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Betina Vianny, Eriberto Leão e Ana Kutner em Fortaleza

Atores estreiam hoje espetáculo A Mecânica das Borboletas, de Walter Daguerre com direção de Paulo Moraes…

Em turnê por algumas das principais cidades do país, o espetáculo A Mecânica das Borboletas tem estreia esta noite, às 21h, no Teatro Celina Querioz, da Universidade de Fortaleza. A montagem aborda o conflito frente às escolhas da vida e suas consequentes perdas e ganhos.

A montagem conta a história de um casal e seus filhos gêmeos que moram numa cidade do sul do Brasil. Rômulo (Eriberto Leão), um dos irmãos, decide sair de casa aos 18 anos em busca de desvendar o mundo.

Ana Kutner contracenando com Eriberto Leão, ator protagonista, e Otto Jr.

Após 20 anos sem dar notícia, quando volta, já um escritor conhecido, Rômulo descobre que o pai morreu e encontra o irmão, Remo (Otto Jr.), que manteve o negócio do pai, uma oficina mecânica dentro da residência, prosseguindo no mesmo ofício, no mesmo lugar e casado com sua ex-namorada, Lisa (Ana Kutner). O grande sonho do irmão é construir uma Harley Davidson, mas uma peça desta moto, a borboleta do carburador, nunca chega. Por isso, a mecânica do veículo demora para estar em pleno funcionamento.

Já a mãe (Betina Viany) é uma dona de casa que cultiva a memória do falecido marido. O drama gira em torno do acerto de contas da família, permeada pelo sentimento de culpa, cobranças e perdas. A história se passa na cozinha, na oficina e no jardim. O ator Otto Jr. interpreta Remo, o irmão de Eriberto Leão.

“Sentimentos de perdas prevalecem em quem busca o sonho de desbravar o mundo e em quem escolhe ficar no mesmo lugar, na mesma cidade”, diz o autor Walter Daguerre.

A ideia do texto surgiu após uma viagem do dramaturgo a uma cidade do interior gaúcho, Lavras do Sul. “Observei os hábitos das pessoas do lugar, então comecei a pensar naqueles que saem de suas cidades, e nos que resolvem ficar, como seria a vida deles”, conta.

PRESENÇA DE BETINA VIANNY

Carioca, Betina Vianny nasceu entre livros, músicas e projetos de cinema. Seu pai é o saudoso cineasta Alex Viany, autor do livro seminal Introdução ao Cinema Brasileiro (1959), apontado pelo festejado crítico Paulo Emilio Salles Gomes como a primeira obra de filmografia brasileira. Também escreveu O Processo do Cinema Novo. Alex foi grande amigo de Vinícius de Moraes e com o genial poeta criou o filme Sol sobre a lama, em 1963.

Betina é atriz, diretora, escritora e pesquisadora de escol, atuando na área de Formação Artística do SATED–RJ, onde coordenou por muitos anos a Escola Profissionalizante para Atores. Tem passagens pelo teatro, cinema e televisão e entre os principais trabalhos estão as novelas Sinal de Alerta e Eu Prometo, na TV Globo, além de Kananga do Japão e Ana Raio e Zé Trovão, na TV Manchete. Depois da temporada na Manchete, retornou à Globo e fez as novelas O Dono Do Mundo, Quatro por Quatro, e Malhação, atuando ainda nas minisséries Engraçadinha,Seus Amores e Seus Pecados, O Quinto dos Infernos (2002), Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007), e “Tudo Novo de Novo” (2009).

Em agosto de 2007, Betina idealiza e inicia o Projeto Memória-Mestres que visa a registrar, em DVD, a trajetória de importantes e renomados artistas e técnicos brasileiros que contribuíram para a história das artes cênicas do País. Bettina é a organizadora de todo o material deixado pelo pai. Este material, que está na Cinemateca do MAM-RJ, constitui-se de milhares de páginas, recortes, cartazes, fotos, ensaios, cartas etc.

O material, de alto valor histórico, porém estava desorganizado e mal arquivado, de modo que era muito difícil fazer qualquer tipo de pesquisa, localizar algum documento. E só em 2006, a atriz pode começar a catalogar todo o acervo de Alex Vianny para disponibilizá-lo à consulta. Hoje, já é possível acessar o site do Projeto Alex Viany (www.alexviany.com.br), o qual disponibiliza gratuitamente o acervo do saudoso cineasta e historiador do cinema. Os arquivos pessoais foram digitalizados e o internauta pode ver os originais.

Nós tivemos a honra de conhecer Betina Vianny ano passado, durante a primeira edição do Festival de Cinema de Anápolis, onde ela fazia o lançamento do livro “Alex Viany – Crítico e Historiador”, de Arthur Autran, ao lado do marido, o jornalista Edward Monteiro.

Agora, Betina nos surpreende com a delicadeza do convite para conferir o espetáculo A Mecânica das Borboletas, e o blog Aurora de Cinema estará lá para conferir !

Bem vinda, Betina Vianny ! Um beijo carinhoso e que a temproada em Fortaleza seja de alegrias e feliz acolhida !

Betina Vianny, atriz sempre envolvida em projetos relevantes, faz temporada de teatro este fim de semana em Fortaleza… na foto, com a jornalista Aurora Miranda Leão durante a primeira edição do Festival de Cinema de Anápolis.

SERVIÇO

A Mecânica das Borboletas

Hoje e sábado, às 21h. Domingo, às 19h, no Teatro Celina Queiroz (Av. Washington Soares, 1321 – Edson Queiroz). Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). (3477.3033)

Eriberto Leão em JIM: homenagem ao The Doors no Teatro

“Nada é tão forte como uma idéia quando é chegada a hora dela”
JIM

Ministério da Cultura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Porto Seguro apresentam:

Eriberto Leão vive a poesia de uma lenda do rock no teatro 

Música, inquietação, poesia, caos, simbologia, teatro. JIM, um espetáculo-show não biográfico inspirado na obra poética de um dos maiores ícones do rock, Jim Morrison.

JIM julho

Idealizado por Eriberto Leão e produzido pela Barata Comunicação, JIM inspira-se no legado poético e simbólico deixado pelo vocalista do The Doors.

Com texto de Walter Daguerre, direção de Paulo de Moraes e interpretação de Eriberto Leão e Renata Guida, acompanhados de 3 músicos tocando ao vivo, o espetáculo mostra um homem que não conheceu Jim Morrison mas que teve sua vida pautada por suas ideias e ideais.

Eriberto e Paulo Moraes

O diretor Paulo Moraes e o ator Eriberto Leão: parceria no musical JIM…

Costurado por 10 canções do The Doors como “Light my fire”, “The End”, “Rides on the storm”, cantadas ao vivo por Eriberto, a trama mostra o conflito interno do personagem em busca de um acerto de contas.

Com texto que perpassa por conceitos de mitos pagãos e arquétipos, além de uma abordagem enfocando o lado poético e simbolista de Morrison, JIM não busca ser um espetáculo biográfico mostrando a vida do cantor ou a figura polêmica do astro de rock. A peça vai além, mostrando referências ideológicas de Morrison por meio de seus versos e percepções, e também através de seus ídolos, grandes nomes da literatura que o influenciaram, como William Blake, Baudellaire, Rimbaud, Nietzsche, entre outros.

Erib é Jim

“Quando comecei a pesquisar, descobri um Jim Morrison que não imaginava e que muita gente não sabe quem é, então vimos que precisávamos trazer uma outra idéia do Jim para o público”, revela Daguerre complementado por Eriberto: “O Jim era acima de tudo um poeta. O rock chegou pra ele através da poesia e do cinema, então o grande objetivo da peça é ser coerente com a obra poética do Jim Morrison, a preocupação é essa”.

JIM estreou na noite de 10 de julho no Teatro Leblon e teve casa lotada, prestigiada pela classe artística e imprensa. O que não faltaram foram aplausos entusiásticos para Eriberto Leão e muita emoção.

Ao longo desta matéria, você confere fotos do espetáculo e da estreia, todas assinadas por CRISTINA GRANATO.

JIM estreia

Malvino Salvador e Sophie Charlotte, Paula Burlamaqui e Reynaldo Giannechini: celebridades na plateia de JIM

Um homem diante do túmulo de Jim Morrison com uma arma em punho. Um homem que não conheceu o vocalista do The Doors pessoalmente mas que sempre buscou ter uma vida como a de Jim, um dos maiores ícones do rock de todos os tempos. Um homem que durante anos acalentou o sonho de seguir os passos de seu ídolo, como artista e como ser humano, mas que acabou percorrendo uma existência trivial. Um homem que chegou aos 40 com o sentimento de que suas idealizações se perderam no tempo. É este homem que está agora em Paris, no cemitério Père-Lachaise com um revólver na mão para acertar as contas com Jim Morrison. Ele tem somente uma bala, uma pequena peça de chumbo com a qual pretende transformar seu destino num jogo de azar. Este seria um acontecimento relativamente simples, não fosse a aparição de uma misteriosa mulher com quem ele trava um decisivo diálogo. E da presença diabólica de JIM.

Eri canta

James “Jim” Douglas Morrison cantor, compositor, poeta e vocalista da banda The Doors. Nascido na Flórida e filho de conservadores militares da marinha americana, Jim seguiu por outro caminho. Influenciado por poetas, filósofos e pensadores. ele começou a escrever na adolescência, estudou temas como filosofia, psicologia de multidão, teatro, e formou-se em cinema pela Universidade da Califórnia. Após a graduação, Jim reencontrou um amigo e daí nasceu a banda The Doors. O nome do grupo foi inspirado no livro “The Doors of Perception”, de Aldous Huxley, que por sua vez o buscou num verso de um poema de William Blake que dizia: “Se as portas da percepção estiverem limpas/ Todas as coisas se apresentarão ao homem como são, infinitas”.

Em 1969, Morrison publicou dois volumes de sua poesia, mas após o aumento da fama do The Doors, a partir de 67, Jim desenvolveu uma grave dependência de drogas e do álcool, que acabou levando-o à morte em 3 de julho de 1971. Conhecido por performances intensas e teatrais, letras recheadas de simbolismo, referências ao xamanismo, e uma personalidade selvagem, Jim Morrison foi classificado na 47° posição na lista da revista Rolling Stone dos “100 Maiores Cantores de Todos os Tempos”.

Celulari e Karin 1

Edson Celulari e Karin Roepke presenças na estreia de JIM…

Ursula e Faustini

Úrsula Corona e Marcelo Faustini entre os muitos na plateia de JIM…

Eriberto Leão, grande fã de Jim Morrison e do The Doors, tem esse projeto desde que conheceu a banda em 1991 e, através deles, descobriu sua vocação como ator: “Conheci-os com 18 anos, vendo o trailer de um filme sobre o The Doors. Depois disso vi 3 sessões seguidas e fiquei alucinado ! Eu sempre soube que iria fazer essa peça. Isso me influenciou muito, inclusive na vontade de ser ator. Na época que descobri a banda, fui trabalhar de contrarregra numa peça produzida pelo meu pai. Busquei ler tudo que influenciou o Jim”, conta o ator,  hoje com quase 20 anos de carreira. Sua primeira atuação no teatro foi no espetáculo Ventania (96), inspirado em Hoje é dia de rock, de Zé Vicente. Dirigido por Gabriel Vilela, Eriberto entrava em cena cantando The End, um clássico do The Doors.

Sophie e Paula

Sophie Charlotte e Paula Burlamaqui foram ver o amigo Eriberto como JIM

ingra e marcela

Ingra Liberato e Marcela Muniz: presenças na noite JIM

Dividindo o palco com Renata Guida, Eriberto canta ao longo do espetáculo 10 músicas do The Doors, acompanhado pelos músicos Zé Luiz Zambianchi no teclado, Rorato na bateria e Felipe Barão na guitarra. No musical, Eriberto interpreta João Mota, e é através do conflito do personagem, fã de Morrison, que o vocalista do The Doors ganha voz:  “Todos tem muitos “eus” que não demonstram. O João expressa os pensamentos, contradições, expondo toda sua fragmentação. Ele gostaria de ter uma vida tão intensa quanto a do Jim e não teve, então ele chega aos 40 anos e tem uma crise, daí toda a angústia e tormento”, explica o autor.  João dialoga todo o tempo com o Jim e com a aparição misteriosa da personagem de Renata, que representa o feminino de diversas formas – Pamela Morrison (mulher de Jim), a esposa de João Mota e ainda a Mãe Terra, conceito arquetípico da força criadora universal do feminino. A presença da personagem pode ser interpretada também como uma consciência intuitiva e profunda de João.

Bianca e Gianne blog

Bianca De Felippes e Reynaldo Giannechini na estreia de JIM

Franç e Ignacio

Françoise Forton e Ignácio Coqueiro, clicados por Cristina Granato…

O cenário, também assinado por Paulo de Moraes, é composto por um piano de cauda/lápide e 6 microfones. Completam a ficha técnica Maneco Quinderé, responsável pela iluminação, Rita Murtinho que assina figurinos, e Ricco Vianna na direção musical.

piano jim

“Esta é minha homenagem ao artista que abriu as portas da minha inquietação, das artes dramáticas, da literatura e da percepção”

SERVIÇO

Local: Teatro Leblon – Sala Tônia Carrero
Endereço: Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon
Dias e horários: Terça, Quarta e Quinta 21h.
Preços: Plateia: R$ 70 (ter e qua) e R$ 80 (qui); Balcão: R$ 60 (ter e qua), R$ 70 (qui).
Temporada: Até 25/08

Malvino blog

Malvino Salvador e Sophie Charlotte também estavam na plateia de Eriberto Leão na noite de estreia de JIM 

FICHA TÉCNICA

Texto: Walter Daguerre
Direção: Paulo de Moraes
Elenco: Eriberto Leão e Renata Guida
Músicos: José Luiz Zambianchi (teclado), Felipe Barão (guitarra) e Rorato (bateria)]
Direção musical: Ricco Vianna
Cenografia: Paulo de Moraes
Figurinos: Rita Murtinho
Iluminação: Maneco Quinderé
Programação Visual: Walter Daguerre
Fotografia: Marcelo Faustini
Produção executiva: Carolina Consani e Roberta Marinho
Produção e Assessoria de imprensa: Barata Comunicação
Equipe Barata Comunicação: Produtores: Elaine Moreira e Bruno Luzes
Financeiro: Mádia Barata
Imprensa: Priscilla Santos

Dos mais respeitados no país, o crítico Wilson Cunha também estava na estreia de JIM, e assim descreve o trabalho de Eriberto:

ERIBERTO LEÃO, UM ATOR EM ESTADO DE GRAÇA – o espetáculo é JIM, em cartaz no Teatro Leblon, onde Eriberto Leão presta sua homenagem a Jim Morrison e à atmosfera de um tempo que se supunha passado. Com uma entrega apaixonada, Eriberto revive Morrison, vive um desespero, um conflito que se perpetuam. Pode-se, até, considerar que estamos menos diante de um texto teatral e sim de pretexto para que a liturgia aconteça. Mas a generosidade do trabalho de Eriberto Leão – diabolicamente banhado pela luz de Maneco Quinderé -, ao som de uma ótima banda, supera qualquer pecadillo. A experiência JIM + do que vale a pena”.

Eri no palco

Portanto, vamos ao Teatro !

Você que mora no Rio ou está de passagem pela Cidade Maravilhosa, não deixe de ir ao Teatro Leblon conferir o precioso trabalho de ERIBERTO LEÃO, um ator que a TV apresentou ao Brasil e cujo talento e carisma conquistaram o coração de milhares de fãs em todo o país.

A hora é de conferir o musical JIM com Eriberto Leão no Teatro !

O Blog Aurora de Cinema deseja todo êxito ao espetáculo e parabeniza todos os envolvidos na bem cuidada produção de JIM.

Franc e Barata

Eduardo Barata e Françoise Forton conferindo o sucesso da estreia de JIM…

Vestido de Noiva, ainda e sempre… Nelson Rodrigues e o Teatro

Peça mais conhecida de Nelson Rodrigues ganha análise do escritor SÉRGIO FONTA

Leandra Leal brilhou na versão Vestido de Noiva de Gabriel Villela, em 2009

A conferência de SÉRGIO FONTA está marcada para o próximo dia 21 de agosto, terça-feira, a partir das 16h, com entrada franca.

Julinha Lemmertz ao lado do escritor Sérgio Fonta, autor de ótima biografia do ator Rubens Corrêa…

A Academia Luso-Brasileira de Letras, através de seu Presidente Francisco dos Santos Amaral Neto convida para Conferência com o ator/diretor e escritor SÉRGIO FONTA – que comanda o programa TRIBO DO TEATRO, toda sexta, às 12:30h, na rádio Roquette Pinto -, que vai comentar a obra de um dos Dramaturgos Brasileiros mais importantes de todos os tempos, o pernambucano NELSON RODRIGUES.

Nelson Rodrigues, um dos dramaturgos mais festejados do país…

A atual montagem de Vestido de Noiva pelo grupo Os Satyros: em cartaz até domingo no Teatro Cacilda Becker (SP). Direção Rodolfo García Vázquez e Helena Ignez como Madame Clecy.

Marília Pera: Madame Clecy na versão cinematográfica de Vestido de Noiva

A obra a ser destrinchada por Sérgio Fonta é a mais popular de Nelson, a emblemática Vestido de Noiva, que ganha sucessivas montagens em todas as partes do país, já tendo também chegado ao cinema e à tela da TV Globo.

Tônia Carrero e Suzana Vieira na versão de Vestido de Noiva para a TV Globo – Programa APLAUSO, 1979…

Considerada marco inicial do moderno teatro brasileiro, encenada pela primeira vez em 1943 com direção do polonês Ziembinski, Vestido de Noiva causa polêmica desde sua primeira montagem. Segundo o professor e crítico Sábato Magaldi, grande estudioso de Teatro, esta faz parte de uma série de peças psicológicas do dramaturgo, com uma linguagem forte que transporta para o palco a profunda angústia presente nos textos do autor, capaz de chocar e emocionar o público há gerações pelo modo cru e abrupto de retratar a realidade velada da classe média carioca.

Uma das montagens de Vestido de Noiva em 1965…

A trama acontece através de ações simultâneas, as quais vão-se desenhando em três planos – realidade, alucinação e memória.

Versão dos Sátyros: Ivam Cabral, Helena Ignez e Cléo De Páris (foto: André Stéfano)

VESTIDO DE NOIVA é a peça que deu início ao processo de modernização do teatro brasileiro

Essa era a segunda peça escrita por Nelson. O autor trabalhava como jornalista, profissão que herdara do pai, e procurava, naquele período, uma fonte de sustento complementar. Seu primeiro trabalho para os palcos, A Mulher sem Pecado, tinha como pretensão conseguir o sucesso obtido por outras produções da época, como A Família Lero-Lero, comédia do cearense Raimundo Magalhães Júnior.

O grupo Os Comediantes na revolucionária versão de Vestido de Noiva, 1943

De acordo com os estudiosos, embora a peça de Nelson fosse obra de valor artístico muito superior a de Magalhães Júnior, ao estrear, em 1942, não obteve a simpatia do público e resultou em fracasso de bilheteria. Um ano depois, Vestido de Noiva iria revolucionar o teatro brasileiro através da lendária montagem sob a direção do polonês Zbigniew Marian Ziembinski, que chegara ao Brasil cerca de dois anos antes. E aqui, pela primeira vez, foi então usado o hoje muito conhecido Método de encenação do russo Stanislavski, através do qual é o próprio ator quem empresta aos personagens suas emoções pessoais para então criar uma outra persona através de sua própria vivência, suas experiências, sua memória afetiva.

Ziembinski deu nova forma ao texto de Nelson. Seu rigor na encenação  com a exigência de ensaios constantes, e a transmissão de novas diretrizes em termos de interpretação elevou a concepção brasileira de teatro a novos níveis.

Yoná Magalhães como Alaíde na versão de Vestido de Noiva, em 1965…

A representação de VESTIDO DE NOIVA, conforme a divisão em 3 planos, desenvolve-se em três atos, cuja relação não é exatamente cronológica, a não ser no plano da realidade, o qual acompanha a degradação do estado de saúde de Alaíde e a aniquilação consequente dos outros dois planos.

A versão dirigida por Gabriel Villela em 2009 com Leandra Leal, Marcello Antony e Vera Zimmermann…

 A palestra de SÉRGIO FONTA intitula-se VESTIDO DE NOIVA: NELSON RODRIGUES EM TRÊS ÂNGULOS DE HISTÓRIA e acontece na próxima terça, com ENTRADA FRANCA.

SERVIÇO

Luciana Braga e Malu Mader em uma das versões de Vestido de Noiva

Conferência VESTIDO DE NOIVA: NELSON RODRIGUES EM TRÊS ÂNGULOS DE HISTÓRIA

Com o escritor SÉRGIO FONTA

ONDE:  Academia Luso-Brasileira de Letras
(Confederação das Academias de Letras do Brasil)

Endereço: rua Teixeira de Freitas, 5 / 3º andar, Lapa , RJ
perto da Estação Metrô/Cinelândia (saída Passeio)

Horário: 16h

ENTRADA FRANCA

Marcello Antony como Pedro e Leandra Leal como Alaíde em montagem dirigida por Gabriel Villela…

Uma peça para aplaudir de pé…

Tirei uma tarde de quarta, deixei os compromissos com a escrita de lado, botei um vestido e uns colares, salpiquei umas gotinhas de perfume, e marquei com uns amigos. Fomos assistir a uma peça de teatro, em cartaz no Sesc Iracema, ali vizinho ao Dragão do Mar.
Um lugar para ficar em pé é o nome do espetáculo e, de fato, quase ficamos em pé, tamanho era o público que resolveu fazer o mesmo que eu e meus amigos: sentar para ver, ouvir e conhecer mais teatro. Em cena, alunos da primeira turma do recém-criado Bacharelado em Artes Cênicas da Universidade Federal do Ceará, ou, como é melhor dito por eles, primeira turma de Teatro do Instituto de Cultura e Arte da UFC, o ICA/UFC.


Pois bem, é o próprio professor que assina a montagem do espetáculo, o chileno Hector Briones, que explica o trabalho como um exercício. Tem razão: Um lugar para ficar em pé é mesmo um exercício cênico, baseado nas obras-primas do clássico Samuel Beckett, romancista e dramaturgo irlandês, um dos mais emblemáticos dramaturgos do Teatro Contemporâneo. Mas cabe ressaltar: Que poderoso exercício !

Fiquei tão bem impressionada com o que vi que preciso dizer isso em público. E contribuir, ainda que de forma singela, com um possível aumento de espectadores na plateia deste grupo coeso e vontadoso que atua e se desfolha em muitas cenas e personagens para tornar crível, dramático, intenso e aplaudível este Um lugar para ficar em pé.
Há muitos anos não via na cena teatral de Fortaleza atores com tanta gana de estar em cena, tanta entrega ao ofício e tão salutar capacidade expressiva. Não vou destacar nenhum nome em especial, embora haja momentos onde um ou outro ator se sobressaia. Porém, um dos grandes trunfos do trabalho desta turma do ICA/UFC é justamente ter realizado seu ofício com este sentido de grupo, de coletividade. Em Um lugar para ficar em pé todos os atores tem iguais chances de mostrar seu potencial e expressar-se na plenitude de sua disciplina e vocação, valendo-se de um texto inquietante e voraz, dentro de um conjunto cênico harmonioso para o qual cooperam, na mesma medida, a luz, o som, a dramaturgia, a composição espacial, o figurino, a encenação. E é isso o que se espera de um espetáculo que chega ao palco como exercício de formação de uma turma estudante de teatro: ninguém mais, nenhum menos, todos juntos, de braços e emoções dadas, atuando em prol do sentido maior, qual seja a expressão pretendida para o texto escolhido conforme uma direção que se dedicou para criar um espetáculo coeso, forte, importante e necessário para quem quer começar (ou prosseguir) fazendo teatro, e fazendo bem, na certeza de que cada um, com suas potencialidades, senões, somas e verdades é um pilar fundamental para a construção do trabalho ofertado ao público. E o público tem entendido isso, felizmente. Se a estreia foi boa, a apresentação seguinte derrubou a mística de que ‘o segundo dia é péssimo’.

O exercício teatral dirigido por Briones é uma tragicomédia com momentos de riso intenso e outros de reflexão, introspecção, questionamentos existenciais densos, como sói acontecer com a profunda e marcante dramaturgia de Samuel Beckett. A atuação dos atores fornece ao espectador todas essas nuances de intenção, torna-se crível e promove adesão, e isto é alicerce para um espetáculo tornar-se consistente. Ademais, a boa performance dos atores insere-se num contexto onde tudo funciona bem: a composição tempo-espaço é plausível, a iluminação acentua gestos e expressões quando esta é a intenção do texto, bem como sublinha outros tantos onde o riso da plateia acontece instantaneamente. A trilha – e que trilha magnífica ! – é de uma beleza intensa, emoldurando os quadros nos quais a dramaturgia se costura em volteios de sensibilidade, intensidade, gestos, expressões, e figurinos colaboradores para a atmosfera a ser alcançada no desenrolar do espetáculo. Portanto, estão de PARABÉNS todos os que estão em cena – e são 15 atores, se a memória não me trai -, o professor-diretor Hector Briones, o operador de luz, e toda a equipe que ajudou  a construir este exercício-espetáculo em cartaz no SESC Iracema, em Fortaleza, o qual ainda este mês sobe ao palco do Theatro José de Alencar.

UM LUGAR PARA FICAR EM PÉ é bem mais que um exercício para ajudar a formar grandes atores. É um Espetáculo de Exercício que merece ser visto, aplaudido e recomendado, como o faz agora este AURORA DE CINEMA referendando este belo, instigante, criativo e vigoroso espetáculo teatral ao qual aplaudimos de pé.

De tal modo ficamos impressionados com Um Lugar para Ficar em Pé que bateu imediata vontade de voltar à cena e pisar de novo no palco, tanta é a capacidade instigadora dos atores postos em cena e tal é a intensidade da magia que assola os que já foram mordidos pelo ‘cupim’ do Teatro: o bichinho invasivo e imortal vai crescendo por dentro, incansável, atento e indormido, e, diante de um espetáculo com poder de arrebatar, ele surge, mais uma vez, forte, pulsante, contaminando e bradando: “é lá que eu quero estar, o palco também é meu lugar !”

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO
UM LUGAR PARA FICAR EM PÉ

“Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor”.

DRAMATURGIA – SAMUEL BECKETT
DIREÇÃO: HECTOR BRIONES
Canto para a cena: Consiglia Latorre
Figurino: Natália Lima
Orientação de figurino: Yuri Yamamoto
Iluminação: Wallace Rios
Gravação de áudio: Maurício Rodrigues
Projeto gráfico: Caroline Veras
Ilustração: Diego Landin
Produção: Primeira turma de Teatro do ICA/UFC

ELENCO: Altemar Di Monteiro, Aristides de Oliveira, Aurélio Barros, Bruno Martins, Caroline Veras, Débora Frota, Denilson Almeida, Diego Landin, Flávio Gonçalves, Gilvamberto Félix, Hylnara Anny, Jéssica Teixeira, Josélia de Sousa, Kevin Balieiro, Larissa Alves, Marcos Evangelista, Nádia Fabrici, Natália Lima, Nelson Albuquerque e Wesley Umbelino.

DJIN Sganzerla prossegue temporada de O Belo Indiferente

 
Hoje é sábado, dia de Teatro.
 
PORQUE HOJE É SÁBADO, é dia de ver DJIN SGANZERLA no TEATRO.
 
VAMOS AO TEATRO, porque O BELO é INDIFERENTE.
 
Vamos ao Teatro e vamos conferir DJIN SGANZERLA, a bela nada indiferente, em direção dupla comandada pela mãe, a querida e festejada atriz HELENA IGNEZ, e o ator e artista visual, ANDRÉ GURREIRO LOPES.
 
HOJE TEM DJIN SGANZERLA retornando ao palco do Teatro dos Satyros, em São Paulo, às 21h, com a aplaudida montagem de O Belo Indiferente, premiada ano passado pela excelência de sua montagem, que teve fundamental apoio do SESC de São Paulo. 
 
 
 
O espetáculo faz agora a sua terceira temporada por conta do mega sucesso que foi a primeira, ainda no ano passado. Por conta disso, DJIN ficou em cartaz também em janeiro, e agora volta na terceira temporada da peça, um clássico de Jean Cocteau. Um espetáculo de alta qualidade, conforme você pode conferir na crítica Aurora de Cinema: https://auroradecinema.wordpress.com/criticas-teatro-cinema-e-musica/djin-sganzerla-em-atuacao-primorosa/
 
 
 
A novidade boa é que, em agosto, O BELO INDIFERENTE fará temporada de 6 semanas no Rio de Janeiro.
 
Portanto, hoje é noite de Teatro com DJIN SGANZERLA e O BELO INDIFERENTE !
 
 
VAMOS AO TEATRO e VAMOS CONVIDAR OS AMIGOS !
 
 
TEATRO É BOM PARA QUEM FAZ e PARA QUEM ASSISTE !

As rosas amarelas sobem ao palco com Mazé Figueiredo

 

O espetáculo Quando as rosas amarelas se tornam marrons, projeto aprovado em edital do Centro Cultural Banco do Nordeste, estreia no próximo dia 28 em Fortaleza, tendo como palco o Teatro Antonieta Noronha, no centro da cidade.

 O texto é de autoria do ator e diretor Walden Luiz e tem direção de
 Wagner Pereira, contando com o seguinte elenco: Walden Luiz, Mazé Figueiredo (proponente do projeto), Zerivaldo Beserra e Lorenna Aletéia.

Walden Luiz e Mazé Figueiredo em cena: Teatro Cearense estreia mais um espetáculo…

A pequena temporada será dias 28, 29 e 30 deste junho, às 19.30h, no Teatro Antonieta Noronha, Rua Pereira Filgueiras, nº 4, por traz do Paço Municipal, com entrada franca.


Walden Luiz está completando 50 anos atuando no teatro cearense, enquanto Mazé Figueiredo, a incansável atriz, produtora, divulgadora e coralista, que é funcionária aposentada do Banco do Nordeste, completa uma dezena de peças atuando de forma ininterrupta. Haja fôlego ! 

Vamos ao Teatro ! Vamos ver Quando as rosas amarelas se tornam marrons !

 

A Dramaturgia Brasileira em livro de Sérgio Fonta

 

O esplendor da comédia e o esboço das ideias: dramaturgia brasileira dos anos 1910 a 1930

O ator, escritor, pesquisador e diretor sérgio fonta convida para o lançamento de seu novo livro, quarta, no theatro dulcina, centro do Rio.

O livro, a ser lançado pela Funarte, reúne o melhor da produção teatral carioca do início do século XX: são 10 peças daquele tempo, todas com atualização ortográfica, sinopse de cada texto e biografia de cada autor, além de fotos e mais de 70 notas ao pé de página, delineando uma época e trazendo à tona dez de nossos maiores dramaturgos.

Algumas peças que dormiam nos escaninhos da memória, agora estão prontas para voltar à cena. É um livro para atores, diretores, estudantes, produtores e todos aqueles que amam o teatro.

Sérgio Fonta e a atriz Aracy Cardoso em noite de Teatro…

Como Serginho Fonta, este querido amigo, pesquisador contumaz, ator e escritor de nossos melhores.

VAMOS AO TEATRO e Viva a Dramaturgia Brasileira !

Djin Sganzerla estreia hoje nova temporada de O Belo Indiferente

O espetáculo O BELO INDIFERENTE, texto de Jean Cocteau com direção de Helena Ignez e André Guerrreiro Lopes, reestreia hoje em São Paulo, após vitoriosa temporada de três meses de casa lotada no Sesc Consolação.
 
 
A temporada que começa hoje será de apresentações todos os  sábados, às 21h,  no Teatro  Satyros Um, na capital paulista.
 
 
Confira um trecho do espetáculo:
 
 
Djin Sganzerla: atuação colossal em monólogo clássico…
 
 
 
 
 
A nova temporada de O BELO INDIFERENTE vai até 28 de julho no TEATRO DOS SATYROS – Praça Franklin Roosevelt, 214 – República
Telefone: (11) 3258-6345
 

Vá ao Teatro !

O Teatro precisa de você e você precisa de TEATRO !

Mazé Figueiredo volta ao teatro com O Show da Vida

Espetáculo musical será apresentado sexta à noite no Teatro Dragão do Mar, em Fortaleza…

O espetáculo musical O Show da Vida, de autoria de Walden Luís,  conta  histórias de vida a partir de quadros, nos quais a música, o canto e a dança,
mesclados com o falar nordestino, revelam passagens do cotidiano do povo do Nordeste, mostrando-o em sua simplicidade, ao mesmo tempo com traços de alegria e de bravura.

O expoente do musical é um coro feminino, somado a um elenco talentoso, formado por mulheres que harmonizam com habilidade três artes: dança, música e teatro, mostrando que a beleza da existência está nas coisas simples do dia-a-dia.

No espetáculo, Mazé Figueiredo faz três papéis: uma mulher do povo, uma Mãe de Santo e uma Cigana…

Neste milênio tão conturbado, essas mulheres, longevas e artistas, encontram na arte o caminho para se manterem pró-ativas, lançando um produto cultural
diferenciado no mercado, com qualidade e profissionalismo, desmistificnado a relação terceira idade x improdutividade.

A intenção é fazer com que o espectador enxergue, após ver o espetáculo, o quanto há vida na Terceira Idade e o quanto ela pode ser produtiva e saudável.

Mazé em cena como mãe de santo: fôlego em papéis diversificados…

No folder do espetáculo, o elenco e a produção agradecem a :
Fundação Waldemar de Alcântara, CUCA Che
Guevara, Escola Municipal D. Helder Câmara, CEJA
Professor José Neudson Braga, Lar Torres de Melo e
a todos que de alguma forma contribuíram para a
realização deste trabalho.

O Show da Vida é um projeto do Coral Vozes de Outono, aprovado no III Mecenato da Secult/2011, e que tem apoio da COELCE, volta a ser apresentado nesta sexta, às 20h, no teatro do Centro Cultural Dragão do Mar.

ENTRADA FRANCA

A atriz Mazé Figueiredo (aqui em cena com Aurora Miranda Leão) sobe ao palco em vários papéis, em espetáculo dirigido pela atriz Leuda Bandeira…

Vale a pena conferir ! Mazé Figueiredo é atriz de talento, versátil, e de intensa atuação nos palcos cearenses.

Berinjela de graça, toda sexta, em Santa Tereza