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Adriana Esteves eterniza Avenida Brasil

Resumo semanal de Avenida Brasil de 20/01/2020 a 24/01/2020 ...

Adriana Esteves é Carminha e Débora Falabella é Rita: contracena de gigantes !

Avenida Brasil está desde outubro preenchendo a tarde nobre da TV Globo. A exibição do megasucesso, que desbancou Escrava Isaura em número de vendas para diversos países, está na reta final: termina no dia em que maio adentra o calendário, portanto, no Dia do Trabalho.

Por conta disso, decidi postar artigo escrito quando do final da exibição da novela, em 2012, numa homenagem a esta atriz formidável, que considero a maior do Brasil – não esquecendo que Fernanda Montenegro pertence à notória categoria Hors-Concours -, a protagonista Adriana Esteves.

O que mais surpreendeu em AVENIDA BRASIL não foi o mega ibope do último capítulo nem a forma como o autor se inspirou em autores famosos, nem a trilha, nem o encantamento com o subúrbio traduzido no Divino.

Tudo isso já houve antes, e continuará acontecendo. Há um farto arsenal de motivos pelos quais a novela de João Emanuel Carneiro virou um ícone nacional.

Mas o que mais nos chama a atenção – depois de ler, reler e encontrar, nos mais diferentes espaços informativos, comentários sobre a novela, é uma sensação de “Queremos Carminha !”, ainda no ar.

Vilã de 'Avenida Brasil', Adriana Esteves faz revelação: 'Eu não ...

A atriz acredita que, mesmo com as maldades, Carminha conquistou o público por ser corajosa e divertida: “Ela enxergava a vida com inteligência e humor”, disse em entrevista de divulgação da Globo sobre a reprise. Para ela, a maior maldade de Carminha era maltratar e debochar da própria filha, Ágata (Ana Karolina).

Adriana Esteves revela ainda que fazer a vilã foi sua maior entrega como atriz: “Quando terminou a novela, foi a primeira vez que eu senti uma dificuldade muito grande de abandonar a personagem […] Eu estava no 220 volts, e precisava voltar para o 110 para continuar a viver ou até para fazer outros trabalhos, porque como é que eu ia conseguir fazer outra coisa naquela vibração ?”

O que esta magnânima ATRIZ Adriana Esteves conseguiu, através da bem construída personagem criada por João Emanuel Carneiro, é algo ainda a ser estudado por especialistas da área, e quem sabe mereça muito mais a análise de quem atua na seara da psicologia.

Adriana Esteves alcançou através de Carminha muito mais do que o apoio popular e a adesão total de todo o público de Avenida Brasil. O que Adriana e sua irretocável CARMINHA conseguiram foi mexer no imaginário coletivo e fustigar a emoção de quantos puderam ver – e vibrar – com a estupenda interpretação desta Atriz para uma personagem capaz das maiores vilanias e atrocidades. Intérprete e personagem entrelaçaram-se no gosto popular criando um emaranhado de emoções e cumplicidade que responde por grande parte do êxito da trama de João Emanuel Carneiro.

Esta sensação é o que vai por baixo das afirmações, e corre no íntimo de quantos agora comentam o final da novela – todos viram a mobilização nacional gerada pela exibição do último capítulo da trama, praticamente parando São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre -, é o que aflora quando se afirmam coisas do tipo “Carminha podia ter reagido”, ou “Pensei que Carminha estava mentindo”, ou ainda “Achei que Carminha ia dar a volta por cima”, ou, mais agudo ainda, “Queria que Carminha tivesse terminado rica, numa mansão na zona sul”, ou “Queria Carminha milionária enganando um novo Tufão”…

Carminha (Adriana Esteves) - Personagens de "Avenida Brasil" | Amo ...

Isso tudo é a tradução mais latente e verdadeira de que o envolvimento com a Carminha de ADRIANA ESTEVES tomou tal proporção que o público desejava não só não ver a vilã ficar pobre e sem glamour, como gostaria de ver novamente a atriz – que ele aprendeu a amar e ver bela, mesmo com todas as maldades de Carminha – esbanjando charme e eloquência de vencedora.

Adriana Esteves não estará na próxima trama de João Emanuel ...

Criatura e Criador: Adriana Esteves e o autor João Emanuel Carneiro…

Foi isso que fez nascer Laureta, a personagem seguinte de João Emanuel Carneiro para a atriz em sua trama posterior para o horário nobre. Detalhe de extrema relevância na bela parceria dos dois. Mas isso será tema de artigo em fase de elaboração.

Este público queria rever/reencontrar sua Carminha-Adriana de novo linda, loura, derramada em elegância, destratando os pobres, enganando o marido, tripudiando com as funcionárias, fazendo exigências homéricas, zombando dos suburbanos e dizendo – sem papas na língua e com a maior desfaçatez – as insanidades que dizia. Porque a Carminha vencedora, bonita e altiva era também o alter ego da enorme classe C, ou de quantos se sentiram/sentem inferiorizados tantas vezes, e que, naqueles momentos de altivez sórdida da vilã, se sentiam vingados ou de alma lavada através dos ótimos diálogos da trama. E aqui entra, intenso e avassalador, o potencial artístico de ADRIANA ESTEVES, a quem a imensa maioria da plateia queria ver novamente brilhando e tendo as rédeas da história nas mãos. SENSACIONALLLLLLLL !

Globo pode trocar Êta Mundo Bom por Avenida Brasil na próxima ...

E isso só é possível de ser alcançado, em se tratando de personagem antagonista, quando se tem uma intérprete do quilate de Adriana Esteves, cuja maestria, competência e natural vocação fazem dela uma atriz do mais alto refinamento interpretativo.

Adriana Esteves foi de tal modo encantadora que, através de Carminha, alcançou instâncias que significam muito mais do que receber o apoio absoluto da audiência, a vibração da plateia, a emoção do telespectador, o entusiasmo dos colegas, a vibração da crítica, o encantamento do autor, ou o misto de adesão x revolta que se viu durante todo o desenrolar da telenovela. Tão arrebatadora foi a atuação de Adriana que “puxou” todo um corolário de êxitos para a novela: Avenida Brasil foi a primeira novela brasileira que bateu o recorde alcançado pela lendária “Escrava Isaura” (1976), de Gilberto Braga, até então a telenovela brasileira mais exportada.

Adriana Esteves enfrenta desafio como grande vilã de “Avenida ...

A capacidade impressionante e invejável de ADRIANA ESTEVES de criar expressões faciais diversas para ‘Carminha’, numa mesma cena – passando, em questão de segundos, de um semblante triste para a agressividade, de um sereno para um irônico, de um alegre para um raivoso, de um amoroso para um sarcástico – ecoou fundo na emoção do telespectador e criou uma empatia só explicável pelas leis do sentimento. Sua inserção na cena artística brasileira se dá como uma Atriz completa, disposta e capaz de se jogar em qualquer personagem com a mesma extrema e singular capacidade com a qual ela transformou Carminha na melhor personagem do ano e, quiçá, na vilã mais adorada de todas as novelas.

Adriana Esteves ganha troféu como Carminha; confira os destaques ...

O primeiro prêmio por Carminha foi o do Jornal Extra. Depois vieram outros 7…

Veja fotos do 15º Prêmio Contigo! de TV no Rio de Janeiro

Carminha deu a Adriana todos os prêmios como Atriz do ano de 2012, num total de 8 estatuetas.

         Atriz ganha prêmio da ABI pela personagem Inês, da novela “Babilônia”, de Gilberto Braga…            

                        Um DEZ gigante e emocionado para Adriana Esteves !

Malhação inclui pandemia e faz história

Malhação - Toda Forma de Amar": veja as primeiras impressões do ...

       Novela das 18h é única no país que adiciona o vírus à sua narrativa

Foi no capítulo final, exibido sexta, aos 3 primeiros dias de abril deste 2020.

Como é sabido, toda a programação da TV Globo foi alterada por conta da doença que assusta o mundo: a informação ganhou muito mais tempo e a equipe esmera-se na intensidade da cobertura jornalística. As gravações de todas as novelas pararam e somente “Éramos seis”, atração das 18h, foi finalizada no tempo previsto porque seu esquema de gravação já tinha sido finalizado. “Salve-se quem puder”, das 19h, e “Amor de mãe”, das 21h, tiveram suas histórias interrompidas, e devem retornar tão logo o isolamento social não seja uma premissa imperativa.

Elenco afinado e apuro estético marcam excelente estreia de ...
Éramos seis: novela cumpriu prazo previsto e trama não abordou pandemia.

“Nos tempos do Imperador”, novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão, que iria estrear em substituição a “Éramos seis” e já tinha capítulos gravados, não entrou no ar e a estreia seguirá os protocolos de saúde necessários.

Desse modo, interrompidas abruptamente mas em decisão completamente acertada da direção da TV Globo, as novelas das 19h e 21h não puderam incluir em sua trama nenhuma citação ao caos social em que vivemos, quando uma doença gravíssima assombra gerações e deixa o mundo inteiro em estado de aflição.

“Toda forma de amar” inclui drama e impasse do coronavírus em sua diegese.

Entretanto, por algum motivo desses que só o Mistério responde, coube a “Malhação”, temporada Toda forma de amar, incluir as agruras deste tempo insólito, difícil e incongruente em seu discurso, o curso da comunicação que é verbo e imagem.

Essa insuspeitada inclusão funcionou bem demais porque muito bem realizada. Ainda havia muitas situações da narrativa à espera de resolução: conflitos pediam desfechos e personagens precisavam ter seus destinos definidos. Isso poderia gerar um tremendo vácuo na trama e tornar insosso e pouco plausível o final da história.

Ao contrário disso, o que se viu foi um diálogo pujante, importante e oportuno entre os dois protagonistas da trama. Foi lindo e, sobretudo, necessário. Nós não acompanhávamos a novela; aqui acolá, via uma cena ou outra. E foi por acaso que estava diante da telinha quando a cena em que a pandemia é inserida começa e me rouba a atenção.

Rita e Felipe formam o par romântico mas não trocam beijo nem abraço no capítulo final.

Rita (Alanis Guillen) e Filipe (Pedro Novaes) estão no centro da cena, no meio da cidade (a imagem evidencia o espaço cenográfico vazio) e travam um diálogo que começa assim: “A gente ainda tem que contar tudo que não vai poder mostrar para as pessoas por conta dessa epidemia de coronavírus”, diz ela, que havia sido sequestrada e passara dias num cativeiro. Filipe completa: “Realmente essa epidemia acabou atrapalhando um pouco o final da nossa história”. Ambos estão com fisionomia serena mas não escondem a sensação de desamparo e espanto diante do que estão vivendo. Embora estejam ali para indicar os rumos da trama, que está chegando ao final, há um subtexto que perpassa toda a ambiência e que comunica muito fortemente a perplexidade que toma conta de todos nós neste momento.

No encontro registrado pela cena, estavam tristes e com ar desenxabido não apenas a Rita e o Filipe, mas também a Alanis e o Pedro, ao mesmo tempo em papéis que lhes deram chance de revelar sua competência para o métier da interpretação (os dois ganharam bastante adesão do público), mas, sobretudo, simbolizando uma gama de sentimentos agora comuns a todos os brasileiros diante deste panorama invasivo e indesejável de pandemia.

Novela 'Malhação - Toda Forma de Amar': Rita fica com Filipe após ...
Alanis Guilen e Pedro Novaes: talento e carisma na Malhação 2020.

Tê-los como epicentro do último capítulo de “Toda forma de amar” tem uma simbologia ainda mais forte. Porque eram o par romântico que todos queriam ver juntos no final. Ademais para Alanis e Pedro, jovens atriz e ator, acostumados a gravar a novela cercados de pessoas as mais diversas — da figuração ao contrarregra, dos câmeras aos diretores -, ter de finalizar a história, que sempre tem um elenco majoritariamente jovem, sem um abraço, sem um beijo, num cenário vazio, no qual a solitude impera, inesperada e obrigatória, deve ter sido um momento inaugural estranho. E a sensação do espasmo diante de tantas interrogações e a imprecisão da continuidade, revestiu a cena de sutil assombro, afirmando a supremacia do enredo da vida real sobre a criação literária.

O que aconteceu com “Malhação” foi um caso claro de transcurso da comunicação, conforme a classificação proposta pelo mestre Artur da Távola em seus preciosos estudos sobre a linguagem televisiva, em especial sobre a telenovela. Segundo o jornalista/cronista/escritor, a comunicação segue um processo que abrange oito cursos. O mais conhecido deles é o discurso, sobre o qual recai a maior parte das análises. Mas há ainda os outros sete, que são: decurso, recurso, incurso, excurso, percurso, concurso e transcurso.

O transcurso é o mais complexo e profundo componente do curso da comunicação. Ele se faz em dois planos: através da comunicação e acima dela. Surge através de algo que vai além do curso habitual ou previsível, algo que o ultrapassa. Registra-se quando se estabelecem momentos muito especiais, únicos, dentro da comunicação: são fenômenos de integração súbita de toda uma equipe. Ele acontece raramente, jamais como norma ou técnica alcançada. Ao contrário, o transcurso escapa ao controle de qualquer técnica. É, por definição, súbito e incontrolável. A partir dele, obtém-se níveis profundos de comunicação e empatia.

O assunto é deveras instigante. Nesta “Malhação” 2020, há um caso claro de transcurso da comunicação no momento em que a pandemia de coronavírus se interpõe na vida do país. E foi isso que aconteceu com a atração das 18h: um transcurso, sabiamente incorporado à narrativa.

Câmera subjetiva substitui Domingos Montagner em 'Velho Chico' e ...
Morte de Domingos Montagner foi outro caso de transcurso encravado na narrativa.

Assim com “Toda forma de amar”, como semelhante foi no caso da morte do ator Domingos Montagner em plena realização da novela “Velho Chico”, em 2016. Lá, como cá, os autores do texto e a direção da novela (além da direção da emissora) absorveram com enorme competência e propriedade a manifestação do real em seus enredos ficcionais. Faz-se relevante, portanto, que ressaltemos o acerto na condução das narrativas.

No caso específico de “Malhação”, a autoria (escritores e diretores) assina seu passaporte para a história da teledramaturgia brasileira ao incluir, de forma oportuna, inteligente, importante e necessária, a dureza da pandemia na diegese da obra, na qual as tramas paralelas foram encerradas com o casal protagonista narrando em off os desfechos de cada uma.

O final de “Toda forma de amar” alcançou enorme repercussão nas redes sociais, dividindo-se os comentários entre elogios e críticas. A maioria não gostou do final sem um beijo, o que é sempre esperado nas histórias românticas, seja em que lugar ocorram, porém era absolutamente necessário cortar qualquer afago por conta da covid-19; outros tantos reclamavam que tal ou qual ponta da trama ficou sem esclarecimento.

Enfim, em que pese a validade das perguntas sobre a narrativa, o que mais conta é a afirmação da vitalidade da novela das 18h, como prova o grande índice de posts nas redes sociais. Outrossim, o que mais fica patente é o lugar de destaque que “Malhação” ganha na literacia da teleficção seriada.

“Malhação — Toda forma de amar” entra para a história da Teledramaturgia como o único exemplar brasileiro que incluiu a pandemia em seu discurso textual e imagético. Assim, o momento difícil e aflitivo pelo qual passa o Brasil (como de resto, o mundo inteiro) por causa do invisível inimigo, é histórico também através da narrativa dramatúrgica nacional, reafirmando, com louvor, a dialogia intensa, constante, bonita e convergente do real com a ficção.

Trama 2020 é de autoria de Emanuel Jacobina.

Enfim, Malhação — Toda forma de amar, de autoria de Emanuel Jacobina e com direção artística de Adriano Melo, teve final cercado de emoção, a qual veio muito mais da força do real invadindo o ficcional, do que propriamente dos impasses dramáticos que reclamavam solução. E, pela primeira vez na história, a Teledramaturgia Brasileira precisou mudar o rumo de sua trivialidade (a TV Globo interrompeu o curso normal de exibição das tramas e suspendeu todas as gravações de telenovela, por tempo indeterminado) para enfrentar uma pandemia como a que o planeta vive agora e #malhacao arrepiou colocando a gravidade da doença na diegese de “Toda forma de amar”.

Por tudo isso, “Malhação — toda forma de amar” entra para a posteridade com destaque e merece nosso aplauso. Portanto, a todos que participaram e contribuíram para a realização de mais uma MALHAÇÃO, nossos calorosos Parabéns !

Malhação: Toda Forma de Amar é menos vista que reprise de Por Amor ...

Novela teve boa audiência e temas fortes como o embate entre mãe biológica e adotiva.

E por falar em quarentena, que tal rever “Amores Roubados” ?

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Minissérie de 2014 é trunfo da teleficção

*Aurora Miranda Leão

A começar pela expressividade do layout do título e pela impactante abertura, AMORES ROUBADOS é produção singular da nossa Teledramaturgia. Sou das que acompanharam a exibição na grade da programação da TV Globo em 2014 e recomendo que a assistam.

Quem me acompanha ao longo de minha caminhada como jornalista e pesquisadora de teleficção seriada, sabe o quanto aprecio a narrativa ficcional televisiva. Quando as obras são boas – como esta AMORES ROUBADOS -, aí mesmo é que faço questão de dizer que vejo e vejo com prazer ! Porque amo Dramaturgia – seja no Teatro, no Cinema ou na TV. Assumimos desde sempre que o bom é viajar por outras histórias, inventadas por outras cabeças, recheadas de outras fantasias, que não as nossas. Afinal, como diz o poeta gaúcho Carpinejar, nem a nossa história deixa de ser fantasiada por nós mesmos.

O roteiro de Amores roubados é de George Moura, pernambucano que também assina a autoria de “Onde nascem os fortes” (supersérie exibida em 2018), a partir de obra de Joaquim Maria Carneiro Vilela – advogado, ilustrador, pintor paisagista, cenógrafo, juiz, bibliotecário, secretário de Governo, fabricante de gaiolas, e escritor -, escrita entre 1909 e 1912, e merecedora de várias adaptações para o teatro e o cinema. Mas, por certo, o fato de ter obra sua exibida na programação da emissora líder de audiência no país, fará com que o nome do escritor seja definitivamente inscrito entre os grandes de nossa Literatura. Com o título original de “A emparedada da rua Nova”, Carneiro Vilela dizia que a história viera de um relato ouvido de uma escrava. Até hoje, não se sabe ao certo o que foi ficcionado pelo autor e o que realmente aconteceu.

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Cauã Reymond é Leandro, um típico “don juan” contemporâneo do sertão…

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Minissérie marca estreia de Jesuíta Barbosa na telinha: ele faz Fortunato, grande amigo de Leandro (Cauã Reymond).

Mas só em ter valido esta primorosa minissérie, já ganhou – e muito – a história de nossa Teledramaturgia, enriquecida pelas interpretações poderosas de Murilo Benício – um ator que consegue passar todo o sensório de seus personagens só com o olhar -, Irandhir Santos, Cauã Reymond, Isis Valverde, Patricia Pillar (soberba em sua angústia lancinante e silenciosa), Cássia Kiss, Osmar Prado, Dira Paes, César Ferrario, Jesuíta Barbosa, Magdale Alves e Thierry Tremouroux.

PRINCIPAIS DESTAQUES: 

– Direção precisa de José Luiz Villamarim, direção de arte, e fotografia de Walter Carvalho;

– O set, os enquadramentos e a atuação de Osmar Prado e Cássia Kiss na cena do acerto de contas;

– A frieza e vilania intrínseca do personagem Jayme, rapidamente tratando de se ‘descartar’ da conversa ‘incômoda’ do sogro Antônio;

– A luz da cena entre Jaime e o delegado (Walter Breda), num lindíssimo enquadramento em silhueta;

– A conversa entre Jaime e Cavalcante – Murilo Benício de costas, passando toda a emoção somente com a voz – genial !

– A comovente e quase pueril fala de Antônia, encharcada de emoção no velório do avô – ISIS VALVERDE divinal, uma nordestina com naturalidade, beleza singular e profunda empatia, levando o telespectador às lágrimas;

– O encontro de Antônia e Fortunato na beira do rio São Francisco…

* A inserção da bela Jura Secreta, música de Sueli Costa e Abel Silva, cantada de forma singular por um contagiante Raimundo Fagner;

* A qualidade das atuações de Irandhir Santos e César Ferrario numa pujança de força magistral entre dois talentos nordestinos;

* A tocante cena entre Cássia Kiss e Jesuíta Barbosa marcando mais pontos na atuação poderosa do elenco e ressaltando uma direção de arte poderosa a favorecer o contraste entre o vermelho ‘revelador’ da personagem de Cássia, o floral do guarda-chuva e a aridez rochosa às margens do São Francisco;

* Patrícia Pillar e Murilo Benício – contracena de Gigantes !

* Lindíssimos momentos de Isis Valverde, quer seja na fotografia magistral de Walter Carvalho, bem como da atuação emocionada e emocionante da atriz;

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* A sintonia precisa entre Isis e Benício em momentos de revelações perturbadoras;

* O quadro poderoso do grande campo de arames farpados como desfecho para o fim do grande vilão, o temido e maligno Jaime, quando a cena ganhou primorosos ares de réquiem;

* O belíssimo final à beira do rio reunindo 3 gerações – filha, neto e avó, preconizando possíveis (?) novos tempos de calmaria na vida conturbada, triste e sombria da família de Jaime – Isis e Patrícia em belos movimentos de interação mãe-filha X atriz tarimbada-atriz em ascensão !

Resultado de imagem para amores roubados cenas finais Patrícia Dira e Isis

Cena final une Isis Valverde e Patrícia Pillar.

De somenos: o não fechamento do destino de João (Irandhir Santos) – personagem e ator mereciam ter sua história amarrada junto ao público; e o do personagem Oscar (Thierry Tremouroux), professor de música da Orquestra Sanfônica, projeto idealizado por Isabel (Patrícia Pillar), ‘exilado’ da cidade a mando de Jaime, e tendo que se passar por Leandro…

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O diretor José Luiz Villamarim dirige Dira Paes e Cauã Reymond…

Amores Roubados é um produto de excelência, que ganhou (como apontamos em artigo de 2014) muitos prêmios: direção, fotografia, ritmo, direção de arte, edição, trilha e atuações magníficas num roteiro de suspense, rico em diálogos bem elaborados e coerentes com o cerne da história. DEZ é ainda pouco para AMORES ROUBADOS ! E é um orgulho para quem, como eu, fica feliz em poder aplaudir a grandiosidade dos nossos artistas e a qualidade a que chegaram os técnicos brasileiros ! Que Teledramaturgia de alto nÍvel faz o Brasil !

As casas dos moradores do distrito estão sendo usadas nas gravações. Um carrossel foi colocado perto da igreja do distrito, que foi expandida para as cenas. Os próprios moradores estão atuando como figurantes em 'Amores Roubados'

O interior do Nordeste brasileiro, fonte perene para a ficção teleaudiovisual.

*Você pode conferir a minissérie inteira acessando o Globo Play. A plataforma pode ser acessada de graça nestes tempos de pandemia.

Novelas são tema de debate hoje com Valmir Moratelli na Livraria da Travessa

Avenida Brasil - Novela

“O que as Telenovelas Exibem enquanto o Mundo se Transforma” é o livro do jornalista Valmir Moratelli que será debatido hoje na Livraria da Travessa de Botafogo, logo mais, às 19h. O lançamento é da editora Autografia e haverá sessão de autógrafos.

Um importante diferencial do livro de Moratelli é que ele é fruto de uma intensa pesquisa de mestrado do autor, que acabou realizando um percurso que perfaz 20 anos de análise da Teledramaturgia Brasileira, com isso sagrando-se como escritor do primeiro livro-referência sobre o tema assinado por um carioca.

Valmir Moratelli traça um perfil instigante que envolve a construção das narrativas de teleficção com as trajetórias do cotidiano político brasileiro, evidenciando que analisar umas sem olhar as outras é um caminho incompleto e ineficaz.

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Camila Pitanga e Domingos Montagner em cena da novela Velho Chico (2016).

Em sua extensa pesquisa, realizada na PUC-Rio com orientação da profa Dra Tatiana Siciliano, Valmir Moratelli discute aspectos de gestões políticas e o quanto e como isso impactou na eleição de temáticas para as novelas da TV Globo. São abordados os períodos de Fernando Henrique Cardoso [1999-2002, segundo mandato]; Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10]; Dilma Roussef [2011-16] e Michel Temer [2016-18].

“O objetivo deste livro é mostrar que a telenovela brasileira se diferencia das de outros países porque é totalmente relacionada com o que acontece de impacto em nossa sociedade. A novela é um retrato muito fiel do nosso tempo. Talvez seja o produto que melhor fale o que nós somos”, afirma Moratelli.

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“Foram dois anos de pesquisa para o meu mestrado que acabaram produzindo este material, que analisa assuntos considerados tabus da teledramaturgia, como empoderamento da mulher, inclusão do negro na sociedade como protagonista e diversidade sexual, nos últimos 20 anos. O que percebemos é que os temas das novelas da Rede Globo variam dentro da mudança de cada governo”, observa o autor.

“Na era FHC, com o início da estabilização financeira, as histórias tinham parte da trama fora do Brasil, e isso seguiu até ‘I love Paraisópolis’” (2015)”, salienta. “Com a gestão Lula, temos as transformações sociais. ‘Cheias de charme’ (2012) é um marco, porque colocou como protagonistas três empregadas domésticas. Depois, vêm Dilma e Temer, e a gente tem o aprofundamento da divisão social e as questões éticas acaloradas. Um bom exemplo é ‘Pega pega'”. (2017), conta Valmir.

“Se a gente tira do contexto o que está vivendo, deixa de entender aquilo que está indo ao ar”, finaliza Valmir Moratelli.

debate

O debate desta noite será na Livraria da Travessa, em Botafogo. A atriz Glamour Garcia, a Britney de A Dona do Pedaço, participará do encontro, que terá mediação de Tatiana Siciliano, professora da PUC-Rio, e a presença de Rosane Swartman, co-autora da novela das 19h, Bom Sucesso.

SERVIÇO

Sessão de autógrafos e debate sobre o livro

“O que as Telenovelas Exibem enquanto o Mundo se Transforma”

QUANDO: Hoje, terça, ENTRADA FRANCA

Horário: 19h

ONDE: Livraria da Travessa, em Botafogo (Rio).

AUTOR: VALMIR MORATELLI

Presença de Rosane Swartman (Bom Sucesso)

Tatiana Siciliano (PUC-RJ)

Glamour Garcia (A Dona do Pedaço)

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A atriz Glamour Garcia (em cena de A Dona do Pedaço com Juliana Paes) é presença confirmada esta noite na Livraria da Travessa.

Velho Chico explode em beleza e nordeste agradece

Novela chega ao acme emocional com Missa do Vaqueiro…

                        *Aurora Miranda Leão

santo briga

Os ‘vaqueiros’: Domingos Montagner e Marcos Palmeira em ótimas atuações !

O nordestino que habita em Luiz Fernando Carvalho (filho de mãe alagoana) encontra no artista e parceiro Raimundo Rodriguez  um esteio fabuloso ! Cearense que é, mesmo tendo deixado a terra natal há muitos anos, Raimundo Rodriguez com seu magnânimo “latifúndio” de preciosidades da cultura popular (que ele transforma em Arte num piscar de olhos), deve ter ficado com o coração tonto de tanto cantar, vexado de alegria com o resultado plástico tão lindo que foi este capítulo da Missa do Vaqueiro e da Pega do Boi.

belmiro

Belmiro dos Anjos (Chico Diaz) quase salta da tela para conferir a Missa em sua homenagem, tal a perfeição da pintura de Raimundo Rodriguez…

O padre Benício organiza a missa para celebrar a data festiva, na qual o grande homenageado é Belmiro dos Anjos, o pai assassinado de Santo e Bento. Então, mesmo os que estavam à toa na vida foram à praça, que se enfeitou de alegria para festejar a nordestinidade, emoldurada com seus chãos sagrados nas bandeiras de todos os estados da região – e quando a câmara tirou o foco do padre (Carlos Vereza com a competência que todos conhecemos e aplaudimos !), a primeira bandeira que se viu foi a bandeira do Ceará de Raimundo ! Que delicadeza grandiosa de Luiz e sua equipe com o parceiro das terras de Alencar !

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Uma tradução da Missa do Vaqueiro por Raimundo Rodriguez, também autor da foto…

Com a inconteste capacidade de conseguir que toda a equipe mergulhe sem freios na ideia central do espetáculo, o que se vê através de Velho Chico (desde o início, diga-se de passagem) é um país que ganha relevância e aprofunda raízes através de uma inequívoca brasilidade que a novela expressa e tanto bem faz aos olhos e ao coração.

A partir do reencontro Teresa e Santo – conforme já dissemos aqui em matéria anterior -, a novela inaugurou uma terceira fase. Desde então, tudo está mais aflorado, mais denso e mais emocionante, por isso mais belo.

O capítulo desta segunda, 25 de julho, foi especialmente tocante ! Quem não arrepiou diante da tela é porque nada de brasileiro tem, ou pode ser que tenha ‘coração de gelo’, como dizia um famoso personagem de desenho infantil que minha filha gostava de ver.

Luzia e Santo

Lucy Alves vive a ardilosa Luzia, que trama mil e uma pra ficar com Santo…

O capítulo de sábado acertou com ótimo gancho, deixando antever que na segunda viria um capítulo “importante” (entre aspas, porque em novela boa, todo capítulo é assaz importante). Pois o capítulo desta segunda tinha como temática a Missa do Vaqueiro, tradicional acontecimento do nordeste brasileiro. E o que a equipe da novela construiu, a partir da regência de Luiz Fernando Carvalho, foi um autêntico HINO DE AMOR AO NORDESTE !

Mesmo sendo essa missa já tão mostrada em fotos, filmes, livros, e vista por nós também no interior do Ceará, o que Velho Chico mostrou foi de uma fortaleza tão grande que gritava – entre figurinos, cavalos, uma constelação imensa de figurantes com seu figurino de gibão de couro e tudo o mais – “Este é o Brasil dos brasileiros e para os brasileiros, com a vastidão de sua riqueza cultural, e nem precisamos de muitos cortes, nem vasta tecnologia: mostramos a tessitura de que é feito este país, e porque mostramos com competência e sensibilidade, e destituído de preconceitos, a tela se encharca de poesia e a audiência retribui com um caloroso e silente aplauso,  depois confirmado pelas estatísticas !”

vaqueiros

Antônio Fagundes e Marcelo Serrado: competência em Lá Maior !

Mesmo nós, que do sertão propriamente dito não viemos, sentimos pulsar ali – na escolha dos closes, dos grandes planos, na emoção estampada no olhar de cada ator, no figurino magnífico de Thanara Schönardie (mesclando o ousado e o tradicional), na escolha de cada take, em cada enquadramento, nos diálogos, nos sentimentos latentes, enfim, em todo o desenho estético minuciosamente pensado e realizado com invejável esmero – a inteireza de nossa alma, filigranada em várias camadas sobrepostas (qual labirinto ou filé de toalha de renda), e um fio condutor, a Paixão !

Teresa

Teresa (Camila Pitanga) foi ver de perto a tradicional ‘pega do boi’ onde o amado era figura central…

Fora a telinha caseira de cada um de nós um dispositivo compartilhado numa sala de cinema ou num teatro, e ali estaríamos todos a aplaudir a excelência do capítulo desta segunda, 25 de julho, em que Luiz Fernando Carvalho e sua equipe extrapolaram do direito de ser notáveis !

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Lucy Alves e Irandhir Santos em momento de tensão de seus personagens…

Encerrar com Santo entregando a corda do boi por ele conquistada na batalha travada na caatinga ao grande amor de sua vida (Teresa), depois de toda a tensão que ronda o personagem vivido com galhardia por Domingos Montagner desde o capítulo anterior, foi um dos mais lindos happy ends de capítulo que já vi !

ANTOLÓGICO !!!

Santo

A Vitória: Teresa é a grande vencedora na ‘pega do Boi’…

SENSACIONALLLLLLLLLL !!!

Como diria Mestre Vinícius, “Sua bênção, oh Luiz Fernando… sua bênção, Benedito… sua bênção, oh Domingos, sua bênção Fagundes, que a gente gosta tanto que até aceita vê-lo fazendo um coronel… sua bênção, Camilinha, menina linda, de sorriso doce, que só dela podia ser a Teresa… sua bênção, oh Mestre Raimundo Rodriguez, que não és um só, és tantos, tantos como o meu Brasil de todos os santos, inclusive meu São Sebastião… Saravá !”

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O sorriso lindo e meigo que Camila Pitanga empresta à Teresa é trunfo da empatia da atriz com o público…

Público reafirma empatia total com AVENIDA BRASIL

Novela de João Emanuel Carneiro foi a grande vencedora do Troféu MELHORES DO ANO, realizado pelo programa do Faustão…

Congela! Adriana Esteves levou o troféu de Melhor Atriz (Foto: Domingão do Faustão/ TV Globo)

Há muito tempo, o tradicional Domingão do Faustão não registrava audiência tão grande. No domingo passado, por conta da entrega da premiação MELHORES DO ANO – como acontece há 12 edições -, com o público sabendo que o maior número de indicações cabia à novela AVENIDA BRASIL, o ibope do programa foi lá pra cima, saltando dos costumeiros 13 a 15 pontos para 20, com picos de 25 pontos.

MEL MAIA: Atriz Revelação Mirim fez sua estreia na novela como a pequena Nina e disse que quer ser como Adriana Esteves quando crescer…

Adriana Esteves posa com o troféu  (Foto: Domingão do Faustão/ TV Globo)

Uma emocionada e emocionante ADRIANA ESTEVES entrou no palco do DOMINGÃO sob aplausos de uma plateia que abraçava a atriz aos gritos de ‘Carminha, Carminha”…
 “Acho que foi mérito de muita gente. Além de ser muito bem escrita, com equipe de primeira. O cupido deu uma fisgadinha: eu sou completamente apaixonada pela Débora (Falabella), pelo Murilo (Benício) e pelo Marcelo (Novaes). Não me preparei pra ter tanta solidariedade. Nunca vi um camarim tão solidário. A protagonista em dupla com a antagonista. Fiquei profundamente apaixonada por todo mundo da novela. Foi difícil quando a novela acabou. Tive que me despedir dos meus amores”, declarou a atriz.
Na exibição do último capítulo, Marcelo Novaes, Mel Maia e Adriana Esteves…

E não era pra menos: depois de ter causado uma tristeza enorme em grande parte do público, que se sentiu ‘orfão’ com o final da trama protagonizada de forma magistral pela atriz ADRIANA ESTEVES – fazendo da novela das 21h o maior êxito da TV Globo em 2012, e reverberando na trama de Glória Perez – Salve, Jorge -, ainda agora com índices de audiência bem abaixo do normal nessa faixa de horário -, nada mais natural do que o público da novela ficasse de prontidão em frente à telinha para rever o elenco da novela e, sobretudo, para aplaudir ADRIANA ESTEVES e sua magnífica Carminha.

A Atriz, a última a receber a estatueta, foi aplaudida de pé aos gritos de “Carminha, Carminha”, e não conseguiu conter as lágrimas.

Adriana Esteves leva prêmio de melhor atriz do ano (Foto: Domingão do Faustão/ TV Globo)

O público, por instantes, pôde rever a genial criadora da inequecível personagem e declarar, mais uma vez, à própria atriz, o quanto apoiou, se emocionou, torceu e aplaudiu/aplaude o trabalho da atriz.

Adriana disse: “Teve um dia que eu não quis vir no Arquivo Confidencial para não chorar, e hoje estou chorando. É um cansaço tão grande, a gente luta, trabalha, acredita, se prepara, sou uma pessoa que não aderiu às redes sociais, mas quero agradecer a todo mundo que durante este ano curtiu a nossa novela. Eu tenho tanta gente para agradecer, tenho que fazer um agradecimento especial ao João Emanuel Carneiro. Quando ele me mostrou a sinopse, eu disse que podia fazer qualquer personagem, faria até os homens, mas ele disse que era a Carminha. É uma novela encantadora, olha aí o resultado, tantas indicações de prêmios. O João Emanuel me apresentou as melhores ondas para eu surfar, é um elenco que eu tenho orgulho de todo mundo. Eu preciso agradecer a minha empresária, minha equipe de casa, minha mãe, Paulinho, que ficaram cuidando dos meus filhos, do Vladimir eu cuido!”, disse ela, citando ainda os filhos, Felipe e Vicente, e a enteada, Agnes.

Além disso, Adriana esteves dividiu a homenagem com as amigas Cláudia Abreu e Débora Falabella, que concorriam com ela na mesma categoria, e fez uma homenagem especial à Cássia Kiss: “Fiz uma novela antes com ela e ficava assistindo ela construindo a Dulce, de Morde & Assopra, e fiquei pensando que eu queria ter uma personagem para me dedicar como ela, e eu não imaginava que seria logo em seguida. A Carminha foi a minha Dulce”.

Murilo Benício saboreia vitória (Foto: Domingão do Faustão/TV Globo)

MELHOR ATOR: vivendo o dócil, amigo e sofrido Tufão, Murilo Benício ganhou mais uma vez o troféu, arrebatando o público com um personagem querido por todos, e que teve até torcida por um final feliz…

Adriana Esteves fez bonito agradecimento à equipe de AVENIDA BRASIL e disse ter muito orgulho de todos os colegas de elenco: “Eu os amo muito”.

Adriana Esteves: ‘A Carminha entrou na minha vida de forma avassaladora’…

Cláudia Abreu,linda em sua doce simpatia e generosidade, lembrou com carinho da personagem Shayenne, e disse que o trio de atrizes que fazia as ‘empreguetes’ também merecia estar ali…

O mais bacana na entrega deste troféu MELHORES DO ANO do DOMINGÃO DO FAUSTÃO é que a seleção dos indicados é feita pelo corpo de funcionários da Rede Globo, que indica 3 nomes em cada categoria. E o vencedor dentre os 3 é uma escolha do público – via internet, SMS, celular ou telefone fixo.

O personagem ‘Adauto’, um dos mais queridos da trama, deu a Juliano Cazarré o primeiro troféu da carreira…

Isis Valverde, que esbanjou sensualidade, talento e carisma com a ‘periguete’ Suélen, foi eleita Melhor Atriz Coadjuvante…

A potiguar Titina Medeiros, em sua estreia na telinha (novela ‘Cheias de Charme’), foi consagrada por público e crítica e fez de Socorro uma personagem inesquecível… a atriz dedicou à colega Claudia Abreu a estatueta, a quem não cansou de agradecer por todo o afeto e apoio…

Faustão posa com Sandra Annenberg, que venceu o prêmio de Jornalismo (Foto: Domingão do Faustão / TV Globo)

Já a querida jornalista Sandra Annemberg foi a vencedora na categoria JORNALISMO. E estava bem emocionda, fazendo uns dos discurso mais comoventes da noite.

Ela entrou no palco sendo ovacionada pelo público. Pela primeira vez no programa, Sandra tentou conter as lágrimas, oferecendo o troféu à equipe do telejornal das 13:15h, o Jornal Hoje. “Esse prêmio é do amor da minha vida, Ernesto Paglia, eu sou a âncora dele,  e a Eliza, minha filha. Aos meus pais, madrasta, irmãos e enteados. Principalmente, para a equipe do Jornal Hoje. Ninguém faz televisão sozinho. Só assim a gente consegue trazer a notícia em tempo real”.

Sandra também fez uma tocante homenagem às vítimas da tragédia de Santa Maria (RS): “Queria dividir esse prêmio com as 240 famílias que perderem seus filhos. É uma tristeza profunda. Espero que consigamos renascer aos poucos”.

Deb e Mu 3 mar 13

Nos bastidores do Domingão, o casal criado a partir de Avenida Brasil, Débora Falabella e Murilo Benício eram a imagem da paixão e cumplicidade…

Cacau Protásio, a fantástica intérprete de Zezé, ganhou o coração do público e nós também queríamos um troféu pra ela… mas o páreo era duro…

De fato, quando uma obra causa o impacto causado por AVENIDA BRASIL é como se uma seleção tivesse em campo, um grupo de surfistas estivesse na mesma onda, como bem disse Adriana Esteves. Assim, a sensação de que, este ano, o troféu MELHORES DE ANO tinha que ter sido dado mais de um numa categoria, ficou claro.

A encantadora Mãe Lucinda de Vera Holtz e a Nina de Mel Maia…

Assim como já aconteceu, e pode acontecer, de empate em concursos de escolas de samba, defendemos que, neste caso específico, pudesse haver mais de uma estatueta por categoria. E assim teríamos premiado os três candidatos a ator – Murilo Benício, Marcelo Novaes e Cauã Reymond -, e duas mulheres como REVELAÇÃO: Cacau Protásio e Titina Medeiros.

VERA HOLTZ: um troféu que ficou faltando…

Cláudia Missuri: atuação digna de sonoros aplausos

Além de deverem ser agraciados também os exuberantes Marcos Caruso, VERA HOLTZ, Eliane Giardini, Fabíula Nascimento, Heloísa Perissé, Alexandre Borges, Cláudia Missuri, Letícia Isnard, José de Abreu, Camila Morgado e Débora Bloch, que também mereciam troféus por tudo que ajudaram a construir em AVENIDA BRASIL, a novela das Novelas…

O casamento de Jorginho e Nina: Cauã Reymond, Débora Falabella, Juca de Oliveira e Vera Holtz em cena…

Sei que você, leitor amigo, pode dizer: ‘Mas aí era gente demais pra premiar…”

E era mesmo ! AVENIDA BRASIL teve ademais este mérito exemplar: é uma novela que acabou, deixou uma lacuna de saudade que dói ainda hoje, e plantou nos corações de quem acompanhou a trama cotidianamente (sofrendo quando era preciso perder um capítulo), como este Aurora de Cinema, a certeza de que, desta vez, uma exceção deveria ter sido aberta, e mais troféus deveriam ter sido confeccionados para se conceder premiações duplas e triplas ao elenco de AVENIDA BRASIL !

José Loreto: mais uma estatueta que poderia ter vindo…

Débora Falabella e Adriana Esteves: protagonistas de uma novela coroada de êxito…

Dos prêmios, o único que este AURORA DE CINEMA acha que veio cedo demais foi o de Thiago Abravanel, uma vez que Salve, Jorge começou apenas no segundo semestre, e o ator poderia ser candidato na premiação referente a 2013. Pelo ano de 2012, defendemos a premiação para o ator José Loreto, que, estreante no horário das 21h, compôs um personagem com ares de Ator de profundo conhecimento do métier e com talento exuberante, o ótimo Darckson, a alegria e descontração do bairro do Divino, o subúrbio adorável de Avenida Brasil.

MARCELO NOVAES: Ator teve a chance de mostrar todo seu vigor interpretativo, fez vários ‘gols’ em Avenida e deveria ter levado uma estatueta…

Portanto, a entrega do troféu MELHORES DO ANO reafirmou neste 2013 a consagração da novela AVENIDA BRASIL, de João Emanuel Carneiro, com uma grande equipe de diretores, capitaneada por Ricardo Waddington, Amora Mautner e José Luiz Villamarim -, um formidável elenco, e uma equipe aguerrida e sobejamente competente que fez de AVENIDA BRASIL um marco na Teledramaturgia Brasileira.

Depois dessa trama adorável, da qual sentiremos falta vida afora, a Teledramaturgia Brasileira se divide em Antes e Depois de AVENIDA BRASIL.

O mais efusivo APLAUSO AURORA DE CINEMA para Avenida Brasil…

Confira os indicados e os vencedores

Ator Cauã Reymond, pelo Jorginho de “Avenida Brasil” Marcello Novaes, pelo Max de “Avenida Brasil” Murilo Benício, pelo Tufão de “Avenida Brasil” (VENCEDOR)

Atriz Adriana Esteves, pela Carminha de “Avenida Brasil” Cláudia Abreu, pela Chayene de “Cheias de Charme” Débora Falabella, pela Nina de “Avenida Brasil”

Ator Coadjuvante José de Abreu, pelo Nilo de “Avenida Brasil” Juliano Cazarré, pelo Adauto de “Avenida Brasil” (VENCEDOR) Marcos Caruso, pelo Leleco de “Avenida Brasil?

Atriz Coadjuvante Eliane Giardini, pela Muricy de “Avenida Brasil” Isis Valverde, pela Suelen de “Avenida Brasil”  (VENCEDORA) Vera Holtz, pela Lucinda de “Avenida Brasil”

Ator/Atriz Mirim Ana Karolina Lannes, pela Ágata de “Avenida Brasil” Luiz Felipe Mello, pelo Junior de “Salve Jorge” Mel Maia, pela Rita de “Avenida Brasil” (VENCEDORA)

Atriz Revelação Cacau Protásio, pela Zezé de “Avenida Brasil” Débora Nascimento, pela Tessália  de “Avenida Brasil” Titina Medeiros, pela Socorro de “Cheias de Charme” (VENCEDORA)

Ator Revelação Daniel Rocha, pelo Roni de “Avenida Brasil” José Loreto, pelo Darkson  de “Avenida Brasil” Tiago Abravanel, pelo Demir de “Salve Jorge” (VENCEDOR)

Jornalismo Patrícia Poeta Sandra Annenberg (VENCEDORA) William Bonner

Humor Fernanda Torres, pela Fátima  de “Tapas & Beijos” Leandro Hassum, pelo Jorginho de “Os Caras de Pau” Rodrigo Sant’Anna, pela Valéria  de “Zorra Total” (VENCEDOR)

Música do Ano “Amor de Chocolate”, de Naldo “Assim Você Mata o Papai”, do Sorriso Maroto “Camaro Amarelo”, de Munhoz e Mariano (VENCEDOR)

Avenida Brasil: Porque Amamos Carminha

Intérprete e personagem entrelaçaram-se no gosto popular criando um emaranhado de emoções e cumplicidade que responde por grande parte do êxito da trama de João Emanuel Carneiro

Carminha no auge: rica, linda e vivendo das graças do marido Tufão…

O que mais surpreendeu em AVENIDA BRASIL não foi o mega ibope do último capítulo – coisa de louco, tchê ! -, nem a forma como o autor se inspirou em escritores famosos, nem a trilha, nem o encantamento com o subúrbio traduzido no Divino.

Carminha: milionária encantadora e má do subúrbio…

Tudo isso já houve antes, e continuará acontecendo. E sobre o montão de coisas que se somam para o êxito desta novela que hoje é uma latejante saudade, falaremos adiante.

Adriana Esteves e Marcello Novaes: atores foram destaque com atuações soberbas…

Mas o que mais nos chama a atenção – depois de ler, reler e encontrar nos mais diferentes espaços informativos comentários sobre a novela -, é uma sensação de “Queremos Carminha !” que ainda está no ar.

Esta sensação é o que vai por baixo das afirmações, e corre no íntimo, de todos quanto agora comentam o final da novela – todos viram a mobilização nacional gerada pela exibição do último capítulo da trama, praticamente parando São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre  –  é o que aflora quando se afirma coisas do tipo “Carminha podia ter reagido”, ou “Pensei que Carminha estava mentindo”, ou ainda “Achei que Carminha ia dar a volta por cima”, ou, mais agudo ainda, “Queria que Carminha tivesse terminado rica, numa mansão na zona sul”, ou “Queria Carminha milionária enganando um novo Tufão”…

Carminha e Tufão: casal mobilizou as atenções do “Divino”…

A marcante cena em que Nina corta e pinta os cabelos de ‘Carminha’…

Isso tudo é a tradução mais latente e recôndita de que o envolvimento com a Carminha de ADRIANA ESTEVES tomou tal proporção que o público desejava não só não ver a vilã ficar pobre e sem glamour, como gostaria de ver novamente a atriz – que ele aprendeu a amar e ver bela, mesmo com todas as maldades de Carminha – esbanjando charme e eloquência de vencedora.

Este público queria rever/reencontrar sua Carminha-Adriana de novo linda, loura, esbanjando elegância, destratando os pobres,  enganando o marido, tripudiando com as funcionárias, fazendo exigências mis, zombando dos suburbanos e dizendo – sem papas na língua e com a maior desfaçatez – as insanidades que dizia. Porque a Carminha Vencedora, Bonita e Altiva era também o alter ego da enorme classe C, ou de quantos se sentiram inferiorizados tantas vezes, e que, naqueles momentos de altivez sórdida da vilã, se sentiam vingados ou de alma lavada através dos ótimso diálogos da trama.

E aqui entra, intenso e avasssalador, o potencial artístico de ADRIANA ESTEVES, a quem a imensa maioria da platéia queria ver novamente brilhando e tendo as rédeas da história nas mãos.

SENSACIONALLLLLLLL !

E isso só é possível de ser alcançado, em se tratando de personagem Antagonista, quando se tem uma intérprete do quilate de ADRIANA ESTEVES, cuja maestria, charme e competência a faz uma Atriz do mais alto refinamento interpretativo.

O que esta magnânima ATRIZ Adriana Esteves conseguiu através desta personagem criada por João Emanuel Carneiro é algo ainda a ser estudado por especialistas da área, e quem sabe mereça muito mais ainda a análise de quem atua na área da Psicologia.

Pois o que Adriana Esteves alcançou através de Carminha foi muito mais do que o apoio da audiência, a vibração da plateia, a emoção do telespectador, o entusiasmo dos colegas, a vibração da crítica, o encantamento do autor, ou o misto de adesão x revolta total de todo o público de Avenida Brasil.

Adriana Esteves e sua irretocável CARMINHA conseguiram foi mexer no imaginário coletivo e fustigar a emoção de quantos puderam ver – e vibrar – com a estupenda interpretação desta Atriz para uma personagem capaz das maiores vilanias e atrocidades.

A capacidade impressionante e invejável de ADRIANA ESTEVES de criar expressões faciais diversas para ‘Carminha’, numa mesma cena, ecoou fundo na emoção do telespectador e criou uma empatia só explicável pelas leis do sentimento…

Num próximo post, mais sobre AVENIDA BRASIL.

TODOS OS APLAUSOS para Adriana Esteves, Atriz cujo nome se inscreve na galeria das Grandes Damas da TeleDramaturgia…

O autor e as atrizes Isis Valverde, ADRIANA ESTEVES e Débora Falabella…

Teledramaturgia, Roteiro de Cinema e Cinema Experimental: Novos Cursos na Cinédia

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