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KIKITOS consagram Nordeste em Gramado

BLOG AURORA DE CINEMA direto do Festival de Gramado

Maranhão, Pernambuco e Bahia foram os grandes vencedores em Gramado…

O NORDESTE mandou muito bem em Gramado e marcou muitos gols durante a 41ª Edição do mais popular festival de cinema do país. Além das belas e merecidas homenagens aos atores baianos Othon Bastos (que tem 80 anos e 75 filmes na carreira), e Wagner Moura (consagrado no Teatro, na TV e no Cinema, com vários filmes, mas sobretudo com TROPA DE ELITE), o festival homenageou também as 3 décadas do filme ‘Sargento Getúlio’, do cearense Hermano Penna, consagrando três importantes filmes produzidos e filmados no Nordeste. A programação constava de 16 curtas nacionais, seis longas estrangeiros, e oito longas brasileiros. Com a Curadoria elogiadísisma por conta da qualidade dos filmes exibidos, o festival consagrou um curta e dois longas nordestinos: Acalanto, curta de Arturo Sabóia, é do Maranhão, baseado em obra do escritor moçambicano Mia Couto, e levou 6 KIKITOS, sendo um deles o de MELHOR ATRIZ para a Diva Negra LEA GARCIA.

A estatueta mais popular e mais cobiçada do Cinema Brasileiro, o KIKITO…

Os KIKITOS para Acalanto foram MELHOR FILME para o júri popular, Melhor Filme Júri Oficial, Melhor Diretor para Arturo Sabóia, Direção de Arte para Rogério Tavares,  Trilha-sonora para Luiz Oliviéri, e, como já dissemos antes, MELHOR ATRIZ para Lea Garcia.

Tatuagem, filme de Hilton Lacerda, rodado no eixo Recife-Olinda, foi consagrado em Gramado…

Já o longa TATUAGEM, do roteirista HILTON LACERDA (que já ganhou diversos prêmios no BR e no exterior com o belo filme FEBRE DO RATO, do cineasta Claudio Assis), arrastou 4 KIKITOS e revelou novos talentos do teatro pernambucano e levou os Kikitos de Melhor trilha musical, de autoria do Dj Dolores; MELHOR LONGA para a Crítica, e Melhor Filme para o júri técnico, consagrando o monumental ator IRANDHIR SANTOS como MELHOR ATOR do Festival.

Conforme previu o blog Aurora de Cinema, Irandhir Santos sagrou-se MELHOR ATOR…

O outro longa que veio do Nordeste e ganhou 3 KIKITOS foi o belo A Coleção Invisível, com roteiro do francês-baiano Bernard Attal, do baiano Sérgio Machado, e da cearense Iziane Mascarenhas.

Este filme tem na ficha técnica um nome muito querido deste blog Aurora de Cinema: o de Elson Rosário, cineasta e competente produtor de elenco, que esteve em Gramado coordenando entrevistas, ciceroneando a equipe, e contribuindo para a boa repercussão do filme baiano.

Clarice Abujamra, Vladimir Brichta e Walmor Chagas no filme A Coleção Invisível

A Coleção Invisível, vencedor este ano do Festival Itinerante da Língua Portuguesa – FESTIN -, realizado em abril, em Lisboa, levou os troféus de Melhor Ator Coadjuvante – para o saudoso Walmor Chagas; Melhor Atriz Coadjuvante para Clarice Abujamra; e Melhor Filme para o Júri Popular, dividindo este último troféu com o filme longa-metragem de animação gaúcho, Até que a Sbórnia nos Separe, de Otto Guerra e Ênio Torresan Júnior.

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Arturo Sabóia, Léa Garcia e Aurora Miranda Leão…

Reta final para inscrições ao prêmio ABC

 

A Semana ABC 2012 vai acontecer em maio, na Cinemateca Brasileira 

Termina dia 29 de fevereiro o prazo para inscrições do Prêmio ABC 2012. As inscrições dos filmes poderão ser feitas pelo site  www.abcine.org.br

Os finalistas serão selecionados através de votação dos sócios da Associação Brasileira de Cinematografia. Concorrerão todos os longas-metragens exibidos comercialmente em 2011, sendo escolhidos os cinco filmes mais votados nas categorias: Melhor Direção de Fotografia, Melhor Montagem,  Melhor Direção de Arte e Melhor Som. Também concorrerão os filmes que forem inscritos nas categorias: Melhor Direção de Fotografia em Curta-Metragem, Filme Comercial, Programa de TV e Filme Estudantil. 

Da categoria Melhor Direção de Fotografia para Filme Estudantil

Concorrerão nesta categoria trabalhos inscritos, somente pelas instituições de ensino audiovisual, que tenham sido realizados como parte das atividades acadêmicas. A inscrição será através de carta enviada para a secretaria da ABC, secretaria@abcine.org.br, em papel timbrado e assinada pelo responsável do departamento do audiovisual, devendo constar: Nome da Instituição de Ensino, Nome do Filme, Diretor,  Diretor de Fotografia, Formato/Suporte, telefone e email do  responsável pelo departamento de audiovisual e do diretor de fotografia.

Cada instituição poderá inscrever até quatro (4) trabalhos. 

Os ganhadores do Prêmio ABC 2012 serão conhecidos dia 12 de maio, em cerimônia a ser realizada na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. receberam o prêmio, entre outros, os longas Tropa de Elite 2, de José Padilha; A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor; Os Famosos e Os Duendes da Morte, de Esmir Filhoa minissérie  Afinal, o que querem as Mulheres? de Luiz Fernando Carvalho; o curta-metragem Haruo Ohara, de Rodrigo Grota. 

Desde 2001, a Semana ABC de Cinematografia reúne personalidades das diversas áreas da produção audiovisual, do Brasil e do exterior, em conferências, painéis e debates. Após a Semana, toda a programação é disponibilizada em streaming no site www.abcine.org.br. O grande momento do evento é a entrega do Prêmio ABC de Cinematografia, outorgado pelos associados em várias categorias (Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Montagem e Melhor Som) para o formato longa-metragem, além do prêmio de Melhor Direção de Fotografia nos formatos curta-metragem, publicidade, programa de TV e filme estudantil.

WAGNER MOURA Vai Filmar com Matt Damon e Jodie Foster

 

 
 O sensacional ator WAGNER MOURA, orgulho de nossas telas e palcos, vai estrear em grande estilo nas telonas de Hollywood.
 
WAGNER vai interpretar um vilão no longa Elysium e terá como colegas de elenco estrelas como Matt Damon e Jodie Foster

Com direção do sul-africano Neil Blomkamp, as filmagens estão agendadas para julho e terão como locações o Canadá e o México.

Genilson Coutinho/Divulgação 

WAGNER MOURA no dia do lançamento do filme VIP’S, no Rio, presenteado com uma miniatura sua… 

Wagner Moura: Cada Vez Mais, de Cinema

 

Wagner Moura na pré-estreia de VIPS em Sampa, nesta segunda-feira

A maturidade do cinema brasileiro contemporâneo passa pelo nome de Wagner Moura. Selton Mello divide as atenções, mas Moura tem o amparo do público e das bilheterias: desde 2007, quando estreou o primeiro Tropa de Elite, seus filmes foram vistos por cerca de 14 milhões de espectadores e faturaram por volta de R$ 125 milhões. Nenhum outro artista nos últimos anos, nem mesmo favoritos das telas como Xuxa ou Renato Aragão, pode se gabar disso.

Em entrevista para divulgar “Vips”, que estreia na próxima sexta, Wagner Moura,  disse não ter nenhum problema com o sucesso, pelo contrário: quer ser visto. E não só pelos brasileiros, já que a partir de julho estará filmando em Hollywood, ao lado de Matt Damon e Jodie Foster.

“Sou um artista que quer se comunicar com as pessoas”, disse o ator. “Meu trabalho foi feito para as pessoas assistirem, sem que isso seja um demérito, sem que eu tivesse que abaixar meu senso de qualidade, meu senso estético. Shakespeare existiu como um dos maiores artistas de todos os tempos, mas popular em sua essência.”

A partir disso, seria fácil imaginar o ator na televisão, mas seu último papel foi na novela Paraíso Tropical, há quatro anos, justamente quando “Tropa” entrou em cartaz, e ele não mostra qualquer disposição de voltar aos folhetins tão cedo. “A novela é uma coisa de tempo, você precisa passar um ano inteiro fazendo, tem que estar com muita disposição. Além disso, o cinema brasileiro está vivendo um momento muito bom. Acho que VIPS’ se insere num contexto extraordinário, que é de filmes de qualidade, com bons roteiros, bem produzidos, com bons atores e que querem ganhar público, achar um lugar no mercado.”

 

Wagner Moura em VIPS, que estreia nesta sexta

“Tenho muito bode desse negócio de que filme bom precisa ser um negócio cabeçudo para 17 pessoas assistirem, e que filme pra agradar o público precisa ser uma droga, ser um filme bobo”, continuou o ator. “Acho significativo o ‘Tropa de Elite 2’ ser o maior sucesso da história do cinema nacional porque ele se enquadra nisso, reúne uma dimensão política enorme, tem substância e as pessoas mesmo assim foram lá e assistiram. O espectador não é um idiota, que só quer ver porcaria, e nem o crítico só vai respeitar um negócio porque é hermético. Talvez o Brasil, por ter uma herança do Cinema Novo, do cinema político, tenha deixado essa sensação de que filme bom tem de ser difícil, não pode se comunicar. Digo isso não em oposição ao cinema de experimentação, que acho ótimo e precisa ser feito. Mas acho que não é só ele que merece ser aplaudido pela crítica e pelo público.”

Moura também disse se sentir confortável com o fato de, sozinho, já conseguir atrair público para o cinema, responsabilidade geralmente exclusiva a galãs ou astros infantis. “Acho bom existirem atores que chamem o público para o cinema. Eu vou ver os filmes que o Selton faz, por exemplo, porque gosto do trabalho dele. A mesma coisa com Sean Penn, Al Pacino. Isso faz parte. O fato de ter um ator que leve o público também é significativo desse momento do cinema brasileiro.”

O convite para o primeiro trabalho de destaque em Hollywood, segundo Moura, foi consequência de sua exposição nas telas do país. “Estou indo fazer esse trabalho por causa do ‘Tropa de Elite’, principalmente, mas também pela história que tenho aqui.”

O filme em questão se chama Elysium e tem direção do sul-africano Neill Blomkamp, o mesmo de Distrito 9, indicado ao Oscar no ano passado. O ator comentou que “Tropa” e “Distrito” são esteticamente parecidos, pelo “viés político”, e que aceitou o papel de um vilão pela qualidade do roteiro, que se passa 100 anos no futuro. “É um personagem muito bom, que eu aceitaria se fosse feito aqui ou em qualquer lugar. É muito legal mesmo.”

Ao lembrar do passado, Wagner Moura contou ter saudade de um certo sentimento “selvagem” da juventude, mas não troca isso pela experiência. “Entendi melhor como funciona o mecanismo do cinema, jogo melhor com a parafernália toda. Me tornei um ator rodado, tanto que já me deu vontade de dirigir um filme.”

 

Vanessa da Mata e Wagner Moura no set do videoclipe dirigido pelo ator

A estreia atrás das câmeras acontece com o clipe de Te Amo, de Vanessa da Mata, que será veiculado em breve. Rodado em 35mm, o vídeo é protagonizado pela bailarina Marilena Ansaldi, tem figurino do estilista Ronaldo Fraga, fotografia de Lula Carvalho (“Tropa 2″, Budapeste”) e montagem de Daniel Rezende (“Cidade de Deus”). “O que me dá tesão de dirigir é poder reunir vários profissionais legais e deixar eles trabalharem. Estou feliz.”

São dois os projetos como diretor de longa-metragem, a exemplo, mais uma vez, de Selton Mello (que dirigiu Feliz Natal e finaliza O Palhaço). O primeiro, segundo ele, “muito pessoal, como geralmente são os primeiros filmes”, ainda ganha forma e está apenas em um caderno, escrito a mão, com caneta esferográfica. O outro é a adaptação de um livro, não-revelado, através de Rodrigo Teixeira, da RT Features, produtor famoso por ter comprado os direitos de sucessos recentes como as biografias de Tim Maia e de Lobão.

Enquanto as ideias não se concretizam, Wagner Moura continua a toda como ator. No segundo semestre, estreia O Homem do Futuro, de Cláudio Torres, mistura de comédia e ficção científica. Nesta semana, ele começa as filmagens de A Cadeira do Pai. Primeiro longa do diretor Luciano Moura, o filme conta a história de um casal de médicos que está se separando e precisa lidar com o sumiço do filho de 13 anos, que foge de casa. Ainda no elenco, estão Mariana Lima (“A Suprema Felicidade”) e Lima Duarte.

Além disso, tem ao menos mais dois projetos encaminhados: a superprodução Serra Pelada, de Heitor Dhalia, diretor que está atualmente em Hollywood filmando com Amanda Seyfried; e a adaptação do livro Viúvas da Terra, sobre política agrária no Brasil, com direção de Henrique Goldman (“Jean Charles”). Isso sem contar as novas propostas que recebe semanalmente. A televisão, realmente, ficou para trás.

* Por Marco Tomazzoni

BRÁULIO MANTOVANI Estréia na Ficção

Bráulio Mantovani, autor dos roteiros cinematográficos Cidade de Deus ( indicado ao Oscar em 2004), Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, emprestará agora suas palavras à Literatura.

Corajosamente, Bráulio evita o caminho aberto pela fama para aventurar-se noutras paragens. Seu instigante romance de estreia em nada lembra as sagas do capitão Nascimento ou de Zé Pequeno. A overdose de realidade, fonte de inspiração dos filmes de Fernando Meirelles e de José Padilha, dá lugar à obsessão e à loucura.


Mais conhecido por tramas sobre a violência, Mantovani explora limites da sanidade. Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Quem resolver encarar o livro de Mantovani deve se dispor a abrir mão da ´segurança` deste nosso mundinho aparentemente real. Perácio – Relato Psicótico (Editora Leya) é incômodo, estranho e não facilita em nada a vida do leitor. Esnoba com gosto a chamada literatura fast food.

Sonho, loucura, sanidade, realidade e delírio são a matéria-prima de Mantovani. Antes mesmo das primeiras páginas, o leitor já se depara com enigmas: a orelha do livro traz e-mails supostamente trocados entre Pascoal Soto, editor da Leya, e o psicanalista e escritor Contardo Calligaris. Assunto: Mantovani à beira de um ataque de nervos. ´Bráulio, juízo!`, aconselha o dono da Leya no texto da contracapa. Em vez do habitual prefácio, as primeiras páginas trazem uma ´carta` do narrador da trama a Pascoal Soto.

´São brincadeiras`, despista Mantovani. E faz a repórter jurar que não vai estragar a surpresa do leitor. O romance entrelaça as histórias de Perácio, CFD e de ´Bráulio Mantoan, il diavolo`. Espécie de avatar do escritor, o tal diabo não escapa do vertiginoso labirinto de tormentos do personagem CFD, cronista da saga de um suposto agente da ditadura chamado Perácio. Internado num manicômio paulista, esse ex-brucutu se dedica a medir o mundo com seu paquímetro.

Cabreiro com a aparentemente hermética história de CFD e Mantoan, o leitor, aos poucos, cai na armadilha. Fissurado, quer saber mais – mesmo quando nada faz sentido. O cineasta Fernando Meirelles confessou a Bráulio: ganhou uma baita insônia depois de ler o livro.

DIVÃ

Perácio – Relato Psicótico levou 16 anos para ficar pronto. Surgiu bem antes da parceria de Bráulio Mantovani com Meirelles, no início da década de 2000, para adaptar o romance Cidade de Deus, de Paulo Lins, para o cinema. O livro só saiu da gaveta porque Carol Kotscho, mulher do escritor, insistiu que o marido mostrasse os originais ao editor da Leya.

Desde pequeno, Bráulio convive com pesadelos. Tem 47 anos, é freguês assumido dos divãs. Sonhos ruins só lhe dão trégua quando frequenta sessões de análise. ´Confundo memórias reais com sonhadas`, conta ele. A tênue linha entre sonho e loucura o fascina. Bráulio Mantovani diz que ficção, para ficar verdadeira, tem de dar um desconto para a realidade, pois a vida real, muitas vezes, parece delírio. ´Se a realidade não for atenuada, a história fica inverossímil`, garante o experiente criador da saga do capitão Nascimento.

Escritor de cinema, de teatro e de livros, formado em letras e literatura pela PUC de São Paulo, Mantovani verte o onírico em verbo. Dedicado operário da sintaxe, explora a pontuação para expressar o conturbado universo mental de seus personagens. No começo do romance, CFD e Mantoan, aparentemente sadios, nos falam normalmente – com pontos, vírgulas e travessões no devido lugar. Perto do fim, quando a loucura se aproxima, já não há pausas nem tempo para respirar. A paranóia delirante engole vírgulas; tira o fôlego de quem acompanha a jornada de Perácio.

Bráulio, aliás, não se limita a perseguir palavras, vírgulas e as armadilhas da sintaxe. Também usa a tipologia como linguagem. No início, a fala de cada personagem ganha um tipo de letra. No final, quando as histórias se embaralham e o delírio se avizinha, as fontes das letras se misturam no mesmo parágrafo. Coisa de gente apaixonada por poesia concreta.

* Com texto de Ângela Faria

TROPA DE ELITE: Bilheteria Recorde

Filme de José Padilha chegou a 5,9 milhões de espectadores no domingo.Desde o lançamento, sequência de ação arrecadou R$ 57 milhões.

Do G1, em São Paulo

Wagner Moura e Milhem Cortaz, agora como 'Coronel Nascimento' e 'Capitão Fábio', em cena de 'Tropa de elite 2'

MAGNÂNIMOS: Wagner Moura e Milhem Cortaz, ‘Coronel
Nascimento’ e ‘Capitão Fábio’ em TROPA 2
 
Ha três semanas em cartaz, Tropa de elite 2 se tornou no último domingo (24) a maior bilheteria nacional das últimas décadas, ao arrecadar R$ 57 milhões.  Segundo o site Filme B, são R$ 7 milhões a mais que a comédia Se eu fosse você 2, de Daniel Filho, que registrou 6,1 milhões de espectadores.

O longa de José Padilha deve ultrapassar essa marca nesta semana: o filme levou aos cinemas, até o momento, 5,9 milhões de pessoas.

Tropa de elite 2 faturou R$ 9 milhões no último final de semana, registrando um público de 841 mil espectadores. Isso representou uma queda de 26% em relação à semana passada. Porém, esses números indicam que o longa registrou uma média de 1,2 mil pessoas por sala – há quase 700 salas ainda exibindo o longa de Padilha.

Tropa de Elite: Quase 1 milhão e 300 mil espectadores

O filme Tropa de Elite 2 levou 1,295 milhão de espectadores aos cinemas no fim de semana de estreia, conforme dados divulgados pelo site especializado Filme B.

O número supera a projeção inicial de 1,25 milhão feita pelo FilmeB e pela Rentrak, que medem a audiência de cinemas.

Com o público total do primeiro fim de semana, o longa de José Padilha atinge a marca de quinta melhor estreia de um filme no Brasil, a melhor estreia entre filmes nacionais após a retomada.

A arrecadação da bilheteria, até domingo, somou R$ 13,9 milhões.

O desempenho de Tropa 2 supera o de outros blockbusters como “A Era do Gelo 3”, “Eclipse” e “O Código da Vinci”. Na década, a continuação da saga do capitão Nascimento só perde para os três “Homem-Aranha”, já lançados, e para “Lua Nova”, parte da franquia “Crepúsculo”.

  Bento Marzo/Divulgação  
O ator Wagner Moura, que volta a viver o Capitão Nascimento em "Tropa de Elite 2"; veja galeria de imagens do filme
Wagner Moura: Atuação marcante como o Capitão Nascimento nos dois Tropa de Elite

Tropa de Elite 2 é Cinema Político

“Minha lealdade como cineasta não é ao Estado”, diz José Padilha

Diretor de “Tropa de Elite 2” ataca pirataria e defende cinema político :

 “Sou financiado pelos milhões de brasileiros que pagam seus impostos, compram produtos e geram lucros  para as empresas que aplicam no audiovisual”

Foto: Divulgação

Em coletiva realizada na manhã desta quarta (06.10), no Theatro Municipal de Paulínia, interior de São Paulo, equipe e elenco do filme Tropa de Elite 2 demonstraram ansiedade em saber a opinião dos jornalistas sobre a sequência do sucesso de 2007, Tropa de Elite.

A expectativa, que já era alta, aumentou vigorosamente após o término da primeira projeção, ocorrida na noite anterior, que foi ovacionada pelo público. Isso, somado à notícia de que o longa vai estrear amanhã em 636 salas, promete gerar uma discussão quente sobre temas espinhosos de política e sociedade brasileiras, não por acaso permeados pela corrupção.

A estrela da coletiva foi o cineasta José Padilha, conhecido por seus trabalhos politizados, como os documentários “Ônibus 174” (2002) e “Garapa” (2008) – e também pelo primeiro “Tropa de Elite”. Com o discurso afiado, o diretor alegou não ter sentido haver pressão em sua realização por estar lidando com dinheiro de incentivo fiscal.

“O financiamento público não é um financiamento do Estado. É um financiamento do público. O Estado não produz riqueza nenhuma. O Estado cobra impostos. Então a minha lealdade como cineasta não é para o Estado, pois não me sinto financiado por ele. Me sinto financiado pelos milhões de brasileiros que pagam seus impostos, compram produtos e geram lucros para as empresas que aplicam no audiovisual. Então o comprometimento é com o meu público”, explicou.

Padilha deixou claro que acredita no cinema político e no poder de um filme – ou um conjunto de filmes – interferir na realidade e provocar uma reação, tanto do público quanto de pessoas que ocupam “cargos chave” do governo.

“Alguns políticos reagiram ao filme antes mesmo do lançamento, dizendo ‘eu não sou o deputado tal’, ‘eu não sou o governador do filme’. O fato é que o roteiro aborda acontecimentos modificados, mas reais. Houve uma rebelião em Bangu, políticos do Rio estão em fotos com milicianos de verdade, existiu um pedido de CPI que foi aberto só após a pressão da mídia… O governador do filme não é um governador, pois esses acontecimentos passaram por governos diferentes, mas alguns políticos insistem em se identificar”, disse.

Outra questão levantada envolve a data de lançamento do filme, que chega aos cinemas do país em meio ao segundo turno da disputa pela presidência da República. “O ano estava difícil para datas, pois tínhamos uma Copa do Mundo e logo depois as eleições. E mais tarde tem a estreia do novo ‘Harry Potter’, o que diminuiria bastante o número de salas. Tínhamos duas datas: 03 de setembro e 08 de outubro. Como o filme não ficou pronto em setembro, lançamos agora”, explica Padilha.

Quanto a uma possível influência de Tropa de Elite 2 no segundo pleito, o diretor revelou um certo pessimismo, alegando que “tudo o que o filme trata infelizmente continuará sendo verdade antes e depois dessa eleição.” “Se o filme fizer a Dilma ou o Serra falarem de segurança pública, estou feliz.”

Esquema de segurança e criação coletiva

Em meio a muitas perguntas políticas, José Padilha jogou até em si a culpa de não se falar tanto do filme como cinema. Mas quando o fez, desmistificou o curioso processo de segurança para impedir que o filme fosse pirateado – como ocorreu com o primeiro “Tropa de Elite”.

“O que aconteceu no primeiro filme foi um trauma”, explicou o ator Wagner Moura. “Era revoltante ouvir pessoas dizendo que nós vazamos a cópia para promovê-lo ou que era um jeito de democratizar o audiovisual. Mas o que aconteceu foi um roubo”, desabafa.
Na sequência, Padilha atacou a pirataria, elencando diversos motivos para condená-la, como a sonegação fiscal, competição ilegal e corrupção de autoridades. “Não dá para aceitar que o Ministério da Cultura aceite a pirataria dessa forma, por isso montamos um esquema de segurança.”

“Onde existia o filme em formato digital havia câmeras, senhas de acesso e nenhuma conexão de internet. Finalizamos o longa apenas em película, então para roubá-lo a pessoa precisaria pegar sete rolos enormes de negativos, exibir o filme no cinema e filmá-lo com uma câmera”, disse o cineasta.

Após sua conclusão, Tropa de Elite 2 teve todas as cópias numeradas, o que facilitaria a identificação do cinema que deixar o filme vazar – caso isso aconteça após seu lançamento. “É caro tomar essas medidas, aumentou bastante o nosso orçamento, mas as leis do Brasil são coniventes com quem pirateia”, encerrou.

Outro ponto abordado por Padilha foi a criação coletiva de um longa. De acordo com ele, o diretor não é autor do filme, pois está sujeito a “insights” constantes de outros membros da equipe e elenco, que colaboram para a realização da fita.

“O cinema brasileiro tem melhorado muito nos últimos tempos, e isso não quer dizer que os diretores melhoraram, mas sim que as equipes técnicas têm melhorado. Se eu quiser estragar o filme, os outros não vão deixar.”

Para evitar o que ocorreu no filme anterior, que acabou sendo montado duas vezes, o diretor pediu que o montador Daniel Rezende participasse de todo o processo de filmagem, fato considerado incomum no cinema e que reforça a tese de criação coletiva de Padilha.

“Unir a pós-produção com a pré-produção é algo que não costuma acontecer. Nunca ouvi história de montador no set – uma facção inclusive diz que o montador deve se distanciar das filmagens, manter seu olhar fresco, mas, neste caso, ajudou bastante”, contou Daniel.