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Quarentena: zero abraços e muitos livros

Clipe Livros

50 personalidades indicam livros como companhia na Quarentena

A ideia é ótima e se espalhou pelas redes, jornais, rádio, televisão e novas mídias. E como ideia boa não precisa ter exatamente um dono mas sim uma consequência, foi assim:

Tudo começou com lives culturais noturnas, no finalzinho de março. Quem tomou essa iniciativa e convidou o blog #auroradecinema foi o jornalista, roteirista, documentarista e escritor carioca Valmir Moratelli. Dos encontros virtuais com amigos, parceiros, colegas de profissão, artistas e pessoas interessantes de diversas áreas, nasceu a ideia de colocar todo mundo para fazer pequenos vídeos indicando livros para esta quarentena forçada.

Jornalista Laurentino Gomes lança livro no Recife sobre escravidão

E assim foi:: cinquenta pesso@s, de diferentes nichos – atrizes, atores, escritores, escritoras, engenheiros, advogados, jornalistas, médicos, professores/professoras – gravaram, de suas casas, evidenciando o livro como bom companheiro no isolamento. 

Escritor contumaz e grande amante da literatura, Valmir Moratelli não podia estar em lugar mais indicado que o de incentivador da leitura Num país onde o livro é tão caro e a população, de modo geral, é tão cartente de educação, a leitura é ingrediente ainda mais essencial. Foi esse o mote para a campanha comandada por Moratelli, cujo vídeo está disponível nas redes e na conta dele no Instagram: @vmoratelli.

Valmir e Ma João

Valmir Moratelli e a atriz portuguesa Maria João no lancamento de livro dele, no Rio.

A ação nas redes sociais objetiva também chamar atenção para o fato da venda online das livrarias estar despencando. Muitas delas dependem dessa venda para continuar pagando os funcionários nesta pandemia.

Amandha Lee estará na próxima novela da Record - TV & Novelas - iG

Amandha Lee, atriz e tri-atleta, também participa do clipe de incentivo à aleitura.

O clipe da campanha de INCENTIVO à LEITURA está nas redes sociais desde abril e conta com a participação das atrizes Cinnara Leal e Dandara Mariana, da autora Rosane Svartman, do advogado Ricardo Brajterman, da fotógrafa Nana Moraes, e de muitos outros. 

Romeu Evaristo revela ter superado depressão e comemora nova fase ...

Dandara Mariana e o pai, o também ator Romeu Evaristo, estão no clipe de incentivo à leitura para esta quarentena !

Livro Hibisco roxo - Chimamanda Ngozi Adichie | TAG Livros Como Deixar um Relogio Emocionado - 9788573200492 - Livros na ...

Livros de Ruth Manus | Estante VirtualMe Ajude a Chorar – Fabrício Carpinejar | Le Livros Amazon.com.br eBooks Kindle: Onde os porquês tem respostas ...O QUE AS TELENOVELAS EXIBEM ENQUANTO O MUNDO SE TRANSFORMA - 1ªED ...

Livro Vinícius Sem Ponto Final. João Carlos Pecci. Prim

Poesia, música, telenovela, feminismo e antirracismo estão entre os livros indicados !

Coronavírus escancarou preconceito com idosos que telenovela já havia mostrado

Jornalista Valmir Moratelli analisa cenário inóspito para idosos 

Leopoldo e Flora Mulheres Apaixonadas (Foto: CEDOC/ TV Globo)

Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Oswaldo Louzada) sofriam nas mãos da neta.

 

Novela Mulheres Apaixonadas, 2003*: Dóris (vivida por Regiane Alves) é uma menina minada, que despreza e humilha os avós, Flora e Leopoldo (interpretados por Carmem Silva e Oswaldo Louzada), com quem divide o apartamento no Leblon, na zona sul do Rio. Em uma das cenas, do primoroso texto de Manoel Carlos, Dóris assim se dirige aos avós: “Tem que ter um pouco mais de juízo e um pouquinho mais de consciência de que vocês atrapalham, gente! (…) Vocês dão muito trabalho, dão muita despesa também. Vovô agora com esses chiliques, só de remédio foi uma fortuna. (…) Não servem pra nada. Já pensaram quando morrer? Vão ser enterrados onde? Já pensaram nisso?”.

As fortes cenas de Dóris maltratando os avós chocaram o país, a ponto do Congresso ter aprovado, ainda em 2003, o Estatuto do Idoso. O que o Brasil ouve agora nos discursos de governantes e empresários já foi denunciado lá atrás, há 17 anos, pela nossa ficção televisiva. É o chamado “ageísmo” – que vem do inglês “age” (idade), e significa discriminação etária. Na verdade, a pandemia do coronavírus (covid-19) apenas escancarou o preconceito com idosos sempre emudecido no Brasil.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. O Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, o que representa 13% da população. A projeção é que, em 2031, o número de idosos (43,2 milhões) supere pela primeira vez o de crianças de 0 a 14 anos (42,3 milhões). Esses números reforçam que os idosos são parcela significativa de uma população que, mesmo ainda se enganando como jovem, envelhece em ritmo acelerado.

O presidente Jair Bolsonaro, ao minimizar a pandemia e contrário às orientações da OMS, fez a seguinte declaração: “Eles têm outras doenças, mas dizem que morrem de coronavírus. (…) Não é o coronavírus que mata os velhinhos, essas pessoas já estão debilitadas”. Ainda nas primeiras temerosas semanas de março, o empresário e apresentador de TV Roberto Justus teve um áudio vazado, no qual conversava com amigos: “Na favela (o vírus) não vai matar ninguém. Vai matar só velhinho e gente doente”. No mesmo período, o empresário curitibano Júnior Dorski, sócio de uma rede de restaurantes, gravou um vídeo afirmando que “não podemos (parar) por conta de 5 mil ou 7 mil pessoas”.

O coronavírus, entre tantas consequências nefastas, desnudou o ageísmo do Brasil. E por isso o texto de Manoel Carlos permanece tão atual. Só que agora quem fala que os idosos “não servem pra nada” e “dão muito trabalho” não é obra de ficção. A agressividade com que tratam a população idosa, diminuindo sua importância econômica e – mais violento – menosprezando sua humanidade, é reflexo de um país que não quer se enxergar no espelho. Mas já foi escancarado na telenovela.

O Brasil assiste em 2020 à continuação do discurso de Dóris. Se aquela jovem atroz vivesse nos tempos atuais, mandaria seus doces avós, Flora e Leopoldo, circularem livremente pela orla, e ainda diria para não se preocuparem com o vírus que já contaminou mais de três milhões de pessoas no mundo, pois “é só uma gripezinha”.

▷ Aurora Miranda Leao 📷🎬📺🎶🎭 (@auroradecinema) • Instagram ...

* Valmir Moratelli é autor do livro “O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma e doutorando em Comunicação pela PUC-Rio.

Antropóloga Miriam Goldenberg atua para dirimir preconceito com 3a idade

Referendando a percepção de Moratelli, a antropóloga Mirian Goldenberg, que há duas décadas pesquisa sobre envelhecimento, também revela preocupação com o momento atual. Para a pesquisadora, esse preconceito sempre existiu e foi intensificado pela pandemia:

“O que temos visto nesta pandemia são discursos que chamo de velhofóbicos se generalizando. Políticos, empresários e até o presidente da República já disseram que ‘não se pode deixar a economia parar’ e que os jovens ‘têm que voltar a trabalhar’. Ou até que os velhos vão morrer ‘mais cedo ou mais tarde’. Estamos assistindo horrorizados a discursos sórdidos, recheados de estigmas, preconceitos e violências contra os mais velhos. […] Os velhos sempre foram vistos como um peso para a sociedade, ou seja, já experimentam o que chamo de ‘morte simbólica’. O valor que se dá a essas pessoas mais velhas é quase nulo, socialmente e dentro de casa”.

E dá uma importante dica:

“Tenho tentado fazer as pessoas escutarem os mais velhos. Esse é meu propósito desde que começou essa pandemia. Não dá para ficar dando ordem. Precisamos compreender a a realidade deles e juntos com eles encontrar alternativas para amenizar essa situação, de forma que eles não vivam como se estivessem numa prisão.

Isso seria uma morte antecipada para eles.

Ligue para eles, faça atividades junto com eles. Faça com que eles se sintam vivos, úteis, amados, cuidados”.

Goldenberg e seu amigo, Guedes, de 97 anos

Mirian Goldenberg e Guedes, seu amigo de 97 anos…

“Todos caminham para a velhice”, alerta Miriam Goldenberg:

“É urgente que todos aprendam uma lição importante: a única categoria social que une todo mundo é ser velho. A criança e o jovem de hoje serão os velhos de amanhã. Os velhofóbicos estão construindo o seu próprio destino como velhos, e também o destino dos seus filhos e netos: os velhos de amanhã. Ou seja, muitas dessas pessoas não se enxergam como velhos. A velhice é associada à imobilidade, à doença, à incapacidade, à inutilidade. Por isso ninguém se reconhece como velho, nem os próprios velhos.”

*Com informações de Luis Barrucho, da BBC News Brasil

Veja mais em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52425735

Adriana Esteves eterniza Avenida Brasil

Resumo semanal de Avenida Brasil de 20/01/2020 a 24/01/2020 ...

Adriana Esteves é Carminha e Débora Falabella é Rita: contracena de gigantes !

Avenida Brasil está desde outubro preenchendo a tarde nobre da TV Globo. A exibição do megasucesso, que desbancou Escrava Isaura em número de vendas para diversos países, está na reta final: termina no dia em que maio adentra o calendário, portanto, no Dia do Trabalho.

Por conta disso, decidi postar artigo escrito quando do final da exibição da novela, em 2012, numa homenagem a esta atriz formidável, que considero a maior do Brasil – não esquecendo que Fernanda Montenegro pertence à notória categoria Hors-Concours -, a protagonista Adriana Esteves.

O que mais surpreendeu em AVENIDA BRASIL não foi o mega ibope do último capítulo nem a forma como o autor se inspirou em autores famosos, nem a trilha, nem o encantamento com o subúrbio traduzido no Divino.

Tudo isso já houve antes, e continuará acontecendo. Há um farto arsenal de motivos pelos quais a novela de João Emanuel Carneiro virou um ícone nacional.

Mas o que mais nos chama a atenção – depois de ler, reler e encontrar, nos mais diferentes espaços informativos, comentários sobre a novela, é uma sensação de “Queremos Carminha !”, ainda no ar.

Vilã de 'Avenida Brasil', Adriana Esteves faz revelação: 'Eu não ...

A atriz acredita que, mesmo com as maldades, Carminha conquistou o público por ser corajosa e divertida: “Ela enxergava a vida com inteligência e humor”, disse em entrevista de divulgação da Globo sobre a reprise. Para ela, a maior maldade de Carminha era maltratar e debochar da própria filha, Ágata (Ana Karolina).

Adriana Esteves revela ainda que fazer a vilã foi sua maior entrega como atriz: “Quando terminou a novela, foi a primeira vez que eu senti uma dificuldade muito grande de abandonar a personagem […] Eu estava no 220 volts, e precisava voltar para o 110 para continuar a viver ou até para fazer outros trabalhos, porque como é que eu ia conseguir fazer outra coisa naquela vibração ?”

O que esta magnânima ATRIZ Adriana Esteves conseguiu, através da bem construída personagem criada por João Emanuel Carneiro, é algo ainda a ser estudado por especialistas da área, e quem sabe mereça muito mais a análise de quem atua na seara da psicologia.

Adriana Esteves alcançou através de Carminha muito mais do que o apoio popular e a adesão total de todo o público de Avenida Brasil. O que Adriana e sua irretocável CARMINHA conseguiram foi mexer no imaginário coletivo e fustigar a emoção de quantos puderam ver – e vibrar – com a estupenda interpretação desta Atriz para uma personagem capaz das maiores vilanias e atrocidades. Intérprete e personagem entrelaçaram-se no gosto popular criando um emaranhado de emoções e cumplicidade que responde por grande parte do êxito da trama de João Emanuel Carneiro.

Esta sensação é o que vai por baixo das afirmações, e corre no íntimo de quantos agora comentam o final da novela – todos viram a mobilização nacional gerada pela exibição do último capítulo da trama, praticamente parando São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre -, é o que aflora quando se afirmam coisas do tipo “Carminha podia ter reagido”, ou “Pensei que Carminha estava mentindo”, ou ainda “Achei que Carminha ia dar a volta por cima”, ou, mais agudo ainda, “Queria que Carminha tivesse terminado rica, numa mansão na zona sul”, ou “Queria Carminha milionária enganando um novo Tufão”…

Carminha (Adriana Esteves) - Personagens de "Avenida Brasil" | Amo ...

Isso tudo é a tradução mais latente e verdadeira de que o envolvimento com a Carminha de ADRIANA ESTEVES tomou tal proporção que o público desejava não só não ver a vilã ficar pobre e sem glamour, como gostaria de ver novamente a atriz – que ele aprendeu a amar e ver bela, mesmo com todas as maldades de Carminha – esbanjando charme e eloquência de vencedora.

Adriana Esteves não estará na próxima trama de João Emanuel ...

Criatura e Criador: Adriana Esteves e o autor João Emanuel Carneiro…

Foi isso que fez nascer Laureta, a personagem seguinte de João Emanuel Carneiro para a atriz em sua trama posterior para o horário nobre. Detalhe de extrema relevância na bela parceria dos dois. Mas isso será tema de artigo em fase de elaboração.

Este público queria rever/reencontrar sua Carminha-Adriana de novo linda, loura, derramada em elegância, destratando os pobres, enganando o marido, tripudiando com as funcionárias, fazendo exigências homéricas, zombando dos suburbanos e dizendo – sem papas na língua e com a maior desfaçatez – as insanidades que dizia. Porque a Carminha vencedora, bonita e altiva era também o alter ego da enorme classe C, ou de quantos se sentiram/sentem inferiorizados tantas vezes, e que, naqueles momentos de altivez sórdida da vilã, se sentiam vingados ou de alma lavada através dos ótimos diálogos da trama. E aqui entra, intenso e avassalador, o potencial artístico de ADRIANA ESTEVES, a quem a imensa maioria da plateia queria ver novamente brilhando e tendo as rédeas da história nas mãos. SENSACIONALLLLLLLL !

Globo pode trocar Êta Mundo Bom por Avenida Brasil na próxima ...

E isso só é possível de ser alcançado, em se tratando de personagem antagonista, quando se tem uma intérprete do quilate de Adriana Esteves, cuja maestria, competência e natural vocação fazem dela uma atriz do mais alto refinamento interpretativo.

Adriana Esteves foi de tal modo encantadora que, através de Carminha, alcançou instâncias que significam muito mais do que receber o apoio absoluto da audiência, a vibração da plateia, a emoção do telespectador, o entusiasmo dos colegas, a vibração da crítica, o encantamento do autor, ou o misto de adesão x revolta que se viu durante todo o desenrolar da telenovela. Tão arrebatadora foi a atuação de Adriana que “puxou” todo um corolário de êxitos para a novela: Avenida Brasil foi a primeira novela brasileira que bateu o recorde alcançado pela lendária “Escrava Isaura” (1976), de Gilberto Braga, até então a telenovela brasileira mais exportada.

Adriana Esteves enfrenta desafio como grande vilã de “Avenida ...

A capacidade impressionante e invejável de ADRIANA ESTEVES de criar expressões faciais diversas para ‘Carminha’, numa mesma cena – passando, em questão de segundos, de um semblante triste para a agressividade, de um sereno para um irônico, de um alegre para um raivoso, de um amoroso para um sarcástico – ecoou fundo na emoção do telespectador e criou uma empatia só explicável pelas leis do sentimento. Sua inserção na cena artística brasileira se dá como uma Atriz completa, disposta e capaz de se jogar em qualquer personagem com a mesma extrema e singular capacidade com a qual ela transformou Carminha na melhor personagem do ano e, quiçá, na vilã mais adorada de todas as novelas.

Adriana Esteves ganha troféu como Carminha; confira os destaques ...

O primeiro prêmio por Carminha foi o do Jornal Extra. Depois vieram outros 7…

Veja fotos do 15º Prêmio Contigo! de TV no Rio de Janeiro

Carminha deu a Adriana todos os prêmios como Atriz do ano de 2012, num total de 8 estatuetas.

         Atriz ganha prêmio da ABI pela personagem Inês, da novela “Babilônia”, de Gilberto Braga…            

                        Um DEZ gigante e emocionado para Adriana Esteves !

LIVES Culturais em tempo de Quarentena

“O que está em jogo neste momento é nossa capacidade de integrar”, afirma o escritor e jornalista Valmir Moratelli

Valmir Moratelli - AdoroCinema

Valmir Moratelli: papos culturais em tempo de quarentena

Ficar em casa tem sido a grande ocupação mundial. Em tempos de angústia e ansiedade pela incerteza de dias melhores, estamos todos em casa. Os que podemos. Há uma imensa legião de profissionais, cujo trabalho é primordial, que ocupam ruas, hospitais, mercadinhos, farmácias e supermercados, redações de jornalismo, postos de saúde e outros mais, que precisam estar fora de suas casas, trabalhando em prol da coletividade. Para estes, nosso aplauso, nossa gratidão infinita e nossas orações permanentes.

Sendo imperioso ficar em casa visando uma menor e mais lenta propagação do inimigo invisível, estamos todos apredendo a viver sozinhos, distante de quem amamos, dos que queremos abraçar, das conversas jogadas fora, dos encontros marcados, do contato com o outro que oxigena a vida.

Neste abrupto intervalo que nos foi imposto pela sombria chegada de uma doença paralisante e aterradora, o jornalismo reafirma sua magnitude e importância: o mundo precisa sim, cada vez mais, de uma imprensa livre, investigativa, profissional, opinativa, atenta aos fatos do mundo e no interesse da coletividade e preservação da espécie. Talvez nunca, em nenhum outro tempo, foi tão crucial o trabalho do jornalista.

Em meio a essa seara de perplexidade que se apossou do mundo, uma ferramenta tecnológica ganhou outra significação, passando de possibilidade a necessidade de reafirmação da troca afetiva. Elas atendem pelo nome de LIVES, e se há algum tempo já são usadas para conversa entre amigos, trocas de informações profissionais e coisas afim, agora elas viraram as grandes aliada das solidões diurnas, noturnas, confinadas nos isolamentos forçados, mas necessários, de cada um.

Lançamento do livro “Diálogos para Santos Cegos” – Tips Star News

Contos na era fake news: ficção de Moratelli é dos belos lançamentos literários de 2019.

Algumas redes sociais disponibilizam a troca de conversa via Lives, e uma das que mais tem ganhado espaço é a do Instagram. Trata-se de uma ferramenta oferecida gratuitamente para quem tem a conta na rede social (aplicativo pode ser baixado gratuitamente na web) e que é bem fácil de ser usada.

brasilqueorgulha Instagram posts - Gramho.com

Valmir Moratelli é um estudioso de telenovelas e tem livro importante sobre o tema.

Quem optou por fazer lives com constância agora foi o colega jornalista, Valmir Moratelli. Em geral, Valmir faz lives noturnas. Aí pergunto como nasceu a ideia de fazê-las, ao que ele responde: “Eu tive essa ideia quando surgiu esta realidade do isolamento social, aí comecei a pensar na questão da mobilidade dentro de casa. Já tinha experiência com lives, profissionalmente, em várias ocasiões em que o deslocamento não é possível ou demanda mais tempo. Sempre fui um entusiasta das mídias digitais no sentido de achar que elas também podem trazer coisas positivas. Imagina uma situação dessa que estamos atravessando, se não tivéssemos as redes sociais. Seria complicadíssimo ficar sem ver as pessoas, sem ter com quem conversar ou trocar ideias”.

Como Valmir é também escritor, poeta, contista, estudioso de carnaval e teledramaturgia, além de cineasta, suas lives tem um atrativo especial: são muito instigantes e quem participa tem logo vontade de interagir. Porque Moratelli é muito bem articulado e fala com simplicidade, propriedade, simpatia e carisma. E o melhor: são lives com vários temas diferentes e que tem rendido ótima sintonia com o público.

As lives de Valmir Moratelli tem acontecido desde a semana passada, mais precisamente desde 23 de março, e já foram abordados assuntos como telenovela, carnaval, livros e literatura, astrologia, vilãs de telenovelas, e outras já estão agendadas.

A receptividade tem sido tão boa que Valmir já pensa em convidar atrizes e atores para participar e mostrar pro público um novo modo de fazer arte: a versão quarentena, um modo light, espontâneo, leve, em que o que vale é ter certeza de que cada um está disposto a dar sua parcela de contribuição para aclarar estes dias tão aflitivos.

Valmir Moratelli destaca fake news em contos instigantes | Aurora ...

Valmir Moratelli vê nas lives um respiro no isolamento social.

Moratelli, que é também doutorando em Comunicação pela PUC-RJ, diz que as lives são “momentos de lazer para poder bater um papo abertamente com outras pessoas, dando pitaco, sugerindo ideias, é uma ferramenta de interação. Num momento desses tão complicado, por que não usar essa ferramenta ? Ela funciona como uma mesa de bar sem estar num bar”. E arremata: “A importância maior das lives é porque temos acesso a uma ferramenta tecnológica que nos aproxima, neste momento tão difícil em que todos somos obrigados a ficar distante dos amigos e da convivência social.”

Em tempos de distanciamento e isolamento do outro, vale lembrar que cada um pode, e deve, contribuir para levar leveza, afeto, informação, de forma altruísta e descontraída, na certeza de que, numa live, o que mais conta é o sentir-se parte de um todo, de uma comunidade que se encontra para partilhar emoções e ideias. É saber-se acolhido pelo ouvir e o olhar do outro, um outro que tantas vezes não sabemos quem é, mas sabemos que ali está para diminuir seu isolamento, mitigar a falta de interlocuções, trocar impressões, compartilhar sentimentos e distribuir conhecimento e esperança.

E para Valmir Moratelli, elas devem render bons frutos:

“Acredito que a live veio para ficar como ferramenta de integração, mais do que interação, é integração. Nós estamos nos integrando no papo do outro, na cabeça do outro, no linguajar, na forma como o outro tem de se comunicar. É muito importante isso num momento em que temos falhas de comunicação muito graves em outras esferas. Então, nós como comunicadores, como pesquisadores da área de Comunicação, das Ciências Sociais, da área de Humanas, nós temos que nos utilizar dessas ferramentas para poder abranger ainda mais o alcance de integração. Porque senão vamos ficar cada vez mais isolados, cada vez mais individualizados. A sociedade já vinha nesse processo de individualização, cada um olhando pro seu próprio umbigo. E aí acontece uma pandemia dessa, com uma quarentena que todo mundo tem de ficar em casa, e pegou todo mundo de supetão. Então, o que está em jogo neste momento é a nossa capacidade de integrar”.

Telenovela vira assunto de debate disputado na FLIP

Livro sobre telenovelas teve concorrido lançamento na FLIP: Valmir Moratelli com Mauro Alencar, Dandara Mariano e Ana Paula Gonçalves (Paraty, julho 2019).

Na quarentena, a teleficção como melhor companheira

Os Dias Eram Assim: supersérie fala de Ditadura e revive Diretas Já !

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   Renato Goes e Sophie Charlotte vivem par romântico que a ditadura separa                                                            

A seleção brasileira fazia o jogo final da Copa de 1970. Nas ruas, um clima de euforia. Na história que pulsava por baixo dessa euforia de quem está prestes a sagrar-se campeão mundial, corria outra sensação, a de aviltamento da dignidade humana, alicerce do período sombrio da ditadura brasileira.

Há uma dor funda e recente que cerca esse momento da vida brasileira. Aquele tempo ainda não foi bem assimilado na memória nacional. É difícil falar sobre aqueles dolorosos anos e, talvez por isso, ainda há quem duvide que eles existiram de fato.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca em atuações memoráveis como apoiadores do regime que suprimiu as liberdades no Brasil por mais de 20 anos.

O período sombrio que extirpou a liberdade do cotidiano nacional cheira a repressão, ditadura, violência, aviltamento dos direitos fundamentais, cerceamento da liberdade, e é sobre isso que fala a supersérie Os dias eram assim.

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Estreada no último dia 17 de abril, a obra tem co-autoria de Ângela Chaves e Alessandra Poggi, e direção capitaneada pelo mestre Walter Carvalho (o festejado paraibano diretor de fotografia de tantos trabalhos memoráveis), com direção geral de Carlos Araújo.

É nesse contexto da ditadura, tematizado em Os Dias eram assim, que Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) se conhecem e iniciam uma história de amor que vai atravessar quase duas décadas, cruzando com eventos históricos importantes. Da repressão às Diretas Já, o amor vai passar por vários percalços, e talvez sobreviva: medo, intrigas, separação, dor, tristeza, esperança.

Renato é médico e primogênito de uma família de classe média, moradora de Copacabana. Tem dois irmãos, os estudantes Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle).  O pai era professor universitário e a mãe é dona de uma livraria, Vera (Cássia Kis). Cada um a seu modo, estão todos engajados na luta pela liberdade: enquanto Gustavo sai às ruas, Maria usa a arte como forma de expressão.

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Alice (Sophie Charlotte), mocinha da trama, é a protagonista que simboliza o feminismo nascente nos anos de 1970.

No universo da jovem Alice (Sophie Charlotte), a batalha é contra o pensamento conservador da família. Questionadora, a estudante sempre bateu de frente com os pais. Dono de uma construtora, Arnaldo (Antônio Calloni) é um empresário rico e de padrões fascistas: não se conforma com o fato de a mulher, Kiki (Natália do Valle), nunca ter conseguido reprimir a inquietude da filha. Para ele, a mulher é a culpada por tudo de ruim que acontece no lar e na família. O empresário é um típico vilão, homem deplorável que causa nojo e revolta, feito com invejável maestria por um Ator do quilate de Antônio Calloni.

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Alice apaixona-se por Renato e, a partir daí, começa a ter rasgos de insuspeitada coragem: o primeiro passo é ir contra o desejo dos país e contrariar o principal projeto deles para a vida dela: a jovem rompe o namoro de anos com o machista Vitor (Daniel de Oliveira), que não se conforma com o rompimento. Tudo o que Vitor deseja é tornar-se dono da fortuna do pai de Alice. O casamento seria a concretização de seu ideal.

O abjeto Vitor é braço-direito de Arnaldo na construtora, e filho  arrogante e oportunista Cora (Susana Vieira). Os mundos de Renato e Alice se cruzam por amor e serão separados pela divisão ideológica entre as duas famílias, potencializada pelo ambiente político reinante no país. Ambientada entre as décadas de 70 e 80, período que vai da repressão às Diretas Já, a supersérie Os dias eram assim é exibida por volta das onze da noite e vem tendo boa audiência.

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O comício das Diretas Já serviu de belas cenas para a teleficção…

Aqui, como em todo o formato da teleficção audiovisual, o drama amoroso é o grande motim: “A História é o pano de fundo dessa trama de amor. Tratamos de encontros e desencontros desse casal que é separado de forma abrupta e, depois, vai se reencontrar quando os dois já não são mais os mesmos”, diz Ângela. Já Alessandra afirma: “Alice e Renato vivem uma história de amor muito forte no primeiro momento, mas, quando são separados, cada um resolve seguir sua vida. A maior parte da história ocorre após o reencontro, no período de pré-abertura política, em 1984”.

Para nós, soa engraçado, para não dizer apressado e preconceituoso, os comentários acerca da supersérie que pretendem analisar uma obra que não é a que está na TV. A supersérie fala sobre uma história de amor interrompido, como assim acontece em qualquer obra teledramatúrgica. Basta ler um pouquinho sobre o tema para saber que a telenovela tornou-se nosso maior produto cultural de exportação e ocupa um lugar de destaque na programação televisiva diária, sendo que existe desde  1951. A partir de 1963, tornou-se atração diária. De lá pra cá, o gênero se consolidou e tem clara filiação melodramática. Portanto, querer ver uma telenovela e acreditar que seu principal enfoque não será uma história de amor é desconhecimento, ingenuidade ou má vontade.

Seguindo o raciocínio, o que nos parece mais instigante é justamente o fato de repetir-se uma fórmula, absolutamente popular e consagrada, e, mesmo assim, continuar agradando e atraindo imensa audiência. Fazendo uma analogia com o cardápio gastronômico, a telenovela é assim uma espécie de bolo: todo mundo tem um preferido. Logo, sabemos haver uma enorme variedade, que atende a múltiplos gostos, mas a base da receita é sempre a mesma: atrai inúmeros seguidores, pode ser feita com diferentes ingredientes, e o que sobressai é um paladar de alta fidelidade: não há quem não goste de bolo, embora as preferências de gosto variem constantemente.

Pois é, e ainda argumenta-se que a história de Os dias eram assim tem clichês típicos de novela. Ora, pois, se uma mini ou superssérie é assim um ‘primo rico’ da telenovela, como não ter clichês típicos do gênero ? Como fugir ao padrão que tornou a ficção seriada o carro-chefe da programação televisiva brasileira ? E por que haveria de se mexer num ‘time que está ganhando’?

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Danilo e Camila, casal de “Amor de mãe”… Mas afinal, quem não gosta de um bom romance ?

Não estamos assistindo a um filme ou acompanhando uma encenação teatral: Os dias eram assim é uma supersérie. Segue o mesmo esquema básico clássico de uma telenovela, apenas o formato é menor que o desta, embora maior que o de uma minissérie. Seguindo com nossa analogia, o bolo pode ter outro formato e recheio, mas será sempre um bolo, e não um risoto, um uma macarronada ou uma feijoada.

A fórmula de telenovelas, minisséries, microsséries, casos especiais, superséries – teleficção audiovisual – é a mesma há dezenas, e o que encanta é ela permanecer sempre igual em sua diferença de cada novo título. Sempre com a mesma força e capacidade de atrair. E talvez aqui resida um dos trunfos de seu aprimoramento e apuro técnico: como há um sequenciamento ad infinitum do mesmo formato, as equipes realizadoras das telenovelas se esmeram, cada vez mais, ao longo de toda a história da Teledramaturgia Brasileira, em fazer com mais qualidade, primando pela capacitação de seus profissionais.

Isso é o que podemos constatar observando a enorme penetração da produção brasileira no exterior (mais de 130 países compram nossas telenovelas). E quanto mais esse mercado foi crescendo ao longo dos anos, mais o gênero se consolidou e as equipes técnicas, imensas e valorosas, foram sendo lapidadas – direção, fotografia, luz, cenário, maquiagem, direção de arte, trilha sonora e musical, caracterização –, chegando ao patamar que hoje vemos diariamente na telinha e que nos impactam, cada dia mais, pela excelência técnica e artística que exibem.

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Niko e Félix, o par romântico de “Amor à vida” que ganhou torcida nacional em 2014.

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Luzia e Beto Falcão: uma paixão que emocionou a audiência de “Segundo sol”

Afinal, se a história de amor incomoda por ser o fundamento dos enredos é porque o tempo consagra como clichê o que é  considerado bom para a grande maioria. E o clichê foi popularizado por ser reconhecidamente atraente e imbuído de qualidades intrínsecas: quem descobriu, aderiu, quis imitar, virou moda e contagiou. E o poeta Fernando Pessoa sabia tanto e tão bem disso que imortalizou o melhor e mais sábio de todos os clichês: o Amor.

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Leleco (Marcos Caruso) e Tessália (Débora Nascimento): casal rendeu bons momentos em “Avenida Brasil”

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Mercedes e Josafá: casamento na 3a idade foi das melhores coisas de “O outro lado do paraíso”

E, parafraseando o notável poeta português, dizemos:

Todas as histórias de amor são

Ridículas.

Não seriam histórias de amor se não fossem

Ridículas.

As histórias de amor, se há amor,

Tem de ser ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca curtiram

Histórias de AMOR

São ridículas.

As verdadeiras RIDÍCULAS !

É que são Rídiculas.

 

Guerra dos Sexos: ‘farsa’ envolvente e cheia de grandes atuações

Novela de Sílvio de Abreu tem grandes atuações e momentos hilários

A novela Guerra dos Sexos, atração das 19h na telinha da Globo, demorou pra engatar, mas há meses vem tendo boa audiência. Agora, nesta reta final – termina dia 27 -, vem tendo grandiosos momentos de atuação, direção, dramaturgia.

A novela assume claramente o gênero farsesco, e talvez o não entendimento do gênero tão logo a novela começou, seja o motivo para a baixa aceitação da trama no início. A ‘farsa’ vem anunciada desde a abertura da novela, na qual ‘as cartas são logo colocadas na mesa’ com animações evidenciadoras do jogo entre o gato e o rato, o gato e o cachorro, como clássicos exemplares da guerra entre os gêneros. Acresce-se ainda nesta releitura da obra de 1983 a bela homenagem do autor aos primeiros protagonistas da trama, Fernanda Montenegro e Paulo Autran, presentes no cenário principal em quadros com as imagens dos personagens Charlot e Otávio (cujos olhos se movimentam), mais um ícone reafirmador do assumido estilo farsesco.

Em post anterior, falamos aqui em alguns ‘trunfos’ da obra, citando a atuação de Tony Ramos, Drica Moraes e Marianna Armellini como grandes DESTAQUES.

E de fato, estes três atores, cada um de forma exponencial, criaram e desenvolveram personagens com competência, maneiras de ser e estar muito peculiares, e inegável talento. E, sobretudo agora, quando o desfecho se aproxima, é preciso reiterar a vontade de ‘Tirar o Chapéu’ para estes três atores – Tony, Drica e Marianna -, os quais assinam com maestria as cenas mais eloquentes da bem armada trama de Silvio de Abreu.

Como ‘Nieta’, Drica Moraes irradia vocação num dos melhores papéis da carreira…

Ao lado de Fernando Eiras, Drica Moraes responde por cenas irretocáveis…

Tony Ramos e Drica Moraes já eram bem conhecidos do público e da crítica, todos sabemos de suas atuações memoráveis, mas isso não os faz menos merecedores de comentários elogiosos e aplausos calorosos. Tony exacerba dna capacidade de atuar com extrema competência, e Drica Moraes assumiu a personagem ‘Nieta” como um desafio, criando uma das melhores coisas da trama e um dos mais relevantes papéis de sua carreira.

O linguajar típico da moradora de subúrbio paulista, iletrada e tosca, e a junção disso com sutilezas de trejeitos, falas e achaques que a atriz emprestou à personagem fazem da sua Nieta um trunfo de Guerra dos Sexos e um dos melhores papéis de sua carreira tão pródiga em grandes trabalhos, sobretudo no teatro e cinema.

Marianna Armellini: a ‘Frô’ cheia de caras e bocas, fofocas e paixão recolhida…

Ao lado deles, esta atriz, Marianna Armellini, quase iniciante, jovem, cheia de vocação e sutilezas de intérprete, torna-se uma grata surpresa da novela, inserindo-a já como um dos grandes DESTAQUES da telinha neste 2013.

Johnny Massaro e Marianna Armellini: os atrapalhados Kiko e Frô em Guerra dos Sexos

É sensacionallllll a ‘Frô’ criada por Marianna Armellini. A atriz afirma um talento raro e salutar para a comédia, sendo egressa da ECA (uam das mais respeitadas escolas de Dramaturgia do país, ligada à USP) e, portanto, tendo passado por grandes construções drampaticas também. O que só confirma que os grandes atores da Comédia alcançam esse estágio depois de muito exercitar-se nos pântanos da Tragédia. É lá, sobremodo, que aprendem a destrinchar os meandros da condição humana, onde tem mais e maiores oportunidades de depurar a sensibilidade em exercícios de introspecção e mergulho fundo nas dores humanas, e de lá, emergem então com força de ciclone para os intrincados e sutis caminhos da comédia.

Marianna Armellini é um exemplo típico disso. A ela, a esta Atriz que muito ainda vai nos deliciar com a força de seu carisma e a competência de sua capacidade interpretativa, o carinhoso Aplauso AURORA DE CINEMA.

Nesse mesmo viés, queremos ressaltar a atuação altamente sensível e convincente de Reynaldo Gianechinni. É impressionante como tem vocação e talento este Ator. Muitas vezes ‘atrapalhado’ por sua beleza física, que por vezes deixou e deixa muita gente sem prestar atenção no quanto é intensa, eloquente e sensível sua interpretação, Giannechini fez do papel de Nando outro destaque de Guerra dos Sexos e, sobretudo, um destaque em sua lista de personagens.

Mariana Ximenes e Gianecchini: o amor atrapalhado e cheio de paixão de Juliana e Nando…

Quem primeiro me chamou a atenção para o talento e versatilidade de Gianny foi Aderbal Freire-Filho, ator/dramaturgo e consagradíssimo diretor de Teatro e encenador, de quem tenho a honra de ser conterrânea, e a alegria de ser amiga e ex-aluna. Lembro que, em conversa com Aderbal há alguns anos, ele me falava do quanto se impressionara com Gianny, a quem ele foi dirigir atendendo a convite da jornalista Marília Gabriela. A partir daí, Gianny passou a ser pra mim um Ator em quem deveria prestar atenção com cuidado e olhar dedicado.

Reynaldo Gianecchini em grande momento como ‘Nando” de Guerra dos Sexos…

Pois quando vejo agora o que Gianny vem alcançando em empatia, força e imenso poder de persuasão com sua refinada criação para o caipira Nando só me lembro do quanto é sábio Aderbal Freire-Filho e o quanto Gianecchini é, de fato, um Ator digno de nossa melhor atenção, nosso maior carinho e mais veemente aplauso. Que grande Alegriaaaaaaaa é acompanhar as inocências, trapalhadas e sem jeitices de Nando ! Quanta verdade Gianny soube emprestar ao personagem, tornando-o crível num piscar de olhos e respondendo por algumas das mais marcantes e hilárias cenas da gostosa trama de Sílvio de Abreu.

Mas nenhuma obra de arte dramatúrgica se faz só: se o conjunto dos trabalhadores envolvidos não for inteiramente competente e dedicado, a obra não vai funcionar como um TODO – harmônico, bem absorvível, verossímil, e no qual se mergulha com vontade, entrega e assinando o pacto implícito, proposto pela ficção.

Assim, cabe afirmar: os méritos de Guerra dos Sexos – e são muitos – cabem a uma trama bem forjada, repleta de qualidades, amparada numa equipe técnica primorosa e num elenco afinado, coeso, e repleto de excelentes intérpretes, os quais dignificam e dão respaldo à obra aberta de tão difícil consecução e tão pouco olhar sem preconceito e análise séria por parte da crítica.

Irene Ravache, Glória Pires, Edson Celulari, Marilu Bueno, Eriberto Leão, Fernando Eiras, Bianca Bin, Luana Piovanni, Mariana Ximenes, Daniel Boaventura, Johnny Massaro e Débora Olivieri são os principais alicerces da atuação em Guerra dos Sexos. Todos eles estão ótimos em seus papéis. E como é gostoso observar a maestria com que atores criam seus personagens – dos mais ‘bobos’ aos mais ‘compenetrados’ ! Como é bom deliciar-se vendo o trabalho competente desta turma que faz Guerra dos Sexos ! E, ademais, como é lindo ver um trabalho com o vigor, a acuidade e a alquimia que conseguimos constatar ao assistir à Guerra dos Sexos.

Nesta reta final, vale destacar a impressionante capacidade interpretativa de Tony Ramos. Tendo de assumir ‘dois’ papéis de uma hora pra outra – saudável ousadia da trama que Tony agarrou com unhas e dentes -, ao mesmo tempo fazendo um brasileiro arrogante, chato, mandão, e um português agradável, refinado, bonachão, o ator vem fazendo boas ‘misérias’ na telinha, e arranca dúvidas até de quem acompanha a trama.

Tony está num momento absoluto de magistral criação, vivenciando lances impagáveis e extrapolando em sua condição de Ator Magnífico, cuja excelência já é tão conhecida de todos.

Tony Ramos como o português Dominguinhos em ‘Guerra dos Sexos’…

Dá gosto ver o ator em cena, cheio de caras e bocas (como exige a ‘farsa’ em que está inserida a trama), trejeitos e achaques impecáveis, que ele compõe com invejável talento, escancarando competência e demonstrando enorme prazer no que está fazendo.

É bom demais acompanhar os apuros e controvérsias em que se metem os personagens dos primos Otávio e Dominguinhos, grande sacada desta trama que vai se afirmar – mesmo tendo demorado a emplacar – como uma das mais criativas e bem realizadas do horário das 19h.

‘Guerra dos Sexos’ vai deixar saudades…

Por tudo isso, um grande VIVA ! à equipe criadora da novela, Parabéns ao autor Sílvio de Abreu, ao diretor Jorge Fernando (!), e um enorme e caloroso APLAUSO AURORA DE CINEMA para este elenco formidável que vem possibilitando intensos momentos de boa diversão diante da telinha, em horário sempre difícil de emplacar.

Jorge Fernando e Tony Ramos: diretor e protagonista em parceria perfeita…

PARA ENTENDER MELHOR A FARSA:

O gênero dramático FARSA caracteriza-se por seus personagens e situações caricatas. Distingue-se da comédia e da sátira por não preocupar-se com a verossimilhança nem pretender o questionamento de valores. Busca apenas o humor e, para isso, vale-se de todos os recursos: assuntos introduzidos rapidamente, evitando-se qualquer interrupção no fio da ação ou análises psicológicas mais profundas; ações exageradas e situações inverossímeis.Recorre a estereótipos (a alcoviteira, o amante, o pai feroz, a donzela ingênua) ou situações conhecidas (o amante no armário, gêmeos trocados, reconhecimentos inesperados).

A estrutura e a trama farsesca baseiam-se em situações nas quais as personagens se comportam de maneira extravagante, ainda que possam manter no geral uma cota de credibilidade.

Misto de comédia e crítica social dos comportamentos desviantes, o gênero FARSA surgiu em meados do Século XII com o Teatro Medieval e ainda hoje destaca-se como gênero literário muito usual na literatura popular universal. O objetivo sempre foi arrancar gargalhadas do público.

Edson Celulari, Glória Pires, Sílvio de Abreu, Mariana Ximenes, Tony Ramos, Irene Ravache, Gianecchini e Jorge Fernando…

Cena antológica consagra pico de audiência à Avenida Brasil

Carminha (Adriana Esteves) ficará nas mãos de Nina (Débora Falabella)

Desde sexta, quando a personagem de Adriana Esteves descobre que Nina (vivisa por Débora Falabella) é a mesma Rita, que ele odiava desde pequenina e de quem pensava ter-se livrado através de umas e outras que ela aprontou pra cima da adversária, a novela AVENIDA BRASIL (TV Globo, 21h) vem dominando ainda mais a atençã odo público e da imprensa. O capitulo de sábado, em que Carminha passa um ‘chega pra lá’ quase defintivo em Nina, teve a magistral cena do quase enterro de Nina/Rita. A cena é, indubitavelmente, das mais criativas, bem realizadas e dramaturgicamente brilhante. APLAUSOS para João Emanuel Carneiro, sua trupe de colabores (do texto à realização na telinha), e ao seu magnânimo elenco.

Mas hoje, quando sabia-se que Nina voltaria a encontrar Carminha, o público respondeu em peso ao ‘chamado’ da trama e a novela teve seu maior índice de audiência, ultrapassando os 44 pontos – até então, ainda não alcançado.

Números divulgados pelo Ibope dão conta de que AVENIDA BRASIL reinou  absoluta na noite, alcançando 44,5 pontos. A segunda colocação ficou com o SBT, 6 pontos, seguida de 5 pela Record. Até então, o índice mais alto da novela era o de 43 pontos.

A expressiva (e merecida) audiência deve-se a essa torcida que vem ganhando contornos bem nítidos entre o público: a audiência quer ver a vitória de Nina e sabe que, até isso acontecer, ainda irá se surpreender muito.

Cauã Reymond esteve no programa do Faustão domingo e afirmou que a novela agora tem ‘cenas secretas’ sendo gravadas. Ou seja, para algumas cenas, o sigilo é total, e só entra no estúdio os atores cujos personagens estejam envolvidos.

A TV Globo quer evitar – em muito boa hora – que comecem a vazar notícias de próximas cenas, e o destrinchar de acontecimentos seja revelado, coisa que, quando acontece, causa muigta chateação em quem assiste à novela com emoção de telespectador fiel, e quer acompanhar o desenrolar da trama via tevê. Do contrário, melhor seria ler fotonovelas, já que a telenovela – assim como os filmes, mas sobretudo o gênero obra aberta televisiva, foi criado para se assistir via telinha, e não ficar conhecendo a trama via revistas, sites, ou comentários de colegas.

Você que não viu, mas quer checar a grande cena que foi ao ar hoje, cesse o site da Globo – www.globo.com – e confira. Amanhã, a cena continua, e haja competência.

A chegada de Carminha em casa, sozinha, crente que lá vai encontrar os empregados Lúcio e Janaína… e a personagem vai adentrando a casa, tudo no escuro, e, de repente, apenas um facho de luz acende e ela vê a ‘desaparecida’ Nina sorridente, e ainda ameaçando-a, e quando Nina diz pra ela acender a luz, Carminha acende e tem a surpresa inesperada… francamente, foi um show de Dramaturgia e Realização. Uma cena antológica, já nos arquivos das melhores cenas de telenovelas do país.

Resumindo: AVENIDA BRASIL está Sensacionallllllll !!!

Mais uma vez, Novela da Globo Concorre a Prêmio Internacional

A  novela O Clone, produzida no Brasil, Colômbia e Estados Unidos, concorrerá no 51º Festival de Televisão de Monte Carlo, a ser realizado entre 6 e 10 de junho em Mônaco, informam os organizadores do evento.

O Clone, da novelista Glória Perez, competirá pelo Prêmio da Audiência TV Internacional dentro da seção Telenovelas junto com outras duas criações, a americana “The Bold and the Beautiful” e a turca “Asi”.

Criada há seis anos pela Eurodata TV Worlwide e pelo Festival, o prêmio que permite os telespectadores votarem nos programas mais vistos no mundo, conta com outras duas categorias, uma dedicada às Séries de TV Dramáticas e às Séries de TV Cômicas.

Em cada uma delas competem também três programas, neste caso todos americanos: “C.S.I: Las Vegas, “C.S.I.: Miami”, e “House”, e as comédias “Desperate Housewives”, “The Big Bang Theory” e “Two and a Half Men”.

  TV Globo  
A atriz Giovanna Antonelli como Jade, a protagonista de "O Clone"
A atriz Giovanna Antonelli como Jade, protagonista de “O Clone”

Os vencedores desta edição dos Prêmios da Audiência TV Internacional serão aqueles que atingiram as maiores audiências nos cinco continentes ao longo de 2010, explicam os promotores do prêmio.

As séries finalistas foram pré-selecionadas entre os 15 programas de ficção mais importados de 67 países, que envolve cerca de 3 bilhões de telespectadores potenciais.

Eurodata TV Worldwide distribui informação audiência de televisão mundial e cobre mais de 3 mil canais em mais de 80 países.

É um organismo criado pela empresa líder de estudos Médiamétrie, que mede e analisa o comportamento do público e as tendências do mercado em televisão, rádio, internet, cinema e telefonia celular entre outros meios, lembra o comunicado.