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Samba resiste, Alegria desfila na Sapucaí e é destaque em filme de Valmir Moratelli que estreia na TV

30 dias

Uma estreia muito aguardada do Cinema Brasileiro, o documentário 30 Dias, do jornalista, poeta e pesquisador Valmir Moratelli, estreia nesta quarta, 02 de setembro,  na sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil.

Destaque ano passado na mostra Première Brasil do Festival do Rio, o filme mostra a crise que o carnaval carioca vem sofrendo há algum tempo, e que se acentuou em 2019. Agora, “30 Dias – um carnaval entre a alegria e a desilusão” será exibido na televisão.

O documentário de Moratelli, que é um apaixonado pela folia e tem mais de uma década de cobertura de desfiles carnavalescos no Sambódromo do Rio de Janeiro, é uma narrativa sobre a saga de anônimos para colocar o bloco na rua e não ficar de fora do mais badalado carnaval do país. Assim, Valmir Moratelli fez um trabalho de fôlego, na base do “cinema do próprio bolso” e com ajuda de “vaquinha virtual” para registrar o esforço de brincantes, músicos, carnavalescos, costureiras, coreógrafos, artistas visuais, emfim, de toda uma comunidade, para estar presente – no peito, na garra e no gogó – ni desfile da maior festa popular do país em 2019.

Alegria

Documentário “30 dias” mostra resistência da escola de samba Alegria da Zona Sul…

É a dificuldade imensa das escolas do grupo de acesso ao desfile do carnaval carioca, aliada à paixão pela cultura popular, que Moratelli registra em seu belo documentário. A escola que simboliza toda a luta e empenho de brincantes para estar na Sapucaí é a Alegria da Zona Sul,  rebaixada na Série A em 2019, ano no qual foi feito o registro audiovisual.

“Fizemos esse filme sem recursos. Nosso objetivo é dar visibilidade ao grupo de Acesso, mas também discutir racismo e o preconceito com a cultura popular”, diz Moratelli. E vai mais além: “O filme mostra a perversidade do poder público com o carnaval carioca. É interessante perceber que, bem antes da crise trazida pela pandemia, já não se valorizava o que é popular. O carnaval vem sendo atacado por uma onda neopentecostal que domina a política fluminense”, afirma Valmir.

O trailler do filme você vê aqui: https://youtu.be/sszVuixp5hs

Valmir filme

Fabiano Araruna, Valmir Moratelli e o ator Romeu Evaristo no Festival do Rio 2019.

O documentário ’30 Dias – Um carnaval entre a alegria e a desilusão’, do diretor Valmir Moratelli, tem produção de Fabiano Araruna, da El Tigre Studio.

A exibição online do documentário de Valmir Moratelli será nesta quarta, 2 de setembro,  às 18h45, na sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil. O canal está disponível na Claro (canal 656 ou 156); Sky (canal 157); Vivo (canal 109) e Oi (canal 85). 

SERVIÇO

Estreia de Cinema na TV

O que: lançamento de filme online

Título: 30 Dias – Um carnaval entre a alegria e a desilusão

Diretor: VALMIR MORATELLI

Produção: El Tigre Studio

Quando: Quarta, 02 de setembro de 2020

Onde: sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil

Horário: 18:45h.

*O filme também pode ser visto na Claro (canal 656 ou 156); Sky (canal 157); Vivo (canal 109) e Oi (canal 85). 

*Depois da exibição, o diretor Valmir Moratelli vai participar de debate sobre o filme no Instagram @primeboxbrasil, com participação da pesquisadora Carolina Rocha, da Coordenadoria de Experiências Religiosas Afro-Brasileiras. Começa às 20:30h.

Jornadas Namídia destacaram crônica, telenovela, carnaval e telejornalismo

NAMIDIA panfleto mini

As Jornadas NAMÍDIA são uma realização anual do grupo de pesquisa acadêmica da UFJF “Narrativas Midiáticas e Dialogias”, coordenado pela jornalista e professora Doutora Cláudia Thomé.

Neste 2020, a quarta edição das Jornadas de Mídia e Literatura NAMÍDIA aconteceram em versão online – por conta da pandemia que tomou de assalto o mundo -, e tiveram 6 sessões virtuais, no período de 6 a 11 de julho, via Youtube.

Intituladas Jornadas Namídia: narrativas em tempos de pandemia. Gratuito e aberto a quem se interessa pelas discussões propostas, o evento enfatizou o quanto este tempo de quarentena e confinamento privilegiou o olhar para as artes, em especial, o audiovisual.

Os seis dias das JORNADAS tiveram a seguinte configuração:

Na sessão de abertura, as Jornadas Namídia receberam as jornalistas Michele Ferreira (TV Integração) e Mariana Cardoso (TV Globo). A conversa teve mediação do jornalista Pedro Miranda (doutorando em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia), e a pauta teve como foco os desafios e mudanças no fazer telejornalístico do período de pandemia.

Na segunda sessão, o convidado foi Victor Menezes (mestre em História Cultural pela Unicamp), que conversou com Vanessa Martins (mestranda em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia) e Laura Sanábio (mestranda em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia) sobre o universo fantástico de “Harry Potter” e Fake News.

Em seguida, na quarta (08 de julho), foi a vez do pesquisador Valmir Moratelli (escritor, poeta, jornalista, cineasta e doutorando em Comunicação PUC-Rio) abordar o tema da Teledramaturgia. O bate-papo teve como mediadora a atriz e jornalista Aurora Miranda Leão (esta que vos fala, que é doutoranda em Comunicação PPGCOM UFJF e membro do Namídia) e contou com o auxílio luxuoso do jornalista Pedro Miranda (doutorando em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia). Essa foi uma das conversas que rendeu mais audiência, evidenciando o quanto a telenovela é querida no país e o quanto o público se mantém fiel a essa forma de ecxpressão artística, mesmo em tempos de isolamento social. A atriz Rosamaria Murtinho foi uma das que acompanhou as Lives NAMÍDIA e postou vários comentários elogiosos.

Já na quarta sessão, o convidado foi o jornalista Maranhão Viegas, da TV Brasil, que conversou com a pesquisadora Cláudia Thomé (professora da Facom e da pós-graduação PPGCOM/UFJF, além de coordenadora do Namídia), tendo como mediadora a acadêmica Michele Pereira (doutoranda em Comunicação pela PUC-Rio e membro do Namídia). O tema foi a crônica audiovisual na TV e rendeu belos momentos de defesa da atividade jornalística com ênfase ao aspecto humanitário da profissão, à necessidade do profissional da Comunicação e às sutilezas poéticas da crônica televisiva num ambiente que exige tanta velocidade de produção e deixa pouco espaço para o lirismo. A audiência, atenta e emocionada com as palavras de Maranhão Viegas, acabou emocionando o colega da TV Brasil, que se declarou inteiramente imerso em afetividade e gratidão. 

Na penúltima sessão das #jornadasnamidia, o convidado foi o jornalista e comentarista da folia carioca, Bruno Filippo (Rádio BandNews FM). A conversa sobre Carnaval foi conduzida pelo também jornalista e pesquisador Marco Aurélio Reis (professor Unesa-RJ e vice-coordenador do Namídia) e pela pesquisadora Samara Miranda (mestranda em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia).

Para encerrar a semana de JORNADAS NAMÍDIA, o convidado super especial foi o pesquisador, carnavalesco e comentarista do Carnaval Globeleza, Milton Cunha. O bate-papo sobre as narrativas da Sapucaí foi conduzido pelos jovens pesquisadores Samara Miranda (mestranda em Comunicação PPGCOM/UFJF) e Rafael Rezende (doutorando em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia). 

A participação de Milton Cunha, que é mestre e doutor em Ciências da Literatura, PHD em História da Arte e coordenador-geral do Observatório de Carnaval da UFRJ, foi das mais festejadas e encerrou com brilhantismo esta quarta edição das Jornadas de Mídia e Literatura do grupo de pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias.

Quem quiser rever, ou quem perdeu e gostaria de assistir às Jonadas NAMÍDIA, basta acessar o canal do grupo no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCjsbXtrj4gCfB-5NrbPgQ2w

Para entrar em contato, basta seguir as redes sociais:

Grupo de Pesquisa Narrativas Midiáticas E-mail: grupo.namidia@gmail.com instagram.com/narrativasmidiaticas/ facebook.com/narrativasmidiaticasedialogias ufjf.br/narrativasmidiaticas/

Quarentena: zero abraços e muitos livros

Clipe Livros

50 personalidades indicam livros como companhia na Quarentena

A ideia é ótima e se espalhou pelas redes, jornais, rádio, televisão e novas mídias. E como ideia boa não precisa ter exatamente um dono mas sim uma consequência, foi assim:

Tudo começou com lives culturais noturnas, no finalzinho de março. Quem tomou essa iniciativa e convidou o blog #auroradecinema foi o jornalista, roteirista, documentarista e escritor carioca Valmir Moratelli. Dos encontros virtuais com amigos, parceiros, colegas de profissão, artistas e pessoas interessantes de diversas áreas, nasceu a ideia de colocar todo mundo para fazer pequenos vídeos indicando livros para esta quarentena forçada.

Jornalista Laurentino Gomes lança livro no Recife sobre escravidão

E assim foi:: cinquenta pesso@s, de diferentes nichos – atrizes, atores, escritores, escritoras, engenheiros, advogados, jornalistas, médicos, professores/professoras – gravaram, de suas casas, evidenciando o livro como bom companheiro no isolamento. 

Escritor contumaz e grande amante da literatura, Valmir Moratelli não podia estar em lugar mais indicado que o de incentivador da leitura Num país onde o livro é tão caro e a população, de modo geral, é tão cartente de educação, a leitura é ingrediente ainda mais essencial. Foi esse o mote para a campanha comandada por Moratelli, cujo vídeo está disponível nas redes e na conta dele no Instagram: @vmoratelli.

Valmir e Ma João

Valmir Moratelli e a atriz portuguesa Maria João no lancamento de livro dele, no Rio.

A ação nas redes sociais objetiva também chamar atenção para o fato da venda online das livrarias estar despencando. Muitas delas dependem dessa venda para continuar pagando os funcionários nesta pandemia.

Amandha Lee estará na próxima novela da Record - TV & Novelas - iG

Amandha Lee, atriz e tri-atleta, também participa do clipe de incentivo à aleitura.

O clipe da campanha de INCENTIVO à LEITURA está nas redes sociais desde abril e conta com a participação das atrizes Cinnara Leal e Dandara Mariana, da autora Rosane Svartman, do advogado Ricardo Brajterman, da fotógrafa Nana Moraes, e de muitos outros. 

Romeu Evaristo revela ter superado depressão e comemora nova fase ...

Dandara Mariana e o pai, o também ator Romeu Evaristo, estão no clipe de incentivo à leitura para esta quarentena !

Livro Hibisco roxo - Chimamanda Ngozi Adichie | TAG Livros Como Deixar um Relogio Emocionado - 9788573200492 - Livros na ...

Livros de Ruth Manus | Estante VirtualMe Ajude a Chorar – Fabrício Carpinejar | Le Livros Amazon.com.br eBooks Kindle: Onde os porquês tem respostas ...O QUE AS TELENOVELAS EXIBEM ENQUANTO O MUNDO SE TRANSFORMA - 1ªED ...

Livro Vinícius Sem Ponto Final. João Carlos Pecci. Prim

Poesia, música, telenovela, feminismo e antirracismo estão entre os livros indicados !

Coronavírus escancarou preconceito com idosos que telenovela já havia mostrado

Jornalista Valmir Moratelli analisa cenário inóspito para idosos 

Leopoldo e Flora Mulheres Apaixonadas (Foto: CEDOC/ TV Globo)

Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Oswaldo Louzada) sofriam nas mãos da neta.

 

Novela Mulheres Apaixonadas, 2003*: Dóris (vivida por Regiane Alves) é uma menina minada, que despreza e humilha os avós, Flora e Leopoldo (interpretados por Carmem Silva e Oswaldo Louzada), com quem divide o apartamento no Leblon, na zona sul do Rio. Em uma das cenas, do primoroso texto de Manoel Carlos, Dóris assim se dirige aos avós: “Tem que ter um pouco mais de juízo e um pouquinho mais de consciência de que vocês atrapalham, gente! (…) Vocês dão muito trabalho, dão muita despesa também. Vovô agora com esses chiliques, só de remédio foi uma fortuna. (…) Não servem pra nada. Já pensaram quando morrer? Vão ser enterrados onde? Já pensaram nisso?”.

As fortes cenas de Dóris maltratando os avós chocaram o país, a ponto do Congresso ter aprovado, ainda em 2003, o Estatuto do Idoso. O que o Brasil ouve agora nos discursos de governantes e empresários já foi denunciado lá atrás, há 17 anos, pela nossa ficção televisiva. É o chamado “ageísmo” – que vem do inglês “age” (idade), e significa discriminação etária. Na verdade, a pandemia do coronavírus (covid-19) apenas escancarou o preconceito com idosos sempre emudecido no Brasil.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. O Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, o que representa 13% da população. A projeção é que, em 2031, o número de idosos (43,2 milhões) supere pela primeira vez o de crianças de 0 a 14 anos (42,3 milhões). Esses números reforçam que os idosos são parcela significativa de uma população que, mesmo ainda se enganando como jovem, envelhece em ritmo acelerado.

O presidente Jair Bolsonaro, ao minimizar a pandemia e contrário às orientações da OMS, fez a seguinte declaração: “Eles têm outras doenças, mas dizem que morrem de coronavírus. (…) Não é o coronavírus que mata os velhinhos, essas pessoas já estão debilitadas”. Ainda nas primeiras temerosas semanas de março, o empresário e apresentador de TV Roberto Justus teve um áudio vazado, no qual conversava com amigos: “Na favela (o vírus) não vai matar ninguém. Vai matar só velhinho e gente doente”. No mesmo período, o empresário curitibano Júnior Dorski, sócio de uma rede de restaurantes, gravou um vídeo afirmando que “não podemos (parar) por conta de 5 mil ou 7 mil pessoas”.

O coronavírus, entre tantas consequências nefastas, desnudou o ageísmo do Brasil. E por isso o texto de Manoel Carlos permanece tão atual. Só que agora quem fala que os idosos “não servem pra nada” e “dão muito trabalho” não é obra de ficção. A agressividade com que tratam a população idosa, diminuindo sua importância econômica e – mais violento – menosprezando sua humanidade, é reflexo de um país que não quer se enxergar no espelho. Mas já foi escancarado na telenovela.

O Brasil assiste em 2020 à continuação do discurso de Dóris. Se aquela jovem atroz vivesse nos tempos atuais, mandaria seus doces avós, Flora e Leopoldo, circularem livremente pela orla, e ainda diria para não se preocuparem com o vírus que já contaminou mais de três milhões de pessoas no mundo, pois “é só uma gripezinha”.

▷ Aurora Miranda Leao 📷🎬📺🎶🎭 (@auroradecinema) • Instagram ...

* Valmir Moratelli é autor do livro “O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma e doutorando em Comunicação pela PUC-Rio.

Antropóloga Miriam Goldenberg atua para dirimir preconceito com 3a idade

Referendando a percepção de Moratelli, a antropóloga Mirian Goldenberg, que há duas décadas pesquisa sobre envelhecimento, também revela preocupação com o momento atual. Para a pesquisadora, esse preconceito sempre existiu e foi intensificado pela pandemia:

“O que temos visto nesta pandemia são discursos que chamo de velhofóbicos se generalizando. Políticos, empresários e até o presidente da República já disseram que ‘não se pode deixar a economia parar’ e que os jovens ‘têm que voltar a trabalhar’. Ou até que os velhos vão morrer ‘mais cedo ou mais tarde’. Estamos assistindo horrorizados a discursos sórdidos, recheados de estigmas, preconceitos e violências contra os mais velhos. […] Os velhos sempre foram vistos como um peso para a sociedade, ou seja, já experimentam o que chamo de ‘morte simbólica’. O valor que se dá a essas pessoas mais velhas é quase nulo, socialmente e dentro de casa”.

E dá uma importante dica:

“Tenho tentado fazer as pessoas escutarem os mais velhos. Esse é meu propósito desde que começou essa pandemia. Não dá para ficar dando ordem. Precisamos compreender a a realidade deles e juntos com eles encontrar alternativas para amenizar essa situação, de forma que eles não vivam como se estivessem numa prisão.

Isso seria uma morte antecipada para eles.

Ligue para eles, faça atividades junto com eles. Faça com que eles se sintam vivos, úteis, amados, cuidados”.

Goldenberg e seu amigo, Guedes, de 97 anos

Mirian Goldenberg e Guedes, seu amigo de 97 anos…

“Todos caminham para a velhice”, alerta Miriam Goldenberg:

“É urgente que todos aprendam uma lição importante: a única categoria social que une todo mundo é ser velho. A criança e o jovem de hoje serão os velhos de amanhã. Os velhofóbicos estão construindo o seu próprio destino como velhos, e também o destino dos seus filhos e netos: os velhos de amanhã. Ou seja, muitas dessas pessoas não se enxergam como velhos. A velhice é associada à imobilidade, à doença, à incapacidade, à inutilidade. Por isso ninguém se reconhece como velho, nem os próprios velhos.”

*Com informações de Luis Barrucho, da BBC News Brasil

Veja mais em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52425735

LIVES Culturais em tempo de Quarentena

“O que está em jogo neste momento é nossa capacidade de integrar”, afirma o escritor e jornalista Valmir Moratelli

Valmir Moratelli - AdoroCinema

Valmir Moratelli: papos culturais em tempo de quarentena

Ficar em casa tem sido a grande ocupação mundial. Em tempos de angústia e ansiedade pela incerteza de dias melhores, estamos todos em casa. Os que podemos. Há uma imensa legião de profissionais, cujo trabalho é primordial, que ocupam ruas, hospitais, mercadinhos, farmácias e supermercados, redações de jornalismo, postos de saúde e outros mais, que precisam estar fora de suas casas, trabalhando em prol da coletividade. Para estes, nosso aplauso, nossa gratidão infinita e nossas orações permanentes.

Sendo imperioso ficar em casa visando uma menor e mais lenta propagação do inimigo invisível, estamos todos apredendo a viver sozinhos, distante de quem amamos, dos que queremos abraçar, das conversas jogadas fora, dos encontros marcados, do contato com o outro que oxigena a vida.

Neste abrupto intervalo que nos foi imposto pela sombria chegada de uma doença paralisante e aterradora, o jornalismo reafirma sua magnitude e importância: o mundo precisa sim, cada vez mais, de uma imprensa livre, investigativa, profissional, opinativa, atenta aos fatos do mundo e no interesse da coletividade e preservação da espécie. Talvez nunca, em nenhum outro tempo, foi tão crucial o trabalho do jornalista.

Em meio a essa seara de perplexidade que se apossou do mundo, uma ferramenta tecnológica ganhou outra significação, passando de possibilidade a necessidade de reafirmação da troca afetiva. Elas atendem pelo nome de LIVES, e se há algum tempo já são usadas para conversa entre amigos, trocas de informações profissionais e coisas afim, agora elas viraram as grandes aliada das solidões diurnas, noturnas, confinadas nos isolamentos forçados, mas necessários, de cada um.

Lançamento do livro “Diálogos para Santos Cegos” – Tips Star News

Contos na era fake news: ficção de Moratelli é dos belos lançamentos literários de 2019.

Algumas redes sociais disponibilizam a troca de conversa via Lives, e uma das que mais tem ganhado espaço é a do Instagram. Trata-se de uma ferramenta oferecida gratuitamente para quem tem a conta na rede social (aplicativo pode ser baixado gratuitamente na web) e que é bem fácil de ser usada.

brasilqueorgulha Instagram posts - Gramho.com

Valmir Moratelli é um estudioso de telenovelas e tem livro importante sobre o tema.

Quem optou por fazer lives com constância agora foi o colega jornalista, Valmir Moratelli. Em geral, Valmir faz lives noturnas. Aí pergunto como nasceu a ideia de fazê-las, ao que ele responde: “Eu tive essa ideia quando surgiu esta realidade do isolamento social, aí comecei a pensar na questão da mobilidade dentro de casa. Já tinha experiência com lives, profissionalmente, em várias ocasiões em que o deslocamento não é possível ou demanda mais tempo. Sempre fui um entusiasta das mídias digitais no sentido de achar que elas também podem trazer coisas positivas. Imagina uma situação dessa que estamos atravessando, se não tivéssemos as redes sociais. Seria complicadíssimo ficar sem ver as pessoas, sem ter com quem conversar ou trocar ideias”.

Como Valmir é também escritor, poeta, contista, estudioso de carnaval e teledramaturgia, além de cineasta, suas lives tem um atrativo especial: são muito instigantes e quem participa tem logo vontade de interagir. Porque Moratelli é muito bem articulado e fala com simplicidade, propriedade, simpatia e carisma. E o melhor: são lives com vários temas diferentes e que tem rendido ótima sintonia com o público.

As lives de Valmir Moratelli tem acontecido desde a semana passada, mais precisamente desde 23 de março, e já foram abordados assuntos como telenovela, carnaval, livros e literatura, astrologia, vilãs de telenovelas, e outras já estão agendadas.

A receptividade tem sido tão boa que Valmir já pensa em convidar atrizes e atores para participar e mostrar pro público um novo modo de fazer arte: a versão quarentena, um modo light, espontâneo, leve, em que o que vale é ter certeza de que cada um está disposto a dar sua parcela de contribuição para aclarar estes dias tão aflitivos.

Valmir Moratelli destaca fake news em contos instigantes | Aurora ...

Valmir Moratelli vê nas lives um respiro no isolamento social.

Moratelli, que é também doutorando em Comunicação pela PUC-RJ, diz que as lives são “momentos de lazer para poder bater um papo abertamente com outras pessoas, dando pitaco, sugerindo ideias, é uma ferramenta de interação. Num momento desses tão complicado, por que não usar essa ferramenta ? Ela funciona como uma mesa de bar sem estar num bar”. E arremata: “A importância maior das lives é porque temos acesso a uma ferramenta tecnológica que nos aproxima, neste momento tão difícil em que todos somos obrigados a ficar distante dos amigos e da convivência social.”

Em tempos de distanciamento e isolamento do outro, vale lembrar que cada um pode, e deve, contribuir para levar leveza, afeto, informação, de forma altruísta e descontraída, na certeza de que, numa live, o que mais conta é o sentir-se parte de um todo, de uma comunidade que se encontra para partilhar emoções e ideias. É saber-se acolhido pelo ouvir e o olhar do outro, um outro que tantas vezes não sabemos quem é, mas sabemos que ali está para diminuir seu isolamento, mitigar a falta de interlocuções, trocar impressões, compartilhar sentimentos e distribuir conhecimento e esperança.

E para Valmir Moratelli, elas devem render bons frutos:

“Acredito que a live veio para ficar como ferramenta de integração, mais do que interação, é integração. Nós estamos nos integrando no papo do outro, na cabeça do outro, no linguajar, na forma como o outro tem de se comunicar. É muito importante isso num momento em que temos falhas de comunicação muito graves em outras esferas. Então, nós como comunicadores, como pesquisadores da área de Comunicação, das Ciências Sociais, da área de Humanas, nós temos que nos utilizar dessas ferramentas para poder abranger ainda mais o alcance de integração. Porque senão vamos ficar cada vez mais isolados, cada vez mais individualizados. A sociedade já vinha nesse processo de individualização, cada um olhando pro seu próprio umbigo. E aí acontece uma pandemia dessa, com uma quarentena que todo mundo tem de ficar em casa, e pegou todo mundo de supetão. Então, o que está em jogo neste momento é a nossa capacidade de integrar”.

Telenovela vira assunto de debate disputado na FLIP

Livro sobre telenovelas teve concorrido lançamento na FLIP: Valmir Moratelli com Mauro Alencar, Dandara Mariano e Ana Paula Gonçalves (Paraty, julho 2019).

Pandemia: assunto popular, como a novela. Valmir Moratelli comenta

Valmir Moratelli analisa contexto atual da narrativa preferida dos brasileiros diante da pandemia que fez TV Globo alterar programação

Jornalista, escritor, poeta, cineasta e doutorando em Comunicação pela PUC-Rio, Valmir Moratelli tem como epicentro de suas pesquisas acadêmicas a teleficção brasileira.

Convidado para escrever sobre o panorama atual, que alcança também as telenovelas da TV Globo, reproduzimos aqui a apreciação de Moratelli sobre o momento insólito pelo qual passa essa paixão nacional com quem convivemos desde que a TV Globo levou ao ar sua primeira telenovela, ainda em 1965.

Em nota oficial divulgada na segunda, 15 de março, a emissora informou sobre a suspensão das gravações de suas novelas, a antecipação do final de outras e a inclusão de novas reprises na grade de sua programação. A nota gerou diversas reportagens e causou bastante repercussão nas redes sociais esta semana.

Em bela matéria do colega Marcelo Canellas, a emissora afirma:

“não há novelas sem abraços, apertos de mãos, beijos, festas, cenas de briga, cenas de amor, cenas de carinho, tudo aquilo que reflete a vida real”.

As medidas, super acertadas, tomadas pela direção da TV Globo incluem: intensa cobertura jornalística sobre a Covid-19, liberação da plataforma Globo Play e dos canais de televisão fechada da Globosat (Globo News, SporTV, Multishow, Telecine, Canal Brasil, dentre outros). Uma demonstração clara, relevante e inconteste de responsabilidade social, solidariedade e exemplar respeito ao público, de parte da maior emissora de televisão do Brasil.

Vejamos então o que diz Valmir Moratelli* sobre o tema:

“Em decisão inédita na história da teledramaturgia brasileira, a medida adotada pela TV Globo é uma forma de prevenir a pandemia. Mas o que significa esta paralisação para o país que tem nas novelas sua principal fonte de entretenimento gratuito? Como a população vai se manter em casa, em quarentena pelas próximas semanas, se abstendo das tramas que vinha acompanhando como “Malhação”, “Salve-se Quem Puder” e “Amor de Mãe”? Apenas “Éramos Seis“, já nos últimos capítulos, terá um desfecho. Sua substituta, “Nos Tempos do Imperador”, precisará esperar o desenrolar do drama real que a população enfrenta no combate ao Covid-19.

“O silenciar das novelas acompanha o desenrolar de um assunto grave, da ordem de saúde pública”, afirma o especialista (Foto: Divulgação)

Interromper uma novela não é tão comum no Brasil. Por outros motivos, a TV Globo já teve que embargar produções em andamento. “Roque Santeiro”, de 1975, tinha 10 capítulos editados e quase 30 gravados quando, na noite de estreia, foi proibida de ir ao ar. No ano seguinte, o mesmo aconteceu com “Despedida de Casado”, que vinha sendo escrita para às 22 horas. Em ambos os casos, o bloqueio foi imposição da censura do Governo Militar.

Há também exemplos de produções que foram encurtadas drasticamente por rejeição do público e consequente queda da audiência. Os telespectadores largaram de lado “Cuca Legal”, de 1975, e a novela de Marcos Rey foi encurtada para 118 capítulos. Em 2001, “Bang Bang”, de Mario Prata, perdia público a cada exibição, o que fez a direção da emissora diminuir a duração dos capítulos que, dos habituais 55 minutos, passaram para 45. “As Filhas da Mãe”, de 2001, teve audiência abaixo do esperado. Resultado: A trama de Silvio de Abreu terminou com 125 capítulos. A título de comparação, o sucesso retumbante de “Avenida Brasil”, de 2012, teve 179 capítulos – dois meses a mais no ar.

O que acontece agora em nada se compara com os exemplos do período da ditadura, quando produções foram interrompidas por ordem do governo, ou com tramas encurtadas por questão de audiência, imprimindo a implacável força do mercado. O público fica, já na próxima semana, sem os capítulos inéditos por decisão estratégica da emissora, visando a não colocar em risco de contágio ao Covid-19 os quase 300 funcionários – entre elenco, equipe técnica e de produção – que trabalham em cada obra.

“O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma”

No comunicado enviado à imprensa, a TV Globo informou que tomou a decisão por coerência com os aspectos característicos da sua teledramaturgia, visto que “não há novelas sem abraços, apertos de mãos, beijos, festas, cenas de briga, cenas de amor, cenas de carinho, tudo aquilo que reflete a vida real, mas que, hoje, não pode ser encenado em segurança”. No livro “O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma” (2019, ed. Autografia), resultado de uma pesquisa de mestrado, detalhei duas décadas recentes de produções da emissora, entre 1998 e 2018, diante das transformações políticas de quatro presidentes (Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer).

As telenovelas brasileiras são reflexo dos nossos tempos, servindo de registro histórico às mudanças sociais. Estabilidade econômica, diversidade sexual, a questão das cotas, ascensão da chamada classe C, maior participação das mulheres no mercado de trabalho. Nada passou incólume pelas ficções da TV. E agora que o mundo se vê obrigado a parar as atividades a fim de frear a pandemia, não seria diferente com a ficção. O silenciar das novelas acompanha o desenrolar de um assunto grave, da ordem de saúde pública, arremata Moratelli.

Protagonistas da novela ‘Amor de Mãe’, que teve gravações interrompidas esta semana TV Globo. (Reprodução/Globo)

Em um país onde 99% dos lares brasileiros têm televisão, forjando gerações diante dos amores e dissabores de protagonistas e vilões, fica difícil imaginar um cenário em que nossas rotinas, momentaneamente, serão sem novas novelas. É verdade que a audiência geral da TV aberta vem caindo em relação à última década, principalmente pela maior oferta de streaming, catapultando o telespectador a ser programador de sua TV. O momento é propício ao crescimento dessas novas plataformas– a própria GloboPlay vem lançando séries e documentários inéditos. Mas nem todos os órfãos de novelas vão migrar para a GloboPlay ou Netflix.

Dados do IBGE mostram que mais de um terço dos domicílios brasileiros ainda não têm acesso à internet. Interromper suas novelas é um recado que a TV Globo dá à sociedade e às autoridades. O cancelamento de uma “instituição nacional”, como é o caso da novela das 21h, transmite a ideia da seriedade coletiva que o país precisa ter pelas próximas semanas.

Parte do elenco da novelo Avenida Brasil, uma das reprises transmitidas pela Rede Globo neste momento de pandemia. (Reprodução/Globo)

No lugar das produções interrompidas nos últimos dias, a TV Globo vai reexibir tramas bem aceitas pelo público (“Totalmente Demais” e “Fina Estampa”, por exemplo), além de aumentar o tempo de transmissão dos telejornais no canal aberto e reforçar o conteúdo da GloboNews. O que também vem em boa hora para a emissora, visto que a CNN Brasil estreou no final de semana trazendo possibilidades de concorrência à altura de seus programas. Oferecer escolhas internas ao público, cada vez mais exposto a outras opções, é uma estratégia certeira. Enquanto a população fica sem os afagos de “Amor de Mãe” , ou aguarda pelas aventuras de “Nos Tempos do Imperador”, resta-nos entender que quarentena não é drama e nem histeria. É o mundo real chacoalhando nossas rotinas a tal ponto que interrompeu até a ficção. A telenovela há de resistir. Até porque esperamos todos por um happy end.

* Valmir Moratelli é jornalista e doutorando da PUC-Rio.

*Artigo originalmente escrito para o site da jornalista Heloisa Tolipan.