR
Grande Prêmio da Crítica: Cauby Peixoto, pelo conjunto da obra
Disco: “Poesia Musicada”, Dori Caymmi
Compositor: Erasmo Carlos, pelo disco “Sexo”
Grupo: Forgotten Boys
Instrumentista: DaLua
Show: Tangos & Tragédias
Revelação: Criolo

MÚSICA ERUDITA
Grande Prêmio da Crítica: Edmundo Villani-Côrtes (compositor)
Recitalista: Silvia Malthese Moysés (pianista)
Prêmio Especial: Conjunto da Carreira – Claudio de Britto (pianista e musicólogo)
Prêmio Especial In Memorian: Osvaldo Lacerda (compositor)
Prêmio Especial Cultural: Fundação Cultural do Exército Brasileiro
Revelação: Leandro Gardini (compositor)

RÁDIO
Grande Prêmio da Crítica: Rádio CBN – 20 anos no ar
Prêmio Especial do Juri: Dois diretores em cena – Rádio Jovem Pan AM
Musical: “O Sul em Cima” – USP FM
Internet: Web Rádio Faap – emissora educativa da Fundação Armando Álvares Penteado
Humor: “O Palhacinho” – Energia 97 FM
Esportivo: “Papo de Craque” – Transamérica FM
Variedades: “Gira Brasil” – Rádio Estadão-ESPN

TEATRO
Grande Prêmio da Crítica: Daniela Thomas, pelo conjunto da obra nas áreas de direção de arte, cenografia e figurino
Espetáculo: Luis Antonio – Gabriela (Cia. Mungunzá)
Diretor: Leonardo Moreira, por “O Jardim”
Autor: Rudifran Pompeu, por “Marulho: o Caminho do Rio”
Ator: Joca Andreazza, por “A Bilha Quebrada” e “A Ilusão Cômica”
Atriz: Lavínia Pannunzi, por “A Bilha Quebrada”, “A Ilusão Cômica” e “A Serpente no Jardim”
Prêmio Especial: Dez anos de história do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo

TEATRO INFANTIL
Espetáculo: “Histórias por Telefone”, da Cia. Delas
Direção: Carla Candiotto, por “Histórias por Telefone”; “Sem Concerto”; e “A Volta ao Mundo em 80 Dias”
Texto Adaptado: Pedro Brício, por “O Menino Que Vendia Palavras”
Cenografia: José de Anchieta, por “Biliri e o Pote Vazio”
Figurino: Chris Aizner, por “A História do Soldado”
Ator: Bruno Rudolf, por “A Volta ao Mundo em 80 Dias”
Atriz: Gabriella Argento, por “A História do Soldado”

TELEVISÃO
Novela: “Cordel Encantado” (TV Globo)
Seriado: “Tapas e Beijos” (TV Globo)
Infanto-Juvenil: “Julie e os Fantasmas” (Band/Mixer/Nickelodeon)
Atriz: Glória Pires (“Insensato Coração”/TV Globo)
Ator: Gabriel Braga Nunes (“Insensato Coração”/TV Globo)
Programa: “Chegadas e Partidas” (GNT)
Revelação: Elisa Volpato (atriz de “Mulher de Fases”/HBO)

* Com informações da FOLHA

Selton Mello: ‘Gosto muito do poder de comunicação da TV’

 Com três filmes em cartaz, ator fala sobre Billi Pig e adianta detalhes de Soundtrack, próximo trabalho no cinema

Selton Mello: “Até parece que estou trabalhando muito”

Desde outubro, só dá Selton Mello nos cinemas brasileiros. Primeiro foi O Palhaço, segundo filme dirigido pelo ator, que se revelou um sucesso de público (1,4 milhão de espectadores) e está até hoje em cartaz em algumas praças.

Há duas semanas, estreou “Reis e Ratos”, aventura de época que fez ao lado de Rodrigo Santoro e Cauã Reymond. Na sexta, foi a vez de “Billi Pig”, comédia de José Eduardo Belmonte, na qual contracena com Grazi Massafera.

“Até parece que estou trabalhando muito”, diz Selton. Na verdade, “Reis e Ratos” foi gravado em 2009, O Palhaço em 2010 e “Billi Pig”, no primeiro semestre do ano passado.

“Acho que estou exposto demais, isso não me agrada”, comentou o ator, com relação às estreias em sequência. “Se eu pudesse ter algum controle, ‘Reis e Ratos’ estrearia em maio. e ‘Billi Pig’, em outubro, bem espaçados. Mas foi o que aconteceu, são trabalhos honestos, então está tudo bem. Vendo pelo lado bom, um não tem nada a ver com o outro.”

Essas diferenças entre um papel e outro, ele garante, são intencionais, inclusive quando topa um trabalho na televisão. “Sempre procurei essa pluraridade nos meus personagens, desde ‘O Auto da Compadecida’, em 1998. Procuro fazer algo bem comercial intercalado com coisas mais radicais, como o filme do Bressane [‘A Erva do Rato’], o próprio ‘Cheiro do Ralo’ e ‘Árido Movie’.” 

No caso de Billi Pig, Selton, exibindo um bigode malandro, interpreta Wanderley, dono de uma seguradora de garagem em Marechal Hermes, subúrbio do Rio. Apático, impotente para satisfazer os desejos da mulher, Marivalda (Grazi Massafera), ele vê num padre milagreiro da região (Milton Gonçalves) a chance a ganhar um bom dinheiro.

Escrito pelo diretor José Eduardo Belmonte e por Ronaldo D’Oxum, o roteiro tenta emular o espírito de vaudevile dos filmes de Carlos Manga e Watson Macedo, por trás de chanchadas geniais como “Aviso as Navegantes”, “Matar ou Correr” e “Nem Sansão nem Dalila”.

Mas não foi por isso que Selton entrou no projeto: foram as pessoas envolvidas. Amiga de longa data, a produtora Vânia Catani (que havia tirado O Palhaço do papel) estava em “Billi Pig”, assim como Belmonte, que o ator admira há muito tempo. 

“Grande parte do que digo em ‘Billi Pig’ saiu da minha cabeça”, afirma Selton

Só elogios para “Se Nada Mais Der Certo” (2009), longa anterior de Belmonte, Selton queria há tempos trabalhar com o cineasta, famoso por seus métodos nada ortodoxos no set. Em “Billi Pig”, por exemplo, alguns atores comiam pimenta antes de entrar em cena. Ou ficavam girando em torno de si mesmo para mostrar desorientação diante das câmeras.

“Comigo foi um pouco de pingue-pongue, que tem a ver com o improviso”, contou Selton. “Se a bolinha cair, significa que você não ficou esperto. Tem que ter ritmo, improviso não é ficar pirando horas num monólogo: um joga, o outro também.” 

Foto: AgNews     O ator na pré-estreia de “Billi Pig” no Rio

O improviso é justamente um dos pontos fundamentais para Belmonte. Não raro o roteiro ficava de lado. “O texto não era nada sagrado. Aliás, grande parte do que digo no filme saiu da minha cabeça. É uma liberdade que até assusta, a gente se pergunta: ‘será que isso vai dar liga?'”, comentou.

“Tem uma fala que até acabou entrando no trailer. Tinha acabado de ler uma biografia do Vittorio Gassman, que é um ator extraordinário, e tem uma fala que é assim: a gente devia ter duas vidas, uma para ensaiar e outra para representar. E isso eu botei no filme, adaptando para ‘agir’.”

Sobre o trabalho com Grazi Massafera, Selton dizz: “Adorei trabalhar com a Grazi. Achei ela muito querida, humilde, querendo aprender mesmo, saber como se faz. Isso é nobre, não é qualquer atriz que tem essa disponibilidade. E acho o resultado do trabalho dela maravilhoso. Na verdade, uma das coisas que mais gosto no filme é ela.”

Ao longo do ano, Selton analisa a proposta de uma nova série para a rede Globo, mas está ansioso mesmo para gravar Soundtrack, longa-metragem de estreia da misteriosa dupla 300ml, com quem já fez o curta “Tarantino’s Mind”, ao lado de Seu Jorge.

Rodado na Patagônia, todo em inglês, o filme se passa numa base de pesquisa similar à que incendiou recentemente na Antártida, onde se reúnem profissionais do mundo todo – por isso estão confirmados alguns atores estrangeiros. “É muito bonito o que eles escreveram, não parece com nada que vem sendo feito por aqui. Tem um estranhamento no estilo de Wes Anderson, Spike Jonze.”

Selton interpreta um artista plástico brasileiro que trabalha com fotografia. Uma coprodução internacional, Soundtrack ainda depende de captação, mas o início das filmagens está previsto para agosto.

Selton diz que gosta muito também de atuar na TV e sente falta de convites. Recentemente, achou melhor recusar um papel na nova novela de João Emanuel Carneiro – Avenida Brasil – porque não havia um que se encaixasse em seu tipo.

O convite para Avenida Brasil marcaria a volta de Selton às novelas após mais de 10 anos: “Não rolou. Um era meio novo e o outro tem três mulheres. Não dava: acabei de fazer uma série em que tinha duas [‘A Mulher Invisível’], seria muito parecido.”

Com Débora Falabella escalada para Avenida Brasil e Luana Piovani prestes a ser mãe, uma nova temporada de A Mulher Invisível está descartada, pelo menos para 2012. O ator, no entanto, admite estar cogitando uma nova série na Rede Globo. “Tive um convite, está tendo um namoro, mas não posso dizer o que é. Talvez eu venha fazer, mas tem um filme que está programado para a mesma data e isso pode atrapalhar um pouco…”

O Palhaço de Selton Mello: filme arrebata plateias em todo o pais e revela competência do Artista, atuando ou dirigindo…

* Marco Tomazzoni, iG São Paulo