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Djin Sganzerla faz últimas apresentações de O Belo Indiferente…

Atriz está em cartaz no SESC Consolação em atuação magnânima. Espetáculo tem direção de Helena Ignez e André Guerreiro Lopes

É tão esmeradamemte bem cuidada a atuação de Djin Sganzerla para a cantora carente, insana, perturbada e sofrente da peça escrita por Jean Cocteau que é difícil não cair no lugar comum ao pretender dizer qualquer coisa sobre o espetáculo.

Mas deixar passá-lo em brancas linhas seria um pecado, no qual não quero incorrer.

Estive uma semana em Sampa e um dos objetivos de minha ida foi assistir à Djin no teatro. Estive na platéia muitas vezes e a cada noite fui tocada de modo diferente. Porque o grande intérprete não se repete nunca. Em geral, pulsa no ritmo dos espectadores, noutras vezes é ele quem conduz o público conforme o calibre de sua emoção.

Djin, Helena Ignez e Aurora Miranda Leão: teatro na noite paulista

O Belo Indiferente é um texto difícil. Não é fácil falar da dor da rejeição/solitude/desatenção/desamor/indiferença. Esses sentimentos carregam sempre muita dor, o que só acresce mais obstáculos ao seu desabafo, inda mais quando este é praticado em solilóquio.

Djin Sganzerla topou o desafio. Mergulhou fundo no abismo da busca interior por um personagem sofrido/sofrente, e saiu de lá com invejável fôlego. É esta a sensação que percorre o âmago do espectador que assiste a O Belo Indiferente, em cartaz no terceiro andar do espaço cultural SESC Consolação.

DJIN: beleza e maestria para falar de tristeza e rejeição…

A atriz tem a suprema sorte de carregar no sangue os genes artísticos do pai cineasta (o memorável Rogério Sganzerla) e da mãe atriz, cineasta, artista plástica, escritora, Helena Ignez. E é Helena quem assina a direção do espetáculo, compartilhada com o também ator, diretor, videomaker e grande fotógrafo André Guerreiro Lopes.

E é quase impossível uma receita dar errado quando todos os ingredientes estão certos, bem medidos, inteligentemente unidos.

O BELO INDIFERENTE que São Paulo e seus muitos visitantes podem conferir até a próxima sexta no SESC Consolação é um momento teatral de suprema relevância no contexto cultural contemporâneo. Vale a pena ser visto, mesmo por aqueles que não tem muita afeição pelo Teatro em versão monólogo.

Embora Djin esteja em cena ao lado de Dirceu de Carvalho, este não diz sequer uma palavra. O que também é ato difícil, corajoso, e digno de aplausos. Sabe lá o que ser Ator e ficar uma hora em cena ouvindo o que seu personagem ouve e não esboçar quase nenhuma reação, perfazendo toda a intensa curva dramática do espetáculo sem pronunciar sequer um Ai ? Pois Dirceu faz isso e o faz com competência. Teve a humildade necessária para assumir o papel e tem a grandeza exigida pelo eloquente texto de Cocteau. A ele também o nosso aplauso sincero.

Helena Ignez, que estreou no teatro fazendo este monólogo, teve papel decisivo na hora de indicar a montagem para Djin e André, casados na vida real, e amantes super modernos no filme Luz nas TrevasA Volta do Bandido da Luz Vermelha, cujo lançamento está agendado para maio, no Rio.

Esta aguerrida baiana que despontou para o teatro nos anos de 1960, e que em 1968 provocou uma revolução na forma de interpretar das atrizes brasileiras por sua atuação insólita, visceral e ultra transgressora no filme-marco de Rogério Sganzerla (a obra-prima O BANDIDO DA LUZ VERMELHA), tem mesmo ares de xamã, musa, e maga. Ou então deve carregar escondidinho por entre suas longas madeixas uma varinha de condão… só isso para explicar o porquê de Helena Ignez transformar em ouro tudo o que toca.

A montagem de O BELO INDIFERENTE é um acerto do começo ao fim. Impregnada do ritmo veloz destes nossos tempos, linkados em fruições de mil matizes, esta montagem ganha contornos de instalação visual, entrecortada por sons que dominam o ambiente, vindos de todos os quadrantes, dialogando com discursos visuais criados pela câmera ágil e sensível de André Guerreiro Lopes e o resultado não podia ser outro: O BELO INDIFERENTE é uma encenação inteligente e sensivelmente poderosa.

Djin Sganzerla numa cama que é o próprio retrato da lancinante rejeição…

Ainda pudesse alguém achar o texto entediante, repetitivo, doloroso de ouvir ou coisa que o valha, toda a ambiência cênica proposta por seus criadores, faz com que os aplausos ecoem de forma unânime e ninguém permaneça indiferente a este belo espetáculo. O que mais se alcança dos escólios da platéia, ou se consegue entreouvir quando as luzes de acendem, são as pessoas fazendo comentários de identificação, contando ter vivido tal situação, ou que fulana passou por isso, ou “coitada dela, ainda tá nessa…”, e coisas do tipo.

Em O Belo Indiferente, que Jean Cocteau escreveu especialmente para sua amiga, a cantora Edith Piaf, a dor do desamor e da rejeição, a facada do desafeto e da espera inútil, e o desvario do sentimento que tem como resposta a indiferença se confundem com a falta de amor próprio, com a inexistência de auto-estima, e/ou com a cegueira trágica de um ego mal resolvido ou abandonado. Tudo isso é magistralmente traduzível na cena acme do espetáculo, quando um dos símbolos do amor bem realizado, a cama, se afirma como um deserto de aspereza, iniqüidade, e morte de qualquer emoção aceitável entre duas pessoas que partilham o mesmo espaço.

A cena mais parece um quadro do genial artista belga René Magritte, de uma eloquência chocante, magnânima, necessária. Um luminar da Direção.

Não dá pra se dizer fã, apreciador, aprendiz ou estudioso de teatro ou das novas mídias e não compactuar deste momento forte, vibrante, memorável do Teatro Brasileiro.

E vamos à fabulosa equipe técnica: Simone Mina responde pela Direção de Arte, cenografia e figurinos; a iluminação cabe a Marcelo Lazzaratto; e a concepção sonora é de Gregory Slivar.

Para tornar possível a montagem, colaboram o Ministério da Cultura, a Mercúrio Produções, o Estúdio Lusco Fusco, a Sabesp e o Serviço Social do Comércio. E os colaboradores especiais são: Tufi Duek, e Casa da Sogra – Soluções Sonoras. Apoio: Gopalla Madhavi (restaurante de saborosa culinária – lacto vegetariana com sabores da Índia), Goa, Amazônia, Helaine Garcia, Dona Estética, Banana Verde, Yam, Barão da Itararé, Rota do  Acarajé, Vegacy (Cozinha Vegetariana), Cantina Luna di Capri, Cantina e Pizzaria Piolin, Planeta’s Restaurante, Alves Lavanderia e Tinturaria, Bar do Batata, e Pres Pizza.

Parabéns ao SESC pela aposta no ousado projeto de Djin, André e Helena. Um acerto com absoluto louvor !

E um abraço muito especial de PARABÉNS a esta trupe ultra charmosa e pra lá de competente que são Djin Sganzerla, André Guerreiro Lopes e a amada Helena Ignez.

Que O Belo Indiferente ganhe mais e mais palcos do país !

André Guerreiro Lopes e Djin Sganzerla constroem juntos uma bela carreira…

Enquanto não fica pronto e chega às telas o longa-metragem baseado na peça, que Helena Ignez e André Guerreiro Lopes elaboram juntos, com o auxílio luxuoso da câmera de André Dragoni, mais um jovem e promissor cineasta que o Brasil precisa conhecer.

Djin, uma Bela nada Indiferente…

Helena Ignêz diz que peça é “A radiologia de um amor infeliz”

Ela é filha de dois ilustres da Cultura Brasileira, dois ícones do nosso Cinema. Isso, por certo, deve pesar na estrada de qualquer um, e é preciso muita garra e uma luz muito especial para seguir em frente, dignificando o legado dos pais e perfazendo seu próprio caminho, longe dos ‘compromissos’ que o sobrenome forte pode transformar em cobrança.

Bonita, elegante, sensual e atriz de entrega total ao personagem, ela vem trilhando uma estrada que só dignifica e honra o eloquente legado. Embora sua trajetória exista por seus próprios méritos, é evidente a absoluta intersecção com os alicerces semeados pelos pais, e é patente que sua coerência e pungente inserção na seara cultural exista embasada naqueles, e plena das energias emanadas do ilustre casal, protagonista de uma das mais belas e férteis parcerias da cena artística nacional.

Falo de Djin Sganzerla, a jovem e bela atriz, fruto do amor da grande atriz Helena Ignêz com o polêmico e prolífico cineasta Rogério Sganzerla, jornalista, escritor e gomem de Cinema, tão cedo partido do nosso convívio.

Djin é a filha mais nova e estreou como atriz no último filme do pai, o emblemático O Signo do Caos, de 2003. De lá pra cá, vem fazendo papéis de destaque e arrebatado prêmios por muitas dessas atuações – como é o caso do filme Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi, no qual ela contracena com Gustavo Falcão (!).

Agora, Djin está em cartaz no SESC Consolação, em Sampa, com a peça O Belo Indiferente, texto escrito por Jean Cocteau especialmente para a musa Edith Piaf. A montagem  atual tem direção de André Guerreiro Lopes (marido de Djin), em parceria com Helena Ignêz, e está revestida de pitadas de irreverência na sua abordagem sobre as relações humanas, especificamente o amor.

Pouco encenada no Brasil, O Belo Indiferente registra no currículo, durante os anos 80 e 90 do século passado, atuações icônicas como as das atrizes Helena Ignez (sua mãe), Glauce Rocha e Maria Alice Vergueiro.

Apesar de tratar-se de um monólogo, a montagem atual traz dois personagens: Ela, vivida por Djin Sganzerla, e Ele (Dirceu Carvalho). Ela fala e Ele se cala. O enredo é simples. Durante uma madrugada, uma cantora espera seu amor num quarto de hotel. Seu amado Emílio, enfim, chega! Sem dizer uma palavra, anda pelo quarto, deita-se na cama e lê, tranqüilamente, seu jornal. Ela tenta por todos os meios atrair sua atenção, mas nenhuma estratégia é suficiente: ironia, raiva, sedução, confidências, denúncias, ameaças.

Como será rompida essa incômoda indiferença ? Isso é que o público saberá assistindo ao espetáculo.

Sobre a parceria com a filha, com quem já trabalhou em dois filmes e outros espetáculos, Helena diz que a vontade de acertar reina. “Dirigir um ator é sempre um ato de amor”, explica. Lopes concorda e não reclama de ter a sogra como parceira. “Está sendo muito natural. Cada um traz para a montagem o que tem de melhor”.

Djin Sganzerla segue os passos da mãe, a eterna musa Helena Ignêz

Todos concordam: a experiência e familiaridade de Helena com a obra ajudaram na hora de dar profundidade ao drama da personagem. Além de ter feito Djin recordar da primeira vez em que viu a mãe encenando: Eu era pequena. Tive medo que aquele homem machucasse a minha mãe”, conta. Medo de comparações, ela não tem. “Deixo qualquer pressão para trás.”

Para aproximar o público do casal problemático, o cenário coloca a plateia dentro do espaço cênico, o qual serve como quarto e mente da cantora. “Assim, é mais fácil perceber a grande questão: o que faz uma mulher linda e inteligente não se desprender dessa relação ruim ?”, conclui Lopes.

Contracenando com o marido André Guerreiro Lopes em Luz nas Trevas, longa dirigido pela mãe, Helena Ignêz, e Icaro Martins

André Guerreiro Lopes diz buscar ressaltar a atemporalidade e dramaticidade poética do texto.

“Fugimos de um enfoque naturalista para retratar a situação de uma mulher em crise e seu amante num quarto de hotel. Ao invés de ‘trazer para os dias de hoje, buscamos o que existe de profundamente humano neste amor obsessivo…”.

A montagem original, que estreou em Paris em 1940 com atuação de Edith Piaf, causou controvérsias entre o público da época. Traduzida para todas as línguas, o texto foi encenado por grandes atrizes do mundo.

Djin já foi premiada pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor atriz de 2008 por sua atuação no filme Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi, o qual também lhe rendeu prêmio no Festival de Cinema Luso Brasileiro, em Portugal.

Djin Sganzerla recebendo elogios significativos por sua atuação em O Belo Indiferente…

Serviço
O BELO INDIFERENTE

Temporada – Quintas e sextas, às 21 horas. – 60 minutos. Até 16 de dezembro.
Ingressos – R$ 10,00; R$ 5,00 (usuário matriculado, estudante com carteirinha e aposentado) e R$ 2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).
Espetáculo recomendável para maiores de 12 anos.

Black na Cena Paulista

A primeira edição do maior evento da América Latina dedicado à influência da cultura afro na música reúne nomes consagrados como George Clinton, Seu Jorge, O Baile do Simonal, Public Enemy,Sandra de Sá, Racionais Mc’s, Naughty by Nature, Redman, Thaíde e Xis, entre outros.

 

Os amantes do hip hop, rap, reggae, R&B, rock, samba rock, soul e v-funk terão a oportunidade única de participar do primeiro grande festival dedicado aos gêneros já realizado no país: o Black Na Cena Music Festival, a acontecer de 22 a 24 próximos, na Arena Anhembi, em São Paulo. 

Entre as atrações, o ícone da música negra, fundador do Parliament-Funkadelic, George Clinton, que fará seu aniversário de 70 anos no palco, assim como Public Enemy, Redman (em sua primeira visita ao Brasil), Method Man, Lee “Scratch” Perry e Naughty by Nature. Além de grandes nomes nacionais, como Seu Jorge, Sandra de Sá, O Baile do Simonal, Marcelo Yuka, Jorge Ben Jor, Racionais MC’s, Xis, Thaíde e Olodum com participação especial de Carlinhos Brown, num total de 21 atrações. (Confira line-up completo abaixo.) 

Quem estiver na Pista Premium terá acesso a Tenda Lounge, com DJs renomados, como Grand Master Ney, Projeto 4Dexx (Alex Hunt e Double C) e Reggae Raiz (China Kane & Jai Mahal), entre outros, farão o som ambiente. O Black Na Cena contará ainda com encontro de lowriders e perfomance ao vivo de grafiteiros e de B-Boys. 

Serviço:

Black na Cena Music Festival

Datas: 22, 23 e 24 de julho (sexta-feira, sábado e domingo)

Local: Arena Anhembi, Av. Olavo Fontoura 1.209 – Santana – São Paulo (SP)

 Onde comprar: Venda online: www.zetks.com

Lojas Central Surf – Shopping Interlagos, Guarulhos, Br. de Itapetininga, Tatuapé, Center Norte

Styllos Sports Wear – Shopping Metrópole São Bernardo do Campo
Florida Records – Rua 24 de Maio, 116 Loja 07, São Paulo
Condominium – Mogi Shopping, Mogi das Cruzes – São Paulo 

Mais informações: www.blacknacena.com.br

Programação:

Sexta-feira (22/7) – das 17h às 4hØ  George Clinton, fundador do Parliament-Funkadelic

Ø  Seu Jorge

Ø  Sandra de Sá

Ø  O Baile do Simonal

Ø  Tony Tornado

Ø  Farufyno

Sábado (23/7) – 12h às 4hØ  Public Enemy

Ø  Lee Scratch Perry encontra Mad Professor e Roto Roots

Ø  Olodum com participação especial de Carlinhos Brown

Ø  Pato Banton

Ø  Marcelo Yuka

Ø  Jorge Ben Jor

Ø  Black Rio convida Slim Rimografia, Criolo e Negra Li

Ø  Xis convida Marcelo Mira e Rincon Sapiência

Domingo (24/7) – 11h às 22h Ø  Method Man

Ø  Racionais MC’s

Ø  Naughty by Nature

Ø  Redman

Ø  Thaíde com Funk Como Le Gusta

Ø  Sandrão, majestade da RZO

Ø  Russo e Bocage, acompanhados pela Banda Soul 3 

 

Sobre o Black na Cena Music Festival:

Maior evento da América Latina dedicado à influência da cultura afro na música, o Black Na Cena acontece entre os dias 22 e 24 de julho, na Arena Anhembi, em São Paulo. Idealizado por Ricardo de Paula, da Entre Produções, o festival é realizado pela produtora em parceria com a Multvídeo Produções, empresa responsável pela geração de imagens em alta definição. O objetivo do evento é atrair um público eclético para celebrar de maneira plural o importante legado da cultura afro na música mundial, espalhada em diversos ritmos. Para isso, foi montada uma programação que contempla artistas nacionais e internacionais do hip hop, rap, reggae, R&B, rock, samba rock, soul, v-funk. Mais informações no site: www.blacknacena.com.br 

Sobre a Entre Produções:

Criada em 1999 pelo empresário Ricardo de Paula, a Entre Produções iniciou sua atuação na área de montagem de estruturas para evento e expandiu o negócio, trabalhando, desde meados de 2004, na concepção, planejamento e execução de eventos. A produtora atua em todo território nacional e conta com profissionais com mais de 20 anos de experiência na área de produção cultural, eventos e montagens. O portfólio da Entre conta ainda com clientes como Agência HMelillo (Ecovias, AES Eletropaulo), Agência LED/Motorola (Aniversário de São Paulo) Agência Click (Caravana vem Mercedes-Benz), 63 Mkt (Fórmula 1), Natal Iluminado, Guaimbé Bureau de Cultura (Telefônica, Volkswagen, Bradesco e Cielo), Nokia (StockCar in Concert),  Samba.Pro (Renault), SescSP, Toyota Empilhadeiras e Unique Nissan, entre outros. Mais informações no site: www.entreproducoes.com.br

 

Fábio Assunção volta ao teatro em texto de Woody Allen

Fábio Assunção prepara-se para voltar ao teatro: próximo dia 8, no Teatro Frei Caneca, em Sampa. ele sobe ao palco no espetáculo Adultérios.

 Adultérios (cujo título original é Central Park West), tem texto de Woody Allen. Afastado dos palcos há 11 anos ( a última atuação foi em  Quem tem medo de Virgínia Woolf ?, em 2000, dirigido por João Falcão), Fábio está feliz e tranquilo:
 
“Ter ficado 11 anos sem fazer teatro não é uma grande questão como colocam. Durante esse tempo, trabalhei muito, fiz televisão e cinema. Alguns textos chegaram até a mim, mas decidi focar em outras coisas. Considero fazer teatro um grande acontecimento, pois não é algo que faço toda hora, mas, quando faço, é com muito prazer. Eu me envolvo e mergulho na alma do personagem”, diz o ator, que, após apresentar duas cenas da peça ao lado de seus colegas de elenco – o veterano Norival Rizzo e a atriz, bailarina e coreógrafa Carol Mariottini -, abandonou o figurino e voltou à sala vestido com calça e sapatos pretos e a camiseta do Corinthians.

Bem humorado e simpático, Fábio brincou com os jornalistas: “escolhi minha melhor roupa para hoje”, sob gritos de apoio e vaias. Norival e o diretor, Alexandre Reinecke (Toc Toc e Trair e Coçar é Só Começar), também entraram na brincadeira e escolheram as camisetas da Portuguesa e Ponte Preta, respectivamente, para a entrevista.

A trama Adultérios se passa em Nova York, à beira do Rio Hudson, e narra o inusitado encontro entre o roteirista de cinema Jim Swain, de recente sucesso, e o mendigo Fred. Jim está à espera de sua amante, Bárbara, para terminar o relacionamento. Fred, esquizofrênico e extremamente inteligente, acusa Jim de roubar uma de suas histórias para escrever o roteiro de um novo filme. Em meio a uma divertida e tensa discussão, os dois se vêem cada vez mais próximos, até que Fred acaba se tornando um conselheiro sobre a relação de Jim e Bárbara.

Uma das grandes sacadas da peça está na alternância entre Fábio e Norival na interpretação dos dois papéis masculinos. Segundo Heinecke, a ideia surgiu logo que o texto chegou às suas mãos. “Considero essa decisão como um desafio para nós três. Isso sem contar que a contribuição dada por cada ator enriqueceu ainda mais os personagens”, afirmou. “São personagens complementares e, portanto, interpretá-los foi benéfico para nós, pois, ao fazer um, passávamos a entender mais o outro. Além disso, quando trocamos os papéis, a peça muda completamente. É como se fossem dois espetáculos, com ritmo e astral muito diferentes”, acrescentou Fábio.

Dirigir uma peça de Woddy Allen e, especificamente, Adultérios, era uma vontade antiga do diretor, que sempre pensou em Fábio como parceiro na nova empreitada.

  

“Fábio foi a primeira pessoa para quem mostrei o texto, mas, na época, infelizmente tivemos problemas com direitos autorais e o projeto ficou parado. Por sorte, no meio de 2010, após um ano e meio de negociações, consegui os direitos e convidei Fábio novamente”, diz  Heinecke. Para o diretor, a peça guarda semelhanças com o novo longa de Allen, Meia Noite em Paris. “Ambos os protagonistas são escritores que se sentem menos brilhantes do que gostariam de ser. A diferença é que, no filme, isso é explícito e, na peça, é implícito.”

Além de retornar aos palcos, Fábio Assunção comemora a boa fase pessoal e profissional. Prestes a inaugurar sua própria produtora e a voltar à televisão num episódio da série As Brasileiras, com direção-geral de Daniel Filho, o ator ainda arranja tempo para interpretar outro papel, o de pai coruja:

Dá até vontade de voltar a ser corinthiana, só por causa dele… Benza DEUS ! 

“Eu faço tudo o que for preciso, até troco fralda e dou mamadeira”, conta Fábio, que tem dois filhos: o primogênito João, de 7 anos, fruto da relação com a empresária e produtora Priscila Borgonovi, e a recém-nascida Ella Felipa, de um mês, do casamento com a publicitária Karina Tavares. 

PARAFERNÁLIOS em 298…

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Núcleo de Pesquisa Teatral OS PARAFERNÁLIOS estréia espetáculo Nº298, sobre as memórias de uma casa.

 

Próximo dia 29, no espaço Casa Contemporânea, estréia Nº 298, do Núcleo de Pesquisa Teatral Parafernálios.

O espetáculo é resultado de um ano e meio de pesquisa do núcleo, criado por alunos do curso superior de teatro da Universidade Anhembi Morumbi em 2008.

O tema central da pesquisa é a memória de uma casa e, consequentemente, dos objetos e pessoas que por ali passaram. A chave, o peão, o vestido, os vidros quebrados. A família que construiu a casa; uma madame que a perdeu após o falecimento do marido; moradores de rua que a ocupam, a prostituta que a herda e empreiteiros com projeto de demolição.

Para dar fio condutor a estas memórias está José, personagem esquecido e confuso, que transita e tenta, através de fatos e objetos, reconstituir histórias que aconteceram nesse espaço. José, interpretado por todos os atores (cada um em um momento da peça) é a representação da própria casa tentando não deixar de existir.

            Narra-se todas as ocupações e desocupações desde a construção até a demolição, de maneira poética e não cronológica. As músicas são pontos fortes do espetáculo e nascem a partir de poesias criadas pelo núcleo.

Sobre Os Parafernálios

Surgiu na Universidade Anhembi Morumbi no primeiro semestre do ano de 2008, formado por alunos do curso superior de teatro, com o intuito de pôr em prática a pesquisa adquirida dentro e fora da universidade, a partir da vivência de cada integrante do núcleo.

Sua primeira pesquisa resultou em O mistério das meias vermelhas, espetáculo infantil com linguagem de teatro popular, musicado e criado colaborativamente pelos integrantes do grupo. Premiado na MAC (Mostra de Artes Cênicas de Guarulhos) 2008, o grupo ficou em cartaz durante o segundo semestre do ano de 2008 em Guarulhos e São Paulo, apresentou em escolas públicas e particulares, projetos sociais e participou do Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Em março de 2009 teve inicio a nova pesquisa, que teve como tema gerador a memória das coisas e do lugar, e deu origem ao espetáculo Nº 268.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Os Parafernálios

Direção: Os Parafernálios

Elenco: Angela Consiglio, Edu Cesar, Jimena Peinado, Laís Loesch e Marina Gadioli.

Preparação Vocal e Direção Musical: Caroline Urias.

Apoio Artístico: Gira de Oliveira.

SERVIÇO

Nº 298

De 29 de Outubro a 14 de Novembro

Sextas e sábados às 21h. Domingos 19h.

Local: Casa Contemporânea. Rua Capitão Macedo, 370. Vila Mariana.  Tel: 2337-3015

Vamos ao Teatro !