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Anápolis encerra Festival de Cinema com fôlego de gigante…

Festival idealizado por Débora Torres e realizado pela Prefeitura Municipal reúne grandes filmes e expressivos nomes, provando que veio para ficar e demarcar importante espaço no cenário audiovisual

A segunda edição do Festival de Cinema de Anápolis consagrou como grandes vencedores os filmes Estômago, Olhos Azuis e Como Esquecer.

Realizado de 19 a 26 de março, o festival foi idealizado pela produtora e cineasta Débora Torres, e possível graças à Prefeitura Municipal (através da Secretaria de Cultura), que tem como diretriz básica investir em Cultura e Educação. Único festival a homenagear o pioneiro Adhemar Gonzaga (jornalista fundador da revista Cinearte e da Cinédia) com o nome de uma mostra, o Festival de Cinema de Anápolis reuniu importantes nomes da cinematografia brasileira, de diversas regiões, numa semana de muita troca de experiências, debates, oficinas, homenagens, e exibições gratuitas, no teatro municipal e em diversas praças de comunidades da periferia anapolina.

Rubens Ewald Filho assinou a Curadoria da Mostra Adhemar Gonzaga de Longas-Metragens, na qual concorreram os seguintes filmes: Onde está a felicidade ?; As melhores coisas do mundo; Estômago; Como esquecer; O Palhaço; e Olhos azuis – todos os filmes contaram com pelo menos um representante presente ao festival, que teve ainda mostra de curtas anapolinos e mostra de documentários do centro-oeste.

A abertura foi com o documentário Bokemboka – a trajetória de ‘Seu Menino’ (vencedor do Prêmio Incentivar, concedido pela Prefeitura Municipal de Anápolis, na primeira edição do Festival), seguindo-se Rock Brasília – Era de Ouro, de Vladimir Carvalho.

Entre os muitos homenageados, Zózimo Bulbul, João Batista de Andrade, Embaixador Lauro Moreira, Vantoen Pereira Jr., Hermes Leal, André Moraes, Oscar Magrini, David Cardoso e Bete Mendes (a única que não pôde comparecer devido a compromissos por conta da novela Gabriela). Todos estes receberam o Troféu Anápolis, criação do artista anapolino Napefi.

David Cardoso também recebeu o troféu Anápolis e lançou livro no Festival…

Betina Vianny lançou livro com a obra do pai, e recebeu cumprimentos de Aurora Miranda Leão…

O festival também contou com lançamentos dos seguintes livros: ‘Davi Cardoso – O Rei da Pornochanchada’, autobiografia do ator; Acervo de Alex Vianny, de autoria da atriz Betina Vianny; Ensaios de Cinema, do crítico L.G. de Miranda Leão; Dicionário de Filmes Brasileiros – Curtas e Médias, por Antônio Leão; Cinema (d) e Horror: ensaios críticos, por Carolina Sartomen; além do lançamento do Box Mulheres que fazem cinema, reunindo 10 curtas de cineastas goianas – lançamento da Associação de Cinema Independente de Goiás (Acine).

No palco, convidados recebem box Mulheres de Cinema, lançado pela ACINE…

O Festival de Anápolis contou ainda com uma mostra paralela de filmes do cineasta João Batista de Andrade, e outra com curtas-metragens do ator e cineasta Zózimo Bulbul, que também participou (e foi muito aplaudido) de debate promovido pelo Cineclube Xícara da Silva, co-realizador do Festival. Aliás, cineclubistas do centro-oeste estiveram reunidos ali também por conta do I Encontro Anápolis de Cineclubes. E teve ainda o Festivalzinho, de 20 a 25 de março, com a exibição do filme Pequenas Histórias, de Helvécio Ratton, ofertado às crianças das escolas municipais mas com entrada franca a toda a comunidade.

Zózimo Bulbul e Vladimir Carvalho em foto de Aurora Miranda Leão…

Germano Pereira mostrou que além de ótimo ator, também canta e toca com simpatia e competência… a noite foi no Pub 767 e a platéia quase não deixa ele sair do palco… Saravá !

A comissão julgadora, coordenada pelo produtor Delvo Simões, foi formada por Rosamaria Murtinho, Alice Gonzaga, Leandro Firmino da Hora, Walter Webb, Ingra Liberato, o embaixador Lauro Moreira, Germano Pereira, Vladimir Carvalho e Jarleo Barbosa. Dentre as oficinas, Cinema e Filosofia com a socióloga gaúcha Ada Kroef, e Produção de curta digital de baixo custo, com o dramaturgo e roteirista Alex Moletta.

Alice Gonzaga, David Cardoso e Aurora Miranda Leão no hall do Teatro Municipal…

Murilo Rosa e Elisa Tolomelli no debate sobre o longa Como esquecer

Além de todos os nomes já citados, circularam em Anápolis na semana do Festival, os seguintes atores, atrizes e produtores: Carlos Alberto Riccelli, Murilo Rosa, Fernando Alves Pinto, Irandhir Santos, Erom Cordeiro, Gustavo Machado, Babu Santana, Bruna Barros, Elisa Tolomelli, Cláudia Natividade, Mallu Moraes, Ana Carolina Machado (do filme O Carteiro), Wandi Doratiotto, Flávia Rodrigues, Ângelo Lima, e as belas atrizes Gisella Motta e Bruna Chiaradia (do filme O Palhaço).

Gisella Motta, Flávia Rodrigues, Bruna Chiaradia e Aurora Miranda Leão…

Wandi Doratiotto, Aurora Miranda Leão e Fernando Alves Pinto: curtição na noite anapolina…

Carlos Alberto Riccelli também curtiu a noite anapolina e distribuiu simpatia…

De quebra, a organização do Festival ofereceu alguns passeios prá lá de especiais, entre esses uma visita à Base Aérea de Anápolis, ao Porto Seco, e um passeio à Pirenópolis, onde um grupo, liderado pelo produtor Walter Webb, foi fazer uma visita à atriz Eliane Lage (Diva do cinema brasileiro dos anos 50, estrela dos filmes Sinhá Moça e Ravina).

Walter Web, Eliane Lage, Lucília e Vladimir Carvalho, e Lauro Moreira…

Confira os vencedores:

1.1 – Melhor Filme de Ficção  – ESTÔMAGO-de Marcos Jorge-R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) mais troféu;

1.2 – Melhor Direção-OLHOS AZUIS-de José Joffily – R$ 12.500,00 (doze mil e quinhentos reais) mais troféu;

1.3 – Melhor Ator-OLHOS AZUIS-Irandhir Santos –R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.4 – Melhor Atriz-COMO ESQUECER-Ana Paula Arósio –R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.5 – Melhor Ator Coadjuvante-ESTÔMAGO-Babú Santana – R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.6 – Melhor Atriz Coadjuvante-ESTÔMAGO-Fabíula Nascimento – R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.7 – Melhor Roteiro-OLHOS AZUIS- Paulo Halm e Melanie Dimantas – R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.8 – Melhor Fotografia-AS MELHORES COISAS DO MUNDO- Mauro Pinheiro Jr. – R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.9- Melhor direção de Arte-O PALHAÇO- CLAUDIO AMARAL PEIXOTO-

R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.10-Melhor Montagem-OLHOS AZUIS- Pedro Bronz- R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.11-Melhor Som-ONDE ESTÁ A FELICIDADE?- Miriam  Biderman, ABC, e Ricardo Reis

 R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

1.12Melhor trilha Sonora-AS MELHORES COISAS DO MUNDO-BiD- R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu; 

A produtora e roteirista Cláudsa Natividade com Babu Santana: prêmios para Estômago

1.13- – Melhor curta-metragem documentário do Centro-Oeste-DIGA 33-de Angelo Lima –– R$ 6.250,00 (seis mil duzentos e cinquenta reais) mais troféu;

 

David Cardoso, Carlos Alberto Riccelli e Rubens Ewald Filho: feliz reencontro de amigos…

1.14 – Melhor curta-metragem Anapolino-O GIRO DA CAPELINHA-de Arnaldo Salustiano de Moura – Prêmio Incentivar- Secretaria Municipal da Cultura à Produção de curta-metragem que será destinado à produção de um novo curta-metragem a ser produzido na região de Anápolis e exibido na abertura do 3º ANÁPOLIS FESTIVAL DE CINEMA – R$ 37.500,00 (trinta e sete mil e quinhentos reais) mais troféu;

 

Débora Torres e Alice Gonzaga: amizade acalentada pela Sétima Arte…

A continuidade e a encenação no Cinema

Crítico L.G. de Miranda Leão revisita legado de André Bazin

 

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A encenação está em toda parte. Nada se pode imaginar sem ela: de Bazin a Jacques Aumont
 
Prestamos nesta edição um tributo a André Bazin, saudoso autor e teórico de cinema nascido em Angers, França (1918-58), e também ao mais influente crítico do pós-II Guerra Mundial. Nem todos sabem, mas foi Bazin quem fundou em plena II Guerra (1939-45) um cineclube para exibições de filmes proibidos com os quais ousava desafiar as autoridades alemãs nos tempos aziagos da França ocupada e dirigida, então, pelo marechal Henri Phillipe Pétain (1856 -1951).

Um feito

Como os cinéfilos e clubistas veteranos devem estar lembrados, coube a Pétain assinar como primeiro-ministro da França o armistício com a Alemanha Nazista, motivo pelo qual, findo o conflito, ele foi condenado à morte por traição?!, embora a sentença tivesse sido comutada em prisão perpétua devido a sua provecta idade. Com a vitória dos Aliados, Bazin tornou-se crítico do “Le Parisien Liberé” e contribuiu, substancialmente, com vários artigos para muitas publicações em terras francesas.

Nasce o Cahiers

 


Em 1947, por exemplo, Bazin fez vir a lume um periódico intitulado “La Revue du Cinéma” e em 1951 fundou com Jacques-Doniol Valcroze a famosa e prestigiada revista Cahiers du Cinéma, a qual cresceu e se consolidou sob a direção firme e criativa de Bazin, tornando-se na Europa a mais influente publicação sobre cinema. Alguns do valiosos artigos escritos por Bazin sobre a arte do século foram reunidos depois de sua morte prematura (1918-58), quando muito ainda teria a contribuir, caso da obra em quatro volumes intitulada “Qu´est-ce que le Cinéma?” (a versão em língua inglesa foi publicada nos EUA em 1967 pela “University of California Press”, um “best seller” nesse então.

Obra teórica de Bazin

Como se recordarão os cinéfilos, o conceito de realidade objetiva como qualidade fundamental da imagem fílmica é essencial para o pleno entendimento da obra teórica de Bazin. Eis o motivo pelo qual ele considerava o documentário e o filme científico como os mais puros exemplos da realidade não falsificada e o movimento italiano neo-realista como a expressão mais válida da verdade fílmica.

Singularidades

Como se sabe, Bazin privilegiava a “mise-en-scène” ou a encenação e não a “montagem” porque para ele a encenação representava a “verdadeira continuidade” do filme e reproduzia situações vividas nas imagens da tela de forma mais realística com a redução de um sem-número de planos e contraplanos, campos e contracampos. “Corta-se demais” escrevia Bazin à época. Assim, a interpretação de determinada cena ficava mais para o espectador e menos para o ponto-de-vista do diretor na montagem ou edição.

Recursos expressivos



Consistente com esse ponto-de-vista, Bazin também argumentou de forma bem fundamentada em favor do foco profundo, do plano em profundidade trazido à proa por Orson Welles em Citizen Kane e logo em Soberba, e isso lhe permitia filmar uma cena tanto no primeiro plano (foreground) como no plano de fundo (background) com visão plena, minimizando a necessidade de fragmentar uma cena numa série de planos. Daí por que Bazin também privilegiava o plano-sequência (sequence-shot), ou seja, o plano longo que abrange toda uma sequência filmada e mostrada sem cortes.

Dois conceitos

“Mise-en-scène” e “Montage”:estes dois conceitos-chave foram debatidos “ad nauseum” pelo críticos e teóricos durante décadas no século XX, como nos lembra Bazin. De fato, a expressão “mise-en-scène”, da terminologia teatral, adquiriu nos últimos anos um significado adicional na sua aplicação ao cinema. Bazin e consecutivamente outros teóricos usaram o termo para descrever um estilo de direção fílmica bastante distinto daquele definido pelos franceses como “montage”. Enquanto esta é fragmentária e deriva seu significado da relação entre um fotograma e o seguinte, através da edição (termo mais abrangente), a “mise-en-scéne” enfatiza o conteúdo do fotograma individual, os movimentos de câmara, as angulações (ou ângulos de câmara, cuja variedade é quase infinita) e torna menos ortodoxo o uso do campo e contracampo.

Dos discursos

Seus defensores ou proponentes como Bazin e outros veem a montagem como técnica demolidora da unidade psicológica em face do excesso de cortes e dos tipos de montagem dos quais se valem os diretores (montagem analógica, antitética, “leitmotif”, paralela, sincrônica, retrospectiva, por elipse e por cima) para reproduzir a realidade buscada pelo cinema. Bazin considerava a arte um momento crucial no esforço psicológico do homem para ultrapassar suas condições reais de existência. Como bem registra o filmólogo Jacques Aumont em seu dicionário, “ao ligar ontologia e história das artes figurativas, Bazin via na fotografia um momento essencial dessa história, ao liberar as artes plásticas de sua obsessão pela semelhança (…) A fotografia e o cinema prestam homenagem ao mundo tal como ele ´aparece´, e põem-nos em presença da própria coisa”.

Da concisão

Por isso, Bazin condenava, como contrária à natureza mesma do cinema, “qualquer intervenção excessiva, qualquer manipulação, qualquer ´trapaça´ atentatória à integrigada do real apresentado, e isso o levou a contrapor-se à montagem, notadamente quando sua utilização produzisse um sentido unívoco demais, imposto pela arbitrariedade do cineasta em detrimento da ambiguidade imanente ao real”. Correlativamente arremata Aumont com uma visão de mestre: “O filme deve evitar impor ao espectador uma interpretação de tudo quanto lhe é mostrado no ecrã; essa ´liberdade psicológica´ induziu Bazin a privilegiar a ´mise-en-scène´ e estilos fundados no plano sequência e na profundidade de campo”.

Welles e outros

Orson Welles: cineasta sempre citado

Esse foco profundo ou plano em profundidade veio à tona, como já mencionado, devido à dupla Orson Welles-Gregg Tolland em “Citizen Kane” (1941), com o qual foi possível filmar, com visão plena, tanto o “foreground” (a parte frontal de uma cena) como o “background” (o fundo de cena), minimizando-se a necessidade de fragmentar uma unidade da narrativa numa série de planos. Os planos-sequência, vistos também criativamente em “Soberba” (The Magnificent Ambersons, 1942) e nos filmes do cineasta alemão Max Ophuls, “Sem Amanhã” (Sans Lendemain, 1939); “Carta de uma Desconhecida” (Letter from an Unknown Woman, 1948); “Conflitos de Amor” (La Ronde, 1950), “O Prazer” (Le Plaisir, 1952); “Desejos Proibidos (Madame De… 1953) e “Lola Montez” (1955), foram igualmente louvados por Bazin e seus “pupilos” em apoio aos argumentos do mestre tão bem explicitados em seus escritos teóricos e em amparo à “politique des auteurs”.

Pois das ideias do diretor Alexandre Astruc, sobre quem falaremos mais adiante, nasceu a base para a teoria do “auteur” nos anos 50 do século passado, capaz de influenciar de forma decisiva os rumos da Nouvelle Vague.

De fato, muitos dos seus membros, sobretudo Truffaut, Godard, Chabrol e Rohmer se tornaram críticos dos Cahiers sob a orientação de Bazin.

SAIBA MAIS

O preito póstumo sobre a figura exponencial de André Bazin (1918-58) não pôde, é claro, abranger tudo quanto o grande teórico mereceria. Por isso, valemo-nos do ensejo para recomendar aos cinéfilos interessados a leitura do livro “O Que é Cinema” (Qu´est ce le cinéma), de autoria de Bazin, para saber um pouco mais sobre dois temas polêmicos da arte fílmica: a continuidade e a encenação (mise-en-scène).

L.G. DE MIRANDA LEÃO

“Cinema não é competição esportiva…”

Em entrevista publicada por um jornal alemão hoje, a aclamada atriz Meryl Streep disse ficar incomodada quando o Oscar leva as pessoas a falarem de arte e de cinema como competições esportivas. Ela se pergunta “até quando os cineastas aceitarão este estranho sistema ?”

“De repente, todos começam a falar de arte em termos esportivos e a perguntar quem são os primeiros e quem são os perdedores. Eu não gosto disso”, disse Streep ao diário “Berliner Zeitung”.

  Valerie Macon – 26.fev.12/France Presse  
Meryl Streep na entrega do Oscar
Grande Meryl Streep: talento, profissionalismo, competência e sensibilidade

Meryl Streep, que no último domingo ganhou o seu terceiro Oscar, desta vez pelo papel de Margaret Thatcher em A Dama de Ferro, admite que os prêmios sempre a alegraram, mas acrescenta que a ideia competitiva que há por trás deles lhe desagrada: “Os filmes tiram uns os espectadores dos outros, e no resto do ano as pessoas não podem voltar a assistir a um bom filme”.

ENSAIOS DE CINEMA, HOJE, na Oboé

Para “ler” o Cinema

Um dos críticos de cinema mais conhecidos fora do eixo Rio-São Paulo, o cearense L.G de Miranda Leão lança Ensaios de Cinema (Banco do Nordeste, 2010, 282 páginas, R$ 20,00), novo livro de críticas, hoje à noite, no Centro Cultural OBOÉ, na Aldeota, às 19:30h.

  

Dificilmente uma sequência costuma fazer jus ao seu filme original. Na contramão dessa tendência, o crítico de cinema L. G de Miranda Leão lança hoje sua primeira e bem-sucedida “continuação”, o livro Ensaios de Cinema – extensão da primeira obra do autor, Analisando Cinema.

Nos dois títulos, L.G. reúne críticas e ensaios publicados ao logo de mais de 50 anos de carreira. O primeiro, lançado em 2006 pela Imprensa Oficial de São Paulo, torna-o o único cearense, residente em Fortaleza, a ser publicado na prestigiada Coleção Aplauso.

Agora, em Ensaios de Cinema, o especialista traz uma visão mais ampla da produção cinematográfica de países como Alemanha, EUA, República Checa e Suécia. Na lista de cineastas abordados estão grandes nomes como François Truffaut, Stanley Kubrick, André Bazin, Ingmar Bergman, Martin Scorsese e Orson Welles.

A obra, que já foi lançada no FestCine Goiânia e no V Festival de Cinema e Vídeos dos Sertões (Floriano-PI), tem apresentação do colega Rubens Ewald Filho, que tece elogios ao rigor do trabalho do autor.

“Ao lançar ´Analisando…´, notei o entusiasmo de muita gente, alunos, amigos e colegas. Isso me animou a escrever um segundo livro”, comemora L.G. “Assim, comecei a reunir novas críticas e ensaios”. Os textos apresentados no novo trabalho cobrem pelo menos meio século de trajetória da sétima arte, ao abordar temas e gêneros como a Nouvelle Vague, o cinema americano nos anos 70, filmes de guerra, entre outros temas.

Carreira

Frente a um recorte tão grande e à considerável produção acumulada, o autor recorreu ao critério de afinidade para selecionar o material. “Escolhi textos sobre diretores e filmes com os quais tenho mais afinidade”, ressalta. “Truffaut, Kubrick, Bergman e Welles, por exemplo, sempre estiveram à frente de seu tempo”. O livro foi organizado com a ajuda da filha do crítico, Aurora Miranda Leão, que também trabalha com cinema. Na orelha da publicação, a caçula lembra as matinês do Cine São Luís, no Centro de Fortaleza, onde assistiu, na companhia do pai, aos primeiros exemplares de sua filmoteca pessoal.

Para o próprio L.G., a paixão também vem de família – no caso, graças à influência do pai, o médico e cinéfilo João Valente de Miranda Leão. “Ele nos levava ao cinema com frequência”, recorda o crítico.

Uma experiência em particular marcou o crítico. “Na década de 40, Welles veio ao Ceará para filmar cenas de It´s all true, no Mucuripe. Meu pai tinha sido apresentado ao Welles, e nós fomos assistir à uma gravação. Vi o diretor deitado no chão, com a câmera apontada em contra-plano. Ao seu lado havia uma caixa preta, parecido com um decodificador de TV, que ele manipulava com cuidado. Meu pai foi perguntar o que era aquilo e Welles respondeu que era um gravador de som direto, algo que fomos ter no Ceará apenas nos anos 80″, conta, entusiasmado. Na ocasião, L.G. tinha dez anos de idade. “A partir daí, cinema passou a ser paixão”, confessa o crítico. Não por acaso, Orson Welles está na lista de seus cineastas favoritos.

Alguns anos depois, o crítico conheceu outra figura cuja influência foi fundamental em sua carreira – o jornalista e também crítico de cinema Darcy Costa (1923 – 1986), criador do Clube de Cinema de Fortaleza (um dos clubes de cinema pioneiros no País). “Foi na inauguração do Clube, em fevereiro de 1949. Na ocasião conheci e fiz amizade com Darcy Costa, um grande conhecedor do cinema. Foi quando vi que, além de ver filmes, precisava estudá-los”.

Os primeiros artigos publicados de L.G, em 1953, foram justamente sobre o Clube de Cinema de Fortaleza. Ao longo dos anos, inúmeros filmes e diretores passaram pelo crivo do autor, que costuma assistir ao mesmo título várias vezes antes de escrever sobre ele.

Função

Em relação ao seu ofício, L.G. acredita que o papel do crítico de cinema é abrir horizontes de entendimento e de conhecimento para espectador, “porque nem todo mundo estuda o tema com profundidade”, ressalta. “No mercado, talvez o crítico contribua para melhorar o nível das produções”, opina.

Para ilustrar melhor a função, o autor cita o filme Morangos Silvestres, clássico do sueco Ingmar Bergman. “Na história, um professor de 78 anos vai receber uma homenagem. Antes da cerimônia, sonha que está andando na rua e vê um relógio sem ponteiros”, destaca. Segundo o crítico, trata-se de uma referência à morte, a representação do tempo esgotando-se na vida do personagem.

Aposentado do Banco do Nordeste e da Universidade Estadual do Ceará, L.G. ministrou diversos cursos voltados ao cinema. É justamente esse interesse por passar o conhecimento adiante que atualmente inspira seu próximo projeto. “Quero preparar um manual prático de ´ler´ cinema, voltado à compreensão dos significantes visuais. É um desafio grande. Talvez, depois dele, não faça mais nada”, brinca o crítico.

ADRIANA MARTINS
Repórter do Caderno 3/Diário do Nordeste

Semana é de Cinema no Piauí

5º ENCONTRO NACIONAL DE CINEMA DE FLORIANO Começa HOJE  

Desde 2006, o Encontro de Cinema e Vídeo dos Sertões – originado nas mostras promovidas durante as oficinas de audiovisual realizadas em cidades do interior do estado do Piauí, entre setembro de 2006 e dezembro de 2008, nas cidades de Redenção do Gurguéia, Picos e São Raimundo Nonato – vinha difundindo em seu estado-sede obras produzidas por Pontos de Cultura e produtoras independentes. Em 2009, com apoio da Petrobrás, o Encontro foi elevado à categoria de Nacional, abrindo as portas para qualquer realizador oriundo de todos os estados da federação.

O Encontro acontece de 16 a 20 deste novembro na cidade de Floriano, sendo o pioneiro no Piauí, e um dos principais encontros de cinema do Brasil, pois exibe obras audiovisuais de Pontos de Cultura e produtoras independentes, profissionais e amadoras de todo o país.

Ano passado, o Encontro reuniu a comunidade cinematográfica dos estados do Piauí, Ceará, Maranhão, Tocantins, Pernambuco, Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Brasília. Teve uma programação de 61 filmes exibidos ao longo de duas semanas e foi dividido em duas mostras: uma não competitiva e uma mostra de vídeos competitiva.

Para esta edição, o festival terá muitas novidades: uma delas é a mostra não competitiva Piauí na Tela, na qual serão apresentados filmes produzidos no Piauí.

O objetivo desta mostra é divulgar obras piauienses seguindo o lema O Piauí Também Faz Cinema. O 5º Encontro visa também a alavancar o cinema piauiense no mercado cinematográfico nacional.

MOSTRA COMPETITIVA

Na 4ª edição – 2009, o evento reuniu cinqüenta e cinco obras que representaram as cinco regiões brasileiras, mostrando o que há de melhor em cada canto do país. Neste ano, foram 183 inscrições, das quais 16 foram selecionadas.

A mostra competitiva se divide em três categorias englobando ficção e documentário: Curta-Metragem Produtoras Independente, Curta-Metragem Pontos de Cultura e Longa-Metragem Nacional.

Curta-Metragem de Produtores Independente

Segundo a ANCINE, curtas-metragens são filmes com duração inferior a 15 minutos. Esse formato ganhou expansão no Brasil desde os anos 1970, por ser uma produção mais acessível. Atualmente, é utilizado em documentários, filmes de estudantes de cinema e de pesquisa experimental, todos produzidos por produtores independentes de qualquer instituição governamental. 

Espaço Cultural Maria Bonita

De 16 a 20 de novembro

Sempre às 19:30h 

Dia 16/11 – Incenso 

Dia 17/11 – Balé Das Coisas 

Dia 17/11 – Oxianureto De Mercúrio

 Dia 18/11 – Em Uma Noite Escura As Rosas São Amarelas 

Dia 19/11 – Um Animal Menor 

Dia 20/11 – Doce De Coco  

Curta-Metragem Pontos de Cultura

Para os Pontos de Cultura – programa implantado em 2004 pela Secretaria de Cidadania Cultural – SCC, para fomentar e difundir a cultura brasileira -, produzir é uma prova de persistência que é posta a prova a cada segundo. Com recursos e equipamentos limitados, os Pontos de Cultura vem enfrentando dificuldades e aumentando consideravelmente a quantidade de obras cinematográficas produzidas no país. Sendo uma das primeiras mostras produzidas pelo Encontro, a categoria permanece, mostrando a todos que comparecem às exibições que Pontos de Cultura fazem produções com qualidade e competência. 

Espaço Cultural Maria Bonita

De 16 a 20 de novembro

Sempre às 20:00h 

Dia 16/11 – Lá Vem A Barra Do Dia 

Dia 17/11 – Rodagem 

Dia 18/11 – Artesãs Da Vida 

Dia 19/11 – Tebei 

Dia 20/11 – Os Sonhadores 

Longa-Metragem Nacional

Classificada como longa-metragem obra cinematográfica com mais de 70 minutos de duração, esse estilo de produção é o mais comum no mercado atual. O Encontro receberá filmes oriundos de Pontos de Cultura ou produtores independentes. 

Espaço Cultural Maria Bonita De 16 a 20 de novembro

Sempre às 20:30h 

Dia 16/11 – Os Inquilinos 

Dia 17/11 – Corpos Celestes 

Dia 18/11 – Um Lugar ao Sol 

Dia 19/11 – Em Teu Nome 

Dia 20/11 – Um Homem De Moral

Cena de Os Inquilinos, filme de Sérgio Bianchi que será exibido em Floriano 

Os selecionados terão suas exibições abertas ao público, o que oferece às obras a oportunidade de serem apreciadas pelo público, e, mesmo que não sejam premiadas com o Cacto de Ouro, já são vencedores somente pelo fato de sair do seu estado e se fazer conhecer por outras culturas.

MOSTRA NÃO-COMPETITIVA

Uma das grandes oportunidades de difusão da cinematografia brasileira são as Mostras, sejam elas competitivas ou não. O Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões proporciona duas ocasiões favoráveis para os cinéfilos, ou somente apreciadores da Sétima Arte, deliciarem-se com novas e velhas obras: as mostras competitivas e as não-competitivas, sendo esta última com cinco categorias disponível para que todos tenham a oportunidade de ver o melhor do cinema brasileiro.

Mostra Infantil

O público infantil tem sempre seu lugar marcado no Encontro, com filmes educativos que valorizam princípios às vezes esquecidos numa sociedade que possui suas bases fundadas na tecnologia e na informação. Os curtas-metragens ensinam ludicamente as crianças de hoje a serem os cidadãos de amanhã. O Cineclube Amigos da Biblioteca, parceiro do Encontro, reuniu um minucioso acervo criteriosamente selecionado para agradar crianças de todas as idades, em dois espaços amplos e confortáveis, a fim de melhor atender à demanda. 

Biblioteca Ailda Cunha

De 17 a 19 de novembro

Sempre às 09:00h 

Dia 17/11 – Gilda e Gilberto

                         Bartô

                         A Bruxinha Lili

                         O Povo Atrás Do Muro 

Dia 18/11 – O Vento

                         O Veado e a Onça

                         Docinhos

                         Calango

 Dia 19/11 – Pajerança

                         Ícarus

                         Rua das Tulipas

                         Frankstein Punk 

Espaço Cultural Maria Bonita

De 17 a 19 de novembro

Sempre às 9:00h 

Dia 17/11 – O Cavalinho Azul 

Dia 18/11 – Castelo RA-TIM-BUM 

Dia 19/11 – Os Xeretas 

Mostra – Cinema Nacional Contemporâneo  

O mapa sociopolítico do Brasil muda constantemente, e cabe aos diretores e produtores de cada geração transpor nas telas essas modificações. A mostra Cinema Nacional Contemporâneo exibirá obras nacionais com temas atuais, mesmo sendo produzidos em 1982 ou em 2008. Em parceria com o Cineclube Cultura ao Alcance de Todos, o Encontro apresentará filmes distribuídos pela Programadora Brasil e apoiados pela Ação Cine Mais Cultura, do Ministério da Cultura.  As obras mostram quão vivo está o Brasil de 30 anos atrás.

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnológica do Piauí – IFPI

De 17 a 20 de novembro

Sempre às 9:00h 

Dia 17/11 – Quase Dois Irmãos

 Dia 18/11 – Eu Me Lembro 

Dia 19/11 – De Passagem

 Dia 20/11 – Durval Discos

 

Caco Ciocler e Flávio Bauraqui em cena de Quase Dois Irmãos

Mostra – Pontos de Cultura

Devido à demanda audiovisual produzida em Pontos de Cultura ser bastante intensa, o Encontro optou por abrir mais uma mostra nesta 5ª edição, a dos Pontos de Cultura, usados muitas vezes como elo de comunicação entre as comunidades onde se encontram e o restante do Brasil, redescobrindo o país pelo olhar experiente destas entidades, exibidos através de cada obra produzida.

 Espaço Cultural Maria Bonita

De 17 a 20 de novembro

Sempre às 15:00h 

Dia 17/11 – Sonho de Mármore 

Dia 18/11 – Pagode Zabé Fulô 

Dia 19/11 – Arraiá de Nós Tudim 

Dia 20/11 – Catadora de Pequi 

Mostra – Piauí na Tela

Limitado pela falta de recursos e de equipamentos o Piauí não se deixa abater mantendo sempre ativa uma produção audiovisual extremamente relevante para o crescimento sociocultural do estado. Nesta mostra foram organizadas um pouco do imenso acervo existente até o momento. Sempre com comentários de seus realizadores, as exibições almejam apresentar aos espectadores um Piauí que vai muito além da seca e das dificuldades mostradas nos telejornais, um Piauí que é feito por um povo guerreiro que transpõe barreiras em busca de seus ideais lutando com competência e criatividade para usar tudo que se tem a favor da Sétima Arte

Espaço Cultural Maria Bonita

De 17 a 20 de novembro

Sempre às 15:30h 

Dia 17/11 – Três Pessoas, Um Destino E Um Desatino 

Dia 18/11 – Corpúsculo 

Dia 19/11 – Dona Maria 

Dia 20/11 – Aí Que Vida 

Mostra – Espanha em Verde e Amarelo  

Desde a edição 2009, os realizadores do encontro realizam também – dentro da mostra não-competitiva – a categoria internacional. Ano passado, devido às comemorações do ano da França no Brasil, o Encontro fez a mostra França em Verde e Amarel. Este ano, a Espanha trará toda sua paixão e intensidade às salas, levando ao público um pouco mais da cultura flamenca que tanto encanta platéias do mundo inteiro, com suas paixões arrebatadoras, histórias surpreendentes, seus artistas com um talento nato para o melhor que o drama pode oferecer.

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnológica do Piauí – IFPI

De 17 a 20 de novembro

Sempre às 15:30h 

Dia 17/11 – Bienvenido, Mister Marshal 

Dia 18/11 – Solas 

Dia 19/11 – Tierra 

Dia 20/11 – Ibéria 

Oficinas e Seminários 

A formação de um profissional é o fator mais almejado por quem trabalha na área do audiovisual, seja através de oficinas ou seminários. Tendo consciência disso, o Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões preocupa-se com a qualidade profissional dos participantes, sempre proporcionando oportunidades únicas de se obter conhecimento gratuitamente e da melhor qualidade. Na edição 2009, o Encontro trouxe nomes como Carlos Ebert (Direção de Fotografia), Luciana Bueno (Direção de Arte) e Verônica Saenz (Linguagem de Edição). Este ano não será diferente: técnicos nacionalmente reconhecidos estarão em Floriano/PI, cidade-sede do evento, para transmitir o máximo de suas experiências, adquiridas em anos de profissão.

Os seminários desta edição serão realizados em instituições de ensino, facilitando ainda mais o acesso à informação de qualidade, emergindo temas importantes na discussão da cinematografia brasileira, abrindo espaço ao público debater as questões apresentadas pelo mediado,r onde este se permite ser sabatinado.  

Oficina – Roteiro Cinematográfico

Facilitador – Bruno Passeri

Data – 17 e 18 de novembro

Horário – 8:00h às 12:00h –  14:00h às 18:00h

Local – Cine – Teatro Cidade Cenográfica 

Oficina – Realização em Curta Documental

Facilitador – Claudio Gonçalves

Data – 17 a 20 de novembro

Horário – 8:00h às 12:00h –  14:00h às 18:00h

Local – Cine – Teatro Cidade Cenográfica 

Oficina – Formatação em Projeto Audiovisual

Facilitador – João Junior

Data – 19 e 29 de novembro          

Horário – 8:00h às 12:00h –  14:00h às 18:00h

Local – Cine – Teatro Cidade Cenográfica 

Seminário – Cinema Espanhol Contemporâneo

Mediador – Ignácio Ortega Campos

Data – 19 de novembro

Horário – 15:30h

Local – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnológica do Piauí – IFPI 

Seminário – O Lugar do Audiovisual na Sociedade Contemporânea

Mediador – Sergio Rizzo

Data – 19 de novembro 

Horário – 19:00h

Local – Universidade Estadual do Piauí – UESPI 

SHOWS

Uma das novidades este ano são shows a serem realizados sempre após o último filme exibido, fechando o dia inteiramente absorvido de informação com entretenimentos agradáveis que farão da noite um caleidoscópio de alegria, diversão e energia. Com bandas legitimamente piauienses, as atrações prometem não deixar ninguém parado. 

Espaço Cultural Maria Bonita

De 17 a 20 de novembro

Sempre às 22:00h

 Dia 16/11 – Gonzaga Lú e Trio Asa Branca

Dia 17/11 – Vavá Ribeiro 

Dia 18/11 – Dj Momo 

Dia 19/11 – Apresentação Teatral 

Dia 20/11 – Anderson Rodrigues e Banda 

Participações Especiais

Como não poderia deixar de ser, o Encontro terá a participação de pessoas de renome nacional, tais como Mário Lopes (roteirista do filme Corpus Celeste), Fernando Henna (diretor de som do filme Um Homem de Moral e Sérgio Bianchi (diretor do filme Inquilinos). 

O evento objetiva divulgar, exibir e premiar obras audiovisuais de curta e longa-metragens de ficção ou documentários, apresentando parcela significativa da recente produção brasileira; formar uma platéia consciente, com reunião de profissionais de cinema discutindo questões pertinentes ao tema, promovendo encontros, seminários, debates, oficinas, palestras, cursos de formação teórica e prática, além de contribuir para difusão das obras selecionadas. 

O Encontro abre novas portas para o cinema brasileiro, tornando-se definitivamente o maior evento do setor voltado a artistas estreantes. A quinta edição do Encontro conta com apoio da Petrobras, Ministério da Cultura, Secretaria da Cidadania Cultura, Governo Federal. Como realizadores, o Pontão de Cultura “Cultura Viva ao Alcance de Todos” e Escalet Produções Cinematográficas.

Os Filmes da Minha Vida…

 

Personalidades falam sobre
seus filmes prediletos

 

Organizado por Leon Cakoff, Cinema de Seduções – Os Filmes da Minha Vida 2, editado em conjunto pela Imprensa Oficial e Mostra de Cinema, dá sequência ao volume lançado no  ano passado e traz depoimentos de Luiz Carlos Merten, Ugo Giorgetti, Serginho Groisman, Suzana Amaral e Gilberto Dimenstein, entre outros.

Lançamento acontece dia 3, às 19 horas, na Central da Mostra, no Conjunto Nacional, São Paulo

Serginho Groisman, Sergio Machado, Luiz Carlos Merten, Eliane Caffé, Suzana Amaral, Ugo Giorgetti, Marcelo Gomes, Isay Weinfeld e Gilberto Dimenstein. Pelo segundo ano consecutivo a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e a Mostra Internacional de Cinema reúnem um time de cinéfilos fanáticos e lançam “Cinema de Seduções – Os Filmes da Minha Vida 2”, livro com depoimentos de personalidades brasileiras ligadas à Sétima Arte sobre seus filmes inesquecíveis.

Para o cineasta Ugo Giorgetti, os filmes da sua vida estão ligados à sua própria biografia. “No fundo você busca a si mesmo no filme; o que o filme fala – não dele – mas de você”. Entre os longas-metragens que o diretor elege está o western “O Matador” (The Gunfighter, 1950), de Henry King. “Vi este filme com Gregory Peck e saí do cinema encantado. Ele ficou muito tempo na minha cabeça como um dos maiores filmes que eu tinha visto na vida”.

O cineasta e arquiteto paulistano Isay Weinfeld atribui ao seu professor de português no colégio Rio Branco de São Paulo o seu despertar para o cinema. “Ele era fanático. Parava a aula e levava a classe inteira para um auditório para assistir a alguma coisa que ele achava relevante. Foi assim que vi ‘Morangos Silvestres’ (Smultronstället, 1957), do Bergman, pela primeira vez, um filme que mudou a minha vida”, conta.

O crítico Luiz Carlos Merten também participa deste volume e lembra que, caso tivesse que eleger um único filme da sua vida, optaria por “Rocco e seus Irmãos” (Rocco i suoi Fratelli, 1960), de Luchino Viscondi. “Quando vi ‘Rocco’ pela primeira vez, eu não tinha capacidade para absorver tudo o que o filme queria dizer. Era muito jovem, tinha 12 anos. Depois disso sempre revi a película. Hoje, sou um cara de 64 anos, e o ‘Rocco’ foi crescendo comigo e eu o tive sempre como uma referência de um tipo de cinema politizado, humanista, que sempre foi o que me fascinou”, justifica.

Foi ainda mais novo que o apresentador Serginho Groisman teve seu primeiro contato com a telona. “Tão logo meus pais reconheceram a possibilidade de eu ser um espectador, começaram a me levar ao cinema e a gente acabou criando um cotidiano sistemático de ir sempre aos domingos”, recorda. Começou com os filmes infantis e desenhos animados no Cine Metro que existia na Avenida São João no Centro de São Paulo. Desta época, Serginho lembra-se de um filme chamado “Trapézio” (Trapeze, 1951, de Carol Reed). “Era um filme sobre circo, com Tony Curtis e eu me apaixonei pela protagonista interpretada por Gina Lollobrigida. O cinema ficava a duas ou três quadras de casa, eu voltei falando para minha mãe que estava apaixonado. A primeira paixão da minha vida foi uma atriz de cinema”, confessa.

O roteirista e diretor Sérgio Machado destaca o filme “Rastros de Ódio” (The Searchers, John Ford, 1956) e lembra a primeira vez que lhe perguntaram sobre o filme de sua vida. “Foi no Festival de Cannes, quando lancei o ‘Cidade Baixa’ (2005). Um colunista inglês do jornal The Telegraph me fez a pergunta: ‘se você tivesse que salvar um filme só da história do cinema, qual você salvaria?’. Para esse cara lá em Cannes, eu escolhi ‘Rastros de Òdio’, um filme pelo qual eu sou absolutamente apaixonado, mas poderia ter escolhido ‘Os Sete Samurais’ (Akira Kurosawa, 1954) ou ‘Encouraçado Potemkin’ (Sergei Eisenstein, 1925)”, observa.

Encerrando o volume, o jornalista Gilberto Dimenstein fala da importância de “Iracema – uma Transa Amazônica” (1976), de Jorge Bodansky. O filme conta a história de um caminhoneiro que leva uma nativa em seu caminhão, uma índia prostituída. “Quando ainda estudava na PUC, vi este filme. Nunca mais me esqueci das imagens do caminhoneiro com a menina. Só que eu não sabia que essas imagens iriam produzir, muito tempo depois, uma das minhas mais importantes reportagens. Durante o ano de 1991 investiguei a prostituição infantil no Brasil, descobrindo meninas mantidas como escravas”, relata.

 

 Imprensa Oficial

Cinema de Seduções – Os filmes da minha vida 2
Org.: Leon Cakoff
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Mostra Internacional de Cinema
240 páginas
Preço: R$ 30,00
Local: Conjunto Nacional
Endereço: Av. Paulista, 2.073
Data: 03/11 (quarta-feira)

 
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FEMINA Vai Homenagear Alice Gonzaga

O FEMINA – Festival Internacional de Cinema Feminino será aberto dia 8 com apoio da CAIXA Cultural do Rio de Janeiro e AVON.

A abertura da sétima edição acontece segunda, no Cinema Odeon Petrobras às 21h, com a exibição do primeiro longa de ficção da diretora norueguesa Margreth OlinO ANJO (Engelen), comovente relato de uma jovem viciada, interpretada por Marie Bonnevie.

A diretora virá ao Brasil para a abertura e para participar de debate promovido pelo FEMINA.

Para o público, o festival começa dia 8 e segue até dia 13 , com entrada franca, nos cinemas 1 e 2 da CAIXA Cultural (RJ).

Como todos os anos, o FEMINA presta tributo a uma personalidade feminina do cinema brasileiro. Este ano a homenageada é Alice Gonzaga, diretora da CINÉDIA – estúdio mais antigo do Brasil.

Conhecida como uma das maiores produtoras do país e referência no trabalho de preservação e restauração de filmes, Alice Gonzaga terá dois de seus curtas-metragens exibidos: Memórias de Carnaval e Canção de Amor (sobre Gilda de Abreu e Vicente Celestino). A exibição será dia 13, antecedendo a entrega dos vencedores das mostras competitivas do FEMINA.
Da mesma forma, todos os anos o FEMINA convida um país para apresentar programas de filmes que representem sua cinematografia. O país convidado este ano é a Dinamarca, contando com apoio do Instituto Cultural da Dinamarca.

O FEMINA – Festival Internacional de Cinema Feminino é o primeiro evento do gênero no Brasil e foi criado para destacar o trabalho de mulheres no cenário cinematográfico brasileiro e mundial. 

Criado em 2004, o festival insere-se como primeiro festival de filmes dirigidos por mulheres no Brasil e América Latina. Desde então, acontece anualmente, no Rio de Janeiro, e já realizou itinerâncias e mostras especiais em Niterói, São João de Meriti, Volta Redonda e Barra Mansa (RJ), Fortaleza (CE), Corumbá (MS), Goiânia (GO) e João Pessoa (PB).

Já homenageou as atrizes Betty Faria e Helena Ignez, as diretoras Tizuka Yamasaki, Ana Carolina, Carla Camurati, Beth Formaggini, a escritora Rose Marie Muraro e a fotógrafa Cláudia Ferreira. Já apresentou mostras dos festivais de Cannes e Films de Femmes, da França; Femme Totale, Alemanha; Immagine Donna, Itália; La mujer y el Cine, Argentina; Mujer es Audiovisual, Colômbia; Foco Portugal, VideoArtes Iranianos, As She Likes It, Áustria. E já contou com a participação de ministras brasileiras e latino-americanas, atrizes, representantes de organismos internacionais, diretoras, jornalistas e outras convidadas em seu Fórum de Debates.

Alice Gonzaga, curadora e coração da CINÉDIA: Homenagem no FEMINA

A Homenagem do FEMINA este ano merece APLAUSOS pois muito merecida: reconhecer a atuação incansável de ALICE GONZAGA, responsável pela CINÉDIA (companhia cinematográfica criada pelo jornalista, diretor e produtor Adhemar Gonzaga em março de 1930), é um exemplo que as novas gerações devem perseguir. Afinal, a memória audiovisual de um país é a própria memória de sua história e o que Alice Gonzaga vem fazendo pelo patrimônio audiovisual brasileiro é dihno dos maiores encômios.

Festejem-se pois estes 80 da CINÉDIA e a dedicação integral de Alice Gonzaga à Sétima Arte.