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Deborah Finocchiaro viaja o país com Solos e Bem Acompanhados

Atriz de farto talento, impressionante sensibilidade e carisma, Deborah Finocchiaro percorre o país ganhando aplausos, prêmios e mais tarimba pra sua incrível performance cênica…

A Companhia de Solos & Bem Acompanhados, de Porto Alegre, segue mostrando sua performance em  mais uma turnê nacional através do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz.

Os espetáculos são Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario  Quintana e Pois é, Vizinha… apresentados em cinco cidades,  sendo a primeira etapa realizada em agosto nas cidades de Teresina e  Parnaíba, no Piauí.

Na segunda etapa, este mês, as apresentações serão em Palmas (TO), e  Natal e Santa Cruz, no Rio Grande do Norte.

Mostra Companhia de Solos & Bem Acompanhados
ETAPA TOCANTINS 13 e 14 de outubro de  2012
13/10 – 20h Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario  Quintana
14/10 – 19h Pois é,  Vizinha…
Teatro SESC  Palmas
Centro de Atividades do SESC – 502 Norte – Palmas/TO – (63) 3212.9954
Após os  espetáculos, bate papo com a plateia.
ETAPA Rio Grande do Norte – 17 a 22 de  outubro de 2012
SANTA  CRUZ
17/10 – 20h Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario  Quintana
18/10 – 20h Pois é,  Vizinha…
Teatro  Candinha Bezerra
Centro – Santa Cruz/RN – (84)  9651.2112
NATAL
20/10 – 20h Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario  Quintana
21/10 -20h Pois é,  Vizinha…
22/10 – das 18h às  22hOficina Espontaneidade e Desenho no  Espaço
Casa da  Ribeira
Rua Frei Miguelinho, 52 – Ribeira – Natal/RN – (84)  3211.7710
Assista aos  clipes das peças:
Companhia de Solos & Bem Acompanhados já  percorreu diversos estados brasileiros e também a Argentina. Em sua trajetória,  contabiliza 32 prêmios, sendo 6 de Melhor Espetáculo, 17 de Melhor Atriz, um de Melhor Direção, e ainda Melhor Cenário, Trilha, Texto Adaptado e 2 como Melhor  Artista de Teatro. O espetáculo Pois é,  Vizinha… está há 19 anos em cartaz e soma mais de 200.000 espectadores e mais de 10 prêmios. A peça  é uma adaptação do texto Una Donna Sola, de Franca Rame e Dario Fo  (Prêmio Nobel de literatura 1997). O premiado Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario  Quintana estreou em junho de 2006, dentro  das comemorações oficiais do centenário do poeta Mário Quintana, e vem  participando de temporadas, projetos e festivais nacionais e  internacionais.
Leia alguns comentários  da etapa Piauí (realizada em agosto de  2012)
Sobre Sobre Anjos & Grilos
“ Um raio fulminante de luzes e dramaturgia varreu o  solo do palco do Theatro 4 de Setembro, em Teresina, na noite do dia 07 de  agosto de 2012… esteve cheia de graça, alegria e virtuose mimetizada entre  obra e artista quintaniano, a atriz Deborah Finocchiaro que não deixou sobra de  não entendimento, nem sombra de falha de compreensão das falas de Mario… A  iluminação grave para feitos e efeitos de técnica invejável… Sons, luzes,  imagens animadas, signos e siglas poéticos, emblemas e ilustrações de natureza  criativa em mímesis da humanidade experimentada, um luxo de concentrado ato  dramático eficaz… Definem para acertos de contas, a performance inteira de  Deborah Finoccchiaro, em poeta feito forma vívida, e a equipe fechada que assina  como Companhia de Solos & Bem Acompanhados…”
Maneco Nascimento, ator, radialista e  jornalista  – Blog do Maneco – http://www.vooz.com.br /  manekonascimento.blogspot.com , 08/08/2012 – Teresina/PI
A beleza esteve em Teresina ! Faço referência ao  espetáculo “Sobre Anjos & Grilos”, ancorado na poética de Mario Quintana e com a vibrante performance de Deborah Finocchiaro. Delicadeza e profundidade  pisaram no palco. O poeta ganhou uma representação cênica afinada com o encanto da sua poesia. O solo de uma atriz bem acompanhado dos poemas e textos de um  poeta subvertedor e transcendente… O teatro está  vivo !
Francisco Junior, Dr. em Sociologia e Professor da UFPI – 08/08/2012 – Teresina/PI
Sobre Pois é, Vizinha…
“… O público não arredou um instante do denso e divertido enredo… Deborah Finocchiaro não só demonstra ser uma excelente  atriz, como também despende pique para não deixar dúvida de que reconhece a  terra em que está pisando… Nessa divertida comédia para fundo crítico exasperado, ela consegue metralhar informações com uma dinâmica concentrada em que não se perde qualquer fio da informação. Direta, humorada, sinuosa quando necessário, lacônica por exigência da dramaturgia, a  personagem encontra na atriz, e vice versa, uma afinidade teatral muito precisa… “Pois é, vizinha…” atrai a atenção, mesmo que  pelo riso, a uma discussão sobre violência contra a mulher. A atriz se despoja a trazer essa chaga social de forma empertigada e crítica em filtro tragicômico. Seu recado fixa ao riso e à reflexão. O ator convidado, Tito Grando, está muito à vontade e declina sua atuação sem que se confunda as  personagens da sua pauta de contracena… Deborah e sua personagem encantam, chocam, comovem e  deixam um exemplo de teatro para rir e pensar…  A Cia. de  Solos & Bem Acompanhados cumpre seu papel no roteiro e pauta do teatro  brasileiro. Sabe das coisas de Baco e Téspis.”
Maneco Nascimento, ator, radialista e  jornalista  – Blog do Maneco – http://www.vooz.com.br /  manekonascimento.blogspot.com , 11/08/2012 – Teresina/PI
Deborah Finocchiaro: uma atriz admirável, com total domínio da cena
Sobre Anjos & Grilos – O Universo  de Mario Quintana 

Textos e Poemas – Mário Quintana / Concepção, Roteiro e Atuação – Deborah Finocchiaro / Direção – Deborah Finocchiaro e Jessé Oliveira / Imagens – Zoravia Bettiol / Trilha Sonora Original – Chico Ferreti (Com exceção das músicas Ecogliter, de Laura Finocchiaro e Franco Junior, e trechos das músicas Baleada Noturna, de Lory Finocchiaro, 4ª Sinfonia de Mahler e Concertos de Brandenburgo n° 4 e 5 de Johann S. Bach) / Voz em OffPaulo José / Iluminação – Fabrício Simões e Jessé  Oliveira / Figurino – Raquel Cappelletto / Programação Visual – Ricky Bols / Operação de luz e  Responsável técnico – Leandro Roos Pires / Operação de Som e Imagens – Zé Derli Rodrigues / Programação Gráfica – Ricky Bols

 

Deborah Finocchiaro como ‘A Vizinha’: 19 anos em cartaz e 17 troféus de Melhor Atriz… ela mereceeee !

Pois é, Vizinha…

Texto – Dario Fo e  Franca Rame / Tradução (do original Una Donna  Sola) – Roberto  Vignati  / Direção, Adaptação e Atuação – Deborah Finocchiaro / Ator convidado – Zé Derli Rodrigues / Cenografia – Rafael Silva / Iluminação – Fabrício Simões e Leandro Roos Pires / Operação de luz – Leandro Roos Pires / Operação de som – Vitor Leal  / Figurino – Cléria Finocchiaro / Projeto gráfico – Eloar Guazelli Filho e  Cléo Magueta 

Mostra Companhia de Solos & Bem Acompanhados

Produção Executiva – Daniela Lopes e Deborah  Finocchiaro / Assessoria de Imprensa – Bebê Baumgarten / Produção  Local – Antoniel Ribeiro (PI), Ana Carolina de Aguiar (TO), Henrique Fontes e Mariana Hardi  (RN) / Assessoria de Imprensa Local – Biá Boakari (PI), Ana  Carolina de Aguiar (TO), Casa da  Ribeira (RN)

Assessoria de Comunicação  Digital e Assistência de Produção – Vitor Leal / Projeto  Gráfico – Sandro Ka / Gerenciamento de Projeto – Deborah Finocchiaro

Produção e  Realização – Companhia de Solos & Bem  Acompanhados

Este projeto foi contemplado com o  Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2011

* DEBORAH FINOCCHIARO é uma Artista Querida, que conheci no final dos anos 90, no Festival de Teatro Isnard Azevedo, realizado na adorável Florianópolis.  Em Deborah, chamou-me a atenção, de pronto, a simpatia contagiante, a inteligência vibrante e a atriz vulcânica em cena, dividindo-se em diferentes nuances sensórias, numa mesma personagem. A ‘Vizinha’ de Dario Fo e Franca Rame – que vira também na versão com Marília Pera – foi destaque naquele festival de teatro de Floripa. E a grande prova do acerto do público ao aderir ao espetáculo, e do festival, ao premiá-lo, é a trajetória que Pois é, Vizinha vem cumprindo de lá pra cá.
Fico feliz em saber da permanência aguerrida de Deborah Finocchiaro em palcos pelo Brasil e noutros países, e mais ainda em saber de seu sucesso junto ao público e à crítica. Tenho certeza que muito mais ainda há de vir. E, mesmo de longe, aplaudo a querida Débora Finocchiaro com efusão !
A Deborah Finocchiaro e sua Companhia de Solos & Bem Acompanhados meu aplauso efusivo e meus votos de vida longa, sempre com muito público, palcos diversos, e muito mais troféus e adesões, no Brasil e em qualquer parte do Planeta.

Aderbal Freire-Filho, ou simplesmente, TEATRO

Tenho a honra de dizer que fui aluna dele, por várias vezes, e confesso que tenho por ele uma admiração que só cresce quanto mais o vejo, mais o ouço falar e mais fico sabendo de sua atuação ininterrupta e impressionante – seja no Teatro, no Cinema, escrevendo, fazendo músicas, dando entrevistas e ou envolvido em projetos os mais audaciosos possíveis.

Aderbal Freire-Filho é um homem por quem é fácil se encantar. Tem uma inteligência refinada, uma cultura vicejante, um brilhantismo temperado com uma simplicidade cativante. A sensibilidade aguçada e o olhar indormido para tudo o que perpassa o humano preenchem sua personalidade de um estilo criativo raro cuja originalidade só revigora a força que faz dele um dos
Artistas mais profundos, relevantes e respeitados do país.

De temperamento inquieto e sempre antenado com seu tempo, Aderbal saiu do Ceará há muitos anos para viver do Teatro, para o Teatro, pelo Teatro e com o Teatro. Aliás, em termos de Palco e Dramaturgia, eu diria que Aderbal está muitos anos-luz à frente de seu tempo.

Sou sua fã confessa, mantenho por ele o mesmo encantamento da primeira vez em que o vi, já bem sintonizada com seus passos na Arte porque desde menina meu pai sempre me falava dele, com enorme carinho e admiração. Lembro como se fora hoje: “Loló, você precisa conhecer o Aderbalzin, este é o homem do Teatro”… O Mestre LG de Miranda Leão tem por ele o respeito de quem o sabe um oficiante no acme da Arte de Shakespeare.

Aderbal está mais uma vez nos palcos, pra honra e glória do Teatro Brasileiro. São 3 peças em cartaz ao mesmo tempo, com sua direção. Numa delas, ele também atua. É Depois do Filme que ele escreveu e dirige, e que nasceu a partir do filme JUVENTUDE, no qual ele é ator ao lado dos amigos Domingos Oliveira e Paulo José. Um trio magnânimo, um filme comovente.

Reproduzo aqui a entrevista de Aderbal Freire-Filho à Folha porque é sempre importante ouvir ADERBAL FREIRE-FILHO, um homem que, se não existisse, precisava ser inventado.

Saravá, Aderbal ! E um beijo no coração…

Aderbal Freire-Filho só parece ter os 70 anos que não aparenta (“Já fui mais velho”, diz) quando fala sobre tudo que fez até se firmar como um dos mais requisitados diretores teatrais do país.

Trabalhou na Petrobras, foi dono de cinema e de bar, ator de rádio e de telenovela, publicitário e advogado –isso até os 29 anos, quando largou a família (incluindo mulher e um filho) em sua Fortaleza natal e veio fugido para o Rio, pela segunda vez, disposto a viver de teatro.

A partir daí, montou cerca de cem espetáculos, atuou em outros tantos e ganhou praticamente todos os prêmios do teatro brasileiro, além da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo Ministério da Cultura, em 2009.

Sua boa fase atual é facilmente mensurável: no fim de semana, terá três peças em cartaz simultaneamente.

  Paula Giolito/Folhapress  
O diretor Aderbal Freire-Filho posa para retrato no palco da peça "Na Selva das Cidades"
O diretor Aderbal Freire-Filho posa para retrato no palco da peça “Na Selva das Cidades”

“Na Selva das Cidades” abre para o público hoje, no Rio; “Depois do Filme”, em que é autor, ator e diretor, segue em cartaz na mesma cidade; e “As Centenárias”, um de seus maiores sucessos (estrelada por sua mulher, Marieta Severo, e por Andréa Beltrão), estará em Fortaleza.

Freire-Filho conversou com a Folha anteontem, depois do último ensaio de sua nova peça. Falou das frustrações e alegrias de sua “profissão sem rosto” e de sua vida. Abaixo, uma resumo editado dessa conversa, em tópicos.

Estreia na direção

Vim para o Rio em 1970, para investir numa carreira de ator. Nessa fase eu estava me separando, mudando de pele, como o Garga [de “A Selva das Cidades”]. Eu era advogado, casado e com um filho, trabalhava no escritório do meu pai. E aí vim fugido, sem avisar ninguém, de ônibus. Foi uma mudança muito brusca. Cheguei no Rio com endereço certo e queria me mudar rapidamente para minha família não saber onde eu estava.

A primeira peça que eu fiz aqui foi “Diário de um Louco”, dentro de um ônibus que circulava por Ipanema, Leblon e Copacabana. Lembro que o Glauber [Rocha] namorava com a produtora da peça, o Euclides Marinho, que virou escritor de novela, era o fotógrafo.

Depois, um produtor me convenceu a fazer teatro infantil, para ganhar uma grana. Eu criei uma peça inspirada no “Flicts”, do Ziraldo, que não queria que mexessem na obra-prima dele, mas leu meu texto e adorou. Ofereci para outras pessoas dirigirem, mas ninguém podia, então dirigi eu mesmo e descobri que era isso aí, que minha forma de expressão era essa.

Trabalho de diretor

Pouca gente sabe. Nem falo fora do teatro, porque aí é ninguém. Eu brinco dizendo que esse era o problema da minha mãe na hora de explicar o que o filho fazia. “É diretor de teatro”. “Mas o que ele faz?”

É muito difícil eu me identificar profissionalmente na sociedade, para o taxista, o cara da farmácia. Eu falo que sou diretor de teatro e o sujeito me pergunta que teatro eu dirijo, como se eu fosse administrador.

É difícil explicar mesmo dentro do teatro. Eu leio críticas e vejo que os críticos não têm ideia. Até tenho reconhecimento, ganhei muitos prêmios, mas esse desconhecimento às vezes me fere. Já teve época em que eu sentia cansaço, a idade, pensava “chega, vou ser pescador no Ceará”. Mas hoje estou animadíssimo de novo e, à medida em que quero fazer outras coisas que não dirigir, como atuar e escrever, reconheço a beleza dessa profissão sem rosto, do ofício de diretor de teatro.

Atuar x dirigir

Eu sou um diretor-ator, me comunico com os atores com a proximidade de quem jogou essa bola. Tem uns diretores que pré-concebem seu espetáculo, estudam muito antes de começar os ensaios, até desenham as cenas que vão ensaiar. O oposto disso são os diretores que chegam e pedem para os atores improvisarem. Eu não sou nem um, nem outro. Sou um diretor que não prepara, mas sou muito rigoroso no sentido da coreografia do espetáculo, acho que a espontaneidade não vai longe. No ensaio, me considero num ateliê em que eu crio na hora, e isso é próprio do ator, e do diretor que eu sou.

O ator tem o prazer incomparável de fazer a peça na frente do público. Isso o diretor não tem. E é o que eu faço no “Depois do Filme”, e quero continuar essa história. Tenho esboços de ideias paradas, quero dar uma pausa para pensar nisso, estou trabalhando sem parar desde 2007.

A conta que não fecha

O teatro no Brasil tem uma equação econômica impossível. O preço que faria o teatro ser acessível para um mercado como o brasileiro não paga o produto. Se eu cobrar R$ 5 e R$ 10, fazendo três ou quatro vezes por semana, em uma plateia de poucos lugares, não pago os custos de elenco, técnicos, aluguel do espaço, divulgação. Não dá para viver de um ingresso menor.

Antigamente as peças paravam no seu tempo natural, quando o público ia acabando. Hoje em dia você vê peças lotadas que acabam porque terminou o dinheiro do patrocínio e a bilheteria não paga a manutenção. As peças morrem atropeladas.

Eu sou um cara que vive só de teatro, diria que sou um dos que cobra o cachê mais alto. E o que eu cobro não equivale ao salário mensal de um ator razoável na TV. E é um cachê para eu trabalhar três meses. Sou contratado por um cachê e mais uma porcentagem da bilheteria. Peças como “Hamlet” e “As Centenárias” me dão muito mais de porcentagem do que de cachê. Ganho a vida como diretor de teatro. Tenho um carro 96, moro num apartamento alugado de quarto-sala, mas perto da praia, e moro só.

Aderbal Freire-filho no lugar onde mais gosta de estar, o PALCO…

O teatro e a TV

Até acho que a classe C tem ido a um tipo de teatro como extensão da TV. Mas [o teatro] não está no repertório de consumo, então é difícil associar isso à ascensão de uma parte da população para a classe média.

O teatro no Brasil não criou uma necessidade de consumo como no primeiro mundo. O fenômeno das telenovelas estabeleceu uma concorrência brutal. Você tem em casa um folhetim que te prende e que, apesar de ter uma outra linguagem, uma outra poética, é teatro, tem os atores, os diálogos.

Eu não fiz TV por burrice, que é um dos nomes do sectarismo. Eu era da seita do teatro, achava que fazer televisão era me corromper. Quando a TV completou 50 anos, eu me dei conta de que esse negócio é absolutamente contemporâneo meu. Eu poderia ter crescido junto, desde os primórdios, que idiota que eu fui. Ainda mais porque eu fiz telenovela no Ceará. A TV lá começou em 1960, na época em que eu vim para o Rio pela primeira vez. Quando voltei para Fortaleza, em 62, meus colegas de teatro amador estavam fazendo telenovela. Me lembro de uma chamada “Arrastão”, em que eu era o galã. Também apresentei programas e fui locutor.

Admirador de Lula

Eu vejo hoje muita gente se rendendo à Dilma e continuando a falar mal do Lula. Quem descobriu a Dilma, quem brigou com o partido para impô-la, não foi o Lula? Me lembro de uma crônica do [Arnaldo] Jabor ofensiva, em que ele dizia “essa pobre mulher está sendo usada”. E agora ela dá uma demonstração de firmeza, de determinação. E o Lula viu isso. Esse talento, essa sensibilidade do Lula, surpreende o mundo.

A inteligência brasileira ainda acredita no neoliberalismo como uma coisa nova. A inteligência europeia já esgotou sua crença no neoliberalismo, está esperando surgir uma luz, um pensamento, uma coisa nova. Pode ser que não seja o Lula, pode ser que ele seja um erro total, mas o fato de ele ser respeitado internacionalmente mostra que eles têm pelo menos a curiosidade de ouvir esse cara.

Uma parte enorme da crítica à incultura do Lula é burra, muito burra. Não consigo entender. Quando não se localiza na política, esses mesmos críticos admiram alguns talentos incultos. Na música popular, temos Nelson Cavaquinho, Cartola. Somos grandes produtores de talentos incultos. Na política isso é impossível? E, por falar em cultura, quem são os cultos na política brasileira? O Fernando Henrique é um homem culto, tem outros, mas são as exceções. O nível cultural do Lula dentro da política brasileira é alto.

Tenho o maior carinho pelo Fernando Henrique, não sou um radical, me lembro de quando fui a uma assembleia em que ele estava e fiquei encantado com a inteligência dele. Mas eu era [professor] da universidade pública, me lembro da falta de atenção do período Fernando Henrique. Ele é um cara da USP, e não houve um aumento, nada, quem cresceu foi a universidade privada. E eu vejo o que é a universidade pública pós-Lula, o analfabeto. Respeitada inclusive internacionalmente.

Fala-se muito da corrupção, mas ela aparece agora porque cresceu a repressão. Antes, os caras dominavam a corrupção e os aparelhos anti-corrupção, então nada aparecia. Nunca vi ela ser tão combatida como agora. Na época do mensalão, os maiores canalhas da política nacional faziam discurso sobre a moralidade.

Aderbal Freire-filho e Aurora Miranda Leão: encontro em Fortaleza 2011 

Trabalho do MinC

O Gil e o Juca [Ferreira, ex-ministros da Cultura no governo Lula] estruturaram um ministério como nunca houve. Mas eu tive divergências: quando quiseram polarizar famosos x não famosos, por exemplo [na discussão sobre direcionamento de patrocínios públicos]. Os famosos brasileiros fazem o melhor teatro. O Wagner [Moura] faz “Hamlet”, a Renata Sorrah trouxe para o teatro brasileiro autores importantes que a gente não conhecia, como [o alemão] Botho Strauss. A gente não tem uma companhia dramática nacional, quem faz esse papel são alguns famosos. Não faz sentido colocar famosos contra não famosos, dá para atender os dois.

Quando vem o novo governo, com a Ana [de Hollanda, atual ministra da Cultura], num primeiro momento me surpreenderam algumas atitudes dela, mas eu a conheço, sei que é uma pessoa séria, dedicada, honesta, de muito boa fé, então eu torço por ela e por esse ministério. Como eleitor da continuidade, eu defendia a continuidade do trabalho do Juca. Mas acredito que ela virá, numa certa medida. Eu acredito nesse projeto no ritmo das possibilidades. Quem tentou um outro ritmo, mais acelerado, não se deu bem.

* MARCO AURÉLIO CANÔNICO, do Rio

Teatro Baiano Inicia Turnê em Fortaleza

Projeto Trilogia Memórias  ocupará Teatro SESC Iracema e Hospital Universitário Walter Cantidio 
 

A capital cearense é a primeira cidade a receber as peças dramáticas que unem ficção e realidade, entrelaçadas à tragédia social de uma América Latina dominada por ditaduras militares. Cada uma conta, independentemente, recortes de uma história de mãe e filha, que os laços de vida deveriam unir, mas que o destino separou. 

Os três espetáculos – um deles encenado num hospital – reconstituem a História a partir de diversos pontos de vista, de trajetórias pessoais e de diferentes personagens. A Memória Ferida (que conquistou o Prêmio Braskem de Teatro de 2009 como melhor texto),A Morte nos OlhosNa Outra Margem, com textos assinados por Dinah Pereira, são três novas montagens que resultam de uma pesquisa dramatúrgica e cênica ancorada nas diversas possibilidades da narrativa como instrumento de reconstrução do passado e ressignificação do presente.Trilogia Memórias – Um grito contra o silêncio e o esquecimento: uma forma de compreender o outro e de atribuir sentido à experiência vivida. Três tentativas de explicar o que só o destino explica.  

 A Memória Ferida

   

Local: Teatro SESC Iracema

Data: 14/05

Horário: 20h

Ingresso: R$ 10,00 (inteira) e 5,00 (meia)

 

A Morte nos Olhos 

 Local: Teatro SESC Iracema

Data: 15/05

Horário: às 20h

Ingresso: R$ 10,00 (inteira) e 5,00 (meia)

 

Na Outra Margem  

   

Foto: Alessandra Nohvais

Local: Hospital Universitário Walter Cantidio (Hospital das Clínicas)

Data: 16/05

Horário: 19h

Ingresso: entrada franca

O PROJETO  

      Trilogia Memórias – Um Grito contra o Silêncio e o Esquecimento promove a circulação de três novas montagens teatrais baianas por cinco capitais brasileiras: Fortaleza (14 a 16 de maio de 2011), Aracaju (27 a 29 de maio), Recife (3 a 5 de junho), Porto Alegre (24 a 26 de junho) e Curitiba (1 a 3 de julho). A turnê, projeto vencedor do edital do Programa Eletrobras de Cultura, conta com patrocínio da Chesf.
     Com textos assinados por Dinah Pereira, como resultado de um pós-doutorado na Universidade de Quebec, no Canadá, a trilogia aborda a questão da memória e da alteridade, através de processos narrativos e tendo como pano de fundo a ditadura militar no Brasil. 
     Os espetáculos A Memória Ferida (que conquistou o Prêmio Braskem de Teatro de 2009 de melhor texto), A Morte nos Olhos e Na Outra Margem têm direção de Lucas Modesto e são encenados pela Companhia Estupor de Teatro e atores convidados. A produção da turnê é da ContraRegra Produções.
 

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SINOPSES 

A Morte nos Olhos é a fábula de uma moça desmemoriada que acorda num quarto de uma casa no Sertão do Nordeste sob os cuidados de uma Senhora muito generosa. Portando consigo apenas uma bolsa com um livro de mitologia e as páginas manuscritas de um conto fantástico inacabado, a moça decide continuar essa história, invocando seres mitológicos e imaginários, mergulhando num universo, onde ficção e realidade, pesadelo e memória se fundem.

 

A Memória Ferida reconstitui o trajeto de dois jovens de culturas diferentes que se reencontram e revivem um passado comum doloroso. Mas esse retorno ao passado esconde um outro passado ainda mais longínquo e agudo: Os Pais de Ana Kharima eram militantes que, tentando fugir dos militares no auge da ditadura militar, conhecem um destino trágico no Sertão do Nordeste, onde a filha é deixada sob os cuidados de uma Senhora num lugarejo árido e desértico.

 

Na Outra Margem ocorre num cenário hospitalar, num quarto com apenas um leito e conta a fábula de uma jovem vítima de um acidente grave de carro. Com vários traumatismos físicos e psíquicos, sob efeito intenso de grandes doses de morfina e outros tranquilizantes, a jovem vê desfilar diante de si os personagens da mãe, da enfermeira, dos médicos e de seus amantes, os quais lhe reconstituem, cada um ao seu modo, a sua história de vida.

 

REBELDIA de TEATRO

Não percam!
 
Musical brasileiro inédito na CAL, composto e dirigido por Guilherme Héus e Menelick de Carvalho, produzido pelo curso Mergulho no Musical sob a supervisão de Mirna Rubim e Gustavo Ariani.  
 
Sábados e Domingos, com sessão dupla, às 18 e 21 horas. INGRESSO GRATUITO. Chegar com uma hora de antecedência para conseguir senhas.
 
ELENCO: Bruno Fraga, Fernanda Schmoltz, Marcelo de Paula, Matheus Oliveira, Fernanda Gabriela, Rafael de Castro, Renata Januzzi, Renato Machado, Mariana Bravo, Patricia Manso, Stephanie Goebbels, Vinicius Teixeira, Marcelo Albuquerque e Guilherme Héus.
 
CORAL: Amanda Cunha, Diego Pinto, Erica Zambrano, Gugah Almeida, Henrique Lott, Isabele Marinho, Isabelle Nascimento, Isadora Taam, Julia Ledl, Lucas Vinhas, Marcelo Neves, Paula Rodrigues, Rodrigo Moura, Taís Feijó, Tathiana Loyola e Ursulla Silvani
 
SONORIZAÇÃO: Luciano Siqueira ILUMINAÇÃO: Wilson Reiz FIGURINO: Carol Rodriguez CÂMERA: Mário Cascardo PROGRAMAÇÃO VISUAL: Marcela Dias ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO: Andrêas Gatto