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Festivais com inscrições abertas

Para a 52ª Semana da Crítica do Festival de Cannes, cujo objetivo é descobrir novos talentos. Desde que foi criada, em 1962, apresenta os primeiros e segundos trabalhos de diretores de todo o mundo. Entre os nomes que já passaram pelas mais diversas edições do evento estão Bernardo Bertolucci, Jean Eustache, Otar Iosseliani, Ken Loach e Wong Kar Wai. Entre os brasileiros, a diretora Juliana Rojas – menção honrosa na edição deste ano pelo filme “O Duplo” -; Ricardo Alves Júnior (com o média-metragem “Permanências”, em 2011); Cavi Borges e o curta “A Distração de Ivan”, em 2010; além de “A Via Láctea”, de Lina Chamie (2007); e “A Marvada Carne”, de André Klotzel (1987).

Inscrições www.semainedelacritique.com/inscriptions.php até 22 de março.

6º Los Angeles Brazilian Film Festival – LABRFF 2013, que está programado para acontecer de 24 a 28 de abril, em Los Angeles, na Califórnia.

Inscrições gratuitas para filmes de ficção (longa-metragem), e não ficção (documentários), além de curtas. A programação do LABRFF inclui mostras de competição, paralelas, e mostra tributo. Quinze categorias devem concorrer ao Troféu LABRFF, e os filmes serão avaliados por um júri oficial composto por grandes nomes do cinema internacional.

Podem participar da Seleção Oficial filmes produzidos a partir de 2009, e que não tenham estreado nos Estados Unidos. Entretanto, poderá haver filmes convidados, que participarão apenas das mostras paralelas, sem concorrer ao troféu. A mostra de competição de longas terá a participação de seis filmes, e a de documentários quatro. Já a mostra competitiva de curtas terá 6 filmes concorrendo aos títulos.

Ficha de inscrição e regulamento: www.labrff.com/submissions. Prazo de inscrição termina dia 20 de fevereiro.

Em cinco edições, o LABRFF exibiu mais de 300 títulos e premiou 72 categorias, tendo distribuído prêmios e troféus aos competidores. O LABRFF também realiza seminários, workshops e debates voltados ao fomento da indústria do audiovisual internacional, salientado o papel de incentivador a novas coproduções de filmagens entre o Brasil e os Estados Unidos.

* A 2ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, evento gratuito não-competitivo, será realizado em São Paulo, de 23 a 30 de maio. Os interessados poderão se inscrever até dia 28 de fevereiro. Serão aceitas obras finalizadas a partir de 2010, sem restrições de gênero, duração ou suporte de captação/finalização, com temáticas ambientais, tais como: energia, água, mudanças climáticas, consumo, povos e lugares, ativismo ambiental, resíduos sólidos, políticas públicas socioambientais, mobilidade, habitação, áreas verdes, áreas urbanas, alimentação, economia verde, globalização, vida selvagem, sustentabilidade, entre outras.

A Mostra é um evento anual que pretende chamar a atenção da população para questões ambientais, de sustentabilidade, cidadania, governança, participação e políticas públicas, e busca contribuir não apenas para a difusão de importantes obras cinematográficas, mas também para o enriquecimento das discussões sobre sustentabilidade e meio ambiente no Brasil.

Informações e inscrições: www.ecofalante.org.br/mostra

Cinema, a Arte do século ?

 

“O cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados”…

O pesquisador, professor e crítico de cinema, L.G. de Miranda Leão, escreve sobre o reconhecimento do cinema como Arte.

 Voltamos ao velho tema sobre se cinema é realmente a arte do século. Claro, há décadas o cinema tem sido definido como tal, e vários autores o colocam como arte dinâmica ao lado das artes estáticas. Afinal, costuma-se perguntar: como conceituar arte? Não é do escopo destas linhas entrar no labirinto das definições. Mas, das várias e complexas, uma das mais simples, sem dúvida, é aquela do saudoso J. R. Capablanca, ex-campeão mundial de xadrez, segundo o qual “a arte consiste na transformação de uma boa ideia em matéria”. Imaginemo-nos como um comerciante ou produtor de filmes. Sabedores de um drama vivido por um casal de amigos em dificuldades econômico-financeiras, logo pensaríamos em ajudá-los. Essa ajuda poderia ser contratar um bom roteirista e aplicar os nossos recursos disponíveis para levar a bom termo esse apoio aos amigos. Feito o filme, com razoável retorno e possibilidades de ajudarmos a quem precisa, teríamos transformado a ideia de ajuda em matéria. Este é apenas um exemplo banal da definição de JRC. Quanto a definir cinema como 7ª Arte, apoiemos-nos no crítico e teórico italiano Ricciotto Canudo (1877 – 1923), nascido em Gioia delle Calle na Itália. Foi ele quem classificou e difundiu as artes, começando, segundo alguns registros, com a música, dança, pintura, arquitetura, teatro e literatura, vindo depois a 7ª (cinema) e a 8ª (a fotografia). Após fixar-se em Paris, em 1902, Canudo tornou-se figura líder da vida cultural francesa, atuando como anfitrião de artistas como Pablo Picasso (1881 – 1973), Raoul Dufy (1877 – 1953) e Fernand Léger (1881 – 1955). Quando começou a escrever suas análises críticas sobre arte e o cinema mudo em 1907 como meio de expressão, Canudo propiciou uma base para o subsequente pensamento europeu sobre a estética do cinema. Pois foi ele, no fim de contas, quem cunhou a frase “7ª Arte” para descrever a nova arte. Assim fundou em 1920 o Clube dos Amigos da 7ª Arte em Paris e em 1923 planejou a realização de um filme mudo em colaboração com a figura marcante de Marcel L´Herbier (1888 – 1979), proeminente realizador impressionista do “avant-garde” com influência sobre vários diretores do período, notadamente o brasileiro Alberto Cavalcanti (1897 – 1982) e Claude Autant Lara (1903 – 77). Coube, aliás, a L´Herbier fundar o IDHEC, a famosa escola francesa de cinema. Em 1954, dirigiu L´Herbier vários filmes para a TV francesa, um dos quais o instigante “La Citadelle du Silence”, de 1937, exibido depois nos cinemas de Paris. Discordância O renomado teórico Ralph Stephenson, autor de “The Cinema as Art”, obra exponencial com J. R. Debrix, discorda da classificação de Canudo segundo a qual o cinema é a fusão de três artes do espaço (pintura, arquitetura e dança) e de três artes do tempo (música, teatro e literatura). A proposição de Canudo tem sido usada para mostrar que o filme não é uma arte em seu próprio direito, mas o argumento do italiano não convence. Para Stephenson, o cinema não é apenas a soma dessas seis artes, mas algo novo e diferente de todas elas. Apesar, disso, a lista pode servir para ilustrar a complexidade dos elementos que a compõem. Para concluir, convém distinguir entre fotografia (a 8ª arte) e cinema. Valemo-nos de uma definição do saudoso Stanley Kubrick, realizador de alguns dos filmes mais importantes do século XX. Para SK, “o cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados, e esta, em troca, tem o poder de gerar e ampliar nossos sonhos e pesadelos”. Isso porque, como escreveu o filmólogo Román Gubern, “um filme é como uma simulação involuntária do sonho; quando as luzes do ambiente se apagam, a noite invade a sala de cinema, é como o ato de fechar os olhos: começa então na tela e no próprio interior do homem a incursão na noite do inconsciente; as imagens, como no sonho, aparecem e desaparecem, dissolvem-se e escurecem, o tempo e o espaço tornam-se flexíveis, retraem-se e dilatam-se à vontade, a ordem cronológica e os valores relativos à duração já não correspondem à realidade…”. Eis a riqueza da 7ª Arte!

L.G. DE MIRANDA LEÃO

Felipe Brida e A História sem fim…

Felipe Brida – jornalista, redator de dois blogs de cinema, blogueiro, professor de Semiótica e de Comunicação, especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp, e pesquisador na área de cinema desde 1997 –  em breve estará lançando seu livro de críticas.

Felipe Brida é um apaixonado por cinema…

Por enquanto, você fica aqui com o comentário de Felipe Brida sobre o filme A História sem fim…

Fascinado por leitura, o garoto Bastian (Barret Oliver) foge com um misterioso livro de uma livraria e o esconde em casa. Quando começa a folhear aquelas páginas, percebe estar dentro de ‘Fantasia’, uma longínqua terra habitada por elfos, um gigante de pedra, um dragão da sorte com rosto de cachorro e um guerreiro chamado Atreyu (Noah Hathaway). Junto com esses personagens, Bastian se envolverá em aventuras inesquecíveis.

Quem nunca ouviu falar de A História Sem Fim ? Grande sucesso no mundo inteiro (menos nos EUA), essa encantadora fita de aventura cativou toda uma geração nos anos 1980, sendo reprisada na TV infinitas vezes. Façanha brilhante!

O cineasta alemão Wolfgang Petersen contabilizou pontos na carreira ao acertar no roteiro, baseado no romance de Michael Ende. Ele escreveu em parceria com o amigo e conterrâneo Herman Weigel, e optaram por manter os aspectos originais da história. O resultado não poderia ser outro: uma produção mágica, com visual rico em detalhes, que remonta a um espaço onírico, a terra de ‘Fantasia’, onde vivem figuras míticas do bem e do mal. Aliás, os personagens das páginas do livro que o garoto Bastian lê são perseguidos por uma força maior, sobrenatural, chamada de ‘Nada’, que só assume forma real no desfecho.

A mensagem é positiva, e o filme registra uma direção de arte impecável, que reúne elementos visuais do nosso imaginário, para compor a criatividade do jovem fissurado em ler A História Sem Fim. Ou seja, é uma fita que dialoga sobre a imaginação e o poder que a leitura exerce sobre nossa capacidade de enxergar o mundo (e conhecê-lo melhor).

Rodado em estúdios em Munique, custou muito para a época (U$ 27 milhões), sendo o filme mais caro produzido na Alemanha. Traz cenas emocionantes e memoráveis, como a do cavalo branco atolado no lamaçal. E quem não se lembra da música-tema, Neverending story, cantada pelo inglês Limahl, sucesso nas rádios brasileiras, inclusive?

Devido ao sucesso estrondoso, teve duas sequências inferiores – a primeira em 1990, A História Sem Fim II, com elenco diferente e outro diretor (George Miller, da trilogia “Mad Max” e “Babe – O Porquinho Atrapalhado”), e a outra em 1994, ainda mais irregular.

No Brasil saiu em versão reduzida, com oito minutos a menos que a chamada versão internacional. Já disponível em DVD, com dublagem em português da época, sem extras, e em duas edições: uma com o filme original e a outra com a segunda parte.

A História Sem Fim (The Neverending Story – Inglaterra/Alemanha – 1984 – 94’) Direção: Wolfgang Petersen Com: Noah Hathaway, Barret Oliver, Tami Stronach, Patricia Hayes, Sidney Bromley, Gerald McRaney e Moses Gunn, entre outros.

Menu interativoSeleção de cenasSeleção de idiomasSeleção de legendas Tela: Standard Áudio: Dolby Surround Stereo Idioma: português, inglês e espanhol Legendas: português, inglês e espanhol

Extra: Trailer de cinema

Distribuição: Warner Bros

Outubro tem Cine MATO

 

A 18a edição do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá vai acontecer em Mato Grosso de 24 a 30 de outubro, no Cine Teatro Cuiabá, na capital mato-grossense. Aguardem novidades da programação.

Selecionados ao Festival de Brasília

O Festival de Brasília este ano vai acontecer de 26 de setembro a 3 de outubro, tendo na disputa 6 longas-metragens, 12 curtas-metragens e 12 curtas de animação. Ao todo, 624 filmes foram inscritos. Confira os selecionados:

Mostra competitiva de longas-metragens“As hiper mulheres”, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro (Rio de Janeiro/Pernambuco)

“Hoje”, de Tata Amaral (São Paulo)

“Meu país”, de André Ristum (São Paulo)

“O homem que não dormia”, de Edgard Navarro (Bahia)

“Trabalhar cansa”, de Juliana Rojas e Marco Dutra (São Paulo)

“Vou rifar meu coração”, de Ana Rieper (Rio de Janeiro)

Mostra competitiva de curtas-metragens:“A casa da vó Neyde”, de Caio Cavechini (São Paulo)

“A Fábrica”, de Aly Muritiba (Paraná)

“De lá pra cá”, de Frederico Pinto (Rio Grande do Sul)

“Elogio da Graça”, de Joel Pizzini (Rio Janeiro)

“Imperfeito”, de Gui Campos (Distrito Federal)

“L”, de Thais Fujinaga (São Paulo)

“Ovos de dinossauro na sala de estar”, de Rafael Urban (Paraná)

“Premonição”, de Pedro Abib (Bahia)

“Ser tão cinzento”, de Henrique Dantas (Bahia)

“Sobre o menino do Rio”, de Felipe Joffily (Rio Janeiro)

“Três vezes por semana”, de Cris Reque (Rio Grande do Sul)

“Um pouco de dois”, de Danielle Araújo e Jackeline Salomão (Distrito Federal)

Mostra competitiva de curtas de animação:“2004”, de Edgard Paiva (Minas Gerais)

“A mala”, de Fabiannie Bergh (Pará)

“Bomtempo”, de Alexandre Dubiela (Minas Gerais)

“Cafeka”, de Natália Cristine (Rio Grande do Sul)

“Céu, inferno e outras partes do corpo”, de Rodrigo John (Rio Grande do Sul)

“Ciclo”, de Lucas Marques Sampaio (Distrito Federal)

“Media training”, de Eloar Guazzelli e Rodrigo Silveira (São Paulo)

“Menina da chuva”, de Rosaria (Rio de Janeiro)

“Moby Dick”, de Alessandro Corrêa (São Paulo)

“Quindins”, de David Mussel e Giuliana Danza (Minas Gerais)

“Rái sossaith”, de Thomate (São Paulo)

“Sambatown”, de Cadu Macedo (São Paulo)

São Luís Terá Semana do Audiovisual

 A comunidade acadêmica de São Luís terá em junho mais uma oportunidade para expor seu talento no cinema.

Até amanhã estão abertas inscrições para a 1ª Mostra Universitária Audiovisual. Como parte da programação da II Semana do Audiovisual, em conjunto com a XI Semana de Comunicação, a mostra exibirá vídeos de estudantes e servidores universitários de todo o estado.

A 1ª Mostra Universitária Audiovisual objetiva incentivar a produção de vídeos no estado, além de dar visibilidade ao que se tem feito em, nessa área, São Luís e no interior. Estudantes de qualquer curso de graduação ou pós-graduação podem se inscrever, desde que regularmente matriculados numa instituição de ensino superior. Além disso, a mostra também é aberta a servidores de instituições acadêmicas.

Serão exibidos curtas-metragens com até 10 minutos de duração. Segundo o representante do Cineclube Casarão Universitário, Bruno Lacerda, a quantidade de vídeos a serem exibidos ainda não está definida: “Iremos trabalhar o ajuste do tempo dos vídeos com o tempo da mostra, que será de aproximadamente duas horas”, explica.

Para participar da seleção, basta realizar a inscrição na Semana de Comunicação pelo sítio virtual http://www.semanacomunica.ufma.br, no link Chamada de Trabalhos e apresentar o pedido de inscrição no Departamento de Comunicação Social da UFMA, no prédio do CCSo (Campus Bacanga). O candidato deve entregar, em envelope, uma relação de documentos (disponíveis no regulamento), duas cópias de cada vídeo em DVD e um CD contendo informações como fotos de divulgação, sinopse do filme, ficha técnica, etc. O diretor do vídeo também tem liberdade para publicar releases, cartazes e qualquer outro material de divulgação da sua produção.

A segunda edição da Semana do Audiovisual acontecerá entre 31 de maio e 3 de junho, na UFMA, durante a XI Semana de Comunicação. Além da Mostra Universitária, ganham destaque na Semana outras atividades, tais como o lançamento do filme Céu Sem Eternidade, dirigido pela cineasta Eliane Caffé.

O longa-metragem é um documentário produzido ano passado pelo coletivo da oficina audiovisual de Alcântara, reunindo quilombos da região, estudantes da UFMA e participantes dos Pontos de Cultura “Comunica”. Para as discussões acadêmicas, a Semana de Comunicação contará com a participação dos expressivos pesquisadores Marcos Palácios (UFBA), e André Pase (PUC-RS).

A Felicidade de Jabor pelo olhar de Brida

O retorno de Arnaldo Jabor ao cinema, 25 anos depois

O pequeno Paulo (Caio Manhente) sonha grande, como toda criança. Vive no Rio de Janeiro, é filho de um militar e, de repente, estoura a Segunda Guerra Mundial. Dos oito aos 18 anos, irá aproximar-se de novos amigos e conhecer o amor e o sexo, sempre influenciado pelos ensinamentos do avô, Noel (Marco Nanini).

Havia grande expectativa no retorno de Arnaldo Jabor ao cinema, pela originalidade de seus filmes, os quais rodou durante o fim do Cinema Novo, e o destaque na fase da pornochanchada. Estava longe das câmeras desde 1986, quando fez o bom drama “Eu sei que vou te amar”.

O filme não é de todo ruim, mas poderia ter sido rodado por qualquer um. A história, agradável, com momentos ternos e outros engraçadinhos, é um olhar sobre a infância e a adolescência de um garoto carioca, durante os anos 1940 e 50, em tempos de guerra. Parece recorte de um período, que tenta refletir uma geração do pós-guerra, universalizando o tema, mas tudo de forma menor, sem vigor ou grandes emoções.

Jayme Matarazzo, Maria Luísa Mendonça e Roney Vilella em A Suprema Felcidade

O que me incomoda é a teatralidade dos atores em cena, misturado com a falta de timing. Culpa que se atribui ao diretor. Soa fake para cinema, castigado por um elenco mal aproveitado, e que não está em seus melhores dias. Marco Nanini é o único que segura as pontas, nos poucos momentos que aparece. Dan Stulbach está exagerado como o pai militar, Elke Maravilha envelhecida, sem destaque algum, e ainda rápidas aparições de Ary Fontoura, Jorge Loredo (o Zé Bonitinho), João Miguel (num papel cômico, como um pipoqueiro piadista), além de Maria Flor.

Jabor já foi melhor com “Toda nudez será castigada”, “Eu te amo”, “Tudo bem” e “Opinião pública”. Esse, junto com “Pindorama”, são seus filmes menores e descartáveis. Em suma, um drama ingênuo, desconcertado, teatral demais.

Tammy Di Calafiori estreando em cinema no filme de Jabor…

A Suprema Felicidade (Brasil2010125’) Direção: Arnaldo Jabor Com:Marco Nanini, Dan Stulbach, João Miguel, Maria Flor, Elke Maravilha, Ary Fontoura, Caio Manhente, Emiliano Queiroz, Roney Vilella e Maria Luísa Mendonça, entre outros.

DVD: Menu interativoSeleção de cenas Seleção de idiomas Seleção de legendas Tela: Widescreen Anamórfico (1.85:1) Áudio: Dolby Digital(2.0 / 5.1) Idioma: português Legenda: português, inglês e espanhol Extras: making of; trailer

Distribuição: Paramount Home Entertainment

Ottokar Runze, Expoente do Cinema Alemão

Runze em Oberhausen

Primeiro plano de Marion (Nina Ross) num momento de descontração no estúdio, preparando-se para interpretar sua última canção no filme, um momento inesquecível

Um dos personagens deste fragmento de cena, sempre muito discreto, é o agente infiltrado da GESTAPO. O espectador saberia descobri-lo em tempo?

Marion tenta convencer o amigo a uma tomada de posição diante da situação de como fugitivo

Registramos anteriormente,  numa visão histórico-panorâmica simplificada, a participação de vários realizadores para o ressurgimento do cinema germânico. Por lapso, omitimos o nome de Ottokar Runze, o qual também contribuiu, então com 37 anos, para o ímpeto do “Junger Deutscher Film” (JDF), nome pelo qual o Novo Cinema Alemão ficou conhecido e teve seu ponto de partida em 1962, no Oberhausen Manifesto. Como se recordarão os cinéfilos, trata-se de documento assinado naquele Film Festival por um grupo de 26 escritores e cineastas a exigirem liberdade para contestar certas restrições e exigências às vezes descabidas das convenções da indústria e de produtores, bem como as normas de caráter comercial para o cinema. Havia realmente algo de novo no ar.Houve aliás quem visse a influência da Nouvelle Vague sobre vários realizadores da Europa. Mesmo não sendo a NV um movimento formal, mas antes o trabalho de cineastas franceses com idéias renovadoras abrangendo grande variedade de temas, emprego de atores pouco conhecidos, filmagens fora dos estúdios, câmara na mão, espontaneidade dos diálogos, fluidez do ritmo, ruptura com o cinema um tanto teatral de então, etc. O princípio básico da NV, recorde-se, era o do “auteur”, ou seja, cada filme expressava a visão pessoal e as idéias do seu “metteur-en-scène”.

Nos primeiros tempos, como se sabe, o triunvirato formato pelos jovens François Truffaut, Jean-Luc Godard e Claude Chabrol esteve sob a influência de André Bazin (1918-1958), crítico, teórico, diretor da “Cahiers du Cinèma”, prestigiosa revista de análises e ensaios da melhor qualidade. Oportuno citar aqui as observações do escritor Neil Thomas para quem a NV nasceu da intelectualização dos filmes franceses dos anos 1950 e início da década de 60, com sua explosão de energia criativa. Foi de fato um movimento marcante do cinema francês.

Diferente da NV, todos eles críticos e redatores da Cahiers sob a liderança de Bazin, principalmente como reação aos métodos convencionais do cinema clássico, o denominador comum do jovem cinema alemão foi uma afronta espontânea à qualidade de vida burguesa, embora a filosofia e o estilo dos seus diretores variassem muito, individualmente: suas realizações foram limitadas por um zelo similar revolucionário e uma visão de vida humanística, quando não com freqüência fatalista.

Os novos cineastas alemães também exigiam liberdade de expressão em face das restrições impostas pela indústria, do contrário não se poderia criar um Novo Cinema Alemão. O Manifesto de Oberhausen veio para ficar. Digam-no Roland Suso Richter, Florian von Donnersmark, Tom Tykwer, Jo Baier, Ray Müller, Jean-Marie Straub e as qualidades dos filmes dos anos 70. As décadas de 80 e 90 já traziam outros enfoques temáticos e destacavam mulheres cineastas, como Agnieska Holland e Doris Döorie, ao lado de Percy Adlon, Eberhard Junkersdorf, Michael Klier, e Hans W. Geissendorfer, Edgar Reitz, Roger Fritz e Will Temper, dentre outros.

Sobre Bazin

Muito grande foi a autoridade intelectual de André Bazin (leia-se “O Que É Cinema?”) sobre os “nouvelle vagueurs” franceses, considerados por muitos como o “professor dos meninos”. Bazin, recorde-se, privilegiava a “mise-en-scène” e não a montagem, bem assim os estilos fundados no plano-sequência e na profundidade de foco dos filmes de Welles tão bem analisados por ele numa coletânea de artigos dedicada ao gênio de Wisconsin, o “enfant terrible” de “Kane” e “Ambersons”.

Bazin privilegiava também a verdadeira “continuidade fílmica” e reproduzia situações dramáticas de forma mais realística, deixando a interpretação de determinadas cenas mais com o espectador e menos com o ponto-de-vista da montagem. Alguns cineastas alemães assimilaram muitos dos ensinamentos de Bazin, aliás leitura obrigatória para todos quantos estudam cinemas e dirigem filmes.

Direção do elenco

Quanto à condução dos intérpretes, Runze não poderia ter feito melhor. Todos estão afinados com seus papéis e mesmo os personagens secundários não comprometem sua participação no drama. Para Nina Ross sobram encômios. São expressivos seus cantos de protesto, não só a prolação das palavras, como a expressividade das suas imagens-rosto. Vale a pena transcrever pequena parte dos versos da bela melodia criada por Heinz Eisler, a última, um canto de saudade, libertador, no qual imagens metafóricas e hiperbólicas se combinam harmoniosamente para dar aos versos um caráter invulgar. /”Meu dia está sombrio/Seu dia está sombrio/ Vamos juntos, queremos nos dar as mãos E nos entendermos muito bem. /O caminho é longo, o caminho é tortuoso, Com certeza seremos premiados.

/Queremos nos prender a alguma idéia realmente feliz E ter um castelo /na lua Um pouco de saudade, um raiozinho de sol, Uma saudade dos dias sombrios/ Saudade, não importa por qual razão /Um pouco de saudade e um sonho efêmero Saudade que jamais acabe, mintamos para nós mesmos /Enganemo-nos penetrando neste mundo e uma vez nele /Transformemo-nos em príncipes e princesas, seres de ouro, /Um pouco de saudade, /um sonho efêmero, Uma saudade que jamais acabe (…)

Senso do cinema

Próximo ao final, Runze surpreende ao produzir um efeito criativo com a colagem de dois planos sucessivos, de tal modo o espectador não perca a continuidade da narrativa visual. Vemos e ouvimos Nina cantando, mas Runze corta e retorna para a jovem em procedimento de aborto, enquanto a enfermeira lhe deixa cair gotas de anestésico na meia-máscara e lhe pede para soletrar os números… Na sua categoria de filme dedicado a todos quantos foram forçados e deixar sua pátria em busca de uma sobrevivência mais digna, “Der Vulkan” é uma realização como poucas dirigida por quem conhece o metiê. O arremate mesmo se dá no face-a-face com a presença do agente infiltrado. O espanto é de quem se vê a sós com uma mulher bonita e decidida, mas o espanto também é nosso. Vemos os dois personagens: eles não se falam. Não há nada a dizer. As imagens dizem tudo.

O ponto final

Dos conflitos vividos pelos personagens do drama e da tensão crescente a caminho do clímax e das imagens-significantes, como se lê na tipologia de Truffaut, (surpresa, choque ou impacto), chega-se ao final. Antes já se vira como a jovem grávida, submetida depois a um aborto, prepara o seu suicídio. O ponto vermelho no braço e sua posição no estrado dizem tudo. Só uma voz parece dizer “a morte é a noite fria” e “a vida, um dia abafado”… Ecoam algumas frases como “Éramos estranhos em nossa própria terra”, enquanto as imagens parecem sugerir outras como “Hoje somos pessoas em trânsito, sem destino fixo”. “Onde estão nossos amigos?”, alguém pergunta. “Todos executados em Sachenhausen”, um campo de extermínio só possível de existir em nosso mundo louco. Pior, havia outros campos da espécie para eliminar judeus e até crianças como em Auschwitz.

A câmara em posição “plongée” leva o espectador aos companheiros em volta do túmulo, enquanto a objetiva se vai movimentando em torno deles. De lá o ajuste de contas entre Marion e o agente infiltrado, como já referido. Depois se torna bastante expressivo o uso dos planos próximos quando a fumaça das locomotivas parece mesclar-se ao apito dos trens e casar-se com o choro de Nina e a despedida de amigos a caminho da Espanha fascista de Franco. Poucas vezes, aliás, se lê num filme o significado intrínseco das imagens-movimento dos trens de ida-e-volta. Runze encerra sua obra-mestra com a volta de Mãe Schwalbe ao mesmo cemitério onde as folhas amareladas do outono começam a cair como na abertura do filme. Um plano visualmente rico capta, à direita, Marion de costas, com seus cabelos louros, e ao fundo, longe, em profundidade, vê-se apenas o espaço vazio. Cai o pano.

Saiba mais

“Le Cinéma Allemand”, de Bernard Eisenschitz, Paris: Nathan, 1999;

“20 Ans de Cinéma Allemand”, de J. L. Pessek, Centre O. Pompidou, Paris, 1978;

“As Teorias dos Cineastas”, de Jacques Aumont, 2ª ed. Papirus Editora, 2008;

“O Que É Cinema ?” (Qu´est-ce que Le Cinéma?), de André Bazin, Col. Horizonte de Cinema, Brasiliense e Livros Horizonte, 1992;

“França”, de Neil Thomas, Larousse do Brasil, São Paulo, 2009;

“Movies, A Language in Light”. de Richard L. Stromgren & Martin F. Norden, Prentice Hall, Inc. Englewood Cliffs, New Jersey 07632, 1984;

“The Film Encyclopedia”, de Ephraim Katz, 3rd. ed. revised by F.Klein & R.D.Nolan, Harper Perennial, New York, NY, 1998; e

“Cinema as Art”, de Ralph Stevenson & J. R. Debrix, Baltimore, Maryland, USA, 1970.6.