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Rogério SGANZERLA para melhor celebrar Olhar de Cinema

DOC sobre genial cineasta abre Festival OLHAR DE CINEMA, terça, em Curitiba 

Com a exibição do filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz, será aberto na noite desta terça o OLHAR DE CINEMA – Festival Internacional de Curitiba, que vai mobilizar a capital paranaense de até 4 de junho. 

Dirigido por Joel Pizzini, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz venceu a 17ª. edição do Festival É Tudo Verdade na categoria de Melhor Documentário Brasileiro. O filme recria o ideário do cineasta catarinense Rogério Sganzerla através de uma linguagem experimental , a qual (segundo Pizzini), “homenageia ainda elementos relacionados a Orson Welles e à Antropofagia”. 

Criador do revolucionário O Bandido da Luz Vermelha, obra de Rogério Sganzerla ainda precisa ser devidamente conhecida…

Unindo preciosas imagens de arquivo a uma narrativa ensaísta, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz não apenas homenageia a obra do famoso cineasta, como também contribui para um importante mapeamento histórico do audiovisual brasileiro. A exibição do filme será dia 29, às 19h, no Teatro Guairinha, com entrada franca. 

Ao lado da companheira de toda a vida – atriz e cineasta Helena Ignez -, Rogério Sganzerla é um dos nomes mais relevantes do Cinema Brasileiro

SERVIÇO:

Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

 

De 29 de maio a 4 de junho

Realização: Grafo Audiovisual, Ministério da Cultura, Governo Federal.

Patrocínio: Volvo, Copel, Schweppes. 

Apoio: Estúdio Tijucas, Conta Cultura, Governo do Estado do Paraná, Shopping Crystal

Apoio Cultural: SESI-PR, SESC-PR, SESC Paço da Liberdade.

Promoção: RPCTV, Gazeta do Povo. 

Locais: 

·         Espaço Itaú de Cinema – Shopping Crystal – Exibição da seleção oficial de filmes. Rua Comendador Araújo, 731 – Batel.

 ·         Cinemateca de Curitiba – Exibição da seleção oficial de filmes. Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco. 

·         Museu Oscar Niemeyer – Mostra paralela Multiolhares. Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico.

·         Sesc Paço da Liberdade – Seminário e Debates com os Realizadores.Praça Generoso Marques – Centro.

·         Sesc da Esquina – Realização das Oficinas. Rua Visconde do Rio Branco, 969.

·         Teatro Guairinha – Cerimônias de Abertura e Encerramento. Rua XV de Novembro s/n.

·         SESI  (várias unidades nos bairros) – Mostra Olhar Itinerante. 

Saiba maiswww.olhardecinema.com.br

 

Pizzini revela SGANZERLA e vence É Tudo Verdade…

Recebemos com alegria a notícia de que o filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz venceu o festival É Tudo Verdade.

Este Sganzerla, ao qual o também cineasta e professor Joel Pizzini, nos aproxima, é o lendário Rogério Sganzerla, criador de O Bandido da luz vermelha, um dos mais festejados filmes brasileiros de todos os tempos.

Esperamos conhecer o filme de Joel muito em breve.

Enquanto isso não acontece, deixo com você, leitor amigo, o abalizado comentário do jornalista Luiz Zanin Oricchio, publicado no blog dele do Estadão…

Galáxia Sganzerla, ainda inexplorada

Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz , de Joel Pizzini, é um filme-colagem, ou filme-ensaio sobre este que foi um dos mais importantes realizadores brasileiros.

Rogério Sganzerla, cuja trajetória, durante muito tempo, parecia resumir-se à sua obra-prima, O Bandido da Luz Vermelha, ressurge aqui em toda a sua paradoxal integridade. Paradoxal, porque, no caso de Rogério, teríamos de falar de uma integridade estilhaçada, o que pode parecer uma contradição em termos, mas talvez seja a única forma de se aproximar desse artista genial.

De maneira acertada, Pizzini não tenta uma abordagem linear da trajetória de Sganzerla, mas trabalha sobre núcleos de concentrações dos interesses do cineasta. Tampouco convoca palavra de especialistas sobre a obra do autor ou especula sobre a psicologia do personagem. Trabalha com trechos de filmes do próprio Sganzerla, e também as inúmeras entrevistas que este concedeu ao longo da sua vida. Mr. Sganzerla é um filme de montagem e, em sua feitura, incorpora as ideias do personagem sobre o processo de edição. Poderíamos portanto dizer que não se trata de um filme sobre Sganzerla, mas um filme com Sganzerla.

Das aproximações pelos núcleos de interesse, destaca-se, em primeiro lugar, o fascínio por Orson Welles. Objeto de vários filmes de Sganzerla – inclusive do último, seu testamento, O Signo do Caos, a malfadada, porém muito simbólica passagem de Welles pelo Brasil em 1942 assombra, por assim dizer, toda a obra de Rogério Sganzerla.

Como se sabe, Welles veio ao Brasil em 1942, durante a 2.ª Guerra, como parte da “política da boa vizinhança” do governo americano. Sua missão: filmar o carnaval brasileiro. Só que Welles via muito mais do que isso. Interessou-se pelas favelas e pelo samba, e teve em Grande Otelo e Herivelto Martins seus cicerones na noite carioca. Interessou-se também pela expedição dos jangadeiros cearenses que navegaram de Fortaleza ao Rio para reivindicar direitos trabalhistas a Vargas. Welles quis refazer a chegada dos jangadeiros à Baía de Guanabara e um deles, Jacaré, afogou-se, em acidente pouco esclarecido. Welles jamais se recuperou desse golpe e o filme, chamado It’s All True (É Tudo Verdade), foi interrompido.

Esse episódio marca toda a vida de Orson Welles e o “filme brasileiro”, como ele se referia a It’s All True, restou como trauma, como ele diz em seu depoimento a Peter Bogdanovich. Sganzerla incorpora esse trauma do mestre e o retoma como reflexão sobre a realidade brasileira. Passa a vida escavando esse acontecimento, com suas implicações simbólicas para a cultura brasileira. É o cerne de Mr. Sganzerla, como foi o núcleo duro da obra do próprio diretor.

Em torno dele se organizam outros planetas do imaginário de Sganzerla, como o tropicalismo, a paixão pela música nacional e Oswald de Andrade. Nossos telescópios críticos ainda investigam essa galáxia de modo muito distante.