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Delícia de Sobremesa: Vida e atuação de Emiliano Queiroz viram espetáculo teatral

Em cartaz no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, Rio, o espetáculo Na Sobremesa da Vida cumpriu breve temporada em Fortaleza, e teve casa lotada todas as noites. Por isso, deve voltar à cena cearense em teatro que leva o nome do protagonista da peça, EMILIANO QUEIROZ.

Em 60 de carreira, são mais de 300 personagens em 60 filmes, 50 peças e inúmeras novelas. Emiliano Queiroz é um Mestre: conta a história da própria vida, encenando passagens marcantes, e revivendo personagens que marcaram a história da Dramaturgia Brasileira. E o faz com absoluto domínio da cena. Ao lado dele, Ivone Hoffmann – Patrimônio do nosso Teatro -, Antônio dos Santos e a neta Ana Queiroz compõem um belo quarteto, capaz de fazer rir, emocionar, e receber aplausos em cena aberta, várias vezes.

Julinha Lemmertz foi prestigiar a estreia de Emiliano no Rio…

Essa capacidade singular de EMILIANO de conquistar adesões e cativar seguidores é cada vez mais impressionante. A confirmação disso vem através de um teatro lotado nos 4 dias em que o espetáculo dirigido pelo querido e respeitado encenador Ernesto Piccolo esteve em Fortaleza: plateia lotada, estacionamento abarrotado, cadeiras extras e gente voltando da porta, todas as noites.

Cercado de fãs: foi assim que Emiliano Queiroz ficou ao terminar a temporada de ‘Na Sobremesa da Vida’ em sua terra natal…

Emiliano Queiroz, cearense de Aracati, é uma das figuras mais queridas do Teatro, Tv e Cinema Brasileiros. Já conta mais de 70 de vida e está comemorando no palco seus 60 de carreira artística.

Em cena, o texto é sua própria história, registrada de forma lúdica e poética pela companheira Maria Letícia, cineasta premiada, poetisa e escritora de belas pérolas literárias.

A trajetória de EMILIANO QUEIROZ, na qual vida e obra se entrelaçam -como é corriqueiro entre os Artistas vocacionados, para quem não existe separação entre Vida e Arte -, resultou num dos mais bem escritos e tocantes livros da Coleção APLAUSO – meritório projeto idealizado e coordenado pelo crítico Rubens Ewald Filho para a Imprensa Oficial de São Paulo (infelizmente, encerrado abruptamente, sem qualquer explicação).

Este livro – NA SOBREMESA DA VIDA -, que se inicia com os primeiros passos de Emiliano ainda na cidade litorânea de Aracati, chegou ao cinema, em curta-metragem dirigido por Maria Letícia e exibido em alguns festivais, e agora chega ao teatro, com competente direção do também ator Ernesto Piccolo. Ao lado de Emiliano, a neta Ana Queiroz, o conterrâneo Antônio dos Santos, e a grande Ivone Hoffmann.

Tive a oportunidade de ver o filme e assisti ao espetáculo na temporada de Fortaleza. E posso dizer: Na Sobremesa da Vida é um espetáculo encantador ! Merece ser visto, por atores, não atores, gente da classe, artistas, estudantes de teatro, fãs de Emiliano e gente que quer conhecer, com olhares de poeta, alguns escaninhos onde a vida se mistura com a Arte.

Aurora Miranda Leão, Ivone Hoffmann e Maria Letícia em noite de teatro…

O espetáculo de Emiliano Queiroz, Ernesto Piccolo e Maria Letícia emocionou-me. Como eu, eram muitos sentindo igual na plateia. NA SOBREMESA DA VIDA flui com leveza, humor inteligente, e os gostos próprios de quem se aventura pelas delícias de saborear o que vem depois de um bom prato. Exatamente assim.

Ernesto Piccolo, Ivone Hoffmann, Emiliano, Ana Queiroz e Antônio dos Santos…

Ao lado da alegria por rever um Ator Magnânimo no palco, um Conterrâneo mais que querido, e um artista admirável, Na Sobremesa da Vida marca porque vem embalada em profundo sentido humanitário, temperada com comovente sinceridade, e lapidada com o condão mágico de uma direção que alcança um nível elevado de emoção com simplicidade, coerência, e senso do melhor Teatro.

O diretor Ernesto Piccolo saudado por Cissa Guimarães…

Ernesto Piccolo, do alto de sua profícua e bela trajetória no teatro – dirigindo sempre espetáculos de grande beleza, profundidade e conhecimernto da carpintaria cênica -, consegue transformar a ‘simples contação de história’ da vida de Emiliano Queiroz num espetáculo de teatro eloquente, gostoso de ver, de extrema comunicação com a plateia, engraçado quando assim se faz necessário, e capaz de tocar – com sensibilidade e elegância – em feridas históricas importantes (que marcaram não só a carreira de Emiliano mas a de tantos colegas de Teatro, como é o caso do exemplo de Tônia Carrero, que recebe bela homenagem em cena) de forma nada panfletária e muito convincente.

Desde o início, Emiliano Queiroz cativa por sua capacidade suprema de interpretar, teatralizando a própria vida, passando dos 6 anos à idade atual com tamanha competência que quase chegamos a vê-lo criança querendo ‘convencer’  a mãe do desejo de ser padre, adolescente vendo o cinema até no serviço militar, e contaminado pelo vírus do Ator quando resolve se mandar para São Paulo em busca de aprender o ofício.

É belíssima a cena em que ele vai na boléia de um caminhão para Sampa, momento no qual uma bem arquitetada projeção dá ao público a impressão de viajar junto com o ator em busca do sonho de ganhar as telas. Nesta cena em especial, há momentos hilários e revela-se a fina sintonia entre atores e direção – Emiliano e Antônio dos Santos estão ótimos !

Na Sobremesa da Vida: Ana Queiroz, Emiliano e Antônio dos Santos em cena hilária com primorosa direção de Ernesto Piccolo…

Outra cena incrível é quando Emiliano resolve ir morar numa casa de praia e lá recebe a ‘visita’ de dois colegas hippies… Antônio dos Santos (outro ator cearense) está muito bem, assim como a jovem Ana Queiroz. Aliás, todo o elenco reveza-se em vários papéis, mostrando agilidade e capacidade de incorporar outros personagens. E todos o fazem com muita maestria, o que mais uma vez empresta dividendos à direção de Piccolo e assegura um espetáculo que merece ser visto.

Ana Queiroz e Aurora Miranda Leão embarcando Na Sobremesa da Vida

Bacana também quando Emiliano conta de sua incursão no mundo da televisão, quando a então escritora Glória Magadan o convida para escrever uma telenovela. A cena é engraçada porque engraçada é esta passagem na vida do ator. Mas o mais bacana é saber que a notável novelista Janete Clair tinha por Emiliano uma imensa admiração e carinho, que ele revela com orgulho e retribui destacando a importância da exímia teledramaturga em sua vida e na história da televisão.

Emiliano Queiroz e Maria Letícia: parceria da vida inteira…

Esse modo  de ser de Emiliano Queiroz – generoso, humano, amigo, afetuoso, pleno de gentilezas, e profundamente grato – perpassa todo o espetáculo. E aos méritos dele por cultivar sentimentos tão bonitos e dignificantes, junta-se o mérito da escritora Maria Letícia em conseguir traduzir isso pro papel com firmeza e objetividade, e o talento de Ernesto Piccolo para untar, com um tipo de polvilho que só o bom teatro consegue, as tantas passagens da vida de Emiliano, tornando acessíveis as alquimias que Emiliano Queiroz carrega consigo e que são as grandes responsáveis pelo Ator Magnânimo que o público aplaude e a crítica aprova. Um Ator cujo magnetismo está aí a revelar – mesmo sem o querer – o ser humano especial que é. Daí ser Emiliano Queiroz um semeador de grandes plateias e um encantador de almas.

Meu beijo carinhoso e o APLAUSO sincero e comovido deste AURORA DE CINEMA para Emiliano Queiroz, Ernesto Piccolo, e a querida amiga Maria Letícia !

Emiliano Queiroz recebe abraço de Aurora Miranda Leão no teatro…

Enfim, A Biografia de RUBENS CORRÊA

Rubens Corrêa, um Salto para Dentro da Luz, livro de Sergio Fonta (Coleção Aplauso, Editora Imprensa Oficial de São Paulo, 600 p.) Lançamento: HOJE na Livraria Travessa / Leblon, às 19h. 

PORQUE  RUBENS CORRÊA MERECE NOSSA ETERNA SAUDADE e ADESÃO  

 

 

                 O Legado da Paixão

 

Rubens Corrêa foi um dos maiores atores do Brasil, talvez o maior. Para alguns esta afirmação pode parecer um exagero, mas não é: ele foi mesmo. Quem o assistiu em cena nunca mais o esqueceu. Diário de um louco, que ele interpretou com 33 anos, Marat-Sade (em São Paulo e depois Rio) ainda nos anos 60, O assalto, O arquiteto e o imperador da Assíria, Hoje é dia de rock, O beijo da mulher-aranha, mais que tudo Artaud! e O futuro dura muito tempo, seu último trabalho antes de retomar Artaud! até o fim de seus dias, todos estes trabalhos-ícones, entre dezenas de outros, transformaram-se num legado apaixonado de quem amou o teatro como poucos.

Nascido em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, em 23 de janeiro de 1931 e morto em 22 de janeiro de 1996 no Rio de Janeiro, Rubens Corrêa construiu sua carreira ao lado do diretor e também ator Ivan de Albuquerque, cujo impulso definitivo veio com a inauguração do Teatro Ipanema, onde a dupla emplacou seus maiores sucessos. Mas Rubens não se limitou ao teatro e, embora não fosse o seu chão, realizou belos trabalhos também em cinema, como Na boca da noite e Álbum de família, entre outros, e na televisão, em novelas como Partido alto, Kananga do Japão e Pantanal, em Especiais como O bispo do rosário ou seriados como Decadência, de Dias Gomes, na Rede Globo, seu último trabalho em tv. Além disso, dirigiu inúmeros espetáculos com enorme sensibilidade, além de fazer a trilha sonora para vários deles. Amou o teatro, a poesia, a música, a vida e o ser humano. Um nome para não esquecer. Agora ficará para sempre lembrado também em livro.

O ator, dramaturgo e diretor Sergio Fonta conheceu Rubens Corrêa nos anos 70, bem jovem, quando começava sua caminhada, ainda como repórter, trabalhando no Jornal de Ipanema e no Jornal de Letras. Entrevistou-o diversas vezes durante a vida mas, desde a primeira vez, surpreendeu-se com seu carisma, sua inteligência e sua generosidade. Mais impactado ainda ficou quando assistiu à montagem histórica de O arquiteto e o imperador da Assíria, no Teatro Ipanema, em que Rubens contracenava com José Wilker, então surgindo como ator: acabou repetindo a dose por oito vezes mais.

Na introdução de Um salto para dentro da luz, Sergio Fonta fala da emoção daquele momento:

“ – O que dizer das atuações de Rubens, senhor do seu espaço, comandante irrevogável, dilacerado e definitivo, e de Wilker, pleno como o Arquiteto? Dois belos momentos de teatro. E o que dizer da inesquecível trilha sonora criada por Cecília Conde? E da encenação com direito a pietás, missas mozartianas e um enorme e misterioso chapéu branco de mulher”?

O trabalho de pesquisa de Fonta durou mais de um ano. Além da escrita do próprio livro em si, colheu dezenas de depoimentos e entrevistas com todos os que conviveram com Rubens no teatro, na tv ou no cinema, entre eles, Sérgio Britto, Ary Coslov, Julia Lemmertz, Emiliano Queiroz, Caíque Botkay, Ivone Hoffmann, Ricardo Blat, Fauzi Arap, Evandro Mesquita, Cristina Pereira, Thelma Reston, José Wilker, Nildo Parente, Maria Padilha, Walter Lima Júnior, Jacqueline Laurence, Rosamaria Murtinho e  Tizuka Yamasaki.

“ – Espero ter contribuído para a preservação da memória deste grande ator, diz Fonta. Seu universo é tão vasto, suas amizades tão permanentes, pois todos os que deram seus depoimentos conservam intactos seu sentimento por ele, que, talvez, fosse necessário mais um livro sobre ele, tanta a admiração e a saudade de quem o conheceu ou o viu num palco”.

 

Rubens Corrêa, um Salto para Dentro da Luz, será lançado no dia 24 de janeiro, próxima segunda-feira, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h. 

Algumas declarações sobre Rubens Corrêa para o livro Um salto para dentro da luz, de Sergio Fonta 

Emiliano Queiroz:

“RUBENS CORRÊA, um homem bom e generoso. Um artista BELO, um encantador de almas”.

 Rosamaria Murtinho: 

“Rubens deixou como legado o amor a um ideal, o amor ao teatro. A procura do texto bom para mostrar ao público. Ele sempre nivelou por cima. Sempre procurou coisa boa, espetáculo bom. E o público ia. Sempre”.

 

Maria Padilha: 

“Arte e ética juntos são imbatíveis! Esse, para mim, é o maior legado que o Rubens deixou”.

Júlia Lemmertz: 

Além de ser um ator incomparável, era uma criatura linda, dava vontade de ficar por perto dele e conversar muito”.

Sergio Britto: 

“Eu sempre disse que nós, atores, tentamos dialogar como os personagens à nossa frente. Sempre achei que o Rubens dialogava mais alto, sem exageros, ele dialogava com Deus. As suas falas adquiriam dimensão maior. Não eram meras palavras de um texto, era um ser humano tentando a comunicação maior. Esse é o Rubens Corrêa que merece ser lembrado”.

* Foi com grande alegria que soube, há mais de um ano, que Sérgio Fonta trabalhava na feitura desta biografia do ator RUBENS CORRÊA e, por causa disso, eu e Sérgio trocamos figurinhas desde então. Uma enorme e saudável alegria saber que ele se debruçava sobre vida e obra deste Mestre Querido de todos os Palcos e Telas, uma satisfação imensa partilhar este lançamento auspicioso de hoje com você, leitor amigo. Mais uma meritória iniciativa da Imprensa Oficial de São Paulo.

Esta redatora teve a honra e a alegria de entrevistar RUBENS CORREA, de vê-lo algumas vezes, sempre MAGNÂNIMO, em cima do palco, e ademais, a imensa Glória de ser aluna do Ator-Entidade, o Ator-Soberano, o Ator de todos os papéis e pra quem qualquer APLAUSO será, sempre, merecido.

Saudades enormes de Rubens Corrêa !

As Flores das Nossas Memórias…

 

E eu Joguei Flores nas Minhas Memórias

Uma idéia recorrente, a memória, uma música na vitrola, a imaginação. A impossibilidade de sair de um apartamento, o confinamento de uma existência sem perspectivas, o riso provocado pelo absurdo de uma situação inesperada. Duas mulheres, dois caminhos paralelos, uma solidão semelhante. A rivalidade entre irmãs, o duelo na disputa pelo mesmo homem. Inveja, insensatez, sonhos não realizados, amores indefinidos, sonhos frustrados, laços desfeitos, desilusões. Surgem Maria do Desterro e Maria Lúcia, religiosidade latente, esperança de dias melhores, confronto de sentimentos, embates corriqueiros, implicâncias típicas da convivência de mundos opostos, e a fé revelada em atos cotidianamente banais.

Pelos tons do imagético piano de Antônio José Forte, a inspiração soprou feito vento nas noites de maresia sutil e envolvente como a garimpar esteio para o material da dramaturgia cênica de Caio Quinderé. Nasce a tragicomédia E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias.

Do papel-abrigo de muitas filigranas sensoriais, redimensiona-se a emoção e as flores da memória ganham seu merecido lugar no cenário dos grandes espetáculos.

Com estréia agendada para sábado, 21 de agosto, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz, a montagem sobe ao palco com direção dividida entre o próprio Caio e o também ator e diretor Ilclemar Nunes. Interpretando Desterro e Lúcia, Mazé Figueiredo e Aurora Miranda Leão. A bela trilha sonora leva a assinatura do próprio Caio, a partir da composição homônima de Antônio José Forte que dá título à peça, enquanto Luciano Morais responde pela produção, e a jovem estilista Neiara Leão revela-se boa aposta do espetáculo. A peça tem patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil através do programa Cultura da Gente.

 

SERVIÇO

E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias

Texto: Caio Quinderé

Direção: Caio Quinderé e Ilclemar Nunes

Onde: Teatro Emiliano Queiroz

ESTREIA: dia 21/8, sábado, 19h

Temporada: 22,28 e 29 de agosto

ENTRADA FRANCA

VIVA EMILIANO QUEIROZ !

Semana SESC de Artes Cênicas em Fortaleza tem como grande HOMENAGEADO o ator Emiliano Queiroz, que está na cidade desde domingo curtindo os ares da beira-mar de sua querida Fortaleza.

Hoje é dia de bate-papo com o ator a partir das 19h, no Teatro Sesc que leva seu nome e está fazendo 10 anos (avenida Duque de Caxias, 1701, Centro).

Já na quarta, 31, encerrando a programação, haverá apresentação do espetáculo Navalha na Carne – clássico de Plínio Marcos  onde a atuação de Emiliano foi consagrada no teatro e depois no cinema , às 20h, com participação do também cearense  Gero Camilo.

Programação gratuita. Caio Quinderé convida.

Outras informações: (85) 3452 9060.

Cineasta Maria Letícia, companheira de todas as horas, é autora da biografia do ator pela Coleção APLAUSO e assina belo documentário sobre EMILIANO a ser exibido na quarta.