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Em Gramado, o Brasil é mais Cinema !

Na adorável cidade gaúcha, que em agosto vira a Capital do Cinema, tudo concorre para o êxito do histórico Festival…

       E viva o Tapete Vermelho… 

Cada Festival de Cinema tem seu perfil definido. O de Gramado, sobretudo, um dos mais antigos do país, tornou-se tradicional como o mais charmoso, elegante, “estrelado” e glamuroso do país. Acho ótimo termos um festival assim. Afinal, se os americanos podem, os franceses fazem, os alemães também têm um, e o Cinema é mesmo a Sétima Arte, cercada de mistérios e magias, por que no Brasil também não podemos ter uma festa de luxo, beleza, charme e tapete vermelho para celebrar quem nos conduz a tantos lugares através de algumas horas numa sessão de cinema?

O KIKITO, troféu mais cobiçado do Cinema Brasileiro…

Tem gente que não gosta de se sentir destacada, alvo de muitos olhares, elevada de repente ao status de estrela. E tudo isso acaba acontecendo, de um modo ou de outro, porque em Gramado tudo termina virando meio cinematográfico mesmo. Não só as belezas naturais e arquitetônicas favorecem: também as paisagens lindas da cidade, as flores de matizes tão vivos e modelos tão diversos, as mudanças climáticas improváveis que sempre sobem à serra junto com os participantes e os muitos interessados no festival e contribuem para o vestuário elegante… Porque para adentrar o histórico e aconchegante Palácio dos Festivais é preciso atravessar o longo tapete vermelho da rua coberta, numa passarela ladeada por cordas, atrás das quais um número enorme de pessoas assiste e espera à passagem dos grandes ídolos e ídolas do Cinema Brasileiro.

Sobretudo na noite de sábado, dia da solenidade de entrega dos Kikitos, quando a cidade amanhece lotada, este número que se acotovela ante a passarela vermelha, é elevadíssimo. Pra nós que fazemos o blog AURORA DE CINEMA, este é um dado animador. Acho bárbaro saber: numa pequena cidadezinha do Brasil, todos os anos, durante uma semana, os habitantes vivem em função do Cinema produzido no país, e turistas de todas as partes acorrem à serra gaúcha na saudável expectativa de conhecer de perto os astros conhecidos apenas da tela, da telinha ou da telona. Não importa.

Vale a presença entusiasmada das pessoas, alegrando o festival, embelezando a cidade, contribuindo com a vontade dos patrocinadores de continuar investindo no Festival (e também em novos filmes), fazendo circular a economia gramadense, deixando satisfeitos donos de hotéis, pousadas, restaurantes, as casas de artesanato, vinho, queijo, as deliciosas chocolaterias – um pecado confesso ! Vou a Gramado há muitos anos e admito achar um luxo ver tanta gente aplaudindo nossos Artistas – não importa que, entre esses, muitas vezes não estejam os meus preferidos. Vale constatar, anualmente,  a presença de uma quase multidão, que fica horas ali no entorno do Palácio dos Festivais querendo ver/tocar/conhecer/pegar no seu artista preferido. E que, meses antes da realização do Festival, a procura de reservas nos hotéis e pousadas já é enorme.

Imagina se a cada mês, uma cidade do país pudesse se orgulhar de conseguir o mesmo feito… Já pensou se deparar a todo instante com alguém na rua querendo fotografar ou ser fotografado com uma ‘versão fake’ do troféu do Festival, seja em forma de chocolate, de chaveiro, cachecol, luva, manta, meia, em pequenas versões, ou querendo levar pra casa (para presentear, relembrar ou para enfeitar um cantinho da casa), uma réplica da estatueta com cara de sol-em-flor rindo a todo momento e de qualquer ponto de onde se olhe? Já pensou quando outros festivais do país tornarem igualmente tão popular o seu troféu?

O Cinema Brasileiro ganharia a cada mês um novo ânimo e, quem sabe, os prováveis patrocinadores de cada cidade passassem a olhar a Cultura como uma coisa necessária. Daí a um tempo teríamos, então, uma grande corrente de pessoas contribuindo, afetiva e financeiramente, para a realização de mais e mais filmes no Brasil.

Questiona-se: isso não é cinema, é vitrine. Os filmes concorrentes têm cada vez menos qualidade, os grandes diretores não querem mais colocar seus filmes para concorrer, o público não é maior nos circuitos comerciais para filmes vencedores em Gramado, etc, etc… Bom, ainda que sejam verdadeiras algumas dessas colocações, esses são outros olhares sobre um tema que tem um foco principal: o Respeito ao Cinema e o prosseguir Fazendo Cinema.

Não se pode deixar de reconhecer: é muito bela e imponente a festa de entrega dos Kikitos. É emocionante conferir a satisfação de quem recebe o troféu tão bonito como o Deus do Bom Humor, criado por Elizabeth Rosenfeld em meados dos anos 60, espalhado de forma tão carinhosa por toda a cidade.

Aurora, Denise e Sirmar (2)

A jornalista Aurora Miranda Leão entre a produtora carioca Denise Del Cueto e o ator gaúcho Sirmar Antunes numa das edições do Festival de Gramado…

Quando estou em Gramado, o Brasil me cheira mais Cinema. A movimentada semana do Festival é um momento de encontro especial para realizadores da Sétima Arte de todo o país. Estar na solenidade de entrega dos Kikitos parece reacender sempre a chama em defesa do Cinema Brasileiro.

Torcer pelos filmes, gostar mais desse ou daquele, aplaudir um voto acertado, uma cena marcante, a expectativa pelos resultados, o Palácio dos Festivais lotado, a incerteza de conseguir ou não um lugar pra sentar… tudo constrói uma aura mágica em favor do nosso fazer Cinema e também da troca de experiências culturais entre povos latinos.

A e Rosa  Gramado 2008

Rosamaria Murtinho e a jornalista Aurora de Cinema na edição de 2008…

Saímos do Palácio dos Festivais já esperando o Festival do ano que vem, com saudade do que passou e com a impressão, ainda que passageira ou passional, de que o nosso Cinema tem fôlego para muito mais. E esta renovação de esperança e afirmação de crença no Cinema Brasileiro é o grande trunfo do Festival de Gramado – Cinema Brasileiro e Latino.

Sky

Campos do Jordão vai destacar comédias de Cinema

 

I Festival Internacional de Cinema Mais de 150 filmes inscrevem-se no I Festival Internacional de Cinema de Campos do Jordão – FESTCOM
 
Entre os dias 27 de abril e 5 de maio, a Sétima Arte vai subir a Serra da Mantiqueira para a primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Campos do Jordão. 

A comédia é o fio condutor do festival, que recebeu inscrições de mais de 150 produções nacionais e internacionais para a mostra competitiva. Os filmes, em fase de seleção pelo curador do festival, André Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som – MIS-SP, serão exibidos em sessões gratuitas (www.cinemaemcamposdojodao.com.br).

Além da mostra competitiva, haverá homenagem ao centenário de Amácio Mazzaropi, com a exibição de filmes que fazem uma retrospectiva da carreira do Jeca-Tatu. Será exibido também o longa Tapete Vermelho (2006), estrelado por Matheus Nachtergaele, mais um tributo a um dos maiores comediantes do cinema brasileiro. Os 50 anos de morte de Marilyn Monroe também serão lembrados, com a apresentação da premiadíssima comédia musical Quanto Mais Quente Melhor (1959), do cineasta Billy Wilder.

Mazzaropi será alvo de homenagem em Campos do Jordão…

Para a criançada, o Festival reservou uma seleção de filmes de humor, sucesso nos dez anos da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Eles também serão exibidos, gratuitamente, para 14.000 alunos de escolas da rede pública de ensino.

Palestras e oficinas de audiovisual e animação fazem parte da programação especial. As crianças poderão criar um pequeno filme de animação e o público interessado poderá optar por conhecer um pouco mais sobre o mundo do cinema. O produtor Antônio Leal, vice-presidente do Fórum dos Festivais, fala sobre A importância dos Festivais de Cinema para as Cidades que os Sediam, com um panorama sobre os principais eventos do gênero e sua repercussão econômica e social. O diretor e produtor Henrique de Freitas Lima, sócio da Cinematográfica Pampeana, fala sobre Coproduções Internacionais com foco no Mercosul e As diversas fontes de fomento do audiovisual brasileiro. O cineasta e curador do festival, André Sturm, apresenta o tema Cinema de Comédia, focado na participação do gênero cinematográfico no cenário audiovisual do Brasil.

Competição

O público será o grande protagonista da mostra competitiva. Os dois prêmios mais importantes do festival serão escolhidos por voto popular: melhor longa-metragem – R$ 30 mil, e melhor curta-metragem – R$ 5 mil. O júri convidado é composto por expoentes do cinema nacional como a diretora Tata Amaral, a produtora Denise Gomes, a atriz Luciene Adami, o diretor Henrique de Freitas Lima e o cineasta Paulo Sacramento, que vão eleger outros cinco curtas, com prêmios individuais de R$ 3 mil.

Dos filmes inscritos, serão selecionados 15 longas e 15 curtas para a mostra competitiva. A programação completa do festival será divulgada depois do dia 13 de abril, depois da seleção dos filmes concorrentes.

O Festival Internacional de Cinema de Campos do Jordão é uma realização da Confraria da Comunicação e da Kling & Associados, com apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio do Programa de Ação Cultural (PROAC), e patrocínio do Instituto Elektro, Lorenzetti, Aché, Clariant, Lenovo e Baden Baden.